terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

Aprender sobre Autoconhecimento. Autoconhecimento e Atenção Plena. Autoimagem: psicologia.

Aqui nós esperamos que possamos, de verdade, nesse encontro, de fato, termos um encontro. Notem que, em um encontro, um elemento principal, dentro de um encontro, é o Compartilhar. Sempre quando você se encontra com alguém, o que há por detrás, nessa intenção do encontro, é, naturalmente, um compartilhamento. E aqui nós estamos compartilhando juntos. Há um compartilhar de algo que está presente aqui. Mas é algo que fica impossível esse compartilhar quando nós não nos encontramos.

Aqui se tem um assunto que nós temos trabalhado muito com você, é a beleza desse Aprender, da verdade do Aprender. E esse Aprender requer exatamente esse encontro. Há uma diferença entre aprender e ter aprendido. Quando, por exemplo, você faz o uso de um conhecimento, o uso desse conhecimento é em razão de algo que foi aprendido. Então, o que diferencia um encontro de revelação de sabedoria?

Aqui, o nosso assunto é o Despertar da Inteligência, dessa Inteligência Espiritual. O que diferencia esse Despertar dessa Inteligência Espiritual da busca ou da formação de um conhecimento - um encontro com um conhecimento que se aprende e que agora foi aprendido e que se sabe e que se domina - para a ciência do aprender? Aqui aprender é o verbo na ação, é um ato contínuo, aqui, nesse instante. É nesse aprender que reside a possibilidade desse florescer da inteligência. Me refiro à Inteligência Divina, à Inteligência Espiritual.

Aqui, com você, nós estamos descobrindo como ter o fim para esta psicológica condição de desordem, que é a condição do "eu". Notem, o sentido do "eu" em nós é o sentido de uma continuidade psicológica. Assim como a expressão do conhecimento aprendido, quanto mais ele é expresso, mais ele reforça a memória. Repare, vamos com calma colocar isso aqui para você. Vamos ver a diferença entre esse aprender, nesse momento, nesse ato contínuo, para esse "eu" aprendi, desse aprender como nós conhecemos. Enquanto esse aprender como nós conhecemos é algo que reside em um conhecimento que se adquiriu, esse aprender, nesse momento, é algo diferente, porque nesse ato contínuo há uma compreensão, momento a momento, da vida, como ela está acontecendo. É isso que dá formação ao Sábio, é isso que dá formação a este novo, a esse inusitado, a esse Desconhecido, que é esta Presença da Realidade Divina, deste Ser, algo que nós somos em nossa Real Natureza. Tornando simples tudo isso, você, em sua natureza Real, é a natureza da Verdade, desse aprender, momento a momento, nesse contato com a vida, nesse instante. Nesse contato com a vida, nesse instante, existe esse aprender. E nesse aprender reside a Ciência da Verdade, a Visão da Sabedoria.

E é isso que estamos trabalhando aqui com você, nesse canal, quando lhe propomos a percepção dessa Inteligência Divina que você traz em sua natureza Real, que você traz em seu Ser, diferente desse modelo desse "eu" aprendi, o que requer uma acumulação de conhecimento. Note isso, para efeitos práticos na vida, o conhecimento que se aprende, ele é fundamental. Você precisa do conhecimento em diversas áreas da vida. Conhecimento técnico, profissional, ele é algo funcional. Ele lhe permite trabalhar em uma profissão, em uma ocupação, em um labor. Então isso é essencial, isso é fundamental! Então, nesse sentido, o conhecimento aprendido, o conhecimento que se aprende, é necessário. Agora, nós temos uma qualidade de conhecimento que nós adquirimos, completamente inútil. E é disso que eu quero tratar aqui com você. Não precisamos desta qualidade de conhecimento que se aprende, que se guarda, que se memoriza. Isso porque a qualidade desse conhecimento, ele está dando vida a esse sentido de "ego-identidade". Esta vida é a artificial vida de um "centro" isolacionista, separatista, que nos mantém dentro da vida em uma condição de ignorância e não de Sabedoria. Parece que agora começa a ficar claro para você.

A condição psicológica de ser alguém é algo que nós aprendemos. Vou dar um exemplo para você: você aprendeu a ficar magoado, a se sentir ofendido, a se sentir diminuído, rejeitado, anulado pelo outro, em razão das palavras que ele lhe dirige. E como foi que você aprendeu isso? Você aprendeu isso construindo uma imagem, que é uma imagem que você tem sobre você. É assim que nós construímos esta "ego-identidade". Ela é algo presente em razão de uma cultura, em razão de um aprendizado, em razão de uma formação. Dentro desse contexto de nossas relações, nós aprendemos a nos sentir importantes e sem importância; a viver em autoestima, e a sofrer de baixa autoestima. Então, nós aprendemos a viver alimentando esse sentido do "eu", dessa "pessoa" que nós somos. Isso é uma coisa aprendida. Não só aprendemos como nós cultivamos esse aprendizado e reforçamos isso.

Então há esse movimento contínuo nesse sentido psicológico de "ser alguém", de formação de identidade, de sustentação de identidade. Essa identidade é uma identidade fictícia, é uma identidade ilusória, é um centro ilusório de existência, onde está afirmada esta "autoimagem", que é a imagem que você tem sobre quem "você é". Quando alguém lhe dá um elogio, isso atinge esta "autoimagem", e ela se sente bem, validada, valorizada, glorificada, importante, orgulhosa de si. Então, um elogio lhe preenche. Preenche esta "autoimagem" de satisfação, de prazer! Então, quando um elogio lhe atinge, isso faz com que você, que é essa "autoimagem", se sinta muito bem com o outro. Então, você gosta dele, ou gosta dela. Então, isso é o cultivo da "autoimagem". Isso é o cultivo desta forma de aprender, que mantém e sustenta esse sentido de separação; separação do outro, separação da vida. Esta psicológica condição em nós é uma condição de alienação da Real Vida, que é a vida livre do "ego", que é a vida livre do "eu", porque isso se situa exatamente no "eu".

Então, nós temos isso como algo positivo e, na realidade, estamos diante de uma situação muito delicada que está alimentando esse sentido do "ego", favorecendo esse princípio de dualidade, de separação e, portanto, de sofrimento. Porque nem todos te elogiam, nem todos te dão prazer, satisfação e preenchimento egoico. Alguns também difamam, criticam, censuram, xingam você. Quando você escuta isso ou fica sabendo, isso fere a "autoimagem". Então, quando você é atingido pela lisonja, você se sente feliz, mas quando é atingido pela crítica, você se sente mal, aborrecido, com raiva, revoltado. Então, estamos dando aqui para você um exemplo do tipo do aprendizado que nós recebemos dentro deste contexto de mundo que mantém esta continuidade desta falsa identidade, que é a identidade da "autoimagem", desse "mim".

Qual é a verdade sobre você? Não o que outro pensa sobre você, ou o que você pensa sobre si mesmo. Não o que você aprendeu da cultura sobre quem você é, ou sobre o que você acredita que a cultura lhe declara quem você é.

O que a cultura lhe diz sobre você é aquilo que temos em nós em razão de um condicionamento que recebemos da cultura; da cultura política, filosófica, religiosa, dessa cultura de opinião dos outros. Isso nos deu a formação de uma "autoimagem". Então, essa forma de aprender não é a Verdade da compreensão sobre você. É a falsificação da Verdade sobre você. Então, nós precisamos de uma nova forma de aprender. Nós precisamos aprender sobre o Autoconhecimento, que é exatamente se dar conta desse fundo de condicionamento psicológico que trazemos, desse formato de aprendizado que recebemos de história humana, de cultura humana, de valores humanos, o que tem dado formação a esse sentido do "ego". Veja como isso é importante para a sua vida! Ansiedade, depressão, angústia, medo, preocupação, rejeição, tudo isso, e muito mais, se sustenta exatamente nesta "autoimagem", nesta ideia de "ser alguém", nesta imagem que o pensamento tem construído sobre quem você é. Porque, reparem, tudo isso são construções do pensamento.

