terça-feira, 15 de maio de 2018

A cura para todas as doenças

O que acontece em Satsang? Em Satsang, você se depara com uma fogueira enorme, um calor intenso de Presença, de Consciência, de Atenção e Isso respinga em você; é Algo tão transbordante que vai para você. Você está aqui e recebe Isso.
Quando você dá valor a Isso, que é quando está aqui em silêncio, com todo o seu coração, com toda a sua disposição, você tem a oportunidade de ver a Verdade se revelando como o seu próprio Ser; porque Ela é o seu próprio Ser! Ela não está separada da própria fogueira, que é o Guru, que é a Consciência, que é o Real. Então, todo conteúdo egoico que está aí vem à tona e é consumido.
Na Índia, eles chamam essas tendências latentes da mente de vasanas, que são impressões do tempo na máquina (corpo-mente), a ilusão de uma história, de uma identidade que viveu algo há dez dias, há dez anos ou há dez milhões de anos.
Só existe uma “chave” para a Liberação e ela chama-se Meditação. Mas, Meditação não requer técnica, não é uma prática. Uma prática ou técnica estão sempre atreladas a corpo, mente, tempo e espaço. Meditação é Consciência atemporal, presente aí na máquina, sendo “acessada”, assumindo o lugar Dela – a melhor palavra é “assumindo”, porque Ela também não pode ser acessada. É como o sol que está brilhando lá fora. As janelas estão fechadas, e ainda tem as persianas, mas, quando você as abre, o sol que está lá fora entra. Você não vai trazer o sol, você vai apenas liberar os impedimentos.
Agora, entra a questão da Sadhana (que é o trabalho de entrega, sob a Upadesa, que é o ensino do Guru). Quando esse trabalho de entrega acontece, esses obstáculos desaparecem. Mas, o que está presente, já está presente! Como os obstáculos desapareceram, o que está presente se revela como Iluminação, como Despertar, como Realização de Deus!
Essa é a cura para todas as doenças! Ramana Maharshi dizia que o ego é a causa de todas as doenças, porque a doença não é natural. Quando você sente uma dor de dente, você vai ao médico, porque o natural é não sentir o dente na boca. Natural é o dente trabalhar sem você ter a mínima lembrança de que ele existe na sua boca. Quando sua boca está saudável, você não tem consciência dos dentes. Quando o seu rim está funcionando bem, você não tem consciência dele. Quando seu estômago está bem, você não tem estômago.
O natural é a saúde, que torna aquele órgão “invisível”. Quando o órgão sinaliza um mau funcionamento, surge a ideia da presença dele. Então ele diz: “Estou aqui!”, e a ideia do corpo aparece, assim como aparece a ideia de tratamento para esse corpo. Então, surgem as solicitações da mente para tratar dessa entidade presente, que tem que ficar boa, porque pode morrer… Toda uma história surge!
Entretanto, quando há saúde, não há ideia de corpo, como não há ideia de dente na boca, como não há ideia de rim. Por quê? Porque o corpo é uma ilusão. Ele só aparece quando reclama, dizendo: “Estou aqui!”.
Nessa Consciência presente, não há espaço para a ilusão da separatividade ou para essa “doença”, que é uma ilusão — a ilusão “Eu sou o corpo!”, “Eu estou aqui!”. Quando surge a ideia “Eu sou o corpo!”, “Eu estou aqui!”, e há uma doença, eu vou buscar a causa dessa doença. Se eu for buscar a causa dessa doença, é claro que vou encontrar, porque ela está atrelada a ideia de que “Eu estou aqui!”, “Eu sou o corpo!”. Portanto, é uma ilusão atrelada a outra ilusão, que é a de que “estou no tempo e no espaço e sou real como uma entidade presente”. Enquanto que, na realidade, só há Consciência, e a presença dessa Consciência é o fim de todas as doenças.
A doença primária é o sentido de separatividade; as doenças secundárias, vocês sabem: tédio, solidão, medo, ansiedade e muitas outras. Deu para acompanhar isso?
Assim, diagnosticamos e prescrevemos a medicação. A medicação para essa doença é o fim da ilusão de que existe alguém doente, é o fim do sentido de separatividade. Para isso, é necessária uma tomada de Consciência, o que costumo chamar de “assumir o que Você É”. Quando você assume o que Você É, o sofrimento termina. Quando você não assume o que Você É, você sofre, porque você quer consertar o mundo, quer consertar o corpo, e nada disso tem conserto.
