sexta-feira, 14 de setembro de 2018

É preciso descobrir em si mesmo tudo isso

Para esse Despertar, você necessita investigar algumas questões, e é fundamental que cada um de vocês leve muito a sério isto.
Existem perguntas para as quais você terá que ter a resposta, e não basta uma reposta teórica. Se você for a um livro de psicologia e procurar a resposta para a pergunta: “O que é o ego?”, você vai encontrá-la. Se você for a um filósofo ou a um psicólogo e perguntar: “O que é a vida?”, ou, “Qual é o papel do ego na sua vida?”, certamente, eles terão uma resposta para lhe dar. São pessoas instruídas, cultas, que estudaram bastante.
Todos vocês sabem muito, mas não sabem como se livrar dessa “coisa” que faz você resistir à Vida como Ela se apresenta. Isso faz com que você resista para não estar Consciente, Presente. É exatamente isso que o ego faz: ele cria uma resistência a este instante, ao misterioso movimento da Vida, então, ele coloca você como uma entidade que se separa do presente momento. Um psicólogo, um filósofo ou um terapeuta não podem ajudá-lo nesse sentido.
O conhecimento vai ajustá-lo, mas não lhe dará a Liberdade. Tudo que o ego busca é se ajustar, então, o seu movimento é de ajustamento em resistência. Desta forma, não existem respostas suficientes ou a solução final para essas questões: “O que é o ego e qual o seu papel na sua vida?”, “Como ele funciona?”, “Como isso produz essa resistência?”. É aqui que entra Satsang, essa profunda investigação da Realidade, da Verdade, da Natureza do Ser.
Para esse Despertar Real, você precisa descobrir em si mesmo tudo isso. Você vive preso a um movimento de imaginação, de pensamentos, que é o mundo da mente. Não há nenhum problema com o mundo da mente, desde que você saiba que é um mundo ilusório. Quando você confunde esse mundo com a Realidade, você está em um estado de sono, que é confusão, sofrimento, que é a vida estúpida do experimentador, desse falso “eu”. Eu vou repetir isso para você: não existe nada errado no mundo da mente, o problema surge quando você acredita nesse mundo como sendo real.
Os produtores de filmes usam muito o mundo da mente. Quando você assiste a um filme, você está assistindo à produção de uma imaginação. O autor do filme sabe que tudo aquilo é imaginário; ele está no mundo da mente criando entretenimento. Para isso, você precisa da imaginação, e não há nenhum problema com ela. Mas, se os atores daquele filme, ao saírem da gravação, esquecerem que aquilo existia apenas no filme, algo que tinha que parecer muito real, e, assim, levarem para casa os personagens que representaram, eles terão problemas. Se o diretor, produtor e toda sua equipe esquecerem quem realmente são, que tudo aquilo é só uma fantasia, um “faz de conta”, eles terão sérios problemas. É exatamente isso que acontece com você, quando você confunde o mundo da mente, o mundo imaginário do pensamento, com a sua Verdade, a Verdade sobre você. Isso está acontecendo todos os dias para todos.
Quando alguém nasce, todos ficam felizes; quando alguém morre, todos choram; quando seu time de futebol faz gol, você fica muito feliz; quando ele leva um gol, você fica à beira do suicídio, de tanta tristeza e dor. Então, observe isso: basicamente, não há nada errado com o que anda acontecendo na sua vida, só que isso é algo do mundo da mente, do mundo imaginário. É como um filme que Deus está produzindo, onde Ele mesmo é o autor, o diretor, o produtor, o ator, o ator coadjuvante, o vilão, o mocinho... Isso tudo é a assim chamada “sua vida”, mas não é a “sua vida”, é a produção de Deus, o cinema Divino.
