segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Profundamente guardado dentro de nós

Em Satsang, estamos falando sobre Liberdade, Felicidade, Deus, sobre nós mesmos… Aquilo que está profundamente guardado dentro de nós. A Felicidade é algo que depende dessa maestria de Ser, mas poucos neste mundo estão interessados na real Felicidade. Isso porque poucos estão mergulhando dentro de si mesmos para encontrar Isso, para tomar ciência Disso.
A natureza da mente é se voltar para as exterioridades, para o lado de fora. A mente está interessada em satisfação, preenchimento, conforto, prazer, desejo… As pessoas vêm a mim, mas elas não estão interessadas no que tenho para entregar para elas. Elas estão muito dispersas, muito fixadas em exterioridades, em realizações do lado de fora. A Felicidade não está em objetos externos, mas sim em nós, dentro de nós, e a maestria, a arte da Felicidade é Ser, não é ter coisas, como um novo marido, uma nova casa, nova realização sentimental, emocional, pelas quais a mente está interessada.
As pessoas estão interessadas em seus projetos e pensamentos, no mundo das formas, das aparências, das cores, dos nomes, na exterioridade. A beleza, a riqueza e os objetos não darão Felicidade, tampouco o conhecimento. Você só encontra Isso aí dentro! Todo meu interesse é nessa Felicidade, e isso não é algo desse mundo da mente.
A mente é confusão, desordem, sofrimento. A mente é samsara, o que significa “a roda da confusão”, “a roda do engano”. Se você tem a intenção de realizar a Felicidade, tem que se tornar um mestre na ciência de Ser; tem que sair da mente, porque ela é conflito. Permaneça voltado para o Coração, volte-se para dentro, vá além das aparências, dos nomes, das formas, das cores… Externamente, do lado de fora, está o furacão. Porém, no olho do furacão, está a calmaria. Isso é a Verdade presente, aqui, neste instante.
Então, torne-se um mestre de si mesmo. Encontre Isso no Silêncio, dentro de você, não do lado de fora. A Coisa toda está dentro e não fora. A miséria morre quando a mente morre, mas vocês estão viciados em pensamentos, em sentimentos, agarrados a percepções, a sensações.
*Transcrito de uma fala ocorrida em 07 de Setembro de 2017, num encontro aberto online. Para informações sobre os encontros e instruções de como participar, clique aqui.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Em seu Estado Natural, você é a própria Realidade!

Entrar em contato com uma fala como essa é mais do que aproximar-se de palavras. As palavras são símbolos. Assim, tudo que você percebe através dos sentidos pode ser comunicado através de uma palavra. A fala, portanto, descreve percepções, aquilo que os olhos, os ouvidos, o olfato, o tato e o paladar percebem.
Nosso interesse, nesse encontro, é descobrir Aquilo que está além das palavras, além das percepções, além dos sentidos. Satsang significa investigar a natureza da Realidade. A Realidade é Aquilo onde tudo surge, onde tudo aparece, onde tudo é percebido. Identificado com a mente e o corpo, você pode passar uma vida inteira se confundindo com a ilusão da existência de “alguém” presente na experiência da percepção. Para a mente, a percepção é a Realidade, mas eu quero lhe dizer que a Realidade está além da percepção.
Você precisa compreender a diferença entre percepção e Realidade. Quando você está identificado com o corpo e com a mente, as experiências acontecem para uma suposta “identidade” presente, para esse “mim”, para esse “eu”. Sem identificação com o corpo e com a mente, você pode estar em contato com a direta Realidade, que é a Verdade sobre si mesmo. Isso significa viver livre do sentido do ego, do “mim”, do “eu”. Perceba a importância, a beleza, a graça que existe por trás disso!
Você, em seu Estado Natural, não é uma pessoa, não é uma egoidentidade. Em seu Estado Natural, você é a própria Realidade! Qual é a implicação disso? A implicação disso é viver sem conflito, sem medo, sem sofrimento, nesse estado de indescritível Liberdade, Felicidade. Alguns chamam isso de Iluminação. Eu prefiro chamar de Estado Natural, porque você não é um ser especial, alguém que tem uma lâmpada acesa sobre a cabeça. Você não dispara raios das pontas dos dedos, nem tem superpoderes, como o super-homem ou a mulher-maravilha.
