quinta-feira, 28 de dezembro de 2023

A Verdade do Autoconhecimento e a ação livre do ego | Condicionamento psicológico | A ação livre

As questões da vida. É necessário que você compreenda que essas questões da vida são questões que ainda se mantêm como questões porque nós não temos uma visão, uma compreensão direta da Verdade sobre quem nós somos. O propósito aqui é investigar isso. Assim sendo, aqui não será aqui apresentado para você uma simples, teórica, conceitual, intelectual resposta para essas questões. Nós estamos juntos para investigar, para explorar isso, para estudar isso. Não podemos estudar isso com alguém, não podemos estudar isso em livros.

Só há uma forma de nos aproximarmos da Verdade da Sabedoria, da Verdade dessa clareza de percepção de Realidade, de visão integral da Vida: é pelo Autoconhecimento. Apenas quando há uma aproximação da Verdade sobre quem você é é que isso se torna possível, e essa é uma descoberta que você faz. A compreensão de si mesmo, que tem por princípio o Autoconhecimento, que tem por base o Autoconhecimento, é a base Real para a Sabedoria, para a solução final dessas questões da vida.

Nós temos inúmeras questões. Uma dessas questões é a questão da ação livre. Nós precisamos descobrir o que é uma ação que represente, de fato, para as nossas vidas uma ação livre, inteligente, uma ação onde haja essa Presença, essa Ciência, essa Realidade Divina. Apenas quando temos a ciência da Realidade de Deus na ação, temos a Verdade da Inteligência, temos a Real Inteligência, então se torna possível uma vida livre de contradições, de dilemas, de conflitos, de problemas.

Reparem que é muito comum essa tentativa nossa de acertar. Nós estamos tentando acertar, então nós temos perguntas do tipo: “Como fazer a coisa certa?” Ou: “Como agir sob pressão?” A nossa tentativa é de atender à vida, de atender a esse momento presente com uma ação que não produza sofrimento, uma ação que produza, de fato, resultados. Mas nós precisamos investigar claramente essa questão da ação.

O que é a ação livre? O que é a ação inteligente? O que é a ação verdadeira? O que eu tenho dito aqui é que nossas ações não são ações reais, elas são ações falseadas pelo pensamento. Assim, quando nós temos ações que são impulsionadas pelo pensamento, nós temos ações conflituosas. Nossas ações são, basicamente, egocêntricas porque são ações que se baseiam no pensamento. Haverá uma outra qualidade de ação, que não se baseia no pensamento?

Nossas ações têm sempre por detrás delas uma motivação, uma intenção, um desejo, um medo, uma apreensão. Há sempre o sentido de um "eu" presente em um movimento autocentrado, autointeresseiro, que se move com base no medo, com base no desejo, com base em escolhas. Tudo isso algo determinado pelo pensamento. Então, nós temos primeiro o pensamento, temos esse objetivo, que está centrado no próprio "eu", e depois temos a ação. Essa é a qualidade de ação que nós conhecemos, a ação centrada no pensamento, baseada no pensamento.

Então, temos que investigar a natureza desse que age, desse que se move, desse que está sendo o fazedor das coisas, que é o "eu", o ego. A “pessoa”, como nós nos vemos, é aquela que está se movendo no mundo a partir do pensamento. A vida está a todo momento nos trazendo situações novas, novos desafios. Tudo na vida se constitui num movimento; esse movimento é a ação. Não há como, nessa vida, estarmos livres da ação.

A todo momento nós estamos dentro de um movimento; esse movimento é a ação. O falar é uma ação, o gesticular é uma ação. Da manhã até à noite, desde que você sai da cama até a hora de dormir, você está sempre no movimento, e esse movimento é ação. Então, a todo momento nós estamos atendendo às solicitações da vida, na vida. A vida é esse desafio. A questão é como estamos atendendo a isso.

O que tenho dito aqui – e você pode investigar isso, não apenas ficar nessas palavras concordando ou tendo uma inclinação para ler e discordar – é que nossas ações são egocêntricas, e por serem egocêntricas, por estarem centradas em uma identidade egoica que se vê separada do outro, da vida, das situações, nossa relação com tudo isso é uma relação de separação, de dualidade. E onde há separação, onde há dualidade, nessa noção "eu e o mundo", "eu e o outro", “eu e essa ou aquela situação", há, naturalmente, conflito, sofrimento, desejo, medo, autointeresse.

A nossa vida no ego é uma vida nesse princípio de separação, dentro dessa dualidade. Nesta dualidade, nessa separação, há conflito. Assim, nossas ações são ações centradas no "eu", no ego. Aqui, nós precisamos investigar a natureza desse ego, desse "eu". O que é o “eu”? Quem sou eu? Então, qual é a verdade desse “eu”?

Observe que esse “eu”, esse sentido do “eu” é um conjunto de lembranças, memórias, imagens. Se eu lhe perguntar: quem é você? Você vai dizer o seu nome e contar a sua história. Nós estamos identificados com a história que trazemos e com o nome que nós conhecemos a respeito de quem somos, porque nos identificamos com essa história, com esse corpo, com essa mente. Então, essa é a descrição desse “eu”.

Esse “eu”, portanto, é um conjunto de lembranças, imagens, recordações, memórias, história – a história da família, a história da sociedade, a história do mundo. Tudo isso faz parte desse “eu”. A educação que recebemos, a religião onde fomos criados, o sistema político onde fomos educados. A sociedade nos educou, a cultura nos deu essa formação, e tudo isso é hoje parte desse movimento interno de memórias, de lembranças, de recordações, algo guardado nesse cérebro. Então, nós vivemos como uma entidade presente no mundo com um cérebro condicionado, numa vida já programada fisicamente, psicologicamente.

Assim, nossa atuação no mundo, nossa atuação na ação, na relação com o outro, com nós mesmos, com objetos, com situações são ações programadas pelo pensamento; esse movimento é o movimento do "eu", do ego. Será essa a Verdade sobre quem realmente somos? Isso é o que realmente apresentamos ser, o que demonstramos ser, o que parecemos ser, o que a sociedade, a cultura, o mundo, a família, a história humana nos faz ser. Haverá alguma coisa além disso?

