terça-feira, 6 de junho de 2023

Joel Goldsmith | Praticando a Presença | Encontro com Deus | Buscar o perdão | Mestre Gualberto

GC: Olá, pessoal! Estamos aqui para mais um videocast! Mais uma vez o Marcos Gualberto nos deu a oportunidade de estar aqui conosco para responder perguntas, para fazer comentários sobre os trechos de livros do Joel que a gente traz aqui. Gratidão, Marcos, por esta oportunidade!

Para quem não conhece o Marcos Gualberto, ou Mestre Gualberto, eu vou falar rapidamente como eu o conheci. Eu venho numa busca espiritual de muitos anos e, nos últimos anos, focado no estudo do Joel Goldsmith, inclusive fazendo as leituras para o canal. Em meados, na metade do ano passado, algo interno muito forte me fez me afastar, tanto aqui do canal Luz do Despertar, como também dos grupos de estudo. Não entendi o porquê, mas logo depois acabei descobrindo.

O Youtube me sugeriu um vídeo do canal do Mestre Gualberto, que trata exatamente sobre o mesmo tema que o Joel nos traz nos livros – que é esse Despertar da Consciência, a Iluminação Espiritual –, e aí assisti a um vídeo. Algo muito forte me chamou para assistir a outro vídeo e outro vídeo… acabei descobrindo que existiam encontros presenciais e on-line intensivos de final de semana. E como senti algo muito forte ao olhar nos olhos do Mestre Gualberto, acabei participando do encontro intensivo – por curiosidade e, também, para “entender” isso, o que tinha me chamado atenção.

E aí, no decorrer do encontro, eu pude “entender” o que eu senti ao olhar nos olhos do Mestre Gualberto. Porque, ao estar na presença dele, existe algo que está além das palavras, além dos pensamentos, que é um compartilhar de Consciência, onde a gente acaba recebendo esse Estado de Meditação, essa Quietude, esse Silêncio, e é uma verdadeira Graça.

O Mestre Gualberto compartilha no seu canal sobre esse Estado Natural de Ser que ele “atingiu” depois de um longo processo de autoinvestigação, guiado pelo seu Mestre Ramana. E, hoje, ele compartilha conosco e se dispõe a deixar essa Graça infinita fluir. E é pura Graça, é muita gratidão, Mestre, por esse trabalho lindo que “você faz”, porque não existe mais um “você”, não existe mais essa “identidade ilusória”, esse “eu”. E esse é o conteúdo que você nos traz, que é um conteúdo que é para tirar todos os conteúdos, para a gente realmente poder ir além das crenças, além dos pensamentos.

E, partindo para o videocast de hoje, eu quero trazer um trecho do livro do Joel “Praticando a Presença”, onde o Joel nos traz a seguinte frase: “Aquele que se volta para dentro de si em busca da luz interior, da graça, da compreensão e do perdão nunca falha em suas orações”. Somado a isso, Mestre, eu quero ler um comentário da Maria do Socorro da Silva, em que ela traz como sugestão que o Mestre Gualberto fale sobre o perdão. Ela comenta que o perdão traz muito sofrimento, pois é algo muito difícil, e ela agradece. Então, te passo a palavra, Mestre!

MG: Ok. Então, vamos lá! Aqui são dois assuntos: um é o assunto da busca, dessa busca interior, de se voltar para dentro nessa busca; e o outro é a questão do perdão. Vamos nos aproximar disso dessa forma… A pergunta que eu quero lhe fazer é a seguinte: você é um buscador? Se você é um buscador, quem em você é aquele que está dentro desse processo da busca? É muito simples a resposta. A resposta é: “eu”. É esse “eu” que está dentro dessa procura, ou dessa busca.

Isso pode parecer bem razoável, porque essa inquietude, essa contradição interna, esse formato de sofrimento, de vida, onde existe sempre a falta de alguma coisa, nos coloca dentro dessa assim chamada “busca” ou “procura”. E, aqui, o Joel se refere a essa busca e a esse “se voltar para dentro”. Mas continuo perguntando: quem é esse que está nessa busca? É aquele que está aflito, é aquele que está em sofrimento, é aquele que está se sentindo inquieto, insatisfeito. Então, ele está numa busca, ele está numa procura.

Vamos nos aproximar disso. Esse “eu”, em sua inquietude, em sua procura, projeta algo que seja o fim dessa inquietude, o fim desse conflito, o fim desse sofrimento, nesse encontro com Deus. Mas esse “Deus” que ele idealiza ainda está dentro dessa sua busca, dentro desse seu conceito de quem é Deus e do que Deus irá representar quando essa busca se concretizar.

Aqui, nós temos que ter um modo de olhar para essa questão da busca de uma forma diferente. Essa busca é uma ideia, é uma projeção, é uma ideação nossa. Nós estamos na procura de algo e, nessa procura de algo, nós colocamos presentes uma disciplina e um formato de caminho para seguirmos, para, no final desse caminho, no final dessa disciplina, assim realizarmos o fim dessa busca, que aqui, no caso, é esse encontro com Deus.

Aqui, eu tenho uma notícia para lhe dar: a Realidade de Deus, a Verdade Divina, é algo que já está presente, e essa procura é uma procura que nós idealizamos dentro dos nossos parâmetros, dentro do nosso próprio modelo do que seria Deus e do que seria esse encontro. Aqueles que realizaram a Verdade do seu próprio Ser estão sempre nos dizendo que essa Verdade é algo presente. Se é algo presente, todo esse formato de busca, todo esse caminho engendrado por nós mesmos dentro dessa procura, é algo completamente inútil. Isso termina nos colocando num movimento constante, na verdade; não de aproximação, e sim de afastamento, uma vez que a Verdade de Deus é algo que já está presente. Então, do que de fato nós precisamos para realizar essa busca?

É bem paradoxal o que eu vou dizer, mas o que nós precisamos para realizar o final dessa busca é deixarmos a busca e adentrarmos à investigação da Verdade que já está presente. Então, eu diria que a real busca tem início quando a ilusória busca termina. Essa ilusória busca é a busca desse “eu” por algo que ele idealiza, que ele projeta e que ele tem como sendo Deus. Notem: isso é parte de ideias nossas, é parte de crenças nossas! Olhar para a Verdade do seu Ser… Aqui, o Joel usa a expressão “ir para dentro” – é evidente que é uma linguagem figurada isso. Dentro daquilo que temos colocado, dentro desses encontros, é se tornar ciente de si mesmo agora, aqui. Isso é se aproximar de si mesmo, isso é olhar para dentro.

A Verdade de Deus, a Verdade do seu Ser, já está presente. Tudo realmente que você precisa é descartar a ilusão desse “eu” nessa busca, nessa procura. Se queremos ter um encontro com Deus, precisamos primeiro ter ciência de que a Verdade é Aquilo que já está aqui, e podemos ter ciência disso por uma aproximação direta dentro dessa auto-observação. Quando nós observamos o movimento do “eu”, nos tornamos cientes do conflito, da contradição, dos problemas que ele cria. E esse “eu” não é a Verdade sobre o seu Ser, é aquilo que se passa por Você aqui e agora, neste momento, ocupando esse Lugar, que é o Lugar de Deus. Então, a Verdade de Deus é algo presente. Tudo que você precisa é se tornar ciente da ilusão desse “eu” com o qual você se confunde.

Então, a verdadeira busca de Deus é o fim de qualquer busca idealizada pelo pensamento. Eu sempre tenho falado da importância dessa Constatação da Realidade de Deus. Não se trata de uma busca, não se trata de uma procura, não se trata de se projetar no tempo para realizar Isso em algum momento, e sim de tomar ciência d’Isso que já está aqui e agora. Através de um trabalho de Autoconhecimento Verdadeiro e de aproximação pela investigação desse ilusório “eu”, se torna possível esse Verdadeiro Autoconhecimento. É quando a mente e o coração se aquietam e a ilusão pode ser vista; e a ilusão é esse falso “eu”. Quando esse falso “eu”, que se passa por Você, por sua Realidade Divina, é descartado, a Realidade de Deus está presente.

Uma outra coisa interessante ligada a essa questão desse encontro – na verdade, dessa Constatação de Deus; não desse encontro no final de uma busca, mas sim dessa Constatação de Deus aqui e agora, nesse descarte do “eu” – é essa questão do perdão. Nós temos uma noção muito equivocada sobre quem nós somos, sobre quem é o outro e sobre quem é Deus. Então, o sentido de um “eu” presente tem a psicológica necessidade de perdoar o outro que o ofendeu.

