sexta-feira, 7 de julho de 2017

Compreenda em seu coração

É preciso que você compreenda isso profundamente em seu coração: não há como encontrar Felicidade em objetos, em pessoas, em relacionamentos… Não há como encontrar a Felicidade viajando pelo mundo todo, sendo um turista. Isso não está em museus, em belas obras de arte, na Disney World, em parques de diversões, em danças de balé ou concertos musicais.
Felicidade não se encontra do lado de fora. Felicidade se realiza em Deus! Deus é Felicidade, a Felicidade do seu Ser! Satsang significa esse encontro com a Felicidade, porque significa o encontro com o Ser, o encontro com Deus, o encontro com sua Natureza Verdadeira. Isso é fatal para o ego, para esse “sentido de alguém” presente na experiência, na procura de algo do lado de fora. Realização é Felicidade, porque é o fim da dualidade.
Vocês sabem o que significa o fim dualidade? É o fim da ilusão da separação entre “eu” e Deus, “eu” e o mundo – um “eu” que a mente projeta como sendo real. Deus é a única Realidade, mas não esse "Deus" que a mente projeta. O Eu é a única Realidade, mas não esse “eu” que a mente projeta. O Eu real é Deus! Deus real é o Eu, esse “Eu Sou” que Você é! Assim sendo, Você é Deus! Isso é o fim da dualidade! Deus em toda parte! Não é um “eu-pessoa”, um “eu” em um mundo, é somente Deus, a Suprema Felicidade, a única Realidade, Sat-Chit-Ananda.
Portanto, nossa Real Natureza é a Natureza de Deus, e essa é a única “Coisa” em que você pode confiar. Seu Ser tem as qualidades essenciais para a real e verdadeira Felicidade: Ele é atemporal, é autofulgente, tem brilho próprio, é imutável, não é dependente de nada, está além do corpo e da mente, além da dualidade. Mesmo que o seu corpo esteja doente, mesmo que digam que ele está morrendo, isso não afeta Você. Seu Ser é a Natureza de Deus, tem os atributos de Deus: é não dual, atemporal, imutável, não nasce, não morre, é onipotente, é onisciente.
Portanto, realize seu Ser, sua real Identidade, o verdadeiro Eu. Realize Deus! Você nasceu para realizar Isso! Eu digo isso porque você está realizando coisas que você não nasceu para realizar. Para a realização dessa Felicidade, a única real, você não precisa realizar um casamento, filhos, fama… Você não precisa realizar nenhuma dessas coisas que você está procurando realizar! Você só precisa realizar Aquilo que Você é! Realizar seu Ser! Felicidade é seu estado de Ser! A verdadeira Felicidade é apenas Ser! Deus é a perfeita e absoluta Felicidade! O Amor, a Paz e a Alegria de Deus são a real Felicidade! Não tem nada a ver com qualquer coisa do lado de fora, com absolutamente nada externo.
*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite de 8 de Maio de 2018 – Encontros online todas as segundas, quartas e sextas às 22h (exceto em períodos de retiros) – Para informações sobre o app Paltalk e instruções de como participar, clique aqui.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Você não determina o pensamento

Nossa proposta, em Satsang, é sinalizar para você aquilo que não pode ser discutido, questionado, aquilo do qual não pode haver a menor dúvida. E o que é isso? Algo que é anterior ao pensamento, a qualquer sentimento, a qualquer sensação, a qualquer percepção sensorial. Você pode ter muitas questões, muitas dúvidas, acerca do que gira em torno dessa “sua vida”, mas você não pode duvidar daquilo que percebe tudo isso. Você não pode duvidar de si mesmo, dessa Presença anterior a qualquer pensamento, sentimento, sensação, percepção, ou experiência do mundo, da vida.
