segunda-feira, 23 de junho de 2014

Não é possível alcançar aquilo que estamos buscando!

Sejam bem-vindos, sobretudo aqueles que estão conosco pela primeira vez, que bom estarmos juntos!

O Paltalk não substitui os encontros presenciais, mas nós temos aqui no Paltalk uma ferramenta, mais uma ferramenta que também nos facilita aquilo que eu tenho chamado de "estar focado nisso", pois passamos alguns minutos juntos nesse encontro.

Aqueles que têm estado conosco nos encontros presenciais sabem o que estou dizendo, que esses encontros aqui no Paltalk, de fato, não substituem os encontros presenciais.

Para alguns de vocês, são os primeiros contatos com este trabalho, para outros que já estão dentro deste trabalho, é uma oportunidade para se aprofundarem nisso, assim estamos nos abrindo mais e mais para este trabalho interno.

Este trabalho se processa num nível completamente diferente do conhecido e não pode ser descrito, pois só pode ser descrito aquilo que está dentro do conhecido. A Graça realiza um trabalho completamente desconhecido, algo fora da mente. Vamos à fala então, do encontro dessa noite.

O que nós precisamos, a princípio, é compreender juntos que não é possível alcançar Aquilo que estamos buscando, não é possível alcançar essa Libertação. Seu maior impedimento é a crença da pessoa presente nessa procura, de alguém capaz de realizar Isso.

Uma das primeiras coisas que debatemos e enfatizamos, e que assusta você quando chega nesse encontro chamado Satsang, é o fato de desconsiderarmos completamente essa ideia, que é a crença central que todos nós temos, carregamos: esse conceito de aqui estarmos, de estarmos presente, como uma entidade separada.

Assim sendo, a primeira coisa que precisamos compreender é que se você acredita que você é uma pessoa, nessa vida, nessa existência, nesse lugar, aqui nessa sala, por exemplo, que pode alcançar esta Libertação, então é exatamente essa crença, essa imaginação, esse conceito, esse pensamento que está impedindo a visão de sua Real Natureza.

Libertação é a Consciência de sua Verdadeira Natureza, daquilo que já está aqui presente, completo, perfeito, aquilo que não pode ser alterado, que é sempre presente.

Mas esse pensamento de alguém dentro do corpo, com um mundo fora do corpo, essa posição dual, separatista, isso é algo muito emocionante para a mente.

A mente alimenta isso constantemente, esse sentido de maravilhamento; isso lhe possibilita imaginar um universo dentro de outro universo, o microcosmo dentro do macrocosmo, o menor dentro do maior, e isso é algo bastante excitante para mente.

Essa possibilidade de investigar infinitamente o mundo externo, o mundo do lado de fora – é claro que tem sempre alguém nessa investigação e alguns chamam isso de "expansão da consciência", uma consciência que se expande infinitamente, uma possibilidade infinita de aprender, crescer, evoluir –, quando você se aproxima desses encontros, isso lhe é tirado, essa doce e extraordinária crença lhe é tirada. Aqui nós dizemos que você não existe. Só há esta Única Presença, que não é você, você como esse sentido de pessoa, de individualidade, de separatividade. Assim, a primeira coisa que precisa cair, desaparecer, é essa ilusão, a ilusão de estar presente, sendo alguém.

Este é o final deste jogo, não há nada fora de si mesmo. Esse "si mesmo" é só uma crença, tudo está no lugar, não há do que se libertar, porque nada está do lado de fora para ser mudado, alterado. Aquilo que consideramos a dor do sofrimento, a dor da miséria, a dor do conflito, do medo, nada mais é do que um pensamento, um pensamento que se mantém como um crença, que se sustenta nesse sentido de uma identidade presente.

Quando dizemos, por exemplo, "estou sofrendo", é um pensamento. Pode ser um pensamento poderoso, o sentido de forte identidade daquele que sofre, então a mente se agarra a isso, e ela mantém isso, esse sentido de autoimportância, e assim o sentido de separação se mantém.

Isso é uma tremenda ilusão, o ego é uma ilusão, este "mim", esta "pessoa", é uma ilusão. Não adianta falarmos de libertação para a pessoa – a pessoa jamais será livre. Não adianta falar de libertação para "mim". Este "mim", este "eu", jamais será livre.

Enquanto existir esse sentido do "mim", do "eu", da "pessoa", enquanto permanecer a ideia de alguém presente, que diz "estou sofrendo, preciso me livrar desse meu sofrimento", essa é a ideia de alcançar algo, alcançar a liberação, mas se você quer a Verdade, precisa ficar com aquilo que é como é, como se mostra, como se apresenta. Ou seja, não há alguém nessa coisa, não há alguém na decisão, na escolha, nesse encontro de solução de continuidade da dor, de sofrimento, da miséria, do medo.

A mente projeta uma liberdade. Para a mente, a liberdade é a ausência do sofrimento, enquanto a Real Liberdade não é a ausência de coisa alguma, é apenas o fim da ilusão do sentido de separatividade, é apenas o fim da ilusão de alguém presente em alguma experiência. Quando isso termina, o experimentador termina, e a experiência não tem mais importância. O sofrimento adquire importância com a presença do sofredor, o medo adquire importância com a presença do medroso.

Estamos dizendo que só há Liberdade na ausência dessa suposta entidade. É a Liberdade para ser o que é, é a Liberdade de ser nada, ou a Liberdade de não ser nada – não há qualquer diferença, quando não há o sentido de um experimentador dentro dessa coisa.

