domingo, 25 de janeiro de 2015

Ouvindo o meu cântico, o som da alegria que se espalha por todas as partes!

Mais uma vez, bem-vindos a esse Espaço desconhecido, esse Espaço inédito! A Consciência é esse Espaço... Todos os dias, estamos compartilhando Isso, pela fala ou pelo silêncio; compartilhando esse encontro... um encontro neste Lugar. Você pode sempre acolher aqueles que se aproximam de você neste Lugar, que é um Lugar novo, desconhecido, inédito, chamado Consciência.

Consciência é esse oceano sem praias; é essa indescritível quantidade de água por todos os lados. Essas águas representam, nesta metáfora, essa Luz... Aquilo que permeia, interpenetra... e está em toda parte. E mais do que isso, sendo todas as coisas, nada está separado Disso.

Estou todos os dias convidando você para ir além dessa limitação, que é ser um objeto, ser uma coisa ou ser algo, para ser Aquilo que você É: esse oceano sem praias. Esse oceano sem praias é Deus; Aquilo ou Aquele que permanecerá sempre sem nome, sem localização, sem tempo e sem espaço. É essa Coisa imensurável, que banha tudo em suas águas. Nada pode escapar d'Ele.

Você não sabe porque veio a esse espaço chamado Satsang, mas eu sei porque você veio. Você está ouvindo a minha canção, meu cântico. A dança que acontece, ao som dessa música, espalhou alegria por toda parte... Você ouviu isso... Você veio. Você é o meu convidado... minha convidada. Meu convite lhe permite banhar-se nessas águas, ao ouvir esse cântico, e dançar comigo.

Há tantas lágrimas em toda parte... Há a aparência da escuridão diante de toda essa luz da Consciência... Há a aparência da secura de todo esse deserto, diante dessa imensidão de águas, que umedece e molha tudo. Nada escapa.

Na Índia eles chamam de Sat-Chit-Ananda: Ser, Consciência, Felicidade. Essa é a sua Natureza Real, a natureza de Deus. Essa é a música dos seus lábios, os passos da sua dança e o brilho no seu olhar. Parece que você esqueceu... parece que você esqueceu.

Você não escolheu vir. Eu resolvi buscar você, apesar de você e de toda a sua briga comigo; apesar de você e de toda a sua resistência e aparente surdez, pois você se diz surdo e paralítico, sem poder ouvir e sem poder dançar, como esse deserto seco, sem vida. Mas, apesar de você, apesar de toda a sua persuasão, seu empenho e desejo de me convencer do contrário, você continua sendo para mim aquilo que você É: Sat-Chit-Ananda. Eu não vou desistir de você, porque você É o que Eu Sou... Você É o que Eu Sou.

Satsang é isso: assumir essa imensidão de águas... de luz da Presença, que é Consciência. Satsang é não só ouvir o cântico, mas cantar também... Não só ver a dança, mas abandonar a ilusão da paralisia e da surdez... Ouvir e também dançar.

Eu Sou Aquele sem nome, que não pode ser localizado no tempo... não está no passado... não está no presente... não está no futuro. Não estive lá, não estou aqui e não estarei acolá.

Esse momento é o seu momento, que, embora haja muita Graça, está muito sem graça. Eu trago Graça, trazendo você para essa festa. Vai ficar bem melhor assim. Foi por isso que Eu entrei, cheguei e parei aqui, agora, na Sua Vida. Eu Sou Ela... Ela sou Eu... Ela é o Eu Sou... Eu Sou. Você não sabe disso? Não mesmo? Você sabe, mas esqueceu. Eu repito, você sabe, mas esqueceu. Você se confunde, se deixa perturbar, se deixa afligir pelo sonho de ser "alguém"... alguém que está só... alguém que tem medo. Você não percebe ou não quer perceber? Não é possível estar só, porque Eu estou com você... Não é possível estar só, porque Eu Sou Você. E onde estou há muita celebração, há muita alegria, há muita dança, há muita música. Apenas pare de mentir, confiando em historinhas mentais, em sonhos, em crenças, ou dando a si mesmo, a si mesma, esse sentido de ser alguém só, alguém em solidão. Eu Sou a sua alegria; você É a minha alegria.

Você está comigo em toda parte, espalhado, espalhada, por todos os lados, como essa luz presente, na qual o mundo inteiro aparece. Você é essa Luz, a Luz desse mundo. Um dia Cristo falou dessa Luz, referindo-se a você, quando Ele disse: "Vós sois a luz do mundo"; Ele falava dessa imensidão, dessa indescritível Presença em toda parte, tornando possíveis todas as aparições. Você esquece quem você É e para de dançar, vendo-se sem pernas, inútil, numa suposta paralisia; além de surda, sem ouvir. Por isso, Eu vim lembrá-lo, lembrá-la, de quem você É: Deus é o seu nome; Verdade é o seu nome; Paz é seu nome; Liberdade é seu nome; Felicidade é seu nome; Graça é seu nome; Santidade é seu nome; Presença é seu nome; Silêncio é seu nome. E assim é: Eu estou aqui por Você.

É isso... Alguma pergunta? Então, pessoal, vamos ficar por aqui.

Até o próximo encontro.