Enquanto nós não descobrirmos a Real Verdade desse Ser que trazemos, nossas ações serão ações centradas no "eu", no ego, nessa “pessoa”. O ego é essa ignorância, a pessoa é essa ignorância. Esse "eu" vive nessa ignorância, com base num condicionamento psicológico, se movendo no mundo e agindo. Nós estamos criando problemas, vivendo com sofrimento, vivendo em problemas, produzindo problemas. Olhe para a situação do mundo, o caos em que nós nos encontramos, porque, na realidade, esse mundo externo é só uma expressão externa de nossa confusão interna.

Vivemos, psicologicamente, nesse "eu", nesse ego presos à inveja, ciúmes, conflitos; há essa contradição entre os desejos dentro de cada um de nós, e isso se reflete nessa relação também com o outro. O estado psicológico do ser humano é de confusão, é de desordem, é de sofrimento, estresse, ansiedade, depressão, angústia, a dor da solidão, esse egocentrismo sendo expresso em atividades egocêntricas a cada momento.

Então, a nossa forma de atender a esse desafio, que é a Vida acontecendo nesse instante, com base nesse pensamento, nesse modelo que vem do passado, nesse condicionamento que é o resultado de toda essa cultura, algo que vem do passado, uma ação desse tipo está criando confusão para nós, para o outro, no mundo. Aqui nós estamos descobrindo a arte de Ser Consciência, esse é o nosso trabalho com você. Estamos trabalhando com você o Despertar desse Ser Real que somos, que é o Despertar da Real Consciência.

Nós conhecemos essa consciência comum. Temos falado muito disso aqui , da diferença entre essa consciência como nós nos vemos, como nós nos conhecemos, centrados dentro dessa mente condicionada, e de uma Realidade além disso: é essa Real Consciência. E nós estamos trabalhando com você aqui o Despertar dessa Real Consciência, desse Ser Real que somos. Alguns chamam isso de o Despertar Espiritual, a Iluminação Espiritual; é a ciência do seu Ser se revelando.

A verdadeira ação é a ação da Inteligência, que nasce dessa visão da Realidade. Não há qualquer separação nesta ação. Nossa ação, quando nasce do pensamento, está carregada de uma intenção egoica. Há uma qualidade de ação livre desse pensamento condicionado, dessa mente condicionada, e esse é o assunto nosso aqui: lhe mostrar que, sim, é possível uma ação livre desse condicionamento psicológico.

Temos que investigar a natureza desse "eu", desse experimentador, desse que cultiva esse modelo de pensamento condicionado, então podemos ir além do pensamento, então o pensamento cessa, essa condição psicológica, condicionada de ser desaparece. Algo novo surge para uma vida em Amor, em Felicidade, dentro dessa ciência de Deus, dessa ciência da Verdade.

Nós aqui estamos aprofundando isso com você, explorando isso com você, lhe mostrando a possibilidade de, nesta vida, assumir a Realidade que você nasceu para assumir, que é a Realidade desse Ser, que é a Realidade de Deus, que é a Realidade de sua Natureza Essencial, de sua Natureza Divina.

Dezembro de 2023
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terça-feira, 26 de dezembro de 2023

Vida Divina | Iluminação Espiritual: uma questão da vida | A morte e o Estado de Turiya

Como questão da vida nós temos presente a questão da morte. Vamos trabalhar com você aqui essa questão, a questão da vida e da morte. Será que existe uma linha de demarcação, será que existe uma fronteira entre essa, assim conhecida, “vida” de todos nós e essa “morte”?

Tudo o que nós temos como vida – observe isso de perto e você verá – é a continuidade da memória. Aquilo que nós chamamos de vida é a continuidade do nosso nome, da nossa história, dos nossos móveis, dos nossos imóveis, das pessoas com quem nós nos relacionamos, a história que conhecemos delas, a história que conhecemos sobre quem somos.

Então, aquilo que nós temos chamado de vida consiste em ganhar, perder, obter, acumular, buscar mais, a procura da satisfação, da paz, da felicidade, tudo isso nós chamamos de vida. Estamos diante da continuidade da memória. Assim, aquilo que nós chamamos de vida, que nós consideramos vida é, simplesmente, a continuidade dessa “pessoa”, dessa entidade que acreditamos ser. Assim, tudo o que nós temos dentro dessa memória, dessa continuidade é a continuidade do “eu”, do ego. É isso que nós chamamos de vida.

Quando nos deparamos com o fim disso nessa, assim chamada, “morte”, nós criamos uma separação. Já percebemos que nessa conhecida morte nós temos o fim para essa memória, temos o fim para essa continuidade, e isso nos causa medo. Então, para nós a morte é, na verdade, o desconhecido.

Nós não sabemos o que, na verdade, é a morte. Em razão desse medo de perder essa continuidade, de perder esse conhecido, nós temos criado crenças. As crenças religiosas nos dão conforto, nos dão consolo, nos mostram a possibilidade da continuidade, da continuidade exatamente dessa memória nessa, assim conhecida, “pós-morte”.

Então, o que nós temos aqui? Uma ponte, ou procuramos criar uma ponte entre esse nosso conhecido, que é a história, a memória, a continuidade do “eu”, do ego com aquela outra coisa desconhecida chamada morte. Assim, nós projetamos nesse “pós-morte” a continuidade desse “eu”. É isso que nas religiões nós temos como a questão do “pós-morte". Então, nós temos a ressurreição, temos a reencarnação, temos céu, temos inferno. Nós ficamos para escolher ou para ver o que mais convém para nós em termos de aceitação no que acreditar. Tudo isso fazemos porque, na verdade, nós temos “medo”, o medo do fim dessa continuidade.

Então, na verdade, não sabemos o que é a vida sem a continuidade do ego, e não sabemos o que é essa, assim chamada, “morte” sem essa continuidade do ego. Assim, nós projetamos um ideal de futuro nessa coisa chamada “pós-morte” para isso que está aqui, agora, nesse momento, dentro dessa continuidade. Então, nós temos no “pós-morte” a continuidade dessa, assim conhecida, “vida”. Será que isso tem realidade? Ou essa realidade ainda está dentro do conhecido?

É isso que temos dito aqui para você. Estamos investigando esse assunto aqui com você. Nós estamos aqui interessados na compreensão do que representa o fim do conhecido, portanto, o fim do ego, dessa, assim chamada, “continuidade”, que é a continuidade de vida do “eu”, do ego. Então, o que ocorre com o ser humano é que ele não está interessado em investigar a natureza da Verdade da vida, o que significa a Realidade de uma vida livre do conhecido. Ele se mantém dentro desse modelo do conhecido nessa, assim chamada, “vida”, e projetando esse conhecido para essa, assim chamada, “morte”. Então, nós temos essa, assim conhecida, “vida” no presente e essa projeção desta vida em sua continuidade no futuro, nessa chamada “morte”.