Portanto, em seu Estado Natural, você não é especial, não é superior a ninguém, não é maior do que ninguém. Você apenas não se confunde mais com o sentido de separação, não se identifica mais com o sentido de dualidade. Não tem mais “você”, Deus e o mundo, como a mente o fazia acreditar antes. Esse é o fim da confusão, de toda desordem emocional, psicológica, porque é o fim da ilusão.
Esse Estado Natural é a Realidade de Deus! Você nasceu para realizar Isso, apenas Isso, unicamente Isso, e nada mais! É quando, então, você está em “casa”, em Paz… Você é Sábio! Você está curado! Você havia sido picado pela serpente da ignorância e agora está curado, não há mais veneno no corpo!
Você não pode encontrar a Verdade de Deus, essa Verdade sobre Você, no mercado, pagar uma pechincha por Ela e levá-La para casa. Não é assim! O preço da Realidade, da Verdade, do Despertar, é a sua vida, a sua história, o seu mundo… Você terá que entregar tudo isso! Se você ainda tem desejos, sonhos e ainda quer fazer muita coisa nesse mundo, é sinal que você ainda gosta muito dele. Esqueça esse mundo ou esqueça Deus! Lembrar-se desse mundo é esquecer-se de Si mesmo; esquecer-se desse mundo é lembrar-se de Si próprio. Eu falo desse mundo que a sua mente construiu, com seus desejos e medos, com seus sonhos e esperanças. Esse é o único mundo do qual você precisa se livrar – o mundo imaginário criado por essa suposta identidade presente.
Tudo isso é puro condicionamento! Você foi condicionado a acreditar que a Felicidade é para “alguém” – esse “alguém” que você acredita ser. Um “alguém” que encontrará essa Felicidade do lado de fora, no mundo imaginário criado pelo próprio pensamento. Assim, você acredita que um casamento lhe dará Felicidade; o sucesso em uma carreira profissional lhe dará Felicidade; ter uma família, uma dúzia de filhos, lhe dará Felicidade; dirigir um carro importado – uma Lamborghini ou uma Ferrari – fará você encontrar a suprema Felicidade…
A Felicidade reside aqui e agora! É o seu Ser! O seu Ser é Amor, Paz, Liberdade, Inteligência, Sanidade, Completude, e Isso já está aqui e agora! Não tem nada a ver com experiências sensoriais, sensações, percepções… Quando eu falo de percepções, eu me refiro a percepções físicas e não físicas (chamadas de percepções espirituais). Tudo isso está dentro da mente. A mais sublime das percepções espirituais ainda é uma experiência mental; o ego ainda está lá. Lamento ter que dizer isso a você. Se você ainda está agarrado a essas coisas, fico muito triste por você, pois não valem nada, quer nesse mundo ou no “outro mundo”.
*Transcrito de uma fala ocorrida em 12 de Maio de 2017, num encontro aberto online.
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quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Satsang é a revelação de sua Real Natureza

Satsang é a revelação de sua Real Natureza. Isso é algo semelhante ao fim do capítulo de um livro – é o fim do “capítulo” de sua vida. Satsang termina com a crença de que você é uma entidade separada no mundo, movendo-se, escolhendo, envelhecendo e destinada a morrer. Antes de Satsang, esse é o “capítulo” de sua vida. Satsang é o final desse “capítulo”.
Quando esse “capítulo” termina, algo tem início… Acontece o começo de um novo momento, o qual nós podemos chamar de Realização ou Despertar da Verdade, da Sabedoria, quando a compreensão, em diversas áreas de sua vida, assume uma posição inteiramente nova, diferente. Isso se reflete na maneira como você pensa, sente, percebe, se reporta e se relaciona com a vida. É o fim de um processo conhecido, comum, ordinário, que vem sendo aceito como algo natural, mas sempre insatisfatório, no qual a maioria vive. É o começo do reconhecimento dessa Verdade sobre você mesmo, que representa o fim da ignorância acerca de si próprio.