Repare que todos os seus problemas giram em torno do entorno, daquilo que está em volta, daquilo que está do lado de fora. Não há nenhum problema em você! Todo problema está no pensamento, no sentimento, na sensação, na percepção, na emoção, sobre você; não em você. É no pensamento, na sensação, no sentimento, na experiência, na vida em torno de você que há problema. Aquilo que é anterior ao pensamento não tem problema. Aquilo, aí, que é anterior à sensação, ao sentimento, à emoção, ao corpo, ao intelecto, à mente, ao ego, não tem problema. Não é assim?
É fácil observarmos isso. Antes de acordar, de sair do sono profundo, você não tem nenhum problema, porque, quando não há sonho, não há mundo, não há corpo, não há intelecto, não há sensação, não há percepção, não há emoção, não há desejo, não há medo.
Participante: Sinto uma angústia, uma tristeza, mas não sei como e nem por que surge. Também não sei como resolver isso.
Mestre Gualberto: Aqui, o ponto é que não há nada do lado de fora. Você acredita que está do lado de fora a causa de toda sua dor, de todo seu sofrimento, de todo seu desespero. Não está do lado de fora, mas sim nesta falsa sensação do “eu” presente na experiência do pensamento, da emoção, da sensação, da percepção, ou seja, na experiência do mundo. Isso cria o sentido do ego, a noção do corpo, do intelecto, e tudo mais. Esse sentido do “eu”, de “alguém” dentro da experiência dos pensamentos, sentimentos, sensações, percepções, está criando todo o problema. Isso está criando a ilusão de um mundo externo, que é a ilusão de uma entidade interna presente. Não existe nenhuma entidade interna!
Você precisa ficar em seu Ser, em sua Natureza Verdadeira, onde não há problema, conflito, sofrimento, porque não há a ilusão de “alguém” presente no pensamento, na sensação, na emoção, na percepção, na experiência do mundo. Não há “alguém” no mundo!! Em seu Ser, sensações, percepções, pensamentos e emoções são um fenômeno sem identidade. Se não tem identidade, não está acontecendo para alguém, então, é algo que não tem importância.
Tudo é muito complicado aí, porque a ilusão é de que tudo está acontecendo para você, de que tudo isso é pessoal. Quando as coisas não vão bem, não vão bem “para mim” – “eu não tenho sorte”; “eu tenho um karma pesado”; “o pior sempre acontece comigo”… É sempre a mesma ilusão: um “eu” na experiência daquilo que está acontecendo – “Todos estão felizes, eu não”; “todos estão bem, eu não”; “tudo dá errado”; “tudo de errado só acontece comigo”… E tem o oposto: “eu sou o melhor, sou melhor que todos”; “eu sou o melhor naquilo que faço”; “eu sou um ser único, alguém muito importante”. Há muitos exemplos.
A ilusão básica é sempre a mesma: “eu”; “eu e coisas boas para mim”; “eu e coisas ruins acontecendo comigo”. A velha e antiga ilusão do “eu”. Portanto, você precisa permanecer anterior à experiência, à experimentação, à sensação, à percepção do “eu”, anterior ao pensamento particular e pessoal, atrelado à história de uma suposta entidade presente. Então, você permanece em sua Natureza Real, livre do sentido do “eu”, livre do pensador, livre dessa ilusão. Não há nenhum pensador, não há nenhum percebedor. Só existe o fenômeno, como uma aparição momentânea, sem um autor, sem “alguém” nisso.
Observe o que eu estou dizendo… Você não determina o pensamento! Você não sabe qual será o próximo pensamento! É tão interessante isso, que, se eu perguntar qual foi o seu último pensamento, você também já não se lembra mais. E por que não? Porque não era seu. Qual foi o seu último pensamento? Qual será o seu próximo pensamento?
