segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Consciência é a Real Meditação

Bem-vindos a mais um Satsang, a mais um momento, a mais um encontro. Esse momento é sempre o momento da Presença; e o momento da Presença é Consciência. Consciência é a Real Meditação. Nós temos sempre falado com vocês sobre a importância da Real Meditação; é importante compreendermos o que é Meditação. Na realidade, a compreensão do que é Meditação significa a compreensão do que a Meditação não é. Meditação não é algo restrito ao tempo, assim como essa formal meditação que conhecemos: essa coisa de estar sentado, respirando de uma certa forma, tendo uma atitude mental ou buscando uma atitude mental especial. Em Satsang nós falamos a respeito da Real Meditação, que é Consciência, que é Presença. Assim, nesses encontros, nós trabalhamos Isso. É preciso que isso fique muito claro para cada um de vocês.

A primeira coisa aqui é que não há direção, não há nenhum objetivo, não há qualquer resultado a ser alcançado fora deste instante que é Consciência, que é Presença. Assim, a Meditação Real é a Consciência deste instante, a clareza deste instante, essa pura rendição a esse momento, porque é nele que este Estado Natural se mostra, se apresenta, se revela. Esta rendição não carrega um significado, é o Puro Silêncio. Assim, não se encontra qualquer resultado, não há qualquer resultado, não há qualquer significado.

Todos esses métodos para se realizar um significado, para se dar um significado à vida, são procurados quando se busca a realização de estados internos. Na verdade, todos esses estados são puramente mentais e podemos chamá-los de "estados espirituais" ou "estados de consciência". Podemos chamar, ainda, de "estados elevados de consciência", mas, na verdade, todos são limitados, porque na mente estão condicionados.

Nós vivemos estes estados, fascinados por estes estados, à procura destes estados. Isso, na verdade, é sempre dependência, é sempre uma prisão; a mente em sua prisão. Na mente, não somos capazes de saber o que isso significa. Podemos encontrar estados maravilhosos, estados de quietude, de paz, de silêncio, de alegria, mas ainda são estados limitados, impermanentes e mutáveis. Ainda são estados condicionados, ainda são estados da mente.

Uma das coisas que considero fundamental, dentro destes encontros, é limparmos este terreno, tratarmos disso logo no começo. Alguns não continuam conosco, porque estão em busca de algum estado. E aqui, para nós, todos os estados são egoicos, apenas estados da mente. Eles não põem fim ao sentido do ego, ao sentido do "mim", do "eu", ao sentido de separatividade.

A Real Meditação é o estado de Pura Consciência; é algo espontâneo que aparece, naturalmente, quando esta Consciência, esta Presença, este Estado Natural, que é Meditação, não está carregado desse sentido de controle, de manipulação.

O que a mente faz é buscar o controle, é controlar, é dar um significado a essa ideia, a essa projeção, a esse conceito – o conceito que ela faz sobre isso. Isso não traz Real Libertação, isso não traz Real Liberação, isso não traz o fim da ilusão, porque, quando você medita, ali está você. Sua atenção é capturada por esse próprio sentido de "alguém" presente. Esta Presença, esta Consciência, fica aprisionada a esse sentido de "alguém" que vive presente na prática: alguém em paz, em silêncio, experimentando um certo estado de quietude, de alegria interior. Tudo isso ainda é mental, não há qualquer realidade nisso, não há qualquer verdade, a não ser essa "verdade", a "verdade" da mente, ou seja, a verdade de um estado induzido pela mente.

Não sei se minha fala de hoje soa clara para vocês. Geralmente não. Estas falas são muito estranhas, não estão dizendo nada.

E assim, quando somos capturados por esse sentido de ser alguém, ficamos presos dentro dessa própria sensação, desse estado que a mente produz. Além disso, a mente, compulsivamente, interpreta, naturalmente controlando tudo isso, como algo puramente mecânico. É uma forma distorcida, é só mais uma experiência da própria mente, essa assim chamada "meditação", que é só uma distorção.

Na verdade, a Real Meditação é aquela onde tudo, absolutamente tudo, todos os objetos (e aqui objetos são sentimentos, pensamentos, sensações, emoções, memórias), toda e qualquer experiência é deixada em sua função normal, em seu funcionamento natural. Isso significa que não há qualquer esforço, pois a mente não está em seu foco, manipulando, controlando, desejando, procurando um estado especial. Quando isso está presente, podemos nos deparar com Aquilo que É: a Graça, a Beleza, a Verdade do que É. Essa é a Real Meditação.

Nessa Real Meditação, a ênfase é Puro Ser. É esse Puro e Ilimitado Espaço, onde todas essas aparições (e aqui são esses objetos, pensamentos, sensações, emoções etc.), aparecem e depois vão embora. E aí continua Você, você em seu Estado Natural, livre do sentido de alguém, comendo, falando, trabalhando, caminhando, dirigindo seu carro, lidando com negócios, comprando, vendendo. Na Meditação, você não tenta mudar sua experiência. Na Meditação Real, a experiência está acontecendo sem esse "sentido de você" que você acredita ser. É só a Liberdade, a Fluidez, a Graça da experiência sem o experimentador.

Como soa isso pra você? Confuso, claro, estranho, maluco? Estamos dizendo que você não está em busca de mudar a experiência, que não tem "você". Não importa se a experiência de viver a vida se mostra agradável ou desagradável, aí está você – esse ilimitado espaço que é Presença, que é Consciência, que é você em seu Estado Natural, que é Meditação – acolhendo, abraçando.

Estamos diante dessa Real Meditação. Então, essa mente separada, essa mente com o sentido de separação, essa mente dual, essa mente em sua crença de ser alguém, desaparece. Você está suavemente, gentilmente, sem qualquer esforço, relaxado nessa Consciência. Você é Ela. Ela é você, sem esse "você", sem esse "mim", sem esse sentido de alguém – alguém espiritual, alguém que experimenta estados místicos, alguém que sente certas energias, certas vibrações. Não tem alguém nisso. Em Deus não tem alguém. Deus não é alguém. Você não é alguém, Você é Deus, Você não é uma pessoa.

