quarta-feira, 30 de maio de 2018

Toda a Beleza já está presente!

Essa Realização não é algo novo que deva ser acrescentado a você. É como um palácio abandonado, que há centenas de anos está sem nenhum morador. Ele está esquecido, perdido, como um tesouro escondido em algum recanto do mundo. Esse palácio está sendo a moradia de baratas, ratos, morcegos e aranhas. O piso, as paredes, os móveis, os espelhos e toda a mobília, nesse palácio, estão cobertos de poeira. Nele, os ratos e as baratas se multiplicam.
Esse palácio está lá há milhares de anos e, por detrás de toda aquela poeira, há mobílias feitas da madeira mais forte e bela que se pode encontrar na Terra. As molduras dos espelhos — que são muitos — são do material mais requintado, mais fino, mais delicado. Há amplas salas, amplos quartos, e o assoalho, como tudo ali, foi colocado com muito cuidado. Há muitos detalhes de grande encanto aos olhos, de grande beleza, mas tudo está coberto de poeira. A quantidade de insetos é enorme! A não ser que esse palácio seja encontrado, descoberto, e toda aquela poeira dos móveis, aquela sujeira e os insetos sejam retirados, a sua beleza continuará oculta. Realização é algo assim: já está aí, mas há muita coisa encobrindo Isso!
O palácio não foi construído para a morada de ratos, baratas e aranhas. O propósito da construção desse palácio foi muito mais nobre. São os reis, os príncipes, os monarcas, que moram em palácios.
O propósito dessas falas é sempre o mesmo. Elas não têm o propósito de lhe ensinar algo novo, mas de fazer você descobrir o antigo, perceber Aquilo que já está presente. Você é um palácio, mas está ocupado com muita poeira, ratos, baratas, aranhas e diversos outros insetos. Você é um palácio com amplos e belos espaços, belas mobílias, mas muito ocupado.
Você é como um imenso oceano se confundindo com uma pequena onda, uma pequena marola, vivendo em um estreito pedaço do mar, se chocando contra as rochas a toda hora. Com pequenas variações, a mesma onda se repete. Vez após vez, ela bate na rocha, se desmancha, volta e se desmancha novamente. Ela “nasce” em um determinado ponto e “morre” quando bate contra a rocha, e, depois, retorna com uma pequena diferença de formato. Assim, passam-se meses, anos, séculos, milênios, e você, que é toda essa imensidão do oceano, inexplicável, indescritível, permanece se confundindo com uma pequena marola, uma pequena onda.
*Transcrito a partir de uma fala em um encontro presencial na cidade de Campos do Jordão, no Ramanashram Gualberto, em Fevereiro de 2018. Acesse a nossa agenda e se programa para estar conosco: http://mestregualberto.com/agenda/agenda-satsang.

sábado, 26 de maio de 2018

A minha técnica é:

