quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

Introspecção, autoanálise, autodisciplina | A Verdade da Atenção Plena | Iluminação Espiritual

Existe uma coisa bastante interessante nas relações humanas, em nossas relações uns com os outros. Me parece que uma das coisas mais difíceis dentro destas relações consiste na comunhão. Comunhão requer a presença de uma comunicação livre; nós não temos essa liberdade para a comunicação. Parece que nós não nos alcançamos quando falamos, quando dialogamos, quando nos aproximamos uns dos outros. Por que isso ocorre? Por que é que isso acontece?

Parece que compreendemos, sim, o significado verbal da palavra, mas nós escutamos através de uma ideia, de um conjunto de crenças, de opiniões, de conclusões aquelas palavras. Assim, estamos sempre atrás dessa cortina de ideias. Quando isso ocorre – e isso frequentemente ocorre –, não há comunicação. A ausência dessa comunicação é, naturalmente, a ausência da comunhão. Então, reparem como se torna importante termos uma nova aproximação aqui também, nesses encontros.

Aqui nós estamos fazendo uso de palavras bastante conhecidas de todos nós e, no entanto, o que eu tenho percebido é que as pessoas não conseguem compreender essas palavras porque elas escutam através dessa cortina de ideias que elas têm. Aqui fazemos uso de expressões como: "o Despertar da Consciência", "Iluminação Espiritual", "a Realização de Deus" – essas palavras e diversas outras que usamos aqui –, e a dificuldade que temos é acompanharmos essa leitura para que aconteça, dentro desse encontro, a verdade da comunicação e a comunhão se torne possível.

Se houver entre nós Real comunhão, de coração, até as palavras são dispensáveis. Reparem que coisa interessante: se houver, de verdade, uma comunhão, e essa comunhão está acontecendo em um nível diferente do intelecto, naturalmente, ela dispensa as palavras, ela dispensa a linguagem. Então, a verdadeira comunicação ocorre quando há comunhão.

Na vida, nós precisamos de comunhão; comunhão dentro da comunicação, comunhão na relação com o outro dentro de uma determinada atividade, comunhão no contato com o sentir, com o movimento da ação também acontecendo, com esse falar. Esse encontro de comunhão é essencial. Nós, como seres humanos, precisamos descobrir a Vida. A Vida é constatada quando há esse descobrimento. Nessa constatação existe um nível de imersão na vida, de imersão na existência, onde todo o sentido de separação entre esse "eu” e a própria vida se desfaz, desaparece, não está presente.

Então, se nós estamos aqui trabalhando essa questão da busca da verdade sobre quem nós somos, isso é o que se torna possível quando nós nos aproximamos de uma compreensão a partir dessa comunhão. Precisamos ter uma comunhão com aquilo que se passa agora, aqui. A fala é algo que requer comunhão, o sentir é algo que requer comunhão. A ação acontecendo ocorre de uma forma completa, única, Real – eu tenho chamado de Verdade da ação, de ação Real – quando há comunhão.

Nós estamos, internamente, em contradição. Nós vivemos, internamente, em conflito dentro de nós mesmos. Precisamos estudar isso, compreender isso, e isso se torna possível quando temos uma aproximação de nós mesmos, daquilo que se passa dentro de cada um de nós. Ter uma aproximação dessa requer que você aprenda a olhar, que aprenda a escutar, que aprenda a perceber a si mesmo; olhar, escutar a si mesmo é algo que se torna impossível quando o pensamento está presente, quando essa cortina de ideias está presente.

Então, reparem que coisa curiosa como nós funcionamos: nós temos ausência de comunicação porque interpretamos as palavras segundo as nossas crenças, opiniões, ideias e conclusões pessoais quando estamos em um diálogo ou quando estamos ouvindo, temos, neste momento, a dificuldade de acompanhar um texto como este, assim como temos a dificuldade de olhar para nós mesmos porque olhamos através de conceitos, de opiniões, de julgamentos, de crenças.

Eu quero tocar aqui com você na importância desse escutar a nós mesmos, de aprender a ter essa comunhão; uma comunhão que se torna possível quando você aprende a escutar, a olhar e a perceber aquilo que se passa dentro de você, sem essa cortina de ideias, sem essas conclusões, sem essas crenças, sem essas punições, sem esse autojulgamento, sem essa autoavaliação, sem essa autocrítica. Observem que é assim que, na maioria das vezes, nós olhamos para nós mesmos. Quando fazemos isso, há uma separação.

Compreender a verdade sobre você é algo que requer um olhar sem julgamento, sem avaliação, sem comparação, sem crítica, sem medo. Então nós temos a presença de uma Real comunhão, que se torna possível, também, agora, aqui se deixarmos de lado nossas crenças, nossas conclusões, nossas ideias, se deixarmos de lado o significado que temos dado a essa ou aquela palavra com base em nossos preconceitos, em nossos conceitos pré-formados. Então, o nosso encontro aqui tem como propósito essa autodescoberta.

Assim, nossa ênfase aqui, dentro dessa fala, será sobre essa questão da Atenção, da Verdade da Atenção Plena. Apenas quando há essa Atenção Plena se torna possível uma aproximação da revelação daquilo que se passa dentro de cada um de nós.

Se olharmos através dessa cortina de ideias, nós estaremos fazendo aquilo que uma boa parte das pessoas fazem na tentativa de melhorarem a si mesmas, de modificarem a si próprias através do esforço, da autodisciplina, dessa, assim chamada, “introspecção”. Reparem o que estamos colocando, acompanhem isso com calma.

Introspecção é uma forma de olhar para dentro de si mesmo através dessa cortina de ideias. As pessoas querem se livrar daquilo que elas não gostam de ver em si mesmas. Então, elas praticam, pela autodisciplina, pelo esforço, essa introspecção. Essa tentativa de mudança, de transformação com base no esforço, na disciplina, que tem por princípio já uma análise de si próprio, um olhar para si mesmo com base em ideias, pode criar uma mudança, sim, isso pode melhorar a pessoa, mas a pessoa melhorada ainda é a melhora do sentido de um "eu" presente, de uma identidade egoica presente.

Aqui nós estamos lhe propondo uma vida livre desse “eu”, desse ego, algo que se torna possível quando há essa inteira Verdade se revelando em razão dessa comunhão, e esta comunhão não vem pela introspecção. Essa comunhão nasce de uma forma muito natural quando estamos dando Atenção a nós mesmos, quando estamos nos tornando cientes de todo esse movimento interno de pensamento, de sentimento.