*Transcrição de uma fala ocorrida em 16 de janeiro de 2015, num encontro aberto online. Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

A Verdade daquilo que somos é o caminho da autorrealização

A Verdade daquilo que somos, o descobrimento dessa Verdade daquilo que somos, acontece quando estamos inteiramente livres e completamente despidos de tudo aquilo que aprisiona o homem. Essa Liberdade é nossa por herança, advinda do nosso nascimento. Nós já somos livres, mas não temos consciência, nem estamos apercebidos, dessa liberdade que trazemos, porque estamos presos dentro de uma identificação com os pensamentos. Esse é o estado em que todos nós, como seres humanos, nos encontramos. Boa parte dos seres humanos permanece nesse estado do nascimento até a morte, sem uma real compreensão de si.

Toda essa tentativa nossa de compreender o mundo, sem compreendermos a nós mesmos, é algo fútil e que não nos leva à Verdadeira Vida, que é a Vida de Graça, a Vida de Plenitude, a Vida de Sabedoria, a Vida de Liberdade. A Liberdade é a Consciência de quem somos; não se trata de um esforço em direção à liberdade, mas a percepção da Liberdade que nós já trazemos.

Se pudéssemos definir "Realização", diríamos que é a compreensão do "não-eu", da não-existência de um "eu" separatista, que divide, que se afasta, por suas divisas, seus caprichos, medos e desejos, Daquilo que é. A visão simples e clara da realidade que somos, como Pura Consciência, na qual tudo surge e desaparece, é o que poderia ser definida como "libertação", ou "Realização Divina". Realização Divina é a compreensão da realidade que somos, além dos pensamentos. Somos Pura Consciência, fora dos pensamentos.

É muito simples você constatar isso. Os pensamentos vêm e vão, mas a Consciência se mantém. Os sentimentos vêm e vão, mas a Consciência se mantém. O corpo sofre mudanças ao longo dos anos, mas a mesma Consciência se mantém, observando todo esse processo de mudança nos pensamentos, nos sentimentos e no corpo. A Consciência é o fator único, o fator principal, o fator real, a base na qual tudo surge e tudo desaparece. Realização é a clara visão, o claro sentimento e o experimentar Isso, a Consciência Pura, que é livre do pensamento, de tudo que o pensamento tem produzido. Essa Verdade, que é a Verdade de quem somos, no íntimo, é a Verdade que, quando se manifesta plenamente, faz desaparecer todos os conflitos, medos, desejos e ambições; é a Plenitude da realização humana, é a Plenitude da Realização Divina.

Alguém chama isso de Iluminação, de Realização, de Salvação, de mente de Cristo, mas os nomes não são importantes, porque nomes são apenas nomes. O que nos interessa é assumir nossa Real Identidade e viver Nela, quer alguém defina ou não, use termos para descrevê-La ou não; isso não importa. O que importa verdadeiramente é estarmos cientes de nós mesmos, vivendo essa Plenitude, que é a Plenitude da realização no Estado livre de todos os outros estados.

Todos os estados que nós conhecemos vêm e vão, eles aparecem e desaparecem. Nós não continuamos permanentemente alegres, pois logo depois da alegria, a tristeza surge; depois da tristeza, vem a euforia; depois da euforia, o tédio; depois do tédio, o medo; depois do medo, a ansiedade... E esses estados vão mudando constantemente. Durante o dia, nós passamos por muitos estados e estes estados são acompanhados por pensamentos peculiares. Cada pensamento toca uma nota, despertando determinado sentimento, determinado estado, porque os pensamentos são acompanhados por esses estados. Por sua vez, esses estados são acompanhados por pensamentos. Desta forma, seguimos o curso de nossa vida, durante 50, 60, 80 anos, sem a plena compreensão daquilo que somos, sem a plena visão da Realidade Divina que trazemos dentro de nós. E, assim, vivemos dentro de estados que mudam. Por isso eu digo que esse Estado, na realidade, é um Estado livre de todos os estados; é o Estado Real onde a Consciência Pura é o pleno sentido de unidade ou unicidade, livre de toda dualidade.

Libertação é a simples visão desta não-existência do "eu", é a simples e clara, lúcida e autêntica compreensão de quem somos em nossa essência, em nossa Natureza Verdadeira. Não é algo que alguém possa fazer por nós – é algo que nós já somos, é algo que nós já trazemos. A única coisa é que naturalmente precisamos despertar para Isso. A autoinvestigação e o estudo de si mesmo, a aplicação desse estudo cuidadoso, dedicado, aplicado, de nós mesmos revela esse Estado, o Estado Real no qual nascemos e também morremos. Talvez, do nascimento à morte, seja possível que alguém não tome consciência nenhuma de sua Real Natureza, mas ela é a nossa Natureza Real, ela é a nossa Natureza Verdadeira. Portanto, a coisa mais importante na vida, em nossa vida, é tomarmos consciência de quem somos; de outra forma, aquilo que chamamos de vida prossegue dentro desse processo de identificação com os pensamentos, e vivemos inconscientes da Realidade que somos, que é Paz, Amor, Alegria, Liberdade, Felicidade.

Não há necessidade de buscarmos fora aquilo que está dentro.

