quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Aprender sobre Autoconhecimento. Observador e coisa observada. Sabedoria, inteligência, conhecimento

Na vida, nós nos deparamos com inúmeras questões, e essas questões não temos respostas sem antes conhecermos a base onde se sustentam esses problemas. Então observe isso: nós temos as questões, e as questões são, na verdade, os problemas, mas há algo em que esses problemas se assentam. Nós não podemos ter uma resposta para essas questões sem examinarmos primeiro onde esses problemas estão se sustentando, onde eles se estabelecem, onde essas questões realmente aparecem. E que elemento é esse? É aquilo que nós estamos estudando aqui com você.

Aqui não se trata de estudar ciência, matemática, biologia, botânica, química; aqui se trata de estudar a nós mesmos. Sem uma base sobre quem nós somos, não temos a ciência de onde se assentam essas questões, esses problemas. Assim, nós temos aqui algo para aprender, e é isso que estamos procurando lhe mostrar, como isso se torna possível nesta vida. Trata-se desse aprender sobre nós mesmos, esse aprender sobre o Autoconhecimento.

Observe que questões como "o que é Iluminação", "o que é Meditação", "qual é a verdade sobre a vida", "quem sou eu", "o que é a Realidade de Deus" são os problemas que temos, são essas as questões com as quais nos deparamos para ter uma resposta. Assim, antes de tudo, nós temos que primeiro aprender o que é aprender sobre quem nós somos, o que é aprender sobre nós mesmos.

Esse aprender sobre nós mesmos requer um contato com a vida nesse momento sem o movimento do pensamento presente, e nós vamos esclarecer isso aqui para você. Por que precisamos ter um contato com a vida nesse momento sem o movimento do pensamento presente? Porque todo o movimento do pensamento em nós é o retrato que representa aquilo que foi, aquilo que já aconteceu, aquilo que já ocorreu.

Pensamento é basicamente lembrança, memória, assim são todas as formas de conhecimento que adquirimos. Repare, o conhecimento é adquirido; todo o conhecimento vem do passado. Se você sabe algo, você sabe porque aprendeu aquilo, e esse aprender é tomar ciência daquilo que já foi conhecido. Então, quando você vai aprender alguma coisa, aquilo já foi conhecido, e esse aprender como nós entendemos consiste em adquirir aquilo que já foi, que no caso aqui é o conhecimento.

Todo o conhecimento que você tem é algo que já foi. Então, não existe esse aprender agora para o conhecimento, como nós conhecemos, porque o conhecimento como nós conhecemos é algo que você aprendeu. Se você fala um idioma é porque você aprendeu; se você conhece matemática é porque você aprendeu; se você conhece engenharia de construção ou engenharia mecânica é porque você aprendeu. Assim, o conhecimento que você tem é algo que vem do passado.

Aqui, nesses encontros, no que diz respeito a essa Verdade Divina se revelando, que é a Verdade de Deus, nós não estamos lidando com algo passivo de conhecimento. Perceba como é interessante isso: você não pode conhecer Deus. Veja, a nossa intenção é conhecer Deus, mas aqui nós temos uma dificuldade enorme. A primeira é que não estamos lidando com algo que podemos situar no passado. Não podemos situar Deus como parte do conhecimento que temos, porque isso é algo que vem do passado, e a Realidade Divina não está no passado.

Se você tem algum conhecimento de Deus, esse conhecimento não é exatamente de Deus, é de uma experiência de memória, de lembrança que você tem, em razão de algo que você já teve. A Realidade Divina não é conhecida, ela não pode ser conhecida pela memória. O que é essa memória? Pensamento, lembrança, recordação.

Então qual é a verdade desse "conhecer Deus"? Veja, ter o conhecimento de Deus é uma ilusão, mas esse "conhecer Deus" é possível. Mas esse "conhecer Deus" é, nesse momento, tomar ciência da Natureza do seu Ser aqui e agora. Não estamos lidando, contactando algo que pode ser enquadrado dentro do tempo, algo que possamos adquirir nesse momento e levar para o passado. Nós estamos lidando com Algo que está fora do tempo e, naturalmente, fora do conhecido, então não pode ser conhecido.

