sábado, 29 de julho de 2017

Felicidade não é a realização de desejos

Tratamos de algo simples, mas, ao mesmo tempo, profundamente desafiador. Estamos tratando com você sobre a arte da Felicidade. Satsang é isso, e representa o abandono da ilusão do sentido da “pessoa” presente. É importante que você se lembre de que a vida acontece sem “você” e de que os pensamentos, sentimentos, tudo isso é parte da vida, assim como as ações, que aparentemente são o resultado desses pensamentos e sentimentos.
O que estamos dizendo é que não se trata de tentar cooperar com a vida ou de procurar criar as condições para a Felicidade, esperando que tudo seja auspicioso. Nem sempre as coisas precisam ser perfeitas como você espera que elas sejam. O que você espera de perfeição, naquilo que acontece, é somente uma crença, uma projeção de desejo. Você não pode esperar da vida alguma coisa, porque “esperar” significa criar uma expectativa para ser miserável.
Felicidade não é a realização de desejos, nem a realização de expectativas. Felicidade é Ser! A Vida é o que é, e isso é Ser. Não há o sentido de “alguém” em Ser. Eu não disse “ser alguma coisa”, “ser feliz”… Ser é a Felicidade, mas não é ser feliz! O sentido de “pessoa” é sempre miserável, não importa o que ela realize na vida, porque essa realização ainda é parte de sua miséria. Você não pode olhar para a Verdade como um Shopping Center, onde você vai fazer compras e lá adquire tudo o que quer… Come na praça de alimentação, faz compras nas lojas de roupas, compra brinquedos e assim por diante… E agora você é “feliz”!
Não olhe a vida como um Shopping Center. Ela não tem o que você deseja, porque o seu desejo é miserável e a vida não conhece miséria. Todos procuram a Felicidade, mas confundem a Verdade, a Vida, com um grande mercado, onde podem conseguir tudo que desejam. Não é conseguindo o que deseja que você será feliz, mas exatamente o oposto: é deixando de desejar, abandonando o sentido de “alguém” presente que deseja – esse “alguém” que você acredita ser e sempre sente falta de alguma coisa: de família, de sucesso, de saúde, de roupas, de amizades… Esse sentido de falta somente é possível quando o sentido do “eu” está presente, e isso é ser miserável.
Estamos tratando, em Satsang, de algo simples e profundo. Simples porque é fácil nos aproximarmos disso pela palavra; profundo porque temos que investigar, profundamente, a natureza ilusória dessa mente egoica, desse sentido do “eu”. Em Satsang, seus pensamentos, sentimentos, emoções e todas as formas de crenças – em qualquer nível que apareçam, dentro da sua cabeça ou no que você chama de “coração” – são descartados. Nada disso tem real importância para Ser.
Para ser alguma coisa, você precisa ter coisas, e isso faz de você “alguém” miserável, porque há sempre medo, dependência, ansiedade, preocupação e sofrimento. Para Ser, no entanto, o final do desejo é importante, assim como o término da ambição, da expectativa, da busca por algo, da procura por alguma coisa. Portanto, Realização não é “realização”. Realização é estar aqui, sem futuro, sem expectativas, sem desejos. Então, a Felicidade se revela com a Verdade, e ela, definitivamente, não é um mercado, onde você consegue tudo o que deseja. Ela está presente na Meditação, que é assumir a Verdade sobre si mesmo; é viver sem o passado e o futuro; é ter o coração e a mente completamente livres. Então, as emoções, os pensamentos, os sentimentos e as sensações físicas são simples experiências, sem “alguém” dentro delas fantasiando, imaginando e calculando, preso dentro desse movimento.
Assim, em Satsang, descobrimos a beleza de viver livre da “pessoa” e, naturalmente, dos conflitos que ela produz, em razão dos desejos, das ambições e dos medos que ela tem. Então, a Vida é o que é! Ela não está aí como um mercado esperando você. Não há separação nem distância entre Ser e a Vida… Isso é Completude, Totalidade, Felicidade.
A pergunta que surge é: “Como eu continuo indo para o trabalho, ganhando dinheiro, pagando as contas, cuidando de filhos e família?” A resposta a essa pergunta é: Não tem “você”! Esse é o movimento da Vida! Isso acontece muito bem sem “você” – sem a ansiedade, a expectativa, o desejo e, naturalmente, sem o medo.