Nessa direta e receptiva atitude, livre de objetivos, propósitos, sonhos, intenções e desejos, somente aqui pode se revelar essa Bem-Aventurança, essa Alegria Real, esse Amor Real, essa Paz Real, essa Liberdade de ser o que Você É. Essa Consciência retorna ao seu Estado Natural, à sua Condição Natural, Condição Natural de Ser, com todo o seu imanifesto e manifesto potencial de Graça e Verdade. Isso é Realização, isso é o Despertar, isso é Consciência de Deus.

Esse Silêncio é a única realidade, esse Silêncio é esse Vazio, este Abismo Insondável, Felicidade, Bem-aventurança e Amor. Então, nós precisamos reconhecer Isso, reconhecer o que somos e esse reconhecimento é o fim de alguém, de alguém experimentando alguma coisa, de alguém sentindo alguma coisa, de alguém fascinado com algum estado especial. Na verdade, todos esses estados especiais que podemos adquirir em qualquer prática, e aqui estamos falando de "meditação", são estados de fuga; enquanto eles estão presentes, você aparentemente não está, mas, na verdade, lá está você. Nenhum estado que se experimenta pode libertar, liberar essa Consciência, pode dar essa Real Liberação a esse Ser, a essa Presença, a esta Consciência, porque é sempre a mente nisso.

Faz sentido isso ou soa estranho demais? Alguém tem alguma pergunta sobre isso ou para você que está nessa sala conosco, em Satsang, já parece algo bem natural?

Tenho outra coisa a lhe dizer a respeito disso. Você não pode realizar esse estado, ele é uma ação da Graça. Somente a Graça pode realizar isso. Realização é uma ação da Graça, uma ação da Presença, é uma ação da Consciência. Essa ação da Presença, da Graça, da Consciência, é algo que acontece muito naturalmente em Satsang. É aqui que entra o Mestre, Presença. O Mestre, a Presença, a Graça, a Consciência é uma só, e é a mesma coisa. Realização é algo concedido pela Graça. Essa Consciência dentro é a Consciência do lado de fora, na figura do Mestre.

Compreendam, vocês que ainda não estiveram em Satsang presencial, a importância da Graça, da Graça do Mestre, da Graça que é Consciência, que é Ser. O Mestre nada mais é do que você do lado de fora, apenas uma aparição para os sentidos. Apenas os sentidos físicos dizem que Ele está do lado de fora, mas Ele é a mesma Presença, que não está dentro nem fora. Você precisa estar nesse campo de Graça, de Presença, chamado Satsang.

Não se pode obter isso com técnicas, com práticas, com estudos e leituras. Você vai assistir a milhares e milhares de vídeos, de todos os Mestres do passado e do presente... Você vai ler todos os livros que foram escritos sobre os Mestres, ou alguns que foram escritos pelos próprios Mestres, do passado e do presente... Você irá ouvir todas as falas, mas posso garantir que isso não funciona. Garanto com base na minha própria experiência, naquilo que eu poderia chamar de "minha" experiência. Realização é o despertar da Consciência. Só o "despertador" pode fazer isso. Só um "despertador" pode despertar essa Consciência.

A consciência interna e a consciência externa são uma única Consciência. Assim sendo, é só um trabalho, um único trabalho acontecendo nesse mecanismo corpo/mente. E esse é um trabalho da Graça nesse mecanismo; um trabalho do Guru, um trabalho do Mestre. Então, a Meditação é possível. Então, o Despertar é possível, essa Presença é possível. Então, essa Graça é possível. E agora, não estamos tratando mais de uma teoria, de uma crença, de um conceito. Nós estamos diante daquilo que se mostra.

Esta Realidade está no fim do experimentador, no fim de toda e qualquer experiência, no fim de todo e qualquer conhecimento, no fim de todo e qualquer fascinante estado. Na Índia eles chamam de Sat, Chit e Ananda. Não é um estado, não é um conhecimento, não é uma experiência.

Ok, pessoal? Vamos ficar por aqui? Valeu pelo encontro. Namastê...

*Transcrição de uma fala ocorrida em 13 de agosto de 2014, num encontro aberto online. Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

sábado, 16 de agosto de 2014

O ego precisa se manter em conflito

Sejam bem-vindos a mais esse encontro aqui pelo Paltalk. Bom estarmos juntos olhando para isso, para a mesma direção, para este lugar.

Estamos falando para você sempre sobre esta identificação particular: com um nome, um corpo específico e uma mente específica. Aqui começa a criação dessa "pessoa" e é assim que se desenvolve esse sentido ilusório de ser alguém. O ego é uma ficção, é uma imaginação, mas uma ficção e uma imaginação bastante reais, em seus termos. Aquilo que acontece na mente, para a mente é muito verdadeiro. Então, este nome, corpo e mente particular cria este processo de uma suposta entidade separada, decidindo, escolhendo, agindo, falando, pensando, decidindo, enfim...

E aqui estamos diante de uma barreira. Toda barreira, nesse sentido, é imaginária, mas, mesmo assim, ainda é uma barreira. Essa barreira imaginária está impedindo a realização de nossa verdadeira identidade. Então, este falso centro, este falso ser, esta falsa entidade, assume o lugar daquilo que você verdadeiramente é. Aí falsifica tudo; falsifica a liberdade, a paz, o amor, a felicidade. Isso é essencialmente um psicológico processo ocorrendo na mente. Este processo está sempre organizando, traduzindo, sempre dando significado a tudo. Este sentido ilusório de ser toma por completo este mecanismo, este corpo/mente, e aí está você alienado de sua Natureza Divina, identificado com uma imaginação. O ego, o "sentido do eu", é basicamente isso.