Aqui estamos trabalhando isso com você, o fim para este condicionamento psicológico e, portanto, o fim para esta qualidade de pensamento, o fim para esta "autoimagem". Então, você precisa do conhecimento que se adquire e que lhe dá uma formação profissional, funcional, técnica. Mas você não precisa da "autoimagem"; você não precisa do modelo psicológico de existência que o ser humano conhece. Essa complexidade psicológica de "ser alguém" na vida está sustentando, alimentando, dando continuidade a todo tipo de sofrimento, a todo tipo de problema, a todo tipo de confusão em nossas vidas. Porque essas "nossas vidas", esta não é a Realidade da Vida, é a realidade da "particular vida" desta identidade ilusória.

Assim, nós estamos aqui olhando a beleza desse aprender sobre o autoconhecimento. Esse aprender sobre o autoconhecimento requer esta visão do autoconhecimento em Atenção Plena. Quando alguém lhe elogia, ou lhe critica, isso toca essa "autoimagem". Quando, nesse momento, você descobre a beleza do que é esta Atenção Plena; nesse momento, apenas o escutar e se dar atenção a isso que a vida está mostrando aqui e agora, nesse momento. Isso rompe com esse condicionamento desse aprender na desatenção. Esse aprender na desatenção é manter a continuidade da imagem, da "autoimagem". Repare como é simples isso.

Ao me ouvir, você concorda ou você discorda. Isso prova que esse Ouvir, nele não há esta atenção. Quando há esta atenção, nesta atenção há o Escutar. E nesse escutar não tem "você" para concordar ou discordar. Esse é um exemplo do que é esta atenção nesse Escutar. Escutar o que o outro diz não é concordar ou discordar. Escutar o que o outro diz é só escutar. Nesse Escutar, uma energia nova está presente. Essa energia lhe permite aprender. Apenas aprender e não reforçar um conhecimento que você já tem, concordando ou discordando; e não acumular um novo conhecimento em razão daquilo que o outro diz, nesse antigo e velho aprender, aprendendo, adquirindo, acumulando conhecimento.

Então, reparem a beleza desse encontro com esse Escutar, que lhe permite esse aprender sem acumular. Quando há esse Escutar, fica claro o que o outro diz, mas não fica acúmulo. Não existe esse registro! Há só uma compreensão do que o outro diz. Veja, não se trata de concordar ou discordar; não se trata de guardar o que o outro diz, transformar isso em um conhecimento para esta "autoimagem". Nesse Escutar, temos a presença desta atenção, sobre esse momento. E, nesse Escutar, na presença dessa atenção, sobre esse momento, há uma Compreensão. Nesta Compreensão temos o Aprender. Percebem a diferença? Isso não dá formação ao "eu". Isso descarta o sentido de uma identidade, que carrega uma autoimagem, que carrega uma autoimportância, que vive nesse gostar ou não gostar do que escuta.

Então, aqui nós temos colocado de uma forma direta agora para você isso. Acabamos de colocar de uma forma muito direta para você. O que é essencialmente esse aprender sobre o autoconhecimento? É estar nesta atenção sobre esse instante, sem valorizar esta "autoimagem", que é uma estrutura criada e sustentada em você, pelo pensamento. Então, esta "autoimagem", a psicologia toca nisso, mas não aprofunda como estamos colocando aqui. Nós estamos trabalhando com você o fim desta "autoimagem". Em geral, as pessoas valorizam esta "autoimagem". Quando falam da "autoimagem" em psicologia, em geral, elas estão valorizando o sentido desta "autoimagem", dando a ela um treinamento para melhor lidar com as situações da vida. Ou seja, de outra forma, estão apenas fomentando ainda mais a formação e a consolidação dessa "autoimagem". Então, as pessoas se preocupam muito, de uma forma equivocada, em mudar essa "autoimagem", em melhorar essa "autoimagem", em aperfeiçoar essa "autoimagem". E aqui estamos dizendo para você que a realização da Verdade sobre você é aquilo que está presente quando há o fim para esta "autoimagem". Esse é o descarte da "autoimagem". Algo possível quando trazemos para esse momento esta atenção para as nossas reações, para qualquer pensamento, sentimento, emoção, sensação, que apareça aqui, nesse instante; quando, por exemplo, nesse exemplo que acabamos de colocar, quando você é criticado, quando você é elogiado.

Então percebam o valor disso, compreendam o valor disso para a sua vida, e se ao final desta "particular vida", desse sentido do "ego", que vive dentro desta posição de "alto e baixo", como em uma gangorra, ele está bem ou mal. Esses estados internos psicológicos, nesta "ego-identidade", são estados conflituosos em razão desta dualidade. Porque ou nós estamos bem ou estamos mal, ou estamos plenos, ou vazios. Se sentindo validados ou invalidados; apreciados ou depreciados; amados ou odiados; aceitos ou rejeitados. O que estamos fazendo juntos aqui? Nós estamos rompendo com este padrão de "identidade egoica". Estamos compreendendo a verdade sobre o autoconhecimento.

Então, nós estamos explorando isso aqui com você. Nós temos a possibilidade, nesta vida, de realizar a Verdade daquilo que nós somos, indo além desta "autoimagem". Isso requer esse aprender sobre o autoconhecimento. Então, a verdade do autoconhecimento é algo que está intimamente relacionado com a presença desta Atenção Plena. E aqui essa Atenção Plena não é a atenção plena da técnica, do método, da ferramenta para o autoaperfeiçoamento do "eu"; é a ciência da realidade que se revela nesse instante, quando o "eu" não está, quando o "ego" não está. Então, se aproximar de si mesmo é acordar nesta vida. Esse acordar é o descarte desse sentido do "ego", desse sentido da "autoimagem".

Aqui estamos descobrindo juntos como, nesta vida, ter nesta existência o florescer da verdade sobre quem nós somos, o despertar dessa Inteligência Espiritual, desta Inteligência Divina. É isso que estamos, com você, trabalhando aqui. Realizar isto, nesta vida, é tomar ciência de que há uma realidade presente. E essa realidade não é a realidade da "pessoa", é a realidade de Deus.

O ser humano vive há muitos anos no planeta Terra. Há milênios estamos por aqui. E ainda não nos demos conta da Realidade, de que há algo presente, além do conhecido; há algo presente, além dessa noção que temos de tempo e de espaço; há algo presente, e esse algo é a Realidade Divina. O ser humano sempre esteve curioso e em sua insatisfação sempre procurou descobrir se existe realmente alguma coisa além de tudo isso. Então, os Sábios que apareceram aqui nesse cenário, neste sonho de existência, nos falaram desta Realidade. Mas veio o intelecto do ser humano e organizou as palavras dos Sábios e assim criamos as religiões organizadas. Mas, repare, o propósito na vida é tomarmos ciência da vida divina. Nesse sentido, o propósito na vida é tomarmos ciência da Realidade, sim, da realidade de Deus. Mas, isso não é algo que está dentro do campo do intelecto. O intelecto não consegue apreender o significado real disso, desta Realidade Divina, que é a Realidade de Deus.

Então, um contato com a Verdade deste Ser, deste Real Ser, além desta "autoimagem", além deste "sentido egóico", é, sim, um contato com a Verdade de Deus. Neste sentido, temos a presença da Real Vida Divina, da verdadeira vida religiosa. Então, temos a presença desta realização de Deus, que alguns chamam de Despertar Espiritual ou Iluminação Espiritual.

Aqui no canal nós temos uma playlist sobre o que é Atenção Plena. Uma outra playlist sobre Autoconhecimento e Atenção Plena, onde estamos explorando com você esse assunto. Então, tomar ciência disso, realizar isto nesta vida, é ter a revelação do autoconhecimento, da importância do autoconhecimento, desse aprender sobre o autoconhecimento. Aqui, estamos lhe dizendo que você, em sua Natureza Divina, está além da "autoimagem", além desse sentido egóico. E, portanto, além desta dualidade, desta condição psicológica, onde está presente todo tipo de sofrimento que nós conhecemos dentro desse condicionamento, nesse velho aprender, que é o aprender desta "ego-identidade". Romper com isso é a ciência de um novo aprender. Romper com isso é romper com o pensamento, como nós conhecemos, para algo que está além da mente, que é a Verdade Divina, que é a Verdade de Deus.