O corpo, como qualquer outra aparição, está destinado a desaparecer no tempo e no espaço, porque o tempo e o espaço aparecem com ele, fazem parte de sua ilusão. Nesse sentido, toda doença e toda morte são bem-vindas a um corpo ilusório, destinado a desaparecer no tempo e no espaço. Assim, a doença e a morte são tão “reais” quanto o corpo é “real”. Todos partilham da mesma “realidade”: a “realidade” da ilusão.
*Transcrito a partir de uma fala em um encontro presencial na cidade de Campos do Jordão, no Ramanashram Gualberto, em 16 de Setembro de 2017. Acesse a nossa agenda e se programa para estar conosco: http://mestregualberto.com/agenda/agenda-satsang.

domingo, 13 de maio de 2018

Nada está oculto dessa Real Consciência

Não há nada fora dessa Consciência. Essa divisão criada entre mente consciente e inconsciente é totalmente arbitrária. A própria mente cria uma divisão arbitrária acerca dela mesma. Ela é conteúdo, que pode ser de dez anos ou de dez milhões de anos, mas é um único conteúdo. Assim, quer a mente esteja aparente na superfície ou submersa em profundidade, oculta, trata-se do mesmo fenômeno.
Não há divisão entre “consciente” e “inconsciente”. O que chamamos de “inconsciente” é a não ciência do que está submerso, e “consciente”, aquilo que está na superfície, do qual há ciência. Mas, quando “olhamos” para a mente, observamos um conteúdo único, que não está oculto dessa Real Consciência.
O que se oculta e o que se mostra é aquilo que a mente oculta e mostra para ela mesma. O que ela oculta dela mesma, ela chama de “inconsciente”; o que ela mostra para ela mesma, ela chama de “consciente”. Entretanto, não há tal coisa como “mente inconsciente”, “subconsciente” e esse “blá-blá-blá” todo. Essas divisões todas são criadas pela mente. Na verdade, não há nada, na mente, que esteja oculto dessa Real Consciência. A Consciência é autofulgente!
Assim como a lua não pode se ocultar do sol, a mente e seu conteúdo não podem se ocultar da Consciência. Isso porque a Consciência é Aquilo onde tudo aparece e desaparece. O conteúdo da mente é apenas imaginário, ligado ao tempo, não tem qualquer realidade substancial, material. Esse conteúdo da mente, seja ele de dez anos ou de dez milhões de anos atrás, é todo um conteúdo imaginário, conhecido dessa Consciência, que, por sinal, o ignora, porque não é Real.
Compreendendo isso, você pode fazer a pergunta adequada. A pergunta que você tem é: “Como posso me livrar desse conteúdo oculto que se mostra como um trauma ou uma doença?”. Trauma e doença, assim como o corpo, são apenas aparições imaginárias no tempo. Então, a primeira coisa a ser compreendida é isso: não dê realidade ao que não tem realidade. Trauma e doença são aparições ligadas a outra aparição (corpo), e ambas são ilusórias.
A outra coisa é que não há nada disso oculto dessa Consciência e, se é assim, isso está presente agora. Então, o que impede isso de vir à luz e desaparecer? A forte identificação com essa ilusão chamada “realidade da mente”. Quando se confia que o sentido do “eu” é real, quando isso recebe validação, isso se mantém sem alteração. Somente isso impede que todo esse conteúdo seja volatizado à luz da Consciência. O diagnóstico é esse e o tratamento é a Meditação; mas a Meditação Real! Esse presente momento é importante, porque ele pode abrir uma porta para esse instante atemporal, que é Consciência.
Então, qual é o tratamento? É essa observação desapegada, não intencionada, não envolvida com aquilo que acontece agora. Quando isso acontece, não há como o experimentador, que é a própria mente egoica, se estruturar e se manter oculto. Então, todo esse conteúdo egoico se revela nesse presente momento.
Não há nada que você carregue dessa ou de outras vidas. Quando tratamos dessa questão do tempo, estamos tratando de uma questão ilusória, porque não há tempo. Para a Consciência, tudo está presente agora. Então, a única coisa que se faz necessária é, aqui e agora, não se identificar com a experiência. Isso eu chamo de Meditação!