A lembrança só acontece, e lembrança é pensamento acontecendo agora. O pensamento acontece agora e você chama isso de lembrança do passado, mas não tem lembrança sendo feita, tem pensamento acontecendo. Você não se lembra quando quer, você se lembra quando a lembrança aparece. É fácil ver isso quando você esquece uma coisa da qual quer se lembrar, mas não consegue, porque não tem alguém capaz de se lembrar, só tem a lembrança. Quando ela aparece, aparece; quando não aparece, não aparece. O esforço de se lembrar não torna a lembrança possível, pelo contrário, quando você quer se lembrar de algo, esqueça! E quanto mais rápido você esquecer da necessidade de se lembrar, mais fácil o pensamento poderá voltar a aparecer. É assim, não é? Exatamente assim.
O fato é que não existe pensador trazendo o pensamento do passado ou produzindo isso no presente. Você não controla pensamentos, porque não tem “você”. Você não para o pensamento, não aumenta nem diminui a velocidade da aparição deles. Eles acontecem porque acontecem, e você não sabe o que fazer! Não dá para fazer nada, porque não existe “você”.
Assim sendo, desista da ilusão de ser o experimentador, o pensador, o fazedor, o controlador, aquele que determina o que vai acontecer no próximo momento, daqui a meia hora ou daqui a trinta anos, porque de fato não tem alguém aí. A melhor (que é a única) opção possível é permanecer agora e aqui, livre da ilusão de “alguém” nessa experiência. Quando isso está presente, o futuro toma conta de si mesmo, e o futuro é agora.
Satsang significa Consciência, e Consciência é atemporal. Isso significa que não há problema em seu Ser, em sua Natureza Verdadeira. Todos os problemas são criados, produzidos, na ilusão de uma entidade presente tentando mudar, moldar, ajustar, alterar o que se apresenta. Portanto, Felicidade, Amor, Liberdade e Paz não representam um estado interno, um estado pessoal. Felicidade, Amor, Liberdade e Paz representam a natureza impessoal dessa Consciência, que é Você em seu Ser Real, em sua Natureza Verdadeira.
*Transcrito de uma fala ocorrida em 10 de Abril de 2017, num encontro aberto online.
Para informações sobre os encontros e instruções de como participar, clique aqui.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Qual é a pior de todas as ilusões?

Nesses encontros, estamos tratando do véu que está, aparentemente, ocultando a Verdade, a Paz, essa Felicidade inerente a nós mesmos, compreendendo aquilo que poderíamos chamar de “aparente entidade separada”, que está na constante busca da paz e do fim do sofrimento. Mas, é exatamente essa busca da paz e do fim do sofrimento que mantém a existência dessa suposta entidade, dessa ilusória identidade.
Não podemos fazer como muitos, que estão simplesmente tentando ignorar essa ilusão. Você não fica livre da ilusão fechando os olhos para ela ou dizendo que ela é somente uma ilusão. Esse “falar” ou essa crença não são suficientes. Se, como uma "pessoa", nós sentimos que não temos nada para fazer, estamos apenas iludindo a nós mesmos com uma teoria Advaita. Se nos sentimos como "pessoas" e dizemos que não há nada que possa ser feito, estamos apenas enganando a nós mesmos. Não há nada que possa ser feito, que precise ser feito, quando estamos livres dessa ilusão. Entretanto, se ainda estamos presos a essa ilusão, ela ainda é bem significativa; é, ainda, bem real. Então, a pior de todas as ilusões é, estando na ilusão, acreditar estar livre da ilusão; ou seja, como "pessoas", acreditarmos que estamos iluminados.