Na verdade, nós estamos tentando acabar com o sofrimento, o sofrimento no mundo. Para nós, identificados com a mente, tudo está do lado de fora, o problema está do lado de fora, o problema é o outro, o problema está no mundo, e assim queremos acabar com a dor, com o sofrimento, com a miséria, com a fome. O que não percebemos é que há sempre presente aí uma ideia central, a ideia de "alguém" que pode fazer isso, e esse "alguém" está profundamente incomodado com isso – na verdade, esse "alguém" mantém isso tudo.

É sempre o sentido de alguém presente vendo um mundo do lado de fora, defeituoso, conflituoso, problemático, difícil. Se essa ilusão cai, se esse sentido de uma identidade presente aí cai, não há mais o dentro e o fora, não há mais nenhum mundo para ser alterado, mudado, transformado. O problema não é o mundo, o problema é o sentido de um "eu" na experiência de um mundo, experenciando o mundo, sendo o experimentador do mundo, ou seja, o problema somos nós mesmos, este "eu mesmo", este "si mesmo"...

Sem esse sentido de separatividade, sem o sentido do "eu", do ego, do "mim", da pessoa, a vida é o que é. O Ser é isso. Não é ser alguém experimentando algo, é só o experimentar sem alguém: isso é Ser, isto é Liberação, isto é Libertação, ou Despertar, ou Realização de Deus – o nome que você queira dar para isso. É o fim da busca, porque é o fim daquele que busca. Você não pode realizar isso, mas pode se render, se entregar, desistir, parar de se movimentar, então a Graça pode realizar isso. Eu chamo isso de "estar focado", que é estar nessa entrega à Graça, à Presença, ao Ser.

Quando meu Guru me encontrou, ficou muito claro isso aqui: não precisava mais buscar alguma coisa do lado de fora, não precisava mais continuar procurando Deus. Eu fui criado numa família onde todos buscavam a Deus, queriam ter um encontro com Deus, me ensinaram isso. A crença comum ali era de que Deus podia ser encontrado, e quando Ramana apareceu, apareceu dizendo no silêncio: "Eu te encontrei".

Na realidade, é Deus que vem, é a Verdade que vem, é a Verdade que te encontra. É sempre a Verdade que faz o trabalho todo, você apenas relaxa, se entrega, se rende, de todo coração se entrega a essa Graça. No meu caso, eu me entreguei ao meu Mestre, com uma profunda confiança, e tudo começou a cair. Você não precisa do que você acredita que precisa, você só precisa do que de fato você precisa e não é você que sabe o que isso significa, somente Ele sabe, somente Deus sabe, somente essa Presença sabe. Esta Presença está além desse "você", com seus conceitos, teorias, crenças e desejos.

Participante: Quando se acaba essa sensação de separatividade e a ilusão cai, sente-se o quê?

Marcos Gualberto: Quem sabe? Quem fica para saber? Quem fica para responder? Eu diria que a única coisa que se sente é a Graça. Graça é a única coisa que a Graça sente. Sem o sentido de separação, sem o sentido de separatividade, só há Graça, não há alguém. Tudo é o que é. Tudo isso é Graça, sua Natureza Real é Amor, Paz, Liberdade, Felicidade. Não tem alguém sentindo isso, é o que fica; Amor é o que sempre esteve presente, é o que permanece; Paz é o que sempre esteve presente, é o que permanece; Liberdade é o que sempre este presente, permanece; Felicidade é o que sempre esteve presente, permanece.

Sem o sentido de separação, não há mais sofrimento, não há mais conflito, não há mais medo. O que fica é o que sempre esteve presente: Deus.

Vamos ficar por aqui?

Namastê!

*Transcrição de uma fala ocorrida em 23 de junho de 2014, num encontro aberto online. Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

O Real Propósito em Satsang

Eu quero chamar sua atenção para uma coisa aqui. Nunca é demais a gente tocar em alguns aspectos, nesses encontros, e um deles é que nós não estamos aqui para obter uma melhora. Esta é a primeira coisa que precisa ficar clara para vocês: vocês não estão aqui para ter uma melhora de vida.

Há uma grande ilusão nessa procura do melhor. A procura do melhor geralmente está assentada no desejo de satisfação, no desejo de preenchimento, no desejo de alguma realização, e essa melhora é a melhora da pessoa.

A pessoa pode ser melhorada. Basta um novo conjunto de crenças e a quebra de antigos hábitos, e aí você tem a pessoa melhorada, melhorada dentro dos conformes dessas novas crenças e dentro desses princípios, com o fim de antigos hábitos. Ela adquire novos hábitos e se torna uma pessoa melhor.

Se você está em Satsang para que a sua vida possa melhorar e para que você possa crescer, você está na sala errada. Essa é a primeira coisa que precisa ficar clara aqui, por isso é preciso voltar sempre ao básico, mesmo que seja assustador de ouvir. Mas eu te desafio a ouvir isto aqui pela primeira vez: que você não tem qualquer importância aqui nessa sala, que não existe ninguém aqui para ser melhorado.

Você não está em Satsang para um novo conjunto de crenças, para adquirir uma nova ideologia, novos critérios para viver... Nós não temos qualquer interesse na pessoa – melhorar pessoas é coisa para educadores, professores, sacerdotes, doutores, professores, pais, mestres...

Aqui estamos interessados no fim dessa ilusão, da ilusão de alguém que tem a necessidade de crescer, evoluir, progredir, chegar em algum lugar diferente desse lugar em você se encontra. É exatamente isso que você ouviu: você já está no lugar do qual você não pode sair, e qualquer aparente movimento para fora desse lugar é só um movimento da mente, é essa suposta pessoa se movendo.

