quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Estoicismo e as relações humanas. O que é o pensamento? Aprender sobre Autoconhecimento. Autoimagem.

Aqui o nosso empenho consiste nessa descoberta da Verdade sobre quem nós somos. Repare que quando as pessoas têm uma preocupação, e é a preocupação de como aprender a lidar com as suas relações, elas não compreendem que a base para essas relações são elas mesmas.

Em geral, nós acreditamos que as relações se situam do lado de fora, é como se a vida estivesse acontecendo externamente. A grande verdade é que não há qualquer vida lá fora; você é o elemento de contexto da vida, você contextualiza a vida. Não há qualquer separação entre você e a vida.

As pessoas querem estudar o estoicismo para descobrir como lidar com o mundo, para lidar com o outro, para lidar com as relações. Então se fala de estoicismo e relações humanas, mas as pessoas não compreendem que a base das relações é a presença desse sentido de alguém na relação. Assim, vamos juntos aqui ver algumas coisas.

A primeira delas é que não existe tal coisa como uma separação entre você e a vida e, naturalmente, entre você e o outro. Essa ideia de que o mundo tem que mudar, o outro tem que mudar ou algo tem que acontecer lá fora para que haja liberdade, paz, inteligência e compreensão nas relações, isso é inteiramente falso. A base para tudo isso é você.

É por isso que aqui, com você, nós estamos estudando não o outro, mas a nós mesmos, não o mundo, mas você. Os cientistas estudam o mundo externo, enquanto você nesse trabalho em direção à Verdade Divina estuda a si mesmo.

Aqui se trata de investigar a Verdade sobre você. De uma forma natural, real ocorre uma visão sobre a vida e, realmente, sobre o outro, porque não existe você, a vida e o outro. Nesse sentido, o maior cientista não é aquele que explora o mundo externo, mas é aquele que investiga a Natureza da Verdade presente aqui e agora, dentro dele mesmo.

Aqui nós estamos descobrindo como aprender sobre tudo isso, e aprender sobre isso requer uma mente nova, um cérebro novo, uma forma de olhar para o momento presente sem a intervenção do pensamento. E por que o pensamento é dispensado? Porque o pensamento não é o elemento que torna possível essa visão da Realidade, uma vez que o pensamento é exatamente o elemento que se interpõe como uma cortina entre a Realidade do momento e você.

Não existe tal coisa como a separação entre Você em sua Natureza Verdadeira e a vida nesse momento surgindo, momento a momento, dentro dessas relações; isso porque a vida consiste de relações. A relação com o outro, a relação com situações, a relação com acontecimentos, a relação com você é a vida, e essa relação é a relação onde está presente a Verdade da comunhão. Não existe uma separação, a não ser essa separação, que é a separação que o pensamento tem estabelecido.

É por isso que estamos aqui investigando como eliminar por completo essa psicológica condição, que é a condição dessa complexidade psicológica presente em cada um de nós, a complexidade do pensamento. O que é a presença do pensamento em você? Quando você olha para alguém e essa pessoa você reconhece, esse reconhecimento é memória; essa é a presença do pensamento.

Agora, percebam o que vamos colocar: esse reconhecimento, que é a presença do pensamento, é a cortina entre você e ele ou ela, uma vez que esse reconhecimento é o passado. Assim, quando você olha para alguém, você não está diante da pessoa, você está diante da imagem, do reconhecimento, da memória: isso é o passado. É aqui que está presente a presença do pensamento na vida.

Para alguns efeitos práticos, o pensamento sempre estará presente para nos dar uma base de relacionamento, a nível de contato, de experiências. Veja, isso é razoável. Você reconhece o seu carro, isso é importantíssimo porque você não vai tentar entrar no carro do outro, você vai entrar no seu carro, porque você reconhece o seu carro; esse reconhecimento é memória. Se você sai do supermercado e entra no estacionamento, você não vai pegar o carro de uma outra pessoa, você vai pegar o seu carro. Nesse nível, o pensamento se faz necessário.

Então veja, o tempo inteiro nós estamos fazendo uso do pensamento para reconhecimento. Assim, o pensamento cumpre uma função de memória funcional na vida. O problema é quando o pensamento está ocupando, psicologicamente, a condição de uma identidade presente na experiência dessa Totalidade da Vida.

Reparem a diferença. Eu preciso da experiência para reconhecer o meu carro; essa experiência é conhecimento, é memória, é lembrança, é a imagem que o cérebro aqui tem do carro. Mas eu preciso dessa qualidade de pensamentos em nossas relações humanas? Observe a pergunta. Eu preciso, de fato, me lembrar de todos os momentos ruins, desagradáveis, complicados, de confusão, de frustração, de desordem, sofrimento que já vivi no passado nesse contato com ele ou ela?

Observe que todas essas lembranças criam uma separação, uma divisão entre eu e ela. Essa qualidade de lembrança deu formação, aqui, em uma imagem. Então há uma imagem que foi formada nessa qualidade de lembrança; essa é a imagem que eu tenho dele, que eu tenho dela. Essa imagem está formada nessa autoimagem que eu também tenho de mim.

Esses diversos estados internos que me colocam em uma interna posição de sentimento, emoção, sensação e percepção da vida, como acontece internamente e externamente, baseada nessa qualidade de imagem, nessa qualidade de memória, isso está estabelecendo a vida para uma particular vida; essa particular vida é a particular vida do "eu", desse "mim", dessa "pessoa".

Em um certo nível, o pensamento se faz necessário, em um outro, ele não só é desnecessário, como ele cria desordem, ele cria confusão, ele cria sofrimento nas relações. Então, algumas vezes eu estou gostando de mim e outras vezes eu não estou gostando de mim. O elemento presente criando esse gostar e não gostar é o pensamento. De algumas pessoas eu gosto e de outras eu não gosto: é a presença do pensamento.