Primeiro, ele se ofende e, depois, ele perdoa. Ele perdoa para ele se sentir bem com ele mesmo. Até porque, se ele tem um fundamento de vida religiosa, ele descobriu que precisa perdoar. Só que nós nunca nos perguntamos: quem é esse que perdoa quem? É o sentido de um “eu” presente que está magoado, ofendido, ferido, que teve a sua autoimagem tocada por ofensas verbais ou por algum tipo de ação violenta da parte do outro; é esse “mim”, esse “eu”, esse ego, que se propõe a perdoar para se sentir bem com ele mesmo e para ter uma imagem dele próprio recuperada.

Então, é sempre o sentido de um “eu” presente nessa ideia do perdão. Um “eu” que se ofende, um “eu” ferido, um “eu” magoado. Isso porque nós não sabemos quem somos, nem sabemos quem o outro é, nem sabemos da Realidade de Deus. A verdade é que quando o sentido de um “eu” não está presente, não existe um “outro” para ser ofendido ou para nos ofender; um “outro” para ser nosso inimigo ou para ser nosso amigo. Aquilo que está presente é a Realidade de Deus, que é o nosso próprio Ser, que foi constatada nesse encontro; não nessa busca de longos anos, mas nesse encontro, pela auto-observação, no Autoconhecimento, nesse contato real com a Verdadeira Meditação.

Essa Realidade de Deus constatada aqui é a Realidade do outro, é a Realidade de Deus. Então, quem fica para perdoar quem? Quem fica para se ofender, para se magoar? Então, eu quero convidá-lo a descobrir a Verdade de Deus aqui e agora, n’Aquilo que é Você. Isso é possível quando não há mais o buscador, o sentido de “alguém” no tempo procurando algo chamado “Deus”. O final desse sentido do “eu” é esse encontro. Nesse encontro, não existe mais “alguém” agora presente, para ficar ofendido com o “outro” e para sofrer com o “outro”, porque não há mais o “outro”.

A verdade, Gilson, é que existe, sim, essa possibilidade muito real de vivermos a Realidade da Consciência. Nessa Realidade da Consciência, que é a Verdade do Cristo, não fica amigos nem inimigos; não fica o perdão sete vezes nem setenta vezes sete. Aquilo que fica presente é a Verdade de “eu e o Pai somos um”. Quando há essa Realidade de “eu e o Pai somos um”, que é essa a Verdade dessa Consciência, que é o Pai – porque se o Pai está, não tem esse “eu”, e se o Pai está, não tem ninguém a quem perdoar –, Isso é a presença do Amor.

As pessoas usam a expressão “amor” sem compreender o que essa expressão significa, usam a expressão “perdão” sem compreender que, nessa expressão, tem “alguém” para perdoar. Quando há Amor, não existe o outro para você se dar a ele, para você se doar a ele. Há uma só Realidade presente, que é a Realidade de Deus. Essa Realidade de Deus não tem uma imagem para ficar magoada, ofendida, ferida, para sofrer agravos, para guardar imagens, lembranças, para se sentir angustiada, triste, com raiva do outro. Então, aquilo que está presente, quando o Amor está presente, é Amor.

O Amor, a única coisa que faz é dar a Si mesmo. Então, nesse sentido, o Real Perdão é o fim da ilusão de alguém para perdoar alguém. Então, vamos substituir a palavra “perdão” pela palavra “Amor”, e essa palavra “amor” pela palavra “Presença”, “Consciência”. Então, estamos diante da Realidade de Deus, que não tem inimigos, que não tem amigos, que não tem quem possa feri-Lo, ofendê-Lo, magoá-Lo. Isso é típico desse “eu”, desse “ego”. É ele que vive dentro desse modelo de ser ferido, magoado, ter raiva, guardar tudo aquilo e depois tentar se livrar de tudo aquilo para se sentir bem com ele mesmo. Sobretudo se ele tem por base ensinamentos religiosos, princípios dentro da religião.

A Verdadeira Religião, ou a verdadeira União com o Divino, é o fim do ego. Isso é Amor, Isso é Real Perdão, sem “alguém”; Isso é Real Compaixão, sem “alguém”; Isso é Real Bondade, sem “alguém”. Isso soa muito estranho para alguns de nós, mas, de fato, sem o ego os problemas desaparecem, o sofredor desaparece, o amigo e o inimigo desaparecem, aquele ofendido e o ofensor também desaparecem. Aquilo que temos presente é Deus, e Deus é a única Realidade do Amor. É isso!

GC: Olha, Mestre… são sem palavras, são revolucionárias, são indescritíveis essas falas do Mestre, esse Estado de Presença. Eu venho já acompanhando o Mestre há muitos meses e, no começo, eu nem percebia o quanto as falas do Mestre são completamente fora do tempo, fora de qualquer ideia de dualidade. E quanto mais eu me aproximo e estou contigo, eu vejo como é muito mais do que um conceito, esse conceito de não dualidade, ou esse conceito de “apenas Consciência”. E aí eu vejo quanto são extraordinárias, quanto são revolucionárias todas essas falas.

E claro que, para esta identidade presente, para este “eu” humano Gilson, este ego, afim da busca… ou seja, não tem nada a buscar, não tem nada a atingir. Esse que quer atingir, esse que quer alcançar – inclusive, “alcançar” a Realização de Deus ou a Iluminação Espiritual – é uma fraude! Como o Mestre bem disse: é alguém no tempo, uma identidade querendo se tornar algo, e o caminho não é esse. É só ver essa falsidade, não é, Mestre?

MG: Sim! Não há nada como alguém para se tornar alguma coisa, muito menos Deus! Esse “alguém” é uma ideia, é um conceito, é uma crença, é uma ilusão. É esse “alguém” que está assentado numa autoimagem – essa imagem produzida pelo pensamento, sustentada pelo pensamento – e tudo o que envolve essa autoimagem construída no tempo, na história, para esta suposta identidade.

Esse “eu” é uma suposta identidade presente! Esse “eu” está à procura de quê? De Deus. Esse “eu” está à procura de quê? Do perdão. Ele quer perdoar, ele quer amar, ele quer… só que ele não é real! Aqui, temos que partir de um princípio real, e o princípio real é: só há Deus! Nessa Realidade de que só há Deus, não há o “eu” que se separa como amigo, inimigo, que se separa como ofensor e ofendido, que separa como o santo e o profano, aquele que está em Deus e aquele que está fora de Deus… não há nada, absolutamente nada como isso.

Esse sentido do “eu” presente é uma fraude, é uma ilusão, é um conceito com o qual o “eu”, que é esse conjunto de imagens, tem se estabelecido no tempo. Então, esse “eu”, que é esse conjunto de imagens que acreditamos ser, que usa esse pronome “eu”, é aquele que está vindo do passado, está aqui no presente e caminhando para o futuro. E, nesse movimento, ele quer se tornar, ele quer realizar, ele quer chegar a algum lugar, e o lugar supremo para o “eu” ainda é a Iluminação Espiritual.

A verdade é que o Despertar da Consciência, ou a Iluminação Espiritual ou a Realização de Deus é a Verdade quando o “eu” não está. E quando Isso está presente, que é o “não eu”, não fica esse tempo psicológico, esse “se tornar alguém”, esse “perdoar alguém” ou esse “buscar o perdão”. Tudo isso desaparece quando a Realidade do seu Ser floresce! Essa Realidade é a Não Separação, a Não Dualidade. Não é um conceito, não é uma ideia, é um fato! É um fato, estamos lidando com um fato: a verdade de que está tudo dentro dessa Realidade Divina. E todos os aspectos aparentemente fora d’Isso estão dentro de um sonho, que é o sonho que essa própria ilusória identidade está produzindo, sendo ela o sonhador de tudo isso: alguém para amar, alguém para perdoar, alguém como amigo, alguém como inimigo, alguém bom, alguém mau, alguém nascendo, alguém envelhecendo, alguém morrendo… Tudo isso está dentro desse aspecto dessa mente ilusória, dentro desse sonho – eu tenho chamado de “sonho de mundo” –, para esse sonhador, que, de fato, não existe. É isso! Eu sei que é bem estranho…

GC: Mestre, a gente até comentou em alguns videocasts anteriores sobre a questão da crença. Porque esses conceitos “só há Deus”, “eu sou uma ilusão”… o próprio ego, como o Mestre falou naquele videocast, o ego toma posse desses conceitos, por exemplo: “só há Deus”, “eu sei que tudo é Deus”, e ele fica repetindo esse conceito… e, novamente, ele fica nessa pegadinha, se agarrando ao conceito, em vez de investigar quem é que está repetindo isso, quem é que está falando isso, ou mentalizando isso. E acaba esse falso “eu”, essa falsa identidade, se perpetuando, agarrado em crenças. Por exemplo, uma crença – que não é um fato, porque ele não experiencia isso, mas ele tem a crença – é “só há Deus, a Não Dualidade”, “o que existe é a Unidade”… e não investiga.