Hoje em dia, há muitas pessoas que, por conhecerem esse assunto teoricamente, intelectualmente, por terem passado por algumas experiências de meditação, falam do fim da ilusão, como se não houvesse mais ilusão para elas. Continuam se sentindo pessoas, mas falam do fim da pessoa. Hoje em dia, temos muitos “acordados” ou “iluminados” no mundo… São "pessoas acordadas", "pessoas iluminadas". Eu tenho algo para lhe dizer: enquanto houver o sentido de "pessoa", não há real Iluminação, Despertar, Realização. Essa é a pior de todas as ilusões: estar na ilusão e não ver a ilusão – esse é o próprio trabalho da mente egoica, da mente ilusória. Estou dizendo que "pessoas" não se iluminam. Quando há Iluminação, não há "pessoa". Se, como "pessoas", nós sentimos que não há nada a fazer, estamos, de fato, em pior posição do que aquele que nunca ouviu esse ensinamento, porque estamos negando a nós mesmos e o meio real pelo qual podemos ver a maneira de nos livrarmos do nosso sofrimento.
É um belo jogo divino! Precisamos compreender – não intelectualmente, mas experimentalmente. Precisamos ver, claramente, a ignorância. Somente, então, essa sombra pode se desvanecer sob a luz da Consciência. Esse é um trabalho de entrega e queima do ego, de dissolução dessa ego-identidade, dissolução real dessa ilusão. Sem isso, ficamos apenas no terreno da crença, dos conceitos, das ideias, das palavras, o que não serve para nada, o que torna, na verdade, o ego mais orgulhoso, vaidoso, presunçoso, poderoso, porque agora ele tem um conhecimento, uma certeza intelectual, que outros não têm.
Não existe nada para ser feito e ninguém para fazer. Isso deve ser resultado desta Realização e não uma crença; deve ser uma compreensão inabalável, vivencial e não pode vir de uma confirmação externa, como uma frase lida ou uma palavra escutada de outro. Tem que ser algo direto, verdadeiro! É algo muito simples, mas não tão simples como a mente egoica tenta fazer ser, pois, dessa forma, ela é o ladrão se vestindo de policial, disfarçado de policial. A autoinvestigação, a devoção e a entrega são necessárias.
Participante: Aqueles que se enganam, pensam estar vivendo Isso. Como saber se há essa vivência ou se é um engano?
Mestre Gualberto: Você não pode saber isso no outro, mas, sim, em si mesmo. Jamais se preocupe se você pode ou não descobrir isso no outro. Repito: você tem que descobrir Isso em si mesmo. Até porque, se alguém está vivendo isso e é verdade para ele, não significa que isso seja verdade para você; e, se alguém não está vivendo isso e apenas diz que está, mas não é verdade para ele, também não altera, em nada, para você. Aqui, a questão é descobrir, por você mesmo, se Isso é real e em que nível é real aí, em você mesmo. Isso é uma honestidade de foro íntimo. Somente essa sua intimidade com a Realidade é real para você.
Todos podem dizer qualquer coisa ou podem acreditar que estão vivendo qualquer coisa. Mas, a questão é: e você? Está numa vivência real ou num engano? Se você for profundamente honesto quanto a isso, a Graça o conduzirá para aquilo que é verdadeiro. Quando você estiver diante de um Mestre verdadeiro, você saberá, pelo próprio fato de você ser verdadeiro. Se você não é suficientemente verdadeiro, ainda pode "bater cabeça" por algum tempo.
A experiência vivencial direta tem a prova da Realidade. Se alguma coisa não é experiencial e direta, é algo meramente intelectual, e isso se mostra com o tempo, porque não há legitimidade, não há verdade. Quando o fogo é real, ele queima, mas, quando não é real, é uma questão de tempo para você descobrir que ele não tem calor nem poder algum para queimar qualquer coisa. É como uma joia que parece de ouro, mas, quando chega à mão do especialista, fica claro que não é ouro. Então, torne-se especialista, aumente seu "faro". Eu chamo isso de honestidade. Assim, quando você aumenta seu “faro”, torna-se especialista e, somente em olhar para o fogo, você vê se é real ou não, se ele tem poder de queimar ou não.
