sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Lembrar-se de Deus é lembrar-se de Si mesmo

Você não vai mudar o lado de fora, não vai salvar, consertar, reformar alguma coisa. Você não vai mudar o destino da humanidade, do homem; não vai parar as guerras, acabar com a fome, espiritualizar a humanidade, nem salvar a flora ou a fauna. As pessoas se importam com isso, vivem em suas exterioridades, em um mundo projetado pelo pensamento. A Felicidade não! A Felicidade já salvou o mundo! Ela é como um quadro, no qual a imagem do mundo aparece. Uma vez que a Felicidade está presente, o mundo está a salvo! Então, não se preocupe em, na mente, salvar o mundo. Trabalhe o fim da mente e o mundo fica aos cuidados da Felicidade. Eu sei que vocês foram ensinados a serem boas pessoas, e é possível ser uma boa pessoa depois de muito treino. Porém, uma boa pessoa ainda é parte de um mundo perdido, sem salvação. Sem “pessoa”, ou seja, na Felicidade, o mundo está a salvo, mas não foi você quem o salvou. Quando você desaparece, o mundo fica livre, porque você é a doença; você é o vírus, a bactéria. A ilusão de “ser alguém” causa a dor, deixa o mundo enfermo – isso é a doença do mundo!
Você é a maldade do mundo, desse mundo que só existe para pessoas, nas pessoas e com as pessoas. Não tem nada de errado com o mundo! Na visão da Felicidade, o mundo é o que é, mas, na visão da pessoa, o mundo é miserável, sofredor, está doente, perdido, precisando de salvação. Deixe o mundo em paz! Deixe o outro em paz! Enquanto houver “você”, há o outro. Certo filósofo disse: “O inferno é o outro!”. Não sei se era isso que ele queria dizer, mas, pelo menos, é o que estou dizendo… Enquanto você estiver presente, o outro será infernal; quando você não estiver mais presente, não haverá mais inferno. O Amor é invencível, impoluto, imbatível. O Amor é a Natureza do Ser, que é a Felicidade. Não tem inferno, desordem, caos, nem confusão, quando há Amor, que é Consciência, Felicidade.
Então, a lição que fica para você é: não espere, não busque, não tente encontrar, desconecte-se. Você está conectado o tempo todo, acessando um mundo específico. Desconectado, esse mundo específico desaparece e fica a Vida como Ela é: Real! O mundo fica como ele é: Real! É só desconectar! Na Índia, eles chamam isso de Samadhi… Ser, Consciência, Felicidade! É a desconexão da ilusão, das aparições da mente e suas criações imaginárias, do sentido ilusório de um “eu” presente. Desconexão… Samadhi! Isso é Beatitude, Bem-Aventurança… Isso é O que é, Isso é Felicidade, que é quando o mundo não precisa ser salvo; quando não tem nenhum mundo doente precisando de cura.
Como soa isso para você? Para mim, soa como algo assim: Silêncio, Quietude… Não interfira, deixe como está, não se envolva, não se meta nesses assuntos! “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus!” – está na Bíblia, no Salmo 46, versículo 10. Desconsidere a “pessoa” que você acredita ser quando ela for ofendida, magoada, chateada, aborrecida, maltratada, desprezada, desacreditada, rejeitada… Desconsidere a “pessoa” que você acredita ser nesses momentos. Olhe como é prático isso! Pare de invocar seu poderio, sua realeza, seu poder de alterar o que os outros pensam e esperam de você. Isso tudo é medo, sofrimento. Desconsidere isso, anule-se! Aceite ser nada, ser sem ego. Ego, aqui, é a resposta que reage, de uma forma muito rápida, numa autodefesa amedrontada, querendo impor sua vontade, seus desejos, controles, suas determinações… Puro ego! Isso sustenta e mantém a miséria, a ilusão. Isso deixa o mundo enfermo!