Esses pensamentos, esses sentimentos são aqueles em nós que nos impulsionam às ações. Nossas relações se assentam nestes pensamentos e sentimentos. Essas relações são ações que ocorrem tendo por princípio esses sentimentos, esses pensamentos. Tomar ciência desse movimento interno – essa simples tomada de consciência desse movimento, que é o movimento do “eu”, dessa pessoa, dessa identidade que se separa do outro para se relacionar – requer essa aproximação de comunhão, requer essa Atenção sobre si mesmo.

Portanto, nossa aproximação aqui é lhe mostrando a importância desse contato consigo mesmo, esse contato com aquilo que se passa dentro de você, um contato possível quando há essa Atenção. Não se trata de fazer algo com aquilo que você percebe, com esses sentimentos, pensamentos, com esse modelo de comportamento. Aqui se trata apenas de tomar ciência disso. A ciência disso rompe esse padrão de existência do “eu”, esse padrão de existência egoica, porque nesse momento ocorre essa comunhão: comunhão Real com o outro, comunhão Real com a Vida, comunhão Real em si mesmo. Então a contradição desaparece, o conflito desaparece, o medo desaparece, o sofrimento desaparece.

Percebam a beleza do que estamos colocando aqui para você. Repare, por exemplo, que o seu contato com o outro é um contato através de uma cortina de crenças, de ideias, de conclusões, de imagens que você tem sobre ele ou ela. Então, repare: não há verdade de comunhão nesse contato, porque aquilo que está presente é esse elemento, que é o “eu”, o ego, esse “mim”.

Há esse estado interno de contradição nesse encontro com o outro quando estamos dentro desse princípio de separação, de dualidade, então temos esse "eu" e esse "você". Esse “você” é uma imagem que eu faço sobre quem você é, além de uma imagem que tenho sobre quem “eu” sou, e isso é contradição, isso é conflito, isso irá, naturalmente, produzir nessa relação algum nível de conflito, algum nível de problema, algum nível de medo, de violência, de desejo, de sofrimento.

Quando colocamos Atenção sobre esse movimento, que é o movimento do "eu", essa comunhão com a Verdade daquilo que se mostra aqui, nesse instante, isso rompe com esse padrão, com esse modelo de identidade egoica. Isso é o fim dessa imagem, conclusões, crenças e opiniões sobre o outro. Isso é o fim dessa autoimagem em contradição, em conflito, carregada de desejos e medos dentro desse “mim”.

Percebam que isso é algo que se torna possível quando nós colocamos essa Atenção, esse olhar para esse movimento interno. Apenas o olhar nos mostra isso completamente se revelando, e quando isso tudo se revela, nesta própria revelação, isso se desfaz. Não temos que fazer algo com isso que está sendo visto, não temos que mudar isso que está sendo visto, não temos que coordenar isso que está sendo visto ou percebido.

Esse próprio olhar, esse próprio observar sem escolha, sem esse elemento, que é o "eu", o ego, sem essa cortina de conclusões do que é certo ou errado, é o fim para isso, é o fim para essa condição, que é a condição do “eu”, do ego, porque nesse momento temos presente esse escutar a nós mesmos, esse perceber a nós mesmos, esse estar ciente desse "mim". A ciência disso é o fim para essa condição automática, inconsciente, repetitiva, para esse movimento que, na realidade, é um movimento que já vem do passado, que já vem dessas crenças, conclusões. Ter uma aproximação de si mesmo desta forma não é introspecção, não é autoanálise, não é autodisciplina, é Atenção.

A ciência da Atenção sobre todo o movimento do “eu”, do “mim”, do ego, a ciência dessa cortina de ideias, dessas crenças e conclusões é o fim para tudo isso. Então, essa é a forma da Real aproximação da Verdadeira Meditação, da Real Meditação. Naturalmente, essa Real Meditação é Autoconhecimento.

Assim, aqui temos como propósito essa aproximação; esta aproximação lhe coloca nessa nova visão da Vida, nessa nova visão de Ser, nessa nova visão do mundo, do outro, numa Real visão da Verdade deste Ser que somos. Então, a Verdade da Atenção sobre esse movimento do "eu" é o fim para esse movimento; isso é Autoconhecimento, isso é a Verdade da Real Meditação – compreendendo que aqui Meditação e Autoconhecimento são palavras com um significado bem peculiar.

Dezembro de 2023
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terça-feira, 2 de janeiro de 2024

Ação egocêntrica. Autoconhecimento: ação livre do ego. Como o pensamento funciona? Verdade da ação.

Aqui nesse trabalho nós estamos lhe convidando para uma ação de uma qualidade, de uma natureza e de uma realidade diferente de tudo o que nós conhecemos. Em geral, nossas ações são ações que estão ocorrendo, acontecendo centradas nesse “eu”, nesse ego. Esse tipo de ação em nossas vidas está produzindo contradições, problemas, dilemas, dificuldades e conflitos. Se o seu interesse aqui é descobrir a Verdade da ação, o que implica em uma ação livre do “eu”, do ego, nós precisamos investigar isso.

É muito comum essa procura ou busca das pessoas por Deus. Assim, há uma busca por Deus, uma procura pela Verdade, mas as pessoas não compreendem que a Verdade se encontra neste instante, neste momento. Sem uma ação livre do ego, não há uma Revelação da Verdade. O ponto aqui é investigarmos qual é a natureza Real, qual é a estrutura verdadeira dessa ação de cada um de nós, uma ação que não produza mais sofrimento, que não produza mais conflito, uma ação livre e, portanto, livre do ego. O que é essa ação?

Aqui nós estamos colocando para você a importância de uma ação livre. A ação livre do ego é a ação livre da intenção, da motivação, da proposta dos conceitos, das ideias, dos motivos pessoais. Será que essa ação é possível? Ou será que estamos condenados a uma vida de ação sempre presa dentro desse padrão de egocentrismo – o que representa, na verdade, uma vida de mera atividade egoica?

Então, nós aqui estamos lhe convidando, apontando para você, sinalizando para você a Verdade da Revelação d’Aquilo que nós somos, da Revelação do nosso próprio Ser. Este Ser se revela na ação, na ação livre das ideias. Repare como é importante essa investigação aqui, observe como é interessante nós estudarmos essa questão da ação. Toda a nossa ação nasce de um objetivo, de um propósito, nós temos um alvo. Primeiro nós temos uma ideia, temos um objetivo, um propósito, uma intenção, e tomamos a ação. Essa ação que nasce da ideia, desse propósito é a ação que nós conhecemos. Essa ação é a ação egocêntrica, é a ação centrada no “eu”.