Você está levando muito a sério isso, está se confundindo com o personagem que a Existência, a Vida, em sua misteriosa forma, está fazendo acontecer. Você esqueceu quem é você. Acabei de colocar o que, basicamente, significa estar Desperto. Nesse filme Divino, um é o vilão e o outro é o mocinho, um é o santo e o outro o pecador, um é o rico e o outro é o pobre. Não é interessante? Não existe nada de errado com o mundo da mente, porque o mundo da mente é o mundo de Deus - Deus decidiu brincar de cinema. Eu não sei o que vocês têm contra o cinema.
"Você esqueceu quem é você."
Quando você estiver com raiva, um dia, perceba que não há problema nisso. A raiva só é possível porque Deus precisa de um ator com raiva em seu filme, naquele instante, senão ela não seria possível. Olha o que eu estou lhe dizendo: você quer todas as coisas positivas e nenhuma negativa, mas isso é algo estúpido, porque não é possível — não há possibilidade de se escolher nada! A raiva também faz parte do cinema, do filme, então, da próxima vez que você a sentir, fique presente, não leve para o pessoal, deixe a história cair e observe o que acontece com a raiva.
Você não é um bom ator, porque está se embolando com a experiência. A experiência da raiva é belíssima, a ilusão de “alguém” nisso é o problema. Então, você assume características de uma identidade separada que não está vendo o jogo. Não tente se livrar da raiva, não tente se livrar da inveja, do ciúme, do medo, do desejo, porque, quando faz isso, você é como um ator que não está fazendo a coisa direito; quando faz isso, você está em resistência, você quer mudar o que É, e isso, basicamente, é o falso “eu”, é o ego, esse “mim”.
Você não aceita a Vida como Ela é, não A acolhe como se apresenta, e, quando resiste, você não está Presente, não está Consciente. Quando resiste, você está identificado com a experiência, e aí está o sentido pessoal. Diante da alegria, não crie história e, então, não haverá resistência. Sabe o que acontece quando não há história na alegria? Ela não vira euforia. Quando não há história em perdas, isso não se transforma em medo. Quando não há história na raiva, essa mesma Presença se expressa com uma energia de grande Inteligência, sem violência, sem conflito.
Alguns presenciaram Ramana com raiva. Nós temos, no próprio evangelho, Jesus expressando o que chamaríamos de “raiva”. Você se torna, primeiro, consciente daquilo que se apresenta agora, aqui, neste instante, e, simultaneamente, presta atenção naquilo que se passa como história, dentro da sua cabeça, a respeito daquilo que está acontecendo. Esse presente momento revela a totalidade da Consciência. Quando faz isso, você está trabalhando o fim da ego-identidade. Quando está Presente, você está Consciente, mas, quando está perdido no mundo da mente, você está dormindo. Cada momento é riquíssimo de oportunidades para você Acordar, porque ele sempre o desafia a se manter alerta, consciente, desidentificado.
*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite de 13 de Julho de 2018 – Encontros online todas as segundas, quartas e sextas às 22h (exceto em períodos de retiros) – Para informações sobre o app Paltalk e instruções de como participar, clique aqui.

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Como é possível realizar a Verdade?

Este é um extraordinário momento de aproximação de algo inteiramente novo. É importante que você compreenda sobre o que estamos tratando nesses encontros, qual é a grande certeza que aqui nós temos. A certeza é que essa Autorrealização é o real Autoconhecimento. Não se trata de uma experiência pela qual você possa passar, ou de um conhecimento que você possa adquirir um dia. Essa coisa de conhecimento e experiência é uma curiosa combinação para a mente, algo muito fascinante para o ego. Observem bem o que estou dizendo. As pessoas vivem em busca de experiência e conhecimento, mas a Verdade não surge assim. A Sabedoria não nasce do conhecimento, nem da experiência. Todo conhecimento e toda experiência ainda fazem parte da mente, daquilo que é fenomênico, enquanto que a Verdade é o nosso próprio Ser. Ela está nessa luminosidade da própria Consciência, que é, por natureza, atemporal, não faz parte do tempo.