Você precisa de algum tempo nisso. Você vai à academia uma vez a cada seis meses e espera algum resultado… Levará muito tempo! Talvez, antes que você veja qualquer resultado, o corpo já tenha dado algum “piripaque”, porque a frequência não é essa, o aconselhamento não é para ir de seis em seis meses. Essa observação daquilo que se passa aí “dentro” e o que se passa “fora” deve ser feita momento a momento. É nesse momento que você deve observar a linguagem que sai da sua boca, os pensamentos que aparecem na sua cabeça, como você olha para alguém, como você fala com alguém, o que pensa sobre alguém ou sobre uma dada situação, quais são as suas reações diante do que acontece… É nesse momento! É momento a momento e não daqui a seis meses! Você precisa treinar isso, trabalhar isso, colocar o coração nisso, dormir e acordar com isso.
Você acorda e se lembra de Deus – lembrar-se de Deus é lembrar-se de Si mesmo. Você dorme, acorda e o primeiro pensamento pela manhã é observar o pensamento. O pensamento é: observe o pensamento! Então, você dá um passo para trás e observa o pensamento que observou o pensamento. Pela manhã, você já acorda assim, passa o dia assim e, então, você tem um santuário, onde você está devotando a sua vida a Deus.
Lembro que, quando eu era criança, vivia orando. Eu não sabia nada sobre Meditação, sobre essa atenção, sobre o movimento da mente. Eu ficava curioso e meu pai dizia: “É assim mesmo! Feche seus olhos, coloque suas mãos sobre os joelhos e coloque sua mente em Deus!”. Então, ele me ensinou a meditar, mesmo sem sabermos o que era isso. Eu entrava no ônibus, naquela época, e ficava com a mente em Deus, porque a mente era muito barulhenta, cheia de pensamentos feios e eu me sentia mal com aquilo. Eu sabia que tinha algo errado, mas não sabia o que era.
Então, você acorda pela manhã e já começa a colocar a sua mente voltada para Deus, para a oração, para a prece, para a lembrança do Divino… Colocar o seu coração voltado para aquela imagem que lembra Deus, para O que está além dela, além da própria mente. Então, a mente começa a se tornar pura. Na Índia, eles chamam de Sattva esse poder de tornar a mente pura. A mente, a princípio, é cheia de pecados, cheia de desejos, sempre voltada para o exterior, para as coisas externas, para os objetos. Ela quer uma bolsa nova, um sapato novo, uma casa nova, um namorado novo… É sempre alguma coisa nova! A mente está sempre entediada de si mesma, porém ela acha que está entediada dos objetos antigos que ela tem. Na verdade, a mente está entediada dela mesma, ela não se suporta e, então, quer alguma coisa nova. Ela fica nesse jogo de substituição, sempre voltada para o exterior. Então, você acorda pela manhã e já coloca a sua mente nessa observação. Quando faz isso, você já coloca sua mente em Deus, voltada para a observação do seu movimento.
*Transcrito de uma fala ocorrida em Julho de 2017, num encontro presencial, na cidade de João Pessoa/PB. Para informações sobre os encontros e instruções de como participar, clique aqui.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

A ilusão do controle

A mente tem a ilusão de que pode controlar as coisas. Um dia, Ramana Maharshi fez uma observação para Annamalai Swami. Ele disse: “As pessoas vêm aqui, fazem a sua saudação e ficam aqui por um tempo. Mas, no tempo que passam aqui, elas agem como se estivessem dentro de um reino, no qual elas se sentem reis. Elas esquecem por que motivo estão aqui e querem agir como se fossem verdadeiros reis, como se tudo aqui existisse para servi-las. Elas querem mandar, então dizem: ‘Vamos fazer assim… Vamos resolver isso, fazer aquilo’. Depois, olham para mim e dizem: ‘Bem que o Mestre poderia fazer isso ou aquilo; poderia sair pelo mundo levando a sua mensagem’. As pessoas esquecem por que estão aqui; elas querem reformar o Ashram e querem que eu mude!”.