Todo esse conteúdo pode se revelar e ser volatizado, ser queimado e desaparecer, porque ele não tem nenhuma realidade, a não ser essa “realidade” que a própria ilusão da mente egoica sustenta, na ideia de que existe um experimentador na experiência. Isso requer um pouco de Atenção!
Vocês estão compreendendo? O diagnóstico foi dado e agora o tratamento está sendo dado, que é: aqui e agora não há experimentador! O que quer que esteja aparecendo na máquina (corpo-mente) não é para um experimentador. Quando isso é assumido, há liberdade para que aquilo que está oculto apareça.
*Transcrito a partir de uma fala em um encontro presencial na cidade de Campos do Jordão, no Ramanashram Gualberto, em 16 de Setembro de 2017. Acesse a nossa agenda e se programa para estar conosco: http://mestregualberto.com/agenda/agenda-satsang.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

O Amor é a sua Natureza Real

Primeiro, você acredita em Deus, mas, uma vez que esta Realização esteja aí, é impossível continuar acreditando. Deus é uma realidade inacreditável! Aquele que acredita na Verdade, não conhece a Verdade. A crença é ainda uma necessidade da mente, que tenta se apoiar em alguma coisa.
Deus é um mistério, e permanecerá sempre assim. Antes dessa Realização, você não O conhece, e agora, dentro dessa Realização, Ele permanece desconhecido. As pessoas querem conhecer Deus, porém elas só podem, na verdade, saber o que elas não são. Você não vai saber quem você é, nem vai saber quem é Deus, dentro dessa Realização. Não vai saber quem você é, porque você não é um objeto fora para ser conhecido ou reconhecido por um sujeito dentro; não vai saber quem é Deus, porque Deus permanecerá sempre um mistério.
Portanto, essa Realização não lhe dá o conhecimento de quem é Deus, nem o conhecimento de quem você é. Essa Realização lhe dá a visão do que você não é, e o mistério permanece. Liberação, Felicidade, Sabedoria… Esse é o Mistério inominável, indescritível. Então, o Sábio não é “alguém”; Ele é um mistério, como Deus. Isso é algo maior do que esse “você”. Você pode se dissolver Nisso, mas não conhecer Isso.
Existem muitos que estão dando explicações sobre o que Deus é e faz, mas isso é uma engenharia da mente. Você tem que abandonar a mente para ela se dissolver Nisso, que é o Mistério. Você não pode resolver esse Mistério, mas pode se dissolver Nele. Então, você não pode explicar Isso. A mente humana, o ego, é algo tão estúpido que, atualmente, você pode ir a uma faculdade “estudar sobre Deus” e obter um diploma de “doutor em divindade”. Isso é completamente estúpido! Você pode se tornar especialista em uma determinada área do conhecimento, mas esse conhecimento estará sempre dentro do campo do pensamento. Entretanto, Deus é algo fora do pensamento!
Não posso, aqui, ajudá-lo a encontrar Deus, a Verdade sobre quem Você É… Não posso e isso não é necessário. O que eu posso é ajudá-lo a descobrir o que você não é. Você não é isso que se passa dentro de sua cabeça, ou seja, não é esse conjunto de ideias, pensamentos, sentimentos e crenças; você não é esse conjunto de sensações, de experiências. Então, eu posso lhe mostrar como ver O que É, a Vida como Ela É, sem esse conjunto de crenças que estão aí dentro de você. Se você conseguir enxergar a Vida como Ela É, estará livre da ilusão de ser “alguém”. Esse é o mistério de Deus, da Verdade sobre quem Você É.
Esse é o meu trabalho, em que nada pode e nem precisa ser feito. Tudo o que posso lhe mostrar é a Verdade Daquilo que está aí quando “você” não está, e essa é a Verdade de Deus. Assim, pela primeira vez, você pode ver a Vida como Ela É, e, então, o Mistério chamado Deus, o “Eu Sou”, se revela. Os filósofos tentam explicar Isso, enquanto os Sábios apenas sinalizam. O Sábio sabe que não pode explicar essa “Coisa”, que não é necessário dar explicações sobre Isso. Tudo que o Sábio sabe é que não precisa saber, só precisa viver – a Vida é somente Isso! Nada precisa ser explicado sobre a Vida, sobre Deus, sobre a Verdade. Eu não posso explicar isso, absolutamente!