Felicidade não é uma negação da vida, mas também não é uma afirmação, como a mente egoica deseja que seja. A mente egoica deseja uma afirmação da vida que a Felicidade não conhece.
Qual é o problema, então?
O problema está em viver viciado nas diretrizes que o pensamento tem para você, todas programadas pela cultura, pela sociedade, pelo modelo implantado no mundo. Em cima desse modelo, você foi educado, cresceu, e agora está aí, permitindo-se ser direcionado pelo pensamento para se mover nessa ou naquela direção, agindo de uma forma programada, cultivada pelo medo e pelo desejo.
Então, os seus objetivos, com esse seu modelo de existência, estão fadados ao fracasso, a produzir mais e mais sofrimento, mais e mais mentira, mais e mais confusão, mais e mais miséria.
Haja vista esse absurdo do pensamento descontrolado dentro da sua cabeça, não há Consciência, não há Inteligência, há somente esse caótico, confuso e desordenado movimento.
Basicamente, você pensa; esse é o problema! Você só pensa porque aceita essa tagarelice interna como verdade, como parte de sua realidade. Acontece aí um pensamento objetivo e essencial para o corpo, como: “Tenho sede, quero água”, no meio de um bilhão de pensamentos como: “Está horrível isso”, “Não gosto dela”, “Não gosto dele”, “Estão mentindo para mim”, “Eu vou conseguir”, “Eu posso”, “Eu faço”… Ou seja, um bilhão de pensamentos envolvidos com o autopreenchimento de uma suposta entidade presente, vivendo dentro do corpo.
Como não vai haver miséria, sofrimento, dessa forma, se o que você chama de “vida” é a mentira, a programação de mentir? Não é a Vida! Como haverá Deus, Verdade, Inteligência, Felicidade? Não é possível! Como haverá Realização, completude de Ser, agora, nesse instante?
Dentro desse movimento caótico do pensamento, também cria-se a ideia de evolução: “Hoje não sou, mas amanhã serei”, “Hoje não tenho, mas amanha terei”, “Hoje não estou iluminado, mas amanhã estarei”.
Os sábios dizem que para estar aqui com a única Verdade não é necessário tempo nem esforço. Aí o pensamento faz uma filosofia em cima disso, começa a explicar o que ele tem visto sobre isso e distorce tudo. Então, a mente começa a treinar a “ficar aqui e agora”, e também a ensinar isso: “Fique aqui e agora”; “É só estar aqui e agora”; “Faça esse ou aquele exercício para alcançar isso”. E lá está o movimento do velho “eu”, ainda se ocupando com alguma forma de prática, com alguma técnica de meditação. Vocês todos já praticaram técnicas diversas de meditações para tentar chegar a algum lugar.
O que eu chamo de Meditação é olhar para isso que está neste instante, sem saltar sobre isso, sem dar credibilidade a isso, sem confiar nisso, sem se agarrar nisso. Você faz isso exatamente nesse segundo e, daqui a três dias, faz isso neste mesmo segundo e, daqui a três anos, no mesmo segundo. Você só tem um segundo para fazer isso, e é agora, aqui! Então, repare que não tem nada a ver com prática, mas com Atenção, com Presença, com Verdade… A Verdade para não confiar nessa voz interna, para não confiar nesse sentimento interno, nessa disposição interna, que diz que você é isso ou aquilo, que precisa disso ou daquilo. Por isso que eu nunca coloco vocês em práticas; eu coloco vocês na arte da Meditação, mas não na prática da meditação.
Olhar com atenção, ouvir com atenção, sentir com atenção... Quando o pensamento surgir, mantenha a atenção sobre essa loucura interna, para não ser um pensador. O pensador é, também, só um pensamento. Não tem pensador, só pensamento, repetitivo, continuado, programado, invasor. Todo pensamento é invasor! Você não tem um só pensamento original; nenhum pensamento é!
Pensamento não é a sua natureza, não é real em seu Ser, é só real como um fenômeno, assim como esse sofá. Você nunca nasceu! Como isso também é um fenômeno, não é real em seu Ser.
Seu Ser não é o que você pensa ser! Ele está fora do pensamento! O pensamento não é o seu Ser! Então, você diz apenas isso: “Não é”. O seu trabalho é: “Não é.” Você quer uma técnica? As pessoas vêm a mim e pedem uma técnica. A minha técnica é: “Não é”. Esse sentimento? Não é! Esse pensamento? Não é! Essa sensação? Não é! Essa certeza? Não é! “Mas, Mestre, o Silêncio chegou!” Aí eu digo: “Não é”! No Zen tem muito isso. O monge escuta o Mestre durante um tempo e depois fala: “Mestre, alcancei o Silêncio”. Aí o Mestre diz: “Não é. Jogue fora!”
*Transcrito a partir de uma fala em um encontro presencial na cidade de João Pessoa, em Março de 2018. Acesse a nossa agenda e se programa para estar conosco: http://mestregualberto.com/agenda/agenda-satsang.