Uma coisa que eu acho interessante, para você observar, é a necessidade ilusória que a mente tem de que as coisas aconteçam do jeito que ela quer. Você carrega essa ilusão na mente, mas precisa observar isso. Para você, a felicidade virá quando as coisas acontecerem como você espera que elas aconteçam. Quer seja aqui dentro ou lá fora, você sempre vai querer alguma coisa da vida.
O que os Sábios sabem, que é tão simples? É que a vida se move do jeito dela. Em alguns momentos, ela vai lhe oferecer sofrimento, o que, na verdade, é só um movimento dela. A vida não se importa com você! Você não é importante para ela! Ela acontece como tem de acontecer, mas você interpreta isso como sofrimento. Em alguns momentos, você percebe que a vida lhe oferta sofrimento, mas essa é a sua falsa interpretação do que acontece. Em outros momentos, ela oferece satisfação, prazer e preenchimento, o que, também, é uma falsa interpretação daquilo que acontece – é um modo particular, pessoal, de ver o que acontece.
Enquanto estiver esperando da vida alguma coisa, você jamais será feliz, jamais conhecerá a Felicidade, porque o conceito de felicidade que se tem é o de satisfação e prazer, que se realiza e conquista naquilo que acontece, naquilo que se apresenta. Mas, nem sempre é assim, porque nem sempre a vida corresponde às suas expectativas. Boa parte das vezes (para não dizer na maioria das vezes), exatamente porque você não existe – embora se sinta tão importante nessa crença – a vida vai surpreender você negativamente.
Por mais que alguém diga que o Universo está conspirando a seu favor – o que soa muito bonito e romântico – isso é somente uma ficção; é uma dessas frases que a imaginação criou e por detrás dela, você se esconde, ouvindo falas sobre positivismo, adquirindo essa coisa tão infantil que são os ensinamentos sobre autoajuda. É próprio da mente, em sua ingenuidade, buscar ser ensinada, e ela busca isso nos ensinos de como ajudar a si mesma para ter sucesso, realizar-se, concretizar algum objetivo, alvo, para sentir-se bem com ela mesma e, depois, jamais chamar isso de felicidade.
Você nunca tem um lado da moeda sem ter o outro. A natureza da mente é dual – nunca haverá o bem sem o mal, o certo sem o errado, a felicidade sem a infelicidade, o prazer sem a dor. Então, você não pode esperar do mundo externo alguma coisa, ou pode esperar qualquer coisa, mas não uma coisa positiva e definitiva, como a felicidade permanente, o sucesso permanente… O sucesso de hoje é o fracasso de amanhã; o prazer de hoje é a dor de amanhã; a felicidade de hoje é a infelicidade de amanhã.
A Felicidade Real não vem da vida, não é uma coisa chegando até você. A Felicidade Real é um transbordamento do seu Ser! Não é algo que chega, é algo que sai; não é algo que vem, é algo que vai daqui para lá… Não vem de lá para cá. A mente quer fazer a coisa certa, mas quer a “sua” coisa certa, que não é tão certa, porque ela está tremendamente equivocada na própria raiz. Se o equívoco está na raiz, no tronco, no caule, nos galhos, nas folhas, então você vai encontrar o mesmo engano nos frutos. O fruto do equívoco é o equívoco; da confusão, a confusão; da ilusão, a ilusão.
Tudo que vocês receberam da cultura, receberam da mente. A cultura é a mente e está dentro dessa dualidade, dessa experiência dual. Essa experiência dual da mente é verdade e falsidade, prazer e dor, certo e errado, bem e mal… O que nasce da mente é parte dela mesma. Não há Sabedoria na mente – há muito conhecimento, mas não Sabedoria. Conhecimento e Sabedoria são coisas diferentes: o conhecimento é cultural; a Sabedoria é existencial. Tem que ir além da mente! O conhecimento é dual e a Sabedoria é não dual, porque Nela não há opostos. No conhecimento, na cultura, na mente, você encontra sempre os opostos, com as suas contradições.