Ao longo de muitos anos, temos feito esse tipo de coisa. Estamos "buscando" na apreciação dos outros, na realização de projetos pessoais e sonhos, na conquista do reconhecimento público, da fama, e na conquista de mais dinheiro para, por sua vez, conseguirmos mais coisas; e todo o tipo de coisas que fazemos é dentro dessa direção de realizarmos a nossa Felicidade, Paz Eterna, a nossa Suprema Liberdade. Entretanto, Ela não acontece porque estamos olhando para fora, dedicando nosso coração, nossa energia, nossa mente, à aplicação de toda uma vida direcionada para o mundo externo, para o mundo exterior. Isto acontece porque esse tem sido o padrão, porque foi assim que fomos educados, ensinados, e, como esse tem sido o caminho de todos, acreditamos que deve ser, consequentemente, o nosso caminho.

Nós estamos falando de algo completamente diferente, estamos dizendo que você pode ser feliz sendo você mesmo. E, quando digo "você mesmo", é sendo essa Realidade que ultrapassa esse sentido do "eu", do "meu" e tudo aquilo que o "eu" busca, persegue e pelo qual trabalha arduamente. Portanto, esse é o caminho do Autoconhecimento, esse é o caminho da Autorrealização e da Libertação, da Liberdade de si mesmo.

*Texto escrito pelo Mestre em setembro de 2011. Para informações sobre o Mestre e nossos encontros, clique aqui.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Leve tudo Mestre!

Olá. Boa noite. Sejam bem-vindos a mais um encontro pelo Paltalk.

Vamos começar com estas palavras do Leo. Ele escreveu algo e vamos tornar isso público aqui.

Discípulo: Mestre, esse seu acolhimento, essa Liberdade que você é e essa não necessidade de nos "possuir", o que é algo vivencial em sua Presença e não uma ideia, estão evidenciando as prisões em que eu vivo e deixando muito claras as tentativas de manipulação daqueles que estão à minha volta; estão me mostrando que não há possibilidade de liberdade em ser "alguém". É somente em sua Presença que posso sentir uma liberdade real. Ali não sou um instrumento para a satisfação de alguém. Você me aceita e olha para mim como eu sou, sem interesse algum, e é o suficiente. Não consigo mais querer nada menos que isso; nada além dessa Liberdade. Isso criou um furacão nessa chamada minha vida, que parecia ter se acalmado, mas não, ele está bem vivo. Sei que é a Graça varrendo. Leve tudo, mestre, mas me ajude a ficar em paz, dentro do seu amor, nesses momentos em que a dor de ainda ser uma pessoa resolve bater.

Mestre: Eu queria começar dizendo para você uma coisa. Normalmente nós pensamos – e este pensar é somente uma crença, o pensamento sempre nos coloca neste mundo imaginário –, normalmente, nós pensamos que viver com este sentido de separação, viver este sentido como "alguém", é algo simples e fácil. Acreditamos que é algo simples, sem qualquer dificuldade, viver com este sentido de separatividade, carregando a ideia de ser "alguém", e que isto não requer nenhum trabalho, dificuldade ou esforço. Entretanto, acreditamos que este estado de Presença, de ausência de separatividade, é algo que requer muito esforço e trabalho. Então, perceba: nós acreditamos que não requer esforço ser alguém, mas é exatamente o contrário.

Nós temos uma grande dificuldade, um grande e árduo trabalho, para manter este sentido de ser "alguém", porque isso não é algo leve; é, na verdade, algo muito pesado; não é algo que não requer esforço, mas, na verdade, algo que requer muito esforço. Manter-se como "alguém" é muito complicado, requer esforço e trabalho, enquanto que se manter livre do peso de ser "alguém" não requer nenhum trabalho, ou seja, nenhum esforço e nenhuma dificuldade, como nós conhecemos.

Quando o Leo diz "(...) esta Liberdade que você é (...) esta não necessidade de possuir (...) é algo vivencial em sua presença (...)", está evidenciando a posição como eu vivo. Portanto, carregar o peso de ser "alguém" é algo que requer muito trabalho, muito esforço e não é nada simples.

Geralmente nós pensamos o contrário. Achamos que viver o Estado Natural, viver livre deste sentido do "eu", viver como esta Consciência, como este Vazio, requer esforço, quando, na verdade, Isto não requer nenhum esforço. Viver como entidade separada é que requer um esforço enorme de "alguém" sentindo, desejando, julgando, comparando, decidindo e agindo; é, então, um imaginar a si mesmo como o ser separado.

Isso é algo muito trabalhoso; se olharem, observarem com calma, irão perceber isto. Viver sem julgamentos, sem opiniões, sem comparações, sem pré-julgamentos, sem escolhas, sem buscas, sem desejos, sem expectativas, sem esperanças ou desesperanças, viver sem medo, não requer esforço. Viver como esta Presença, como esta Liberdade, como esta Graça, não requer esforço. Assim, estamos diante de algo Natural, Simples, Divino, Sagrado. Estamos diante Daquilo que somos.

Manter-se como ego é muito trabalhoso. O ego é muito estresse, é muita tensão e luta; é muito esforço; é muito desejo; é muito medo. Viver livre do ego, viver este instante, este momento, sem imaginação, sem o passado, sem o futuro, é algo muito natural. E é sobre isto que tratamos em Satsang: estamos mostrando para você como viver sem se imaginar, sem imaginar a si mesmo como um ser separado.