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Não há como realizar isso identificado com a mente

A aproximação que você tem, nesse espaço chamado Satsang, tem o propósito de lhe mostrar essa grande ilusão na qual a mente tem vivido. Como você sempre esteve identificado com a mente, você a toma como a sua realidade, como a realidade da sua vida.
Se você descobrir como explorar a Natureza Real da Consciência, você vai descobrir que Ela não possui essas qualificações objetivas. Em outras palavras, todo modo de conceituar a vida à sua volta é um modo que a mente conhece, dando qualificação a tudo em volta dela. Em Satsang, você está dentro de uma aproximação da Sabedoria, de um encontro com a Verdade. Esse é o significado da própria palavra Satsang.
Na mente, você carrega vários conceitos, crenças, opiniões e conclusões, e você considera que isso é real para si mesmo. No entanto, aí está a ilusão desse falso “eu”, dessa “pessoa” que, por exemplo, neste momento, parece estar ouvindo alguém – alguém ouvindo alguém. Essas são as qualificações objetivas da mente. A mente, em sua ilusão, torna tudo objetivo à sua volta, sendo ela o sujeito. Então, ela é o sujeito, o “eu”, e tudo à sua volta é o não “eu”. Esse é o conceito, a crença, a ilusão da separação. Essa Consciência é a Natureza do Ser, é a sua Natureza Real. Ela não possui essas qualificações objetivas. Isso é pura criação da mente!
Então, a forma como você está vivendo na mente é totalmente equivocada; é uma vida totalmente ilusória! Isso que é conhecido como “vida humana”, “vida pessoal” é algo semelhante ao sonho que você tem à noite. Quando você acorda pela manhã, percebe que não havia nenhuma realidade, era apenas a mente fabricando imagens, produzindo experiências, e tudo isso estava dentro dela. Aquele mundo do sonho não era uma realidade objetiva. Aquela experiência do som, das imagens, as pessoas presentes no seu sonho, tudo era tão irreal como você dentro daquela experiência. Tudo no seu sonho foi construído por conceitos e crenças. Então, os objetos, as pessoas, as sensações, toda essas experiências, estavam somente dentro da própria mente. Tudo foi pura imaginação.
Esse seu mundo, que é o mundo da mente, é o mesmo mundo do sonho que você tem à noite, enquanto que a Verdade de sua Consciência, de sua Natureza Real, está além disso. O propósito desse encontro é que você descubra a Realidade, a Verdade sobre si mesmo. Se isso fica claro, não há mais ilusão; a mente entra em colapso!
Não há nome adequado para essa Realização. Alguns chamam isso de Despertar. Essa Realidade é a Realidade do Silêncio. Tudo que a mente conhece são nomes e formas, são experiências que ela mesma produz, mas estamos apontando para “algo” além da mente, “algo” além dessa ilusão do “eu”. A mente não pode apreender a Realidade, não pode alcançar Isso.
A mente sempre fica no campo da dualidade, que é o campo de sua própria experiência – sujeito e objeto. Tudo o que a mente conhece está dentro dessa dualidade. Ela mesma se separa entre mente e corpo, mente e mundo. Entretanto, não existe nenhum sujeito e objeto, não existe nenhum pensamento e seu pensador. O pensador é só um pensamento criando a ilusão de uma entidade responsável pelo pensamento. Não existe pensador e pensamento; isso é uma crença do pensamento. Não existe mente, corpo e mundo. Não existe vigília, sonho, sono profundo e morte, nem um estado pós-morte. Tudo isso é só a mente produzindo.
Todo dia você tem a experiência de conversar com outras pessoas, de ter pensamentos, sentimentos e emoções, mas isso não é verdade. Isso é só a mente nela mesma, por ela mesma, experimentando ela própria. Mesmo que você tenha um contato de 3º grau, um contato com extraterrestres, isso também estará dentro da experiência da mente. Não existe nada fora da mente e sua experiência. O ego é ávido por experiências místicas, esotéricas, espirituais, extrafísicas. É a busca da mente por sensações extraordinárias. O ego adora esse tipo de viagem.
A Verdade é o fim da mente e sua experiência; é quando a mente entra em colapso, cai, desaparece. A própria mente é feita de conceitos, aparências, nomes, crenças. Então, todas as experiências são projeções da própria mente. Na verdade, ela própria é construída por essas projeções, que não estão separadas dela; essas projeções são a própria mente.
Quando a sua história termina, a mente, o ego, que é a ilusão desse sentido de um “eu” separado, também termina. Então, não há mente, não há corpo e não há mundo. O seu Estado Natural é Ser! Isso é Meditação, Consciência, Liberdade!
Tenho só mais uma coisa para lhe dizer: todo esse movimento, esse sonho, é apenas uma dança da Consciência. O problema não está nessa dança, não está no movimento. O problema surge quando você tenta assumir o lugar da Realidade. Portanto, você está — e sempre estará— diante de um paradoxo. A Verdade não pode ser alcançada por você. Não há como realizar isso identificado com a mente, tendo a mente como real.
*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite de 29 de Janeiro de 2018 – Encontros online todas as segundas, quartas e sextas às 22h (exceto em períodos de retiros) – Para informações sobre o app Paltalk e instruções de como participar, clique aqui.