A minha recomendação a você é: vá além da cultura, do conhecimento e do que você chama de “vida”, a qual tem ofertas para você. Assim, a Felicidade é possível, porque a Felicidade não é cultural e ela não nasce, não é fruto do conhecimento, nem descansa nele. Ela é algo além do conhecido, não faz parte da mente… Ela está além da mente e, assim sendo, está além destes opostos, da dualidade. Então, ela não vem de fora; vem de dentro.
Quando eu falo “dentro”, eu falo da Natureza do Ser, da Natureza da Realidade última, da Absoluta Realidade, Daquilo que é indefinível, indescritível, inominável. Assim sendo, além da mente é a Meditação, que está além dos opostos. A Meditação é o acesso a essa interioridade e está além dessa, assim chamada, “vida” que faz ofertas. Talvez, Ela seja a própria Vida que está além dos opostos, mas não aquilo que você chama de “vida”, porque você chama de “vida” aquilo que acontece do lado de fora. O que acontece do lado de fora, somente acontece, sem a preocupação de “alguém” interpretando isso. Assim, estamos diante da Vida Real e, nesse sentido, Ela é a Felicidade. Mas, se o que encaramos como vida é aquilo que acontece, porque temos expectativas com relação a isso, aí já estamos numa falsa interpretação do que de fato é a Vida, como Ela acontece, como Ela é.
A Sabedoria não dual, além da mente, além dos opostos, que é Meditação, é a Felicidade. Ela não é circunstancial, aparente, não depende do que acontece, ou que parece acontecer, externamente. Isso significa que você não procura nada, nem espera nada de nada, de ninguém, de coisa alguma. Você fica com o que é, sem julgamento, sem comparação, sem rejeição e sem aceitação. Então, você está além da mente, e isso é estar além dessa “vida” que a mente conhece. Traga Meditação para essa “vida” que você conhece (que é a vida que a mente conhece), que, então, ela se dissolve, desaparece, e a Felicidade se faz presente. Ela não virá; ela brotará… Ela surgirá de dentro da própria Vida Real.
*Transcrito de uma fala ocorrida em Julho de 2017, num encontro presencial, na cidade de João Pessoa/PB. Para informações sobre os encontros e instruções de como participar, clique aqui.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Profundamente guardado dentro de nós

Em Satsang, estamos falando sobre Liberdade, Felicidade, Deus, sobre nós mesmos… Aquilo que está profundamente guardado dentro de nós. A Felicidade é algo que depende dessa maestria de Ser, mas poucos neste mundo estão interessados na real Felicidade. Isso porque poucos estão mergulhando dentro de si mesmos para encontrar Isso, para tomar ciência Disso.
A natureza da mente é se voltar para as exterioridades, para o lado de fora. A mente está interessada em satisfação, preenchimento, conforto, prazer, desejo… As pessoas vêm a mim, mas elas não estão interessadas no que tenho para entregar para elas. Elas estão muito dispersas, muito fixadas em exterioridades, em realizações do lado de fora. A Felicidade não está em objetos externos, mas sim em nós, dentro de nós, e a maestria, a arte da Felicidade é Ser, não é ter coisas, como um novo marido, uma nova casa, nova realização sentimental, emocional, pelas quais a mente está interessada.
As pessoas estão interessadas em seus projetos e pensamentos, no mundo das formas, das aparências, das cores, dos nomes, na exterioridade. A beleza, a riqueza e os objetos não darão Felicidade, tampouco o conhecimento. Você só encontra Isso aí dentro! Todo meu interesse é nessa Felicidade, e isso não é algo desse mundo da mente.
A mente é confusão, desordem, sofrimento. A mente é samsara, o que significa “a roda da confusão”, “a roda do engano”. Se você tem a intenção de realizar a Felicidade, tem que se tornar um mestre na ciência de Ser; tem que sair da mente, porque ela é conflito. Permaneça voltado para o Coração, volte-se para dentro, vá além das aparências, dos nomes, das formas, das cores… Externamente, do lado de fora, está o furacão. Porém, no olho do furacão, está a calmaria. Isso é a Verdade presente, aqui, neste instante.