MG: Agora você tocou num ponto importante. Falta um experimentar direto d’Isso. É necessário experienciar diretamente a Verdade de que a Realidade é Deus. Então, Isso é um fato! Vivenciar a Realidade de que não há o “eu” já é suficiente! Porque, se você se torna ciente do movimento do “eu”, totalmente cônscio dele, aqui e agora – e isso tem que ser feito aqui e agora – isso é experimental, isso é vivencial! Isso é experienciar diretamente que não há o “eu”. É quando você pode se tornar ciente de que só há Deus. Porque se o sentido do próprio “eu” desaparece, o “outro” também desaparece, o mundo como ele é visto desaparece.

Então, esse olhar que fica aí é o olhar de Deus para Deus. Esse ouvir que fica é o ouvir de Deus para Deus. Isso soa estranho demais, mas é literal! Só tem Deus presente, inclusive nesse corpo-mente, nesse sonho de mundo! Porque agora – Deus presente – isso é um sonho d’Ele! Não é o sonho da ilusão de um “eu” vendo coisas fora do lugar, e tentando consertar as coisas, e tentando amar, e tentando servir, e tentando perdoar, e tentando isso, e tentando aquilo, e tentando também encontrar Deus. Tudo isso desaparece quando Deus é a única Realidade aqui e agora, nesse ouvir, nesse falar, nesse olhar, nesse sentir. E ele certamente não carrega esse peso de um “eu” com uma imagem produzida pelo pensamento para ficar ofendido, magoado e para estar ainda num processo de procura de alguma coisa fora de si mesmo. É isso!

GC: Mestre, já está chegando o final do nosso tempo. Agradeço mais uma vez pela sua disponibilidade de estar aqui conosco. Para vocês que vêm acompanhando os encontros, temos a playlist com os outros encontros. Também pedimos para ajudar o canal dando um “like”. Para quem ainda não é inscrito, tanto no canal Luz Despertar como no canal do Mestre Gualberto, se inscreva para receber as notificações dos vídeos que vão sendo postados diariamente. E também façam comentários. O comentário ajuda o próprio algoritmo do Youtube a reconhecer que o conteúdo é relevante. E também fazendo perguntas, e aí a gente vai trazendo aqui para os próximos videocasts. Gratidão, Mestre! Gratidão!

MG: Ok, Gilson. Valeu pelo encontro! Tchau, pessoal! Até a próxima.

Abril de 2023
Gravatá-PE
Mais informações

quinta-feira, 1 de junho de 2023

Como praticar Atenção Plena | O ego é o seu inimigo? | Vedanta Ser Consciência Felicidade

“O ego é o seu inimigo”. Olhem que coisa curiosa… Isso é uma crença muito comum. Nós não investigamos isso, nós não constatamos por nós mesmos, nós não sabemos de uma forma direta, nós não vivenciamos isso, mas temos essa crença, temos essa conclusão. Afinal, o que é o ego?

As pessoas dizem: “O ego é o inimigo, o ego é o seu inimigo”. O que é o ego? Nunca entramos em contato direto com isso, nunca nos aproximamos diretamente do ego. Nós não sabemos o que é o ego; nós temos ideias, crenças sobre o ego. Nós não percebemos que, na realidade, tudo aquilo que expressamos como pensamento, sentimento, emoção e sensação está presente nesse corpo-mente em razão desse conceito, dessa crença: a crença em uma identidade presente.

Essa identidade se expressa. Nós é que estamos dando a essa identidade, a essa identidade egoica, a esse “eu”, a esse “mim” esse poder de expressão. Quando nós investigamos profundamente isso, olhamos para aquilo que somos agora e aqui, percebemos que essa identidade é aquela que se separa da experiência, se separa do pensamento, do sentimento, da emoção, para controlar isso.

Então, sim, o sentido do “eu”, do ego, é o inimigo. Se isso pode ser visto, isso pode ser descartado, então não há qualquer inimigo. O ser humano passa pela vida identificado com o sentido de uma identidade. Essa identificação com o pensamento, com o sentimento, com a emoção, com a sensação, com a percepção, nas relações com o outro, com o mundo, com a vida, se constitui uma ilusão, mas uma ilusão na qual nós temos assentado nossa vida, nossa existência, e isso se constitui, sim, contradição, conflito e sofrimento. É apenas nesse sentido que o ego é o inimigo.

Há em nós uma dualidade, o desejo de vir a ser algo diferente do que somos aqui e agora. O que quer que esteja se mostrando aqui e agora… Existe esse desejo, essa motivação, esse sentimento oculto para resistir a isso, para lutar contra isso que se mostra aqui e agora. Então, há essa dualidade interna.

Então, o sentido do ego é o sentido de uma identidade presente no viver, no falar, no ouvir, no sentir, na emoção, na sensação, no sentimento, e, enquanto essa dualidade permanecer, o sofrimento irá permanecer. O sofrimento se estabelece enquanto aquele que sofre está presente; é o sofredor que sustenta o sofrimento, é o pensador que sustenta o pensamento, é o raivoso que sustenta a raiva, é o medroso que sustenta o medo.

Essa não é a Verdade sobre o seu Ser, que é Consciência, que é Felicidade. Isso é direto da Vedanta. A sua Natureza Verdadeira é Ser-Consciência-Felicidade. O ser humano não vive assim porque ele não sabe o que é a Vida. O que nós chamamos de vida é esse contato que temos como pessoas, que acreditamos ser, com o mundo à nossa volta. O que chamamos de vida é a ilusão de um pensador presente, de um fazedor presente, desse “alguém” nesse sentir, nesse pensar, nesse falar, nesse agir – a isso nós chamamos de vida. Chamamos de vida essa relação desse “eu” com o meu: “eu e a minha casa”, “eu e os meus negócios”, “eu e os meus sonhos”, “eu e os meus desejos”, “eu e as minhas expectativas”, “eu e as minhas frustrações, minhas decepções”, “eu e os meus desejos”, “eu e os meus medos” – a isso nós chamamos de vida.

O sentido de “alguém” presente nessa experiência é, basicamente, sofrimento – a isso nós chamamos de vida. Não sabemos o que é a Vida. Nossa aproximação é com base nesse elemento da experiência, conhecimento, memória, recordação, ação, posicionamentos… todos eles assentados na ilusão de uma identidade presente, que é o ego, que é o “eu”.

Não há uma identidade presente agora e aqui. Aquilo que formula a existência, que estabelece a existência dessa identidade é o equívoco, é a ilusão sobre quem – ou sobre o que –, na verdade, nós somos. A Verdade sobre o que nós somos, nós não temos; sobre quem de verdade somos, nós não temos.

A autoinquirição, que Ramana Maharshi chamava de Atma Vichara, é a aproximação desse “Atma”, desse “eu”. A direta observação desse movimento do “eu” é Atma Vichara. Trazer consciência para esse momento presente é descartar essa identidade que é o “eu”. Esse “eu” é o estado de inconsciência coletiva. O ser humano… ou ele está nessa inconsciência de uma forma superficial, ou de uma forma profunda.

Então, há essa inconsciência superficial e há essa inconsciência profunda. Essa inconsciência superficial é essa inconsciência que experimentamos no dia a dia. Essa inconsciência de falar, pensar, sentir, fazer, se relacionar, sem a percepção da Realidade de que não tem esse “eu” presente – essa é a inconsciência superficial. E há uma inconsciência mais profunda, mais aguda, é aquela que se apresenta em nós com quadros de sofrimento, apegos, desejos, medos. Esses medos têm diversos nomes: ansiedade, depressão, fobias...

Então, vivemos de uma forma inconsciente quando há essa identificação com o sentido do “eu” presente. Esse sentido do “eu” presente está em razão dessa inconsciência. Quando trazemos consciência para esse momento presente – e isso é possível quando há autoinquirição, autoinvestigação, uma aproximação de si mesmo através dessa Atenção, essa Plena Atenção, essa Atenção Plena sobre esse sentir, pensar, agir, ouvir, falar… Colocar Atenção neste momento, para aquilo que somos aqui e agora.

Como colocar em prática? Como praticar Atenção Plena? Notem, Atenção Plena é Presença de Consciência. Isso não é algo mecânico, não é algo técnico, não é algo habitual. Tudo aquilo que é habitual, técnico e mecânico é parte da inconsciência. Quando falamos de Atenção Plena, estamos falando em trazer luz sobre esse movimento do “eu” agora, aqui, neste instante.

Então, como praticar Atenção Plena? Eu diria que a Atenção Plena é, na prática, agora aqui. É aquilo que está presente quando há esse observar. Tudo o que você precisa é de interesse profundo, genuíno, verdadeiro interesse em se compreender, em se ver neste momento. E, quando isso é visto, esse “inimigo” desaparece, porque essa separação, que é o “eu” na experiência desaparece; e, quando isso desaparece, a experiência também desaparece.