Dê a si mesmo total Liberdade! Dê a si mesmo total Paz, total Inteligência, total Verdade e total Amor! Dê a si mesmo a ausência de “si mesmo”. Isso é Realização, mas não é a realização de “alguém”… É somente Realização! Ninguém se realiza, mas a Realização é possível. Isso é Iluminação! Ninguém se ilumina, mas a Iluminação é possível quando “você” não está, quando “o que é” é O que É! Isso é tudo!
*Transcrito de uma fala ocorrida em 26 de Maio de 2017, num encontro aberto online.
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quinta-feira, 27 de julho de 2017

O buscador é um cego

Nós temos algo bastante paradoxal para investigarmos dentro desse encontro. Tenho observado que, quando as pessoas se aproximam, a intenção delas é sair do sofrimento, o que pode parecer bastante natural a princípio. Quando chegam nesse encontro, elas escutam que a causa do sofrimento é a ilusão de uma entidade presente. Então, quando descobrem que a causa do sofrimento é a ilusão de uma entidade presente, esse suposto "eu", o ego, coloca na cabeça que agora é preciso se livrar desse "eu", desse ego. É isso o que eu tenho observado. Parece razoável, agora, vocês buscarem essa libertação. Então, vocês querem se libertar do ego, já que ele é a causa do sofrimento.
E aqui é que nós nos deparamos com um assunto muito delicado: você não pode se libertar do ego! Você quer se libertar do ego porque está sofrendo, mas esse sofrimento é o próprio ego, e, agora, ele está querendo se livrar dele mesmo. Por isso que o assunto da Liberação, ou Realização, ou Iluminação, é um assunto muito delicado.
Geralmente, a pessoa tem uma aproximação disso de uma forma pessoal, e, então, a pessoa quer se livrar da “pessoa”, o ego quer se livrar do ego, com a mente dualista, com o sentido da dualidade presente. A questão aqui é: todo esse movimento só fortalece o sentido de uma entidade presente. Essa não é a resposta, esse não é o caminho. É por isso que você pode passar uma vida inteira ouvindo falas, adquirindo informações sobre Isso [Iluminação], tendo experiências, também, em razão de alguma prática de meditação, mas, no final, isso não resulta em nada, porque a mente jamais vai se livrar da mente; o ego jamais vai se livrar do ego.
Todo esse movimento é da ilusão, pela ilusão, em prol da ilusão. Esse movimento é a busca, uma grande armadilha que a mente egoica criou. Ela se disfarça e cai em sua própria armadilha, fingindo que quer fugir da armadilha. Parece querer se libertar, mas o movimento dela é um movimento contrário a isso. Assim, o movimento da busca apenas fortalece o buscador.
Estamos vivendo um momento no Brasil, em particular, em que há muitos buscadores, mas são buscadores cegos. O buscador cego é aquele que caminha na escuridão. Quando um cego caminha, ele esbarra em muitos objetos se não tiver um guia; se existirem buracos, ele pode cair neles com facilidade. A busca é algo assim: um caminhar na escuridão, uma estrada cheia de buracos e sem nenhuma luz sobre ela. Esse é o movimento do “eu”, do ego, na busca.
Então, ser um buscador não significa nada. O buscador é um cego! A questão é que todos estão adorando essa coisa da busca, entretendo-se com ela – ler livros, assistir a vídeos, etc., são apenas entretenimentos. Isso é ser cego e andar na escuridão, numa estrada cheia de buracos. Você não precisa da busca! Você precisa desse trabalho de autoinvestigação, de auto-observação. Assim, não se trata de procurar por Isso em falas, vídeos, livros, ou ficar andando de guru em guru, o que também é um entretenimento. Vocês estão buscando distrações. O trabalho é outro completamente diferente. O trabalho está na rendição, na entrega do “eu”, por meio dessa autoinvestigação, que é essa auto-observação, numa real devoção a Deus, à Verdade, que é a Real entrega ao Guru. Então, o Guru fora, nesse momento, e somente nesse momento, é o mesmo Guru dentro de você. Então, não existe fora ou dentro.