Então, aqui no canal estamos nos dedicando a esse Despertar Espiritual, a essa Realização Divina, a esse Despertar da Inteligência de Deus. Nós temos encontros aqui aos sábados, trabalhando isso com você, sábado e domingo; final de semana juntos! Você tem aqui na descrição do vídeo o nosso link do WhatsApp para participar desses encontros online aos finais de semana. Além disso, temos encontros presenciais e também retiros. Se isso que você acaba de ouvir é algo que faz algum sentido para você, fica aqui um convite: já deixa aqui o seu like, se inscreve no canal, coloca aqui no comentário: "Sim, isso faz sentido!" Tudo bem? E a gente se vê! Valeu pelo encontro e até a próxima.

Novembro de 2024
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quinta-feira, 30 de janeiro de 2025

Joel Goldsmith. Trovejar do Silêncio. Como superar condicionamentos. Mestre Gualberto.

GC: Olá, pessoal! Estamos aqui para mais um videocast. Novamente, o Mestre Gualberto aqui conosco. Gratidão, Mestre, por mais este videocast. Hoje, eu vou ler um trecho do livro do Joel Goldsmith chamado "O Trovejar do Silêncio". Num trecho desse livro, Mestre, o Joel faz o seguinte comentário: "Se tivéssemos sido corretamente orientados desde a infância e tivéssemos nós tido conhecimento da lei espiritual, teríamos aprendido a evitar muitas das discórdias em nossa experiência". Sobre essa questão dos condicionamentos que temos desde a infância, o Mestre pode trazer a sua visão de como podemos superar esses condicionamentos?

MG: Gilson, aqui nós precisamos, primeiro, nos dar conta da verdade disso. Então, sem nos darmos conta da realidade desse condicionamento, não temos como ir além dele. Então, se tornar ciente disso, se dar conta disso, é o princípio, é a base. A verdade é que não estamos cientes disso, não temos uma plena ciência da condição psicológica em que nós nos encontramos. Então, repare a dificuldade: nós podemos ouvir uma fala sobre isso, assistir a uma palestra sobre o assunto, podemos ler um livro ou muitos livros sobre isso e, no entanto, continuar sem qualquer ciência, sem esse "se dar conta". Então, ficamos só ao nível intelectual, e nesse nível intelectual não há Compreensão Real.

Uma coisa que nós temos enfatizado sempre, Gilson, aqui, é a importância da compreensão. Você não pode compreender uma determinada coisa se não tem daquilo uma aproximação. Você não pode, por exemplo, dirigir carro se você não aprende. A gente não nasce sabendo dirigir um carro; a gente aprende, e esse aprendizado requer que você tenha, de um veículo motorizado, uma aproximação. Então, uma vez que você se aproxime do carro, você aprende a dirigir; é quando você tem uma compreensão do assunto. Mas você pode ficar na teoria sobre o que é passar uma marcha, sobre o que é se aproximar de um acostamento.

No modelo do pensamento em que nós nos encontramos, nós podemos imaginar todo tipo de coisa. Podemos imaginar estar dirigindo, podemos sonhar à noite que estamos dirigindo. Sem qualquer aproximação direta do assunto - e aqui, no caso, é do carro -, ficamos apenas na imaginação, no pensamento, no sonho. Então, nós precisamos, Gilson, é da compreensão. A compreensão é algo que determina tudo! Nós somos muito apegados a teorias, a conceitos, a ideias, a um conjunto de pensamentos que formam esses padrões de ideias. Ficamos muito agarrados a isso! Então, ficamos sempre na teoria.

Aqui, nós precisamos observar aquilo que somos em nossas relações com o mundo, com o outro e dentro de nós mesmos; a relação que temos com os pensamentos que acontecem em nós, com os sentimentos que ocorrem, com as emoções que afloram. Então, assim nos aproximamos da compreensão desse estudo de nós mesmos. É nesse estudo de si mesmo que se revela a verdade do condicionamento. Quando começamos a perceber que nossas reações são reações que vêm de um movimento de memória, que é o passado, nos levando a dizer coisas, a sentir coisas, a fazer coisas com base no passado, na memória, começamos a perceber que estamos dentro de um modelo de condicionamento, que estamos apenas reagindo a esse momento com base no passado.

Então, isso é ter uma aproximação de compreensão - veja, não mais de teoria, mas de compreensão - de como nós funcionamos. Podemos romper com isso, há como romper com isso, porque paramos nesse momento de dar continuidade, manutenção, sustentação a esse elemento que é o ego, que é o "eu", que se separa deste instante, deste momento presente, e avalia tudo que está aqui neste instante com base no passado. Esse é o condicionamento. Estamos rompendo com isso em razão da presença do Autoconhecimento.

Então, você pergunta: "Como romper com isso? Como se livrar desse condicionamento?" Autoconhecimento! Descobrir como olhar para as nossas reações, como nos tornar cientes delas, como nos dar conta de tudo isso que se passa conosco. Veja, não estamos diante de uma tarefa tão simples, porque já estamos há milênios envolvidos num movimento mecânico, inconsciente, de falar, de agir, de pensar, de sentir, e é isso que tem nos colocado nessa psicológica condição de sofrimento, criando sofrimento; de conflito, e criando conflito. Estamos em conflito com nós mesmos, estamos em conflito com o outro, então um trabalho se faz necessário aqui, e esse trabalho é se aproximar e descobrir como não reagir, diante desse novo olhar para essas reações.

É por isso que temos enfocado, Gilson, aqui, a importância da ciência da Meditação, porque quando a mente começa a se tornar ciente dela mesma, de suas reações, uma energia nova assume, uma energia nova está presente: é essa energia da constatação. Antes, ela estava sendo desperdiçada no movimento do próprio ego, do próprio "eu", nessa inconsciência. Estamos colocando luz, consciência, sobre essas reações, e agora essa energia está disponível. Então, quando a mente se torna ciente dela própria, ela se aquieta. Podemos romper, sim, com esse padrão de inquietude interna, de movimentação psicológica do "eu", do "mim".

É assim que nos aproximamos dessa ciência que revela Deus, que é a Meditação. Essa Revelação de Deus é a Ciência do seu Ser. Não estamos mais nessa condição de identidade egoica, estamos nos tornando cientes, neste momento, de nós mesmos: da inveja, do ciúme, da raiva, do medo, da imagem que fazemos dele ou dela. É quando você se torna ciente de como internamente você funciona, de como externamente você reage ou responde. Estar ciente de si mesmo é ir além desse "mim", desse "eu". É isso que estamos juntos trabalhando aqui com você, tendo um olhar e uma aproximação nova de tudo isso.

GC: Mestre, nós temos uma pergunta aqui de um inscrito no canal, um inscrito chamado Daniel. Ele faz o seguinte comentário e pergunta: "Mestre Gualberto, como podemos observar sem o observador? O ato de observar não depende de alguém observando?"

MG: Então, Gilson, aqui temos mais uma pergunta e, nessa pergunta, mais um modelo de crença que nós temos: a ideia de que estamos presentes neste instante, por exemplo, ouvindo esta fala ou assistindo a este vídeo. O sentido de alguém presente nesta experiência é o sonho. É esse o condicionamento que nós temos. Nós acreditamos que somos o observador, e quando essa crença está presente, aquilo que estamos vendo é avaliado, é julgado, recebe avaliações e comparações desse observador.

Então, nesse sentido, esse ato de observar a partir do observador é o modelo que nós conhecemos, mas aqui estamos lhe dizendo que é possível esse observar sem esse elemento que é o observador; que é possível se dar conta, neste instante, da ciência desse olhar sem "alguém" olhando; desse perceber sem "alguém" percebendo; desse escutar sem alguém ouvindo. Veja, Gilson, estamos diante de algo que nunca nos disseram: que neste momento não existe o "eu", não existe esse observador, esse sonhador. Esse sonhador, esse "eu", esse observador, ele aparece quando transforma este momento numa experiência para ele. É quando o sentido do "eu" está presente, mas o nosso condicionamento, que nós recebemos da cultura humana, é de que sempre há um observador para observar as coisas, sempre há um pensador para pensar os pensamentos, temos sempre a presença de um fazedor para fazer as coisas. A ideia nossa, nesse modelo de condicionamento psicológico, de visão particular de mundo, é de que estamos presentes dentro da experiência, sendo o experimentador dela. Então, todas as experiências ocorrem "para mim". O "meu" modo particular e condicionado de "me" posicionar na vida, de "me" posicionar no mundo, é a partir de um centro, que experimenta, que vê, que escuta, que percebe. Estamos diante de uma ilusão, que é a ilusão do "eu", do ego.