Então, torne-se um mestre de si mesmo. Encontre Isso no Silêncio, dentro de você, não do lado de fora. A Coisa toda está dentro e não fora. A miséria morre quando a mente morre, mas vocês estão viciados em pensamentos, em sentimentos, agarrados a percepções, a sensações.
*Transcrito de uma fala ocorrida em 07 de Setembro de 2017, num encontro aberto online. Para informações sobre os encontros e instruções de como participar, clique aqui.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Em seu Estado Natural, você é a própria Realidade!

Entrar em contato com uma fala como essa é mais do que aproximar-se de palavras. As palavras são símbolos. Assim, tudo que você percebe através dos sentidos pode ser comunicado através de uma palavra. A fala, portanto, descreve percepções, aquilo que os olhos, os ouvidos, o olfato, o tato e o paladar percebem.
Nosso interesse, nesse encontro, é descobrir Aquilo que está além das palavras, além das percepções, além dos sentidos. Satsang significa investigar a natureza da Realidade. A Realidade é Aquilo onde tudo surge, onde tudo aparece, onde tudo é percebido. Identificado com a mente e o corpo, você pode passar uma vida inteira se confundindo com a ilusão da existência de “alguém” presente na experiência da percepção. Para a mente, a percepção é a Realidade, mas eu quero lhe dizer que a Realidade está além da percepção.
Você precisa compreender a diferença entre percepção e Realidade. Quando você está identificado com o corpo e com a mente, as experiências acontecem para uma suposta “identidade” presente, para esse “mim”, para esse “eu”. Sem identificação com o corpo e com a mente, você pode estar em contato com a direta Realidade, que é a Verdade sobre si mesmo. Isso significa viver livre do sentido do ego, do “mim”, do “eu”. Perceba a importância, a beleza, a graça que existe por trás disso!
Você, em seu Estado Natural, não é uma pessoa, não é uma egoidentidade. Em seu Estado Natural, você é a própria Realidade! Qual é a implicação disso? A implicação disso é viver sem conflito, sem medo, sem sofrimento, nesse estado de indescritível Liberdade, Felicidade. Alguns chamam isso de Iluminação. Eu prefiro chamar de Estado Natural, porque você não é um ser especial, alguém que tem uma lâmpada acesa sobre a cabeça. Você não dispara raios das pontas dos dedos, nem tem superpoderes, como o super-homem ou a mulher-maravilha.
Portanto, em seu Estado Natural, você não é especial, não é superior a ninguém, não é maior do que ninguém. Você apenas não se confunde mais com o sentido de separação, não se identifica mais com o sentido de dualidade. Não tem mais “você”, Deus e o mundo, como a mente o fazia acreditar antes. Esse é o fim da confusão, de toda desordem emocional, psicológica, porque é o fim da ilusão.
Esse Estado Natural é a Realidade de Deus! Você nasceu para realizar Isso, apenas Isso, unicamente Isso, e nada mais! É quando, então, você está em “casa”, em Paz… Você é Sábio! Você está curado! Você havia sido picado pela serpente da ignorância e agora está curado, não há mais veneno no corpo!
Você não pode encontrar a Verdade de Deus, essa Verdade sobre Você, no mercado, pagar uma pechincha por Ela e levá-La para casa. Não é assim! O preço da Realidade, da Verdade, do Despertar, é a sua vida, a sua história, o seu mundo… Você terá que entregar tudo isso! Se você ainda tem desejos, sonhos e ainda quer fazer muita coisa nesse mundo, é sinal que você ainda gosta muito dele. Esqueça esse mundo ou esqueça Deus! Lembrar-se desse mundo é esquecer-se de Si mesmo; esquecer-se desse mundo é lembrar-se de Si próprio. Eu falo desse mundo que a sua mente construiu, com seus desejos e medos, com seus sonhos e esperanças. Esse é o único mundo do qual você precisa se livrar – o mundo imaginário criado por essa suposta identidade presente.