O que eu estou dizendo é que, se há medo, é porque existe “alguém”. O medo não aparece sem estar em uma relação com o “eu”. O medo está sempre relacionado com alguma coisa. “Eu tenho medo do que pensam de mim” – então, tem esse “mim”, que é uma história, uma narrativa na cabeça das pessoas, e esse “eu”, o que as pessoas imaginam de “mim”, que é esse “eu”. Então, o “eu” e o medo, “eu” e a experiência, que é, aparentemente, a razão, a causa do medo.

Medo… “Eu ser abandonado”, “eu não ser aceito”, “eu não ser amado”, “eu ser rejeitado”, “eu e alguém falando mal de mim”... Essa relação de dualidade está presente sempre; é sempre o “eu” e o medo.

Então, a experiência do medo desaparece quando o experimentador do medo desaparece. Então, se “eu” desapareço, o medo, como uma experiência, desaparece. Não há nenhuma experiência sem o experimentador, assim como não há nenhum pensamento sem o pensador.

Agora, olha que coisa interessante: a ideia é que eu estou produzindo o pensamento e, aqui, eu estou dizendo que o pensamento… é ele mesmo que se separa para ser o pensador. Então, nós temos o pensamento e o pensador. Quando você tem um pensamento em sua cabeça, não há um pensador; é só um pensamento. Se você não colocar esse pensador, que é aquele que quer fazer algo contra esse pensamento ou a favor dele… se você não colocar esse pensador, esse pensamento desaparece. Todos os pensamentos funcionam assim: eles aparecem e desaparecem.

Notem que todos os pensamentos que ficam grudados em você, agarrados em você, é porque existe uma resistência interna de uma identidade lutando contra aquilo ou apreciando e agarrando aquele pensamento. Então, você dá uma identidade a essa experiência, que é o pensamento, quando você rejeita o pensamento ou quando você se identifica com o pensamento, mas é o próprio pensamento que está criando essa identidade. Isso precisa ser visto. Quando você observa isso, nessa Atenção Plena, isso desaparece.

As pessoas querem romper com esse padrão de inquietude psicológica, de tagarelice mental. Os pensamentos são obsessivos, eles são repetitivos, eles são negativos, eles produzem, trazem junto com eles, sentimentos, emoções, lembranças… e as pessoas querem se ver livres disso. Mas elas não compreendem que resistir a isso, lutar contra isso, tentar fazer algo, só fortalece esse modelo, essa condição, porque isso dá uma identidade a essa experiência.

Estamos juntos aqui?

Pode parecer um pouco estranho isso. Talvez você esteja ouvindo isso pela primeira vez. Você tem que assistir mais! Assista novamente a essa fala, a esse vídeo. Nós temos aqui em nosso canal uma playlist sobre a Real Meditação; é a Meditação correta, a forma real de nos aproximarmos de nós mesmos.

Então, quando você se aproxima pela autoinquirição e pela auto-observação, por essa Real Meditação, que é ter acesso a isso através dessa Plena Atenção, você quebra esse modelo. Então, essa experiência do medo se desfaz, porque não há mais esse “eu”, não há mais essa dualidade. Essa experiência do pensamento, nesse formato acelerado, obsessivo, tagarela, inquieto, se desfaz, porque não há mais uma identidade presente.

Então, esse contato consigo mesmo, com a verdade desse “mim”, desse “eu”, sem lutar, sem resistir, sem se confundir, apenas observar cada pensamento que surge, cada sentimento que surge, cada emoção, cada experiência que surge, sem colocar uma identidade presente nisso, apenas observar… isso desfaz por completo esse modelo de identificação egoica, de inconsciência. Então, há um fim para essa inconsciência superficial ou para essa inconsciência mais profunda, essa que se apresenta com esses quadros de infelicidade, ansiedade, depressão, medo, fobias… e tudo mais se desfaz, porque todo esse conteúdo da consciência egoica está sendo visto.

Aquilo que está mais consciente e inconsciente está sendo percebido nessa Atenção Plena, sem uma identidade presente. Isso é Real Meditação, isso é Real Constatação da Verdade do seu Ser, Consciência e Felicidade. Então, não existe esse “inimigo”, esse “mim”, esse “eu”, esse ego.

Esse é o trabalho que estamos fazendo aqui juntos, dentro desse canal: lhe apresentando a oportunidade de ir além do ego, além desse “mim”, desse “eu”, ir além desse “inimigo”, além desse sentido egoico. A Realização d’Isso é a Realização de Deus, a Realização da Verdade sobre Você, sobre quem é Você. Isso é possível aqui e agora.

Portanto, esse é o assunto aqui em nosso canal. Se isso é algo que faz sentido para você, deixa aí o seu “like”, se inscreve no canal… Quero lembrar: nós temos encontros on-line e, também, encontros presenciais e, também, retiros, onde podemos trabalhar isso juntos. OK?

Aqui fica o convite e até o próximo encontro.

Dezembro de 2022
Gravatá-PE
Mais informações

terça-feira, 30 de maio de 2023

A busca por Deus | Joel Goldsmith: Infinito Invisível | Condicionamento psicológico

OK! Muito bem! Vamos falar hoje, com você, sobre essa procura ou essa busca pela Verdade. O homem, o ser humano, vem há milênios à procura de alguma coisa fora dessa sua vida comum. Nós sabemos que a nossa vida, em geral, é problemática, cheia de problemas, tediosa, aflitiva, preocupada. E o ser humano vem se perguntando há muitos e muitos anos, há milênios: será que há alguma coisa fora essa vida que nós conhecemos, cheia de problemas?

Então, há essa procura pela Verdade ou essa busca pela Verdade. Então, os filósofos, por exemplo, perguntam: a Verdade existe? Então, me parece que essa é uma questão para os filósofos, mas não só para os filósofos! O ser humano está a procura, realmente, de alguma coisa, e os religiosos a chamam de Deus; os filósofos a chamam de Verdade.

Então, vamos trabalhar com você hoje aqui essa questão. Afinal, o que é a Verdade? E, se Ela é real, se Ela é Deus, nós podemos encontrar Isso? A primeira coisa aqui é que temos que nos aproximar disso com calma. Olhem como é curioso o ser humano: ele está à procura da Verdade, mas qual será a Verdade que nós, como seres humanos, podemos encontrar? Será essa a Verdade? Porque, em nossa mente, nós formulamos a Verdade, temos ideias sobre a Verdade, crenças sobre a Verdade, conceitos sobre a Verdade, e é o que nós temos feito com relação a Deus.

Deus sendo a Verdade, para nós, é algo que, na realidade, está dentro dos nossos conceitos. Então, a mente formula aquilo que a Verdade representa, e o que ela formula como sendo a Verdade não passa de um conceito, de uma ideia, de uma crença, de um objetivo projetado por ela, idealizado por ela. Sendo assim, isso não pode ser a Verdade; é uma imaginação sobre a Verdade.

São muito curiosas as palavras, quando nós as usamos. Ao fazer uso das palavras, nós estamos sempre colocando um conteúdo emocional dentro daquelas palavras, ou um conteúdo intelectual dentro daquelas palavras. As palavras, para nós, são representações das coisas, mas são muito mais do que isso! Nós temos confundido a palavra com essa mesma representação. Então, por exemplo: a palavra “Deus” carrega um conteúdo emocional muito forte, e intelectual também, para cada um de nós.

Então, nós fomos criados dentro dessa padronização de fazer das palavras aquilo que, na verdade, elas não são. Nós começamos a acreditar, a confiar, a colocar toda a certeza nas palavras, o que é uma ilusão, porque a verdade das palavras é que palavras são apenas palavras.

A palavra “amor” não representa absolutamente nada! Mas, psicologicamente, internamente, para nós, para o ser humano, isso tem se tornado um grande problema, porque essa palavra realmente está representando muita coisa, sobretudo emocionalmente.

Então, nós escrevemos sobre o amor, fazemos canções, músicas, sobre o amor, fazemos palestras e usamos a expressão amor… Os sacerdotes usam essa expressão, os poetas usam essa expressão, os filósofos usam essa expressão, os místicos usam essa expressão, os políticos usam essa expressão, todos fazem uso dessa expressão, colocando um sentido emocional para elas muito forte.

Então, nessa expressão, elas colocam, para elas mesmas, um sentido de emoção, de sentimento, em especial, muito grande, muito forte! E passamos a confundir a palavra com a própria coisa. Não, a palavra não é a coisa. A palavra “amor” é vazia de conteúdo. A Verdade do Amor é Real, mas a palavra “amor” é só um símbolo, é só uma expressão verbal, é só uma ideia, é só um conceito que não representa absolutamente nada, é algo que está vazio.

O mesmo ocorre com a palavra de Deus.