Eu quero dizer que você tem, em si mesmo, esse poder de não se identificar com a mente e com o que ela cria. Então, seu "faro" fica apurado. Explore qualquer experiência, pensamento, imagem, sensação ou percepção, dessa forma. Quando nós exploramos nossas experiências assim, torna-se mais claro, mais óbvio, que essa Consciência é aquela que testemunha a experiência. Como Ela não se confunde com essa experiência, não pode ser enganada por palavras, ensinamentos, conceitos, teorias e crenças. Isso não é um assunto que se aprende com um professor. Essa não é uma matéria de intelectual compreensão.
Aqui, somente a experiência direta, não a compreensão intelectual, irá satisfazer. Quando não estamos suficientemente maduros, ficamos nessa brincadeira de palavras e na procura de conhecimento sobre Isso. Porém, quando a maturidade chega, já não nos satisfazemos com palavras, com conhecimento e com intelectualidade. Conhecimento, palavra e intelecto estão, ainda, nessa dimensão da mente egoica. A Realidade está além da mente. Assim, não há como você se perder e deixar-se enganar facilmente por conhecimento, intelectualidade e experiência emprestada. Precisamos de uma experencial compreensão, uma não intelectual compreensão.
*Transcrito de uma fala ocorrida em 28 de Março de 2017, num encontro aberto online.
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quarta-feira, 28 de junho de 2017

Qual é a origem de todo conflito e sofrimento humano?

Neste momento, você está tendo a clara sensação da audição desta fala. O que você não questiona é se o escutar dessa fala está acontecendo, de fato, para alguém. Então, a crença comum é a de que há uma entidade presente nessa experiência do ouvir. Esse fenômeno do ouvir não é nada além de um fenômeno físico. As ondas sonoras atingem o tímpano e produzem uma informação ao cérebro, uma mensagem, a qual é interpretada no formato de palavras ou pensamentos. Contudo, esse fenômeno do escutar é apenas um fenômeno da Consciência, e isso não torna real a existência de alguém presente nesse escutar. É somente um fenômeno físico.
Contudo, a ideia central é: “eu estou presente”, “eu escuto”, “eu concordo” ou “eu discordo disso que estou escutando”, “ele está certo” ou “ele está errado”... Outro pensamento também surge, dizendo: “essa fala está bem interessante”. Porém, a ideia central é a de que tudo isso parte de você, de que tem alguém presente nessa experiência do ouvir, do escutar. Ou seja, o que você está fazendo neste encontro, nesta noite, não é questionando a verdade da experiência, mas a verdade da existência de alguém presente nela. Todo conflito, todo sofrimento humano, está centrado, basicamente, na ilusão de haver uma entidade presente na experiência, seja na experiência do falar, do ouvir, do pensar, do sentir, do não fazer ou do fazer.
Essa ideia de estar presente, essa ideia do "eu", do "mim", dessa ego-consciência, é um condicionamento que você recebeu desde a infância, mas isso não existe. A “sua” consciência não é particular a esse organismo, a esse corpo. Portanto, esse fenômeno do ouvir não é um fenômeno particular, mas um fenômeno da Consciência, na Consciência, pela Consciência e para a Consciência. O que estou dizendo, em outras palavras, é que não tem um “eu” aqui falando e um “você” aí ouvindo; é um único movimento, um único fenômeno. Há uma única Presença tornando possível essa aparição.
É como uma onda no oceano… Esse oceano é a Consciência e essa pequena onda é esse fenômeno. Não há separação entre a onda e o oceano, entre o fenômeno e onde ele acontece, aparece, ou – indo um pouco mais longe – parece aparecer, parece acontecer, porque, na realidade, a sua mente é esse fenômeno, é essa aparição.