O céu é muito amplo. Você não pode acreditar que está vendo o céu olhando da sua janela, pois através dela você pode alcançar somente uma parte do céu; ele é muito mais amplo do que é visto da sua janela. Posso ajudá-lo a adentrar à beleza da Realidade, da Verdade Divina, mas somente se você aceitar deixar a “sua janela”, sair de dentro da “sua casa”, dar um salto para fora e parar de olhar o céu através da “sua janela”.
O que posso fazer é lhe mostrar a Vida como Ela É. Posso fazer isso a partir do momento em que você abandona a ilusão, as suas crenças. A Verdade não pode ser explicada. Ela é a sua Natureza Verdadeira, a Natureza de Deus, o Mistério inexplicável; a Verdade É em ação, não em palavras. Realização é a ação dessa manifestação Divina, não é esse blá-blá-blá que está por aí, que são somente pensamentos, novas crenças.
Não se preocupe em tentar compreender Isso; você não pode. Há mais de dois mil anos a teologia cristã está tentando compreender Cristo, assim como a teologia budista está tentando compreender Buda, e os estudiosos estão tentando compreender os Upanishads, as escrituras dos Vedas, as palavras dos Sábios… Ou seja, não é somente você que está procurando a Verdade. Na realidade, a Verdade também está procurando você. Não é só você que está procurando Deus; Ele também está à sua procura. Você é como aquele filho pródigo, da parábola de Jesus, que se afastou da casa do Pai.
A imagem de Krishna é com uma flauta, a de Buda é ele assentado em silêncio e a imagem de Jesus é de braços abertos, com suas duas mãos cravadas em um madeiro, mas é a imagem do Pai esperando por seu filho. Buda está aguardando no silêncio, Krishna está tocando flauta e Jesus Cristo está de braços abertos. Não é somente você que está procurando Deus; Ele, também, está procurando você… Isso é Deus à procura de Si mesmo, encontrando-se Consigo próprio! É Deus se encontrando! O Mistério continua um mistério, mas a ilusão, o sofrimento e o medo terminam, assim como toda a sua vaidade, arrogância, presunção, orgulho, desejo, aflição, confusão e desordem.
O Amor é a sua Natureza Real, a Natureza da Verdade, do Ser, de Deus. O que quer que eu esteja dizendo sinaliza a Verdade, mas não é a Verdade, porque Ela não pode ser dita, nem explicada. Minhas falas funcionam como um martelo em uma mão, batendo numa porta: ou a porta se abre ou algo se quebra com a força das marteladas. Essa “porta” tem que se abrir ou essa “coisa” precisa ser quebrada. Algo tem que ser rompido, desfeito; “sua casa” tem que ser explodida, assim como “sua janela”. O céu é muito maior que você! Daqui, eu posso ver que você está perdendo Isso há muito tempo. Tenho que ajudar você a romper com esse hábito de ficar dentro dessa “casa”, detrás dessa “porta” que nunca se abre.
As pessoas vivem lutando, mas você não nasceu para lutar, nasceu para festejar. Mas, olhe para você! Envolveu-se em toda enrascada possível, abarrotou-se de deveres e obrigações e tem que justificar isso para o mundo à sua volta, para pessoas que estão lutando como você.
Esse é o modelo que você segue. Assim, as obrigações logo chegam e fica muito pesado ser “alguém”. Você cresce e, então, tem que casar, ter filhos, sustentar a família, ter uma casa ou pagar aluguel, e, consequentemente, tem que trabalhar para pagar tudo isso. Tudo isso é tão difícil! Depois, os seus filhos têm filhos, que, também, têm que ser “bancados”, e tudo continua. Além disso, olhe para o mundo à sua volta! Todos têm que comprar roupas bonitas no Shopping Center, ou têm que comprar e dirigir um carro bonito, mas é preciso ter dinheiro para fazer tudo isso e ser igual a todo mundo.
Você tem que cumprir muitos deveres, muitas obrigações e papéis sociais… Tem que mostrar para a família que está bem-sucedido, com filhos, igual a todo mundo, ou justificar porque não teve filhos ainda, ou porque só teve um e não tem mais, ou porque não se casou ainda… Todas essas coisas, deveres, obrigações e invenções são tão estúpidas, medíocres!