Aqui, estamos convidando-o a descobrir a arte de olhar sem o observador, de escutar sem "alguém" escutando, de perceber sem "alguém" percebendo. É quando nós nos aproximamos do descarte do "eu", que é o observador, que é o pensador, que é esse ouvinte, que é esse "mim". Então, estamos diante da arte mais extraordinária da vida, que é a arte de Ser, que é Meditação. É quando nós nos aproximamos de nós mesmos, aprendemos a olhar, aprendemos sobre nós próprios, como nós funcionamos, que descartamos a ilusão desse "eu" neste instante. Então, temos a arte que revela Deus, que é Meditação.

Quando você pergunta: "O ato de observar não depende de um observador?" Veja, a observação não depende de um observador, mas esse ato de observar, quando tiramos conclusões, avaliamos, ficamos nesse gostar ou não gostar, nesse querer ou não querer, nesse dar nome e fazer escolhas, sim, nós temos a presença do observador, e essa é a forma como estamos nos mantendo no mundo há milênios, sempre trazendo o sentido do observador para este momento. Então, ele olha a partir do fundo que ele traz. A partir desse fundo, ele gosta ou não gosta.

Quando, por exemplo, você olha para uma cor, é só o olhar, mas no momento em que o cérebro identifica a cor e você nomeia a cor, e nesse instante diz "eu gosto do azul, mas não gosto do amarelo", repare, nesse momento temos, por exemplo, a presença do observador, porque ele já se separou da experiência pura, que é a observação. Veja, a observação, nela, não existe esse "eu" e a cor, há só o olhar, a ciência. A ciência do que está ali requer a presença da observação pura, mas a nomeação, a classificação, o gostar ou não gostar, o escolher requerem a presença de um fundo de memória, de resposta que vem do passado. Esse é o observador. Esclareceu?

Nós temos momentos na vida onde há só o observar. Quando você está diante de um pôr do sol, só há o pôr do sol, não tem "você". No observar, não há um experimentador, há só este momento, e este momento é o momento do experimentar, porque não existe o experimentador com a experiência. Então, diante daquele pôr do sol, só há o pôr do sol, mas no momento em que o pensamento surge e diz "como é bonito isso, amanhã eu vou voltar aqui de novo", ou há uma lembrança do que ocorreu há um ano atrás, ou há um mês atrás, ou há uma semana atrás, lá na outra praia. nesse momento, o pensador surge, o observador surge, e, nesse instante, não há mais o pôr do sol; tem você e o pôr do sol, temos o princípio da dualidade.

Assim, quando temos o observador, temos a coisa observada, mas, repare, não há qualquer separação! Essa separação é algo que o pensamento está introduzindo dentro da experiência. Há só o olhar, há só o perceber, há só o experimentar. Está claro isso? A ciência da Meditação revela a ausência do "eu", revela a Vida. Você, em seu Natural Estado de Ser, não tem o "eu", não tem o observador; temos a presença da Realidade, o puro observar, o puro perceber, o puro sentir, o puro viver. Assim, o convite aqui é para uma vida livre do "eu", do ego, desse observador, nessa Ciência de Ser, onde Deus se revela. Essa é a Ciência da Verdade de Deus, é a Ciência da Realidade Divina. Então, estamos diante do seu Natural Estado, que é Meditação.

GC: Mestre, nós temos uma outra pergunta de um outro inscrito no canal, a inscrita chamada Gi Nielsen. Ela faz o seguinte comentário e pergunta: "Outra coisa: se eu estou sonhando, então quer dizer que eu também estou sonhando que o Mestre Gualberto está falando que a vida é um sonho? Eu estou sonhando que eu estou assistindo a este vídeo agora?"

MG: Sim, exatamente isso! Tudo que você, a partir de um observador, faz é visualizar o mundo a partir de uma experiência particular, pessoal. Esse é o sonho. Então, este momento aqui é um momento de sonho. Se o pensador está presente, o observador está presente, você está diante de um sonho. Tudo o que está acontecendo agora aqui é parte desse sonho para esse sonhador. A não ser que você acorde, você estará sendo capturado por essa psicológica condição onírica. Então, esse ouvir é o ouvir de um sonhador, esse ver é o ver de um sonhador, esse sentir é o sentir de um sonhador.

Aqui, é bastante curioso dizer isso para você, eu apareço dentro do seu sonho, e há um propósito. O propósito é dizer para você que isso aqui é um sonho. O único propósito desse encontro que nós temos aqui é Acordar. Meu trabalho com você é lhe dizer: "Olha, isso é um sonho. Minha imagem é um sonho, minha fala é um sonho, tudo que digo está dentro do seu sonho. Vá além dele, descubra Aquilo que não faz parte desse sonho". E você consegue, realmente, ir além dele. A boa notícia é que o tempo não se faz necessário, é exatamente a anulação do tempo que se faz necessária.

Aqui, o nosso trabalho juntos é tomarmos ciência de Deus, que é a arte do Despertar pela Meditação. A ciência da Meditação é a arte para o Despertar. Então, a Realidade está presente agora, quando o elemento que se vê separado e à parte deste instante não está mais. É isso que estamos fazendo aqui juntos: estamos dentro de um encontro para o Despertar. Eu não sou um professor, eu não posso lhe ensinar algo, eu não tenho o que lhe ensinar sobre você. Tudo sobre você está pronto em você. Meu trabalho, aqui, em entrar neste sonho, é lhe dizer: acorde!

O Ser Realizado é aquele que diz: "Vamos lá, está na hora de levantar. Está na hora de sair da cama, de sair dessa condição de sonho, de sono, de inconsciência". É isso que estamos fazendo juntos dentro destes encontros. Assim, a nossa proposta aqui, com vocês, é a proposta desse olhar direto para a Verdade d'Aquilo que é Você, que é a Verdade de Deus. Só há Deus, tudo é Deus! Essa é a Realidade quando esse sonho não está mais presente, quando essa ilusão da separação não está mais.

GC: Gratidão, Mestre, já fechou nosso tempo. Gratidão por mais este videocast. E, para você que está assistindo ao vídeo e tem o desejo real, sincero, em compreender esses assuntos, fica o convite para vir para os encontros que o Mestre Gualberto proporciona. São encontros on-line de final de semana; no formato presencial, também existem encontros, inclusive retiros de vários dias. Nesses encontros, o Mestre Gualberto, além de responder diretamente às nossas perguntas, acontece algo muito mais profundo do que isso.

Pelo Mestre Gualberto já viver nesse Estado Desperto de Consciência, ele compartilha esse Estado de Presença, e, nesse compartilhar, a gente acaba entrando de carona nessa Presença do Mestre, nesse Silêncio do Mestre, e isso é um facilitador incrível para a gente poder observar a nós mesmos e podermos ter uma compreensão de algo que está além do intelecto. Então, fica o convite.

No primeiro comentário, fixado, tem o link do WhatsApp para poder participar desses encontros.

E, mais uma vez, Mestre, gratidão pelo videocast.

Novembro de 2024
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terça-feira, 28 de janeiro de 2025

Atma Vichara Ramana Maharshi. Auto-observação. Como se livrar do sofrimento? Inteligência Espiritual

Eu quero tocar com você, aqui hoje, na questão do sofrimento e nessa questão de como se livrar do sofrimento. Essa é uma playlist aqui no canal, que estamos trabalhando com você. Estamos tomando ciência, juntos, de como se torna possível esta Liberação, uma nova condição de consciência onde não esteja mais presente o sofrimento. No entanto, nós temos que olhar para isso de uma forma nova, como eu tenho sempre encarecido isso aqui, dentro destes encontros.

Nós temos uma forma de perceber a vida a partir de um fundo de conhecimento, de experiência, dentro de um modelo de propaganda - ou seja, de aceitação como nos é ensinado, mostrado, como nos é incutido - de uma forma equivocada. Nós precisamos descobrir o que o sofrimento representa, o que ele significa. Em geral, nós apenas entramos num superficial contato, que na verdade não é um contato, é uma forma reativa de responder à experiência nesse formato do sofrimento, mas nós nunca nos aproximamos da verdade do sofrimento para investigar o que é o sofrimento. Ele tem diversas formas, ele aparece de diversas maneiras na nossa vida, mas nós não estudamos isso.