Nós tratamos aqui da Liberação. Isso tem sido mal compreendido – a mente projeta isso. Para a mente, liberação é um esquema confortável, livre de seu estresse, de seus aborrecimentos, de sua ansiedade, de preocupações, de todas as formas de medo que ela conhece. Para a mente, a liberação é o fim disso. Assim, ela tem um ideal do que seja a liberação, ou seja, este ideal de liberação ainda é algo dentro do seu próprio projeto.

Liberação, como nós colocamos essa palavra aqui, significa algo completamente diferente disso. Liberação é o seu Estado Natural, não significa uma vida não tocada por nenhum problema, por nenhuma diversidade, por nenhum contratempo ou dificuldade – não significa isso, mas, sim, o fim da ilusão de que há "alguém" passando por isso, alguém que é vítima dessa coisa, alguém com falta de saúde, com falta de paz, falta de alegria, alguém com falta desse ou daquele preenchimento, alguém com falta de alguma satisfação, alguém com falta de alguma realização.

Quando falamos de Liberação, estamos falando desse Estado Natural, no qual tudo aquilo que está presente agora, nesse instante, não está separado de sua Natureza Verdadeira. Isso significa que a noção da falta, ou da suficiência, não tem mais qualquer importância, ela só tem importância para a "pessoa".

Todos os lugares, todos os espaços, todas as associações e reuniões onde se trata desse aprimoramento, desse crescimento, dessa evolução ou ampliação dessa suposta pessoa, são espaços, lugares bastante concorridos. Tudo o que a pessoa não quer, inclusive vocês dentro desta sala, é desaparecer.

Temos aqui vinte e três participantes, o que é um número consideravelmente grande dentro de uma sala do Paltalk. Em média, uma boa sala, bastante concorrida aqui, tem uns dez, onze participantes. Isto significa que, dentro de alguns minutos, nosso número pode reduzir drasticamente.

Não sei o que o traz aqui. Você está em maus lençóis se o que o traz aqui é o aperfeiçoamento, se você quer uma felicidade que tem projetado, uma espécie de padrão de vida onde você pode se autoafirmar, onde você troca de carro todo ano, ou qualquer outro tipo de projeto que você tenha...

Nós estamos aqui olhando para a natureza da Realidade, o que significa soltar os padrões de crenças acerca do que é esta Realidade, acerca do que deveria ser esta Realidade. Assim, as crenças não têm qualquer importância, as ideias sobre isso não têm qualquer importância. O que importa, de fato, é aquilo que aqui chamamos de "Despertar".

O Despertar é o fim da ilusão sobre a Realidade, e isso significa o fim daquilo que você conhece como sendo você, com todos esses projetos, todas essas invenções, motivos e desejos.

Reparem que uma fala como esta nos conduz a esse desesperador zero, nada. Não alimentamos os seus ideais, não alimentamos esperanças neste espaço. Este não é um espaço de conquistas. Esta fala pode soar muito negativa, mas, na verdade, ela aponta para algo além de toda negatividade, e aponta para algo além de toda positividade.

Aquilo que a sua mente jamais sonhou de positivo ou aquilo que a sua mente tem por mais negativo – isso não tem nada a ver com aquilo que a gente está colocando aqui. Estamos apontado para a sua Natureza Real.

Sua Natureza está além dos opostos, além do negativo e do positivo, além da conquista ou não conquista, além da vitória ou da derrota, além da riqueza ou pobreza, além do ter ou do não ter, além da ideia de ser ou da ideia de não ser. Estamos apontando para o seu Estado Natural, seu estado que vê este instante, este momento presente, sem qualquer separação nele. Não é bem um estado, é a Liberdade do funil de todos os estados.

É exatamente quando a mente estabiliza num determinado estado, quando ela estanca ali, que nós temos a falsa sensação de que há uma identidade presente, naquele estado. Nesse estado, não há essa Fluidez, não há essa Liberdade, e é Dela que estamos falando neste encontro – não é a liberação de alguém.

A liberação de alguém seria o fim de um estado conhecido, como o estado de depressão, ansiedade ou medo, por exemplo. A pessoa quer se livrar de estados que ela considera negativos, mas ela busca estados que considera positivos – estados de euforia, de satisfação, de alegria, de prazer. Quando nós chegamos aqui e dizemos para você que essa Liberação é o fim de todos os estados, não estamos dizendo que os estados precisam desaparecer, estamos dizendo simplesmente que todos os estados, aparecendo ou não, não fazem qualquer diferença para Aquilo que é a sua Real Natureza, para o seu Estado Natural que é livre de todos os estados, que não detém nada que esteja aparecendo, não detém sensações, pensamentos, sentimentos, emoções, não segura nada.

Nesses encontros, tratamos fervorosamente, "apaixonadamente" dessa coisa que chamamos de "Liberação". Estamos apontando para a sua Natureza Real, sua Natureza Livre, sua Natureza em liberdade, na qual você não mais aparece como um entidade importante, esta entidade que sempre está se defendendo e nessa defesa sempre resistindo, e nessa defesa sempre se mantendo no medo. Liberação é ausência do medo. Ausência do medo está nessa ausência de resistência: abraçar, acolher, sem segurar, o que se levanta e o que cai, o que vem e vai, o que chega e depois parte. Isso significa desconsiderar esse centro, essa autoimportância na experiência.