Então, estamos lidando com conceitos e colocando, dentro desses conceitos, um conteúdo emocional, para nós mesmos, que não é real. Nós não sabemos quem é Deus ou o que é a Verdade, mas temos ideias e estamos trabalhando para chegar a uma experimentação real dessas ideias, dessas crenças, dessas palavras, desses conceitos, e aqui o conceito é Deus.

A Verdade é que Deus não cabe dentro de um conceito. Assim, como a palavra “amor” não abarca a Verdade do Amor. A Realidade de Deus não está dentro da palavra “Deus”. A Verdade do Amor não está dentro da palavra “amor”. Isso é o mesmo para Felicidade, para a Paz, Liberdade… Mas, em geral, o ser humano está muito agarrado aos símbolos, sem nenhuma ciência da Verdade de que o símbolo está representando algo, que é o simbolizado. A palavra é o símbolo; o simbolizado é a Realidade.

Assim, essa questão da busca de Deus é a busca de uma ideia, é a busca de uma crença, é a busca de um conceito.

Aqui, nos deparamos com uma grande dificuldade: aquilo que você pode encontrar, ainda é parte daquilo que você conhece. Notem como é delicado esse assunto.

Se estamos falando de Deus como sendo uma Realidade que ultrapassa o intelecto, e as emoções, e os sentimentos, e esse sentido de percepção humana, qualquer coisa que você encontre dentro desse sentido de percepção humana, dentro dessa visão particular da pessoa, desse assim chamado ser humano, não pode ser a Realidade de Deus.

Então, aquilo que você irá encontrar ainda será parte daquilo que você é como ser humano, preso ao intelecto, às emoções, aos sentimentos, às sensações, e às percepções sensoriais.

Se queremos, de fato, ter ciência da Realidade de Deus, precisamos ultrapassar essa limitação, que é a limitação desse assim chamado ser humano.

Então, notem o que estamos dizendo: você jamais irá encontrar Deus, porque você não pode! A Realidade de Deus, ou a Realidade da Verdade, pode vir até você, Ela pode chegar aí, mas você não pode ir até lá. O ser humano não vai até Deus; é Deus que vem. Não é o ser humano que tem uma revelação de Deus; é Deus que se revela. E, aqui, nós entramos já na segunda parte importante dessa fala: se Deus se revela, Ele se revela sendo Deus. Ele não se revela dentro dessa visão de humanidade nossa.

Notem com calma o que estamos dizendo. Você quer saber quem é Deus, mas você não sabe quem é Você. Se a nossa busca por Deus, se a nossa busca pela Verdade – aqui se trata dessa busca por Deus ou dessa busca pela Verdade –, se ela é real, ela deve começar em nós mesmos. Não é idealizando, objetivando psicologicamente, imaginando a Realidade de Deus, indo em busca d’Isso, porque quem estaria indo em busca d’Isso? Precisamos descobrir quem é esse “eu”, esse “mim”, essa “pessoa”, esse “modelo humano”, que está à procura d’Isso.

Portanto, se é a Verdade de Deus para ser encontrada, a primeira coisa aqui é descobrirmos a Verdade sobre quem nós somos.

Quando você toma ciência da Verdade sobre quem Você é – não sobre a Verdade de Deus, mas sobre a Verdade sobre quem Você é –, você tem a Realidade de Deus se revelando. E, quando essa Realidade de Deus se revela, esse sentido de um “eu” presente, dessa “pessoa” que você se vê sendo, acreditando ser, desaparece, porque essa Realidade da Revelação de Deus, não vai se ajustar a esse sentido de um “eu” presente.

Essa é uma forma de abordarmos com você essa questão da ilusão do sentido de um “eu” presente, se separando dessa Realidade que é Deus.

A Realidade, a Verdade de Deus, é a única Realidade em toda a Manifestação. Esse sentido de humanidade, esse sentido de “pessoa”, como você se vê, é uma projeção criada por crenças, por ideias, por pensamentos.

Então, você se projeta como uma identidade separada no tempo e no espaço, sendo uma pessoa à procura de Deus. Isso não é real. A Realidade é que só há uma Verdade em toda essa Manifestação.

Assim sendo, esse corpo e essa mente e esse mecanismo humano, tudo isso é parte dessa Manifestação, e a única Realidade nessa Manifestação é a Realidade de Deus.

Então, aqui, nós temos já a terceira coisa a ser dita para você: Deus é Aquilo ou esta Realidade que se revela aí, e a Revelação d’Isso se mostra como sendo a única Realidade de toda a Manifestação.

Então, o que é esse encontro com Deus? É Deus se revelando a Ele próprio, nesse corpo, nessa mente e nessa experiência. Então, qual é o real impedimento da Revelação de Deus? A ilusão sobre quem nós somos.

Então, o não Reconhecimento da Verdade sobre quem Você é, é a não Constatação da Verdade sobre o Divino, sobre Deus, sobre essa única Realidade presente.

Assim, o que estamos fazendo juntos nesses encontros, quando compartilhamos com você aqui, nesses encontros aqui dentro do canal e, também, em encontros on-line e encontros presenciais? Nós estamos investigando a natureza da ilusão, dessas crenças. Essas crenças são a ilusão que trazemos sobre nós mesmos. A ilusão que temos sobre quem nós somos nos dá uma ilusão sobre a vida, sobre o outro e sobre a Verdade, sobre Deus.

Esse trabalho de investigação sobre Isso, de uma aproximação sobre Isso, sobre Aquilo que nós somos, é o Verdadeiro Autoconhecimento.

Aqui no canal, nós temos uma playlist extensa sobre esse trabalho do Autoconhecimento. Olhar para aquilo que aqui está e perceber diretamente que toda essa programação, todo esse condicionamento psicológico, todo esse conjunto de crenças, de imagens, de ideias sobre nós, sobre o outro, sobre o mundo, sobre Deus é falso; isso é uma ilusão. Perceber isso é a base para a Realização da Verdade do seu Ser, que é a Verdade de Deus; é quando Deus se revela nesse desaparecimento do sentido de um “eu”. Isso é Autoconhecimento.

Isso o aproxima… isso é algo que o aproxima da Meditação, da Real Meditação. A Meditação é esse esvaziamento de todo esse conteúdo psicológico de condicionamento. Carregamos um conteúdo enorme de condicionamento psicológico. Esse condicionamento psicológico nos dá a ideia de uma identidade presente aqui, neste instante, vivendo a vida, sendo “alguém”, pensando coisas, sentindo coisas, odiando, amando, querendo continuar, procurando se livrar, tomando ações, decisões, fazendo escolhas… Tudo isso está baseado na ilusão do sentido de separação, que é o sentido de um “eu” presente no mundo, de um “eu” presente na vida, de um “eu” presente na procura de Deus ou da Verdade.

Se isso desaparece, por essa Constatação da Verdade sobre quem nós somos; se esse conteúdo todo psicológico, de condicionamento, de cultura, de civilização, de humanidade, de visão equivocada que trazemos, que temos, se isso é esvaziado… O esvaziamento de todo esse conteúdo psicológico interno é Meditação. E, quando há esse esvaziamento, o cérebro se aquieta. Na realidade, essa quietude favorece esse esvaziamento. E, quando o cérebro está inteiro e completamente quieto e silencioso, vazio de todo esse conteúdo, algo se mostra, algo se revela, algo se faz claro, patente, como sendo a única Realidade – essa é a Realidade de Deus, é o Desconhecido, o Inominável.

Joel Goldsmith tem uma expressão muito bonita. Joel Goldsmith diz: “Todos os conceitos de Deus precisam desaparecer”. É muito curiosa a expressão dos Místicos, dos Santos e dos Sábios com relação a esse encontro com Deus.

Então, Joel Goldsmith fala de Deus, dizendo: “Eu encontrei a única forma de expressar Deus livre de todos os conceitos” – ele diz – “com uma expressão”. Ele chama de “o Infinito Invisível”... “o Infinito Invisível”. Sim, é belíssima essa expressão: “o Infinito Invisível”, porque você não pode dar uma forma para isso, ele diz. Não tem como você enquadrar a expressão Infinito Invisível numa forma.

É belíssima essa expressão de Joel Goldsmith, e nós estamos aqui descobrindo a Verdade do nosso Ser, desse Infinito Invisível – eu tenho chamado de “o Desconhecido”, “o Inominável”, “o Ser Real”, esse Ser que é Ser-Consciência-Felicidade.

A observação da Verdade – escute –, não da Verdade de Deus, mas da Verdade sobre quem é Você… A Revelação da Verdade sobre quem é Você é a Revelação da Verdade de que só há Deus. Então, não tem esse “mim”, esse “eu”, esse “você”. Esse “você” é o problema. Eu tenho dito muito isso nesses encontros.