Tudo isso é puro condicionamento! Você foi condicionado a acreditar que a Felicidade é para “alguém” – esse “alguém” que você acredita ser. Um “alguém” que encontrará essa Felicidade do lado de fora, no mundo imaginário criado pelo próprio pensamento. Assim, você acredita que um casamento lhe dará Felicidade; o sucesso em uma carreira profissional lhe dará Felicidade; ter uma família, uma dúzia de filhos, lhe dará Felicidade; dirigir um carro importado – uma Lamborghini ou uma Ferrari – fará você encontrar a suprema Felicidade…
A Felicidade reside aqui e agora! É o seu Ser! O seu Ser é Amor, Paz, Liberdade, Inteligência, Sanidade, Completude, e Isso já está aqui e agora! Não tem nada a ver com experiências sensoriais, sensações, percepções… Quando eu falo de percepções, eu me refiro a percepções físicas e não físicas (chamadas de percepções espirituais). Tudo isso está dentro da mente. A mais sublime das percepções espirituais ainda é uma experiência mental; o ego ainda está lá. Lamento ter que dizer isso a você. Se você ainda está agarrado a essas coisas, fico muito triste por você, pois não valem nada, quer nesse mundo ou no “outro mundo”.
*Transcrito de uma fala ocorrida em 12 de Maio de 2017, num encontro aberto online.
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quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Satsang é a revelação de sua Real Natureza

Satsang é a revelação de sua Real Natureza. Isso é algo semelhante ao fim do capítulo de um livro – é o fim do “capítulo” de sua vida. Satsang termina com a crença de que você é uma entidade separada no mundo, movendo-se, escolhendo, envelhecendo e destinada a morrer. Antes de Satsang, esse é o “capítulo” de sua vida. Satsang é o final desse “capítulo”.
Quando esse “capítulo” termina, algo tem início… Acontece o começo de um novo momento, o qual nós podemos chamar de Realização ou Despertar da Verdade, da Sabedoria, quando a compreensão, em diversas áreas de sua vida, assume uma posição inteiramente nova, diferente. Isso se reflete na maneira como você pensa, sente, percebe, se reporta e se relaciona com a vida. É o fim de um processo conhecido, comum, ordinário, que vem sendo aceito como algo natural, mas sempre insatisfatório, no qual a maioria vive. É o começo do reconhecimento dessa Verdade sobre você mesmo, que representa o fim da ignorância acerca de si próprio.
Nessa nova fase, nesse novo início, há um real Ser, um real Eu… Eu Sou! Esse “Eu”, nessa frase “Eu Sou”, assume um sentido completamente diferente. Esse “Eu” significa Presença ou Consciência, que é Aquilo que conhece, que está ciente – a real Consciência dos pensamentos, sentimentos e das sensações, que não se confunde com eles. Assim, o estado conhecido, comum, considerado natural nessa egoidentidade, termina. O “eu” que conhecemos antes de terminar esse “capítulo”, antes de Satsang, é um “eu” confuso, desorientado, desordenado, identificado com pensamentos e perdido em sentimentos, sensações e percepções, mas, nessa nova fase, isso muda.
Portanto, esse “Eu”, na expressão “Eu Sou”, refere-se a essa Consciência, a essa Presença. Reparem que essa Consciência, Presença, está sempre consciente de pensamentos, sensações, emoções, sentimentos e percepções. Porém, antes do final desse “capítulo”, o “eu”, na frase “eu sou”, é um “eu” em conflito, com medo, em sofrimento, inconsciente e levado pelas circunstâncias, por pensamentos, sentimentos e emoções. Esse é um “eu” que carrega o sentido de separação, de dualidade e de uma existência separada da vida como ela se apresenta. Na verdade, esse sentido do “eu” está ocultando sua Real e Verdadeira Natureza, que é Consciência, Presença, Paz, Felicidade – essa é a real condição de toda experiência no Ser, em seu Ser Real, Verdadeiro.