E por que isso é muito importante nós investigarmos aqui juntos? Porque sua vida é uma vida que está assentada na ação. Tudo na nossa vida são ações. Nós estamos tomando ações a todo o momento. As ações não estão apenas no comportamento físico de cada um de nós, como também nas intenções internas. Ideias são ações. O movimento de pensamento em nós é um movimento de ação. Ler aqui é uma ação, a gesticulação é uma ação, ouvir é uma ação. Tudo em nossas vidas consiste em ações: ações acontecendo, ações se realizando, ações sendo tomadas.

Aqui o ponto é que quando essas ações nascem das ideias, elas já carregam a semente do conflito, do dilema, do problema, da dificuldade. Nós não percebemos que nossas ações precisam ser tomadas a partir desse espaço, que é o espaço da verdadeira Inteligência em nós. Esse espaço de Real Inteligência, de verdadeira Inteligência em nós é o espaço do Silêncio. Esse Silêncio é a Verdade da Compreensão. Quando há Compreensão, existe uma ação acontecendo. Não é uma ação com base nas ideias, mas é uma ação com base na Inteligência. Quando há Inteligência, há Liberdade. Como essa Liberdade é o fruto dessa Compreensão, essa Compreensão nasce desse Silêncio e nesse Silêncio está a Verdade.

Talvez soe um pouco estranho tudo isso, porque as ações que nós conhecemos são ações centradas no pensamento, portanto, ações centradas nas ideias, na motivação. Nossas ações nascem do desejo, nascem, também, como um impulso para fugirmos de alguma coisa, o que representa medo. Portanto, as ações em nós vêm do desejo, elas vêm do medo, elas têm origem num propósito meramente pessoal de ideias, de conceitos pré-formados, preestabelecidos em nós.

O ponto aqui é que nós não investigamos a natureza do pensamento. Esse pensamento em nós nos limita a uma condição de ação controlada pelo desejo, pelo medo, por nossos motivos e razões pessoais; essas razões pessoais são egocêntricas. Assim, a nossa ação que tem por base a ideia, o pensamento, é uma ação limitada e, portanto, conflituosa.

Notem, nós não sabemos o que é o pensamento. Não percebemos a limitação que implica esse modelo de ação, então, nós não sabemos também o que é essa ação e o quanto esse pensamento está limitando essa ação. Nós temos, em geral, algumas perguntas do tipo: “Como agir sob pressão?” ou “Como fazer a coisa certa?” Por que há essa preocupação? Nós temos essa preocupação porque sentimos a necessidade urgente de tomarmos ações com Inteligência, com Verdade, com Sabedoria. Então, vamos com calma olhar para isso aqui.

Aqui nós estamos investigando a Verdade sobre quem nós somos e o que representa uma ação, portanto, livre da ilusão desse centro que é o ego, que é o “eu”, esse pensador como nós acreditamos ser, esse fazedor das ações como nós acreditamos ser. A Compreensão da Verdade sobre nós mesmos, essa aproximação daquilo que se passa dentro de cada um de nós, de como nós funcionamos, de como o pensamento funciona, a clareza sobre o que é o pensamento, sobre como ele funciona e a limitação que ele representa, isso é algo fundamental porque é algo que nos liberta dessa qualidade de ação centrada no ego. Essa ação egocêntrica é aquela que está produzindo problemas, é aquela que jamais irá acertar, é aquela que jamais irá atender ao momento presente.

Vivemos como criaturas ansiosas, estressadas, angustiadas, preocupadas, aflitas, duvidosas, querendo acertar e tomando ações com base no pensamento, sem a compreensão do que é esse pensamento. É evidente que enquanto estivermos agindo nessa ansiedade, nessa angústia, nessa preocupação, enquanto estivermos agindo a partir de uma mente preocupada, ansiosa, estressada, duvidosa, carregada de desejos e medos, nossas ações serão ações que irão produzir exatamente isso, porque elas nascem desse estado interno de confusão. O ponto é que tudo isso está assentado nessa condição psicológica, nesse modelo de programa que aqui eu tenho chamado de condicionamento psicológico, que é esse modelo de pensamento. Então, temos que investigar a natureza do pensamento.

Primeiro, as ideias estão presentes em nós. Essas ideias são o resultado do conhecimento adquirido ao longo dos anos, toda a informação, toda propaganda, todas as ideias presentes em nossos pais, em nossos antepassados, dentro de nossa cultura. O modelo da ação com base no pensamento tem por princípio a experiência. A questão é: o que é essa experiência guardada em nós? É o resultado da memória. Assim, nossas ações são sempre impulsionadas por essas ideias, por esses padrões.

Enquanto não houver Silêncio, Clareza, Compreensão e Liberdade interna, em nossa mente, em nosso coração, enquanto esse cérebro em nós não compreender a Verdade da Quietude, do Silêncio, enquanto essa compreensão não estiver presente, nós estaremos atendendo a este instante, a este momento, a esta ação com base nessa experiência – nessa experiência passada. Nesse experimentador está essa experiência passada.

Qual é a verdade desse experimentador? Qual é a verdade desse “eu” que “sou”, desse “mim”? Qual é a verdade sobre esse pensador? Nossas ações estão nascendo desse pensador. A pergunta aqui é: o que é esse pensador que pensa e toma ações?

Observe que o que nós temos presente, sempre, é o pensamento surgindo. Há um propósito, há um motivo, há uma intenção com relação a esse pensamento e, com base nessa intenção, surge essa ação. Então, notem, há um intervalo entre esse pensador e essa ação, e esse intervalo é esse propósito. Então, essa ação é uma ação centrada no “eu”, uma ação particular. Tudo isso pode parecer muito razoável. Do ponto de vista técnico, nós precisamos do conhecimento, da informação, no entanto, essa elaboração do pensamento é algo muito natural.

O cérebro tem o registro do conhecimento, da experiência e de como agir. Por exemplo, para dirigir um carro o conhecimento se faz necessário, a experiência se faz necessária, a elaboração do pensamento se faz necessário, mas isso ocorre de uma forma muito natural. Então, essa informação técnica, esse conhecimento técnico, essa experiência técnica, essa memória técnica é algo importante. Então, a ação ocorre de uma forma muito natural. Dirigir um carro não requer a presença do sentido de uma identidade que se separa da própria experiência, como ocorre no caso desse ego.

