terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Joel Goldsmith | Um Parêntese na Eternidade | Autoinvestigação | Atma Vichara | Marcos Gualberto

GC: Olá, pessoal! Estamos aqui para mais um videocast, novamente o Mestre Gualberto aqui conosco. Gratidão Mestre, pela presença. Hoje eu vou ler um trecho do livro do Joel Goldsmith chamado "Um Parêntese na Eternidade". Num trecho desse livro, Mestre, o Joel faz o seguinte comentário: "Observando nossos pensamentos e sentimentos interiores, mantendo a consciência alinhada por meio do contínuo reconhecimento de Deus." Nesse trecho o Joel Goldsmith comenta sobre observar os pensamentos e sentimentos. O Mestre pode compartilhar a sua visão sobre o que é a auto-investigação que Ramana Maharshi chamava de Atma Vichara?

MG: Gilson, Atma Vichara, que é a proposta de Ramana Maharshi, a expressão "Atma Vichara" significa investigar a si mesmo, a observação direta do Atma, que é esse "eu". Daí a expressão "Atma Vichara". Se aproximar de si mesmo, requer esse olhar para as suas reações, para aquilo que se passa com você. A posição do ser humano na vida é a posição daquele que responde ao momento presente, à experiência do momento presente, a partir de um fundo de resposta de reação de memória.

A cada momento você está sendo solicitado para dar uma resposta para aquilo que está acontecendo aqui, neste instante. E o seu modo de se aproximar desse momento, geralmente, é sempre a partir do pensamento e do sentimento e você não toma ciência desse processo enquanto ele ocorre. A expressão "Atma Vichara", que alguns traduzem por "autoinquirição" ou "autoinvestigação" também, eu prefiro a visão próxima, mais literal disso, que é auto-observação, que é observar, se tornar ciente do "eu", do movimento do "eu", neste instante.

Então, nós não nos damos conta do que se processa conosco enquanto o processo está presente. Assim, cada reação, cada resposta, cada atendimento a este momento, na relação com acontecimentos, com situações, com pessoas, inclusive na relação com nós mesmos, quando um pensamento está presente, ou um sentimento presente, ou uma sensação. A autoinquirição, esta auto-observação, é se dar conta de si mesmo, é se tornar cônscio de si mesmo, daquilo que se passa com você, daquilo que ocorre com você neste instante, nesse contato com o momento, nesse contato com a vida.

Enquanto estivermos apenas reagindo ou expressando uma resposta para este momento de uma forma inconsciente, e portanto automática, sem esta auto-observação, estaremos mantendo a continuidade dessa ignorância a respeito de quem nós somos. Essa ignorância nos coloca no espaço, no terreno, na dimensão, da ilusão da separação. Então, a sensação de ser alguém presente na vida é ser alguém presente separado da vida; essa é a condição da ignorância, e nessa condição não temos a Ciência de Deus, a Ciência da Verdade. E, sem a Verdade nós não temos essa Liberdade, nós não temos esse Amor, essa Felicidade inata. Aqui é estranho isso, paradoxal também, o fato de que de uma forma interna, de uma forma inata nós trazemos já esta Liberdade, este Amor e Felicidade, mas nós não nos damos conta disso, porque nos falta o Autoconhecimento.

Assim, nos falta esse olhar para nós mesmos, esse estudar a nós mesmos, falta nos darmos conta daquilo que está presente neste instante para irmos além desta inconsciência, desta mecanicidade, desse formato de atuar na vida a partir do passado. O problema com isso é que a vida está acontecendo neste momento e a nossa atuação é a atuação da repetição, da continuidade, da permanência do passado. Assim, nunca temos uma resposta verdadeira para este instante na "minha" relação, por exemplo, com a esposa, com o marido, com as pessoas à "minha" volta, nem "comigo mesmo", porque há essa ilusão de alguém que está presente, enquanto que, na verdade, aquilo que eu sou, eu desconheço. Repare, eu desconheço esse aspecto de sentido de ego, de pessoa, de personalidade e desconheço essa Realidade Divina, além dessa pessoa, além desse "eu", além desse ego.

