quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Atma Vichara. Meditação. Como encontrar Deus? Meditação: o que é? Aprender sobre Autoconhecimento.

Aqui a questão é que nós temos que investigar o que há por detrás desta pergunta, se ela tem ou não importância e relevância para cada um de nós. Eu me refiro a essa pergunta: "Como encontrar Deus?" O que há por detrás desta pergunta? Esse encontro com Deus, o que de fato ele significa?

Observe que esta pergunta é uma pergunta que aqueles que estão em busca ou à procura da Verdade estão fazendo. Mas o que é que ocorre nesta procura? Nós visualizamos a Verdade para ser encontrada, então nós nos movemos a partir de uma busca. O movimento de busca em nos é o movimento de vontade, de querer, de desejo de chegar lá, de encontrar.

A ideia em nós é que nós não estamos vivendo a Verdade, e precisamos viver a Verdade, e iremos viver a Verdade quando nós sairmos daqui para aquele lugar onde ela se encontra. Esta Verdade é Deus! Isso pode nos parecer muito razoável, plausível e verdadeiro, mas por que não investigar o que está aqui? Por que não tomar ciência daquilo que aqui se encontra? É aqui que nos deparamos com uma visão equivocada.

A Verdade é aquilo que está aqui se revelando, como nós somos, como nós nos mostramos, como nós nos apresentamos. Nós não queremos olhar para isso que nós somos, porque nós temos uma ideia do que nós precisamos ser. Nós temos uma ideia daquilo que nós precisamos nos tornar. Assim, nós colocamos para o futuro, para o amanhã o encontro com a Verdade.

Nós precisamos de uma outra coisa aqui: nós precisamos tomar ciência daquilo que aqui está presente. É a compreensão daquilo que nós somos a compreensão da verdade sobre nós mesmos. E é precisamente a compreensão da verdade sobre nós mesmos que realiza um trabalho, que opera uma mudança.

É a visão da verdade sobre nós mesmos, o que requer a presença deste aprender sobre o Autoconhecimento, que nos faz ter a visão da ilusão daquilo que somos, nesta Verdade. A ideia de que a Verdade está no futuro é algo que está sendo projetado por nós agora, dentro de uma perspectiva ilusória, dentro de uma visão de tentativa de escapar, de se livrar daquilo que aqui está presente. É desconfortável aquilo que aqui está presente, é pesaroso e difícil.

Nós temos uma vida tediosa e aflita, complicada, desorientada, em sofrimento. Assim, nós idealizamos a Verdade diferente desta condição em que nós nos encontramos. Esta idealização é a imagem que o pensamento constrói a partir do estado em que nós nos encontramos.

Sim, há uma Realidade Divina, há uma Realidade que é a Realidade de Deus, mas ela não é para ser encontrada, ela é a Realidade que se revela. E ela se revela quando nós compreendemos a verdade, mas não a Verdade sobre Deus, mas a verdade sobre nós mesmos; a verdade sobre aquilo que nós somos, sob precisamente isto que somos aqui, neste momento.

Aprender sobre o Autoconhecimento é ter a ciência de como estamos funcionando, daquilo que ocultamos e daquilo que declaramos, daquilo que está presente na superfície da nossa vida particular, dentro das nossas relações, e a ciência daquilo que está oculto em nós mesmos, sempre encontrando um caminho de expressão, a partir dessa mente que carregamos .

A forma como estamos respondendo à vida, a maneira como estamos lidando com as pessoas, lidando com o mundo - o mundo das ideias, o mundo das pessoas, o mundo dos objetos, o mundo das relações que temos com nossas propriedades, com os objetos que nós temos... Nós estamos cercado de objetos, de pessoas, cercado de situações e, também, internamente, trazemos várias formas particulares de visão do mundo, de visão sobre o outro, de visão sobre nós mesmos.