segunda-feira, 21 de maio de 2018

A Comunicação do Silêncio

As pessoas dizem que Ramana estava em silêncio… Sua Upadesa, seu ensino, foi sempre através do Silêncio. Mas, você não deve confundir o Silêncio de Ramana com o silêncio da não fala. Ele estava no Silêncio e comunicava em silêncio. Para nós, comunicação é fala; para o Sábio, comunicação é comunicação. Ele estava dando um recado em silêncio, mas ele não estava no silêncio da não comunicação. Até em nossa experiência ordinária, nós sabemos que comunicação não depende de fala.
O som da voz, a fala, é apenas uma forma de comunicação, mas não é a mais importante. Para o Sábio, a maior forma de comunicação é o Silêncio, mas o Silêncio não implica ausência de voz, de fala… Ramana também falava!
O que vemos, na mente, é uma fala que não comunica e um som que não diz nada. Em nossa experiência comum do dia a dia, percebemos que basta um olhar, um gesto ou uma expressão facial para que algo seja comunicado. Quando é direcionada a você uma expressão facial de raiva, você sabe que o outro está com raiva. Quando ele abre um sorriso, você sabe que ele está feliz em vê-lo, que você está deixando-o bem.
Vocês estão em Satsang para receber a comunicação, para saber o que está sendo pedido a você. Você vem a Satsang para descobrir como Realizar o que Você É e a premissa primária é que você está diante de um Buda, ou assim deveria ser. Você está aqui para descobrir como não sofrer mais, como não se equivocar mais, como não ser infeliz. Então, se esse é o propósito em Satsang, você precisa descobrir o que deve pegar e o que deve largar; o que é relevante e o que não é relevante para você.
A questão para você formular, em Satsang, é: “Quem sou eu?”. Então, você aguarda a comunicação, que pode vir pela fala, pelo gesto, pelo olhar, pelo silêncio... Se a sua disposição estiver em receber, em descobrir o que tem que pegar e o que tem que largar, a comunicação virá.
Essa foto para mim [Mestre aponta para a foto de Sri Ramana Maharshi], durante todos esses anos, não foi apenas uma imagem parada, uma expressão facial. Através dessa foto, o meu Guru, o Mestre, estava dizendo o que era falso e o que não era; o que era ilusão e o que era real; o que eu tinha que pegar e o que eu tinha que largar para realizar a Felicidade. Então, essa imagem nunca foi a mesma, ela estava sempre comunicando essa investigação.
Isso não é de se admirar, porque a vida está o tempo todo lhe dando sinais do que são meras repetições, hábitos e práticas que não significam absolutamente nada para você, para sua Felicidade, para sua Realização, e que você deve soltar. Da mesma forma, a vida está lhe indicando aquilo que você deve pegar; o que é relevante e o que não é relevante; o que é importante e o que não é importante.
Em geral, a pessoa não consegue ver esses sinais da vida, não consegue ver essas expressões no “rosto” da vida. Então, ela precisa de um Mestre vivo, de um Guru, para ver, na expressão de um rosto humano, o que é Real e o que não é real; o que vale a pena sustentar e o que não vale. Então, o Guru sempre será importante.
O Guru não precisa, necessariamente, ter uma forma humana, mas precisa ter um rosto. Se ele tem um rosto, ele é o Satguru, e se você pode olhar em seu rosto, ele é o seu Mestre. Mas, se você não pode olhar em seu rosto, você continua cego. A capacidade de olhar em seu rosto é a capacitação da Graça, desse poder misterioso que lhe dá abertura, inteligência e fervor… Uma Real Paixão por Isso! Eu chamo Isso de Graça, que é o que lhe dá a possibilidade dessa aproximação, para que você consiga Ver.
Eu era cego, mas agora vejo! Você vê, a face comunica e, então, você tem a inteligência, o fervor e a capacidade de “aprender”. Você “aprende” quando desaprende! Quando desaprende seu modelo, você “aprende” o que é Real. Em certo momento, essa “face” estará sorrindo para você e, no momento seguinte, ela dirá: “Você está segurando o que não deve segurar, está sustentando um equívoco, um engano, uma mentira. Solte isso!”. Na verdade, essa “face” não é a comunicação natalina do Papai Noel – “Ho, Ho, Ho! Feliz Natal para todos!”. O Papai Noel é uma ilusão e o seu saco de presentes também.
O que você está sustentando que, basicamente, o impede de Realizar a Felicidade? Qual é o seu real impedimento?
Participante I: Eu mesmo!
Mestre Gualberto: O que acontece com esse “eu mesmo”, que é o impedimento real? Se esse “eu mesmo” é uma ficção, como ele pode se constituir em um impedimento real? Como é configurado esse “eu”? Do que ele é feito?
Participante II: É feito da valorização! Quando eu valorizo os pensamentos que aparecem, quando dou importância a isso.
Mestre Gualberto: Quando você valoriza os pensamentos, o que, basicamente, você está valorizando?
Participante I: A ilusão de alguém separado, com uma vida própria, que deve ter as coisas do jeito que quer, que deve ter os desejos alcançados… É conflito! É ficar em contraposição à vida!
Mestre Gualberto: É bem isso! Saber o que quer e o que não quer; o certo e o errado; o que deve ser e o que não deve ser. Esse é o impedimento!
*Transcrito a partir de uma fala em um encontro presencial na cidade de João Pessoa, em Dezembro de 2017. Acesse a nossa agenda e se programa para estar conosco: http://mestregualberto.com/agenda/agenda-satsang.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