Ter uma aproximação da vida é ter uma aproximação de si mesmo, uma aproximação possível quando você se conta da vida acontecendo sem o "eu". No entanto, se dar conta dessa vida acontecendo sem o "eu", requer que você, primeiro, reconheça a presença desse "eu" pela auto-observação. É quando, pelo Autoconhecimento, conseguimos descartar aquilo que em nós está presente, que é ilusório, que é essa forma de pensamento que nós trazemos do passado. Por exemplo, o seu modo de sentir sobre as pessoas, de sentir sobre os acontecimentos, de sentir sobre si mesmo, é um modo de sentir aprendido; algo da cultura, algo da sociedade, algo dentro desse modelo de mundo.

Você não tem um modo real de aproximação do momento presente, porque você está vivendo dentro de um plano, de um programa, de um condicionamento mental, de um condicionamento psicológico. O resultado final disso são os problemas, as diversas dificuldades com as quais nos deparamos e não sabemos lidar, e elas terminam se tornando problemas. Então, as nossas mentes estão cheias de problemas. Todo tipo de situação que surge, essas situações não conseguem ser atendidas como precisam ser atendidas e elas se transformam em problemas, em razão da ausência desta visão da vida, que é a visão que a Inteligência traz. Eu me refiro a essa inteligência que nasce do Autoconhecimento, me refiro a essa Inteligência para a Sabedoria, essa Inteligência que lhe dá essa visão de Deus.

Não sabemos atender a vida em razão da ausência dessa Inteligência, e se ela não está presente, a nossa condição psicológica é a condição da confusão, é a condição do sofrimento, é a condição dessa ilusão de alguém presente, separado de Deus, sem Ciência desta Verdade, que é a Verdade Divina. Aqui, ter uma aproximação de si mesmo é através da Atma Vichara, desse olhar, desse observar, desse se dar conta dessas reações presentes. Veja, não é para corrigir isso, é apenas para constatar. Então, uma qualidade nova de ação surge nesse constatar - é quando ocorre esta libertação do ego, esta libertação do "eu". A visão da Verdade é o portal para essa Liberdade, para esta Ciência da Realidade do Amor, da Felicidade, para a Ciência desse Estado presente, que está aqui agora, que é esta a Realidade do seu Ser, que é esta a Realidade de Deus.

GC: Mestre, nós temos uma pergunta de um inscrito aqui no canal, o César, faz a seguinte pergunta: "Como posso descobrir quem eu sou?"

MG: Gilson, é exatamente isso que estamos tratando aqui com você. Nós estamos, com você, nos aproximando por esta autoinvestigação, por esta auto-observação, da resposta para essa pergunta "quem sou eu?" Então, quando você pergunta: "Como saber quem sou eu?. se dando conta de quem é você, neste instante! Aprendendo a olhar para este momento, para aquilo que se passa, para aquilo que se processa, para toda e qualquer reação, resposta, inclinação, tendência, sentimento, emoção, sensação presente; aprender a olhar para isso. não existe nada na vida tão importante quanto esta arte da auto-observação. Auto-observação é descobrir o que é olhar esse "eu", aprender sobre isso, aprender como lidar com o pensamento, com o sentimento, com a emoção; não é aprender o que fazer com eles. Aprender, aqui, a lidar com isso, significa aprender a observar sem se envolver com eles. No momento em que você aprende a observar suas reações, sem se envolver com elas, você está além delas, você as transcende. Você em sua natureza verdadeira se revela como algo além dessas reações

Então, a base para o Autoconhecimento é esse aprender sobre nós mesmos; é isso que revela esse "eu", esse "quem sou eu?". Há algo presente, aqui, para ser constatado. É algo semelhante a assistir um filme. Quando você vai assistir um filme, você não vai se envolver com o filme, com as cenas, com os episódios, com os acontecimentos; isso é coisa para os atores, isso é coisa para os personagens. Tudo isso está dentro do filme, tudo isso está ocorrendo em razão da presença da ideia do diretor. Você não tem nada a ver com o que acontece no filme, o seu lugar é de espectador. você está assistindo o filme, você vai assistir, vai ser um espectador do filme. Aqui há algo para se revelar - esse algo é esse filme.