Assim, essa autoinvestigação é a observação desse movimento da mente egoica, ocupada com seus desejos, predileções, escolhas, contrariedades, raiva, medo, voltada para a realização de prazeres, busca de entretenimentos, diversões, enfim, com toda essa disposição para a vida mundana e indisciplinada. Observe que a mente egoica está com a sua energia toda voltada para a exterioridade, numa completa desatenção, interessada em coisas estúpidas, como estar engajado em movimentos de reatividade social, política…
Essa autoinvestigação é o trabalho, e não se trata de buscar o fim do “eu”, alimentando mais ainda o “eu” com aquilo que ele deseja, como espiritualidade, conhecimento, experiências, enfim, todo esse tipo de coisa. Aqui, trata-se de olhar para isso, para esse impulso, esse movimento viciado de ir para fora, de buscar preenchimento e realizações externas, de se identificar com pensamentos, com aquilo que é lixo.
Se você for sério quanto a isso, você aprenderá a olhar para esse sentido de “alguém” presente, esse “mim”, esse “eu”, com toda a estupidez que ele deseja, e abrirá mão disso. Não importa a quantidade de conhecimento espiritual que você tenha se a sua mente está povoada de pensamentos estúpidos; se você está cedendo, constantemente, aos caprichos dessa estupidez do pensamento. Se é assim, esse não é o seu momento ainda.
Tudo isso que eu acabei de colocar para você é a própria ação da Graça… É o terreno sendo preparado. Se a sua casa já está limpa e arrumada, então você já pode receber um hóspede, assim como um terreno preparado pode receber uma planta capaz de florescer. Essa “casa” pode receber um hóspede, a visitação do Despertar, e esse é o germinar e o florescer dessa Verdade. Assim sendo, você deixa a busca, abandona o sentido de “buscador” e olha para si mesmo, para toda essa desordem interna, essa bagunça, para colocar ordem na “casa” e preparar o “terreno”. Então, a Verdade, que já está presente, pode florescer. Falar de uma Verdade presente sem essa autoinvestigação, entrega, rendição, é uma grande ilusão. Isso é ser um buscador cego.
*Transcrito de uma fala ocorrida em 21 de Junho de 2017, num encontro aberto online.
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terça-feira, 25 de julho de 2017

O sonho de ser alguém

Em Satsang, você tem a oportunidade de se compreender… Você tem a oportunidade de compreender, verdadeiramente, onde acontece toda a confusão e o que é essa mente complicada que você tem.
O que eu posso lhe garantir é que todo problema que você tem não é o que você é. Esses problemas aparecem em razão da ignorância que você tem sobre quem, de fato, você é. Onde estão todos esses problemas, toda essa desordem ou confusão? Tudo isso faz parte da valorização que você dá a essa ideia que faz de si mesmo, ideia essa que é o sentido do “eu” presente, desse “eu”, desse “mim”. Não há nenhum “mim”, nenhum “eu”, nenhuma mente. Aí é que está toda confusão.
Todos à sua volta acreditam nisso – nesse “eu”, nesse “mim”, nessa mente. Esse estado de confusão, de desordem, é o estado da ilusão. Essa percepção que você faz de si mesmo é a que você tem do mundo, da vida à sua volta. Você está embolado em uma história.
Enquanto você assiste a um filme, a história que se desenrola é bem emocionante e, mesmo que haja cenas de perigo e diversos outros tipos de problemas sérios, nada disso toca você, porque nada tem a ver com você. Então, assistir a filmes é algo bastante divertido, porque você não está envolvido com aquilo, não tem “você” naquela história, é somente um entretenimento, uma diversão. No fundo, você sabe que aquilo é tudo montado e que nada daquilo é real. O fogo, no cinema, não está destruindo, de fato, nada verdadeiro, pois está queimando uma casa de mentira, uma pessoa de mentira, um carro de mentira e tudo mais. No filme, quando tem uma inundação, a água está afogando pessoas e animais, mas você sabe que tudo aquilo é cinematográfico; são cenas dramáticas e emocionantes, mas ninguém, de fato, está morrendo.