A pergunta aqui é: será que podemos descobrir a Verdade da vida livre dessa continuidade do “eu”, do ego, com seus medos, desejos, apegos, bens materiais, relacionamentos com pessoas? Podemos descobrir a Verdade do fim dessa continuidade da memória? Eu me refiro a essa memória psicológica, isso aqui em nós que sustenta essa entidade, que é “eu”, o ego, que mantém essa continuidade do “eu”, do ego. Esse ego vive no medo, e o medo dele é perder o que ele conhece. Então, é muito interessante tudo isso.

A questão do medo da morte, que tem criado essas projeções da continuidade, é uma projeção do ego. É a busca desse ego dentro dessa continuidade em se encontrar no futuro com tudo o que ele já conhece, seus entes queridos, uma vida melhor. Essa “vida melhor” está dentro da continuidade daquilo que já se conhece. Tudo o que se pode descrever no “pós-morte” está dentro do conhecido, então se trata de uma continuidade do ego, se trata de uma continuidade de uma vida ainda presa à condição do passado, do tempo.

Haverá uma Real Vida fora da continuidade do “eu”, fora da continuidade desse tempo psicológico, dessa busca de segurança psicológica em projetos do futuro do “pós-morte”, em ideais, em crenças? O trabalho do Despertar da Consciência, da Revelação do seu Ser é o contato com a vida, com a morte. Mas morte é vida, vida é morte, não há qualquer transição, não há qualquer mudança, porque não estamos tratando aqui, agora, de algo que está dentro do tempo.

A Realidade deste Ser que somos não nasceu, não está vivendo no tempo e não irá morrer. A ciência do Despertar da Verdade, do Despertar da Consciência, da Verdadeira Iluminação Espiritual é o fim da continuidade do “eu”, do ego, portanto, é o fim da continuidade dessa, assim chamada, “vida” e dessa, assim chamada, “morte”.

A pergunta aqui é: podemos entrar em contato com a beleza da morte agora, aqui? A morte como o fim da continuidade de tudo aquilo que conhecemos. Morrer nesse instante para nossos desejos, medos, apegos, experiência com objetos, com pessoas, nossas fixações nos relacionamentos de prazer e de dor, relacionamento com objetos, numa relação também com lugares, num relacionamento também com pessoas.

O fim da ilusão da pessoa, do “eu”, do ego aqui é o fim da pessoa desse “eu”, desse ego aí. Então, estamos diante de Algo desconhecido. Esse Desconhecido é a Verdade da morte. Então, a Realidade do Desconhecido, a Realidade da morte pode ser compreendida agora, aqui, quando não há mais essa continuidade para esse conhecido, que é o “eu”, o ego.

Esse é o nosso assunto aqui com você. Estamos investigando a Natureza da Verdade desse Ser que está fora dessa conhecida vida e dessa projetada, idealizada morte ou “pós-morte”. A Verdade Divina, a Verdade que somos, a Verdade de uma vida livre do ego é a Verdade dessa morte do tempo psicológico, desse tempo que sustenta essa continuidade. Compreendam isso aqui. Toda essa continuidade do ego está nesse movimento desse tempo psicológico, uma idealização do pensamento, algo assentado na memória.

Repare que tudo aquilo que você conhece está dentro da memória. Tudo isso faz parte dessa consciência, que é a consciência do “eu”. Não há qualquer consciência sem memória. Você não pode ter consciência daquilo que é desconhecido. A referência da consciência é a relação da ciência do conhecido. Você tem ciência do que conhece. Você pode imaginar o desconhecido; essa imaginação do desconhecido é o conhecido ainda sendo projetado, então, não se trata do desconhecido, mas de uma ideia ainda, de um pensamento, de uma projeção do próprio pensamento. Reparem como é fascinante a compreensão clara disso aqui.

Nossa esperança é algo dentro do conhecido, é parte daquilo que o pensamento constrói. Se aqui estamos tratando da Realidade Divina, da Realidade de Deus, da Real Vida, não podemos estar sinalizando Ela ou marcando Ela com as marcas do conhecido. A Real Vida não tem o sinete ou selo do conhecido. O convite para a Realização do seu Ser é para a Verdadeira Vida. A Verdadeira Vida está presente quando o “eu” não está, quando o conhecido desaparece, quando existe a morte para tudo isso.

Assim, a coisa mais importante na vida é descobrir a beleza de morrer psicologicamente. A grande beleza na vida consiste em morrer a cada instante para o passado, para o tempo psicológico, para o movimento da mente, para esse movimento que é a ação da continuidade. Nossas ações egocêntricas se processam nesse movimento da continuidade do “eu”. Apenas quando o ego em seu movimento dentro do conhecido não está mais presente é que essa Real Vida Divina, essa Verdadeira Vida Real se revela, então, não há nenhuma separação aqui, nesse instante entre esse contato com a Realidade do fim do “eu”, do ego, dessa continuidade e a própria Vida.

Esse encontro com a Realidade de Deus é o encontro com a Realidade que está além do conhecido. Então, as expressões “vida” e “morte” desaparecem. A noção desse “estar vivo” ou desse “estar morto” não está mais presente para aquilo que aqui é Real e que está além de tudo aquilo que é conhecido, e de tudo aquilo que o pensamento também projeta, ainda, para o desconhecido, o que ainda é parte do movimento dele, o que ainda é parte do movimento do conhecido.

Há uma Realidade Divina presente quando o seu Ser, que é a Verdade de Deus, se revela, e isso é o fim para todo o conhecido. Então, esse é o fim para a morte, assim como é o fim para essa conhecida vida, assentada, psicologicamente, no pensamento, na memória. Percebam a beleza do que estamos colocando aqui para você. A Verdade do Samadhi é a Verdade dessa Realidade Divina. Os Sábios na Índia têm uma expressão para essa Realidade fora do conhecido, fora daquilo que o pensamento projeta como vida e morte, é Você em seu Estado Divino, em seu Estado Natural, que é o Estado de Turiya.