O problema é que este "sentido do eu" é muito convincente, é um fantasma que assombra muito e vive sendo constantemente realimentado por conflitos. O conflito é, basicamente, a energia que mantém o sentido de separação. Escutem com calma isso, olhem e vocês vão ver o quanto isso é assim.

A mente se alimenta de conflito, o ego se alimenta de conflito. Se tem algo indigesto para a mente, que ela não consegue digerir bem, é o silêncio, é a paz; ela precisa da guerra. O ego precisa se manter em conflito, este é o alimento dele. A energia do conflito mantém o sentido de separação e nós estamos viciados nisso. Sem o conflito e sem o sentido de separação: sem ego! Você agora tem que desaprender isso. Você tem passado a vida inteira identificado com essa ideia de ser alguém, em guerra é claro, sempre se defendendo e atacando.

A resistência é a base do ego. Por isso que este convite, que você tem em Satsang, a grande maioria não aprecia, pois precisa continuar no seu caminho, no caminho de ser alguém, no caminho da guerra. Eu quero lhe convidar a soltar este sonho, eu lhe convido a essa Felicidade Suprema, que é a Realização da Verdade em você mesmo, que é a Realização de Deus. Eu convido você a sair dessa noite, a abandonar essa noite, a acordar deste sonho, a sair deste sonho, a deixar este pesadelo, o pesadelo de ser alguém que está sempre buscando alguma coisa. Nesta busca, você está sempre sentindo-se um guerreiro, um combatente, na procura de uma felicidade imaginária, na procura de uma paz imaginária; sendo uma entidade imaginária, sendo agressivo, possessivo, ambicioso, lutando por este sonho, que é um pesadelo, um pesadelo de vida de uma suposta pessoa.

A Verdade está além de tudo isso, acontecendo fora desta ilusão, onde a mente não está. Este é o nosso convite para você, em Satsang: que vá além da mente, além desse sentido de separação, além dessa imaginação de ser alguém, para essa Perfeita e Indescritível Liberdade. Eu chamo isso Despertar, Realização, o seu Estado Natural.

Você é Deus, mas se esqueceu disso, se esqueceu de sua Real Natureza, se esqueceu de quem, de fato, você É. E aqui estamos nós, olhando para isso juntos.

Alguma pergunta? É só soltar aí... mande aí...

A sala está silenciosa hoje, que legal! Todo mundo quieto, que bom. Todo mundo em silêncio... É... a mente de vocês está silenciando.

Participante: É porque não existe ninguém aqui.

Marcos Gualberto: É verdade, mas vocês se esquecem disso o tempo todo, de que não tem ninguém aí.

Participante: Poderia falar sobre o que é esse sentido de separação?

Marcos Gualberto: Sim, vamos lá... O sentido de separação é algo muito simples. Quem está pensando aí agora? Quem está fazendo esta pergunta? Quem quer saber alguma coisa sobre isso? Este é o sentido de separação. Alguém dentro do corpo e um mundo fora do corpo. Alguém pensando determinado pensamento, formulando determinada pergunta, porque quer saber alguma coisa; aí está o sentido de separação – isso é uma ilusão. Não tem ninguém pensando, não tem ninguém querendo saber nada, não tem alguém dentro do corpo, não tem o corpo, não tem o mundo. Este é o sentido de separação, a ilusão de estar vivo, de estar vivendo, de ser alguém.

Alguém vivo, vivendo, é sempre medo, medo de deixar de ser. Em sono profundo, não há este sentido de separação. Todos nós dormimos profundamente à noite e não tem qualquer sentido de separação; não há nenhuma ideia de que você está vivo, de que está morto, de que pode morrer ou que quer saber alguma coisa... Não há qualquer sentido de separação aqui, porque o sentido de "ser alguém" desaparece em sono profundo. O Seu Estado Natural é o estado de Plena Consciência, sem o sentido de separação, exatamente como acontece em sono profundo, só que agora em estado de vigília. Não há como imaginar isso, mas é possível viver isso.

"Eu" aqui e "o mundo" lá fora, eu experimentando essa experiência, seja a experiência de falar, de pensar, de viver – tudo isso é uma ilusão. Só existe a Consciência não-separada e Ela é essa experiência, sem qualquer ideia sobre isso, sem qualquer alguém nisso. Deu para pegar isso?

Participante: Somos todos um só então?

Marcos Gualberto: Não! Não somos todos um só. Não tem todos. "Todos" é uma ideia, é só um pensamento. É esse sentido de uma identidade presente traduzindo, interpretando a experiência de muitos, muitos presentes. Só há esta Consciência, ou Aquilo que presencia toda aparição, mas não está separado disso como uma testemunha observando algo fora de si mesmo. A dificuldade que nós temos aqui é de que onde a mente entra, ela entra separando, dividindo, testemunhando, e isso é real só para ela, não é a realidade de sua Natureza Real. Você em sua Natureza Real é esta Consciência, onde nada está separado Dela.

Por exemplo: você não está me ouvindo, você não está me vendo. Este ouvir e ver é só uma ideia de algo que parece estar acontecendo. Só há uma única Consciência, nesse movimento chamado vir e ir, e Ela não está separada desse movimento. Esta separação é meramente mental, intelectual, apenas uma crença. Vocês aqui da sala ouviram isso? (risos)

Participante: Existe um "eu", além do nosso ilusório?

Marcos Gualberto: Vocês estavam tão quietinhos, agora ficaram entusiasmados... Acabei de dar esta resposta, não foi? Não precisa voltar para ela...

Participante: Existe uma constatação de acordado em sono profundo?

Marcos Gualberto: Eita! Este viajou mesmo. Deixe para lá... Esqueça isso menino, você já está com sono. Vai dar 23 horas, já... Vamos ver a outra pergunta, ver se faz mais sentido (risos).