Então, se aqui nesse encontro um de vocês anda muito fascinado pelo estudo, ouvindo ensinamentos e buscando experiências, inclusive experiências espirituais, tenha paciência com o que vou dizer agora, pois pode destruir a sua esperança: isso é completamente inútil! Portanto, se vocês gostam de participar de grupos de estudos de Advaita, ou grupos espirituais de algum tipo, o que dá no mesmo, saibam que isso não vai funcionar. O que eu quero dizer é que isso não serve para nada, apenas para encher, ainda mais, esse velho baú, onde está escrito: “Aqui estão o conhecimento e a experiência”. O nome desse baú é “mente”.
Se você quer encontrar esse baú, permaneça no conhecido, permaneça no tempo. Reparem que é no tempo, no conhecido, que esse baú pode ser encontrado, e o seu conteúdo é a experiência e o conhecimento. No entanto, a Verdade, a Realidade, é totalmente não objetiva, não faz parte do pensamento. Nela não existe nenhum indivíduo, nenhum conhecedor com seu conhecimento, nenhum experimentador com seu experimento. Então, percebam isso: não pode haver Verdade, Realidade, no conhecido, onde existe somente limitação, que é tempo. A Verdade não é o conhecedor, nem o objeto conhecido.
Portanto, Autorrealização não tem nada a ver com experiência e conhecimento. Então, surge a pergunta: “Como é possível realizar a Verdade?” E a resposta é: pela investigação dessa limitação. É necessário investigar a limitação da mente, ver o quanto ela está presa a um estado limitado de experiência e conhecimento. Assim, pela investigação, a mente reconhece a sua própria limitação e para de acumular. Por isso, é importante a busca cessar. Enquanto houver busca, haverá essa ilusão de “alguém” que quer capturar Isso (a Autorrealização) pelo estudo, buscando mais experiência e conhecimento. Isso não funciona.
Por isso, tenho dado ênfase, como todos os Sábios de todos os tempos, à autoinvestigação e à Meditação. Aqui entra um outro elemento, que é uma grande ferramenta: a devoção. A devoção é algo bastante misterioso, um movimento importantíssimo dentro dessa autoinvestigação e um grande facilitador para aquilo que eu tenho considerado como real Meditação.
A Sabedoria não nasce do conhecimento, nem da experiência. Todo conhecimento e toda experiência ainda fazem parte da mente, daquilo que é fenomênico, enquanto que a Verdade é o nosso próprio Ser.
Então, o Despertar, a Iluminação, não é um tópico que pode ser estudado; é algo que é realizado nessa investigação, na constatação do que é Meditação. A devoção, que é voltar-se para Deus, entra como parte disso tudo. Aqui, “Deus” é um nome para essa “Coisa” misteriosa, desconhecida, que está fora da mente; a Realidade que está além de toda experiência e todo conhecimento.
Percebam a importância do que estou dizendo a você aqui. Quando você é capturado pela imaginação da dualidade, pela crença de ser uma entidade separada na experiência deste presente momento, essa ilusão lhe dá uma identidade, a qual se baseia totalmente no conhecimento e na experiência. Assim, essa “entidade” retira de dentro daquele baú, do qual falei há pouco, tudo aquilo que ela precisa para existir.
Quando você vai a um guru e ele lhe oferece mais conhecimento e, ainda, fomenta a busca de mais experiências, ele só pode fazer isso porque ainda está “dentro desse baú”. Portanto, esse guru é uma fraude e não vai funcionar. A não ser que o guru esteja além da mente, ele não irá funcionar. A não ser que o guru esteja compartilhando com você algo além de palavras, experiências e conhecimentos, ele não vai funcionar, porque ainda se encontra na ilusão ‒ ele não é um Satguru.