O Estado de Turiya é o Natural Estado de Ser Pura Consciência, além de vigília, sonho e sono profundo, além de nascimento e morte. O seu Natural Estado de Ser é o verdadeiro Estado de Pura Consciência, de Pura Presença. Então, isso é o fim para o conhecido, isso é o fim para todo esse movimento do ego, do “eu”. Não é a inabilidade de lidar com o sonho. Neste sonho, tudo ainda continua presente: relacionamento, família, casa, móveis, imóveis, mas não há mais essa ilusão de uma identidade presente, que é o “eu”, o ego tendo essa continuidade.

Dezembro de 2023
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quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

Ação livre do ego | A Verdade do Autoconhecimento | Real Atenção Plena | Condicionamento psicológico

Nós vamos trabalhar com você aqui a questão da ação. Temos aqui um assunto muito importante para investigarmos juntos: a origem da ação. O que são nossas ações? De onde elas procedem? Por que temos a intenção de acertar fazendo a coisa certa?

Nós também perguntamos: como agir sob pressão ou como agir com calma? Essas perguntas nós fazemos porque temos a intenção de acertar. Vejam como é importante essa questão da ação. O que são nossas ações? Por que, apesar disso, nós não temos uma ação completa?

Aqui eu me refiro a uma ação que seja, de verdade, harmoniosa, feliz, inteligente. O que ocorre conosco no que diz respeito à ação? Nós queremos acertar, e muitas das vezes percebemos que nossas ações trazem exatamente os frutos que nós não esperávamos, nos deparamos com os resultados que nós não aguardávamos.

Por que não temos uma ação sábia, uma real ação, uma inteligente ação? Esse é o nosso assunto aqui com você. A resposta para isso é porque nossas ações – observem – ou nascem do desejo – o desejo de alcançar, de realizar, de obter, de fazer, de conquistar – ou nascem do impulso, da sugestão, da implicação da presença do medo. Então, nós temos tanto o medo, como o desejo.

Em geral, não percebemos que somos impulsionados também pelo medo para uma linha de comportamento, de conduta, de ação. É natural que nossas ações, quando nascem desse medo – o medo de não conseguir, de não obter ou pelo medo para se livrar, para rechaçar uma determinada coisa –, quando elas têm por princípio o desejo e o medo, nós temos presente a ação que tem por princípio um elemento, esse elemento é o "eu", o ego.

Como surgem nossas ações? Surgem os pensamentos, esses pensamentos estão assentados em nós com base em lembranças, recordações, imagens guardadas, memórias. Então, essas memórias, lembranças, recordações são os pensamentos; esses pensamentos nos impulsionam, pelo desejo ou pelo medo, a tomarmos ações. Essas ações são ações egocêntricas. Assim, nossas ações são meras atividades egoicas, meras atividades egocêntricas. Essas ações não são completas, não são íntegras, não são verdadeiras. O ponto é que não há inteligência nesse tipo de ação.

A verdade de nossas ações é que noventa e nove por cento delas são impulsionadas por esse modelo, que é o pensamento. Pode não estar tão clara essa questão do desejo por detrás da ação ou o medo por detrás da ação, mas, notem, há sempre uma intenção, uma motivação, uma emoção, um sentimento, uma sensação nos impulsionando à ação. E de onde isso provém? Qual é a natureza disso?

Reparem, a natureza sempre é do experimentador, daquele em nós que está vivendo com base em lembranças. Essa é a vida da “pessoa”, essa é a vida do "eu" em cada um de nós. Aquilo que somos, aquilo que apresentamos ser, aquilo que demonstramos ser é a base do nosso comportamento, e isso é, basicamente, pensamento, memória, lembranças, experiências.

Então, o que são nossas ações? São ações centradas no ego. Esse modelo de atividade egoica, de ação egocêntrica vem sendo o nosso comportamento. A humanidade, ao longo de todos esses séculos, está vivendo assim. Nós aprendemos isso, nós temos isso como uma herança. Nós carregamos esse comportamento em razão de nossa cultura. Nossas ações são ações centradas no "eu".

A pergunta é: o que é esse "eu", o que é esse ego? Condicionamento. Um padrão de ação, de pensamento, de sentimento, de emoção, desejo, medo, que é o resultado de uma cultura humana, de uma sociedade, de um mundo que recebemos por herança. Nós estamos aqui apenas dando continuidade às velhas ações, aos velhos comportamentos, a esse velho modelo de existência dos nossos pais, avós, bisavós, das gerações que chegaram aqui antes de nós.

Então, o que estamos investigando aqui com você? Nós estamos, primeiro, nos tornando cientes disso. Precisamos nos tornar plenamente cientes da confusão em que nós nos encontramos fisicamente, emocionalmente, psicologicamente. Aqui a confusão é o resultado de um programa de condicionamento, esse modelo programado onde há essa forma de sentir, de pensar e de agir dentro desse condicionamento psicológico, emocional e físico. Esse tem sido o nosso padrão, esse tem sido o nosso condicionamento.

Haverá uma outra forma de atuarmos no mundo? O ponto é que, enquanto houver a presença desse "eu", desse ego – o que representa todo esse condicionamento humano em nós –, tudo continuará da mesma forma. Nossa ênfase aqui está em estudarmos a nós mesmos, irmos além dessa condição, que é a condição do ego. Esse ego é esse elemento em nós que nos separa, nos divide, que sustenta sempre a separação, que está sempre se movendo dentro de um padrão comum a todos.

Nossas ações são ações conflituosas, são ações egocêntricas, que produzem sofrimento, desordem, confusão, porque são ações egoístas. Será possível uma vida neste mundo livre desse ego? Então teremos uma nova qualidade de ação, totalmente diferente da ação que nós conhecemos.

Não é possível viver a vida isolado, separado. A nossa vida é uma vida, sim, de relações. Estamos sempre em relação com o outro, relação com as próprias ideias particulares, relação com os pensamentos, com os sentimentos, com as emoções. Estamos sempre em relação com objetos, com situações, com circunstâncias surgindo. É impossível uma vida isolada, sem uma relação, sem essas relações. E a presença dessas relações implica a presença da ação. Então, não há como escaparmos das ações; elas irão ser tomadas, elas acontecerão, elas surgirão em meio a essas relações.

Assim, se não compreendermos a verdade de nossas ações, o que requer a compreensão das nossas relações, o que requer a visão da verdade desse "eu" que está em contato com tudo isso, não haverá a Verdade em nossas vidas, e sem a presença da Verdade, não pode haver Paz, Liberdade, Amor. Então, vejam como é delicado tudo isso.

