quinta-feira, 2 de abril de 2015

Bobos na Corte da Alegria

Deixem isto de lado, abandonem tudo isto ou ficarão seguros à beira do precipício, sem desaparecer ali. A coisa toda está na "morte" e não na vida. "Morrer" é a coisa mais deleitável e inacreditável de todas.

Viver na morte é saborear o desconhecido. Não é possível "morrer", aqui, novamente, uma vez que você não está mais aí para viver a ilusão de crenças e conceitos aprendidos. Se permanecerem ligados à mente e suas sugestões, ficarão surdos ao som dos pássaros que cantam na alegria dessa morte.

Tudo é uma grande bobagem, dita ou escrita. Sendo assim, vamos escrevendo essas bobagens hoje por aqui. Sabem o que interessa mesmo? É serem os bobos na "corte da morte". Tudo o que podemos levar é somente a alegria, e por quê? Porque é a nossa Real e Verdadeira Natureza.

Se você já é Isso, por que se envolver com qualquer outra coisa? Para realizar o quê? O que pode ser realizado? Sempre fomos ensinados a ver valores ali, fora, mas é Aqui que está a coisa toda. Nosso olhar para o lado de fora nos fez ser sérios, em busca de respostas para a vida, e isso é uma grande piada. Não há nada sério em nenhuma parte.

Causa e efeito, por exemplo, são invenções da mente para explicar a grande festa que acontece nesta única Consciência, onde não há tal separação entre isso e aquilo, entre ação e reação, e nem razão para tudo ser como é. Tudo é perfeito, ou completo, como é, sem causa ou razão para ser assim. Olhe para vida "sem a cabeça" e você não poderá ver qualquer motivo na coisa sem sentido que é viver.

Sempre preso e vítima das ideias, você se mantém na procura de um sentido razoável, ou seja, algo que possa satisfazer esse intelecto faminto por explicações, o que é uma coisa bastante estúpida e considerada muito sábia. Viver é desfrutar sem explicar, sem pensar a respeito, e é isso que chamo de "adorável segredo da morte"; é sermos esses bobos na corte da alegria da existência!

Não me importo mais com lógicas ou explicações, tudo que sinto é que não há nada real no que a mente pode desvendar. Ela é, por natureza, limitada e incapaz de ver o simples sorriso de uma rosa que se abriu e que sorri de tudo isso que achamos tão real. O que vamos fazer? Nada, nada mesmo. Apenas fique aí sem procurar, sem buscar, sem sair para esses rodeios que a mente dá.

Participante: Tomar sorvete.

Mestre Gualberto: Tomar sorvete, também, faz parte da alegria de crianças que não esperam nada. Tudo é somente alegria. Sempre é assim para crianças que só vivem em meio a crianças, onde tudo é simplesmente natural e sem afetação. Tudo o que vocês vieram fazer aqui é tomar sorvete, mesmo.

Estamos em uma grande festa sagrada, onde, neste sonho, a alegria é a base de toda a ação e de tudo o que a Graça manifesta como expressão de seu coração. Aqui é um espaço de loucos. Não tem nada sério e de extrema gravidade aqui. Hoje, como sempre, isto tem sido assim, já há alguns anos. Amar, para mim, é sorrir... sorrir de tudo, para tudo e para todos. Tudo é o que é e isso é Deus fazendo Graça.

Peço desculpas? Por isso? A quem pediria? Só vejo Deus em toda parte. Algumas vezes Ele vem como amigo, outras, como inimigo, outras como sábios e outras como tolos. Ele pode ser qualquer coisa e Isso me faz rir o dia todo.

Tudo é celebração, é festa, é amor, é silêncio, é morte, é vida. Hoje é assim, amanhã é assado e depois de amanhã é cozido. E tudo é tão delicioso. Tudo é simplesmente louco.

Escutem isso crianças: deixem tudo de lado, mas deixem mesmo... Sejam o nada, voltem para a ignorância, relaxem no "não saber" e no "não procurar saber"; desaprendam, de verdade, e depois me contem como é a coisa agora. Alguns de vocês acham que precisam de ensinos (gargalhadas), e até vêm aqui achando que tenho isso. Sou o camarada mais sem conhecimentos que vocês poderiam conhecer. Tudo o que me interessa é Deus, que não pode ser aprendido. Então, seu coração entra nesta frequência da beleza da Liberdade que não tem qualquer razão ou motivo para estar ali. Portanto,você é Deus – Um com Ele... Sente amor, alegria e paz, como Ele... Ele e você são um só.