Participante: Mestre, os objetos inanimados, há consciência neles, ou sobre eles, fora desse sentido de um "eu" presente?

Marcos Gualberto: Que salada! Deixe-me ler de novo... Olha só: quem é que está vendo estes objetos fora? Acabei de colocar isso. Já acabei de responder a mesma coisa... Não existem objetos fora, não existe nada fora. A ideia de que há algo fora é esse sentido de separatividade que cria, e isso é pura imaginação. O ego, esse sentido de um "eu", é essa imaginação de que ele está aqui e coisas estão lá; não tem ninguém aí, não tem nenhum "eu" aí.

Participante: A falsa noção de que o céu, as estrelas, seja o que for, estão separados de você.

Marcos Gualberto: É isso mesmo, mas tem que deixar a teoria sobre isso, tem que ver assim mesmo. É só ver assim, pronto! Está resolvido...

Vocês são tão lindinhos...

Recomendo a todos virem ao Satsang presencial, pois isto aqui é só um momento.

Ok, pessoal, vamos ficar por aqui? Acho que está todo mundo com sono, já. (risos)

Tchau, tchau. Namastê!

*Transcrição de uma fala ocorrida em 06 de agosto de 2014, num encontro aberto online. Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Não é possível alcançar aquilo que estamos buscando!

Sejam bem-vindos, sobretudo aqueles que estão conosco pela primeira vez, que bom estarmos juntos!

O Paltalk não substitui os encontros presenciais, mas nós temos aqui no Paltalk uma ferramenta, mais uma ferramenta que também nos facilita aquilo que eu tenho chamado de "estar focado nisso", pois passamos alguns minutos juntos nesse encontro.

Aqueles que têm estado conosco nos encontros presenciais sabem o que estou dizendo, que esses encontros aqui no Paltalk, de fato, não substituem os encontros presenciais.

Para alguns de vocês, são os primeiros contatos com este trabalho, para outros que já estão dentro deste trabalho, é uma oportunidade para se aprofundarem nisso, assim estamos nos abrindo mais e mais para este trabalho interno.

Este trabalho se processa num nível completamente diferente do conhecido e não pode ser descrito, pois só pode ser descrito aquilo que está dentro do conhecido. A Graça realiza um trabalho completamente desconhecido, algo fora da mente. Vamos à fala então, do encontro dessa noite.

O que nós precisamos, a princípio, é compreender juntos que não é possível alcançar Aquilo que estamos buscando, não é possível alcançar essa Libertação. Seu maior impedimento é a crença da pessoa presente nessa procura, de alguém capaz de realizar Isso.

Uma das primeiras coisas que debatemos e enfatizamos, e que assusta você quando chega nesse encontro chamado Satsang, é o fato de desconsiderarmos completamente essa ideia, que é a crença central que todos nós temos, carregamos: esse conceito de aqui estarmos, de estarmos presente, como uma entidade separada.

Assim sendo, a primeira coisa que precisamos compreender é que se você acredita que você é uma pessoa, nessa vida, nessa existência, nesse lugar, aqui nessa sala, por exemplo, que pode alcançar esta Libertação, então é exatamente essa crença, essa imaginação, esse conceito, esse pensamento que está impedindo a visão de sua Real Natureza.

Libertação é a Consciência de sua Verdadeira Natureza, daquilo que já está aqui presente, completo, perfeito, aquilo que não pode ser alterado, que é sempre presente.

Mas esse pensamento de alguém dentro do corpo, com um mundo fora do corpo, essa posição dual, separatista, isso é algo muito emocionante para a mente.

A mente alimenta isso constantemente, esse sentido de maravilhamento; isso lhe possibilita imaginar um universo dentro de outro universo, o microcosmo dentro do macrocosmo, o menor dentro do maior, e isso é algo bastante excitante para mente.

Essa possibilidade de investigar infinitamente o mundo externo, o mundo do lado de fora – é claro que tem sempre alguém nessa investigação e alguns chamam isso de "expansão da consciência", uma consciência que se expande infinitamente, uma possibilidade infinita de aprender, crescer, evoluir –, quando você se aproxima desses encontros, isso lhe é tirado, essa doce e extraordinária crença lhe é tirada. Aqui nós dizemos que você não existe. Só há esta Única Presença, que não é você, você como esse sentido de pessoa, de individualidade, de separatividade. Assim, a primeira coisa que precisa cair, desaparecer, é essa ilusão, a ilusão de estar presente, sendo alguém.

Este é o final deste jogo, não há nada fora de si mesmo. Esse "si mesmo" é só uma crença, tudo está no lugar, não há do que se libertar, porque nada está do lado de fora para ser mudado, alterado. Aquilo que consideramos a dor do sofrimento, a dor da miséria, a dor do conflito, do medo, nada mais é do que um pensamento, um pensamento que se mantém como um crença, que se sustenta nesse sentido de uma identidade presente.

Quando dizemos, por exemplo, "estou sofrendo", é um pensamento. Pode ser um pensamento poderoso, o sentido de forte identidade daquele que sofre, então a mente se agarra a isso, e ela mantém isso, esse sentido de autoimportância, e assim o sentido de separação se mantém.

Isso é uma tremenda ilusão, o ego é uma ilusão, este "mim", esta "pessoa", é uma ilusão. Não adianta falarmos de libertação para a pessoa – a pessoa jamais será livre. Não adianta falar de libertação para "mim". Este "mim", este "eu", jamais será livre.

Enquanto existir esse sentido do "mim", do "eu", da "pessoa", enquanto permanecer a ideia de alguém presente, que diz "estou sofrendo, preciso me livrar desse meu sofrimento", essa é a ideia de alcançar algo, alcançar a liberação, mas se você quer a Verdade, precisa ficar com aquilo que é como é, como se mostra, como se apresenta. Ou seja, não há alguém nessa coisa, não há alguém na decisão, na escolha, nesse encontro de solução de continuidade da dor, de sofrimento, da miséria, do medo.