O que está faltando na sua vida é o Mistério de Deus, é a Verdade, é a Felicidade do seu Ser. Você vive tudo isso, que é o que todos esperam que você viva, e também acredita que é só isso que tem que viver, mas continua infeliz, estúpido, cheio de medos, desejos, apegos, conflitos e preocupações. Você paga um preço tão alto para ser o que todos esperam que você seja, para ser tudo o que você deseja ser, mas, depois que você “se torna” tudo isso, descobre que ainda não é o que deseja ser, que nada foi resolvido, que ainda é infeliz e continua tendo problemas.
Diante disso, você dá um grito e diz: “Será que pode parar para eu descer? Quero descer daqui!” É isso que o Sábio faz: ele desce. Ele não vai; ele desce. Ele diz: “Quero sair de todas essas ‘ligaduras’, sair dessa prisão. Tenho que sair disso, das historinhas. Quero descer desse mundo. Fique aí você com seu adorável mundo, que eu quero descer dele e cair fora dessa prisão”. Por isso que, na Índia, eles chamam de Moksha, palavra que significa Liberação, porque é a liberação mesmo!
Essa Liberação, que não é um conceito, é uma realidade na vida do Sábio, daquele que realizou a Verdade sobre si mesmo. A Liberação implica o fim do trabalho, do conhecimento, da experiência, dos desejos, do medo. De repente, o céu se torna claro, aberto, não há mais casa, não há mais janela, não há mais nada inteiro, porque tudo foi quebrado. Depois, você descobre que, na verdade, não há nada quebrado… e nem mais céu tem! Não tem mais nada!
*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite de 02 de Fevereiro de 2018 – Encontros online todas as segundas, quartas e sextas às 22h (exceto em períodos de retiros) – Para informações sobre o app Paltalk e instruções de como participar, clique aqui.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Autoinvestigação

A mente se repete… Ela é uma repetição. Quando não há mente, não há repetição, então tudo é sempre novo, fresco. Deus é isso tudo que está acontecendo! Você não deve fugir de nada, mas, também, não deve procurar nada. Quando você foge ou procura, você está dizendo que a vida neste momento não é boa como ela é. Esse é o movimento da mente dual, separatista, egoica. Fugindo ou buscando, você não permanece aí, que é onde a Graça pode encontrá-lo, você “vai” com a mente, mantendo-se nesse antigo modelo de ignorância, de sofrimento, de afastamento de Deus, de afastamento Daquilo que É, Do que se apresenta, que é a Verdade deste instante.
Você introduz o pensamento e o sentimento como elementos norteadores dessa falsa vida egoica. Você não faz autoinvestigação para ser alguém nesse “fazer”, mas para descobrir que não há alguém fazendo, pois ela, em si, é um acontecimento de Deus, da Graça. A autoinvestigação é Deus à procura de Si mesmo; é Deus olhando para um “espectro de fantasma”. Quando Deus vê o espectro, esse fantasma não O assusta, e some. Quando não tem susto, não tem fantasma; quando tem fantasma, o susto está presente. Porém, se o fantasma não assusta, ele deixa de ser um fantasma e desaparece. Assim é o sentido do ego, quando ele é visto por essa Presença ‒ Ela vê que não existe nenhum ego.
Então, repito: a autoinvestigação não é para se dizer que há alguém vendo, é para se perceber que não há ninguém vendo, nem nada para ser visto; é uma “ferramenta” para lhe mostrar que não há nenhuma ferramenta para que este trabalho seja feito. Usa-se uma “ferramenta” para descobrir que não tem ferramenta; seu uso é para saber que não tem alguém usando uma ferramenta. A autoinvestigação é uma “tecnologia”, uma “técnica”, uma “prática”, para se descobrir que não tem nenhuma tecnologia, técnica ou prática… É somente para descobrir que não há realidade nisso.
*Transcrito a partir de uma fala em um encontro presencial na cidade de Campos do Jordão, no Ramanashram Gualberto, em Junho de 2017. Acesse a nossa agenda e se programa para estar conosco: http://mestregualberto.com/agenda/agenda-satsang.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Um espaço sem limites de profundo silêncio

O seu mundo, que é a sua história, que é você como uma entidade presente na experiência, seja ela qual for, é só o conteúdo mental. Vou dar um exemplo para você do que é esse conteúdo mental. Você sabe o seu nome do meio?
Participante: Sei!