O sentido do ego presente é aquele que está em uma ação com base no pensamento, também com base numa informação passada, com base numa experiência passada, mas agindo a partir desse sentido de dualidade. Por exemplo, nesse contato com você, eu estou vendo você a partir de uma ideia que faço sobre quem você é. Assim, a minha ação nasce a partir dessa ilusória separação, dessa psicológica separação; isso está assentado no pensamento, numa imagem: a imagem que eu tenho sobre você, a imagem que você tem sobre mim. Assim, nossas relações estão acontecendo em razão dessas ações ocorrendo, mas são ações centradas no ego, são ações egocêntricas.

Assim, a nossa vida nesse modelo de ação, que é a ação a partir deste ego, desse centro, desse “eu” se separando do outro, se separando da vida, se separando das situações é uma ação autocentrada, egocentrada. Assim sendo, não há Verdade Divina, não há Verdade de Deus, não há Inteligência, não há Sabedoria, não há Compreensão. Nós usamos expressões como “amor”, “paz” “liberdade”, “felicidade”.

Há uma urgente necessidade, sim, de Felicidade, de Paz, de Amor em nossas relações e, portanto, em nossas ações, e isso é algo que se torna impossível quando essa ação não nasce dessa Compreensão, não nasce dessa Inteligência, não nasce dessa Verdade do Silêncio. Quando está nascendo desse ego, temos uma ação que tem por princípio a ideia, o plano e depois a ação, então há sempre o autor da ação presente, o fazedor, que é o ego, o “eu”.

O nosso trabalho aqui consiste em irmos além desse ego, além desse “eu” e, portanto, além dessa ação egocêntrica; a ação livre do pensador, livre do experimentador, livre desse sentido de um “eu” com todas as imagens que ele tem sobre quem é o outro, sobre o que é a vida, sobre quem ele mesmo é. Reparem como é interessante isso: toda a ideia que você tem sobre você é uma imagem, que você tem sobre o outro é uma imagem, que você tem sobre a vida é uma imagem, que você tem sobre as situações são imagens criadas e sustentadas pelo pensamento.

A vida consiste de ações acontecendo, elas acontecem quando o sentido do “eu”, do ego não está, dentro de um novo modo de agir, de se mover, de falar, de sentir, de lidar com o outro, de lidar com nós mesmos, sem esse centro que é o “eu”, o ego. Esta é a ação da Verdade. Com base na Revelação do Autoconhecimento, da ciência da Verdade do seu Ser, Algo novo surge. Esse Algo novo é ação livre do ego. É isso que alguns chamam de Realização de Deus, Iluminação Espiritual, a Compreensão da Verdade Divina.

Dezembro de 2023
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quinta-feira, 28 de dezembro de 2023

A Verdade do Autoconhecimento e a ação livre do ego | Condicionamento psicológico | A ação livre

As questões da vida. É necessário que você compreenda que essas questões da vida são questões que ainda se mantêm como questões porque nós não temos uma visão, uma compreensão direta da Verdade sobre quem nós somos. O propósito aqui é investigar isso. Assim sendo, aqui não será aqui apresentado para você uma simples, teórica, conceitual, intelectual resposta para essas questões. Nós estamos juntos para investigar, para explorar isso, para estudar isso. Não podemos estudar isso com alguém, não podemos estudar isso em livros.

Só há uma forma de nos aproximarmos da Verdade da Sabedoria, da Verdade dessa clareza de percepção de Realidade, de visão integral da Vida: é pelo Autoconhecimento. Apenas quando há uma aproximação da Verdade sobre quem você é é que isso se torna possível, e essa é uma descoberta que você faz. A compreensão de si mesmo, que tem por princípio o Autoconhecimento, que tem por base o Autoconhecimento, é a base Real para a Sabedoria, para a solução final dessas questões da vida.

Nós temos inúmeras questões. Uma dessas questões é a questão da ação livre. Nós precisamos descobrir o que é uma ação que represente, de fato, para as nossas vidas uma ação livre, inteligente, uma ação onde haja essa Presença, essa Ciência, essa Realidade Divina. Apenas quando temos a ciência da Realidade de Deus na ação, temos a Verdade da Inteligência, temos a Real Inteligência, então se torna possível uma vida livre de contradições, de dilemas, de conflitos, de problemas.

Reparem que é muito comum essa tentativa nossa de acertar. Nós estamos tentando acertar, então nós temos perguntas do tipo: “Como fazer a coisa certa?” Ou: “Como agir sob pressão?” A nossa tentativa é de atender à vida, de atender a esse momento presente com uma ação que não produza sofrimento, uma ação que produza, de fato, resultados. Mas nós precisamos investigar claramente essa questão da ação.

O que é a ação livre? O que é a ação inteligente? O que é a ação verdadeira? O que eu tenho dito aqui é que nossas ações não são ações reais, elas são ações falseadas pelo pensamento. Assim, quando nós temos ações que são impulsionadas pelo pensamento, nós temos ações conflituosas. Nossas ações são, basicamente, egocêntricas porque são ações que se baseiam no pensamento. Haverá uma outra qualidade de ação, que não se baseia no pensamento?

Nossas ações têm sempre por detrás delas uma motivação, uma intenção, um desejo, um medo, uma apreensão. Há sempre o sentido de um "eu" presente em um movimento autocentrado, autointeresseiro, que se move com base no medo, com base no desejo, com base em escolhas. Tudo isso algo determinado pelo pensamento. Então, nós temos primeiro o pensamento, temos esse objetivo, que está centrado no próprio "eu", e depois temos a ação. Essa é a qualidade de ação que nós conhecemos, a ação centrada no pensamento, baseada no pensamento.

Então, temos que investigar a natureza desse que age, desse que se move, desse que está sendo o fazedor das coisas, que é o "eu", o ego. A “pessoa”, como nós nos vemos, é aquela que está se movendo no mundo a partir do pensamento. A vida está a todo momento nos trazendo situações novas, novos desafios. Tudo na vida se constitui num movimento; esse movimento é a ação. Não há como, nessa vida, estarmos livres da ação.

A todo momento nós estamos dentro de um movimento; esse movimento é a ação. O falar é uma ação, o gesticular é uma ação. Da manhã até à noite, desde que você sai da cama até a hora de dormir, você está sempre no movimento, e esse movimento é ação. Então, a todo momento nós estamos atendendo às solicitações da vida, na vida. A vida é esse desafio. A questão é como estamos atendendo a isso.