O que impede a Real Felicidade?

O que impede a Real Felicidade? Nosso objetivo, nesse encontro, é investigar a natureza desse impedimento. Nós não estamos investigando a Realidade, a Verdade ou a Felicidade, mas a natureza desse impedimento. O grande impedimento — talvez o maior impedimento de todos — é a crença não examinada acerca da verdade sobre si mesmo. Você não sabe quem é, mas tem muitas ideias sobre isso.
Estar disposto a viver a Verdade significa ter a disposição de abandonar todas as crenças, o que significa abandonar essa identidade pessoal (esse sentido de pessoalidade sustenta essas crenças e vice-versa). O seu grande impedimento está assentado exatamente nisso!
Os pensamentos que você tem sobre si mesmo sustentam os pensamentos que você tem sobre a vida. Basicamente, é assim que acontece. Na verdade, quem você pensa que é, é o que sustenta o seu mundo. Essas crenças inconscientes manifestam esse modelo e sustentam isso no corpo e na mente – essa é a base da falsa identidade.
Como você se sente neste momento? Quais sensações aparecem no seu corpo? Que tipos de pensamentos aparecem, agora, na sua mente? Como suas crenças estão aparecendo agora? Tudo que você está sentindo, neste momento, está dentro desse modelo programado por essas crenças. Se você sente tristeza, isso está sendo configurado por um modelo de pensamento presente. Se você sente alegria, outro modelo de pensamento está presente aí. Se está sentindo algumas coisas no corpo, algumas sensações, todas acompanham um certo modelo de pensamento, um modelo de crença.
Você está tão identificado com os pensamentos que nem mesmo toma ciência do que eles provocam nesse mecanismo, nesse corpo-mente. O seu conjunto de crenças sustenta esse modelo de uma identidade presente dentro do corpo. Isso é completamente falso, mas não é assim que esse corpo-mente sente, porque você está se confundindo com esse “aparato”, com essa condição de crença. Você se vê no corpo e com uma mente dentro desse corpo. Isso é um padrão de representação que você faz de si mesmo. Os Sábios chamam isso de “estado de sonho” ou “estado de inconsciência”. Isso não é Real! Do ponto de vista da Realidade, da Verdade presente, você está, literalmente, dormindo! Percebe o quanto isso é importante?
É evidente que isso não é facilmente aceito como real. O que é facilmente aceito é esse seu modelo de existência, e não o que estamos propondo aqui. Nosso convite é para que você descubra a estrutura, a base, que sustenta esse sofrimento, para que você possa compreender esse impedimento. Então, você se torna cada vez mais consciente da Realidade sobre si mesmo.
Você pode se mover além da crença, além dessa identidade presente no corpo e, assim, toda essa estrutura, nesse mecanismo, sofre uma alteração. É evidente que isso nem sempre soa de forma fácil, porque suas crenças estão profundamente sustentadas, ancoradas, nesse sentimento, nesse pensamento, nessa emoção, nessa sensação. Você está há muito tempo viciado nisso.