Reparem como nós nos comportamos, toda a nossa energia de interesse na vida é para cuidarmos desta "nossa vida", e aqui eu coloco sempre a vida de duas formas: ou nós temos a Real Vida, e a Real Vida é desconhecida, ou nós temos a conhecida vida, que é a vida como nós a conhecemos. O nosso trabalho, aqui, é tomarmos ciência da Real Vida e nos livrarmos desta vida como nós conhecemos. É nessa vida como nós conhecemos, é nela que estamos envolvidos com esses diversos interesses para fazê-la cada vez melhor dentro de um padrão ou modelo cultural, social, humano. Assim, a nossa energia, em geral, está envolvida apenas nisso.

Aqui nós estamos, com você, explorando essa questão do Despertar da Inteligência. Esse é um outro assunto aqui, de muita relevância para todos nós. O Despertar da Inteligência é a visão da Vida Real, é o fim desta particular vida que estamos vivendo, onde está presente o sofrimento. Nós nem mesmo nos damos conta da nossa real condição interna, mental, sentimental, emocional, de pensamento, de contradição interna dentro de cada um de nós! Nós não nos damos conta daquilo que se passa conosco, porque todo o nosso interesse está em conseguir coisas na vida.

Para nós isso é a vida, essa particular vida onde estamos, dentro dela, realizando coisas, obtendo coisas. Temos um pensamento de que nós precisamos de muita coisa ou de muitas coisas; de tudo o que o mundo nos mostra, nós precisamos. Então, nós vivemos dentro de uma formulação de história humana, de vida humana, sem a ciência de nossa condição interna, onde está presente o sofrimento. Por exemplo, o medo é uma forma de sofrimento, mas já nos acostumamos a essa condição. No máximo nós tentamos escapar de situações que nos mantenham afastados da questão do medo.

Então, nós estamos sempre nos afastando do medo - repare, o medo é uma forma de sofrimento. Quanto à questão dos desejos, por exemplo, não percebemos o que implica esse movimento em nós interno de desejo. Assim, nos afastamos do medo, não percebemos que a presença do medo é, na verdade, a presença do sofrimento, mas o mesmo ocorre com os desejos. Em geral, nós queremos apenas nos livrar do medo porque sentimos o sofrimento presente no medo, embora não tenhamos plena ciência de que o medo é uma, apenas uma dentre as diversas formas de sofrimento que nós temos. Mas quanto aos desejos, nós continuamos indo em busca deles.

A ilusão presente em nossa mente, nesta consciência, está presente porque não estudamos a nós mesmos, não observamos o que se passa internamente dentro de nós. A ilusão é que, na realização de desejos há felicidade, encontramos a paz, o amor, a liberdade; isso é algo inteiramente falso. Uma vez que não estudamos o que é o medo, não compreendemos o que é o desejo. A não compreensão, também, do que é o desejo, nos coloca constantemente nesta ou naquela outra forma de medo.

Nós temos aqui, por exemplo, para lidar com o sofrimento precisamos compreender o desejo, compreender o medo. Então, boa parte da nossa vida consiste nesse processo de desejo e medo, onde está presente o sofrimento, mas parte do sofrimento não é só medo e desejo: nós temos a preocupação, a ansiedade, nós temos a depressão, a angústia, nós temos o conflito presente em nossas relações. Agora, quando você se aproxima e olha de perto isso, você percebe que tudo isso se sustenta no medo.

O desejo é basicamente o medo. Você procura algo. A ideia de encontrar satisfação e prazer naquilo tem, no fundo, uma apreensão de que talvez aquilo não aconteça, não dê certo; há uma busca no nível de ansiedade para alcançar aquilo. Então, reparem, o medo está presente no próprio desejo. A angústia em nós é pelo passado, por eventos e acontecimentos que ocorreram no passado. Isso cria uma angústia aqui. Esse estado interno não investigado dentro de cada um de nós, tem por princípio também alguma forma de medo. A preocupação é a mesma coisa.

É muito importante a gente compreender essa questão do fim do medo. Uma vez que você compreenda o que é o medo e como se processa o fim dele, você tem um fim para o sofrimento. Então, como se livrar do sofrimento? Quando descobrimos o que é entrar num direto contato real com a experiência, percebemos esse experimentador dentro dela, se separando da experiência. Esse experimentador é o elemento em nós, que somos nós mesmos, dentro do medo, do desejo, da ansiedade, da preocupação. É por isso que nós temos aqui, com você, estudado essa questão da compreensão da verdade sobre o "eu".

Essa é a questão básica, as outras diversas questões como o fim do sofrimento, "como se livrar do sofrimento?", "como lidar com o medo?". Nós temos inúmeras questões; algumas nós formulamos e outras nós não formulamos, mas nós as carregamos dentro de nós. Isso porque há algo em você que, com muita inteligência, percebe que não é natural sofrer, como não é natural temer. Então, a ansiedade gira em torno do desejo, o medo gira em torno do desejo. Notem que está tudo interligado: o sofrimento, o desejo, o medo, a ansiedade, o passado. O elemento que liga tudo isso, como um fio que liga as contas de um colar, o elemento principal ainda é o elemento pensamento, presente em você.

O nosso trabalho juntos, aqui, nele temos um único propósito, e esse propósito é o Despertar da Verdade sobre nós mesmos, o que requer o Despertar desta Inteligência Divina. Então a Real Inteligência Espiritual é a Inteligência Divina, e a única Verdade sobre a Inteligência, a Real Inteligência, é esta qualidade de Inteligência. O ser humano está em sofrimento por diversas razões, e por mais inteligente que ele seja e realizador que ele seja nesta ou naquela área, por mais que ele seja competente em aplicar aquilo que nós conhecemos por inteligência, nesta ou naquela área, ele ainda continua dentro da ilusão, que é a ilusão de se ver como uma pessoa, como alguém, tendo uma identidade que se separa da vida.

Então você é um cientista, tem uma grande inteligência, o que implica a presença de conhecimento e habilidade e experiência na sua área. Você é um matemático, você é um físico. Você tem uma grande habilidade em lidar com a questão do espaço, então você é um arquiteto. O ser humano tem desenvolvido essa assim chamada "inteligência" nesta ou naquela área. Aqui estamos enfatizando com você, aquilo que nós temos chamado de Real Inteligência, a Inteligência do Sábio, a Inteligência Divina, a Inteligência Espiritual. Estar nessa Inteligência é descobrir como lidar consigo mesmo, é se compreender nesse contexto da vida, para a constatação da Real Vida livre do sofrimento.

Então, a meu ver, quando há verdadeira Inteligência, ela não é uma inteligência especializada nesta ou naquela área, ela é a Inteligência da visão da totalidade da vida, é a Inteligência da compreensão de si mesmo. O ser humano vive, apesar de tudo que ele consegue alcançar ou realizar a partir de sua capacidade, habilidade, técnica, experiência e inteligência, ele continua na ignorância - na ignorância a respeito dele mesmo. Enquanto você não souber a Verdade sobre si mesmo haverá sofrimento, porque estará presente a ignorância.

Um sábio no sul da Índia chamado Ramana Maharshi, quando pessoas o procuravam - inclusive cientistas, pessoas muito cultas - e perguntavam a respeito da Verdade, ele dizia: "Enquanto não houver a compreensão da Verdade sobre quem é você, todo e qualquer conhecimento ainda será o conhecimento dentro do contexto da ignorância." Nós temos hoje um grande contato com a experiência, com diversas formas de conhecimento, que a cada dia cresce, se amplia, mas todo conhecimento, ainda por estar crescendo e se ampliando, ele ainda continua sem o saber. Portanto, o conhecimento ainda é parte da ignorância.

Aqui estamos lidando com você, apresentando para você a ciência da Realidade, da Real Vida. Então, estamos lidando juntos, aqui, com algo que está fora desta assim chamada "ciência" ou "conhecimento comum", que é o conhecimento que está sempre dentro de uma sombra, que é a sombra da ignorância. Nosso conhecimento tem que ser ampliado, ele tem que crescer, então é um conhecimento que ainda carrega sempre algum nível de ignorância. A Verdade do seu Ser, a Realidade Divina é aquilo que está presente no Despertar desta Real Inteligência.