A palavra “Sat” é Realidade, Verdade, e a palavra “guru” significa “Aquele que dissipa a ilusão”, “Aquele que traz clareza, a claridade, a luz”. Nesse sentido, você precisa da Verdade, da Realidade. Deus é a sua Real necessidade e esse é o verdadeiro Ser. Então, o real Guru é essa Consciência, essa Verdade presente, além da mente, ou seja, além do conhecimento e da experiência, além do conhecido. É nesse sentido que o Guru não precisa ter uma forma humana, mas precisa ser Real. Se o Guru for real, ele é um Satguru, quer esteja na forma humana ou não. Então, se ele não é o Ser na forma de Guru, se é apenas algo ou alguém dentro do tempo, que é a própria mente, não irá funcionar, porque ele se encontra “dentro do baú”, ainda.
Pois, é... Eu sei que isso é desanimador. A pergunta é: para quem é o conhecimento e para quem é a ignorância? Quem é aquele que poderia se destacar e dizer “eu sei e vou lhe ensinar”? Mas, aqui, quem é o conhecedor e quem é o ignorante? Claro que isso ainda faz parte da ilusão, do ego. Então, o Guru real jamais vai lhe ensinar algo, dar a você uma nova experiência ou incentivá-lo a ter mais “profundas experiências”. O real Guru é aquele que está além da ideia, da imaginação, da dualidade; é o próprio Ser, a própria Consciência! Vejam como isso é maravilhoso, belíssimo! Aquele que se vê como guru, não é Guru. Aquele que “sabe” que é guru, não é Guru, e aquele que, mesmo dizendo que não é guru, quer ensinar alguma coisa, não é guru também. Então, há um momento, dentro de você, em que, por uma ação da Graça, esse Guru interno é despertado. Quando isso acontece, o real Guru já está presente e, então, surge esse amor à Verdade, ao Ser, ao Guru e Ele é reconhecido, assumindo uma forma humana ou não (isso é irrelevante). Quando o seu real Guru está presente, algo dentro de você o reconhece, e esse “algo” é o próprio Guru. Agora, você não está com Ele para aprender alguma coisa, nem para viver alguma experiência.
Despertar não é um caso de experiência ou de conhecimento. Despertar é um mergulho na Realidade, Naquilo que está além do tempo, da mente, do “eu”. Então, isso traz, mostra, declara, o Conhecimento real da Verdade (aqui usei a palavra “conhecimento” num sentido inteiramente diferente do que a mente conhece). Nesse Conhecimento real da Verdade, Você é Aquilo que é conhecido como “Deus” pelos Sábios. Eu disse: “pelos Sábios!”
*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite de 06 de Agosto de 2018 – Encontros online todas as segundas, quartas e sextas às 22h (exceto em períodos de retiros) – Para informações sobre o app Paltalk e instruções de como participar, clique aqui.

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

A Quietude da Meditação

Você não pode encontrar sua Real Natureza, a Verdade ou a Iluminação. Tudo que você pode encontrar é algo objetivo. A Verdade não é algo que você possa encontrar, pois não se trata de algo objetivo. Não é como um tesouro, que você consegue o mapa, vai em busca dele e termina encontrando. Não é assim!
Deus, a Verdade, não é um tesouro objetivo, não é algo que está lá fora, enterrado, escondido em algum lugar. A Sabedoria, a Verdade, Deus não é algo assim. Você não pode percebê-Lo, não pode encontrá-Lo, não pode vê-Lo do lado de fora.
É muito importante compreender isso, porque, assim, você deixa de ir à procura de Deus, da Verdade, como vai à procura de realizações externas; você para com esse comportamento. Aqui, é essencial parar de ir para fora, de buscar externamente. A Sabedoria, Deus, a Verdade, não está do lado de fora. O buscador é a “Coisa” buscada; aquele que procura já é a “Coisa” que está sendo procurada. Por isso, é fundamental você parar.