A mente projeta uma liberdade. Para a mente, a liberdade é a ausência do sofrimento, enquanto a Real Liberdade não é a ausência de coisa alguma, é apenas o fim da ilusão do sentido de separatividade, é apenas o fim da ilusão de alguém presente em alguma experiência. Quando isso termina, o experimentador termina, e a experiência não tem mais importância. O sofrimento adquire importância com a presença do sofredor, o medo adquire importância com a presença do medroso.

Estamos dizendo que só há Liberdade na ausência dessa suposta entidade. É a Liberdade para ser o que é, é a Liberdade de ser nada, ou a Liberdade de não ser nada – não há qualquer diferença, quando não há o sentido de um experimentador dentro dessa coisa.

Na verdade, nós estamos tentando acabar com o sofrimento, o sofrimento no mundo. Para nós, identificados com a mente, tudo está do lado de fora, o problema está do lado de fora, o problema é o outro, o problema está no mundo, e assim queremos acabar com a dor, com o sofrimento, com a miséria, com a fome. O que não percebemos é que há sempre presente aí uma ideia central, a ideia de "alguém" que pode fazer isso, e esse "alguém" está profundamente incomodado com isso – na verdade, esse "alguém" mantém isso tudo.

É sempre o sentido de alguém presente vendo um mundo do lado de fora, defeituoso, conflituoso, problemático, difícil. Se essa ilusão cai, se esse sentido de uma identidade presente aí cai, não há mais o dentro e o fora, não há mais nenhum mundo para ser alterado, mudado, transformado. O problema não é o mundo, o problema é o sentido de um "eu" na experiência de um mundo, experenciando o mundo, sendo o experimentador do mundo, ou seja, o problema somos nós mesmos, este "eu mesmo", este "si mesmo"...

Sem esse sentido de separatividade, sem o sentido do "eu", do ego, do "mim", da pessoa, a vida é o que é. O Ser é isso. Não é ser alguém experimentando algo, é só o experimentar sem alguém: isso é Ser, isto é Liberação, isto é Libertação, ou Despertar, ou Realização de Deus – o nome que você queira dar para isso. É o fim da busca, porque é o fim daquele que busca. Você não pode realizar isso, mas pode se render, se entregar, desistir, parar de se movimentar, então a Graça pode realizar isso. Eu chamo isso de "estar focado", que é estar nessa entrega à Graça, à Presença, ao Ser.

Quando meu Guru me encontrou, ficou muito claro isso aqui: não precisava mais buscar alguma coisa do lado de fora, não precisava mais continuar procurando Deus. Eu fui criado numa família onde todos buscavam a Deus, queriam ter um encontro com Deus, me ensinaram isso. A crença comum ali era de que Deus podia ser encontrado, e quando Ramana apareceu, apareceu dizendo no silêncio: "Eu te encontrei".

Na realidade, é Deus que vem, é a Verdade que vem, é a Verdade que te encontra. É sempre a Verdade que faz o trabalho todo, você apenas relaxa, se entrega, se rende, de todo coração se entrega a essa Graça. No meu caso, eu me entreguei ao meu Mestre, com uma profunda confiança, e tudo começou a cair. Você não precisa do que você acredita que precisa, você só precisa do que de fato você precisa e não é você que sabe o que isso significa, somente Ele sabe, somente Deus sabe, somente essa Presença sabe. Esta Presença está além desse "você", com seus conceitos, teorias, crenças e desejos.

Participante: Quando se acaba essa sensação de separatividade e a ilusão cai, sente-se o quê?

Marcos Gualberto: Quem sabe? Quem fica para saber? Quem fica para responder? Eu diria que a única coisa que se sente é a Graça. Graça é a única coisa que a Graça sente. Sem o sentido de separação, sem o sentido de separatividade, só há Graça, não há alguém. Tudo é o que é. Tudo isso é Graça, sua Natureza Real é Amor, Paz, Liberdade, Felicidade. Não tem alguém sentindo isso, é o que fica; Amor é o que sempre esteve presente, é o que permanece; Paz é o que sempre esteve presente, é o que permanece; Liberdade é o que sempre este presente, permanece; Felicidade é o que sempre esteve presente, permanece.

Sem o sentido de separação, não há mais sofrimento, não há mais conflito, não há mais medo. O que fica é o que sempre esteve presente: Deus.

Vamos ficar por aqui?

Namastê!

*Transcrição de uma fala ocorrida em 23 de junho de 2014, num encontro aberto online. Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

O Real Propósito em Satsang

Eu quero chamar sua atenção para uma coisa aqui. Nunca é demais a gente tocar em alguns aspectos, nesses encontros, e um deles é que nós não estamos aqui para obter uma melhora. Esta é a primeira coisa que precisa ficar clara para vocês: vocês não estão aqui para ter uma melhora de vida.

Há uma grande ilusão nessa procura do melhor. A procura do melhor geralmente está assentada no desejo de satisfação, no desejo de preenchimento, no desejo de alguma realização, e essa melhora é a melhora da pessoa.

A pessoa pode ser melhorada. Basta um novo conjunto de crenças e a quebra de antigos hábitos, e aí você tem a pessoa melhorada, melhorada dentro dos conformes dessas novas crenças e dentro desses princípios, com o fim de antigos hábitos. Ela adquire novos hábitos e se torna uma pessoa melhor.

Se você está em Satsang para que a sua vida possa melhorar e para que você possa crescer, você está na sala errada. Essa é a primeira coisa que precisa ficar clara aqui, por isso é preciso voltar sempre ao básico, mesmo que seja assustador de ouvir. Mas eu te desafio a ouvir isto aqui pela primeira vez: que você não tem qualquer importância aqui nessa sala, que não existe ninguém aqui para ser melhorado.