Complicado isso? Vocês não estão aqui para descobrir o que significa uma vida livre do ego? Pois estou falando o que é uma vida livre do ego, que é uma vida livre da ideia de que você está vivo, de que a vida é sua, de que você é importante dentro dessa sua vida.

Nós fomos educados para acreditar nisso, que aquele que chupa a laranja é superior à laranja chupada, que aquele que come a banana é superior à banana que é comida. Na verdade, é só um movimento chamado "Vida": aquele que come e aquilo que é comido desaparecem no mastigar, no engolir. Não há alguém nesse processo, nesse processo único chamado Vida. Eu sei que bate um desespero (risos), ou é um grande alívio ouvir isso.

Participante: Como enxergar dessa forma?

Marcos Gualberto: Não há uma fórmula para isso. Eu diria que há um exercício do coração que lhe capacita aprofundar isso, mas você precisa estar bem atento a esse coração em exercício, porque a mente vai continuar o tempo todo, procurando dar um significado especial dentro do contexto dela, de algo particular dela, e aí você termina sendo capturado. É muito rápido deslizar com a mente para dentro do significado que ela dá à vida acontecendo.

Por que estamos sempre lhe aconselhando a vir ao Satsang? É que aqui há de fato um perfume daquilo que estamos falando, não é só uma fala sendo ouvida. Há algo que acontece nessa proximidade que lhe favorece a desistência desse separar-se, como experimentador, da experiência: é quando esse "enxergar" sem separação acontece. Seu Estado Natural é simples depois que assenta. É preciso uma harmonização do corpo-mente a essa Presença, a essa Consciência, para que isso seja bem natural, sem qualquer esforço, sem qualquer trabalho.

A princípio, esse "exercício" é fundamental. Esse exercício, eu chamo de Satsang, autoinvestigação, meditação e entrega. Entrega à sua Real Natureza – que é Meditação – só é possível na real autoinvestigação, que poderíamos chamar de "investigação pura", quando se percebe a falsidade, a ilusão, desse movimento separatista que a mente produz, pelo poder do hábito, a cada segundo. Quando começamos a ver isso, isso começa a desaparecer...

O ego é um movimento de hábito. O sentido de separatividade é só um hábito no qual o mecanismo está estabilizado; no organismo, há alguns decênios, mas na humanidade, há milênios – então um trabalho se faz necessário.

(O mesmo participante escreve várias perguntas de uma só vez na tela do aplicativo do Paltalk).

Menino, você escuta pouco. Sua primeira lição em Satsang é: aprenda a ouvir. Tudo o que você precisa é aprender a ouvir, sua mente é muito tagarela. Venha a um Satsang presencial, urgentemente, seu caso requer isso. Suas perguntas são perguntas de busca de conclusões. Conclusões não servem para nada, só o tornam mais intelectual do que você já é, e isto é lixo dentro de Satsang. Repare quantas perguntas você faz. Você não escuta uma única resposta, mas faz centena de perguntas.

Lá vem você com mais uma pergunta, vou ler só a última, "Pelo que li no seu blog, parece que você passou por isto também, faz parte do processo?.

Menino, tudo faz parte do processo, mas é só um processo, nada mais. O que eu considero importante, estou compartilhando aqui nesta fala. Se você aprende a ouvir esta fala, você tem todas as respostas às suas perguntas, não na fala, mas naquilo que está além da fala, nesse Silêncio presente agora, neste momento...

Permita-se trazer todas essas perguntas presencialmente, você irá perceber uma mudança em seu estado mental, aí depois fica muito fácil você entrar aqui no Paltalk e descobrir em minhas falas, nesse Espaço de Silêncio, a Verdade sendo revelada a você, porque Ela já é Você

Por exemplo, você escreve: (leitura das várias perguntas escritas anteriormente): "A liberação é uma espécie de eureka, então é isso? A completude e a paz foram logo passando e percebi que logo fui perdendo... você falou que os sonhos têm importância nessa busca, há algumas semanas. Os sonhos têm alguma significância nesta busca? Sendo mais específico: há algumas semanas, sonhei que alguém me apontou uma espécie de janela e logo me dei conta de que o que eu assistia era eu mesmo, no dia a dia; naquele momento me senti preenchido de uma sensação de completude, liberação e também uma espécie de 'eureka': então é isto?! Ao mesmo tempo, fui percebendo que eu ia me perdendo e me tornando aquilo que eu assistia. Daí acordei confuso (de verdade acordei) e aquela sensação de completude e paz foi logo passando. Isto é apenas um sonho, mais uma 'jogada' da mente? Por que pergunto isto? Porque sempre que ouço falar de ilusão, mente, este sonho que tive vem na memória, mas a sensação de entendimento não. Isto pode ter a ver com a ilusão desta suposta pessoa se movendo?".

Se você estivesse presencialmente, eu te diria: Você é tão bonitinho... (risos). Esqueça tudo isso, abandone tudo isso, são só experiências, experiências passando. Todos nós aqui nesta sala já passamos por inúmeras experiências, mas são só experiências...

Vamos ficar por aqui.

*Transcrição de uma fala ocorrida em 05 de maio de 2014, num encontro aberto online. Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Todo o seu sofrimento é a vã tentativa de mudar o que é!

Aqui estamos em mais um encontro pelo Paltalk. É uma alegria estarmos juntos.

É um momento de silêncio, é um momento de abandonarmos todos os conceitos que temos, para podermos ver tudo e todos como esta Presença, ver tudo e todos nessa luz da Consciência.