Nós estamos na vida, e a vida implica em relações, em ações, a cada momento nós nos deparamos com uma nova situação. Reparem como é intrigante isso: a cada instante este instante é um novo momento, ele tem uma nova representação, o que implica a presença de um novo desafio.

A forma como atendemos a esse desafio, a forma como atendemos a essa relação representa a qualidade de ação acontecendo. Se esta ação nasce do desejo, do medo, do motivo, da intenção, da ideia, do plano, do propósito, do sentimento, da emoção, ela está nascendo desse centro que é o "eu", o ego. Talvez você diga: “Mas como é possível uma ação diferente dessa?” Uma ação diferente dessa é uma ação livre do ego, portanto, é uma ação livre desse centro que é o "eu".

Qual é a verdade desse “eu”? A verdade desse “eu” é que este “eu” é um condicionamento, é uma forma de lidar com o outro na relação e, portanto, com o outro na vida. Então, o que temos aqui é uma forma de sentir, de perceber e de se relacionar com o outro. Isso vem se repetindo em nossos cérebros, porque temos um cérebro condicionado dentro da cultura para sempre repetirmos os mesmos velhos padrões de nossa civilização, de nossa humanidade.

A compreensão do movimento do “eu” é o fim para esse movimento, então nós temos a possibilidade de uma ação de outra ordem, de uma qualidade nova: a ação da Inteligência, dessa Real presença Divina, que é a Verdade desse Ser quando esse “ser” que parecemos ser não está mais presente, é a Verdade de uma ação livre de todas essas complicações criadas pelo pensamento.

O nosso pensamento nos impulsiona à ação. Essa ação está centrada no “eu” por diversas razões, mas quando esse “eu” não está mais presente – quando há o fim para essa dualidade, que é a noção de um “eu” na relação com o outro, com a vida, com nós mesmos, com objetos, com situações – nós temos uma ação Divina, a Verdade da ação livre do ego.

Então, o propósito do Autoconhecimento é a ação livre do ego. Aqui eu me refiro à Verdade do Autoconhecimento, não o que alguns chamam aí fora de “autoconhecimento”. A base para uma vida livre do ego está na compreensão da Verdade do Autoconhecimento e da Real Meditação de uma forma prática.

Então, esse é o nosso trabalho aqui com você. Estamos insistindo nisso, na possibilidade de uma vida sem sofrimento, onde temos a presença do Amor, da Liberdade, da Paz, da Verdade. Alguns chamam isso de o Despertar Espiritual, o Despertar da Consciência, a Realização de Deus. O ponto é que esses nomes não importam, o que realmente importa é compreendermos o que é essa ação.

Uma vez que você tome ciência de como esse “eu”, esse ego funciona, essa Atenção – a simples e direta Atenção sobre esse movimento – é o fim para esse movimento. Não se trata de um esforço, de uma dedicação. O esforço implica a presença de “alguém” no esforço; a dedicação implica a presença de “alguém” na dedicação. Aqui, no entanto, se trata da simples disposição de observar, de se tornar ciente desse "mim", desse "eu". Então temos uma aproximação da Verdade dessa Atenção, dessa Plena Atenção sobre nós mesmos. Essa Atenção Plena, esse olhar é algo extraordinário.

Nessa Real Atenção Plena não há o esforço, não há a autodisciplina, porque o “eu” não está envolvido para traduzir, interpretar ou tentar ajustar aquilo que está sendo constatado, para transformar isto em alguma outra coisa. É necessário compreendermos essa questão do controle, do ajustamento, da autodisciplina. Nada disso é real dentro de uma Atenção onde há simplesmente o interesse Real de olhar, de observar o movimento do “eu”, que se move pelo desejo, pelo medo, pela intenção, pela motivação, pelo pensamento. Então nós temos o fim para essa ação egocêntrica, temos a Revelação da Verdade de Algo além do "eu" aqui e agora.

Assim, aqui estamos apontando esse assunto aqui pra você, a importância de uma vida livre do ego, de uma vida livre de toda forma de sofrimento, uma vida onde haja a presença da ciência da Realidade de Deus, que é esse Ser, Isso é o fim da dualidade. A Realidade d’Isso é aquilo que os Sábios na Índia chamam de Advaita, a Não dualidade, a Não separação.

Novembro de 2023
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terça-feira, 19 de dezembro de 2023

Autoconhecimento e ação livre do ego | Real Meditação | Não há dualidade | Despertar Espiritual

A pergunta é: quando teremos realmente uma ação Real, uma ação Verdadeira, uma ação que seja, de fato, Inteligente, Sábia, que não esteja mais produzindo sofrimento nem para nós, nem para o outro? Será possível uma qualidade de ação assim?

Notem que nós temos ações das quais nós nos arrependemos. Nós tomamos resoluções na vida e elas nos levam a ações que produzem frustrações, que produzem sofrimento, que produzem conflito e problemas não só para nós, como para o outro. E a gente quer sempre acertar.

Quando, por exemplo, a pessoa pergunta: “Como fazer a coisa certa?” “Como agir sob pressão?” “Como acertar?” “Como agir corretamente?” São perguntas que nós fazemos porque temos a intenção de agir com Inteligência. O ponto é que não há Inteligência. Não sabemos o que é a ação, não sabemos o que é a Inteligência. No entanto, na vida nós somos solicitados a todo o momento para atender à vida na ação. Tudo é ação, elas acontecem, elas ocorrem.

Ler aqui é uma ação. O movimento da manhã até a noite: levantar-se da cama, tomar o café, ir para o trabalho, tudo isso é ação. Então, nós temos ações físicas, ações intelectuais. As emoções se movem, e o movimento de uma emoção é ação. Onde há movimento, o que temos presente são ações. A vida nos traz o desafio e espera que esse desafio seja atendido com uma ação. Então, a todo o momento estamos sendo solicitados para a ação. A questão é que não sabemos atender a essas ações, porque nossas ações nascem do passado. Sim, nascem do passado.

Todas as experiências pelas quais passamos estão agora registradas em nós. Esse experimentador é que atua, é que opera, é que faz, é que realiza a ação quando a vida solicita, e essa ação, como ela nasce do experimentador, nasce do passado. O problema é que atender à vida nesse momento requer uma ação adequada, e esse passado é a tentativa de um mero ajustamento a este instante, a este momento, a este desafio.