O pensamento em nós distorce a realidade, ele nos dá uma visão com base nesse passado. Assim, eu não me encontro com a pessoa, eu me encontro com a imagem que eu tenho dela. Esse "eu" é só também uma imagem que "eu" tenho de mim. Qual é a verdade desse mim?

Assim, estudar aquilo que nós somos, aprender sobre o Autoconhecimento é o nosso assunto. Aprender sobre nós mesmos, aprender como, psicologicamente, nós funcionamos, ter uma visão clara do que é o pensamento. Acabou de ficar claro para você o que é o pensamento.

O pensamento é essa imagem, o pensamento é essa lembrança, é essa memória, é esse passado. Com base nessa memória, lembrança e passado você reconhece o seu carro no estacionamento, mas com essa mesma base você desconhece a pessoa com a qual você está lidando, porque você a vê com base no passado.

Assim, o marido não conhece a esposa, a esposa não conhece o marido. Você não se conhece porque o que você tem de você são pensamentos; isso está produzindo internamente estados de conflito em você, de contradição e sofrimento. Você deseja ser feliz, mas internamente o pensamento produz desejo de sofrimento.

Então, há um desejo de ser feliz, mas internamente o pensamento está produzindo uma qualidade de desejo de autoapreciação negativa, de autoimagem negativa, de culpa, de alguém frustrado, entediado com ele mesmo, decepcionado com ele próprio, dentro de uma baixa autoestima. Assim, estamos vivendo estados de contradição psicológica em razão da presença desse modelo psicológico, que é o modelo do "eu".

Esse assunto da autodescoberta não é um assunto para o estoicismo, não é um assunto para a psicologia, para esse modelo de religião organizada, onde existem crenças, dogmas, práticas místicas, rituais. Esse assunto não é um assunto para a filosofia. Esse assunto é um assunto para essa autodescoberta. Precisamos aprender a olhar para aquilo que se passa conosco, para aquilo que acontece dentro de cada um de nós, para o descarte do pensamento, para o descarte dessa memória, para um contato com a vida nesse momento, sem o "eu", sem esse "mim", sem essa autoimagem.

Autoimagem: a psicologia toca nessa questão da autoimagem, mas reparem a confusão que nós temos feito com essa expressão "autoimagem". Nós descobrimos a existência dessa autoimagem, e sabemos, dentro da psicologia, que essa autoimagem é a imagem do eu, é a imagem da pessoa, mas não compreendemos ainda que essa autoimagem carrega essa dualidade, esse peso de separação, de contradição, de conflito.

Assim, para muitas pessoas a ideia é melhorar essa autoimagem, é aperfeiçoar essa autoimagem, é colocá-la em uma condição em que ela se sinta bem com ela mesma. Nós nunca nos perguntamos se podemos nos livrar desse modelo, que é o modelo da autoimagem, para uma vida livre desse sentido de contradição, de conflito e, portanto, livre dessa autoestima e dessa baixa autoestima.

Aqui, com você, estamos investigando o fim do "eu", o fim do "ego" e, portanto, o fim dessa autoimagem; é quando podemos ter um contato com o outro, com a vida, com o momento presente sem o passado. Evidente que o seu nome você tem que lembrar, isso é conhecimento, essa é a experiência do cérebro, no que diz respeito a esse nome que lhe foi dado. Evidente que reconhecer o seu carro no estacionamento, isso é parte de uma memória funcional de experiência, de lembrança cerebral, prática e objetiva.

Mas aqui, do ponto de vista psicológico, podemos viver livres do ego e, portanto, livres dessa autoimagem, para uma relação com esse momento presente, sem esse sentido de separação, onde existe essa ilusão entre "eu" e ele, "eu" e ela, "eu" e a vida, "eu" e Deus? É o que estamos propondo aqui para você: uma vida onde temos a presença do Amor, a presença da Liberdade, a presença da Verdade.

Nós precisamos de um cérebro novo, de uma mente nova, dessa qualidade de Ser, livre desse padrão egocêntrico, separatista, de existir como alguém dentro desse contexto das relações; é quando temos a Verdade da relação. Essa Verdade da relação é a presença da Liberdade, da Comunhão. Enquanto houver essa ilusão da separação, desse sentido de alguém presente sendo o centro das experiências, onde existe essa vida centrada nessa autoimagem, haverá conflito, sofrimento, desordem, confusão.

Aqui, com você, estamos vendo juntos a possibilidade de uma vida livre do sentido do "eu", livre do sentido do ego e, portanto, livre desse padrão de pensamento. Uma resposta para esse momento é uma resposta perfeitamente completa, singular, única, perfeitamente adequada quando temos a presença da Inteligência e não a presença do pensamento.

Uma resposta a partir desse instante, dentro de uma visão real, não cria problemas. Mas uma visão equivocada desse momento, a partir do pensamento, estará sempre dando uma resposta inadequada para esse instante, dentro desse contexto das relações.

Assim, as confusões diversas que temos em nossas relações, em nossos relacionamentos, todas essas confusões estão estabelecidas nesse padrão de resposta inadequada, dentro de uma visão equivocada, que é a visão que vem do passado com base em memórias, em recordações, nesses relacionamentos. Podemos atender esse momento sem o passado e, portanto, sem essa autoimagem, sem essa imagem dele ou dela? É isso que estamos aqui, com você, investigando.

Nós temos esses encontros aqui nos finais de semana, sábado e domingo, para explorarmos isso com você, para descobrirmos como, nesta vida, tomar ciência disso: dessa vida livre do pensamento, desse formato de pensamento. Além disso, temos encontros presenciais e, também, retiros.

Dezembro de 2024
Gravatá-PE
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