Eu tenho falado muito sobre isso, tenho usado palavras e ideias novas para falar Daquilo que está além delas. Então, deixe suas ideias, suas crenças, seus modelos, seus condicionamentos para trás. Você pode ter lido muitos livros, ter ouvido muitas falas, ter assistido a muitos vídeos, mas isso não resolveu e não resolverá. Agora, você está acreditando em outras coisas, mas isso ainda é um ato intelectual, ainda está dentro da mente e você ainda não foi além dela. Você tem crenças bastante específicas e eu estou aqui para lhe dizer que essas crenças são o seu impedimento.
Existem algumas crenças que são básicas e simples, as quais não constituem nenhum impedimento para a Realização. Por exemplo: você acredita que a Terra é redonda, que a fórmula da água é H²O e que há a Lei da Gravidade. Você não é um químico, não é um cientista, então, você acredita no que eles dizem. Mas, essas crenças ainda são intelectuais.
Assim, você tem milhares e milhares de crenças que não constituem nenhum tipo de impedimento para a sua Realização, para a sua Felicidade, para a constatação da Verdade sobre si mesmo. Contudo, existem outras crenças, das quais tratamos em Satsang, que precisam cair, desaparecer: a crença acerca de quem você é, acerca de uma existência separada, de uma identidade separada presente nesse momento – “Eu, o mundo e Deus.” Não há nenhum “eu”, não há nenhum “mundo” e Deus não é o que se imagina.
Então, isso não é sobre não ter crenças, porque algumas crenças são inofensivas. Quando você bebe um copo d’água, você não precisa conhecer a fórmula da água, nem ter a comprovação científica dessa fórmula, basta continuar acreditando que a fórmula da água é H²O. Mas, do ponto de vista da Consciência, da Natureza Real do Ser, essa crença sobre quem você é carrega o maior de todos os impedimentos e você precisa abandoná-la completamente.
A maioria das pessoas vive nessas crenças, as quais sustentam outras crenças. A verdadeira Felicidade, a verdadeira Liberdade, é algo muito maior do que qualquer crença; é algo além de qualquer ideia, de qualquer descrição.
Essa Realização requer uma abertura, que é a vulnerabilidade de viver sem essas crenças. Para uma flor desabrochar, ela precisa se abrir; para que você se torne liberto, você precisa estar aberto à Verdade sobre si mesmo, que é o fim da ilusão da crença desse falso “eu”. Então, como uma flor, quando você se abre, você floresce.
*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite de 16 de Fevereiro de 2018 – Encontros online todas as segundas, quartas e sextas às 22h (exceto em períodos de retiros) – Para informações sobre o app Paltalk e instruções de como participar, clique aqui.

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