Você não está em Satsang para um novo conjunto de crenças, para adquirir uma nova ideologia, novos critérios para viver... Nós não temos qualquer interesse na pessoa – melhorar pessoas é coisa para educadores, professores, sacerdotes, doutores, professores, pais, mestres...

Aqui estamos interessados no fim dessa ilusão, da ilusão de alguém que tem a necessidade de crescer, evoluir, progredir, chegar em algum lugar diferente desse lugar em você se encontra. É exatamente isso que você ouviu: você já está no lugar do qual você não pode sair, e qualquer aparente movimento para fora desse lugar é só um movimento da mente, é essa suposta pessoa se movendo.

Nós tratamos aqui da Liberação. Isso tem sido mal compreendido – a mente projeta isso. Para a mente, liberação é um esquema confortável, livre de seu estresse, de seus aborrecimentos, de sua ansiedade, de preocupações, de todas as formas de medo que ela conhece. Para a mente, a liberação é o fim disso. Assim, ela tem um ideal do que seja a liberação, ou seja, este ideal de liberação ainda é algo dentro do seu próprio projeto.

Liberação, como nós colocamos essa palavra aqui, significa algo completamente diferente disso. Liberação é o seu Estado Natural, não significa uma vida não tocada por nenhum problema, por nenhuma diversidade, por nenhum contratempo ou dificuldade – não significa isso, mas, sim, o fim da ilusão de que há "alguém" passando por isso, alguém que é vítima dessa coisa, alguém com falta de saúde, com falta de paz, falta de alegria, alguém com falta desse ou daquele preenchimento, alguém com falta de alguma satisfação, alguém com falta de alguma realização.

Quando falamos de Liberação, estamos falando desse Estado Natural, no qual tudo aquilo que está presente agora, nesse instante, não está separado de sua Natureza Verdadeira. Isso significa que a noção da falta, ou da suficiência, não tem mais qualquer importância, ela só tem importância para a "pessoa".

Todos os lugares, todos os espaços, todas as associações e reuniões onde se trata desse aprimoramento, desse crescimento, dessa evolução ou ampliação dessa suposta pessoa, são espaços, lugares bastante concorridos. Tudo o que a pessoa não quer, inclusive vocês dentro desta sala, é desaparecer.

Temos aqui vinte e três participantes, o que é um número consideravelmente grande dentro de uma sala do Paltalk. Em média, uma boa sala, bastante concorrida aqui, tem uns dez, onze participantes. Isto significa que, dentro de alguns minutos, nosso número pode reduzir drasticamente.

Não sei o que o traz aqui. Você está em maus lençóis se o que o traz aqui é o aperfeiçoamento, se você quer uma felicidade que tem projetado, uma espécie de padrão de vida onde você pode se autoafirmar, onde você troca de carro todo ano, ou qualquer outro tipo de projeto que você tenha...

Nós estamos aqui olhando para a natureza da Realidade, o que significa soltar os padrões de crenças acerca do que é esta Realidade, acerca do que deveria ser esta Realidade. Assim, as crenças não têm qualquer importância, as ideias sobre isso não têm qualquer importância. O que importa, de fato, é aquilo que aqui chamamos de "Despertar".

O Despertar é o fim da ilusão sobre a Realidade, e isso significa o fim daquilo que você conhece como sendo você, com todos esses projetos, todas essas invenções, motivos e desejos.

Reparem que uma fala como esta nos conduz a esse desesperador zero, nada. Não alimentamos os seus ideais, não alimentamos esperanças neste espaço. Este não é um espaço de conquistas. Esta fala pode soar muito negativa, mas, na verdade, ela aponta para algo além de toda negatividade, e aponta para algo além de toda positividade.

Aquilo que a sua mente jamais sonhou de positivo ou aquilo que a sua mente tem por mais negativo – isso não tem nada a ver com aquilo que a gente está colocando aqui. Estamos apontado para a sua Natureza Real.

Sua Natureza está além dos opostos, além do negativo e do positivo, além da conquista ou não conquista, além da vitória ou da derrota, além da riqueza ou pobreza, além do ter ou do não ter, além da ideia de ser ou da ideia de não ser. Estamos apontando para o seu Estado Natural, seu estado que vê este instante, este momento presente, sem qualquer separação nele. Não é bem um estado, é a Liberdade do funil de todos os estados.

É exatamente quando a mente estabiliza num determinado estado, quando ela estanca ali, que nós temos a falsa sensação de que há uma identidade presente, naquele estado. Nesse estado, não há essa Fluidez, não há essa Liberdade, e é Dela que estamos falando neste encontro – não é a liberação de alguém.

A liberação de alguém seria o fim de um estado conhecido, como o estado de depressão, ansiedade ou medo, por exemplo. A pessoa quer se livrar de estados que ela considera negativos, mas ela busca estados que considera positivos – estados de euforia, de satisfação, de alegria, de prazer. Quando nós chegamos aqui e dizemos para você que essa Liberação é o fim de todos os estados, não estamos dizendo que os estados precisam desaparecer, estamos dizendo simplesmente que todos os estados, aparecendo ou não, não fazem qualquer diferença para Aquilo que é a sua Real Natureza, para o seu Estado Natural que é livre de todos os estados, que não detém nada que esteja aparecendo, não detém sensações, pensamentos, sentimentos, emoções, não segura nada.

Nesses encontros, tratamos fervorosamente, "apaixonadamente" dessa coisa que chamamos de "Liberação". Estamos apontando para a sua Natureza Real, sua Natureza Livre, sua Natureza em liberdade, na qual você não mais aparece como um entidade importante, esta entidade que sempre está se defendendo e nessa defesa sempre resistindo, e nessa defesa sempre se mantendo no medo. Liberação é ausência do medo. Ausência do medo está nessa ausência de resistência: abraçar, acolher, sem segurar, o que se levanta e o que cai, o que vem e vai, o que chega e depois parte. Isso significa desconsiderar esse centro, essa autoimportância na experiência.