O que tenho dito aqui – e você pode investigar isso, não apenas ficar nessas palavras concordando ou tendo uma inclinação para ler e discordar – é que nossas ações são egocêntricas, e por serem egocêntricas, por estarem centradas em uma identidade egoica que se vê separada do outro, da vida, das situações, nossa relação com tudo isso é uma relação de separação, de dualidade. E onde há separação, onde há dualidade, nessa noção "eu e o mundo", "eu e o outro", “eu e essa ou aquela situação", há, naturalmente, conflito, sofrimento, desejo, medo, autointeresse.

A nossa vida no ego é uma vida nesse princípio de separação, dentro dessa dualidade. Nesta dualidade, nessa separação, há conflito. Assim, nossas ações são ações centradas no "eu", no ego. Aqui, nós precisamos investigar a natureza desse ego, desse "eu". O que é o “eu”? Quem sou eu? Então, qual é a verdade desse “eu”?

Observe que esse “eu”, esse sentido do “eu” é um conjunto de lembranças, memórias, imagens. Se eu lhe perguntar: quem é você? Você vai dizer o seu nome e contar a sua história. Nós estamos identificados com a história que trazemos e com o nome que nós conhecemos a respeito de quem somos, porque nos identificamos com essa história, com esse corpo, com essa mente. Então, essa é a descrição desse “eu”.

Esse “eu”, portanto, é um conjunto de lembranças, imagens, recordações, memórias, história – a história da família, a história da sociedade, a história do mundo. Tudo isso faz parte desse “eu”. A educação que recebemos, a religião onde fomos criados, o sistema político onde fomos educados. A sociedade nos educou, a cultura nos deu essa formação, e tudo isso é hoje parte desse movimento interno de memórias, de lembranças, de recordações, algo guardado nesse cérebro. Então, nós vivemos como uma entidade presente no mundo com um cérebro condicionado, numa vida já programada fisicamente, psicologicamente.

Assim, nossa atuação no mundo, nossa atuação na ação, na relação com o outro, com nós mesmos, com objetos, com situações são ações programadas pelo pensamento; esse movimento é o movimento do "eu", do ego. Será essa a Verdade sobre quem realmente somos? Isso é o que realmente apresentamos ser, o que demonstramos ser, o que parecemos ser, o que a sociedade, a cultura, o mundo, a família, a história humana nos faz ser. Haverá alguma coisa além disso?

Enquanto nós não descobrirmos a Real Verdade desse Ser que trazemos, nossas ações serão ações centradas no "eu", no ego, nessa “pessoa”. O ego é essa ignorância, a pessoa é essa ignorância. Esse "eu" vive nessa ignorância, com base num condicionamento psicológico, se movendo no mundo e agindo. Nós estamos criando problemas, vivendo com sofrimento, vivendo em problemas, produzindo problemas. Olhe para a situação do mundo, o caos em que nós nos encontramos, porque, na realidade, esse mundo externo é só uma expressão externa de nossa confusão interna.

Vivemos, psicologicamente, nesse "eu", nesse ego presos à inveja, ciúmes, conflitos; há essa contradição entre os desejos dentro de cada um de nós, e isso se reflete nessa relação também com o outro. O estado psicológico do ser humano é de confusão, é de desordem, é de sofrimento, estresse, ansiedade, depressão, angústia, a dor da solidão, esse egocentrismo sendo expresso em atividades egocêntricas a cada momento.

Então, a nossa forma de atender a esse desafio, que é a Vida acontecendo nesse instante, com base nesse pensamento, nesse modelo que vem do passado, nesse condicionamento que é o resultado de toda essa cultura, algo que vem do passado, uma ação desse tipo está criando confusão para nós, para o outro, no mundo. Aqui nós estamos descobrindo a arte de Ser Consciência, esse é o nosso trabalho com você. Estamos trabalhando com você o Despertar desse Ser Real que somos, que é o Despertar da Real Consciência.

Nós conhecemos essa consciência comum. Temos falado muito disso aqui , da diferença entre essa consciência como nós nos vemos, como nós nos conhecemos, centrados dentro dessa mente condicionada, e de uma Realidade além disso: é essa Real Consciência. E nós estamos trabalhando com você aqui o Despertar dessa Real Consciência, desse Ser Real que somos. Alguns chamam isso de o Despertar Espiritual, a Iluminação Espiritual; é a ciência do seu Ser se revelando.

A verdadeira ação é a ação da Inteligência, que nasce dessa visão da Realidade. Não há qualquer separação nesta ação. Nossa ação, quando nasce do pensamento, está carregada de uma intenção egoica. Há uma qualidade de ação livre desse pensamento condicionado, dessa mente condicionada, e esse é o assunto nosso aqui: lhe mostrar que, sim, é possível uma ação livre desse condicionamento psicológico.

Temos que investigar a natureza desse "eu", desse experimentador, desse que cultiva esse modelo de pensamento condicionado, então podemos ir além do pensamento, então o pensamento cessa, essa condição psicológica, condicionada de ser desaparece. Algo novo surge para uma vida em Amor, em Felicidade, dentro dessa ciência de Deus, dessa ciência da Verdade.

Nós aqui estamos aprofundando isso com você, explorando isso com você, lhe mostrando a possibilidade de, nesta vida, assumir a Realidade que você nasceu para assumir, que é a Realidade desse Ser, que é a Realidade de Deus, que é a Realidade de sua Natureza Essencial, de sua Natureza Divina.

Dezembro de 2023
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terça-feira, 26 de dezembro de 2023

Vida Divina | Iluminação Espiritual: uma questão da vida | A morte e o Estado de Turiya

Como questão da vida nós temos presente a questão da morte. Vamos trabalhar com você aqui essa questão, a questão da vida e da morte. Será que existe uma linha de demarcação, será que existe uma fronteira entre essa, assim conhecida, “vida” de todos nós e essa “morte”?

Tudo o que nós temos como vida – observe isso de perto e você verá – é a continuidade da memória. Aquilo que nós chamamos de vida é a continuidade do nosso nome, da nossa história, dos nossos móveis, dos nossos imóveis, das pessoas com quem nós nos relacionamos, a história que conhecemos delas, a história que conhecemos sobre quem somos.

Então, aquilo que nós temos chamado de vida consiste em ganhar, perder, obter, acumular, buscar mais, a procura da satisfação, da paz, da felicidade, tudo isso nós chamamos de vida. Estamos diante da continuidade da memória. Assim, aquilo que nós chamamos de vida, que nós consideramos vida é, simplesmente, a continuidade dessa “pessoa”, dessa entidade que acreditamos ser. Assim, tudo o que nós temos dentro dessa memória, dessa continuidade é a continuidade do “eu”, do ego. É isso que nós chamamos de vida.