Então, Satsang é apenas um convite para a investigação da realidade desse “você” na vida, na existência. A sua Natureza Verdadeira é Consciência, não é algo pessoal. Não tem uma “pessoa” presente, tem apenas a aparição desse fenômeno corpo-mente (sensações, pensamentos, emoções, percepções). A “pessoa” é uma ilusão, ou seja, a identidade pessoal, com um nome, uma forma e uma história, é uma ilusão. Essa é a beleza de Satsang (palavra sânscrita que significa “encontro com O que é”, “encontro com a Realidade, com a Verdade”). Essa desconstrução, ou o colapso dessa ilusão do “eu”, é algo possível dentro de um trabalho real, verdadeiro.
A sua única Liberdade real, como Consciência, é Ser, e Ser é Felicidade! Consciência é essa Inteligência absoluta, não verbal, não intelectual, não conceitual. Essa Consciência, essa Inteligência absoluta, está além da dualidade, além desse sentido do bem e do mal, da causa e efeito, bondade e maldade… A Consciência está além dessa dualidade “eu e o mundo”, de um experimentador presente na experiência do mundo, como se o mundo fosse a experiência de "alguém", desse "mim", desse "eu", dessa “pessoa”. Portanto, uma aproximação verdadeira, que é essa aproximação presencial em Satsang, traz esse Despertar, revelando-se, então, esse profundo Silêncio, essa profunda Consciência, essa profunda Realidade.
Então, Ser é Consciência, que é Felicidade! Essa é a natureza da Realização! Para o Jnani, aquele que despertou, que está em seu Ser, como Consciência, Felicidade, não há conflito, medo e sofrimento. Você nasceu para Isso – para a Felicidade, para a Consciência, para Ser! Porém, assim que esse corpo-mente aparece nesse cenário [nascimento], você é logo engolido por esse condicionamento, por essa crença, essa ilusão, por esse modelo, esse padrão de pensar, sentir. É preciso ir além desse condicionamento, além dessa dualidade. É preciso assumir a Verdade sobre si mesmo.
Essa constante busca de paz, amor, felicidade e liberdade do lado de fora, em coisas, pessoas, lugares, é a ilusão que termina, que é quando a ilusão da identificação com o corpo termina – a identificação com essa ideia de ser um menino ou uma menina, um homem ou uma mulher, um jovem ou uma jovem, um velho ou uma velha… Então, quando isso termina, a Verdade se revela. A Verdade é essa Suprema Liberdade, esse Amor, essa Suprema Felicidade, possível nessa Consciência, que é Inteligência absoluta, que é Ser! Assim, a Verdade se revela nesse Ser, que é a Consciência, a Felicidade, a Liberdade, o Amor… Revela-se nessa Felicidade, que é Consciência, Liberdade. Observe que estamos falando de Ser-Consciência-Felicidade, uma única Presença, a Presença de seu Ser, de sua Natureza Verdadeira, que é esse Silêncio, essa Graça, que é uma outra palavra para Beleza, Amor, Verdade.
Afinal, quem é que sofre? Uma vez que você se identifica com a mente, o sofrimento está presente. Em Satsang, você está sendo convidado a ir além da ilusão do “eu”, da separatividade, da dualidade, do sofrimento. Não é exatamente o corpo que sofre; o corpo tem dores. O sofrimento é algo psicológico, algo para esse sentido do “eu”, para a mente. Você tem se confundido com o corpo, e é na mente que você se confunde com ele.
*Transcrito de uma fala ocorrida em 15 de Março de 2017, num encontro aberto online.
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segunda-feira, 26 de junho de 2017

Como os sábios vivem no mundo

Bem-vindos a Satsang. Estarmos juntos é sempre uma bela oportunidade de olharmos para essa experiência de vida.
É importante saber que você não está diante de um professor nesse encontro. Aqui, não há nenhum ensinamento. Eu não tenho nada para lhe ensinar. O que nós temos nesses encontros é um momento de investigação, que acompanha, também, esse Silêncio. Então, nós temos esse instante, que é Meditação e, naturalmente, um instante de devoção à Verdade. Portanto, não se trata de um ensinamento. Não tenho nada novo para dizer a você. Não sou um pregador, um orador ou um filósofo. Estou apenas investigando com você a sua própria Realidade. Então, não é bem um ensinamento, é uma declaração sobre a sua Realidade, sobre a Vida.