É possível esse conhecer, mas não a ideia de tempo presente nesse conhecer. Você sabe que a ideia de tempo é aquilo que nós temos quando falamos de algo que foi, de algo que é e algo que será. Então nós temos aqui algo que é e que será; algo que é agora e que já foi. Nós não estamos lidando com Deus como algo que é, que já foi e que será, estamos lidando com aquilo que está além do conhecido. Então, esse aqui é o primeiro ponto. Esse contactar Deus, esse conhecer Deus significa ter ciência da Natureza do seu Ser, d'Aquilo que é Você fora do conhecido - é nesse sentido que usamos a expressão "Ser" aqui, nesse contexto de fala.

A Realidade Divina é a Realidade desta Divina Presença, desta Real Consciência, deste Ser Real. Nós temos esse nosso "ser" como nós conhecemos, temos essa consciência como nós conhecemos, temos essa presença como nós conhecemos, essa presença de ser alguém, essa consciência humana, essa consciência da pessoa, e temos esse "ser" pessoal, esse ser psicofísico, que apresentamos ser dentro do contexto das relações humanas. A Realidade Divina é a Realidade deste Real Ser, desta Real Consciência, desta Real Presença, Algo fora do conhecido: essa é a Realidade de Deus.

É importante que eu diga isso aqui também para você, porque algumas pessoas escutam essas falas e não compreendem que aqui nós usamos, com muita liberdade, expressões. Então essas palavras precisam ser vistas dentro de um contexto. Você aqui escuta essa fala e colocamos dessa forma para você; você vai escutar uma outra fala aqui e vai ouvir de uma outra forma, com um novo ou novo significado, as expressões que usamos aqui, e depois você vai tirar a ideia, a conclusão de que estamos nos contradizendo. Isso, de fato, não é verdade. É que estamos usando expressões, as mesmas expressões, e dando significados novos, de acordo com o contexto da fala.

Então, isso requer de você um exercício de acompanhar essa fala sem se prender às palavras, o que requer a presença desse escutar, sem traduzir, sem interpretar, sem avaliar, sem tirar conclusões absolutas. Isso é parte de um contato consigo mesmo, nessa ciência desse aprender sobre como você funciona. Uma das coisas que nós não temos na vida, por exemplo, é esse escutar.

Esse escutar é parte desse aprender sobre nós mesmos; esse aprender sobre nós mesmos é aprender sobre a vida, é aprender sobre Deus, é aprender a Verdade Divina se revelando. E observe o que acabamos de colocar: não é adquirir uma informação, não é ter um conhecimento e uma experiência agora e assentada no passado. Você toma ciência desse conhecer a si mesmo, desse conhecer Deus, nesse instante. Isso é aprender sobre o Autoconhecimento.

Quando você, por exemplo, fala com alguém, se relaciona com ele ou ela com base em lembranças que tem dele ou dela, essa qualidade de conhecimento é o conhecimento que se assenta na memória. O que é que isso nos indica? Você está diante dele ou dela, e ele ou ela, aqui e agora, é algo novo, é uma presença nova, é uma Realidade presente nesse instante. Mas ao lidar com ele ou ela com base nesse conhecimento, experiência que você tem dele ou dela, você não está lidando com ela ou ele, você está lidando com o conhecido, que é esse conhecimento, que é essa experiência. Esse conhecido, conhecimento, experiência é pensamento, é memória.

Assim, nesse seu contato com ele ou ela não existe esse aprender sobre si mesmo, esse aprender sobre ele ou ela, porque você está lidando com base no passado, dentro desse contexto de relacionamento. A nossa vida consiste nessa presença do "eu", do ego, desse "mim", dessa pessoa que eu sou, que sinto ser, que aprendi a ser. Em razão da ausência desta Realidade, o nosso contato com o outro, o nosso contato com nós mesmos, nessa ignorância, sustenta a ilusão, a ilusão dessa não visão da Verdade sobre nós mesmos.