Assim, tanto aquilo que está no externo, na superfície, quanto aquilo que está oculto, na profundidade, naquilo que nós poderíamos chamar de inconsciente em nós, a presença da mente em nós tem essa superfície e tem essa profundidade. Tudo aquilo que estamos guardando e que não tomamos ciência é o oculto presente em nós - alguns chamam de inconsciente ou mente inconsciente.

Estamos lidando com uma única mente: é a mente do "eu", é a mente da pessoa. E nós estamos projetando uma realidade, uma verdade além dessa condição em que nós nos encontramos, mas essa projeção ainda parte dessa mente, dessa condição psicológica ilusória em que o ego se encontra, em que a pessoa se encontra.

Nós precisamos ter, sim, uma Revelação de Deus. Veja, não é um movimento de encontro com Ele; não é ter neste encontro, a partir desse movimento de encontro, aquilo que nós buscamos, porque, como pessoas, nós estamos vivendo em uma interna condição sustentada pelo condicionamento mental, pelo condicionamento psicológico, em uma condição ilusória, em uma condição de fantasia, de ficção.

A fantasia, a ficção, a ilusão consiste nessa "pessoa", nesse "mim". A imaginação, a ficção de uma entidade presente aqui, que pode ter um encontro com Deus lá. A Verdade sobre você é a Liberação da ilusão. Apenas quando tomamos Ciência da Verdade sobre nós, sobre quem nós somos, se abre então esta porta, este portal para a Realidade de Deus, para a Verdade de Deus.

A Verdade sobre que nós somos termina com essa ficção, com essa imaginação, termina com essa ideia de alguém presente, a pessoa aqui, separada de Deus, desse "mim", separada do outro, separada da Vida. A visão da Realidade consiste no fim da ilusão da verdade daquilo que estamos aqui demonstrando ser, parecendo ser.

A presença do Autoconhecimento é a ciência de como estamos lidando com o outro, com nós mesmos e com a vida. Nós estamos lidando com ele ou ela a partir do "eu". O "eu" é um elemento que pensa, que sente, que faz, que realiza coisas. O "eu" é o elemento que está na procura ou na busca. Este elemento é uma ideia do pensamento. Portanto, isso consiste numa imaginação criada pelo pensamento.

Não existe tal coisa como alguém presente aqui para ter um encontro com Deus lá. A Realidade da Vida está aqui e a Realidade da Vida é a própria Vida, sendo esta Vida a Verdade Divina. Assim, a Revelação da Verdade de Deus se mostra presente quando a ilusão desse "eu" não está mais - deste "eu" que pensa, sente, faz, deseja, teme, carrega problemas, conflitos. Quando temos o fim para este "eu", temos a Ciência da Verdade de Deus.

Ramana Maharshi, o Sábio da Montanha de Arunachala, falou sobre Atma Vichara. A expressão Atma Vichara significa autoinquirição, autoinvestigação. É a investigação da natureza desse "eu"; a importância desta descoberta, desta constatação de que estamos diante de uma ilusão. Olhar para si mesmo e tomar ciência de como você funciona é Atma Vichara, é auto-observação; e Atma Vichara é presença de Meditação.

Assim, onde temos a presença da Atma Vichara, desta auto-observação, nos aproximamos da Verdade sobre a Meditação. Aquilo que nos faz ter a visão da Realidade de Deus, ter a descoberta da Verdade de Deus - volto a dizer, não é sair daqui para ter um encontro com Deus no futuro, mas é ter Ciência da Realidade de Deus aqui se mostrando -, é a presença da Meditação.

Então, o que é Meditação? A Meditação é o olhar para o momento presente, descobrir como olhar para este momento sem o "eu". Quando você tem um pensamento aqui, neste momento, a ideia em você é de que você é alguém presente por detrás desse pensamento.

Quando você vê a chuva caindo, você não se sente responsável pela chuva caindo; você não é o responsável pela chuva caindo. No entanto, quando você vê um pensamento surgindo em você, você tem a crença de que você é o elemento responsável por este pensamento.