Quando nos deparamos com o fim disso nessa, assim chamada, “morte”, nós criamos uma separação. Já percebemos que nessa conhecida morte nós temos o fim para essa memória, temos o fim para essa continuidade, e isso nos causa medo. Então, para nós a morte é, na verdade, o desconhecido.

Nós não sabemos o que, na verdade, é a morte. Em razão desse medo de perder essa continuidade, de perder esse conhecido, nós temos criado crenças. As crenças religiosas nos dão conforto, nos dão consolo, nos mostram a possibilidade da continuidade, da continuidade exatamente dessa memória nessa, assim conhecida, “pós-morte”.

Então, o que nós temos aqui? Uma ponte, ou procuramos criar uma ponte entre esse nosso conhecido, que é a história, a memória, a continuidade do “eu”, do ego com aquela outra coisa desconhecida chamada morte. Assim, nós projetamos nesse “pós-morte” a continuidade desse “eu”. É isso que nas religiões nós temos como a questão do “pós-morte". Então, nós temos a ressurreição, temos a reencarnação, temos céu, temos inferno. Nós ficamos para escolher ou para ver o que mais convém para nós em termos de aceitação no que acreditar. Tudo isso fazemos porque, na verdade, nós temos “medo”, o medo do fim dessa continuidade.

Então, na verdade, não sabemos o que é a vida sem a continuidade do ego, e não sabemos o que é essa, assim chamada, “morte” sem essa continuidade do ego. Assim, nós projetamos um ideal de futuro nessa coisa chamada “pós-morte” para isso que está aqui, agora, nesse momento, dentro dessa continuidade. Então, nós temos no “pós-morte” a continuidade dessa, assim conhecida, “vida”. Será que isso tem realidade? Ou essa realidade ainda está dentro do conhecido?

É isso que temos dito aqui para você. Estamos investigando esse assunto aqui com você. Nós estamos aqui interessados na compreensão do que representa o fim do conhecido, portanto, o fim do ego, dessa, assim chamada, “continuidade”, que é a continuidade de vida do “eu”, do ego. Então, o que ocorre com o ser humano é que ele não está interessado em investigar a natureza da Verdade da vida, o que significa a Realidade de uma vida livre do conhecido. Ele se mantém dentro desse modelo do conhecido nessa, assim chamada, “vida”, e projetando esse conhecido para essa, assim chamada, “morte”. Então, nós temos essa, assim conhecida, “vida” no presente e essa projeção desta vida em sua continuidade no futuro, nessa chamada “morte”.

A pergunta aqui é: será que podemos descobrir a Verdade da vida livre dessa continuidade do “eu”, do ego, com seus medos, desejos, apegos, bens materiais, relacionamentos com pessoas? Podemos descobrir a Verdade do fim dessa continuidade da memória? Eu me refiro a essa memória psicológica, isso aqui em nós que sustenta essa entidade, que é “eu”, o ego, que mantém essa continuidade do “eu”, do ego. Esse ego vive no medo, e o medo dele é perder o que ele conhece. Então, é muito interessante tudo isso.

A questão do medo da morte, que tem criado essas projeções da continuidade, é uma projeção do ego. É a busca desse ego dentro dessa continuidade em se encontrar no futuro com tudo o que ele já conhece, seus entes queridos, uma vida melhor. Essa “vida melhor” está dentro da continuidade daquilo que já se conhece. Tudo o que se pode descrever no “pós-morte” está dentro do conhecido, então se trata de uma continuidade do ego, se trata de uma continuidade de uma vida ainda presa à condição do passado, do tempo.

Haverá uma Real Vida fora da continuidade do “eu”, fora da continuidade desse tempo psicológico, dessa busca de segurança psicológica em projetos do futuro do “pós-morte”, em ideais, em crenças? O trabalho do Despertar da Consciência, da Revelação do seu Ser é o contato com a vida, com a morte. Mas morte é vida, vida é morte, não há qualquer transição, não há qualquer mudança, porque não estamos tratando aqui, agora, de algo que está dentro do tempo.

A Realidade deste Ser que somos não nasceu, não está vivendo no tempo e não irá morrer. A ciência do Despertar da Verdade, do Despertar da Consciência, da Verdadeira Iluminação Espiritual é o fim da continuidade do “eu”, do ego, portanto, é o fim da continuidade dessa, assim chamada, “vida” e dessa, assim chamada, “morte”.

A pergunta aqui é: podemos entrar em contato com a beleza da morte agora, aqui? A morte como o fim da continuidade de tudo aquilo que conhecemos. Morrer nesse instante para nossos desejos, medos, apegos, experiência com objetos, com pessoas, nossas fixações nos relacionamentos de prazer e de dor, relacionamento com objetos, numa relação também com lugares, num relacionamento também com pessoas.

O fim da ilusão da pessoa, do “eu”, do ego aqui é o fim da pessoa desse “eu”, desse ego aí. Então, estamos diante de Algo desconhecido. Esse Desconhecido é a Verdade da morte. Então, a Realidade do Desconhecido, a Realidade da morte pode ser compreendida agora, aqui, quando não há mais essa continuidade para esse conhecido, que é o “eu”, o ego.

Esse é o nosso assunto aqui com você. Estamos investigando a Natureza da Verdade desse Ser que está fora dessa conhecida vida e dessa projetada, idealizada morte ou “pós-morte”. A Verdade Divina, a Verdade que somos, a Verdade de uma vida livre do ego é a Verdade dessa morte do tempo psicológico, desse tempo que sustenta essa continuidade. Compreendam isso aqui. Toda essa continuidade do ego está nesse movimento desse tempo psicológico, uma idealização do pensamento, algo assentado na memória.

Repare que tudo aquilo que você conhece está dentro da memória. Tudo isso faz parte dessa consciência, que é a consciência do “eu”. Não há qualquer consciência sem memória. Você não pode ter consciência daquilo que é desconhecido. A referência da consciência é a relação da ciência do conhecido. Você tem ciência do que conhece. Você pode imaginar o desconhecido; essa imaginação do desconhecido é o conhecido ainda sendo projetado, então, não se trata do desconhecido, mas de uma ideia ainda, de um pensamento, de uma projeção do próprio pensamento. Reparem como é fascinante a compreensão clara disso aqui.