Todos os Sábios são unânimes quanto à importância da Meditação, porque Ela é o “parar”, é parar de ir para fora, parar de buscar externamente. Por isso, Satsang é muito interessante: não há nada para ser encontrado, aqui, que esteja do lado de fora. Tudo está sendo investigado dentro de você, profundamente, internamente. Nessa aproximação, não há nenhum sistema, nenhuma prática, nenhum exercício. É necessário estar completamente livre de toda intenção, de toda volição, de toda motivação do desejo. O desejo, geralmente, reflete uma procura externa, afastando-o de Si mesmo, Daquilo que Você é aqui e agora.
Geralmente, você trata da questão do desejo se voltando para realizações externas, para objetivos encontrados do lado de fora. É preciso estar completamente livre desta forma de se comportar. Existem alguns momentos, em sua vida, que você experimenta a Liberdade, e é exatamente quando você está livre de toda intenção externa. Todos têm momentos assim!
Em algum momento de sua vida, diante de uma praia, no alto de uma montanha, em uma floresta, assentado num parque ou diante de um pequeno lago, com algumas borboletas, seus olhos contemplaram aquela cena. Naquele instante, como não havia nenhuma intenção interna, nenhum desejo externo, nada para se obter, nada para se conseguir, nada para se conquistar, ali estava a “Coisa”. Simplesmente, porque, naquele momento, não existia nada para se alcançar, nada para se realizar, nada para se obter, nenhuma ideia, nenhuma crença...
".....ali estava a 'Coisa'. Simplesmente, porque, naquele momento, não existia nada para se alcançar..."
Repare que não existia Iluminação para ser alcançada, não existia Deus para ser alcançado. No entanto, lá estava aquela Quietude, aquela “Coisa” sem nome, indescritível. Aquilo estava, exatamente, porque você não estava, o sentido do “eu” não estava, o experimentador não estava. Foi um momento de pura experiência, sem experimentador.
Alguns dias depois, você descreve aquela cena para alguém e, quando começa a descrever, já é a memória, já é o experimentador. Não existe mais nada ali, só memória. Então, as borboletas, o lago e tudo aquilo, agora, são imagens, uma lembrança, uma coisa “morta”.
Quando o pensamento chega para descrever algo, o passado já chegou. O pensamento sempre é passado e o passado sempre conta uma história de um experimentador, que, curiosamente, não estava lá. É apenas a imaginação de que havia alguém lá. Então, a Verdade está quando a descrição não está. Quando a Verdade está presente, não há pensamento, não existe aquele que possa descrever este instante. Assim, existem momentos em sua vida, no dia a dia, em que você está completamente livre de todas as intenções. Estes momentos aparecem em um instante inesperado, como dirigindo o carro em uma estrada.
Você não se lembra disso, mas, quando era criança e saía do colégio com a mochila cheia de livros, a caminho de casa, pode ter passado por momentos assim. As crianças conhecem muitos momentos assim, até mais do que os adultos. Os adultos têm muitas responsabilidades, muitos desejos, o que significa que eles têm mais preocupações, mais aflições.
Nesses momentos de ausência, você fica “sem função”, sem trabalho, sem atividade, sem responsabilidades. Aqui está a Realidade, que chamamos de Consciência, de Verdade, de Presença. Neste instante, você é pura Quietude, pura Bem-aventurança... Não tem “você”! Isso é Meditação!
Repare que eu não descrevi nenhuma técnica, nenhuma prática, nenhuma postura física, nenhuma música, nenhum mantra. Nada disso é necessário, pois é artificial, não é natural. Então, você não pratica a meditação; você constata a Presença desse Estado, que é Meditação, que está presente quando você não está preso na armadilha dos pensamentos, dos sentimentos, das imagens, das histórias que o pensamento produz.
Essa Quietude da Meditação, não é a quietude do corpo ou da mente. Não é desta quietude que estou falando, a qual você pode conseguir por uma técnica, por uma prática de meditação. Estou falando da Quietude de sua Verdadeira Natureza (que é Consciência), de sua Real Natureza Divina, da Quietude do seu Ser, além do corpo, além da mente.