Esta responsabilidade é uma imaginação do próprio pensamento que surgiu. Se esse pensamento não estivesse aí, você não teria qualquer ideia de ser alguém pensando. A ideia de ser alguém pensando é porque o pensamento está aí. O que chega sempre é o pensamento, depois temos o pensador. Quando temos a presença do pensamento, nós nos sentimos os pais do pensamento, os responsáveis pelo pensamento.

Se você examinar, investigar, olhar de perto, o que requer a presença da auto-observação, deste olhar livre de crenças, conclusões, avaliações e escolhas, livre do gostar ou não gostar, se você se aproximar e olhar para o pensamento desta forma irá perceber que o pensamento é apenas uma resposta que está surgindo agora em razão de algum estímulo que surgiu. No entanto, esse pensamento não foi produzido por você; ele apareceu em razão da memória, da recordação. Ou seja, é a presença do passado que surgiu.

E quando o pensamento surge, o nosso modelo de condicionamento psicológico, de condicionamento mental é de acreditar que estamos presentes pensando. Não, não estamos pensando, é o pensamento que surgiu! A ideia de alguém pensando é algo que surgiu também com o pensamento. O próprio pensamento cria um fragmento dele mesmo, que é a imagem da pessoa, desse "mim", desse "eu", desse pensador. É o que nós precisamos descobrir aqui para irmos além do "ego", para irmos além do "eu", desse pensador.

Portanto, precisamos descobrir a verdade de que não existe qualquer pensador para pensamentos; e quando isso fica claro, essa ideia de separação entre pensamento e pensador desaparece. Quando isso desaparece, estamos apenas diante de uma aparição. Assim como a chuva é uma aparição e você não é o responsável, quando o pensamento está presente é uma aparição. Você assume a responsabilidade quando, neste momento, se identifica com o pensamento, então surge o sentido do "eu", do ego.

Nós estamos, na vida, atuando a partir do pensamento, porque estamos, a partir deste pensador, assumindo o pensamento. Quando aprendemos a olhar para o pensamento sem o pensador, o pensamento não se sustenta. Quando aprendemos a olhar para um sentimento como a tristeza, para uma emoção como a raiva, para uma sensação de desejo ou medo, sem o sentido de um "eu" presente, esta experiência sofre uma profunda mudança; e quando isso ocorre, nós temos o fim para esse "eu".

A presença da Meditação é um novo espaço que surge quando há essa qualidade de olhar, de perceber, de estar ciente de como a mente funciona. E quando isso está presente, neste momento se Revela Algo além da mente. Este Algo além da mente é a Realidade Divina.

Podemos, nesta vida, assumir a Verdade deste encontro com Deus, desta constatação da Realidade de Deus? Assim, a palavra "encontro", aqui, assume um outro significado: o significado da constatação de uma Realidade presente assumindo completamente este corpo e esta mente.

Quando temos a cessação do "eu", em razão do fim para essa psicológica e interna condição de modelo de mente condicionada, temos o fim do medo, o fim dos conflitos dos desejos, o fim dessa condição de sensação, algo que nos provoca muito sofrimento, algo que provoca a esse sentido do "eu" contradições, conflito, sofrimento. Então, neste momento, temos a Revelação da Realidade de Deus, quando a mente se aquieta, quando o cérebro silencia e essa interna condição sofre uma profunda mudança.

Assim, nos deparamos com a Verdade da não existência do "eu". Então, com a compreensão desta Verdade, a Realidade de Deus se mostra aqui, neste momento. É o que estamos vendo aqui com você dentro desses encontros. Nós temos encontros on-line nos finais de semana, onde estamos, sábado e domingo, trabalhando isso com você - são dois dias. Além dos encontros on-line temos encontros presenciais e, também, retiros. Se o que você acaba de ouvir é algo que faz algum sentido para você, já fica aqui esse convite.

Julho de 2025
Gravatá-PE
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