Nessa nova fase, nesse novo início, há um real Ser, um real Eu… Eu Sou! Esse “Eu”, nessa frase “Eu Sou”, assume um sentido completamente diferente. Esse “Eu” significa Presença ou Consciência, que é Aquilo que conhece, que está ciente – a real Consciência dos pensamentos, sentimentos e das sensações, que não se confunde com eles. Assim, o estado conhecido, comum, considerado natural nessa egoidentidade, termina. O “eu” que conhecemos antes de terminar esse “capítulo”, antes de Satsang, é um “eu” confuso, desorientado, desordenado, identificado com pensamentos e perdido em sentimentos, sensações e percepções, mas, nessa nova fase, isso muda.
Portanto, esse “Eu”, na expressão “Eu Sou”, refere-se a essa Consciência, a essa Presença. Reparem que essa Consciência, Presença, está sempre consciente de pensamentos, sensações, emoções, sentimentos e percepções. Porém, antes do final desse “capítulo”, o “eu”, na frase “eu sou”, é um “eu” em conflito, com medo, em sofrimento, inconsciente e levado pelas circunstâncias, por pensamentos, sentimentos e emoções. Esse é um “eu” que carrega o sentido de separação, de dualidade e de uma existência separada da vida como ela se apresenta. Na verdade, esse sentido do “eu” está ocultando sua Real e Verdadeira Natureza, que é Consciência, Presença, Paz, Felicidade – essa é a real condição de toda experiência no Ser, em seu Ser Real, Verdadeiro.
Isso explica porque há essa grande e profunda dor em seu coração, com a qual você cresceu; é a dor dessa entidade separada, dessa “pessoa” que você acredita ser, desse sentido de estar separado da existência. A maioria das pessoas tenta abafar essa dor vivendo cheia de objetos, pessoas, lugares e relacionamentos novos. Esse imaginário sentido do “eu”, dessa entidade separada, com essa profunda dor dentro, está sempre buscando paz, felicidade e amor em objetos, do lado de fora, em coisas e pessoas. Porém, na verdade, esse sentido de um “eu” separado não pode encontrar Paz, Felicidade, Liberdade, Verdade e Amor, porque ele se encontra carregado desse sentido de existência separada. É exatamente isso que está velando ou ocultando essa Verdade do Ser, da Presença, da Consciência, da sua Natureza Verdadeira, A qual, Nela mesma, é Paz, Liberdade, Amor, e não busca nada, não precisa de nada.
Isso é semelhante àquela mariposa que busca a luz: tudo o que ela quer é a luz, mas não pode tê-la. Quanto mais a mariposa se aproxima, mais o calor a assusta, e, ao mesmo tempo, mais fascinante aquela luz se torna para ela. Porém, ela não pode tê-la. O sentido de um “eu”, de uma existência separada, está sempre em busca da Paz, da Liberdade, da Felicidade, mas não pode encontrá-Las, a não ser que desapareça, como a mariposa desaparece no fogo. Essa é a única experiência possível para a mariposa, assim como é a única experiência real possível para essa entidade separada, essa “pessoa” que você acredita ser… É a única experiência real possível para a realização da Felicidade, da Paz, da Liberdade e do Amor.
Você não pode ter a luz e continuar sendo uma “mariposa”. Você não pode ter Deus e continuar sendo o “eu”, a “pessoa”! Não é possível “você” e a Verdade! Não é possível esse sentido de um “eu”, de pessoalidade, com seus conflitos, dilemas e problemas, e a Verdade da Consciência impessoal, do Ser, da Felicidade!
Talvez não faça sentido para você ouvir isso, a princípio. Talvez você esteja vivendo a primeira parte ainda, que é esse “capítulo” da vida tradicional, comum, aceita pela grande maioria como sendo real. É necessário o fim desse “capítulo”, dessa história… o fim dessa “mariposa”. Todos estão à procura disso, mas, equivocadamente, do lado de fora, em objetos, relacionamentos… tentando manter esse sentido de identidade, isso que eles acreditam ser. Porém, para esse sentido de separação, é literalmente impossível se livrar do sofrimento, do medo e do conflito, dessa dor profunda no coração.