Como acessar o fim da ignorância? Tendo uma compreensão direta desse "eu". Isso também representa o fim para o sofrimento. Então, a resposta para como se livrar do sofrimento está aí, a resposta para como lidar com o medo está aí: na compreensão da Verdade sobre quem é você. Ramana Maharshi, o sábio de Arunachala, recomendava para as pessoas algo que é conhecido, dentro do sânscrito, como Atma Vichara. A Atma Vichara de Ramana Maharshi é o caminho direto para esse Despertar da Inteligência, para o fim dessa ilusão, desse centro ilusório que é o "eu", vivendo essa particular vida que é a vida onde o sentido de uma identidade que se vê separada de Deus está vivendo. A palavra "Atma Vichara" em português seria algo como "autoinvestigação", "autoinquirição" ou "auto-observação".

Aqui, no canal, estamos trabalhando isso com você, lhe mostrando como, nesta vida, realizar isso. Esse foi o meu caminho; meu contato com o meu professor foi em 1986. O Despertar do seu Natural Estado de Ser é algo possível nesta vida. Então, essas instruções ou ensinamentos diretos não é algo que você adquire intelectualmente, mas descobre dentro de você, de uma forma vivencial. O meu professor, Ramana Maharshi, dizia para todos que se aproximavam dele: "A Verdade do seu Ser é Sabedoria." O contato com a Presença desta Graça é a porta que se abre para esta Liberação em vida. Estamos aqui para tomarmos ciência disso. É quando realmente a vida faz sentido, porque estamos além desse formato de ser alguém dentro da vida. Estamos vivendo em nossa Real Natureza quando o sentido do ego, do "eu", não está mais presente.

Então, esse é o nosso enfoque aqui, dentro deste canal; é o que estamos trabalhando com você. Nós temos, para investigar isso, oportunidades. Uma delas são esses encontros que nós temos aqui on-line nos finais de semana - sábado e domingo estamos juntos, nos aproximando dessa investigação. E é uma oportunidade você descobrir o que é a Verdade da Meditação, que é algo que as pessoas também desconhecem. Na vida, descobrir o que é a ciência de Ser é tudo! Uma vida sem a Verdade da Meditação é a particular da vida do "eu".

Então estamos juntos, aqui, sábado e domingo investigando isso, investigando a Verdade sobre quem nós somos e realizando esse Despertar. Você tem aqui, na descrição do vídeo, o link do WhatsApp para participar desses encontros on-line. Além disso, temos encontros presenciais e também retiros. Então fica aqui o convite. Já deixa aqui o seu like, se inscreve no canal e dá uma olhadinha também lá no nosso outro canal, chamado Marcos Gualberto. Tem um link aqui na descrição, temos também centenas de vídeos por lá. Fica aqui o convite e a gente se vê! Valeu pelo encontro e até a próxima.

Novembro de 2024
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quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

Sabedoria, inteligência, conhecimento. Aprender sobre Autoconhecimento. Inteligência Espiritual.

Aqui estamos com você estudando como ter uma aproximação da Inteligência. Eu me refiro à Espiritual Inteligência, porque há uma diferença entre aquilo que nós conhecemos por inteligência e a Verdade sobre a Inteligência. Num certo sentido, aquilo que nós conhecemos por inteligência não deixa de ser a presença da Inteligência.

Repare, é bem curioso essa questão da Inteligência. Aqui, a nossa aproximação é para o Despertar da Sabedoria, porque o propósito desse encontro com a Inteligência Espiritual não é de adquirir um mero conhecimento para lidarmos com assuntos da vida, nesse sonho comum de existência, porque essa qualidade de inteligência nós já temos.

Veja, nós vamos todos os dias ao banheiro, e nós temos no banheiro, por exemplo, a bacia sanitária, e nós nunca nos perguntamos; “Mas quem inventou essa coisa?” Então, hoje podemos fazer uso da bacia sanitária em razão da presença de uma invenção. Essa invenção, naturalmente, nasceu da inteligência, e hoje é algo espalhado no planeta, todos têm uma bacia sanitária. Então, é algo muito simples. Não, não, não é algo muito simples. Ali, a presença da inteligência nos deu a bacia sanitária.

A inteligência humana, essa inteligência como nós conhecemos, nos tirou do cavalo para uma espaçonave. Nos séculos passados, nós viajávamos de cavalo, de charrete, hoje nós viajamos de aviões. Então nós saímos da charrete para o avião a jato, e, além do avião a jato, nós temos hoje a espaçonave. Uma espaçonave é constituída de milhões de peças, centenas de milhares de sistemas, e cada um precisa funcionar de uma forma perfeita para essa espaçonave ir para o espaço e voltar. Então, notem, nós temos aqui a presença da inteligência.

Essa Inteligência lida com assuntos da vida, desse sonho de vida, mas aqui nos deparamos com algo muito, muito curioso. Sim, nós fomos capazes de criar a bacia sanitária, uma aeronave e uma espaçonave, mas não sabemos, hoje, lidar com as nossas emoções, pensamentos, sentimentos, modos de sentir.

O ser humano resolve os problemas tecnológicos, científicos, de engenharia, de matemática, de física, de química, na arquitetura, na engenharia espacial, consegue resolver assuntos de hidráulica de todos os tipos, de mecânica de todos os tipos, mas não conseguimos resolver a ansiedade, a depressão, o medo, a dor da rejeição, a dor do sentido de separação. Não conseguimos resolver a questão da falta de alguém quando ela vai embora ou ela morre: a dor está lá, o sofrimento está lá.

Não sabemos lidar com o pensamento, com a imagem que o pensamento constrói sobre ele ou ela. Não sabemos como a mente funciona, como nós funcionamos. Conseguimos consertar, pôr fim a uma pane em uma aeronave, mas não conseguimos resolver essa pane desse modelo psicológico de existência em que nós nos encontramos, porque psicologicamente, internamente, o ser humano vive em pane. Há algo de errado, há algo de por demais complexo e problemático nessa estrutura psicológica em cada um de nós. A mente é inquieta, repetitiva, tagarela. Aquilo que se passa dentro de cada um de nós não conseguimos resolver.

Aqui com você nós estamos investigando a Verdade sobre a Sabedoria, Inteligência e conhecimento. Nós temos o conhecimento para assuntos da vida, mas não temos a compreensão para a vida. O conhecimento para os assuntos da vida é o conhecimento que nós adquirimos pela experiência. O homem descobriu a força do cavalo para a locomoção. Os primeiros motores dos automóveis tinham por princípio essa ideia de força de cavalo.

Então, a ideia da força, a ideia da energia, tudo o que a princípio era uma ideia, cientificamente se comprovou e estamos lidando com tudo isso de um ponto de vista muito prático, objetivo, funcional. Mas qual será a Verdade sobre quem nós somos? Nós não temos essa Verdade. Nós conquistamos o átomo e conquistamos o espaço sideral, mas não conseguimos conquistar a nós mesmos, nós não sabemos a Verdade sobre quem nós somos, porque nos falta Sabedoria.

Esse contato com a Realidade Divina, com a Realidade do seu Ser, é a Ciência da Sabedoria. Aqui estamos com você explorando isso, indo além dessa forma comum de pensar, de sentir, de agir, de se mover na vida, com base apenas naquilo que o pensamento tem estabelecido como sendo real. Observe como é curioso isso: é quando você tem uma imagem de alguém e ela vai embora que um sentimento surge. Essa imagem é basicamente um pensamento que você tem sobre ele ou ela.

Assim, notem, o pensamento está presente em nossa vida interna, em nossa vida psicológica, e não sabemos lidar com essa vida psicológica quando a dor da separação está presente, quando o medo de perder está presente, quando o apego de possuir, de ter está presente. Isso sustenta em nossas vidas diversas formas de sofrimento. Então, nós resolvemos os assuntos externos da vida. Quando você vai ao banheiro, você conseguiu resolver um assunto, um problema, mas não conseguimos resolver esse assunto interno dentro de cada um de nós.

Nós não sabemos como a mente em nós funciona, como ela está funcionando, como o pensamento está funcionando, os sentimentos, as emoções, como tudo isso é elaborado dentro de cada um de nós. Por não sabermos como isso funciona, o problema persiste, a dificuldade continua. Mas nós sabemos o que é o funcionamento de uma bacia sanitária, de um vaso sanitário.