Assim, esse contato com nós mesmos com base no passado é ignorância; e a nossa vida tem se situado exatamente assim. Nós estamos vivendo na ignorância porque estamos vivendo no passado, vivendo dentro do conhecido, vivendo dentro da memória. Tudo em nós, na ação, na fala e, portanto, no comportamento e no dizer, no comunicar, representa essa ignorância, representa essa condição psicológica de ilusória identidade presente, que é essa identidade do "eu".

Então, o que é esse aprender sobre o Autoconhecimento? É ter um contato com esse instante sem o passado. Enquanto eu mantiver essa condição de contactar ele ou ela com base nas lembranças que eu tenho dele ou dela, não haverá uma visão real do Autoconhecimento. Assim, não posso ter uma visão da verdade sobre aquilo que eu sou, não consigo compreender esse passado aqui, que é esse "mim", para que ele termine. Assim, não compreendo o que é um contato real com ele ou ela fora do ego.

Veja como isso é importante ser compreendido. Enquanto nossas relações estiverem estabelecidas nessa ignorância, nessa posição de passado, haverá sofrimento, haverá discórdia, conflito, desordem, confusão. Nós desconhecemos a presença do Amor em nossas relações, por exemplo, porque a presença do Amor é algo possível apenas quando o passado não está mais. E tudo o que nós temos feito é sustentar o passado, estamos lidando apenas com lembranças, com reações de memórias. Assim, prevalece o sentido de individualidade, de separação.

Nossas relações são relações centradas no "eu", e isso é a ausência do Amor. O Amor é a presença da Verdade, é a presença de Deus, é a presença da Realidade aqui e agora, nesse conhecer a Verdade de Deus, que é conhecer a Verdade sobre quem nós somos, quando o ego não está, que é quando compreendemos quem é o outro, quando o ego não está.

O nosso trabalho aqui nesses encontros consiste nessa autodescoberta; é quando conseguimos perceber uma Realidade presente fora do "eu", fora do ego. Nesse momento, esse olhar para esse instante, nessa relação com o outro e com nós mesmos, rompe com esse padrão de alguém que se situa no pensamento, que se situa na história, que se situa na memória. Então, nesse momento não há separação nesse olhar, uma vez que esse observador desaparece.

Repare como nós temos funcionado: nós temos a ideia de algo sendo visto por alguém que vê; esse alguém é o observador, e aquilo que está sendo visto é a coisa observada. Assim, nós temos o observador e a coisa observada, e esse observador e a coisa observada desaparecem quando há só o olhar para esse momento. O olhar para ele ou ela é esse olhar sem esse fundo, sem esse conhecimento, sem esse que se separa e olha a partir de ideias que tem, lembranças que tem dele ou dela. Isso é o fim do observador e a coisa observada; temos, então, o fim da separação, o fim dessa dualidade.

Quando não temos essa dualidade, temos essa Presença do Amor, essa Presença da visão Divina, da visão livre do ego, da visão livre do "eu"; é quando nos aproximamos da Verdade da Sabedoria. Assim, a Verdade da Sabedoria, compreender a diferença entre Sabedoria, Inteligência e conhecimento, é fundamental. Acabamos de colocar isso aqui para você: o conhecimento é esse elemento em nós que vem do passado, enquanto que a Inteligência é a Realidade desta Presença, deste Ser, desta Consciência Divina, aqui e agora, revelando uma Vida em Sabedoria.

Acessar a Realidade tendo uma visão da Verdade sobre aquilo que se passa conosco nesse momento é tomar ciência dessa Inteligência, desse Florescer da Inteligência Divina, dessa Sabedoria presente nas relações; é quando pode, sim, nesse contexto das nossas relações humanas, estar presente a harmonia, a Beleza, a Verdade, a Revelação desta Verdade Divina, que é a Verdade de Deus. É quando temos a Presença d'Aquilo que está fora de tudo aquilo que o pensamento conhece.

Portanto, esse é o nosso trabalho aqui com você. Nós estamos sábados e domingos juntos em encontros online para aprofundar isso. Além disso, temos encontro presenciais e, também, retiros.

Janeiro de 2025
Gravatá-PE
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