Nós somos o filme humano, o filme da humanidade; tudo que está presente na humanidade está presente em nós, exatamente tudo. Tudo o que você assiste em um filme, que você tem ali, é o que temos na humanidade, e o que temos na humanidade está presente em cada um de nós. E nós precisamos olhar, observar, ser um espectador disso, sem se envolver. É quando, de fato, rompemos com o filme, rompemos com o conteúdo desse filme humano. Então há o florescer de algo novo, fora dessa história de humanidade; esse é o Despertar da Consciência, esse é o Despertar de Deus.

A Natureza Divina, a Natureza de Deus, a Verdade do seu Ser, é algo que está fora desse contexto de filme. A produção desse filme, tudo o que ele contém, está dentro de um contexto de mente humana, de mente egoica, de consciência de separação, de consciência de dualidade. A beleza de um encontro com a Verdade, é que a Verdade liberta, e você se depara com a Verdade quando aprende a ser um espectador, quando aprende a assistir, quando descobre que tudo no filme está dentro de um sonho, de uma imaginação, de uma criação do pensamento - do pensamento comum, do pensamento humano, do condicionamento mental.

Então, esse encontro com a Realidade Divina é o fim dessa história, é o fim dessa memória, é o fim desse filme, ou é a visão clara do que o filme representa. Então, nesse instante temos a ciência da verdade sobre esse "eu". Compreender a verdade desse "eu" é tomar ciência de algo que está além do "eu", que é essa Realidade Divina. Alguns chamam isso de "o Despertar Espiritual" ou "Iluminação Espiritual"; é quando a vida está presente sem a história do pensamento, sem a história que o pensamento tem construído. Então, o nosso contato com este momento é um contato revelador. Assim, se a sua pergunta é como tomar ciência, como saber, como ter clareza sobre quem "eu sou": olhando, sendo um espectador, descobrindo o que é esse encontro com a Meditação.

É por isso que temos enfatizado a importância da Meditação. Nós precisamos descobrir, na vida, o que é Meditação. Você chega a 50, 70, 80 anos, sem se aproximar desse estudo de si mesmo, se confundindo com a ilusão de uma identidade presente, que é a identidade do "eu", que se situa na vida mental, que é essa vida do pensamento, que é toda essa estrutura de sonho, de filme, de história humana. Então, o ser humano vive na ignorância, porque ele vive na ilusão, porque lhe falta a arte da Meditação, a ciência desse encontro com a Verdade Divina. E, aqui, Meditação não é nada daquilo que as pessoas falam aí fora sobre meditação; aqui colocamos a expressão Meditação de uma forma nova, também. É por isso que eu tenho chamado de "Real Meditação na prática,". Isso é que é a presença do Autoconhecimento, desse olhar para si mesmo, descobrir como você funciona - isso é uma aproximação real da Meditação.

GC: Mestre, nós temos uma outra pergunta de um outro inscrito aqui no canal, o Leandro faz o seguinte comentário e pergunta: "Mestre, depois que ativar a energia Kundalini, ela vai se repetir igual ou é apenas uma vez que acontece aquilo?"

MG: Gilson, essa aqui é uma pergunta - repare a preocupação das pessoas. Nos falaram dessa energia, nos falaram desta presença que temos presente em nós, e que está dormindo. Nos disseram muita coisa a respeito desta assim chamada "Kundalini", e nos falaram desse Despertar da Kundalini, e a ideia por detrás desse Despertar, para as pessoas, é de uma experiência. Então, nós temos a ideia do Despertar da Kundalini como sendo uma experiência, uma experiência que iremos ter um dia. E aí surgem perguntas: "E quando essa experiência acontecer, como será?"