Podemos descobrir a Verdade sobre nós mesmos e irmos além desse sentido ilusório de existência? Porque é assim que nos sentimos na vida: tendo uma existência. Mas esse sentimento de existência está dentro de um sentido ilusório, e isso é um problema, porque esse sentido ilusório de existência nos diz que existimos como alguém no tempo e no espaço, tendo um corpo, tendo uma mente e vivendo experiências, tendo pensamentos, emoções, sentimentos, tendo coisas, tendo pessoas. Essa sensação de ter nascido, estar vivendo e podendo morrer, tudo isso se enquadra dentro de uma visão equivocada; uma visão estabelecida de forma equivocada por um modelo de pensamento que nós conhecemos e que é inteiramente ilusório.

Talvez você pergunte: “Mas como você pode nos garantir isso?” Eu não posso lhe dar qualquer garantia disso. Aqui não se trata de alguém nos convencendo de algo, aqui se trata da possibilidade da investigação disso. Se você toma ciência da Realidade sobre isso, sua visão é a visão que se alinha com a Sabedoria. E quando há Sabedoria, não há mais problema, sofrimento, confusão. Isso desapareceu em razão do fato de que a ignorância desapareceu, a ilusão se foi.

Então, a beleza do encontro com a Realidade Divina, com a ciência de Deus, que é a ciência do seu Ser, é o Despertar dessa Inteligência Espiritual. Portanto, não se trata dessa Inteligência que resolve assuntos externos, problemas externos, que nos facilita viajar do Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, ou de algum Estado do Brasil para um outro lugar do planeta, atravessando o oceano, em uma aeronave. Uma viagem de navio levava muitos meses; uma viagem de avião leva algumas poucas horas.

Então, resolvemos alguns assuntos, mas não resolvemos o assunto básico. O assunto básico é: quem sou eu? Aqui se aproximar dessa Revelação requer a presença desse aprender sobre nós mesmos, dessa aproximação do Autoconhecimento. É estudando aquilo que nós somos, é tomando ciência daquilo que se passa conosco, da verdade sobre nós mesmos. É aqui que está presente a Realidade, a Verdade, a Beleza, o encontro com o fim da ilusão, para o término da ignorância. E se isso termina, o sofrimento termina.

Nós estamos aqui com você explorando como ir além dessa psicológica condição onde está presente a ignorância. Tudo o que o ser humano tem buscado dentro de sua história, de história de humanidade, é a busca do conhecimento para a busca do conforto e da solução de problemas do ponto de vista externo. Isso, de fato, tem funcionado. Nós estamos resolvendo os problemas.

Como foi dado o exemplo, pela manhã já nos deparamos com um problema e ele é resolvido quando entramos no banheiro. Conseguimos resolver esse problema de uma forma muito simples hoje, é um problema, basicamente, já resolvido. Nós não temos esse problema. Quando entramos no banheiro, sabemos como funciona a bacia sanitária, o vaso sanitário. E, no entanto, ao entrarmos no banheiro, entramos no banheiro com ansiedade, com depressão, com preocupações, com medos, com os conflitos que os desejos estabelecem, com toda a forma de desordem psicológica.

Então, a questão do sofrimento psíquico, da desordem emocional, tudo isso se assenta nessa ignorância sobre como nós funcionamos internamente, psicologicamente, e isso ainda não foi resolvido. Aqui com você estamos lhe propondo a resolução, o fim da continuidade, a solução de continuidade para esse problema, que é o problema do “eu”, do ego, desse “mim”. Por isso estamos trabalhando com você o Despertar Espiritual, o que alguns chamam de Iluminação Espiritual.

Hoje, aqui, estamos compartilhando com você aquilo que me foi mostrado por Ramana Maharshi, o sábio da montanha de Arunachala. Todos os que se aproximavam dele, ele falava sobre a Atma Vichara. A ciência da Verdade sobre você, descobrir a verdade sobre como aprender sobre si mesmo, aprender sobre o Autoconhecimento, é a base para o fim dessa complexa condição psicológica em que nós nos encontramos. É quando temos a presença da Verdade da Sabedoria, da Real Inteligência e do verdadeiro conhecimento, que é o conhecimento Divino.

É algo estranho, mas é exatamente assim. A ciência desse conhecimento, a visão desse conhecimento é a visão do Desconhecido, do Indescritível, d’Aquilo que é inominável, d’Aquilo que está além da mente, d’Aquilo que está além do “eu”. Porque é esse sentimento “eu”, nessa ideia de ser alguém na vida, na experiência, no viver, tendo que atender a vida como ela acontece, se vendo como um elemento separado dela, é isso que se constitui o problema. O único problema humano é exatamente a ilusão de se ver dentro desse contexto da vida como uma entidade separada dela. Há uma Realidade presente e essa Realidade está além dessa ideia de “pessoa”, desse “mim”, desse “eu”.

Portanto, esse é o nosso assunto aqui. Sábado e domingo estamos juntos aprofundando isso com você em encontros online. Você pode participar desses assuntos e aprofundar isso, para tomar ciência, nesta vida, desta Realidade Divina. É isso que alguns chamam de o Despertar Espiritual ou Iluminação Espiritual. Além disso, temos encontros presenciais e, também, retiros.

Dezembro de 2024
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terça-feira, 21 de janeiro de 2025

Aprender sobre Autoconhecimento. Inteligência espiritual. O que é o pensamento? O que é o pensar?

A meu ver, a aproximação desses assuntos que nós tratamos aqui é algo que requer de cada um de nós se acercar deles de uma forma inteligente, esclarecida, bastante lúcida, e me parece que esse é o primeiro problema, porque é exatamente isso que, em geral, a maioria dos seres humanos não tem. Isso explica toda a nossa dificuldade de termos uma apreciação de um assunto que envolve a ciência do seu próprio Ser, a compreensão da Verdade sobre si mesmo.

O ser humano acredita que se conhece, ele acha que sabe quem ele é, ele tem muita certeza de suas conclusões. E quais são essas conclusões? As conclusões que ele recebeu dessa sociedade, desse mundo, dessa cultura. Chega um momento em que você percebe que está muito certo de si mesmo. Veja, certo de si mesmo em meio a confusão. Como é que no estado de confusão, em um estado de desordem emocional e de grande confusão mental nos sentimos cientes da verdade sobre quem nós somos? Notem como a mente funciona.

A mente tem um modo de funcionar em nós dentro de modelos, de padrões, de formas, fôrmas já bem específicas, já bem delineadas, bem determinadas. É assim que estamos funcionando psicologicamente, esse é o nosso condicionamento. Em psicologia, isso já foi constatado, mas em filosofia isso também já foi constatado. Veja, teoricamente nós podemos saber algo sobre isso, ou até saber bastante sobre isso, mas esse saber teórico, conceitual não resolve absolutamente nada. Nós continuamos dentro do mesmo esquema, da mesma forma.

Aqui eu quero trabalhar com você nesse encontro o Despertar de uma nova Consciência. Essa consciência que nós conhecemos é a consciência que vive dentro desse regime, desse formato, desse condicionamento claramente conhecido tanto em filosofia como em psicologia e que mesmo assim nós não resolvemos nada disso. Nós precisamos nos livrar desse condicionamento.

Então aqui se trata de um descondicionamento psicológico, do fim dessa continuidade desse movimento do “eu”, desse movimento do ego, desse movimento do sentido de alguém presente aqui no instante, na vida. Assim, é isso que estamos propondo aqui. Nós temos encontros online, nós temos retiros para exatamente trabalharmos isso: um contato com a vida, mas livre dessa programação, desse condicionamento, desse formato de ser alguém.

A meu ver, não existe nada mais importante na vida do que a compreensão dela. Não podemos ter a compreensão da vida com base em um intelecto condicionado, uma mente condicionada, dentro de uma vida programada dentro desses valores que nós recebemos de uma sociedade, de um mundo que está em conflito, em desordem, em confusão, em sofrimento, exatamente em razão desse modelo de mente presente, de consciência presente no mundo.