Não coloque isso dentro dos moldes da Advaita ou de qualquer filosofia que você já leu. Isto não está nos livros, isto está aí... aí. Só há Ele... Só há Ele... Só há Ele. É isso que eu posso dizer para vocês em minha feliz loucura... inexplicável loucura. Tenho passado os meus dias assim...

"O que podemos fazer?", ou "o que é Isso?", alguns me perguntam, e eu não sei o que dizer para eles. Eles querem chegar Nisso do modo mais complicado. Eu falo, mas eles não querem ouvir. Digo que desistam de colecionar coisas, de se empanturrarem de leituras desnecessárias... Que venham a Satsang e, aí, fiquem perto... Digo "deixe-me olhar para você e você para mim" (risos). Entretanto, eles acham isso algo sem sentido, algo estúpido, ou sei lá o que acham.

Quero apenas poupar o tempo deles, pois já sofreram muito, sendo sérios buscadores. Agora quero, apenas, ficar perto deles e sentir o coração deles junto ao meu. Foi isso que o meu Guru me mostrou. Não sou nada.... Nem quero ser nada mais, se estão vindo até mim... Vamos brincar certinho... Se não confiam nisso, isso é com eles; mas, se confiam, isto já está acontecendo. Repito para vocês: a "morte" é a Coisa toda e essa coisa de morrer é simples, embora para a mente nada disso seja tão fácil.

É isso aí turma.

*Transcrição de uma fala ocorrida em 3 de setembro de 2012, num encontro aberto online. Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

terça-feira, 31 de março de 2015

Como o acordado vê o mundo?

Quando eu estou envolvido numa atividade intelectual que exija pensamento, por exemplo, agora, o uso da fala que requer verbalização, eu não consigo ver uma frase sendo formulada para ser expressa – eu fico tão surpreso quanto você, eu escuto junto com você. Eu estou sempre no ponto zero. Por exemplo, quando eu lhes conto uma história, eu vejo a mesma surgir junto com você. Quando começo uma fala em Satsang, eu sei que ela vai vir, vai fluir. Sabe quando você está olhando para o fundo de um poço, olha lá para baixo e não consegue ver nada? Você desce a vasilha na cacimba para buscar a água, então solta e ela cai dentro da água, depois você puxa de volta e tira um balde de água, e depois dois, três... assim por diante. Lidar com a Consciência é algo parecido com isso: você não sabe em que profundidade vai encontrar água, mas o poço nunca está seco; também não sabe que tipo de água vai encontrar.

As pessoas falam a partir do conhecimento; quem aqui é palestrante pode confirmar. Você estuda, pesquisa na internet, decora algumas falas, sublinha algumas frases de efeito, e não fala a partir do Vazio, do Não Saber, do Silêncio. A Consciência não é assim, porque Ela não precisa disso... Ela é a Fonte. E você nunca sabe o que vai sair da fonte: água doce, água salgada, água poluída ou água pura. Eu nunca sei o que vou falar antes de dizer.

Participante: A memória está na mente?

Mestre Gualberto: O que você chama de mente é um depósito de informações. Quando você dirige um carro, o que está em ação? A memória motora? Perceba que a mente é mais do que memória de palavras, imagens e ideias, pois é, também, memória em movimento. E onde está a memória? Na mente. Porém, a mente tem que ser compreendida como um armazém invisível, no qual você encontra tudo: produtos em bom estado, em mal estado; coisas estragadas, com prazo de validade vencido, etc. A mente é algo assim, um depósito invisível, mas com um detalhe: ninguém é dono desse depósito; ninguém tem nada próprio aqui. Este depósito tem algumas subdivisões: memória visual, memória auditiva, memória emocional, etc. Este depósito, eu repito, não tem dono, mas tem alguns compartimentos que são, supostamente, de propriedade privada – e aí está a pessoa, que não é nada além de memória. Todo este depósito é somente uma aparição, sem importância nenhuma, nesse Espaço, que é a Consciência.

Participante: É isso que dá realidade à pessoa? Eu preciso do cérebro para acessar isso?