Você vai ficando sensível, aberto, receptivo a Isso; vai ficando mais e mais íntimo dessa “Coisa”. É cada vez maior essa intimidade, essa proximidade com o seu próprio Ser, com a ausência do experimentador, do sentido pessoal, do controle, dos desejos, da tentativa de resolver, acertar as coisas, mudar o mundo. Quando você vai ficando íntimo de seu Ser, vai deixando isso. É algo que começa a se aprofundar, é uma forma de crescimento que acontece.
Os dias vão se passando, os meses, os anos e, em um belo dia, você se descobre com mais facilidade de não se confundir com o experimentador, de não se confundir com a história pessoal, com as circunstâncias, com o mundo à sua volta, com as crenças. Você se descobre, em um belo dia, desidentificado. A situação acontece, em meio a uma circunstância à sua volta, a uma história, e aquilo já não o captura mais, não o envolve mais. É um belo sinal de que algo está acontecendo em um nível real aí dentro.
Você se surpreende, a princípio, mas, depois, começa a ficar natural. Você nem mais se surpreende com isso. A princípio, você se surpreende em não se perturbar tanto, como fazia antes. Este é um ótimo sinal; é sinal de que algo está acontecendo. Antes, algo o desesperava, o deixava frustrado, com raiva, com medo e, agora, você olha e dá um leve sorriso, porque, internamente, você sabe (esse é um “saber-sentir”, não é um “saber” intelectual) que isso não tem nada a ver com o que Você é. Esta é a única prova real, e não esse “blá-blá-blá” todo sobre ensinos Advaita, Neo Advaita, o que é só outra forma de crença inútil.
Por isso, eu disse, no começo da fala, que você não pode encontrar a Verdade, não pode encontrar a Iluminação. Isso tem que florescer de dentro, tem que ser um enraizamento dessa bela e frutífera árvore chamada “Consciência”. Os frutos desta árvore são a Liberdade, a Inteligência, a Compaixão, a Sabedoria, a ausência do medo, a ausência da ambição, da inveja.
Eu não estou fazendo alguma coisa, não estou me ocupando em mudar o mundo, em mudar as situações, em consertar as pessoas. Eu apenas estou quieto, em meu próprio Ser. Não é uma quietude do corpo — a quietude do corpo é preguiça. A preguiça também tem o seu lugar, mas não na Realização. A preguiça é uma coisa e a Realização é outra. Não se trata também de uma quietude da mente que o torna meio “abobado”. Na realidade, é o oposto: quando há essa Quietude Interna, que não é a quietude do corpo nem da mente, há uma grande Inteligência presente, um grande Poder de ação, que nasce desse Estado de Consciência, desse Estado de Presença.
*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite de 04 de Julho de 2018 – Encontros online todas as segundas, quartas e sextas às 22h (exceto em períodos de retiros) – Para informações sobre o app Paltalk e instruções de como participar, clique aqui.

terça-feira, 4 de setembro de 2018

A questão do Guru e discípulo

Estar em Satsang significa estar aberto à Verdade, estar pronto para ser um discípulo. O discípulo é aquele que está pronto para investigar e descobrir a Verdade sobre si mesmo. Assim, ser um discípulo é estar nessa posição, prepararando a si próprio para estar diante da Verdade. Essa preparação é uma profunda e significativa necessidade. Isso é algo fundamental! Vou falar com vocês um pouco sobre esta questão de Guru e discípulo.
É interessante dizer que o ego não tem esse tipo de atitude. O ego quer ser Mestre, sem mesmo saber o que significa, antes, ser discípulo. Isso explica a facilidade de tantos mestres surgindo nesse momento. Essa preparação para descobrir a Verdade sobre si mesmo é o resultado de uma abertura para olhar diretamente e investigar a questão da própria vida e seu significado. Não que você possa descobrir o seu significado, mas precisa investigar a si próprio e saber diretamente, por si só, que não há nenhum significado. Porém, é preciso primeiro ter esta questão aí dentro.