As pessoas falam de problemas… Só há problemas quando o sentido de um “eu” está produzindo problemas. Todo problema em sua vida consiste na existência de uma identidade separada, o que representa uma ilusória identidade presente dentro da experiência do viver. É esse sentido do “eu” presente criando toda confusão, todo sofrimento, toda desordem.

A Realidade do seu Ser-Consciência-Felicidade, o Infinito Invisível, essa Realidade além de todos os nomes… quando Isso assume esse corpo e essa mente, tudo se desfaz, toda a ilusão se desfaz. Na linguagem de Joel Goldsmith, o erro desaparece, o estado hipnótico dessa consciência de separação se desfaz.

Estamos falando com você de algo vivencial: você vivencia Isso em Si mesmo. Por isso, eu tenho enfatizado a importância da Compreensão da Verdade sobre quem nós somos, e Isso só é possível quando você estuda a si mesma, a si mesmo. Você precisa estudar a si mesmo. Estudar é olhar para aquilo que se passa aqui e agora: os pensamentos, os sentimentos, as emoções, as sensações, toda essa percepção de realidade. Ao observar isso, ao estudar isso, você descobre que essa é uma condição de sonambulismo, de inconsciência, de sonho dentro de um sono, que é esse sono, que é esse sonho de uma existência separada da Realidade de Deus.

Por isso que o Joel usa a expressão “a União Consciente com Deus”. Eu tenho dito: esta Consciência é a Consciência da Realidade de Deus. Não é alguém se unindo a Deus, é Deus assumindo o lugar, o espaço que é d’Ele, que sempre foi e sempre será, nesse corpo e nessa mente.

Aqui no canal, nós temos trabalhado isso com vocês, mostrado que é necessária uma mudança no próprio corpo, uma mudança da própria estrutura do cérebro e do corpo.

Aqui, já tocando na questão do Despertar da Kundalini, nós temos uma playlist aqui trabalhando isso também, e demonstrando o lugar que isso tem dentro desse trabalho da Realização de Deus ou Iluminação Espiritual, porque esse é o assunto nosso aqui no canal.

Portanto, se o que você acaba de ouvir, se isso faz sentido para você, se isso o toca de alguma forma, deixe aí o seu “like”, se inscreva no canal… Quero lembrar de novo a você: nós temos encontros on-line e, também, encontros presenciais, onde estamos trabalhando isso com aqueles que se aproximam.

Nós temos aí o link do Whatsapp: você entra em nosso grupo e se aproxima desse trabalho. OK?

Valeu pelo encontro e a gente se vê na próxima!

Janeiro de 2023
Gravatá-PE
Mais informações

quinta-feira, 25 de maio de 2023

A Verdade da Consciência | Ser, Consciência, Felicidade | Autoconhecimento o aproxima da Meditação

Muito bem!

O nosso assunto aqui – o nosso enfoque dentro desses encontros – é lhe mostrar a Verdade sobre quem nós somos, qual é a Natureza Real de cada um de nós; em outras palavras, qual é a Verdade sobre você, sobre todos nós. Esta Verdade é a Verdade da Consciência – aqui, quando eu me refiro à palavra Consciência, me refiro à Verdade que transcende o pensamento, a percepção, a sensação, o sentimento, a emoção; Aquilo que está presente que transcende o corpo e a mente e, também, essa noção que nós temos de tempo e espaço. A Verdade sobre isso é a Verdade de nossa Natureza Essencial.

Diante disso você está diante do Amor. Em geral, não sabemos o que é o Amor, não sabemos o que é a Paz, a Felicidade. O homem está em busca de amor, de paz e felicidade, mas o que ele chama de “amor”, “paz” e “felicidade” é uma projeção de suas insatisfações. Em razão dessa insatisfação presente nele, ele projeta uma ideia sobre amor, sobre paz e felicidade.

Esses encontros aqui têm como propósito investigar a Natureza do Ser que somos. Esse Ser que somos é esta Consciência – alguns chamam de Presença, Deus, Verdade. Aqui se trata da Realidade da Vida. Nós temos por base o Autoconhecimento, sempre a base é conhecer a nós mesmos, estudar a nós próprios, investigar aquilo que se passa dentro de cada um de nós, e perceber o que o pensamento dentro de nós tem construído, o que o sentimento tem construído, a emoção, a sensação... Tudo isso tem por base uma construção do pensamento, é ele que se projeta no tempo. Na verdade, não há tempo sem o pensamento.

Se queremos nos aproximar da Verdade sobre quem nós somos, temos que estudar a nós mesmos e ver o que é o pensamento e o que ele tem moldado e construído em nome do “amor”, por exemplo. Para nós amor é prazer, satisfação, preenchimento na relação com o outro; o preenchimento intelectual, emocional, físico ou sexual nas relações, a isso nós estamos dando o nome de “amor”.

Notem o que o pensamento tem construído: nós dizemos “Eu te amo”; o que queremos dizer, na verdade, não estamos dizendo. O que queremos dizer é: “Eu aprecio sua presença, eu gosto de você, você me dá prazer, é bom estar com você, você me preenche de alguma forma, isso é muito prazeroso”. Nós não dizemos isso, nós dizemos: “Eu te amo”. Se isso nos é negado, esse sentimento desaparece. Então aquilo que nós chamamos de “amor” é algo que se assenta numa satisfação, então há essa mútua satisfação – você sente por mim e eu sinto por você. Uma aproximação mútua de satisfação: isso nós denominamos de “amor”. Se isso desaparece, em algum momento, esse sentimento também muda, esse, assim chamado, “amor” também muda. É quando você se sente só, é quando esse “mim”, esse “eu”, se sente menosprezado, desprezado, rejeitado. Esse sentimento agora não é de amor, mas é de frustração, cólera, raiva, então há esse interno estado de solidão, o que nos torna brutais, violentos, agressivos. Então há esse novo sentimento de frustração, raiva, posse não correspondida – que alguns chamam de ciúme –, esse é o novo sentimento. Então o que nós chamamos de “amor” se baseia em sentimentos, em sensações, na busca de um preenchimento em algum nível – como colocamos: sexual, emocional, sentimental, companhia, prazer.

Então o que nós temos feito com o amor – o que é o amor – é o mesmo com relação a essa coisa que nós chamamos de “paz”. O que é paz? É quando tudo vai bem, é quando tudo transcorre como nós desejamos, é quando nossos objetivos e propósitos são realizados, não são obstruídos, não são paralisados, quando nada se interpõe. Então a satisfação do desejo também preenchido nos aquieta, nos torna pouco eufóricos e nós chamamos isso de “paz”. Quando tudo vai bem a paz está presente, quando para esse “mim”, para esse “eu”, tudo é do jeito que ele deseja, que ele quer, tudo vai bem. É isso que nós chamamos de “paz”. Mas se a situação muda, se a circunstância é alterada, estamos de volta à ausência de paz. Notem, é uma paz circunstancial. O amor agora há pouco era circunstancial também e essa paz também, agora, se mostra circunstancial.

Poderíamos falar muito ainda sobre essa questão da paz e dos diversos modelos de “paz”. Para nós, paz é aceitação, enquanto o outro me aceita estou em paz, e quando ele me rejeita se torna meu inimigo ou fico indiferente a ele. Então não há paz em nossas relações. Para nós é algo muito circunstancial.

A questão da felicidade nós temos a mesma situação, temos uma projeção do que é a felicidade. Felicidade é quando nunca mais passamos por nada que não desejamos, tudo tem que transcorrer do jeito que esperamos. Um sonho realizado é a “felicidade”, um objetivo alcançado é a “felicidade”, uma meta obtida, cumprida, é a “felicidade”; então um carro novo é a “felicidade”, o casamento pela primeira vez é a “felicidade” – mas é estranho, daqui a pouco essa felicidade não está mais e aí a gente tem que casar de novo.

Então é muito interessante essa questão da felicidade, é sempre um projeto que se realiza no tempo, segundo os nossos desejos, segundo os nossos propósitos, segundo as nossas ideias. Tudo tem que terminar como no conto de fadas, como nas histórias que ouvimos desde a infância, do encontro do príncipe com a princesa e “viveram felizes para sempre”. O tempo está sempre incluso nessa conclusão de felicidade, então o elemento tempo é muito importante. Esse prazer, essa satisfação, essa coisa dando certo como “eu” espero, como “eu” desejo, no tempo, tem que ser para sempre.

Notem o que estamos trabalhando aqui com vocês, o que estamos olhando juntos aqui. Nossas colocações aqui são sobre a Verdade do seu Ser, que é Consciência. Aqueles que realizaram Isso dizem que neste Ser-Consciência reside o Amor – o Real Amor, não esse amor que tem um outro lado quando não é correspondido.