Isso explica porque há essa grande e profunda dor em seu coração, com a qual você cresceu; é a dor dessa entidade separada, dessa “pessoa” que você acredita ser, desse sentido de estar separado da existência. A maioria das pessoas tenta abafar essa dor vivendo cheia de objetos, pessoas, lugares e relacionamentos novos. Esse imaginário sentido do “eu”, dessa entidade separada, com essa profunda dor dentro, está sempre buscando paz, felicidade e amor em objetos, do lado de fora, em coisas e pessoas. Porém, na verdade, esse sentido de um “eu” separado não pode encontrar Paz, Felicidade, Liberdade, Verdade e Amor, porque ele se encontra carregado desse sentido de existência separada. É exatamente isso que está velando ou ocultando essa Verdade do Ser, da Presença, da Consciência, da sua Natureza Verdadeira, A qual, Nela mesma, é Paz, Liberdade, Amor, e não busca nada, não precisa de nada.
Isso é semelhante àquela mariposa que busca a luz: tudo o que ela quer é a luz, mas não pode tê-la. Quanto mais a mariposa se aproxima, mais o calor a assusta, e, ao mesmo tempo, mais fascinante aquela luz se torna para ela. Porém, ela não pode tê-la. O sentido de um “eu”, de uma existência separada, está sempre em busca da Paz, da Liberdade, da Felicidade, mas não pode encontrá-Las, a não ser que desapareça, como a mariposa desaparece no fogo. Essa é a única experiência possível para a mariposa, assim como é a única experiência real possível para essa entidade separada, essa “pessoa” que você acredita ser… É a única experiência real possível para a realização da Felicidade, da Paz, da Liberdade e do Amor.
Você não pode ter a luz e continuar sendo uma “mariposa”. Você não pode ter Deus e continuar sendo o “eu”, a “pessoa”! Não é possível “você” e a Verdade! Não é possível esse sentido de um “eu”, de pessoalidade, com seus conflitos, dilemas e problemas, e a Verdade da Consciência impessoal, do Ser, da Felicidade!
Talvez não faça sentido para você ouvir isso, a princípio. Talvez você esteja vivendo a primeira parte ainda, que é esse “capítulo” da vida tradicional, comum, aceita pela grande maioria como sendo real. É necessário o fim desse “capítulo”, dessa história… o fim dessa “mariposa”. Todos estão à procura disso, mas, equivocadamente, do lado de fora, em objetos, relacionamentos… tentando manter esse sentido de identidade, isso que eles acreditam ser. Porém, para esse sentido de separação, é literalmente impossível se livrar do sofrimento, do medo e do conflito, dessa dor profunda no coração.
É necessário desistir dessa ilusão de ser “alguém” com essa tradicional forma de sentir e pensar, que é quando a verdade sobre si mesmo é ignorada; quando a verdade da natureza da experiência é ignorada. Então, qual a verdade da natureza da experiência? A verdade é que não existe uma entidade separada nesse “pensar”, “sentir” e “ser”. É necessário tornar-se aberto, vazio, transparente… É necessário assumir essa Consciência, essa Presença, além dessa ilusão de separatividade, dessa “pessoa” que você acredita ser.
Assim, o coração pode ser saturado, pode viver essa saturação do sentido da Verdade, que é Paz, Felicidade e Amor. Essa Realização, essa saturação de Presença, dissolve todas as crenças. Nessa Realização, a Verdade revela-se como Amor, em toda a sua totalidade. Esse é, ou deveria ser, o mais alto propósito de toda arte, filosofia, religião e ciência: revelar a natureza do Ser, a natureza de Deus em você. Somente isso representa real Liberdade, Sabedoria e Felicidade. Sem isso, filosofia é mero intelecto, religião é puro ritual e tudo aquilo que nós chamamos de ciência fica a serviço de um propósito muito menor.
*Transcrito de uma fala ocorrida em 29 de Março de 2017, num encontro aberto online.
Para informações sobre os encontros e instruções de como participar, clique aqui.

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