A expressão "iluminação" parece querer apontar para isso, parece que aponta para essa visão clara, desanuviada, uma visão que nos mostra que nada precisa ser feito, uma visão não-dual. A visão dual seria a experiência desse instante e a ideia sobre a experiência desse instante. A ideia sobre a experiência é o conceito, são os diversos conceitos.

A Realidade é não-dual, não porque a dualidade não apareça – a dualidade aparece, o que não aparece é esse sentido de separação entre a experiência e o experimentador, entre a experiência nela mesma e a ideia sobre a experiência. Quando eu digo que o dual aparece nessa não dualidade, estou falando sobre o positivo e o negativo, o bem e o mal, a saúde e a doença, a totalidade e a vacuidade. Agora, fora isso nós temos o conceito. Os conceitos sãos as crenças a respeito Disso, as opiniões, as conclusões, as deduções, e assim nós ficamos com o experimentador.

O experimentador é uma crença, uma crença dentro da experiência. Nós estamos nesse encontro, nessa noite, investigando a ilusão, não a Realidade. Estamos investigando a ilusão sobre a Realidade, a ignorância sobre a Realidade – que é a ilusão. Quando isso é visto, isso desaparece.

A visão aqui é baseada no fato, na realidade da não separação, da não-dualidade. Aquilo que eu chamo de não-dual – isso é Iluminação. Tudo sendo visto sob a luz dessa Presença, dessa Consciência, dessa Realidade.

Nesses encontros, nós investigamos a verdade da ilusão, a verdade da ilusão está na constatação do ilusório sentido de separação, que é pura ignorância. A mente faz uma aproximação da realidade baseada na separação – essa não é a visão da Iluminação.

Em sua experiência, há sempre um experimentador, alguém que interpreta o que acontece. O que acontece não requer qualquer interpretação, qualquer interpretação requer o sentido de separatividade, a presença desse experimentador. Então há essa guerra, essa constante guerra, essa guerra que a mente produz, a guerra da tentativa de criar um ajustamento, de colocar aquilo que se apresenta dentro do seu conceito de realidade. É aí que aparece o conflito, a luta, a guerra, o sofrimento.

Todo o seu sofrimento é a vã tentativa de mudar o que é, a ilusória tentativa de alterar aquilo que se apresenta, então há sempre um choque, há sempre um bater em uma porta fechada, há sempre um conflito presente nessa resistência ao que é. Isso significa não estar solto, é estar batendo constantemente contra a realidade. É isso que a mente faz quando ela se separa da experiência como um experimentador. Isso é o ego, isso é o "eu", o "mim", a pessoa – é esse conflito. Pessoa é essa luta, é essa guerra, é esse sentido de separação.

Realização, Despertar, Iluminação é a não resistência à vida como ela se apresenta, significa dançar conforme a música. A habilidade da não resistência é a arte da dança de ser Pura Consciência, Pura Realidade, Pura Verdade, de Ser Deus. Isso não pode ser apanhado pelo pensamento, capturado pelas ideias. Agora percebam que, neste estado de visão clara, que não é pessoal, que está presente exatamente quando há esta liberdade do experimentador – é isso que nós chamamos de visão da realidade –, não há qualquer nível. Não há níveis nessa "Coisa", não é um estado em que se possa chegar, é exatamente o fim de todos os estados, é o fim de todos os estados desse experimentador, dessa ilusória identidade.

A Iluminação, o Despertar, não é uma espécie de objeto desejável, não é uma aquisição, é o seu Estado Natural livre do desejo de objetos, do desejo de estados; é o seu Estado Natural livre dessa separação de um experimentador no desejo, de um experimentador na busca, tentando encontrar algo do lado de fora, em objetos.

Abandone a sua resistência ao que é, abandone o sentido do esforço, do controle, o sentido de partir ou de chegar, o sentido de perder ou de ganhar, esse sentido de controlar, de traduzir, de interpretar aquilo que se mostra, aquilo que se apresenta. Abandone suas conclusões, suas avaliações, suas crenças, toda e qualquer opinião, sobre todo e qualquer assunto.

Nós temos falado muito do fim desse sentido de ser importante. Quando se é importante, se defende, se defende de ideias, com conclusões, com opiniões, com ações; se defende de sentimentos, e assim vivemos a visão dual. Repito: essa visão dual é aquela na qual a experiência tem sempre um sensor presente, para medir, para comparar, para julgar, para avaliar e assim por diante – sempre a importância de alguém.

Não tem alguém aí. É importante que você escute isso, vez após vez, após vez, após vez, até desistir dessa crença. Quando você desiste dessa crença, percebe por si mesmo, sem ter que ouvir isso de novo, sem qualquer necessidade de ouvir isso de novo e, curiosamente, a partir de então você não fica mais cansado em ouvir isso, isso passa a ser uma música agradável, porque confirma esse Estado Natural presente, não o estado de alguém, mas exatamente o estado desse não alguém, que não é um estado, como acabei de colocar; é o fim de todos os estados.

Essa fala requer algo presente, algo presente fora de suas crenças, de suas conhecidas experiências, de suas conclusões, de suas opiniões. É por isso que temos dito sempre que não tratamos daquilo que é "espiritual".

Aquilo que consideramos "espiritual" nos remete a estados, nos remete a experiências, com um experimentador presente. Não estamos interessados nisso. Toda experiência, por mais sublime que seja, por mais divina que seja, por mais espiritual que seja, é algo transitório, da mesma forma que ela vem, ela também vai embora, então ela não é real. Nenhuma experiência espiritual é real.