Então, você descobre que não há nenhuma resposta, mas é uma descoberta que você faz; não basta uma ideia, uma crença sobre isso. Isso significa ser discípulo da Vida e, aqui, a Vida é o Guru. A Vida, como Ela é, é a própria Consciência, a própria Presença. Por isso é uma real necessidade descobrir a beleza e a graça do que significa ser um discípulo. Existe um sentimento de orientação interna, porque o Guru está dentro e, se está dentro, Ele pode se apresentar externamente também. Quando você está pronto para olhar para a vida e fazer a pergunta: “Qual é o significado de tudo isso?”, está pronto para enxergar o Guru e, assim, o Guru aparece, atrai você. O Guru externo é esse Guru interno, é a própria Vida se manifestando para lhe falar, revelar, que Ela é um mistério. Portanto, é uma grande bênção essa Graça atrair você. A Presença do Guru é muito importante, mas, se você não está maduro, isso pode levar tempo. Quando o discípulo está pronto, que significa estar completamente aberto, o Mestre aparece. Esse é o papel do Guru humano.
Quando você está aberto, você é um discípulo da Vida. Você está em Satsang para se abrir, investigar e sentir diretamente essa Verdade. Você precisa disso, porque ainda não está estabilizado Nela. Há algo dentro de você que sente a importância de estar aqui. A inexplicável alegria que você sente de estar em Satsang é uma prova dessa necessidade.
O ego nunca pode ver nada além dele mesmo, e o que ele pode ver é sempre um objeto. Somente o Guru vê o Guru e, assim, Ele encontra Você. A Presença do Guru é instantânea, mas, se você não está maduro, pode levar um tempo para vê-Lo. Existe somente um Guru! Quando você olha para Ele e O vê como uma pessoa, como alguma coisa objetiva, significa que você ainda não pode vê-Lo e encontrar a Si mesmo. Você só pode ver o Guru quando não está mais preso a essa imagem de “pessoa”. Até lá, você não estará enxergando o Guru, ele será somente um “professor” e, como tal, não irá funcionar. É importante você estar aberto, vivendo em profunda e completa inocência, em sensibilidade e abertura; essa é a beleza desse encontro. Somente assim o sentido de separação se desfaz. Então, o Real Guru é encontrado aí dentro.
Todavia, se você ainda está identificado com o corpo e preso à ideia de ser uma pessoa, você ainda não é um discípulo, não tem um interesse real NISSO. Quando você tem o sentimento certo, uma perfeita entrega, uma perfeita abertura, você está sempre com o Guru. Quando você realmente sente O que Você é, não há separação entre Você e o Guru. Isso não é algo preso à ideia de tempo e espaço, de forma e nomes. Não é!
*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite de 04 de Julho de 2018 – Encontros online todas as segundas, quartas e sextas às 22h (exceto em períodos de retiros) – Para informações sobre o app Paltalk e instruções de como participar, clique aqui.

domingo, 2 de setembro de 2018

Uma nova visão sobre si mesmo

Você tem vivido em restrições, porque este é o peso da personalidade. Você olha tudo à sua volta através dessa personalidade, que é o sentido de identidade, criado por você em razão da imaginação. Você tem se identificado com a sua experiência diária, criado uma identidade com a sua experiência profissional, familiar, com amigos, objetos (como casas e carros), atividades...
Então, o sentido de personalidade está atrelado a uma, assim chamada, “vida”, baseada em exterioridades, e é daí que você tem retirado esse senso de identidade, que chama de “eu”. Você se considera uma pessoa, então, você é uma personalidade.
A palavra “pessoa” significa “máscara”, uma característica individual, e esta é a restrição. Você está restrito a uma experiência pessoal, então, o Mistério, a Beleza e a Graça da Vida são perdidos, porque o seu modo de ver tudo à sua volta está sempre limitado por decisões, escolhas e preocupações pessoais. Não há Inteligência!