Nós achamos algo muito normal, natural, nos considerarmos como pessoas. Você na verdade é esta Presença Divina. Nós achamos uma blasfêmia ouvir isto, porque fomos educados e condicionados a pensar assim: que Deus é divino; que nós somos pessoas, humanos, mortais, pecadores; que somos pessoas separadas do todo – achamos isto normal.

Acreditamos ser uma blasfêmia dizer que só há Deus e a única realidade presente é Deus. Você é Deus. O corpo e a mente são irrelevantes, assim como as sensações, os pensamentos, as emoções e os sentimentos; o que acontece ou parece acontecer é algo irrelevante. Só há Deus, entretanto achamos isso uma heresia, inaceitável; achamos normal nos imaginarmos como entidades separadas. E aqui, na sua fala, o Leo diz: "Está me mostrando que não há possibilidade de liberdade em ser alguém. É só em sua Presença que posso sentir uma liberdade real. Ali não sou um instrumento para a satisfação de alguém. Você me aceita e olha para mim como eu sou, sem interesse algum, e é o suficiente. Não consigo mais querer nada menos que isso; nada além dessa Liberdade."

Estamos falando em Satsang que a Liberdade é a sua Natureza Real. Entretanto, a não liberdade requer esforço, trabalho árduo e a imaginação de ser alguém; isto não é a sua Natureza Real. Aqui estamos investigando a natureza da ilusão e isto é o fim dela. Podemos investigar a natureza da mente egoica, o sentido de separatividade, esta ilusão de ser alguém. Então, na verdade, imaginar a si mesmo como um ser separado é que é uma grande heresia, uma grande blasfêmia.

A heresia é esta: "Eu sou um ser separado, eu sou alguém. Eu aqui e Deus lá. Deus em algum lugar, eu aqui". Em Satsang, estou afirmando que a sua mente é uma única realidade: é esta Consciência, que é a Graça, que é Deus, que é você. Isto, sim, é natural, simples e não requer esforço. Este Vazio, que é o "não eu'', que é a Presença, não conhece esforço. Ego, pessoa, "eu" é estresse, é conflito, é não Liberdade, é medo.

Nós estamos dizendo para você que no profundo, no íntimo, aí mesmo, em seu coração, se encontra esta Suprema e Indescritível Liberdade, e isto é algo natural. Estamos dizendo que no íntimo, no fundo, no Silêncio do Coração se encontra a mais Perfeita e Indescritível Alegria, Amor e Paz.

Aí está a Eternidade, aí está o Supremo. Há algo que lhe traz ao Satsang: é esta memória da eternidade. Aquilo que é o anelo em cada coração. O seu único anseio real nesta vida é por Amor, Paz, Silêncio, Liberdade, Deus, Consciência. Você quer relaxar nesta beatitude, em Sat-Chit-Ananda, em Ser, Consciência e Felicidade. Agora mesmo, neste encontro, você está diante deste Silêncio, desta Graça, desta Presença. Quando nós compreendemos profundamente, além da mente – esta é uma compreensão não verbal, não lógica ou intelectual – que jamais encontraremos em qualquer objeto, relação, anseio, desejo do lado de fora, esta Verdade, esta Eternidade, esta Realidade, então podemos constatar a Presença Dela neste instante, além do corpo/mente/mundo. Isto é o que o seu coração anela. Seu único anelo real é por Deus, pela Verdade, que está dentro de você; que está além da mente e do corpo e de qualquer imaginação; que está além de qualquer coisa que a mente ainda possa produzir.

Como você se sente neste momento? O que significa ouvir isto?

Discípulo: Estar em casa, Mestre.

Mestre: Você é sempre esta Alegria, esta Liberdade, esta Graça, este Silêncio.

Discípulo: Isso é o verdadeiro grande livramento de Deus.

Discípulo: Só você parece que me vê, Mestre.

Mestre: Vocês são lindos. Estamos diante deste Silêncio, desta Liberdade, desta Verdade Divina que somos.

Ok. Vamos ficar por aqui. Valeu pelo encontro. Namastê.

*Transcrição de uma fala em um encontro online, na noite do dia 03 de Dezembro de 2014 – Para informações sobre os encontros online e instruções de como participar, clique aqui.

domingo, 23 de novembro de 2014

A Liberdade de Sua Verdadeira Natureza

Satsang é o momento de constatação da Realidade. Nós tratamos em Satsang desta Base; estamos apontando em Satsang para esta Verdade Presente. A pergunta é: podemos ver de forma clara, desobstruída, livre dos conceitos que o pensamento sobrepõe a toda e qualquer experiência? É disso que tratamos em Satsang. Estamos falando da Liberdade de Ser, desta Liberdade da Consciência, da Liberdade de sua Natureza Real. Estamos tratando em Satsang desta Chave.

Na Verdade, a maioria de nós vive de uma forma inteiramente inconsciente. A nossa experiência de vida, a nossa experiência de viver, é algo acontecendo dentro desse filtro – é uma experiência filtrada através de uma malha fina de pensamentos; uma malha de pensamentos conceituais. Isso faz com que, em nossa experiência, a vida se apresente de uma forma completamente diferente de como ela realmente é. É assim que tem sido a nossa vida.