Agora, quando você olha para a sua vida (que também é só uma história), a coisa muda. Por que é que muda? Porque nessa história, agora, tem uma pessoa importante, real, verdadeira, sendo atingida, tocada pelas circunstâncias. Então, essa pessoa recebe uma credencial de identidade “real” – essa pessoa sou “eu” e essa história é a “minha vida”. No filme, não tem a “minha vida” e não tem o “eu”, mas do lado de cá tem. Do lado de lá, no filme, nada é real, mas aqui, sim. O que foi que mudou?
À noite, quando você tem um sonho, você também está em uma história e, nesse sonho, tem o “eu” e a “minha vida”. Nesse sonho, você viaja, pode passar por perigos, dificuldades e a sua história é muito real, porque, novamente, “você” está lá. Porém, quando você acorda pela manhã, para onde foram aqueles “perigos”, aquelas “dificuldades”, aquela história e toda a “verdade” daquele mundo do sonho? Percebe o que estamos dizendo? O princípio é sempre o mesmo. Aqui, você diz que a sua vida é muito real e, enquanto está sonhando, sente que ela também é, mas o filme, no cinema, não tem realidade nenhuma para você; é somente um filme divertido.
O que estamos dizendo para você, em Satsang, é que tanto no filme quanto no sonho, seja no sonho à noite ou nesse sonho agora, enquanto você me escuta, estamos tratando sempre da mesma coisa: o sonho de “ser alguém”, de “ser uma pessoa”. Uma pessoa com uma vida “real”, com pensamentos, sentimentos e emoções “verdadeiros”, com uma história familiar “verdadeira”, com o sentido de uma identidade separada de toda existência – algo “verdadeiro” também. Mas tudo isso é verdade ou é somente uma crença criada pela imaginação? Você nasceu, está vivo e vai morrer? Isso é verdade ou é imaginação? Quantos anos você tem? Qual é o seu nome? Qual é o problema de saúde que você tem? Você é uma criança, um jovem, um adulto ou um idoso?
A pergunta para você é: quem é você sem a imaginação? Você é filho de quem? É pai? É mãe? Quem é você? Sem a imaginação, onde estão os seus problemas? Sem o pensamento de uma conta para pagar, você está devendo para quem e quanto? Onde está o seu mundo sem você? Está claro o que estamos colocando para você em Satsang? Olhe para a sua cabeça nesse momento… O que ela está buscando nesse instante? O que ela quer construir? O que a mente quer imaginar? Do que você quer sofrer agora? Repare que a imaginação constrói o “seu” mundo e, nele, você é muito importante, tudo está cooperando a seu favor ou contra você. Tudo ilusão!
As pessoas têm uma frase: “O Universo conspira a seu favor!”. Isso não é real! Você imagina o Universo, depois acredita que Ele está vendo você e que você é muito importante. A mente adora esse tipo de coisa! A filosofia é toda criada pela imaginação, assim como a poesia e todas as coisas bonitas que a mente inventa. A mente inventa tudo isso para se sentir importante, para ser “alguém” no seu mundo imaginário. Quanto mais coisas ela inventa, mais miserável ela se sente.
Acordar, Despertar, é sair desse sonho, dessa imaginação. Então, a sua Natureza Real é Felicidade, é Liberdade, é Sabedoria, é Amor… Não há nenhum problema, sofrimento e nenhuma miséria, porque não há mente. Assim, não há nascimento nem morte, porque não há história.
*Transcrito de uma fala ocorrida em 14 de Junho de 2017, num encontro aberto online.
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quinta-feira, 20 de julho de 2017

Não persista no conflito!

É fundamental participar desse encontro de uma forma nova. É preciso que se diga, logo a princípio, que não existe nada deixado para nós nesse encontro. Não deixaram nada para aprendermos aqui. Todos vocês têm, com muita facilidade, acesso a todo tipo de conhecimento e experiências espirituais, esotéricas, místicas… Isso você encontra com apenas um click, acessando a internet. Aqui, nesse encontro, não é assim que acontece, pois não há nada a ser comunicado, como conhecimento, nem há nenhuma experiência a ser passada também. Portanto, não é uma questão de aprender ou de experimentar.