Estou falando de Você – que sou Eu mesmo – da Natureza da Consciência, da Verdade da Vida. Você é essa Consciência, Presença e Felicidade. Você não é o corpo, não é a mente, não é uma “pessoa” vivendo no mundo. Isso, que parece ser assim, não é a Verdade. Parece que você é alguém dentro do corpo, vivendo no mundo, mas isso não é Verdade. Isso é algo que está sempre mudando. O mundo, o corpo, a mente, a experiência da vida e a história mudam. Isso não é você, é somente uma aparição temporária, momentânea, não é a Realidade, a Verdade. Você precisa descobrir Aquilo que, de fato, em Verdade, Você é, e é disso que estamos tratando aqui, em Satsang.
Você deve constatar isso por si mesmo, por meio de sua própria experiência da realidade sobre si. Não se trata de ouvir a minha fala e, teoricamente, concordar ou achá-la completamente absurda. Você é puro Ser, pura Consciência, pura Felicidade, mas não se trata de ouvir, acreditar e repetir isso, teoricamente. É necessário realizar este seu Estado Real, seu Estado Natural, e é por isso que eu convido você a estar em Satsang.
Afinal, o que é a vida, o que é esse mundo? O seu senso de realidade nesse mundo é o mesmo senso de realidade no sonho. Mas qual é, de fato, real: o seu sonho ou esse mundo? Você se agarra a esse mundo pensando que nele está a sua vida real. Da mesma forma, quando sonha, você se agarra à experiência do sonho, pensando ser uma experiência real, quando, na verdade, é só a experiência de um personagem, de uma suposta entidade presente. Isso acontece tanto no sonho como nesse estado de vigília. Portanto, aqui é só um sonho também. Nada pode acontecer a você, no sonho ou aqui.
Vocês estão vivendo uma complicação muito grande, que é a crença de ser alguém nessa experiência chamada “vida humana”, “vida pessoal”. É necessário Despertar, sair dessa ilusão, soltar isso. Portanto, é sobre isso que tratamos em Satsang: o fim da ilusão do “eu”. Tudo o mais é somente uma experiência na mente, uma aparição. Essas aparições na mente, essas aparências, são como hipnose: um mundo que parece real, mas é somente uma imaginação, um sonho. Enquanto estiver se confundindo com uma entidade presente nessa experiência chamada “vida humana”, você vai estar sobrecarregado de aflições, de problemas. Isso estará sempre acontecendo somente para essa ego-consciência, para essa ego-identidade, para essa mente hipnotizada, para esse sentido de “ser alguém”.
Não é lindo isso?
Você está se confundindo com isso. Uma hora você está alegre, outra hora está triste; uma hora sente-se bem, noutra sente-se mal. Você está se identificando com a experiência “eu sou o corpo”, “eu sou alguém no mundo”. É sobre isso que tratamos em Satsang: o fim de tudo isso, dessa ilusão, dessa mentira que a mente tem produzido. Você esqueceu que tudo isso é somente um sonho, seja o sonho de estar vivendo no mundo ou o sonho de estar vivendo na experiência onírica, que acontece durante a noite quando o corpo dorme.
Como é que você se livra de tudo isso? Simplesmente observando, parando de valorizar o experimentador presente na experiência. Vocês estão muito viciados em “ser alguém”, nessa autoimportância de “estar presente” no fazer, pensar, sentir, agir, realizar as coisas. Como é que nos livramos dessa ilusão? Observando tudo à nossa volta sem nos prendermos a nada, desindentificando-nos da experiência de “ser alguém”. Compreender a si mesmo significa saber que você não é o fazedor, o pensador, o realizador, o controlador, nem é aquele que decide. Tudo já está acontecendo nessa Vontade Divina, é a Vontade de Deus sendo feita. Você só está carregando um peso enorme sobre os ombros, em vez de relaxar e entregar essa ilusão da responsabilidade.