Estamos dizendo que essa fina malha de pensamentos, de ideias, crenças, conceitos, paradigmas, nos faz ter uma percepção diferente da realidade. O fato é que temos negligenciado a Realidade, e o que nós temos é uma visão ilusória da vida. Estamos vendo a vida através da ilusão da mente egoica, da ilusão desse sentido de separatividade, desse sentido de ser alguém experimentando, sentindo, pensando, vendo, ouvindo... Nós tratamos, em Satsang, da oportunidade dessa Liberdade: a Liberdade da Consciência; a Liberdade de sua Natureza Verdadeira – daquilo que você É; da visão, do sentir, do ouvir e do experimentar livres do ego, do sentido do "eu", de alguém nessa coisa.

Como soa isso para você? Algo absurdo? Algo possível? Algo irreal? Como é isso?

Algumas vezes, ouvimos a expressão "o mundo é uma ilusão". No entanto, a ilusão é apenas a leitura que a mente faz do mundo. Essa é a única ilusão: a suposta realidade de nossa experiência quando ela está baseada nesse filtro, quando ela está baseada no pensamento. Então, naturalmente, a nossa experiência é falsificada.

Eu tenho falado muito em Satsang sobre essa fraude que é você, e muitos não compreendem. Quando digo que você é uma fraude, estou dizendo que o mundo em que você vive é uma fraude, a vida é uma fraude. O mundo, em sua totalidade, é uma fraude. Estou dizendo: você é uma fraude, assim como sua vida e seu mundo, porque toda experiência que você tem, baseada no sentido de ser alguém, distorce a realidade. Então, essa sua realidade é a realidade da ilusão; é uma ilusória realidade.

Eu sei que, mais uma vez, pode soar estranho o que vou dizer: neste momento, você não está vendo coisa alguma. Quando você olha para alguém – e eu falo dessa visão sensorial mesmo – você não está diante daquele que está ali. O que você tem é uma interpretação acerca dele ou dela. Você está diante de uma projeção, de uma crença. É a sua mente criando essa "realidade", fazendo uma leitura disso, e você tem aí uma imagem de si mesmo, projetada naquilo que está diante de você. Ali está o seu ego. Essa é a visão de maya. Essa é a ilusão.

Nós aqui estamos investigando juntos, olhando juntos para isso, para a natureza ilusória da percepção, da experiência, da visão. Estamos olhando para essa leitura falsa.

Pergunta: O mundo fora de nós é só uma crença dentro desse sentido de separação?

Mestre: Não é o mundo fora de nós; é a ilusão do mundo fora de nós. Vocês fazem observações intelectuais fadadas ao fracasso. Fazer uso do intelecto para investigar isso é um erro. Não há um mundo fora de nós. Essa ilusão de um mundo a partir desse olhar de dentro é a natureza da mente.

Pergunta: Então não seria impossível explicar isso aqui em palavras? Por que Satsang?

Mestre: Satsang não são palavras; está além de palavras, e nossa intenção aqui não é explicar nada, porque isso não é possível. Mas é possível ver o Silêncio através destas palavras; essa é a chave. Palavras não interrompem o Silêncio, não afetam o Silêncio que é Satsang. Aqui há um equívoco muito comum: vocês acreditam que tem alguém falando e alguém ouvindo – é exatamente o que estamos dizendo – e estão fazendo isso o tempo todo, falsificando a experiência através de interpretações mentais.

A Verdade é este Silêncio onde as palavras estão acontecendo, assim como toda e qualquer experiência. O que quer que apareça, aparece sobre um fundo, ou uma base. Por exemplo: diante de um filme, você tem a tela, ou você olha para cima pela manhã e vê nuvens com o céu ao fundo. Quando você olha para uma cadeira, o lugar onde ela está apoiada também está ali. O que quer que esteja aparecendo está aparecendo sobre uma base. Assim, esse som, essa fala, ou qualquer experiência, está acontecendo sobre uma base ou em uma base. O problema conosco é que, quando focamos na experiência, perdemos a base. Focando no filme, perdemos a tela; na nuvem, perdemos o céu; na cadeira, perdemos o espaço.

Quando você vem a Satsang, quero lhe convidar a conhecer este espaço onde a fala está acontecendo. Estamos lhe convidando a viver a Realidade livre dos filtros da mente egoica, desse sentido de separação que aparece avaliando, interpretando, vivendo nesse gostar ou não-gostar. Esse é o ego, o sentido do "eu". Aí está a ilusão.

Estamos lhe convidando a viver sem ego, viver sem interpretações, sem conhecimento, sem certezas, sem convicções, sem crenças, sem opiniões. Viver em Liberdade! Aí está o Amor, a Paz, a Verdade, a Verdadeira Sabedoria. Não "alguém" sábio, não "alguém" em paz, mas apenas a Paz. Não "alguém" livre, mas a Liberdade. Então nós temos a base sobre a qual se apoiam todas as experiências. Por isso temos dito que sensações e experiências não são problemas, porque o filme não pode ser contra a tela, a nuvem não pode ser contra o céu, o pensamento não pode ser contra a Consciência. Os pensamentos e as emoções não podem ser contra a Consciência; eles surgem Nela. Tudo isso aparece nesta Base, e não é contra esta Base. Nada pode ser contra esta Base. É algo que surge Nela e que a tem como fundo. Aqui estamos trabalhando isso: o fim dessa identificação com aquilo que é visto, sentido e pensado.