Veja, nós estamos, aqui, estudando com você a Verdade do Despertar da Consciência, esse Despertar da Consciência - me refiro a esta Divina Consciência, a esta Real Consciência - esse Despertar é, em si, o Despertar da Kundalini. Não é uma experiência, não é algo que irá acontecer uma vez para sempre, como uma experiência que alguém vai ter. O florescer do seu Natural Estado Divino é o Despertar da Kundalini, mas não é uma experiência para alguém - é exatamente quando a ilusão desse alguém, que é esta consciência pessoal, que é esta consciência da pessoa, se dissolve. Ou seja, a ilusão desta consciência presente, atuante, pensando, sentindo, agindo, termina.

Nós temos assim, a ciência desta ilusão. A ciência desta ilusão é o fim para essa ilusão, e isso é o florescer da Kundalini. Isso requer um esvaziamento completo, um esvaziamento total desse sentido egoico, desse sentido de separação, desse sentido do "eu". Isso requer a presença do Autoconhecimento, isso requer uma verdadeira aproximação da Meditação, isso requer um trabalho. Mas eu volto a dizer: não é uma experiência, não é algo que se obtém, não é algo que se alcança, não é algo que se conquista, não há alguém nisso; é, exatamente, o fim dessa ideia de ser alguém. Isso é o Despertar Divino, isso é o Despertar de Deus.

A expressão "Kundalini" aponta para esta Presença, para esta Real Consciência, para esta Divina Energia disponível. Uma Energia que, por sinal, nesse sentido do ego, do "eu", desse alguém, nós estamos constantemente desperdiçando nesse mundo mental, nesse mundo do "eu", nesta consciência egoica. Uma vez que um trabalho se processa - e esse trabalho é o trabalho da aproximação da auto-investigação, da auto-observação - isso lhe aproxima da Meditação. Isso lhe revela o poder da Meditação, a presença desse Silêncio, dessa Quietude interna da mente e do coração. permite, sim, com que este poder de Presença Divina, que é o Real poder da Verdadeira Meditação, aflore, aconteça.

Então sim, temos o Despertar de Deus, o Real Despertar da Kundalini, mas falar sobre Kundalini como uma experiência ou como algo pelo qual a pessoa tem que passar, ou precisa passar, é uma ilusão. Aquilo que é Real Consciência é a Verdadeira Kundalini, porque Kundalini é sinônimo de Real Consciência. Por sua vez, isso é sinônimo, do Despertar Espiritual, da Iluminação Espiritual. Nós temos, Gilson, isso aqui no canal, uma playlist sobre isso, sobre o Despertar da Kundalini. Tomar Ciência da Verdade sobre você, é assumir a Verdade daquilo que é esta Ciência de Deus, isso é o Despertar da Kundalini. Quando isso ocorre, o sentido de separação, de identidade egoica se desfaz, então o sofrimento termina, porque a ilusão desse sentido de separação não está mais presente. Então temos a Realidade de Deus, temos a Realidade Divina. É isso que estamos trabalhando aqui com você, aprofundando aqui, com você.

GC: Gratidão, Mestre, já fechou o nosso tempo; gratidão por mais este videocast. E, pra você que está acompanhando o videocast até o final, e quer se aprofundar nesses conhecimentos, fica o convite para participar dos encontros que o Mestre Gualberto proporciona. São encontros on-line de final de semana; existem também encontros presenciais, inclusive retiros. Esses encontros são muito mais profundos do que os vídeos aqui no Youtube, porque nos encontros o Mestre responde diretamente as nossas perguntas, e muito mais do que isso: o Mestre compartilha esse estado de Presença em que ele vive, e nesse compartilhar a gente acaba entrando de carona nesse Silêncio, nessa Graça e nesse Poder. E isso é um facilitador incrível para a gente conhecer a nós mesmos, para podermos compreender o que está além da compreensão intelectual.

Então, fica o convite no primeiro comentário, fixado, tem o link do WhatsApp para poder participar desses encontros. Já aproveita e dá um like no vídeo, faz um comentário trazendo perguntas para a gente trazer para os próximos videocasts, se não for inscrito no canal já se inscreve. E mais uma vez, Mestre, gratidão pelo videocast.

Janeiro de 2025
Gravatá-PE
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