Como você faz isso? Repito: simplesmente sabendo que tudo já está sendo gerenciado, cuidado, feito, realizado, por um poder maior que você. Isso é como uma folha quando cai num riacho e desce na correnteza. Às vezes, ela esbarra em troncos ou pedras, mas continua descendo. Ela tem alguns percalços nessa descida, mas continua descendo… Ela não resiste à correnteza, não tem força contra a correnteza. Você, no ego, quer lutar contra a Vida, quer tentar se segurar em uma das “pedras” para não continuar descendo; quer lutar contra aquilo que a Existência, assim, já está preordenando. Tudo está preordenado pela Graça, por Deus, mas você quer fazer o que a folhinha não faz, segurando-se num tronco, agarrando-se a uma pedra, lutando contra aquilo que já está preordenado. Você precisa relaxar e aceitar que seja feita essa Vontade, a Divina Vontade, e abandonar todo o condicionamento.
É assim que os Sábios vivem no mundo. Sábios são aqueles que estão se rendendo à Verdade do seu Ser, à Verdade de Deus. Isso é devoção, é entrega, e esse é o trabalho do Despertar. A Realidade vem e acontece segundo essa única Vontade que faz todas as coisas, e, assim, a Felicidade, a Paz, a Liberdade e a Verdade estão presentes. É quando não há resistência, não há ego, não há esse sentido de controle, o sentido ilusório do fazedor, do pensador, do realizador. Então, o Amor, a Liberdade, a Felicidade e a Paz vêm segundo essa única Vontade, porque não há “alguém” lutando contra O que é, contra a Realidade, a Verdade. Você não precisa pensar sobre isso, sentir isso, tomar decisões sobre isso; precisa somente observar, desidentificando-se do que aparece, acontece, momento a momento.
Então, quando o pensamento vem a você, apenas observe com clareza e solte-o. Afinal, para quem acontece esse pensamento? Para “mim”. E o que é esse “mim”? É uma ideia, uma crença, um conceito, a ilusão de uma entidade presente pensando. Desabitue-se de “ser alguém”, de assumir esses pensamentos acontecendo aí como sendo “seus” pensamentos, as ações acontecendo como sendo “suas” ações, o que está acontecendo à sua volta como se estivesse acontecendo para você… Tudo só está acontecendo e não tem ninguém especial nisso. O condicionamento é basicamente esse: você é muito importante, muito especial. Aí está a ilusão. Quem sou eu? Qual é a fonte? De onde isso vem? Para quem isso está aparecendo?
Participante: Mestre, então esse emprego, que eu não aguento mais, é uma criação? Se for para aparecer um emprego melhor, vai aparecer naturalmente?
Mestre Gualberto: Melhor ou pior são apenas conceitos que a mente cria sobre o que acontece, sobre aquilo que aparece. Você diz: “Não aguento mais”. Quem é que não aguenta mais? Enquanto houver alguma forma de resistência, vai haver algum tipo de sofrimento. Resistência à vida, como ela se mostra, é conflito e sofrimento. Então, no ego, isso fica insuportável. Para quem é essa dor? Quem sente que não aguenta mais? De repente, essa é uma ótima oportunidade para você perceber o quanto de resistência está presente diante daquilo que a Existência está lhe mostrando. É sua oportunidade para ir além dessa identificação com o sentido de um “eu” presente nessa experiência do trabalho.
Não há nenhum conflito, nenhum sofrimento e nenhuma resistência quando não há ego. A resistência, o conflito e o sofrimento são o ego! O problema nunca é o que está acontecendo do lado de fora, mas como isso é visto, vivenciado, internamente.
*Transcrito de uma fala ocorrida em 3 de Abril de 2017, num encontro aberto online.
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