Nossa esperança é algo dentro do conhecido, é parte daquilo que o pensamento constrói. Se aqui estamos tratando da Realidade Divina, da Realidade de Deus, da Real Vida, não podemos estar sinalizando Ela ou marcando Ela com as marcas do conhecido. A Real Vida não tem o sinete ou selo do conhecido. O convite para a Realização do seu Ser é para a Verdadeira Vida. A Verdadeira Vida está presente quando o “eu” não está, quando o conhecido desaparece, quando existe a morte para tudo isso.

Assim, a coisa mais importante na vida é descobrir a beleza de morrer psicologicamente. A grande beleza na vida consiste em morrer a cada instante para o passado, para o tempo psicológico, para o movimento da mente, para esse movimento que é a ação da continuidade. Nossas ações egocêntricas se processam nesse movimento da continuidade do “eu”. Apenas quando o ego em seu movimento dentro do conhecido não está mais presente é que essa Real Vida Divina, essa Verdadeira Vida Real se revela, então, não há nenhuma separação aqui, nesse instante entre esse contato com a Realidade do fim do “eu”, do ego, dessa continuidade e a própria Vida.

Esse encontro com a Realidade de Deus é o encontro com a Realidade que está além do conhecido. Então, as expressões “vida” e “morte” desaparecem. A noção desse “estar vivo” ou desse “estar morto” não está mais presente para aquilo que aqui é Real e que está além de tudo aquilo que é conhecido, e de tudo aquilo que o pensamento também projeta, ainda, para o desconhecido, o que ainda é parte do movimento dele, o que ainda é parte do movimento do conhecido.

Há uma Realidade Divina presente quando o seu Ser, que é a Verdade de Deus, se revela, e isso é o fim para todo o conhecido. Então, esse é o fim para a morte, assim como é o fim para essa conhecida vida, assentada, psicologicamente, no pensamento, na memória. Percebam a beleza do que estamos colocando aqui para você. A Verdade do Samadhi é a Verdade dessa Realidade Divina. Os Sábios na Índia têm uma expressão para essa Realidade fora do conhecido, fora daquilo que o pensamento projeta como vida e morte, é Você em seu Estado Divino, em seu Estado Natural, que é o Estado de Turiya.

O Estado de Turiya é o Natural Estado de Ser Pura Consciência, além de vigília, sonho e sono profundo, além de nascimento e morte. O seu Natural Estado de Ser é o verdadeiro Estado de Pura Consciência, de Pura Presença. Então, isso é o fim para o conhecido, isso é o fim para todo esse movimento do ego, do “eu”. Não é a inabilidade de lidar com o sonho. Neste sonho, tudo ainda continua presente: relacionamento, família, casa, móveis, imóveis, mas não há mais essa ilusão de uma identidade presente, que é o “eu”, o ego tendo essa continuidade.

Dezembro de 2023
Gravatá/PE
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quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

Ação livre do ego | A Verdade do Autoconhecimento | Real Atenção Plena | Condicionamento psicológico

Nós vamos trabalhar com você aqui a questão da ação. Temos aqui um assunto muito importante para investigarmos juntos: a origem da ação. O que são nossas ações? De onde elas procedem? Por que temos a intenção de acertar fazendo a coisa certa?

Nós também perguntamos: como agir sob pressão ou como agir com calma? Essas perguntas nós fazemos porque temos a intenção de acertar. Vejam como é importante essa questão da ação. O que são nossas ações? Por que, apesar disso, nós não temos uma ação completa?

Aqui eu me refiro a uma ação que seja, de verdade, harmoniosa, feliz, inteligente. O que ocorre conosco no que diz respeito à ação? Nós queremos acertar, e muitas das vezes percebemos que nossas ações trazem exatamente os frutos que nós não esperávamos, nos deparamos com os resultados que nós não aguardávamos.

Por que não temos uma ação sábia, uma real ação, uma inteligente ação? Esse é o nosso assunto aqui com você. A resposta para isso é porque nossas ações – observem – ou nascem do desejo – o desejo de alcançar, de realizar, de obter, de fazer, de conquistar – ou nascem do impulso, da sugestão, da implicação da presença do medo. Então, nós temos tanto o medo, como o desejo.

Em geral, não percebemos que somos impulsionados também pelo medo para uma linha de comportamento, de conduta, de ação. É natural que nossas ações, quando nascem desse medo – o medo de não conseguir, de não obter ou pelo medo para se livrar, para rechaçar uma determinada coisa –, quando elas têm por princípio o desejo e o medo, nós temos presente a ação que tem por princípio um elemento, esse elemento é o "eu", o ego.

Como surgem nossas ações? Surgem os pensamentos, esses pensamentos estão assentados em nós com base em lembranças, recordações, imagens guardadas, memórias. Então, essas memórias, lembranças, recordações são os pensamentos; esses pensamentos nos impulsionam, pelo desejo ou pelo medo, a tomarmos ações. Essas ações são ações egocêntricas. Assim, nossas ações são meras atividades egoicas, meras atividades egocêntricas. Essas ações não são completas, não são íntegras, não são verdadeiras. O ponto é que não há inteligência nesse tipo de ação.

A verdade de nossas ações é que noventa e nove por cento delas são impulsionadas por esse modelo, que é o pensamento. Pode não estar tão clara essa questão do desejo por detrás da ação ou o medo por detrás da ação, mas, notem, há sempre uma intenção, uma motivação, uma emoção, um sentimento, uma sensação nos impulsionando à ação. E de onde isso provém? Qual é a natureza disso?

Reparem, a natureza sempre é do experimentador, daquele em nós que está vivendo com base em lembranças. Essa é a vida da “pessoa”, essa é a vida do "eu" em cada um de nós. Aquilo que somos, aquilo que apresentamos ser, aquilo que demonstramos ser é a base do nosso comportamento, e isso é, basicamente, pensamento, memória, lembranças, experiências.

Então, o que são nossas ações? São ações centradas no ego. Esse modelo de atividade egoica, de ação egocêntrica vem sendo o nosso comportamento. A humanidade, ao longo de todos esses séculos, está vivendo assim. Nós aprendemos isso, nós temos isso como uma herança. Nós carregamos esse comportamento em razão de nossa cultura. Nossas ações são ações centradas no "eu".

A pergunta é: o que é esse "eu", o que é esse ego? Condicionamento. Um padrão de ação, de pensamento, de sentimento, de emoção, desejo, medo, que é o resultado de uma cultura humana, de uma sociedade, de um mundo que recebemos por herança. Nós estamos aqui apenas dando continuidade às velhas ações, aos velhos comportamentos, a esse velho modelo de existência dos nossos pais, avós, bisavós, das gerações que chegaram aqui antes de nós.