Nossa experiência de mundo, de corpo, de mente tem um Fundo, o qual é imutável e jamais tocado por essa experiência. E aqui estamos interessados nesse Fundo, que é a Natureza de Deus, que é a sua Real Natureza, do estado livre do ego, do medo, desses amores e desamores, gostos e desgostos; livre dessas alegrias e tristezas, dessa moralidade e imoralidade. Em outras palavras, mente, corpo e mundo são aparições inofensivas, aparecendo e desaparecendo constantemente, e você não se confunde mais com isso.

Tudo que nós sabemos do mundo são essas aparições, sensações, percepções, que aparecem e desaparecem. No entanto, tudo isso tem que acontecer sobre uma base. E o que é esta Base? Na índia, eles chama de Sat-Chit-Ananda esta Imutável Base. Quando você se depara com um Acordado, você se depara com esta Presença: Sat-Chit-Ananda. Você está diante de Si Mesmo, desta Liberdade; diante desta Base, deste Fundo. Assim como a nuvem precisa do céu no fundo, sensações, percepções e pensamentos precisam deste Fundo, que é a Consciência.

Temos falado constantemente – tenho repassado isso muitas vezes – que Você não é uma pessoa. Uma pessoa é o sentido de uma identidade na experiência; isso é apenas uma crença, uma grande ilusão. Não confunda o corpo como sendo Você; não confunda a mente como sendo Você; não confunda pensamentos que aparecem aí como sendo a sua história; emoções que aparecem como sendo as suas emoções.

Talvez você ache interessante ouvir tudo isso aqui no Paltalk, mas não se engane: você está apenas diante de uma fala. Você só pode aprofundar esse Silêncio presente numa entrega, e parte disso é participar de Satsang presencial. É lá que a coisa começa para valer. O trabalho só acontece em encontros presenciais; aqui é apenas um perfume, uma amostra da fragrância, mas você não fica perfumado só porque sentiu a fragrância do perfume. O problema de vocês é que querem ficar perfumados sentindo a fragrância do perfume. Quando assistem a um vídeo de Eckhart Tolle, Mooji ou Marcos Gualberto, acham que isso será suficiente; mas não funciona. É necessário que você morra, mas você não vai morrer vendo um vídeo ou lendo um livro. Pode ler centenas deles, ver centenas de vídeos ou Paltalks, mas isso não vai funcionar; a mente de vocês é muito tagarela. Vocês precisam dar o coração a estas falas. Silenciar. Prestar atenção.

Pergunta: Como encerrar com todas as perguntas da mente?

Mestre: Venha ao Satsang; aqui está o segredo desta Realização de Marcos Gualberto. Satsang é o grande segredo. É aqui que a Graça pode trabalhar com o seu mecanismo.

Pergunta: Poderia falar sobre o campo de Presença que ocorre no Satsang presencial?

Mestre: É este campo de Presença em Satsang presencial que esmaga esse sentido de separação e arrogância da mente egoica. Isso esmaga e silencia a mente. É preciso que a mente mergulhe na Fonte. Quando a mente mergulha na Fonte, ela desaparece Nela, o que significa o sentido de separatividade esmagado pela Presença. Isso se chama Shaktipat na Índia, o que só é possível na presença de um Mestre vivo, e não em vídeos e livros.

Pergunta: Por que não me rendo?

Mestre: Porque você não pode. A mente não se rende, é um trabalho da Graça. Todo o seu trabalho é resistência, não-rendição. Você jamais vai se render; o ego não se rende nunca. É a natureza da mente (ego) se manter nisso que ela é, ou seja, resistência. O que vocês ainda não perceberam, e que estamos falando constantemente nestes encontros, é que isso é um trabalho da Graça, da Verdade, do Mestre, e não seu. O Mestre é essa Consciência, esta Verdade. O Guru externo é o Guru interno, mas você não tem acesso ao Guru interno sem o externo. A verdade está na Graça, nesse poder de Presença que acontece em Satsang presencial, quando a mente, em sua arrogância, cai. Então, a rendição é este trabalho desta Presença, da Graça. Venha ao Satsang presencial e você vai descobrir o que é rendição. Rendição não é algo que acontece em um único encontro.

Participante: Alguns estão sempre aqui, mas nunca foram a Satsang. A mente vai só acumular conceitos por aqui.

Mestre: Vocês acabam de ler algo de alguém que está sempre em Satsang presencial. É isso que descobrimos em Satsang presencial. Essa fala em vídeos e livros vai lhe encher de conceitos. Na verdade, vocês já estão cheios de conceitos. Venham ao Satsang presencial. Nós estamos nos unindo e em breve teremos um Ashram no Brasil. Teremos o nosso Ramanashram Brasil – este será o nome do nosso Ashram, em tributo ao meu Mestre e Guru Ramana Maharshi, aquele que encontrei quando tinha apenas 24 anos de idade. Hoje tenho 52 anos; compartilho com vocês a partir desta minha experiência, deste contato, desta realização aos pés do meu Mestre, aos pés do meu Guru. Teremos aqui no Brasil o nosso Ramanashram; a Graça está nos dando esse espaço e quero contar com todos vocês para fazer isso acontecer aqui no Brasil. Essa é a única coisa que vale a pena: realizar Deus, realizar a Verdade, a Paz, o Amor, a Consciência.