É necessário desistir dessa ilusão de ser “alguém” com essa tradicional forma de sentir e pensar, que é quando a verdade sobre si mesmo é ignorada; quando a verdade da natureza da experiência é ignorada. Então, qual a verdade da natureza da experiência? A verdade é que não existe uma entidade separada nesse “pensar”, “sentir” e “ser”. É necessário tornar-se aberto, vazio, transparente… É necessário assumir essa Consciência, essa Presença, além dessa ilusão de separatividade, dessa “pessoa” que você acredita ser.
Assim, o coração pode ser saturado, pode viver essa saturação do sentido da Verdade, que é Paz, Felicidade e Amor. Essa Realização, essa saturação de Presença, dissolve todas as crenças. Nessa Realização, a Verdade revela-se como Amor, em toda a sua totalidade. Esse é, ou deveria ser, o mais alto propósito de toda arte, filosofia, religião e ciência: revelar a natureza do Ser, a natureza de Deus em você. Somente isso representa real Liberdade, Sabedoria e Felicidade. Sem isso, filosofia é mero intelecto, religião é puro ritual e tudo aquilo que nós chamamos de ciência fica a serviço de um propósito muito menor.
*Transcrito de uma fala ocorrida em 29 de Março de 2017, num encontro aberto online.
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sábado, 29 de julho de 2017

Felicidade não é a realização de desejos

Tratamos de algo simples, mas, ao mesmo tempo, profundamente desafiador. Estamos tratando com você sobre a arte da Felicidade. Satsang é isso, e representa o abandono da ilusão do sentido da “pessoa” presente. É importante que você se lembre de que a vida acontece sem “você” e de que os pensamentos, sentimentos, tudo isso é parte da vida, assim como as ações, que aparentemente são o resultado desses pensamentos e sentimentos.
O que estamos dizendo é que não se trata de tentar cooperar com a vida ou de procurar criar as condições para a Felicidade, esperando que tudo seja auspicioso. Nem sempre as coisas precisam ser perfeitas como você espera que elas sejam. O que você espera de perfeição, naquilo que acontece, é somente uma crença, uma projeção de desejo. Você não pode esperar da vida alguma coisa, porque “esperar” significa criar uma expectativa para ser miserável.
Felicidade não é a realização de desejos, nem a realização de expectativas. Felicidade é Ser! A Vida é o que é, e isso é Ser. Não há o sentido de “alguém” em Ser. Eu não disse “ser alguma coisa”, “ser feliz”… Ser é a Felicidade, mas não é ser feliz! O sentido de “pessoa” é sempre miserável, não importa o que ela realize na vida, porque essa realização ainda é parte de sua miséria. Você não pode olhar para a Verdade como um Shopping Center, onde você vai fazer compras e lá adquire tudo o que quer… Come na praça de alimentação, faz compras nas lojas de roupas, compra brinquedos e assim por diante… E agora você é “feliz”!
Não olhe a vida como um Shopping Center. Ela não tem o que você deseja, porque o seu desejo é miserável e a vida não conhece miséria. Todos procuram a Felicidade, mas confundem a Verdade, a Vida, com um grande mercado, onde podem conseguir tudo que desejam. Não é conseguindo o que deseja que você será feliz, mas exatamente o oposto: é deixando de desejar, abandonando o sentido de “alguém” presente que deseja – esse “alguém” que você acredita ser e sempre sente falta de alguma coisa: de família, de sucesso, de saúde, de roupas, de amizades… Esse sentido de falta somente é possível quando o sentido do “eu” está presente, e isso é ser miserável.
Estamos tratando, em Satsang, de algo simples e profundo. Simples porque é fácil nos aproximarmos disso pela palavra; profundo porque temos que investigar, profundamente, a natureza ilusória dessa mente egoica, desse sentido do “eu”. Em Satsang, seus pensamentos, sentimentos, emoções e todas as formas de crenças – em qualquer nível que apareçam, dentro da sua cabeça ou no que você chama de “coração” – são descartados. Nada disso tem real importância para Ser.