Reparem porque nossas ações são ações conflituosas, problemáticas e que produzem sofrimento, não só para nós, como para o outro, para o mundo à nossa volta. Porque são ações que esse experimentador traz, que ele tem, que é um mero ajustamento a esse instante. Uma ação que nasce do pensamento não atende a esse momento, porque é uma ação que nasce do passado. Apenas em um nível, que é o nível prático, técnico e funcional a ação, que tem por princípio o conhecimento, o pensamento e a experiência, é a ação simples, é a ação natural, que não produz problemas.

Trabalhar em uma profissão requer pensamento, conhecimento, experiência, então você faz uso disso operando, realizando, fazendo. Nesse nível, a ação é simples, é natural. O problema surge quando, psicologicamente, o sentido do “eu”, da “pessoa” está presente agora, neste instante. Então, nossa atuação, nossa operosidade com base no “eu’, no ego é a ação que causa problemas. Eu tenho chamado essa ação de atividade egoica, atividade egocêntrica.

Não conhecemos uma ação livre do ego. Para que uma ação dessas se torne possível, precisamos compreender como nós mesmos funcionamos. Estudar a si mesmo é Autoconhecimento. Estudar esse movimento do “eu”, do experimentador, desse pensador em nós é Autoconhecimento. Quando há essa Verdade do Autoconhecimento, se torna possível uma ação livre do ego. É nisso que estamos interessados aqui.

Uma ação dessa qualidade é possível quando há essa Realização do seu Ser, quando Algo além do “eu” está presente, além do ego, além desse movimento, que é o movimento egocêntrico. Então, essa ação egoica, essa ação desse centro que eu tenho chamado de ilusório, de falso centro não está mais presente. Assim, quando temos uma aproximação da Verdade sobre quem somos, esse elemento “eu”, o experimentador, o pensador é compreendido. Se ele é compreendido, esse sentido de separação que esse “eu” produz desaparece. Essa separação é o princípio da desordem, da confusão.

Então, estamos aqui trabalhando com você o fim passa esse “eu”, para o ego, a Verdade da Revelação de sua Natureza Essencial, de sua Natureza Divina. Estamos tratando com você da questão da ação. Então, o que é a ação? A ação é aquilo que aqui acontece, que nesse momento se expressa quando o “eu”, o ego não está. Nós temos alguns breves momentos de ações assim.

Diante de um pôr do sol é um momento de ação. Nesse olhar, entre os olhos e o pôr-do-sol, a separação desaparece; o sentido de “alguém” para obter, para ganhar, para se livrar, para realizar alguma coisa nesse instante não está mais presente. Então, nós aqui temos um exemplo de uma ação livre do “eu”, do ego. Nesse olhar há só o observar, há essa Presença do puro observar, da pura observação. Isso é ação, mas não há “alguém” nesta ação, não tem “alguém” vendo o pôr do sol. Há só o olhar, o observar, sem o observador. Essa pura observação é a ação livre do “eu”, do ego.

Ao olhar para o rosto de uma criança, ela sorri e há uma resposta de sorriso, então há um desafio que está sendo atendido. Não há qualquer interesse, medo, desejo, busca de alguma coisa nesse sorriso, é só uma ação, um acontecimento. Nós temos momentos assim em nossas vidas, onde uma ação natural, espontânea, livre acontece e esse centro, que é o “eu”, o ego não está envolvido. Será possível uma vida onde possamos atender a esse momento desta forma? Sem colocarmos nunca esse elemento, que é o elemento “eu”, o ego, o pensador, o experimentador, esse que é o observador, sem colocarmos o sentido de uma identidade presente dentro da experiência? Então estamos diante de um experimentar livre do ego. Essa é a ação da Inteligência, é a ação dessa Presença, desse Ser, dessa Realidade Inominável, Desconhecida.

Toda a nossa vida no ego é a particular vida desse “mim” nesse autocentramento, nesse egotismo, nesse egoísmo. Assim, todas as nossas atividades são para obter coisas, para realizar coisas, para fazer coisas. Há sempre por detrás disso uma motivação, uma intenção, um objetivo, um alvo, um propósito. Tudo isso nasce desse modelo, que é o modelo do pensamento com suas intenções, predileções, conceitos, escolhas, determinações. Essa é a qualidade de ação que, em geral, nós conhecemos.

Então, há esse pensamento – a ideia –, a intenção e a ação. Esses três elementos sempre estão presentes na atividade egocêntrica. A Realização de Deus, a Realização deste Ser, desta Verdade – alguns chamam isso de o Despertar da Consciência, o Despertar Espiritual –, a Realização d’Isso é a resposta para uma das fundamentais questões da vida, que é essa questão da ação, da ação sem conflito, sem sofrimento, sem confusão. O fluir desse momento sem o sentido de um “eu”, de um ego, de uma “pessoa” presente é um fluir onde a Inteligência, a Sabedoria, a Verdade, a Realidade Divina estão presentes.

Nós vivemos, psicologicamente, num estado de insanidade, de confusão, de desordem. Desordem emocional, desordem sentimental, desordem de pensamentos, e é natural que nossas ações acompanhem isso. Vivemos psicologicamente em desordem, emocionalmente em desordem, e é natural que fisicamente estejamos em desordem. Nossa relação com objetos, nossa relação com lugares, com as próprias ideias, com as pessoas à nossa volta, com familiares, colegas de trabalho, nossa relação com o mundo à nossa volta é conflituosa, é problemática porque nossas ações estão centradas no “eu”. São meras atividades egocêntricas.

A presença da Verdadeira Inteligência, da Real Inteligência é a visão da Sabedoria, é a visão da Compreensão. A beleza disso é que não há nenhum intervalo entre essa visão da Sabedoria, da Inteligência e a ação acontecendo. Diferente da ação onde nós temos o pensamento, a intenção e o autor da ação, como na atividade egocêntrica, nessa atividade do “eu”, que é a atividade mais comum que nós conhecemos. A diferença desta atividade para a ação Real, Verdadeira é que não há qualquer espaço entre a Compreensão, a Inteligência, a Sabedoria e a ação. Não há qualquer espaço porque não existe nenhuma dualidade, não existe esse “eu e a outra coisa”, “eu e a ação". Nessa relação com o outro, com a vida, com o mundo, não há mais esse “eu e a outra coisa”.