A mente adora a busca de experiências. Experiências sublimes, visões, audições – essas coisas e as demais pelas quais vocês já passaram e muitos estão passando – não têm qualquer valor, não têm qualquer importância, são mais uma fantasia, mais uma viagem de alguém.

Vamos ficar por aqui? Grato a todos pela presença! Até nosso próximo encontro na sexta-feira.

*Transcrição de uma fala ocorrida em 30 de abril de 2014, num encontro aberto online. Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Um Esvaziar-se por Completo

Aqui estamos mais uma vez nesse encontro.

Podemos tocar, com vocês aqui, naquilo que eu acho muito importante vocês compreenderem: este trabalho, que é o trabalho do despertar, é algo que requer, de cada um, um profundo envolvimento. Este profundo envolvimento é o que nós chamamos de entrega.

Nós estamos sempre diante de paradoxos dentro deste trabalho, e há algo sobre isso, sobre este trabalho, que precisa ficar muito claro para cada um de vocês. Nós estamos falando desse Estado Natural. Este Estado Natural é florescer desta Graça, dessa Presença, dessa Realidade Divina, no entanto – é aqui que nós nos deparamos com algo bastante paradoxal, pois estamos falando de algo que já está presente –, qualquer movimento para chegarmos a Isso ainda é um movimento que nos afasta. Nessa tentativa de nos aproximarmos dessa Verdade, dessa Paz, dessa Liberdade, dessa Felicidade, nós temos nos afastado Disso. Nós nos afastamos Disso porque estamos exatamente em busca Disso. Essa busca nos afasta Daquilo que já está presente. Parece que o maior impedimento para todos nós é estarmos caminhando, é estarmos em movimento.

É muito amplo esse "mercado", esse mercado onde podemos procurar, onde podemos tentar encontrar. Quando nos metemos nesse mercado, no mercado da busca, nós nos perdemos. Reparem que a natureza da mente é o movimento da busca. A mente em sua insatisfação, em seu tédio, solidão, desejo e medo sempre se move, se move nessa busca, e essa busca é aquilo que na verdade lhe afasta dessa constatação, desse florescer. Essa Liberação, essa Libertação, essa Realização – essas são as palavras que usamos – só é possível quando não há mais nenhuma caminhada, quando há uma parada, quando não há mais nenhum movimento.

Mas como ficar livre do movimento? Em seu desespero, em sua aflição, em sua dor, a mente está sempre em busca de alívio, sempre na busca. Então a dificuldade que nós temos para esse Florescer, para essa Liberação, para esse Despertar, é essa, estamos identificados com a mente, e a mente no controle dessa coisa, a mente nesse movimento. Identificados com a mente, nós somos este movimento, e assim estamos perdidos.

Esse mercado se chama "o mercado da busca", onde há todo tipo de misticismo, práticas religiosas, seitas, religiões, filosofias, algo inumerável. Na mente, temos toda essa oportunidade de movimento, de nos mantermos nessa caminhada.

Nosso convite, em Satsang, é para esse instante, para essa parada, para esse não-movimento, para o término da busca.

A busca mantém essa identidade, a busca mantém esse sentido de ser, esse sentido de ser é a crença em uma sensação, a sensação de estarmos indo para algum lugar, de estar prestes a encontrar. Você já é agora, aqui, neste instante; sua Natureza Verdadeira é a Verdade, a Verdade é a sua Natureza Verdadeira, é a sua Natureza Real. Falo da Natureza Real porque nós temos a natureza da mente como sendo real, como sendo a verdade, como sendo a nossa verdade. Que fique claro que a sua Verdadeira Natureza é a Verdade fora da mente. Na mente temos sempre esse movimento, o movimento da busca, e esse movimento da busca é aquilo que se passa por nossa Natureza Real.

A vontade, o querer, o desejo, a procura, a busca – isso nasce dessa insatisfação, desse estado de conflito e contradição. Nesse estado de medo e solidão, nesse estado de incompletude que é a mente – e essa não é a sua Real Natureza Verdadeira, não é Você, não é a Verdade –, todo esse movimento é só o movimento do afastamento.

É preciso soltar absolutamente tudo. O que estamos dizendo é que você não pode encontrar a Verdade, mas pode constatar a Verdade presente nesse instante – esta é sua Natureza Verdadeira. Todo o seu trabalho aqui é de descartar aquilo que se passa por você, aquilo que procura tomar o lugar, que é o seu verdadeiro lugar, aquilo que procura substituir você, essa sua Natureza Real, Inata.

Então não se trata de ganhar algo, de alcançar algo, de chegar em algum lugar, aqui se trata de investigar aquilo que se passa por você, investigar essas crenças mentais, esses conceitos mentais, essas imaginações, esses interesses, motivos, conceitos, etc... Se trata de soltarmos por completo tudo o que nos foi ensinado.

Você, em seu Ser não aprende, não cresce, não evolui, não alcança, não chega, não se move. Essa é toda a nossa dificuldade, porque de uma forma sutil, permanece sempre esse desejo de chegar, de alcançar, de ser. O convite em Satsang é: esteja aberto à constatação de sua Real Natureza, aberto ao trabalho de descartar tudo isso, inclusive a própria imaginação do que seja iluminação, realização ou liberação, porque isso também é só uma imagem na mente. Você não precisa da mente aqui; você está investigando justamente aquilo que a mente tem feito para se manter no lugar de sua Real Natureza, está claro isso?

Aqui se trata de um esvaziar-se por completo. Realização não é, repito, uma aquisição, Realização não é uma realização, Realização é uma constatação desse Vazio, então Ser é não ser, Realização é o fim de todas as realizações.