Para ser alguma coisa, você precisa ter coisas, e isso faz de você “alguém” miserável, porque há sempre medo, dependência, ansiedade, preocupação e sofrimento. Para Ser, no entanto, o final do desejo é importante, assim como o término da ambição, da expectativa, da busca por algo, da procura por alguma coisa. Portanto, Realização não é “realização”. Realização é estar aqui, sem futuro, sem expectativas, sem desejos. Então, a Felicidade se revela com a Verdade, e ela, definitivamente, não é um mercado, onde você consegue tudo o que deseja. Ela está presente na Meditação, que é assumir a Verdade sobre si mesmo; é viver sem o passado e o futuro; é ter o coração e a mente completamente livres. Então, as emoções, os pensamentos, os sentimentos e as sensações físicas são simples experiências, sem “alguém” dentro delas fantasiando, imaginando e calculando, preso dentro desse movimento.
Assim, em Satsang, descobrimos a beleza de viver livre da “pessoa” e, naturalmente, dos conflitos que ela produz, em razão dos desejos, das ambições e dos medos que ela tem. Então, a Vida é o que é! Ela não está aí como um mercado esperando você. Não há separação nem distância entre Ser e a Vida… Isso é Completude, Totalidade, Felicidade.
A pergunta que surge é: “Como eu continuo indo para o trabalho, ganhando dinheiro, pagando as contas, cuidando de filhos e família?” A resposta a essa pergunta é: Não tem “você”! Esse é o movimento da Vida! Isso acontece muito bem sem “você” – sem a ansiedade, a expectativa, o desejo e, naturalmente, sem o medo.
Dê a si mesmo total Liberdade! Dê a si mesmo total Paz, total Inteligência, total Verdade e total Amor! Dê a si mesmo a ausência de “si mesmo”. Isso é Realização, mas não é a realização de “alguém”… É somente Realização! Ninguém se realiza, mas a Realização é possível. Isso é Iluminação! Ninguém se ilumina, mas a Iluminação é possível quando “você” não está, quando “o que é” é O que É! Isso é tudo!
*Transcrito de uma fala ocorrida em 26 de Maio de 2017, num encontro aberto online.
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quinta-feira, 27 de julho de 2017

O buscador é um cego

Nós temos algo bastante paradoxal para investigarmos dentro desse encontro. Tenho observado que, quando as pessoas se aproximam, a intenção delas é sair do sofrimento, o que pode parecer bastante natural a princípio. Quando chegam nesse encontro, elas escutam que a causa do sofrimento é a ilusão de uma entidade presente. Então, quando descobrem que a causa do sofrimento é a ilusão de uma entidade presente, esse suposto "eu", o ego, coloca na cabeça que agora é preciso se livrar desse "eu", desse ego. É isso o que eu tenho observado. Parece razoável, agora, vocês buscarem essa libertação. Então, vocês querem se libertar do ego, já que ele é a causa do sofrimento.
E aqui é que nós nos deparamos com um assunto muito delicado: você não pode se libertar do ego! Você quer se libertar do ego porque está sofrendo, mas esse sofrimento é o próprio ego, e, agora, ele está querendo se livrar dele mesmo. Por isso que o assunto da Liberação, ou Realização, ou Iluminação, é um assunto muito delicado.
Geralmente, a pessoa tem uma aproximação disso de uma forma pessoal, e, então, a pessoa quer se livrar da “pessoa”, o ego quer se livrar do ego, com a mente dualista, com o sentido da dualidade presente. A questão aqui é: todo esse movimento só fortalece o sentido de uma entidade presente. Essa não é a resposta, esse não é o caminho. É por isso que você pode passar uma vida inteira ouvindo falas, adquirindo informações sobre Isso [Iluminação], tendo experiências, também, em razão de alguma prática de meditação, mas, no final, isso não resulta em nada, porque a mente jamais vai se livrar da mente; o ego jamais vai se livrar do ego.