Reparem o que estamos sinalizando aqui para você. Quando há essa Verdade da Compreensão deste Ser, há essa Verdade da ação livre do ego. Isso é Algo possível, isso é Algo que está disponível para cada um de nós quando esse sentido desse “mim”, desse “eu” não está mais presente se movendo nesse mundo de relações com objetos, com pessoas, com lugares, com situações. Ter uma visão de si mesmo é descartar esse sentido do “eu”. A Verdade da aproximação da Meditação, da Real Meditação de uma forma vivencial torna isso possível.

Nossos encontros têm como propósito investigar isso com você. Não se trata de simplesmente acompanhar intelectualmente esses textos, mas de trabalhar isso. Descobrir essa arte de olhar para si mesmo, vendo esse sentido de um “eu” por detrás desse pensamento, desse sentimento, dessa percepção, desse movimento, dessa intenção de ação. Tomar ciência desse “eu”, desse elemento que separa, que divide, que coloca a experiência separada desse experimentador, e que atende a esse instante com base nesse experimentador, nesse que vem do passado.

Percebam como é fascinante a compreensão disso. Esse momento é um momento de puro experimentar, não requer a presença do experimentador e, no entanto, colocamos esse elemento que se separa desse puro experimentar, desse instante que é novo, único, singular, colocamos esse elemento que vem do passado, que é o “eu”, o ego, o pensador, o experimentador. Quando isso ocorre, temos essa separação e há esse intervalo. É por isso que surge o pensamento, a intenção e a ação. Isso é conflito. Então, jamais a ação aqui, neste instante, é atendida de uma forma completa, única. Fica sempre essa incompletude.

Essa limitação é a raiz do conflito, é a raiz da contradição, é a raiz do problema dentro da ação, então a ação nunca se completa, porque o elemento “eu”, o ego está presente. Esse elemento experimentador absorve esse instante, então, aquilo que é aqui, agora, novo, único, esse novo é absorvido por esse velho, que é o experimentador, o passado.

Então, atender a esse instante de uma forma Real, Verdadeira, Completa é algo que se torna possível quando o “eu” não está, então, há um experimentar Direto, Real. Então é a Vida. A Vida é essa ação. Esse sentimento de separação não está mais presente. Uma vida assim é uma vida em Amor, em Compaixão, dentro dessa visão da Realidade, que é a Realidade de Deus. Alguns chamam isso o Despertar Espiritual. É o Despertar desse Ser, dessa Verdade que trazemos. Outros chamam isso de Iluminação Espiritual. O ponto é que Aquilo que é Você em seu Ser é essa ação sem qualquer separação. Tomar ciência dessa Realidade Divina, que é a Realidade aqui e agora, desse experimentar livre do experimentador, que é o “eu”, o ego, isso é o fim da confusão, é o fim da desordem, é o fim do sofrimento.

Novembro de 2023
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quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

Autoconhecimento: a ação livre do ego. Despertar Espiritual. Realização de Deus. Mente condicionada.

É muito importante nós termos uma aproximação da vida dentro da compreensão do que ela representa. Notem que a vida acontece como um evento ou uma ação a todo momento. A todo instante nós nos deparamos com a vida, e a vida é ação. Então, tudo o que vemos, tudo o que percebemos, tudo o que sentimos, toda a nossa vivência de vida representa ações acontecendo, acontecimentos surgindo.

A vida é ação. Agora mesmo, ler esse texto aqui é uma ação. A vida consiste em um movimento de ações. Não há como escaparmos de estarmos dentro dessa ação, que é a ação da vida. Eu tenho dado esse exemplo aqui: quando você acorda pela manhã, se levanta da cama, esta é uma ação; mas enquanto você estava deitado na cama, o corpo se movia também, isto é ação. Enquanto dormia, teve um momento em sono profundo, mas teve momentos de sonho; neste sonho, a ação estava acontecendo. Então, a vida é ação.

Nós queremos descobrir na vida o que é a ação em Felicidade, a ação em Liberdade, a ação na completude de Ser, e é isto que estamos trabalhando aqui, sinalizando para você, tornando isso claro para você: a possibilidade de uma ação desse teor, dessa qualidade, que carrega essa vitalidade, a vitalidade do Amor, da Compaixão, da Felicidade, da Paz.

Precisamos descobrir a Vida, a vida em Paz. Isso requer a ação Real, a verdadeira ação da própria Vida acontecendo. Isso requer uma qualidade de ação que nós desconhecemos, porque as nossas ações nesse centro, que é o "eu", o ego, são ações conflituosas. Então, nossas ações são discordantes, elas são desarmoniosas, elas são contraditórias, elas são violentas, elas são ações que produzem sofrimento para nós e para o outro. E nós queremos, em meio a tudo isso, descobrir o que é uma vida amorosa, feliz, pacífica, verdadeira.

A questão toda aqui, o problema que surge é que nós não temos ciência de como nós funcionamos. Por não termos ciência disso, não percebemos que a vida tem um movimento dela. E nós estamos, nesse ego, nessa pessoa que acreditamos ser, em conflito com o próprio movimento da vida.

Haverá a possibilidade de uma ação de outra ordem? Uma ação que nasce de uma dimensão inteiramente desconhecida para essa mente condicionada, programada, na ambição, na inveja, no medo, na violência, na contradição, no conflito? Haverá uma outra ordem de ação que esteja livre dessa mente, que é a mente conhecida de todos nós, que é a mente da pessoa, que esteja livre dessa mente egoica, desse condicionamento psicológico, desse movimento contraditório?

Observe como somos contraditórios em nosso movimento, em nossa ação. Pensar é uma ação. Observe seus pensamentos e irá perceber: eles estão inquietos, eles são tagarelas, eles estão discutindo dentro da sua cabeça. Um pensamento diz “sim”, um outro diz “não”, e tem um outro que diz “pode ser” ou “talvez”.

Então, perceba a contradição psicológica dentro de nós, o peso que representa o passado, a memória, a lembrança, o peso da autoacusação, do arrependimento, da culpa. Tudo isso são estados internos dentro de cada um de nós, e isso é um movimento de ação psicológica, uma ação que ocorre nesse tempo, que é o próprio tempo criado pelo pensamento, que aqui eu tenho chamado de tempo psicológico.