Mestre Gualberto: Isso que dá realidade à pessoa é somente a memória, mas, de alguma forma, por uma deficiência da máquina, essa memória, supostamente localizada nesse espaço particular, apresenta algumas falhas; pode até ser apagada permanentemente para aquele organismo corpo-mente, representado aqui por esses espaços, e tudo isso é mecânico e independente, e acontece de forma automática. Entretanto, a relação do Acordado com a memória é diferente: em razão da Consciência, da Presença, neste organismo, o automatismo e a mecanicidade podem ser mexidos, devido à liberdade que a Consciência traz. Porém, você não precisa estar acordado, e pode agir como uma máquina, uma marionete no mundo. Deus é um luxo... Consciência é um luxo... Presença é um luxo. Você sente a necessidade de Deus somente quando percebe que não basta ser apenas essa memória, essa mecanicidade; que não pode ser só isso; que deve ter alguma coisa fora dessa maluquice toda!

Aqui está a chave do despertar! Como o Acordado vê o mundo? Ele não vê o mundo... Ele é a origem e o fim do mundo. Ele jamais se separa da origem e do fim, e por isso não há medo... medo daquilo que a mente chama de morte. Como pode haver o desaparecimento Daquilo que cria tudo, como quer, quando quer? Eu jamais vou experimentar a morte, porque eu sou a morte, mas, também, sou a vida... Sou a aparição e a desaparição, o Alfa e o Ômega, a Consciência brincando de acordar.

*Transcrição de uma fala ocorrida em março de 2015 – Acesse a nossa agenda e se programe para estar conosco: https://mestregualberto.com. Venha receber um sopro dessa Graça.

domingo, 25 de janeiro de 2015

Ouvindo o meu cântico, o som da alegria que se espalha por todas as partes!

Mais uma vez, bem-vindos a esse Espaço desconhecido, esse Espaço inédito! A Consciência é esse Espaço... Todos os dias, estamos compartilhando Isso, pela fala ou pelo silêncio; compartilhando esse encontro... um encontro neste Lugar. Você pode sempre acolher aqueles que se aproximam de você neste Lugar, que é um Lugar novo, desconhecido, inédito, chamado Consciência.

Consciência é esse oceano sem praias; é essa indescritível quantidade de água por todos os lados. Essas águas representam, nesta metáfora, essa Luz... Aquilo que permeia, interpenetra... e está em toda parte. E mais do que isso, sendo todas as coisas, nada está separado Disso.

Estou todos os dias convidando você para ir além dessa limitação, que é ser um objeto, ser uma coisa ou ser algo, para ser Aquilo que você É: esse oceano sem praias. Esse oceano sem praias é Deus; Aquilo ou Aquele que permanecerá sempre sem nome, sem localização, sem tempo e sem espaço. É essa Coisa imensurável, que banha tudo em suas águas. Nada pode escapar d'Ele.

Você não sabe porque veio a esse espaço chamado Satsang, mas eu sei porque você veio. Você está ouvindo a minha canção, meu cântico. A dança que acontece, ao som dessa música, espalhou alegria por toda parte... Você ouviu isso... Você veio. Você é o meu convidado... minha convidada. Meu convite lhe permite banhar-se nessas águas, ao ouvir esse cântico, e dançar comigo.

Há tantas lágrimas em toda parte... Há a aparência da escuridão diante de toda essa luz da Consciência... Há a aparência da secura de todo esse deserto, diante dessa imensidão de águas, que umedece e molha tudo. Nada escapa.

Na Índia eles chamam de Sat-Chit-Ananda: Ser, Consciência, Felicidade. Essa é a sua Natureza Real, a natureza de Deus. Essa é a música dos seus lábios, os passos da sua dança e o brilho no seu olhar. Parece que você esqueceu... parece que você esqueceu.

Você não escolheu vir. Eu resolvi buscar você, apesar de você e de toda a sua briga comigo; apesar de você e de toda a sua resistência e aparente surdez, pois você se diz surdo e paralítico, sem poder ouvir e sem poder dançar, como esse deserto seco, sem vida. Mas, apesar de você, apesar de toda a sua persuasão, seu empenho e desejo de me convencer do contrário, você continua sendo para mim aquilo que você É: Sat-Chit-Ananda. Eu não vou desistir de você, porque você É o que Eu Sou... Você É o que Eu Sou.