Sua natureza real é o fim de tudo isso, é o fim de todas as imagens, todas as ideias e crenças, tudo aquilo que está limitado à mente, tudo aquilo que é a mente em sua limitação e isso significa esta Presença, esta Consciência daquilo que está agora nesse instante como a Única Verdade.

Estamos falando do fim dessa ilusão, a ilusão de ser, de fazer, de poder, de se mover, de ter algum lugar para chegar. Ok, vamos ficar por aqui? Está aí o nosso encontro!

Namastê!

*Transcrição de uma fala ocorrida em 02 de abril de 2014, num encontro aberto online. Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Você não é confiável, a Graça sim!

Mais uma vez em mais um encontro em Satsang. Satsang é um encontro com esse desafio. O desafio que você tem em Satsang é se encontrar. Se encontrar significa ir além de suas crenças, além de seus padrões, além desse gostar e não gostar, além dessa postura individual, pessoal, essa coisa da preferência. Quando nós falamos sobre o sentido de uma identidade separada, isso fica muito vago. Isso só começa realmente a ser visto nesse incômodo. Na verdade, você está cheio disso, e você não tem a mínima consciência. Você está permanentemente num estado de autodefesa. Nesse estado de autodefesa, você não quer ser tocado, não quer ser invadido, você não quer ser ferido, magoado, ofendido. O desafio para você é algo muito doloroso.

E o desafio aqui é o desmascaramento desse sentido de identidade presente. É por isso que Satsang é mortal. Essas falas em Satsang estão apontando exatamente para isso. É muito fácil ouvir uma fala como essa, e a mente logo racionaliza acerca disso, cria ideias sobre isso, tira conclusões acerca disso, dessa coisa que está sendo dita. No entanto, isso é inofensivo assim. Mas, na verdade, isso não é Satsang. Satsang é estar diante deste desafio que é a Graça, que é esse desmascaramento, que é poder constatar a possibilidade do fim dessa ilusão, da ilusão dessa identidade – essa que gosta, não gosta, controla, essa que não quer ser ferida.

Então, nós ficamos com aquilo que é prático quanto a isso. Já não estamos mais diante da teoria. É nesse sentido que Satsang funciona, é o espelho dessa Presença na figura do Mestre, daquele que está desperto, que não está inconsciente quanto a isso. Só esse é um espelho ideal. É isso que eu chamo de real investigação, é permitir-se olhar para isso, permitir-se não ser poupado. A sua mente está cheia de razões, cheia de projeções, cheia de crenças, ideias. Você até mesmo sabe como o Mestre deve agir. Você sabe até mesmo escolher o "mestre ideal". O mestre ideal para você é como aquele espelho que não pode refletir. O mestre ideal para você é aquele que ama você. Esse "você" é a ilusão. Esse "você" é esse suposto "eu", essa suposta identidade separada – caprichosa, vaidosa, ocupada com ela própria, que sabe tudo.

E é exatamente isso que tem que ser visto por você: a crença que você faz acerca de si mesmo. Um espelho real, um espelho ideal, é a Presença viva de pura Consciência, essa chama que devora a ilusão. Aí está o Mestre. É desconfortável, doloroso, difícil de lidar, difícil de aceitar, mas é assim. Seu ego vai querer fugir, mas ele jamais vai dizer para você que ele é o ego. Mais uma vez, ele vai se passar por você nessa "inteligência" de resolução, nessa "inteligência" de não ser manipulado, nessa "inteligência" de ter o perfeito discernimento. Na verdade, você quer essa libertação, mas do modo que você pode querer essa libertação – ainda se mantendo sendo "você". É "você" liberto, do seu jeito.

Tudo isso são truques, truques de continuidade dessa falsa identidade. O que estamos dizendo nesta fala, neste encontro, nesta noite, é que esse ego, esse "eu", esse "mim", essa falsa identidade, esse sentido de "alguém", não vai se render, não vai se entregar. Ele vai continuar fugindo. Ele vai sobreviver a todas as bombas, ataques terrestres ou aéreos, a toda e qualquer investida da Graça. Ele vai se disfarçar, ele vai se esconder, ele vai escapar. Ele não diz que é você, você não sente que é ele, mas é assim que ele consegue. É por isso que nós temos insistido nessa coisa, na importância de Satsang, quando esse "você" fica exposto e a dor aparece, o medo aparece.

Alguns de vocês já decidiram ir embora. Tem a dor em algum lugar aí acontecendo. Alguns já foram embora, e outros mantêm uma certa distância para não doer muito. Mas eu tenho que dizer para vocês uma coisa: isso não funciona. Realizar isso é atravessar essa dor, é descobrir que isso tudo é uma ilusão, que não há qualquer desafio mesmo – apenas essa suposta identidade sente isso como algo desafiador, está disposta a fazer qualquer coisa para escapar disso.

P: A maior dor é se achar um "eu".

M: Sim, é isso mesmo. A maior dor é o sentido de separatividade. A maior dor é o sentido de uma identidade separada. A maior dor é o medo. O que estamos apontando para você em Satsang é o fim do medo, o fim desse sentido de separação. Estamos apontando a você, em Satsang, para a bem aventurança, para a felicidade, para a liberdade, para o amor, para a paz. Estamos apontando em Satsang para a sua Real Natureza, para a Real Vida. Você não é confiável, a Graça sim. Essa Presença é confiável. Deus é confiável. É por isso que Ele toma forma. Se você não pode encontra-Lo na forma, você não pode encontra-Lo fora da forma. É na forma que você se vê, é na forma que você tem que econtra-Lo.