Se faz necessário e é urgente, fundamental para cada um de nós a ciência da verdade sobre quem nós somos, a presença de uma nova Consciência. Agora, como se aproximar disso se nós já nos aproximamos com base nesses antigos princípios que recebemos? Isso requer um coração inclinado para isso e uma ação misteriosa da Presença Divina tornando isso possível para cada um de nós.

Se você está aqui acompanhando essa fala é porque algo em você está lhe despertando nesse momento para a investigação da verdade sobre quem é você, exatamente para o rompimento desse padrão, desse modelo, para aquilo que nós temos chamado aqui de o Despertar da Inteligência Espiritual.

A Verdade dessa Inteligência é a ciência de que há uma Presença na vida, e que essa Presença na vida está dentro dessa nova Vida, onde há uma nova forma de sentir, de agir, de se mover no mundo, há uma nova forma de viver, possível quando a mente está livre, possível quando o intelecto está livre de toda a forma de condicionamento. Então entramos em contato direto com a ciência daquilo que nós somos.

Aqui estamos examinando com você, investigando com você diversos assuntos. Alguns têm chamado isso de questões fundamentais da vida. A verdade é que são inúmeras essas questões. E é interessante que se diga isso aqui: são questões ligadas a esse padrão de condicionamento mental, de condicionamento psicológico, de condicionamento da mente, que inclui esse intelecto condicionado, sentimentos e emoções também dentro já de um condicionamento, algo tão comum.

Nós vivemos nossos dias, nossas vidas como se isso fosse a coisa mais natural na vida. Embora em meio a alguns níveis de sofrimento, termina que nós buscamos ajuda, mas apenas quando esses sofrimentos são por demais contundentes, agudos, muito, muito fortes, porque, em geral, nós levamos a vida de uma forma costumeira, em meio a toda essa complexidade psicológica em que nós nos encontramos, sem uma profunda investigação sobre tudo isso.

Mas agora, aqui, nesse momento, você que está aqui acompanhando essa fala, eu gostaria de lhe fazer uma pergunta. Nós temos feito perguntas, as pessoas escrevem e fazem perguntas, e eu gostaria de lhe fazer uma pergunta: o que é o pensamento? Essa é uma das perguntas, essa é uma das questões. Uma questão é um problema não resolvido. O que é o pensamento em você? Você já se deu conta? É possível se dar conta de como o pensamento funciona dentro de você?

Você já deve ter percebido que pensamentos em nós acontecem. Nós não os controlamos, eles surgem. Alguns pensamentos são bons e outros pensamentos são ruins. Em alguns momentos temos boas lembranças, em outros momentos temos péssimas lembranças. E juntamente com esses pensamentos, sensações acompanham eles, sentimentos, emoções, e juntamente com isso um elemento de querer ou não querer, de vontade. A psicológica condição presente dentro de nós, em razão desse condicionamento em que nós nos encontramos, é de inquietude, porque nós não sabemos o que é o pensamento.

E há uma outra pergunta muito próxima dessa: o que é o pensar? A maioria das pessoas, de uma forma muito superficial, dizem que o pensamento está presente porque “eu” estou pensando, está presente porque “eu” me lembro. Vejam como é estranho essa nossa visão acerca do pensamento. Não percebemos que essa própria expressão “eu”, esse pronome que nós usamos, também é um pensamento.

Eu pergunto: quem é você? Aí você diz: “eu”. Repare, quando você diz “eu”, por que você diz “eu”? Você diz “eu” porque você está se dirigindo a si mesmo a partir de um pensamento, de uma ideia que faz com que você se sinta sendo o “eu”. Mas o que é o “eu”? Não sabemos o que é o “eu”. Então reparem: o que é o pensamento? Não sabemos. O que é o “eu”? Também não sabemos. Se você vai descrever esse “eu” para mim, você vai dizer o seu nome e a sua história, mas o seu nome e a sua história, assim como o pronome “eu”, é só um pensamento.

Qual é a verdade sobre você? Você desconhece, assim como desconhece o que é o pensamento e como ele se processa dentro de você, o porquê você pensa o que pensa, o porquê você pensa o que não quer pensar, o porquê você pensa e quer se livrar desse ou daquele pensamento e não consegue. Se você fosse o senhor dos pensamentos, se realmente você fosse o pensador desses pensamentos que você tem, você só teria pensamentos que escolheria ter, e esses pensamentos, naturalmente, seriam pensamentos felizes, e não carregados de preocupação, de ansiedade, de culpa, remorso produzindo diversas formas de medos.

Os medos dentro de nós estão presentes em razão dos pensamentos que temos. Observe com calma isso. É a nossa ligação com o movimento do pensamento que sustenta quadros psicológicos que nos assustam. Quanto mais carregada é uma pessoa de pensamentos que lhe assustam, mais medo ela tem. Veja, é muito básico tudo isso. A qualidade de pensamento que você tem, primeiro: não são pensamentos que você produz, são pensamentos que acontecem, e a qualidade desses pensamentos determina seus estados internos de alegria, leveza, tranquilidade ou inquietude e peso.

A verdade é que nós não sabemos o que é o pensamento. Não sabemos que o pensamento é aquilo que aparece em razão de uma memória ou lembrança que vem do passado, e não sabemos lidar com isso porque não sabemos ficar cônscio, ciente do pensamento quando ele está, com sua sensação, emoção ou sentimento que lhe acompanha. Isso porque não sabemos nada sobre esse aprender sobre nós mesmos. No momento em que você começar a investigar a verdade sobre você, irá ficar ciente de todo esse movimento do pensamento e do que é esse pensar.

O pensar é a mecânica do pensamento, mas essa mecânica do pensamento não é algo que você realiza, é algo que acontece nesse mecanismo, nesse corpo e nessa mente. Isso é parte dessa mecânica do cérebro. Nós precisamos da ciência do pensar, mas podemos dispensar o modelo de pensamento preso, atado a essa programação, que vem do passado, de condicionamento psicológico. Aqui, nessa fala, não temos tempo de explorar isso, mas esses são os assuntos que nós abordamos aqui com você. Tudo isso se revela nessa aproximação desse aprender sobre o Autoconhecimento.

Qual é a verdade desse aprender sobre o Autoconhecimento? Ficar ciente do movimento da consciência em você, dessa velha consciência, que é a consciência da mente egoica, que é a consciência desse padrão de pensamento que vem do passado, a compreensão dessa ciência do pensar. Nós precisamos ter de nós mesmos uma aproximação real, é isso que traz o Despertar dessa Inteligência Espiritual, que é a Inteligência Divina.

Algumas pessoas falam dessa Iluminação Espiritual ou desse Despertar Espiritual, e usam a expressão também o Despertar da Consciência, mas são teóricas. E fica muito claro quando elas falam, porque elas falam a partir do intelecto. Uma visão clara desse assunto lhe mostra que sem essa real base da compreensão desse estudar a si mesmo, não existe tal coisa como uma experiência chamada Iluminação Espiritual.

A Iluminação ou o Despertar não é uma experiência, é o Florescer da Sabedoria, em razão do Despertar dessa Inteligência, dessa Inteligência Espiritual, algo possível somente quando há uma visão sobre o Autoconhecimento. E há diversos elementos aqui para serem investigados, e é o que nós temos feito aqui com você. Nós estamos abordando diversos temas ligados diretamente a esse Florescer da Inteligência de Deus, dessa Inteligência Espiritual.

Sem essa base real, nós não temos, por exemplo, a ciência da Meditação. As pessoas praticam meditações, mas a prática da meditação não é a Real Meditação se revelando. Quando há Real Meditação, a Meditação se revela aqui e agora, nesse instante, nesse olhar sem o observador, nesse “tomar ciência” sem esse elemento envolvido nisso, que é o “eu”, que é o ego. Quando esse observador, quando esse pensador, quando o sentido do “eu” não está, temos o Florescer da Sabedoria, temos o Despertar dessa Inteligência e a real compreensão do que é o pensar.

Então, estamos com você investigando tudo isso, trabalhando isso aqui com você nesses encontros online nos finais de semana. Sábado e domingo nós estamos trabalhando isso. Se aproximar de si mesmo, investigar a verdade sobre si próprio requer um trabalho nesse instante, uma aproximação da verdade de quem é você, da verdade sobre quem realmente é você. Então, sábado e domingo estamos juntos. Além disso, temos encontros presenciais e, também, retiros.

Dezembro de 2024
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