Satsang é isso: assumir essa imensidão de águas... de luz da Presença, que é Consciência. Satsang é não só ouvir o cântico, mas cantar também... Não só ver a dança, mas abandonar a ilusão da paralisia e da surdez... Ouvir e também dançar.

Eu Sou Aquele sem nome, que não pode ser localizado no tempo... não está no passado... não está no presente... não está no futuro. Não estive lá, não estou aqui e não estarei acolá.

Esse momento é o seu momento, que, embora haja muita Graça, está muito sem graça. Eu trago Graça, trazendo você para essa festa. Vai ficar bem melhor assim. Foi por isso que Eu entrei, cheguei e parei aqui, agora, na Sua Vida. Eu Sou Ela... Ela sou Eu... Ela é o Eu Sou... Eu Sou. Você não sabe disso? Não mesmo? Você sabe, mas esqueceu. Eu repito, você sabe, mas esqueceu. Você se confunde, se deixa perturbar, se deixa afligir pelo sonho de ser "alguém"... alguém que está só... alguém que tem medo. Você não percebe ou não quer perceber? Não é possível estar só, porque Eu estou com você... Não é possível estar só, porque Eu Sou Você. E onde estou há muita celebração, há muita alegria, há muita dança, há muita música. Apenas pare de mentir, confiando em historinhas mentais, em sonhos, em crenças, ou dando a si mesmo, a si mesma, esse sentido de ser alguém só, alguém em solidão. Eu Sou a sua alegria; você É a minha alegria.

Você está comigo em toda parte, espalhado, espalhada, por todos os lados, como essa luz presente, na qual o mundo inteiro aparece. Você é essa Luz, a Luz desse mundo. Um dia Cristo falou dessa Luz, referindo-se a você, quando Ele disse: "Vós sois a luz do mundo"; Ele falava dessa imensidão, dessa indescritível Presença em toda parte, tornando possíveis todas as aparições. Você esquece quem você É e para de dançar, vendo-se sem pernas, inútil, numa suposta paralisia; além de surda, sem ouvir. Por isso, Eu vim lembrá-lo, lembrá-la, de quem você É: Deus é o seu nome; Verdade é o seu nome; Paz é seu nome; Liberdade é seu nome; Felicidade é seu nome; Graça é seu nome; Santidade é seu nome; Presença é seu nome; Silêncio é seu nome. E assim é: Eu estou aqui por Você.

É isso... Alguma pergunta? Então, pessoal, vamos ficar por aqui.

Até o próximo encontro.

*Transcrição de uma fala ocorrida em 16 de janeiro de 2015, num encontro aberto online. Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

A Verdade daquilo que somos é o caminho da autorrealização

A Verdade daquilo que somos, o descobrimento dessa Verdade daquilo que somos, acontece quando estamos inteiramente livres e completamente despidos de tudo aquilo que aprisiona o homem. Essa Liberdade é nossa por herança, advinda do nosso nascimento. Nós já somos livres, mas não temos consciência, nem estamos apercebidos, dessa liberdade que trazemos, porque estamos presos dentro de uma identificação com os pensamentos. Esse é o estado em que todos nós, como seres humanos, nos encontramos. Boa parte dos seres humanos permanece nesse estado do nascimento até a morte, sem uma real compreensão de si.

Toda essa tentativa nossa de compreender o mundo, sem compreendermos a nós mesmos, é algo fútil e que não nos leva à Verdadeira Vida, que é a Vida de Graça, a Vida de Plenitude, a Vida de Sabedoria, a Vida de Liberdade. A Liberdade é a Consciência de quem somos; não se trata de um esforço em direção à liberdade, mas a percepção da Liberdade que nós já trazemos.

Se pudéssemos definir "Realização", diríamos que é a compreensão do "não-eu", da não-existência de um "eu" separatista, que divide, que se afasta, por suas divisas, seus caprichos, medos e desejos, Daquilo que é. A visão simples e clara da realidade que somos, como Pura Consciência, na qual tudo surge e desaparece, é o que poderia ser definida como "libertação", ou "Realização Divina". Realização Divina é a compreensão da realidade que somos, além dos pensamentos. Somos Pura Consciência, fora dos pensamentos.