Quando você O encontra na forma, você está além da forma. Se você não poder encontrá-Lo no Mestre, não pode encontrá-Lo em si mesmo. Esse "si mesmo" é só uma teoria, é só um conceito mental, é só uma crença, é só a "não forma", é só o conceito de algo dentro. Isso porque, na verdade, você se vê no corpo, você se vê na forma. Existem alguns pontos aí que podem ser investigados. Podemos falar um bom tempo sobre isso. O problema é que a sua mente vai editar essa coisa, ela vai fazer recortes. Ela sabe habilmente escolher o que lhe convém. Assim, não adianta nós falarmos sobre isso fora desse encontro presencial. Então venha ao Satsang presencial olhar em meus olhos, e me permita olhar em seus olhos.

Permita-se ter raiva de mim, ver inveja em mim, ambição em mim, desejos e medos em mim; permita-se ver arrogância em mim, prepotência, personalidade forte, um ego muito grande. Tudo o que você está vendo é você mesmo, a coisa está toda aí. Na verdade, você está vendo qualquer coisa fora de si mesmo. Mas o que você está vendo fora de si mesmo é parte da crença que você tem acerca do mundo, e isso está assentado nessa base, na base dessa falsa identidade, se passando por você. Isso significa pura inconsciência, isso significa medo. Ego é medo. A pessoa é medo. Enquanto a pessoa estiver aí, o medo está aí. A pessoa aí é a ilusão de alguém vendo coisas do lado de fora.

O que estamos dizendo para você sempre em Satsang é que não tem jeito, você não tem salvação. Você não tem conserto, não há tratamento para você. Tem mesmo é que desaparecer. Isso é algo simples, mas não é algo fácil. Isso é o fim da inconsciência. Isso é o seu fim. É o fim da pessoa.

P: Eu realmente estou cansado do sofrimento psicológico, mental, da mente tagarela. Me parece que o simples conhecimento das coisas espirituais, filosofias, não está me ajudando a me tornar uma pessoa melhor.

M: E agora? O que você acha que pode fazer ainda?

P: Realmente não sei. O que sei é que não tem funcionado.

M: É muito bom isso. Você chegou num ponto excelente. Espero que tenha chegado mesmo nesse ponto. Provavelmente você já parou de ler todos os livros, já parou de praticar, já parou de frequentar sebos esotéricos, místicos, religiosos, filosóficos.

P: Sim. E junto com isso me dá um vazio por não ter chegado lá.

M: Aí está o ponto. Despertar, realizar Deus, Realização, Iluminação – qualquer que seja o nome para Isso – não é chegar lá. Esse chegar lá é só uma projeção ainda da mente. Essa é a primeira coisa a ser compreendida: não há como chegar lá, porque não tem lá, não tem alguém aí para chegar. Despertar, Iluminação ou Realização é o fim da ideia de alguém para chegar em algum lugar. De forma objetiva, prática, o que posso lhe dizer é que um trabalho se faz necessário. Mas não é um trabalho no sentido de uma procura, de uma prática, de uma dedicação à espiritualidade ou à filosofia. É um trabalho no sentido da investigação daquilo que se passa por você e que não é você, não é a sua Real Natureza.

Então, isso termina com essa ilusão – a ilusão do ego, a ilusão do "eu", a ilusão do sentido de alguém. Quando isso termina, o Despertar está presente, a Iluminação está presente. Isso é o fim da insatisfação, isso é o fim do sofrimento. Na Índia eles chamam isso de Sat-Chit-Ananda, Ser-Consciência-Felicidade. Satsang significa estar diante disso diretamente, estar diante dessa autoinvestigação, ou dessa investigação de si mesmo, que é meditação, que é essa entrega à sua Real Natureza. Eu lhe recomendo, e a todos presentes: venha ao Satsang. Você não pode realizar isso, mas pode estar vulnerável, se permitir essa realização em Satsang. Não é você que realiza, é Deus que realiza, é a Graça que realiza, é o Mestre que realiza, é essa Presença que realiza, é a sua Natureza Real tomando ciência dela própria. Isso é o fim desses padrões mentais. Isso é tudo o que a mente não quer fazer

P: Já li de uns 8 a 9 acordados a mesma ladainha: o "eu" não é real, é uma ilusão, mas e daí? De que me serve entender e compreender isso?

M: É exatamente isso. Isso não serve para nada. É só mais uma crença. Ler o que os acordados dizem ou disseram, ouvir o que eles dizem ou disseram, nada disso funciona. O que funciona é essa entrega a essa Presença. O que funciona é a ação dessa Graça, é estar diante desta Graça, a Graça em forma. O Mestre em forma, o Acordado em forma. Ele não é suas palavras, Ele não é suas falas, Ele é Você, Ele é a sua Natureza Real, é esse espelho real. É onde o trabalho acontece. Ele vai lhe provocar, Ele vai lhe contrariar, Ele vai lhe aborrecer, Ele vai lhe chatear. Ele será tudo o que você precisa ver em si mesmo. O seu anjo mau e o seu anjo bom, o seu próprio satanás e o seu próprio Deus. E é só você que vai ver isso, não tem ninguém mais para ver isso em seu lugar. Isso funciona, o mais são só teorias, conceitos, crenças, palavras, blá blá blá. É isso aí.

*Transcrição de uma fala ocorrida em 12 de fevereiro de 2014, num encontro aberto online. Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

Compartilhe com outros corações