Aqueles que realizaram a Verdade do seu Ser falam dessa Paz, compartilham dessa Paz, mas é uma Paz que ultrapassa toda a compreensão e intenção humana, então, naturalmente, é uma Paz que não pode ser idealizada pelo pensamento, e uma Paz, naturalmente, que não tem um contrário, não tem um outro lado. Então, a “paz” que não é paz, mas agora é inimizade, é conflito, é a paz que tem um oposto, essa é a paz que a mente conhece. A gente pode falar um pouco mais sobre isso daqui a pouco.

E quanto à Felicidade nós temos a mesma situação. A Realização do seu Ser, que é Consciência, é Felicidade. Os Sábios têm dito que Ser-Consciência-Felicidade é a Natureza de cada um de nós, essa é a Verdade sobre você. Mas a mente tem construído um mundo e falado nesse mundo sobre amor, paz e felicidade. Nesse mundo da mente o que prevalece é a contradição, é a inveja, o desejo e o medo; isso não é Amor, não é Paz, não é Felicidade.

Nós estamos trabalhando aqui a Verdade que somos, quando há o fim para essa ilusão do que acreditamos ser, daquilo que nós nos confundimos em aparentar ser, em se mostrar sendo. Então o Autoconhecimento é aquilo que lhe aproxima da Meditação, o que não é outra coisa a não ser a compreensão direta, vivencial, do Natural Estado de Amor, Consciência, Felicidade. Assim, nossa aproximação de tudo isso precisa ser essa aproximação – real aproximação. A mente pode se modificar, o Amor não; ela pode lutar por objetivos e alterar o tempo todo, a Paz não; ela – a mente – pode se preencher ou se sentir preenchida por satisfação, prazer e realização, a Felicidade não, porque essa Felicidade, essa Paz e esse Amor são a Natureza da Consciência.

Então o nosso problema reside na coisa que chamamos “amor”, na coisa que chamamos “paz”, na coisa que chamamos “felicidade”. O nosso problema reside em nossas crenças, em nossas projeções, em nossos projetos, ideais e propósitos, todos eles construídos por essa mente. Essa é a condição da mente que se separa e, portanto, uma mente que vive dentro de um processo de dualidade e separatividade. Ela se vê como uma entidade presente no tempo para realizar alguma coisa que lhe preencha eternamente, como nas frases “viveram felizes para sempre”, “encontraram o amor eterno”, ou a “paz perfeita”.

Notem o que estamos colocando aqui para você: é a mente que se apega a alguma coisa, é ela que se torna invejosa, possuidora, controladora, manipuladora; é ela que tenta estabilidade e segurança nas experiências e, assim, projeta esses ideais – e aqui a mente não é outra coisa senão esse sentido do “eu” presente, que é o “ego”, esse “mim”.

É importante termos uma aproximação real disso. Nós, na verdade, não conhecemos o que é amar, nós não deixamos o Amor sozinho. Não sabemos o que é a Paz, nós nunca deixamos ou permitimos que a Paz se instale sozinha, assim como a Felicidade, nós não estamos dando essa Liberdade para que o nosso Ser se expresse como Consciência se mostrando em Amor, em Paz, em Felicidade. Há sempre esse controle, essa manipulação da mente; há sempre esse desejo de se tornar alguma coisa, alcançar alguma coisa ou se mover para alguma direção e isso, naturalmente, cria essa noção de tempo – metas, propósitos e objetivos –, e o “ego” dentro disso, vendo toda a confusão e vivendo essas ilusões – a ilusão do amor, a ilusão da paz, a ilusão da felicidade.

Tudo bem? Estamos juntos nisso?

Não há nesse sentido do “eu” a Verdade. O trabalho sobre si mesmo, aqui e agora, é através do Autoconhecimento, dentro desse princípio de revelação dado pela Real Meditação na prática – e nós temos aqui, em nosso canal, uma ampla playlist, nós temos uma playlist sobre Autoconhecimento, uma outra playlist sobre a Real Meditação na prática, assim como, temos diversas outras playlists aprofundando esse assunto aqui com vocês.

Portanto, se isso é algo que faz sentido para você, deixa aí o seu like, se inscreva no canal, e eu quero convidar você para um encontro online – nós temos encontros online, encontros presenciais e, também, retiros, onde estamos trabalhando isso com aqueles que se aproximam. Ok?

Se faz sentido para você, a gente se vê. Até a próxima!

Março de 2023
Gravatá-PE
Mais informações

terça-feira, 23 de maio de 2023

Realização de Deus. O que é espiritualidade? Aproximação do Autoconhecimento. Passado psicológico.

Muito bem!

O nosso trabalho aqui juntos consiste na investigação da natureza do “eu”. O que nós temos dito aqui nesses encontros é que esse sentido do “eu” presente em você não é real. Esse sentido do “eu” em nós é uma criação do próprio pensamento. Na realidade, consiste num condicionamento interno, num condicionamento psicológico dentro de cada um de nós. Então o que nós estamos fazendo nesses encontros é investigar a ilusória natureza do “eu”, que é esse “mim”, esse ego. Essa pessoa que você acredita ser não é real. E como é que essa pessoa aparece? Como é que ela surge? Dentro dos próximos minutos vamos olhar isso aqui com você.

Nós temos uma percepção de mundo, é uma percepção simples, eu diria que é uma percepção natural. Quando nós olhamos para objetos, para pessoas, para os lugares, há uma percepção dos sentidos. Essa experiência é uma experiência de percepção sensorial, e é algo simples, é algo natural. Os sentidos em nós funcionam de uma forma muito simples, muito direta, então há esse percebimento da experiência. Essa percepção, esse modo de nos aproximarmos do que quer que esteja presente nesse instante não é nada complicado de ser compreendido. Quando você vê uma casa, há uma percepção visual, sensorial daquela casa. Quando você passa pela rua e vê pessoas andando, caminhando, você tem uma percepção sensorial. Quando você escuta um som, você tem uma percepção, também, sensorial de natureza auditiva. Então nós estamos sempre tendo um contato direto com todas as experiências a partir desta percepção dos sentidos, e essa forma de nos aproximarmos é muito simples, bastante compreensível. No entanto, ao olhar para uma dada coisa, ao ouvir um determinado som, nós também temos um modo de aproximação verbal, ou seja, intelectual, sentimental e emocional dessa experiência.

Quando vemos algo, quando ouvimos algo, essa forma de aproximação intelectual, verbal, emocional e sentimental é algo que precisa ser compreendido, porque a partir daí nós temos a presença de uma identidade dentro da experiência. Quando, por exemplo, ao olharmos alguma coisa, olhamos a partir de um conhecimento prévio, de uma ideia que fazemos sobre aquilo, neste exato momento colocamos uma identidade dentro da experiência. A sua percepção não é agora simples, ela se tornou complexa, ela se tornou pessoal, particular, ela tem um fundo. Esse fundo é a experiência passada. Ao olhar uma árvore, você sabe o nome, você classifica aquela árvore, você nomeia. Quando isso é feito, não há mais uma simples e direta percepção da árvore, agora você tem uma ideia, um quadro intelectual e também sentimental ou emocional daquela árvore, e você relata isso para outras pessoas ou você conta isso para si mesmo. Nesse momento, você não está mais nesse contato direto, simples, com a experiência da árvore ou da casa, ou de alguém com quem você está lidando, porque nesse momento temos o aparecimento do “eu”

O “eu” é aquele em nós que é resultado da experiência. Essa experiência é conhecimento passado, são idéias, conceitos, crenças, sobre aquela coisa. Então as crenças, o conhecimento, a nomeação, a experiência passada em nós são aquilo que determinam a identidade do “eu” dentro dessa experiência, é quando não estamos em direto contato com a percepção. O que estamos dizendo dentro desses encontros aqui – e isso ocorre, também, em encontros online e presenciais, e fazemos retiros para trabalharmos isso juntos – é a possibilidade de olharmos a vida simplesmente como ela se mostra, sem esse sentido de um “eu” presente, de uma identidade presente, de uma pessoa presente. Essa pessoa é uma crença, é uma ideia, é uma imaginação.

A questão toda é que quando nós temos uma aproximação assim da vida – e aqui a vida consiste em toda e qualquer forma de experiência nesse viver de cada um de nós –, temos esse elemento que é o “eu” presente e o “não eu”. Nessa separação, internalizamos toda forma de contradição, de conflito, de dilema, de distanciamento psicológico e, portanto, de problemas e de sofrimento. O sentido do “eu” presente é o sentido do ego. O ego é aquele que é o centro de todas as experiências da vida. É interessante a expressão “minha vida”, porque ela tem como princípio essa ideia: a ideia de que essa vida é uma vida pessoal, é uma vida particular. Então toda forma de percepção da vida centralizada nesse “eu” é um centro falso, é uma identidade que se separa da vida, ou seja, se separa da percepção. Ou você tem a percepção do que É, da vida como ela se mostra – e quando essa percepção está presente, esse sentido do “eu” não está, então você é a própria vida sem qualquer separação –, ou então o sentido desse “eu”, desse “mim”, desse ego, estará sempre criando complicações, problemas.