É muito simples você constatar isso. Os pensamentos vêm e vão, mas a Consciência se mantém. Os sentimentos vêm e vão, mas a Consciência se mantém. O corpo sofre mudanças ao longo dos anos, mas a mesma Consciência se mantém, observando todo esse processo de mudança nos pensamentos, nos sentimentos e no corpo. A Consciência é o fator único, o fator principal, o fator real, a base na qual tudo surge e tudo desaparece. Realização é a clara visão, o claro sentimento e o experimentar Isso, a Consciência Pura, que é livre do pensamento, de tudo que o pensamento tem produzido. Essa Verdade, que é a Verdade de quem somos, no íntimo, é a Verdade que, quando se manifesta plenamente, faz desaparecer todos os conflitos, medos, desejos e ambições; é a Plenitude da realização humana, é a Plenitude da Realização Divina.

Alguém chama isso de Iluminação, de Realização, de Salvação, de mente de Cristo, mas os nomes não são importantes, porque nomes são apenas nomes. O que nos interessa é assumir nossa Real Identidade e viver Nela, quer alguém defina ou não, use termos para descrevê-La ou não; isso não importa. O que importa verdadeiramente é estarmos cientes de nós mesmos, vivendo essa Plenitude, que é a Plenitude da realização no Estado livre de todos os outros estados.

Todos os estados que nós conhecemos vêm e vão, eles aparecem e desaparecem. Nós não continuamos permanentemente alegres, pois logo depois da alegria, a tristeza surge; depois da tristeza, vem a euforia; depois da euforia, o tédio; depois do tédio, o medo; depois do medo, a ansiedade... E esses estados vão mudando constantemente. Durante o dia, nós passamos por muitos estados e estes estados são acompanhados por pensamentos peculiares. Cada pensamento toca uma nota, despertando determinado sentimento, determinado estado, porque os pensamentos são acompanhados por esses estados. Por sua vez, esses estados são acompanhados por pensamentos. Desta forma, seguimos o curso de nossa vida, durante 50, 60, 80 anos, sem a plena compreensão daquilo que somos, sem a plena visão da Realidade Divina que trazemos dentro de nós. E, assim, vivemos dentro de estados que mudam. Por isso eu digo que esse Estado, na realidade, é um Estado livre de todos os estados; é o Estado Real onde a Consciência Pura é o pleno sentido de unidade ou unicidade, livre de toda dualidade.

Libertação é a simples visão desta não-existência do "eu", é a simples e clara, lúcida e autêntica compreensão de quem somos em nossa essência, em nossa Natureza Verdadeira. Não é algo que alguém possa fazer por nós – é algo que nós já somos, é algo que nós já trazemos. A única coisa é que naturalmente precisamos despertar para Isso. A autoinvestigação e o estudo de si mesmo, a aplicação desse estudo cuidadoso, dedicado, aplicado, de nós mesmos revela esse Estado, o Estado Real no qual nascemos e também morremos. Talvez, do nascimento à morte, seja possível que alguém não tome consciência nenhuma de sua Real Natureza, mas ela é a nossa Natureza Real, ela é a nossa Natureza Verdadeira. Portanto, a coisa mais importante na vida, em nossa vida, é tomarmos consciência de quem somos; de outra forma, aquilo que chamamos de vida prossegue dentro desse processo de identificação com os pensamentos, e vivemos inconscientes da Realidade que somos, que é Paz, Amor, Alegria, Liberdade, Felicidade.

Não há necessidade de buscarmos fora aquilo que está dentro.

Ao longo de muitos anos, temos feito esse tipo de coisa. Estamos "buscando" na apreciação dos outros, na realização de projetos pessoais e sonhos, na conquista do reconhecimento público, da fama, e na conquista de mais dinheiro para, por sua vez, conseguirmos mais coisas; e todo o tipo de coisas que fazemos é dentro dessa direção de realizarmos a nossa Felicidade, Paz Eterna, a nossa Suprema Liberdade. Entretanto, Ela não acontece porque estamos olhando para fora, dedicando nosso coração, nossa energia, nossa mente, à aplicação de toda uma vida direcionada para o mundo externo, para o mundo exterior. Isto acontece porque esse tem sido o padrão, porque foi assim que fomos educados, ensinados, e, como esse tem sido o caminho de todos, acreditamos que deve ser, consequentemente, o nosso caminho.