Esse Despertar, a Realização, é uma oportunidade real de ir além do ego, e Isso não é possível pelo conhecimento, pela experiência, pelo esoterismo, misticismo, nem pela espiritualidade. Ir além do ego é algo possível quando há uma renúncia a esse movimento egoico, quando você toma consciência de sua Verdadeira Natureza, que está além dessa mente dualista, separatista que cria problemas para você o tempo todo.
A todo momento, em sua vida de relações, seja consigo mesmo ou com os outros, você está em resistência, nessa constante exigência, e isso mantém sua vida em conflito, que é a vida no ego, nesse sentido de dualidade, de separação. Não é possível ir além disso por meio do conhecimento místico, esotérico, espiritual ou pelas experiências desse tipo. Isso só é possível quando se traz Consciência para este instante, para este momento da relação, quando você solta a ilusão da autoimportância, abre mão da sua arrogância, violência e agressividade.
Essa Consciência é fundamental, seja no modo como você fala, trata o outro, como escuta o que o outro diz, ou como se relaciona, pois toda relação é um belo espelho para você. Nessa relação, você pode ver a si mesmo, como você sustenta o seu ego, essa ego-identidade, o medo e a arrogância que você tem, a sua autoimportância… Pode ver o quanto você mente para si mesmo e destrói a si próprio nessa arrogância e nesse medo. Tudo isso, que o torna profundamente miserável, ocorre porque você está se identificando com os pensamentos, com seus motivos pessoais.
Perceba o que estou dizendo: Despertar, Realização, Iluminação não tem nada a ver com espiritualidade. A Verdade não é espiritual! A mente criou a espiritualidade! Deus não é espiritual! Deus é a Verdade, e Ela está fora do conflito, do medo e do desejo. A espiritualidade coloca medo, desejo, e isso sustenta o conflito. Na espiritualidade, você aprende a desejar e a temer – você deseja acertar e tem medo de errar. Isso é conflito! Algo que torna você mais miserável ainda e o afasta dessa simplicidade de Ser, de seu Estado Natural.
Você, em seu Estado Natural, não carrega medo, desejo, e não conhece conflito. Esse “algo”, nas relações, que floresce nessa Atenção, nessa Consciência, é a base para a Meditação. Meditação é Você em seu Estado Natural, quando você não é mais miserável. A miséria é uma artificialidade no ego, nesse sentido ilusório de "ser alguém", e isso é viver em autodestruição. Você nasceu para Ser, e Ser é Meditação, o que não é uma prática, é o seu estado de Ser: Sat-Chit-Ananda [Ser-Consciência-Beatitude]. Meditação é Amor, Paz, Ser, Consciência, Felicidade… Não há sofrimento, conflito, medo e desejo.
Não persista no conflito! Não dê continuidade ao sentido de um “eu” presente! Não entre em conflito com as pessoas, nem com você mesmo. Para isso, abandone os pensamentos, as opiniões, os julgamentos, as comparações… Abandone o passado e o futuro. Só há Deus, e tudo é Ele! Acolha isso! Viva sem a mente! Permaneça aqui! Jogue tudo fora – todas as ideologias, filosofias, conhecimentos espiritualistas… Tudo! Desaprenda tudo!
Portanto, nesse encontro, nada é deixado para você. Eu nem sei por que alguns de vocês ainda entram nessa sala, já que não existe nada aqui para se aprender, adquirir; nada para torná-lo mais forte, mais virtuoso, mais espiritual. Afinal, por que vocês entram aqui ainda? O que vocês esperam encontrar aqui?
Até o próximo encontro… Para não aprenderem nada novamente!
*Transcrito de uma fala ocorrida em 03 de Maio de 2017, num encontro aberto online.
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terça-feira, 18 de julho de 2017

A Vida é Deus, Ser, Consciência!

O nosso propósito é sempre a investigação da natureza da mente egoica. Afinal, o que significa isso? Qual é a natureza disso? O que é que, basicamente, representa esse sentido de separação? Onde, afinal, ele aparece?