Ok? Vamos ficar por aqui. Namastê.

*Transcrição de uma fala ocorrida num encontro aberto online. Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Consciência é a Real Meditação

Bem-vindos a mais um Satsang, a mais um momento, a mais um encontro. Esse momento é sempre o momento da Presença; e o momento da Presença é Consciência. Consciência é a Real Meditação. Nós temos sempre falado com vocês sobre a importância da Real Meditação; é importante compreendermos o que é Meditação. Na realidade, a compreensão do que é Meditação significa a compreensão do que a Meditação não é. Meditação não é algo restrito ao tempo, assim como essa formal meditação que conhecemos: essa coisa de estar sentado, respirando de uma certa forma, tendo uma atitude mental ou buscando uma atitude mental especial. Em Satsang nós falamos a respeito da Real Meditação, que é Consciência, que é Presença. Assim, nesses encontros, nós trabalhamos Isso. É preciso que isso fique muito claro para cada um de vocês.

A primeira coisa aqui é que não há direção, não há nenhum objetivo, não há qualquer resultado a ser alcançado fora deste instante que é Consciência, que é Presença. Assim, a Meditação Real é a Consciência deste instante, a clareza deste instante, essa pura rendição a esse momento, porque é nele que este Estado Natural se mostra, se apresenta, se revela. Esta rendição não carrega um significado, é o Puro Silêncio. Assim, não se encontra qualquer resultado, não há qualquer resultado, não há qualquer significado.

Todos esses métodos para se realizar um significado, para se dar um significado à vida, são procurados quando se busca a realização de estados internos. Na verdade, todos esses estados são puramente mentais e podemos chamá-los de "estados espirituais" ou "estados de consciência". Podemos chamar, ainda, de "estados elevados de consciência", mas, na verdade, todos são limitados, porque na mente estão condicionados.

Nós vivemos estes estados, fascinados por estes estados, à procura destes estados. Isso, na verdade, é sempre dependência, é sempre uma prisão; a mente em sua prisão. Na mente, não somos capazes de saber o que isso significa. Podemos encontrar estados maravilhosos, estados de quietude, de paz, de silêncio, de alegria, mas ainda são estados limitados, impermanentes e mutáveis. Ainda são estados condicionados, ainda são estados da mente.

Uma das coisas que considero fundamental, dentro destes encontros, é limparmos este terreno, tratarmos disso logo no começo. Alguns não continuam conosco, porque estão em busca de algum estado. E aqui, para nós, todos os estados são egoicos, apenas estados da mente. Eles não põem fim ao sentido do ego, ao sentido do "mim", do "eu", ao sentido de separatividade.

A Real Meditação é o estado de Pura Consciência; é algo espontâneo que aparece, naturalmente, quando esta Consciência, esta Presença, este Estado Natural, que é Meditação, não está carregado desse sentido de controle, de manipulação.

O que a mente faz é buscar o controle, é controlar, é dar um significado a essa ideia, a essa projeção, a esse conceito – o conceito que ela faz sobre isso. Isso não traz Real Libertação, isso não traz Real Liberação, isso não traz o fim da ilusão, porque, quando você medita, ali está você. Sua atenção é capturada por esse próprio sentido de "alguém" presente. Esta Presença, esta Consciência, fica aprisionada a esse sentido de "alguém" que vive presente na prática: alguém em paz, em silêncio, experimentando um certo estado de quietude, de alegria interior. Tudo isso ainda é mental, não há qualquer realidade nisso, não há qualquer verdade, a não ser essa "verdade", a "verdade" da mente, ou seja, a verdade de um estado induzido pela mente.

Não sei se minha fala de hoje soa clara para vocês. Geralmente não. Estas falas são muito estranhas, não estão dizendo nada.

E assim, quando somos capturados por esse sentido de ser alguém, ficamos presos dentro dessa própria sensação, desse estado que a mente produz. Além disso, a mente, compulsivamente, interpreta, naturalmente controlando tudo isso, como algo puramente mecânico. É uma forma distorcida, é só mais uma experiência da própria mente, essa assim chamada "meditação", que é só uma distorção.

Na verdade, a Real Meditação é aquela onde tudo, absolutamente tudo, todos os objetos (e aqui objetos são sentimentos, pensamentos, sensações, emoções, memórias), toda e qualquer experiência é deixada em sua função normal, em seu funcionamento natural. Isso significa que não há qualquer esforço, pois a mente não está em seu foco, manipulando, controlando, desejando, procurando um estado especial. Quando isso está presente, podemos nos deparar com Aquilo que É: a Graça, a Beleza, a Verdade do que É. Essa é a Real Meditação.

Nessa Real Meditação, a ênfase é Puro Ser. É esse Puro e Ilimitado Espaço, onde todas essas aparições (e aqui são esses objetos, pensamentos, sensações, emoções etc.), aparecem e depois vão embora. E aí continua Você, você em seu Estado Natural, livre do sentido de alguém, comendo, falando, trabalhando, caminhando, dirigindo seu carro, lidando com negócios, comprando, vendendo. Na Meditação, você não tenta mudar sua experiência. Na Meditação Real, a experiência está acontecendo sem esse "sentido de você" que você acredita ser. É só a Liberdade, a Fluidez, a Graça da experiência sem o experimentador.