Então, o que estamos investigando aqui com você? Nós estamos, primeiro, nos tornando cientes disso. Precisamos nos tornar plenamente cientes da confusão em que nós nos encontramos fisicamente, emocionalmente, psicologicamente. Aqui a confusão é o resultado de um programa de condicionamento, esse modelo programado onde há essa forma de sentir, de pensar e de agir dentro desse condicionamento psicológico, emocional e físico. Esse tem sido o nosso padrão, esse tem sido o nosso condicionamento.

Haverá uma outra forma de atuarmos no mundo? O ponto é que, enquanto houver a presença desse "eu", desse ego – o que representa todo esse condicionamento humano em nós –, tudo continuará da mesma forma. Nossa ênfase aqui está em estudarmos a nós mesmos, irmos além dessa condição, que é a condição do ego. Esse ego é esse elemento em nós que nos separa, nos divide, que sustenta sempre a separação, que está sempre se movendo dentro de um padrão comum a todos.

Nossas ações são ações conflituosas, são ações egocêntricas, que produzem sofrimento, desordem, confusão, porque são ações egoístas. Será possível uma vida neste mundo livre desse ego? Então teremos uma nova qualidade de ação, totalmente diferente da ação que nós conhecemos.

Não é possível viver a vida isolado, separado. A nossa vida é uma vida, sim, de relações. Estamos sempre em relação com o outro, relação com as próprias ideias particulares, relação com os pensamentos, com os sentimentos, com as emoções. Estamos sempre em relação com objetos, com situações, com circunstâncias surgindo. É impossível uma vida isolada, sem uma relação, sem essas relações. E a presença dessas relações implica a presença da ação. Então, não há como escaparmos das ações; elas irão ser tomadas, elas acontecerão, elas surgirão em meio a essas relações.

Assim, se não compreendermos a verdade de nossas ações, o que requer a compreensão das nossas relações, o que requer a visão da verdade desse "eu" que está em contato com tudo isso, não haverá a Verdade em nossas vidas, e sem a presença da Verdade, não pode haver Paz, Liberdade, Amor. Então, vejam como é delicado tudo isso.

Nós estamos na vida, e a vida implica em relações, em ações, a cada momento nós nos deparamos com uma nova situação. Reparem como é intrigante isso: a cada instante este instante é um novo momento, ele tem uma nova representação, o que implica a presença de um novo desafio.

A forma como atendemos a esse desafio, a forma como atendemos a essa relação representa a qualidade de ação acontecendo. Se esta ação nasce do desejo, do medo, do motivo, da intenção, da ideia, do plano, do propósito, do sentimento, da emoção, ela está nascendo desse centro que é o "eu", o ego. Talvez você diga: “Mas como é possível uma ação diferente dessa?” Uma ação diferente dessa é uma ação livre do ego, portanto, é uma ação livre desse centro que é o "eu".

Qual é a verdade desse “eu”? A verdade desse “eu” é que este “eu” é um condicionamento, é uma forma de lidar com o outro na relação e, portanto, com o outro na vida. Então, o que temos aqui é uma forma de sentir, de perceber e de se relacionar com o outro. Isso vem se repetindo em nossos cérebros, porque temos um cérebro condicionado dentro da cultura para sempre repetirmos os mesmos velhos padrões de nossa civilização, de nossa humanidade.

A compreensão do movimento do “eu” é o fim para esse movimento, então nós temos a possibilidade de uma ação de outra ordem, de uma qualidade nova: a ação da Inteligência, dessa Real presença Divina, que é a Verdade desse Ser quando esse “ser” que parecemos ser não está mais presente, é a Verdade de uma ação livre de todas essas complicações criadas pelo pensamento.

O nosso pensamento nos impulsiona à ação. Essa ação está centrada no “eu” por diversas razões, mas quando esse “eu” não está mais presente – quando há o fim para essa dualidade, que é a noção de um “eu” na relação com o outro, com a vida, com nós mesmos, com objetos, com situações – nós temos uma ação Divina, a Verdade da ação livre do ego.

Então, o propósito do Autoconhecimento é a ação livre do ego. Aqui eu me refiro à Verdade do Autoconhecimento, não o que alguns chamam aí fora de “autoconhecimento”. A base para uma vida livre do ego está na compreensão da Verdade do Autoconhecimento e da Real Meditação de uma forma prática.

Então, esse é o nosso trabalho aqui com você. Estamos insistindo nisso, na possibilidade de uma vida sem sofrimento, onde temos a presença do Amor, da Liberdade, da Paz, da Verdade. Alguns chamam isso de o Despertar Espiritual, o Despertar da Consciência, a Realização de Deus. O ponto é que esses nomes não importam, o que realmente importa é compreendermos o que é essa ação.

Uma vez que você tome ciência de como esse “eu”, esse ego funciona, essa Atenção – a simples e direta Atenção sobre esse movimento – é o fim para esse movimento. Não se trata de um esforço, de uma dedicação. O esforço implica a presença de “alguém” no esforço; a dedicação implica a presença de “alguém” na dedicação. Aqui, no entanto, se trata da simples disposição de observar, de se tornar ciente desse "mim", desse "eu". Então temos uma aproximação da Verdade dessa Atenção, dessa Plena Atenção sobre nós mesmos. Essa Atenção Plena, esse olhar é algo extraordinário.

Nessa Real Atenção Plena não há o esforço, não há a autodisciplina, porque o “eu” não está envolvido para traduzir, interpretar ou tentar ajustar aquilo que está sendo constatado, para transformar isto em alguma outra coisa. É necessário compreendermos essa questão do controle, do ajustamento, da autodisciplina. Nada disso é real dentro de uma Atenção onde há simplesmente o interesse Real de olhar, de observar o movimento do “eu”, que se move pelo desejo, pelo medo, pela intenção, pela motivação, pelo pensamento. Então nós temos o fim para essa ação egocêntrica, temos a Revelação da Verdade de Algo além do "eu" aqui e agora.

Assim, aqui estamos apontando esse assunto aqui pra você, a importância de uma vida livre do ego, de uma vida livre de toda forma de sofrimento, uma vida onde haja a presença da ciência da Realidade de Deus, que é esse Ser, Isso é o fim da dualidade. A Realidade d’Isso é aquilo que os Sábios na Índia chamam de Advaita, a Não dualidade, a Não separação.

Novembro de 2023
Gravatá/PE
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