No que consiste essa Realização da Verdade, essa Realização de Deus, essa busca pela Verdade Divina? Consiste, simplesmente, em nos despirmos da ilusão de uma identidade presente. Quando não há mais essa identidade, a Verdade presente é a Verdade da não separação entre você e a vida. Nesta percepção direta sem o “eu”, não há esse “mim”, esse “eu e o outro”, “eu e a vida”, “eu e Deus”, “eu e a Realidade”. Aquilo que temos presente é a Realidade Divina, é a Realidade de Deus. Assim, a Iluminação Espiritual, o Despertar da Natureza de Deus, que é a Natureza do seu Ser, é Aquilo que está presente quando o sentido do “eu” não está, portanto, quando não há mais esta divisão, essa separação.

Nós temos alguns aspectos aqui interessantes sobre isso. O primeiro é esse de nos separarmos da percepção da vida como ela se mostra. Ao ouvirmos um som, colocamos uma identidade presente naquela experiência, com exceção de um som simples, como um pássaro cantando, esse não é um som complexo para essa percepção psicológica de condicionamento complexo que temos, mas quando alguém está dizendo algo para você, isso já se torna algo muito mais complicado, porque nós tornamos aquele som, aquele dizer, aquela fala que alguém está dirigindo para nós, como algo muito complexo. Internalizamos ideias, conceitos, imagens do que ela está dizendo. Não há o simples ouvir, existe um fundo de condicionamento presente, esse fundo de condicionamento é o “eu”. É sempre com base num passado, numa memória, numa imagem que nós nos relacionamos com o outro para ouví-lo.

Ao olharmos para alguém, não ficamos nesse olhar direto, simples. Olhamos com uma imagem, com uma ideia, com uma memória, com uma lembrança. Ao ouvirmos alguém nos dizer algo, interpretamos, avaliamos, aceitamos ou rejeitamos, não há um direto ouvir. Quando ouvimos um pássaro, não temos esse problema, não queremos entender, não queremos ajustar aquele canto, aquela melodia a alguma coisa já conhecida, nós simplesmente ouvimos. Ao olharmos para uma cadeia de montanhas, apenas olhamos. Ao olharmos para uma árvore ou qualquer coisa à nossa volta, apenas olhamos. A não ser que aquilo nos desperte um interesse, um desejo, uma motivação para obter aquilo, para possuir aquilo, há esse direto e simples olhar. Quando esse interesse, esse desejo aparece, já não estamos mais olhando aquilo, já há uma separação entre “esse que vê” e “aquilo que é visto”. Nesse instante não há uma compreensão daquilo que ali está.

Aqui uso sempre a palavra compreensão no sentido de uma percepção simples, natural, direta, sem um fundo de reconhecimento, de memória e, portanto, sem desejo. Então o desejo, o medo, o nosso contato com o outro, com o mundo, com a vida, sempre com base nesse fundo, que é esse “eu” se separando desse instante, é aquilo que nos sustenta dentro de uma base ilusória de identidade separada, é aquilo que nos mantêm constantemente em conflito, em contradição, em medo, em desejo. Então não há essa ausência do “eu”, porque estamos sempre nos mantendo dentro dessa condição de condicionamento psicológico. Esse fundo, que são pensamentos, lembranças, memórias, recordações, nos dá a base ilusória de uma identidade; ela não existe, mas se sustenta como existindo – eu me refiro a esse “mim”.

O nosso trabalho aqui é investigar a natureza ilusória do “eu” e irmos além disso, nos desfazermos disso, soltarmos isso, isso é o fim para essa ego identidade. Os sábios, assim como os místicos, têm nos falado isso há milênios. Aqueles que realizaram a Verdade sobre si mesmos estão sempre nos dizendo que isso não é real. Aqui eu quero lhe desafiar a viver isso, a ter uma compreensão. Acabei de usar a palavra compreensão. Compreender não é entender, não é nesse sentido que uso aqui a expressão “compreensão”. Não é intelectualmente ou verbalmente acompanhar uma fala como essa, mas é perceber de uma forma vivencial tudo isso que estamos colocando aqui. Eu me refiro a uma vida livre do “eu” e, portanto, uma vida livre de sofrimento, livre de todas as formas de ideias, de ideologias, de conceitos, de preconceitos, de crenças, tudo isso são coisas que nos separam uns dos outros, que nos separam da vida, que nos separam da Realidade do nosso Ser que é Deus.

Uma vida livre do “eu”, desse “mim”, do ego, é uma vida em Amor. É apenas nesse sentido que eu uso a palavra “espiritualidade”. A Verdadeira Espiritualidade é a ausência de “alguém”, de “alguém espiritual”. Portanto, esta Verdadeira Espiritualidade… Porque as pessoas perguntam: “O que é Espiritualidade?” O que é esta Espiritualidade? A Realidade do seu Ser é a Realidade de Deus, isso é algo verdadeiramente Espiritual, mas isso que é verdadeiramente Espiritual é algo muito Natural. Então ser verdadeiramente Espiritual é ser Natural. Não se trata de rituais, de práticas, de cerimônias religiosas, de conhecimento de livros sagrados e recitação dos Vedas, da Bíblia ou da Bhagavad Gita. A Verdadeira Espiritualidade é a ausência desse “mim”, desse “eu”.

Estamos tratando com você da Verdade sobre a percepção da vida como ela É, como ela se mostra quando o “eu” não está. Compreendam isso. Perceber isso é ver sem o “eu”, compreender isso é olhar sem o sentido de separação. Essa aproximação é a aproximação da Verdade do seu Ser. Nós temos falado dentro desses encontros da Verdade, da aproximação do Autoconhecimento, e aqui Autoconhecimento no sentido diferente de como as pessoas aí fora usam. Aqui é a compreensão, nesse sentido que usamos essa palavra, de que não há o “eu”, isso é Real Autoconhecimento, a compreensão direta da Verdade do seu Ser, da Verdade de Deus.

Um ponto importante dentro de tudo isso consiste em descobrir como olhar como esse “eu” surge, se separando da experiência, isso ocorre internamente. Assim a autoinvestigação: esse olhar para todo esse movimento da mente, pensamentos, sentimentos, emoções, sensações, olhar para isso nesse movimento da percepção, sem colocar uma identidade nisso. Quando um pensamento surge, um sentimento, uma emoção, uma percepção, com relação a uma visão de percepção interna ou externa, olhar para esta percepção, para esse pensamento, para esse sentimento, sem se colocar dentro disso, sem se identificar com esse pensamento, esse sentimento, essa emoção ou essa percepção. Olhar assim desfaz esse sentido de separação, então há o Real percebimento claro, há o Real percebimento simples, há o perceber sem o “eu”. Perceber sem o “eu” é o perceber sem julgar, condenar, sem nomear, sem classificar, é apenas o perceber simples. Perceber um pensamento surgindo sem rejeitá-lo, sem se confundir com ele, sem se identificar com ele, sem colocar uma identidade presente nesse “eu gosto”, nesse “eu não gosto” – “eu não gosto disso”, “eu gosto disso”.

Esse olhar livre do “eu”, sem esse elemento de uma identidade presente, não é algo tão simples, porque o nosso condicionamento psicológico desde a infância foi sempre colocar uma identidade presente na percepção. Então a percepção está sempre sendo nomeada, julgada, comparada, ela ou é aceita, ou é rejeitada.

Eu quero lhe convidar neste canal e, também, em encontros conosco online e presenciais, para essa Realização do seu Ser. Uma vida livre desse sentido do “eu” é uma vida livre desse fundo de condicionamento psicológico. Só então você está livre do passado psicológico, do futuro psicológico e desse presente que sempre o “eu”, o ego, vê como uma porta para um objetivo no futuro. Internamente, estamos sempre identificados com esse “mim” na vida, nessa experiência da vida, nesta percepção da vida. O trabalho consiste no Autoconhecimento Real e na Verdadeira Real Meditação na prática. A Verdadeira Real Meditação na prática lhe mostra a ilusão desse “eu” e isso é o fim dele e o início de Algo inteiramente novo, que é Amor, que é Verdade, que é Deus.

Esse é o assunto aqui em nosso canal. Eu quero deixar para você aí o convite, se isso é algo que faz sentido para você, deixe aí o seu like e se inscreva no canal. Lembrando mais uma vez: nós temos encontros online, encontros presenciais e, também, retiros onde estamos trabalhando isso com você.

Fica aí o convite e a gente se vê no próximo. Valeu pelo encontro!

Maio de 2023
Gravatá-PE
Mais informações

Compartilhe com outros corações