Complicado isso? Vocês não estão aqui para descobrir o que significa uma vida livre do ego? Pois estou falando o que é uma vida livre do ego, que é uma vida livre da ideia de que você está vivo, de que a vida é sua, de que você é importante dentro dessa sua vida.

Nós fomos educados para acreditar nisso, que aquele que chupa a laranja é superior à laranja chupada, que aquele que come a banana é superior à banana que é comida. Na verdade, é só um movimento chamado "Vida": aquele que come e aquilo que é comido desaparecem no mastigar, no engolir. Não há alguém nesse processo, nesse processo único chamado Vida. Eu sei que bate um desespero (risos), ou é um grande alívio ouvir isso.

Participante: Como enxergar dessa forma?

Marcos Gualberto: Não há uma fórmula para isso. Eu diria que há um exercício do coração que lhe capacita aprofundar isso, mas você precisa estar bem atento a esse coração em exercício, porque a mente vai continuar o tempo todo, procurando dar um significado especial dentro do contexto dela, de algo particular dela, e aí você termina sendo capturado. É muito rápido deslizar com a mente para dentro do significado que ela dá à vida acontecendo.

Por que estamos sempre lhe aconselhando a vir ao Satsang? É que aqui há de fato um perfume daquilo que estamos falando, não é só uma fala sendo ouvida. Há algo que acontece nessa proximidade que lhe favorece a desistência desse separar-se, como experimentador, da experiência: é quando esse "enxergar" sem separação acontece. Seu Estado Natural é simples depois que assenta. É preciso uma harmonização do corpo-mente a essa Presença, a essa Consciência, para que isso seja bem natural, sem qualquer esforço, sem qualquer trabalho.

A princípio, esse "exercício" é fundamental. Esse exercício, eu chamo de Satsang, autoinvestigação, meditação e entrega. Entrega à sua Real Natureza – que é Meditação – só é possível na real autoinvestigação, que poderíamos chamar de "investigação pura", quando se percebe a falsidade, a ilusão, desse movimento separatista que a mente produz, pelo poder do hábito, a cada segundo. Quando começamos a ver isso, isso começa a desaparecer...

O ego é um movimento de hábito. O sentido de separatividade é só um hábito no qual o mecanismo está estabilizado; no organismo, há alguns decênios, mas na humanidade, há milênios – então um trabalho se faz necessário.

(O mesmo participante escreve várias perguntas de uma só vez na tela do aplicativo do Paltalk).

Menino, você escuta pouco. Sua primeira lição em Satsang é: aprenda a ouvir. Tudo o que você precisa é aprender a ouvir, sua mente é muito tagarela. Venha a um Satsang presencial, urgentemente, seu caso requer isso. Suas perguntas são perguntas de busca de conclusões. Conclusões não servem para nada, só o tornam mais intelectual do que você já é, e isto é lixo dentro de Satsang. Repare quantas perguntas você faz. Você não escuta uma única resposta, mas faz centena de perguntas.

Lá vem você com mais uma pergunta, vou ler só a última, "Pelo que li no seu blog, parece que você passou por isto também, faz parte do processo?.

Menino, tudo faz parte do processo, mas é só um processo, nada mais. O que eu considero importante, estou compartilhando aqui nesta fala. Se você aprende a ouvir esta fala, você tem todas as respostas às suas perguntas, não na fala, mas naquilo que está além da fala, nesse Silêncio presente agora, neste momento...

Permita-se trazer todas essas perguntas presencialmente, você irá perceber uma mudança em seu estado mental, aí depois fica muito fácil você entrar aqui no Paltalk e descobrir em minhas falas, nesse Espaço de Silêncio, a Verdade sendo revelada a você, porque Ela já é Você

Por exemplo, você escreve: (leitura das várias perguntas escritas anteriormente): "A liberação é uma espécie de eureka, então é isso? A completude e a paz foram logo passando e percebi que logo fui perdendo... você falou que os sonhos têm importância nessa busca, há algumas semanas. Os sonhos têm alguma significância nesta busca? Sendo mais específico: há algumas semanas, sonhei que alguém me apontou uma espécie de janela e logo me dei conta de que o que eu assistia era eu mesmo, no dia a dia; naquele momento me senti preenchido de uma sensação de completude, liberação e também uma espécie de 'eureka': então é isto?! Ao mesmo tempo, fui percebendo que eu ia me perdendo e me tornando aquilo que eu assistia. Daí acordei confuso (de verdade acordei) e aquela sensação de completude e paz foi logo passando. Isto é apenas um sonho, mais uma 'jogada' da mente? Por que pergunto isto? Porque sempre que ouço falar de ilusão, mente, este sonho que tive vem na memória, mas a sensação de entendimento não. Isto pode ter a ver com a ilusão desta suposta pessoa se movendo?".

Se você estivesse presencialmente, eu te diria: Você é tão bonitinho... (risos). Esqueça tudo isso, abandone tudo isso, são só experiências, experiências passando. Todos nós aqui nesta sala já passamos por inúmeras experiências, mas são só experiências...

Vamos ficar por aqui.

*Transcrição de uma fala ocorrida em 05 de maio de 2014, num encontro aberto online. Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Todo o seu sofrimento é a vã tentativa de mudar o que é!

Aqui estamos em mais um encontro pelo Paltalk. É uma alegria estarmos juntos.

É um momento de silêncio, é um momento de abandonarmos todos os conceitos que temos, para podermos ver tudo e todos como esta Presença, ver tudo e todos nessa luz da Consciência.