Nós estamos falando de algo completamente diferente, estamos dizendo que você pode ser feliz sendo você mesmo. E, quando digo "você mesmo", é sendo essa Realidade que ultrapassa esse sentido do "eu", do "meu" e tudo aquilo que o "eu" busca, persegue e pelo qual trabalha arduamente. Portanto, esse é o caminho do Autoconhecimento, esse é o caminho da Autorrealização e da Libertação, da Liberdade de si mesmo.

*Texto escrito pelo Mestre em setembro de 2011. Para informações sobre o Mestre e nossos encontros, clique aqui.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Leve tudo Mestre!

Olá. Boa noite. Sejam bem-vindos a mais um encontro pelo Paltalk.

Vamos começar com estas palavras do Leo. Ele escreveu algo e vamos tornar isso público aqui.

Discípulo: Mestre, esse seu acolhimento, essa Liberdade que você é e essa não necessidade de nos "possuir", o que é algo vivencial em sua Presença e não uma ideia, estão evidenciando as prisões em que eu vivo e deixando muito claras as tentativas de manipulação daqueles que estão à minha volta; estão me mostrando que não há possibilidade de liberdade em ser "alguém". É somente em sua Presença que posso sentir uma liberdade real. Ali não sou um instrumento para a satisfação de alguém. Você me aceita e olha para mim como eu sou, sem interesse algum, e é o suficiente. Não consigo mais querer nada menos que isso; nada além dessa Liberdade. Isso criou um furacão nessa chamada minha vida, que parecia ter se acalmado, mas não, ele está bem vivo. Sei que é a Graça varrendo. Leve tudo, mestre, mas me ajude a ficar em paz, dentro do seu amor, nesses momentos em que a dor de ainda ser uma pessoa resolve bater.

Mestre: Eu queria começar dizendo para você uma coisa. Normalmente nós pensamos – e este pensar é somente uma crença, o pensamento sempre nos coloca neste mundo imaginário –, normalmente, nós pensamos que viver com este sentido de separação, viver este sentido como "alguém", é algo simples e fácil. Acreditamos que é algo simples, sem qualquer dificuldade, viver com este sentido de separatividade, carregando a ideia de ser "alguém", e que isto não requer nenhum trabalho, dificuldade ou esforço. Entretanto, acreditamos que este estado de Presença, de ausência de separatividade, é algo que requer muito esforço e trabalho. Então, perceba: nós acreditamos que não requer esforço ser alguém, mas é exatamente o contrário.

Nós temos uma grande dificuldade, um grande e árduo trabalho, para manter este sentido de ser "alguém", porque isso não é algo leve; é, na verdade, algo muito pesado; não é algo que não requer esforço, mas, na verdade, algo que requer muito esforço. Manter-se como "alguém" é muito complicado, requer esforço e trabalho, enquanto que se manter livre do peso de ser "alguém" não requer nenhum trabalho, ou seja, nenhum esforço e nenhuma dificuldade, como nós conhecemos.

Quando o Leo diz "(...) esta Liberdade que você é (...) esta não necessidade de possuir (...) é algo vivencial em sua presença (...)", está evidenciando a posição como eu vivo. Portanto, carregar o peso de ser "alguém" é algo que requer muito trabalho, muito esforço e não é nada simples.

Geralmente nós pensamos o contrário. Achamos que viver o Estado Natural, viver livre deste sentido do "eu", viver como esta Consciência, como este Vazio, requer esforço, quando, na verdade, Isto não requer nenhum esforço. Viver como entidade separada é que requer um esforço enorme de "alguém" sentindo, desejando, julgando, comparando, decidindo e agindo; é, então, um imaginar a si mesmo como o ser separado.

Isso é algo muito trabalhoso; se olharem, observarem com calma, irão perceber isto. Viver sem julgamentos, sem opiniões, sem comparações, sem pré-julgamentos, sem escolhas, sem buscas, sem desejos, sem expectativas, sem esperanças ou desesperanças, viver sem medo, não requer esforço. Viver como esta Presença, como esta Liberdade, como esta Graça, não requer esforço. Assim, estamos diante de algo Natural, Simples, Divino, Sagrado. Estamos diante Daquilo que somos.

Manter-se como ego é muito trabalhoso. O ego é muito estresse, é muita tensão e luta; é muito esforço; é muito desejo; é muito medo. Viver livre do ego, viver este instante, este momento, sem imaginação, sem o passado, sem o futuro, é algo muito natural. E é sobre isto que tratamos em Satsang: estamos mostrando para você como viver sem se imaginar, sem imaginar a si mesmo como um ser separado.