Nesse movimento, o "eu", o ego está se movimentando entre passado, presente e futuro. Então estamos dentro dessa ilusão de uma vida assentada num pensamento de modelo de tempo que só existe nessa construção ideológica. Qual é a verdade desse "eu", desse ego? Qual é a verdade sobre você? Perceba o que o pensamento está produzindo: essa contradição interna. Então temos uma ação externa em contradição, porque fazemos coisas que depois nós mesmos reprovamos aquilo e sentimos culpa por termos feito aquilo. Então, há o impulso para o fazer, há o fazer e depois a culpa de ter feito, ou há o impulso para fazer e o medo de errar. E a pergunta é: como agir? Como agir com calma? Como agir sob pressão? Como agir corretamente? Como fazer a coisa certa?

Então, há uma contradição na ação, há uma contradição psicológica, a contradição do pensamento – que também é ação psicológica –, a contradição no sentir. Eu digo “eu te amo” porque sinto que te amo, porque você me faz feliz, porque você me preenche, porque você me satisfaz nesse dado momento. Mas, no momento seguinte, eu não estou sentindo "eu te amo", eu estou sentindo raiva de você, quero me afastar de você porque você não preenche minhas expectativas, meus interesses, meus desejos, está me negando este ou aquele prazer físico, emocional, sentimental, sexual ou de alguma ordem. Então, há uma contradição na ação, nessa ação do sentimento, nessa ação do pensamento, nessa ação física.

Nós não sabemos o que é agir, porque a nossa ação é a ação do "eu", do ego. A vida é ação, mas não há na vida esse elemento que é o "eu", o ego, então não há conflito, não há contradição, não há sofrimento. A Vida como ela é se expressa da forma como ela se move. A sua visão particular do que acontece na existência é a visão particular do "eu", do ego. Você está sempre vendo coisas certas e erradas em razão de estados internos de autointeresse. Nesse ego, que existe esse “gostar” e “não gostar”, o autointeresse está presente, e a interpretação, o juízo, o julgamento, as avaliações, tudo isso está presente.

Então, é possível uma vida livre desse ego e, portanto, uma vida nessa ação, que é a ação da própria vida? Quando é que surge esse ego? Vamos investigar isso. Esse ego surge quando a intenção, a vontade, o desejo surgem. Então vem uma ideia – a vontade, o desejo, a intenção –, e para colocar essa ideia em ação temos a presença desse sentido do “eu”, que é o ego, o agente. Então, repare como é simples isso. A presença do autor da ação, do agente, do "eu", do ego na ação, seja ela física, seja ela mental, sentimental, emocional, isso requer a presença do desejo ou da vontade, da intenção, do plano, que é o próprio pensamento por detrás dessa ideação, e depois vem a ação. Então, é assim que temos nos movido, que estamos nos movendo na ação, na vida

Então, existe a vida como ela é colocando diante de cada um de nós desafios, porque a todo o momento está sendo solicitado essa ação, que é a própria ação da vida, e nós estamos correspondendo a essa ação com base nesse desejo, plano, que é ideia, e ação. Estamos sempre respondendo ao desafio da vida a partir do “eu”, desse agente, desse ego. Haverá uma ação – essa é a pergunta que estamos insistindo aqui – livre do ego e, portanto, livre do agente, e que esteja livre dessa vontade, desse desejo, desse plano, que é pensamento, ideia? Haverá uma ação livre do ”eu”?

Quando nos aproximamos da Verdade do Autoconhecimento, temos no Autoconhecimento essa ação livre do ego. A única ação Real na vida não é a ação particular da vida do “eu”, que é a ação desse agente, que é a ação desse ego, é a ação da Inteligência. Essa ação nasce da Realidade além da mente, além desse “eu”, dessa pessoa, desse centro, desse ilusório centro com o seu movimento tão costumeiro, egocêntrico. Tão costumeiro de atividade egoica, tão costumeiro para produzir conflito, para produzir sofrimento, dentro desse movimento de contradição.

Aqui nossa ênfase está no Despertar da Real Consciência, no verdadeiro Despertar Espiritual. Quando há esse Despertar Espiritual, temos a presença de uma ação que é Inteligência. Não há intervalo entre essa ação e esse Ser, que é Você em seu Ser. Não há essa presença do "eu", do ego, do agente. Então, estamos tocando aqui em uma ação livre do tempo, desse tempo criado pelo pensamento, desse tempo psicológico criado pela ideia. Então, não há mais esse elemento que vem do passado.

Percebam como é interessante isso: nossas ações nascem de um plano; esse plano é a ideia, e essa ideia está presente porque o passado está presente, então existe essa vontade, esse desejo, existe a presença desse tempo psicológico, que é a ideia. Isso é a intenção que vem do passado em razão desse ego experimentador, desse ego que tem projetos e que se coloca para agir. Então, a nossa ação no ego, essa ação no ego é sempre a ação que vem do passado.

Aqui estamos trabalhando com você a ação livre do ego e, portanto, livre do passado, livre desse senso do "eu", então há uma nova maneira de agir, há uma nova forma de ação. Não é mais a ação do ego, é a ação dessa Inteligência, dessa Presença, dessa Realidade Divina que é a Realidade de Deus.

Então, quando aqui falamos do Despertar Espiritual, da Realização de Deus, da Iluminação Espiritual, estamos falando da expressão desse Ser que somos, nessa ação que é Inteligência, a ação da Compaixão, a ação do Amor, a ação da Harmonia, a ação da Liberdade. Quando esta ação está presente, o que quer que esteja surgindo, aparecendo, acontecendo, tudo isso está dentro dessa Divina Verdade da ação de Deus, tudo isso está dentro desta Realidade Divina.

Assim, o nosso trabalho aqui consiste em nos aproximarmos desse estudo de nós mesmos, assumirmos essa Verdade da Real ação livre desse senso do ego, portanto, livre do passado. Então, Algo surge de uma forma muito natural, de uma forma muito espontânea: a própria ação da Vida. É a ação sem o sentido de “alguém” presente.

Nós aqui estamos colocando para você Algo que está fora do conhecido, está fora do movimento do pensamento e, portanto, Algo fora das ideias, das crenças, de toda a imaginação possível para o pensamento. Algo possível para esta Vida, que é a Vida de Deus, que é a Vida do seu Ser.

Nosso encontro aqui tem por propósito realizarmos, nesta vida, a Verdade que somos, para vivermos essa Felicidade, que é a natureza de Deus, que é a natureza de cada um de nós. A única Realidade presente é a Realidade Divina. Enquanto isso não for assumido, todo tipo de desordem, confusão e sofrimento continuará presente nessa particular vida do ego, nessa particular vida pessoal.

Novembro de 2023
Gravatá/PE
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