Todo esse movimento é da ilusão, pela ilusão, em prol da ilusão. Esse movimento é a busca, uma grande armadilha que a mente egoica criou. Ela se disfarça e cai em sua própria armadilha, fingindo que quer fugir da armadilha. Parece querer se libertar, mas o movimento dela é um movimento contrário a isso. Assim, o movimento da busca apenas fortalece o buscador.
Estamos vivendo um momento no Brasil, em particular, em que há muitos buscadores, mas são buscadores cegos. O buscador cego é aquele que caminha na escuridão. Quando um cego caminha, ele esbarra em muitos objetos se não tiver um guia; se existirem buracos, ele pode cair neles com facilidade. A busca é algo assim: um caminhar na escuridão, uma estrada cheia de buracos e sem nenhuma luz sobre ela. Esse é o movimento do “eu”, do ego, na busca.
Então, ser um buscador não significa nada. O buscador é um cego! A questão é que todos estão adorando essa coisa da busca, entretendo-se com ela – ler livros, assistir a vídeos, etc., são apenas entretenimentos. Isso é ser cego e andar na escuridão, numa estrada cheia de buracos. Você não precisa da busca! Você precisa desse trabalho de autoinvestigação, de auto-observação. Assim, não se trata de procurar por Isso em falas, vídeos, livros, ou ficar andando de guru em guru, o que também é um entretenimento. Vocês estão buscando distrações. O trabalho é outro completamente diferente. O trabalho está na rendição, na entrega do “eu”, por meio dessa autoinvestigação, que é essa auto-observação, numa real devoção a Deus, à Verdade, que é a Real entrega ao Guru. Então, o Guru fora, nesse momento, e somente nesse momento, é o mesmo Guru dentro de você. Então, não existe fora ou dentro.
Assim, essa autoinvestigação é a observação desse movimento da mente egoica, ocupada com seus desejos, predileções, escolhas, contrariedades, raiva, medo, voltada para a realização de prazeres, busca de entretenimentos, diversões, enfim, com toda essa disposição para a vida mundana e indisciplinada. Observe que a mente egoica está com a sua energia toda voltada para a exterioridade, numa completa desatenção, interessada em coisas estúpidas, como estar engajado em movimentos de reatividade social, política…
Essa autoinvestigação é o trabalho, e não se trata de buscar o fim do “eu”, alimentando mais ainda o “eu” com aquilo que ele deseja, como espiritualidade, conhecimento, experiências, enfim, todo esse tipo de coisa. Aqui, trata-se de olhar para isso, para esse impulso, esse movimento viciado de ir para fora, de buscar preenchimento e realizações externas, de se identificar com pensamentos, com aquilo que é lixo.
Se você for sério quanto a isso, você aprenderá a olhar para esse sentido de “alguém” presente, esse “mim”, esse “eu”, com toda a estupidez que ele deseja, e abrirá mão disso. Não importa a quantidade de conhecimento espiritual que você tenha se a sua mente está povoada de pensamentos estúpidos; se você está cedendo, constantemente, aos caprichos dessa estupidez do pensamento. Se é assim, esse não é o seu momento ainda.
Tudo isso que eu acabei de colocar para você é a própria ação da Graça… É o terreno sendo preparado. Se a sua casa já está limpa e arrumada, então você já pode receber um hóspede, assim como um terreno preparado pode receber uma planta capaz de florescer. Essa “casa” pode receber um hóspede, a visitação do Despertar, e esse é o germinar e o florescer dessa Verdade. Assim sendo, você deixa a busca, abandona o sentido de “buscador” e olha para si mesmo, para toda essa desordem interna, essa bagunça, para colocar ordem na “casa” e preparar o “terreno”. Então, a Verdade, que já está presente, pode florescer. Falar de uma Verdade presente sem essa autoinvestigação, entrega, rendição, é uma grande ilusão. Isso é ser um buscador cego.
*Transcrito de uma fala ocorrida em 21 de Junho de 2017, num encontro aberto online.
Para informações sobre os encontros e instruções de como participar, clique aqui.

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