A expressão "iluminação" parece querer apontar para isso, parece que aponta para essa visão clara, desanuviada, uma visão que nos mostra que nada precisa ser feito, uma visão não-dual. A visão dual seria a experiência desse instante e a ideia sobre a experiência desse instante. A ideia sobre a experiência é o conceito, são os diversos conceitos.

A Realidade é não-dual, não porque a dualidade não apareça – a dualidade aparece, o que não aparece é esse sentido de separação entre a experiência e o experimentador, entre a experiência nela mesma e a ideia sobre a experiência. Quando eu digo que o dual aparece nessa não dualidade, estou falando sobre o positivo e o negativo, o bem e o mal, a saúde e a doença, a totalidade e a vacuidade. Agora, fora isso nós temos o conceito. Os conceitos sãos as crenças a respeito Disso, as opiniões, as conclusões, as deduções, e assim nós ficamos com o experimentador.

O experimentador é uma crença, uma crença dentro da experiência. Nós estamos nesse encontro, nessa noite, investigando a ilusão, não a Realidade. Estamos investigando a ilusão sobre a Realidade, a ignorância sobre a Realidade – que é a ilusão. Quando isso é visto, isso desaparece.

A visão aqui é baseada no fato, na realidade da não separação, da não-dualidade. Aquilo que eu chamo de não-dual – isso é Iluminação. Tudo sendo visto sob a luz dessa Presença, dessa Consciência, dessa Realidade.

Nesses encontros, nós investigamos a verdade da ilusão, a verdade da ilusão está na constatação do ilusório sentido de separação, que é pura ignorância. A mente faz uma aproximação da realidade baseada na separação – essa não é a visão da Iluminação.

Em sua experiência, há sempre um experimentador, alguém que interpreta o que acontece. O que acontece não requer qualquer interpretação, qualquer interpretação requer o sentido de separatividade, a presença desse experimentador. Então há essa guerra, essa constante guerra, essa guerra que a mente produz, a guerra da tentativa de criar um ajustamento, de colocar aquilo que se apresenta dentro do seu conceito de realidade. É aí que aparece o conflito, a luta, a guerra, o sofrimento.

Todo o seu sofrimento é a vã tentativa de mudar o que é, a ilusória tentativa de alterar aquilo que se apresenta, então há sempre um choque, há sempre um bater em uma porta fechada, há sempre um conflito presente nessa resistência ao que é. Isso significa não estar solto, é estar batendo constantemente contra a realidade. É isso que a mente faz quando ela se separa da experiência como um experimentador. Isso é o ego, isso é o "eu", o "mim", a pessoa – é esse conflito. Pessoa é essa luta, é essa guerra, é esse sentido de separação.

Realização, Despertar, Iluminação é a não resistência à vida como ela se apresenta, significa dançar conforme a música. A habilidade da não resistência é a arte da dança de ser Pura Consciência, Pura Realidade, Pura Verdade, de Ser Deus. Isso não pode ser apanhado pelo pensamento, capturado pelas ideias. Agora percebam que, neste estado de visão clara, que não é pessoal, que está presente exatamente quando há esta liberdade do experimentador – é isso que nós chamamos de visão da realidade –, não há qualquer nível. Não há níveis nessa "Coisa", não é um estado em que se possa chegar, é exatamente o fim de todos os estados, é o fim de todos os estados desse experimentador, dessa ilusória identidade.

A Iluminação, o Despertar, não é uma espécie de objeto desejável, não é uma aquisição, é o seu Estado Natural livre do desejo de objetos, do desejo de estados; é o seu Estado Natural livre dessa separação de um experimentador no desejo, de um experimentador na busca, tentando encontrar algo do lado de fora, em objetos.

Abandone a sua resistência ao que é, abandone o sentido do esforço, do controle, o sentido de partir ou de chegar, o sentido de perder ou de ganhar, esse sentido de controlar, de traduzir, de interpretar aquilo que se mostra, aquilo que se apresenta. Abandone suas conclusões, suas avaliações, suas crenças, toda e qualquer opinião, sobre todo e qualquer assunto.

Nós temos falado muito do fim desse sentido de ser importante. Quando se é importante, se defende, se defende de ideias, com conclusões, com opiniões, com ações; se defende de sentimentos, e assim vivemos a visão dual. Repito: essa visão dual é aquela na qual a experiência tem sempre um sensor presente, para medir, para comparar, para julgar, para avaliar e assim por diante – sempre a importância de alguém.

Não tem alguém aí. É importante que você escute isso, vez após vez, após vez, após vez, até desistir dessa crença. Quando você desiste dessa crença, percebe por si mesmo, sem ter que ouvir isso de novo, sem qualquer necessidade de ouvir isso de novo e, curiosamente, a partir de então você não fica mais cansado em ouvir isso, isso passa a ser uma música agradável, porque confirma esse Estado Natural presente, não o estado de alguém, mas exatamente o estado desse não alguém, que não é um estado, como acabei de colocar; é o fim de todos os estados.

Essa fala requer algo presente, algo presente fora de suas crenças, de suas conhecidas experiências, de suas conclusões, de suas opiniões. É por isso que temos dito sempre que não tratamos daquilo que é "espiritual".

Aquilo que consideramos "espiritual" nos remete a estados, nos remete a experiências, com um experimentador presente. Não estamos interessados nisso. Toda experiência, por mais sublime que seja, por mais divina que seja, por mais espiritual que seja, é algo transitório, da mesma forma que ela vem, ela também vai embora, então ela não é real. Nenhuma experiência espiritual é real.

A mente adora a busca de experiências. Experiências sublimes, visões, audições – essas coisas e as demais pelas quais vocês já passaram e muitos estão passando – não têm qualquer valor, não têm qualquer importância, são mais uma fantasia, mais uma viagem de alguém.

Vamos ficar por aqui? Grato a todos pela presença! Até nosso próximo encontro na sexta-feira.

*Transcrição de uma fala ocorrida em 30 de abril de 2014, num encontro aberto online. Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

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