Como soa isso pra você? Confuso, claro, estranho, maluco? Estamos dizendo que você não está em busca de mudar a experiência, que não tem "você". Não importa se a experiência de viver a vida se mostra agradável ou desagradável, aí está você – esse ilimitado espaço que é Presença, que é Consciência, que é você em seu Estado Natural, que é Meditação – acolhendo, abraçando.

Estamos diante dessa Real Meditação. Então, essa mente separada, essa mente com o sentido de separação, essa mente dual, essa mente em sua crença de ser alguém, desaparece. Você está suavemente, gentilmente, sem qualquer esforço, relaxado nessa Consciência. Você é Ela. Ela é você, sem esse "você", sem esse "mim", sem esse sentido de alguém – alguém espiritual, alguém que experimenta estados místicos, alguém que sente certas energias, certas vibrações. Não tem alguém nisso. Em Deus não tem alguém. Deus não é alguém. Você não é alguém, Você é Deus, Você não é uma pessoa.

Nessa direta e receptiva atitude, livre de objetivos, propósitos, sonhos, intenções e desejos, somente aqui pode se revelar essa Bem-Aventurança, essa Alegria Real, esse Amor Real, essa Paz Real, essa Liberdade de ser o que Você É. Essa Consciência retorna ao seu Estado Natural, à sua Condição Natural, Condição Natural de Ser, com todo o seu imanifesto e manifesto potencial de Graça e Verdade. Isso é Realização, isso é o Despertar, isso é Consciência de Deus.

Esse Silêncio é a única realidade, esse Silêncio é esse Vazio, este Abismo Insondável, Felicidade, Bem-aventurança e Amor. Então, nós precisamos reconhecer Isso, reconhecer o que somos e esse reconhecimento é o fim de alguém, de alguém experimentando alguma coisa, de alguém sentindo alguma coisa, de alguém fascinado com algum estado especial. Na verdade, todos esses estados especiais que podemos adquirir em qualquer prática, e aqui estamos falando de "meditação", são estados de fuga; enquanto eles estão presentes, você aparentemente não está, mas, na verdade, lá está você. Nenhum estado que se experimenta pode libertar, liberar essa Consciência, pode dar essa Real Liberação a esse Ser, a essa Presença, a esta Consciência, porque é sempre a mente nisso.

Faz sentido isso ou soa estranho demais? Alguém tem alguma pergunta sobre isso ou para você que está nessa sala conosco, em Satsang, já parece algo bem natural?

Tenho outra coisa a lhe dizer a respeito disso. Você não pode realizar esse estado, ele é uma ação da Graça. Somente a Graça pode realizar isso. Realização é uma ação da Graça, uma ação da Presença, é uma ação da Consciência. Essa ação da Presença, da Graça, da Consciência, é algo que acontece muito naturalmente em Satsang. É aqui que entra o Mestre, Presença. O Mestre, a Presença, a Graça, a Consciência é uma só, e é a mesma coisa. Realização é algo concedido pela Graça. Essa Consciência dentro é a Consciência do lado de fora, na figura do Mestre.

Compreendam, vocês que ainda não estiveram em Satsang presencial, a importância da Graça, da Graça do Mestre, da Graça que é Consciência, que é Ser. O Mestre nada mais é do que você do lado de fora, apenas uma aparição para os sentidos. Apenas os sentidos físicos dizem que Ele está do lado de fora, mas Ele é a mesma Presença, que não está dentro nem fora. Você precisa estar nesse campo de Graça, de Presença, chamado Satsang.

Não se pode obter isso com técnicas, com práticas, com estudos e leituras. Você vai assistir a milhares e milhares de vídeos, de todos os Mestres do passado e do presente... Você vai ler todos os livros que foram escritos sobre os Mestres, ou alguns que foram escritos pelos próprios Mestres, do passado e do presente... Você irá ouvir todas as falas, mas posso garantir que isso não funciona. Garanto com base na minha própria experiência, naquilo que eu poderia chamar de "minha" experiência. Realização é o despertar da Consciência. Só o "despertador" pode fazer isso. Só um "despertador" pode despertar essa Consciência.

A consciência interna e a consciência externa são uma única Consciência. Assim sendo, é só um trabalho, um único trabalho acontecendo nesse mecanismo corpo/mente. E esse é um trabalho da Graça nesse mecanismo; um trabalho do Guru, um trabalho do Mestre. Então, a Meditação é possível. Então, o Despertar é possível, essa Presença é possível. Então, essa Graça é possível. E agora, não estamos tratando mais de uma teoria, de uma crença, de um conceito. Nós estamos diante daquilo que se mostra.

Esta Realidade está no fim do experimentador, no fim de toda e qualquer experiência, no fim de todo e qualquer conhecimento, no fim de todo e qualquer fascinante estado. Na Índia eles chamam de Sat, Chit e Ananda. Não é um estado, não é um conhecimento, não é uma experiência.

Ok, pessoal? Vamos ficar por aqui? Valeu pelo encontro. Namastê...

*Transcrição de uma fala ocorrida em 13 de agosto de 2014, num encontro aberto online. Para informações sobre os nossos encontros, clique aqui.

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