Mestre: Qual é o segundo nome, o do meio dele?
Participante: Não sei!
Mestre: Esse “sei” é conteúdo, e esse conteúdo é o seu mundo, o qual só é real para você. Esse “não sei” é real para todos; é a ausência de conteúdo. O Sábio não tem conteúdo, ele tem o “não sei”. Quando há esse “não sei”, fica esse imenso Espaço. Quando eu perguntei a você o nome do meio dele e você disse “não sei”, foi possível ver que um imenso Espaço se abriu. Quando eu perguntei o seu nome do meio, então, você saiu do Espaço Indefinível e entrou num espaço e tempo definíveis. Esse é o ego!
O seu Estado Natural é esse Espaço Indefinível e Indescritível do “não sei”. Isso é Sabedoria, é a ausência da história. Você não sabe o seu nome do meio; você passa a saber apenas quando eu lhe pergunto. Então, você vê que isso não é real, porque é uma coisa que aparece com a memória. Diante da pergunta, você vai buscar a resposta na memória. Até então você não sabia o que eu iria perguntar, portanto, você estava nesse “não sei”. Nesse “não sei” há um profundo relaxamento, mas no “sei” há tensão. Quer ver? Você é um menino ou uma menina? Uma mulher ou um homem? Não existe uma tensão?
Participante: Sim! Eu senti dificuldade quando perguntou o meu nome. Senti dificuldade de ir buscar isso. Pensei: “Nossa, para quê isso?”.
Mestre: Lindo! Exatamente! Você precisa buscar na memória, ou seja, você não tem nome. Então, quando eu pergunto a você se é uma mulher ou um homem… Que coisa mais insignificante! Você precisa buscar e dizer: “Eu sou uma mulher!”. Mas, quando você está no “não sei”, você está num Espaço sem limites, de profundo Silêncio. É um mundo que se estende, que se abre, e esse Instante, esse Momento, esse Espaço, que é onde essa Felicidade se revela em Ser, (que não é ser algo, nem ser alguém) fica perdido.
O “ouvir”, o “sentir”, o pensamento aparecendo, devem ser tratados da mesma forma, nesse Espaço. Você não agarra o vento — você sente e escuta, mas não está interessado em agarrá-lo. Mas, quando surge um pensamento em sua cabeça, você “pega” isso e traz para a “pessoa”. Quando você faz isso, a “pessoa” aparece e, então, surgem os problemas. Isso é o que eu chamo de “contração”.
Quando surge a entidade presente na experiência do pensamento, surge o pensador. O pensador tem uma história para contar; primeiro, para ele mesmo e, depois, para o mundo. Ele tem que ficar confirmando essa história o tempo todo, senão ele deixa de ser alguém.
Isso é muito doloroso, será? Para mim, isso é libertador — não ser o pensador e não ter uma história para contar, nem pra si mesmo, nem para ninguém. Isso é Iluminação!
A expressão “Iluminação” não é um espaço cheio de luz, mas a ausência da ilusão do espaço e do tempo. Isso é Amor, Isso é Felicidade!
Agora mesmo, nesse Ilimitado e Indescritível Espaço, não há falta, mas basta o desejo surgir, que surge uma “viagem”: “Puxa, eu queria estar agora…”. Sua intenção em estar nessa “viagem” é relaxar em seu Ser, mas você só pode relaxar em seu Ser aqui e agora. Então, você chega ao lugar desejado e diz: “Uau! Que lugar lindo, maravilhoso!”. Mas, bastam três segundos de relaxamento para você dizer: “O que eu estou fazendo aqui? Eu tinha que estar…”.
A mente continua nesse truque, levando você para o tempo e para o espaço, na tentativa de fazer você sentir a completude de ser Aquilo que Você já É, aqui e agora. Contudo, isso nunca acontece, porque você está sempre “viajando” com ela. Você vai de um prazer para outro, e outro… A mente tem que estar sempre buscando isso para se sentir completa, o que nunca acontece. Ela fica excitada em buscar sensações. Ela precisa disso, porque sem isso ela desaparece… Então, só fica Você em sua Natureza Real.
*Transcrito a partir de uma fala em um encontro presencial na cidade de João Pessoa, em de Agosto de 2016. Acesse a nossa agenda e se programa para estar conosco: http://mestregualberto.com/agenda/agenda-satsang.

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