O que eu tenho para dizer a você, nesse encontro, é que nós estamos diante da visão de uma miragem, de uma aparição que não é real. O ponto aqui é que você foi condicionado a aceitar isso [esse sentido de separação] como um modelo de vida, de identidade, o que é só uma padronização. A Realização, basicamente, é o fim disso tudo que parece tão real. Isso é assim porque todos seguem esse modelo. Ninguém está disposto a questionar essa divisão, essa separação, e todo conflito que surge disso. A Realização é a vida sem isso, sem o sentido do “eu”, sem esse “eu” e o seu mundo separado; esse “eu” e os seus assuntos; esse “eu” e os seus negócios; esse “eu” e os seus relacionamentos; esse “eu” e os seus projetos, sonhos e tudo mais.
A cultura humana está baseada no pensamento, que tem sido a base dessa ilusória identidade, e sua confiança nele tem sido total. Olhe a sua sala agora, nesse momento, ou o seu quarto, a sua casa e todos os móveis dentro dela… O pensamento é a base da construção do seu mundo, dando autenticidade a tudo que você vê, toca, experimenta. Assim, a “realidade” do seu mundo é a “realidade” do pensamento. Até o próprio corpo que você experimenta (as mãos, os pés, a cabeça…) é o pensamento que diz que está aí, que é real. Assim, o seu mundo tem sido construído e constatado pelo pensamento.
Ocorre da mesma forma em relação às impressões internas que você tem: seus desejos, motivações, imagens (a imagem que você faz de si mesmo e a imagem que você faz do outro), a alegria de se lembrar de alguém ou a tristeza por não poder esquecer algo… Portanto, seja do ponto de vista externo ou do ponto de vista interno, o seu mundo é mental, uma construção do pensamento. Algumas vezes, ele aparece em uma forma física e, outras vezes, em uma forma sentimental, emocional. Essa tem sido a base do “seu” mundo.
Você sabe qual é a diferença entre você e um Sábio? A diferença é que você confia no pensamento e o Sábio sabe que o pensamento não tem nenhuma realidade. O pensamento não tem nenhuma realidade separada dessa Consciência. Assim, enquanto o Sábio fica com a Consciência, você fica com o pensamento. Se você abandona o pensamento, a “pessoa” que você acredita ser desaparece; o mundo, no qual você parece viver, também desaparece, porque a base do seu mundo é a mesma base da “pessoa”. A “pessoa” é tão real quanto o seu mundo, e a base, a realidade disso, é a ilusão do pensamento. Eu disse “a ilusão do pensamento”, porque não há pensamento.
A Realidade é essa única Consciência, a qual não se fez separada como Consciência e pensamento. Há um “elemento” em você que cria o sentido de separação, essa ilusão de haver “alguém” e o pensamento, “alguém” e o mundo. Esse “elemento” põe toda a confiança no pensamento e, naturalmente, sofre, criando a miragem da qual falei agora há pouco. Aquele que está Desperto, Acordado, o Sábio, não cai mais nessa armadilha, porque Ele não se vê mais separado da experiência. Ele não se separa do pensamento como um “pensador”, da experiência como um “experimentador”, daquilo que sente como um “alguém” que sente. Assim, a ilusão da dualidade termina. Quando não há mais separação, não há mais conflitos, problemas, e isso significa estar Desperto, não estar mais nesse “estado de sono”, de “sonho”.
Você é a Vida e essa é a sua Natureza Verdadeira! Então, qual é a natureza da mente egoica? A resposta é: uma ilusão! A mente tem sustentado esse elemento ilusório, tem se autossustentado nessa dor, nesse sofrimento, nesse conflito. Isso não é a Vida! A Vida não conhece isso! A Vida é Paz, Amor, Liberdade, Felicidade! A Vida é Beleza, é Graça! A Vida é Deus, Ser, Consciência! O que a mente conhece é a miséria. A natureza da mente é ser miserável nessa ilusão. Nessa natureza de ilusão, a mente é estúpida, e você não é isso! Você é Deus, é Sábio!
A sua vida é miserável porque você se identifica com a mente. Essa não é a sua vida real, é a vida culturalmente aprendida. Você está condicionado culturalmente a ser miserável, a se comparar, imitar, ter ambição, inveja, desejos… Uma tremenda insatisfação criada pela mente! Você está viciado em viver assim, nessa estupidez.
*Transcrito de uma fala ocorrida em 9 de Junho de 2017, num encontro aberto online.
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