Quando você realmente compreende a necessidade de investigar isso, você se abre à oportunidade de ir além dessa situação de mediocridade, que é a situação que todos estão vivendo. Todos vivem dessa forma, porque se confundem com uma imagem de si mesmos, uma crença sobre quem são. Então, quando você vive identificando a si mesmo com essa personalidade, com essa pessoa, há uma grande limitação. O que você está fazendo consigo mesmo? O que você está fazendo, quando está vivendo dentro desse sentido de pessoa? Aqui, dizemos que você está vivendo no ego, vivendo em uma falsa identidade, colocando a sua vida diária nessa condição de “vida pessoal”, nessa limitação, nessa sujeição, nessa restrição.
Do ponto de vista da pessoa, que representa viver dentro dos próprios conceitos e crenças, dentro de ideias comuns, isso é algo que representa um grande fardo, um grande peso. Essa é a infelicidade humana, a infelicidade do ego, a infelicidade do “eu”, a infelicidade pessoal. Esse peso é a busca por segurança, a busca por reconhecimento, por conforto e preenchimento, de alguma forma. Uma coisa que nunca acontece, porque a personalidade nunca se preenche, nunca se encontra em conforto, nem em segurança. O ego, por mais que busque, não conhece a Felicidade. Na verdade, a sua busca é exatamente em razão dessa situação. A natureza do ego é insegurança, é medo, é desejo.
O seu trabalho, aqui, é investigar a Natureza da Verdade sobre si mesmo, então, a luta termina. Quando você está livre da “pessoa”, não há mais luta. Essa personalidade é só uma máscara, uma falsa identidade e, portanto, uma alucinação.
Reparem que tudo o que se faz necessário, é uma nova visão sobre si mesmo. Essa nova visão lhe dá uma perspectiva correta sobre o mundo externo, o seu mundo de relações com pessoas, com objetos, com atividades profissionais, ou qualquer outra atividade.
É possível a Liberação dessa alucinação, desse experimentador, desse observador, desse pensador, desse “eu”, desse “mim”... É quando essa limitação, essa restrição, é totalmente varrida, totalmente destruída, quebrada. Quando essa nova e real perspectiva, que é a perspectiva correta, está presente, não há mais alguém! Alguns chamam Isso de “Despertar”, ou “Iluminação” — o fim para a confusão, para a desordem, para a guerra, para o medo.
Você nasceu para ser absoluta e incondicionalmente livre! Algo possível nessa Inteligência, mas impossível nessa limitação, nessa relação equivocada com a Vida, com Você mesmo. O amor à Verdade, o amor à Vida, é a rendição ao Real. Essa coragem de se render ao Real é possível quando se está “queimando” por Isso de verdade! A Verdade precisa ser a primeira coisa na vida, porque Ela é a Vida! Sem Ela, é só ilusão, nessa alucinação de ser alguém; a ilusão da personalidade, nessa alucinação do falso “eu”. Isso implica um verdadeiro reconhecimento da Verdade sobre si mesmo, a constatação de que não existe alguém presente aqui e agora, nessa experiência do dia a dia, nessa assim chamada “vida diária”. É Isso que chamamos de Consciência, Presença, Ser, a Vida como Ela É, o Estado de pura Sabedoria.
Você é um Sábio — esta é a sua identidade Real —, mas um Sábio não vive em sofrimento, porque não está em alucinação, não está em um efeito hipnótico, em um efeito de sugestão, preso a um modelo de crenças. É assim que o ser humano tem vivido; o Sábio não!
*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite de 03 de Agosto de 2018 – Encontros online todas as segundas, quartas e sextas às 22h (exceto em períodos de retiros) – Para informações sobre o app Paltalk e instruções de como participar, clique aqui.

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