Nós achamos algo muito normal, natural, nos considerarmos como pessoas. Você na verdade é esta Presença Divina. Nós achamos uma blasfêmia ouvir isto, porque fomos educados e condicionados a pensar assim: que Deus é divino; que nós somos pessoas, humanos, mortais, pecadores; que somos pessoas separadas do todo – achamos isto normal.

Acreditamos ser uma blasfêmia dizer que só há Deus e a única realidade presente é Deus. Você é Deus. O corpo e a mente são irrelevantes, assim como as sensações, os pensamentos, as emoções e os sentimentos; o que acontece ou parece acontecer é algo irrelevante. Só há Deus, entretanto achamos isso uma heresia, inaceitável; achamos normal nos imaginarmos como entidades separadas. E aqui, na sua fala, o Leo diz: "Está me mostrando que não há possibilidade de liberdade em ser alguém. É só em sua Presença que posso sentir uma liberdade real. Ali não sou um instrumento para a satisfação de alguém. Você me aceita e olha para mim como eu sou, sem interesse algum, e é o suficiente. Não consigo mais querer nada menos que isso; nada além dessa Liberdade."

Estamos falando em Satsang que a Liberdade é a sua Natureza Real. Entretanto, a não liberdade requer esforço, trabalho árduo e a imaginação de ser alguém; isto não é a sua Natureza Real. Aqui estamos investigando a natureza da ilusão e isto é o fim dela. Podemos investigar a natureza da mente egoica, o sentido de separatividade, esta ilusão de ser alguém. Então, na verdade, imaginar a si mesmo como um ser separado é que é uma grande heresia, uma grande blasfêmia.

A heresia é esta: "Eu sou um ser separado, eu sou alguém. Eu aqui e Deus lá. Deus em algum lugar, eu aqui". Em Satsang, estou afirmando que a sua mente é uma única realidade: é esta Consciência, que é a Graça, que é Deus, que é você. Isto, sim, é natural, simples e não requer esforço. Este Vazio, que é o "não eu'', que é a Presença, não conhece esforço. Ego, pessoa, "eu" é estresse, é conflito, é não Liberdade, é medo.

Nós estamos dizendo para você que no profundo, no íntimo, aí mesmo, em seu coração, se encontra esta Suprema e Indescritível Liberdade, e isto é algo natural. Estamos dizendo que no íntimo, no fundo, no Silêncio do Coração se encontra a mais Perfeita e Indescritível Alegria, Amor e Paz.

Aí está a Eternidade, aí está o Supremo. Há algo que lhe traz ao Satsang: é esta memória da eternidade. Aquilo que é o anelo em cada coração. O seu único anseio real nesta vida é por Amor, Paz, Silêncio, Liberdade, Deus, Consciência. Você quer relaxar nesta beatitude, em Sat-Chit-Ananda, em Ser, Consciência e Felicidade. Agora mesmo, neste encontro, você está diante deste Silêncio, desta Graça, desta Presença. Quando nós compreendemos profundamente, além da mente – esta é uma compreensão não verbal, não lógica ou intelectual – que jamais encontraremos em qualquer objeto, relação, anseio, desejo do lado de fora, esta Verdade, esta Eternidade, esta Realidade, então podemos constatar a Presença Dela neste instante, além do corpo/mente/mundo. Isto é o que o seu coração anela. Seu único anelo real é por Deus, pela Verdade, que está dentro de você; que está além da mente e do corpo e de qualquer imaginação; que está além de qualquer coisa que a mente ainda possa produzir.

Como você se sente neste momento? O que significa ouvir isto?

Discípulo: Estar em casa, Mestre.

Mestre: Você é sempre esta Alegria, esta Liberdade, esta Graça, este Silêncio.

Discípulo: Isso é o verdadeiro grande livramento de Deus.

Discípulo: Só você parece que me vê, Mestre.

Mestre: Vocês são lindos. Estamos diante deste Silêncio, desta Liberdade, desta Verdade Divina que somos.

Ok. Vamos ficar por aqui. Valeu pelo encontro. Namastê.

*Transcrição de uma fala em um encontro online, na noite do dia 03 de Dezembro de 2014 – Para informações sobre os encontros online e instruções de como participar, clique aqui.

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