quarta-feira, 23 de maio de 2018

Não há como realizar isso identificado com a mente



A aproximação que você tem, nesse espaço chamado Satsang, tem o propósito de lhe mostrar essa grande ilusão na qual a mente tem vivido. Como você sempre esteve identificado com a mente, você a toma como a sua realidade, como a realidade da sua vida.

Se você descobrir como explorar a Natureza Real da Consciência, você vai descobrir que Ela não possui essas qualificações objetivas. Em outras palavras, todo modo de conceituar a vida à sua volta é um modo que a mente conhece, dando qualificação a tudo em volta dela. Em Satsang, você está dentro de uma aproximação da Sabedoria, de um encontro com a Verdade. Esse é o significado da própria palavra Satsang.

Na mente, você carrega vários conceitos, crenças, opiniões e conclusões, e você considera que isso é real para si mesmo. No entanto, aí está a ilusão desse falso “eu”, dessa “pessoa” que, por exemplo, neste momento, parece estar ouvindo alguém – alguém ouvindo alguém. Essas são as qualificações objetivas da mente. A mente, em sua ilusão, torna tudo objetivo à sua volta, sendo ela o sujeito. Então, ela é o sujeito, o “eu”, e tudo à sua volta é o não “eu”. Esse é o conceito, a crença, a ilusão da separação. Essa Consciência é a Natureza do Ser, é a sua Natureza Real. Ela não possui essas qualificações objetivas. Isso é pura criação da mente!

Então, a forma como você está vivendo na mente é totalmente equivocada; é uma vida totalmente ilusória! Isso que é conhecido como “vida humana”, “vida pessoal” é algo semelhante ao sonho que você tem à noite. Quando você acorda pela manhã, percebe que não havia nenhuma realidade, era apenas a mente fabricando imagens, produzindo experiências, e tudo isso estava dentro dela. Aquele mundo do sonho não era uma realidade objetiva. Aquela experiência do som, das imagens, as pessoas presentes no seu sonho, tudo era tão irreal como você dentro daquela experiência. Tudo no seu sonho foi construído por conceitos e crenças. Então, os objetos, as pessoas, as sensações, toda essas experiências, estavam somente dentro da própria mente. Tudo foi pura imaginação. 

Esse seu mundo, que é o mundo da mente, é o mesmo mundo do sonho que você tem à noite, enquanto que a Verdade de sua Consciência, de sua Natureza Real, está além disso. O propósito desse encontro é que você descubra a Realidade, a Verdade sobre si mesmo. Se isso fica claro, não há mais ilusão; a mente entra em colapso! 

Não há nome adequado para essa Realização. Alguns chamam isso de Despertar. Essa Realidade é a Realidade do Silêncio. Tudo que a mente conhece são nomes e formas, são experiências que ela mesma produz, mas estamos apontando para “algo” além da mente, “algo” além dessa ilusão do “eu”. A mente não pode apreender a Realidade, não pode alcançar Isso. 

A mente sempre fica no campo da dualidade, que é o campo de sua própria experiência – sujeito e objeto. Tudo o que a mente conhece está dentro dessa dualidade. Ela mesma se separa entre mente e corpo, mente e mundo. Entretanto, não existe nenhum sujeito e objeto, não existe nenhum pensamento e seu pensador. O pensador é só um pensamento criando a ilusão de uma entidade responsável pelo  pensamento. Não existe pensador e pensamento; isso é uma crença do pensamento. Não existe mente, corpo e mundo. Não existe vigília, sonho, sono profundo e morte, nem um estado pós-morte. Tudo isso é só a mente produzindo. 

Todo dia você tem a experiência de conversar com outras pessoas, de ter pensamentos, sentimentos e emoções, mas isso não é verdade. Isso é só a mente nela mesma, por ela mesma, experimentando ela própria. Mesmo que você tenha um contato de 3º grau, um contato com extraterrestres, isso também estará dentro da experiência da mente. Não existe nada fora da mente e sua experiência. O ego é ávido por experiências místicas, esotéricas, espirituais, extrafísicas. É a busca da mente por sensações extraordinárias. O ego adora esse tipo de viagem.

A Verdade é o fim da mente e sua experiência; é quando a mente entra em colapso, cai, desaparece. A própria mente é feita de conceitos, aparências, nomes, crenças. Então, todas as experiências são projeções da própria mente. Na verdade, ela própria é construída por essas projeções, que não estão separadas dela; essas projeções são a própria mente.

Quando a sua história termina, a mente, o ego, que é a ilusão desse sentido de um “eu” separado, também termina. Então, não há mente, não há corpo e não há mundo. O seu Estado Natural é Ser! Isso é Meditação, Consciência, Liberdade!

Tenho só mais uma coisa para lhe dizer: todo esse movimento, esse sonho, é apenas uma dança da Consciência. O problema não está nessa dança, não está no movimento. O problema surge quando você tenta assumir o lugar da Realidade. Portanto, você está — e sempre estará— diante de um paradoxo. A Verdade não pode ser alcançada por você. Não há como realizar isso identificado com a mente, tendo a mente como real. 

* Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite do dia 29 de Janeiro de 2019 - Participe dos nossos encontros online, baixe o Paltalk app e acesse a sala do encontro, aberta as segundas  quartas e sextas às 22h 


segunda-feira, 21 de maio de 2018

A Comunicação do Silêncio



As pessoas dizem que Ramana estava em silêncio… Sua Upadesa, seu ensino, foi sempre através do Silêncio. Mas, você não deve confundir o Silêncio de Ramana com o silêncio da não fala. Ele estava no Silêncio e comunicava em silêncio. Para nós, comunicação é fala; para o Sábio, comunicação é comunicação. Ele estava dando um recado em silêncio, mas ele não estava no silêncio da não comunicação. Até em nossa experiência ordinária, nós sabemos que comunicação não depende de fala.
O som da voz, a fala, é apenas uma forma de comunicação, mas não é a mais importante. Para o Sábio, a maior forma de comunicação é o Silêncio, mas o Silêncio não implica em ausência de voz, de fala… Ramana também falava!
O que vemos, na mente, é uma fala que não comunica e um som que não diz nada. Em nossa experiência comum do dia a dia, percebemos que basta um olhar, um gesto ou uma expressão facial para que algo seja comunicado. Quando é direcionada a você uma expressão facial de raiva, você sabe que o outro está com raiva. Quando ele abre um sorriso, você sabe que ele está feliz em vê-lo, que você está deixando-o bem.
Vocês estão em Satsang para receber a comunicação, para saber o que está sendo pedido a você. Você vem a Satsang para descobrir como Realizar o que Você É e a premissa primária é que você está diante de um Buda, ou assim deveria ser. Você está aqui para descobrir como não sofrer mais, como não se equivocar mais, como não ser infeliz. Então, se esse é o propósito em Satsang, você precisa descobrir o que deve pegar e o que deve largar; o que é relevante e o que não é relevante para você.
A questão para você formular, em Satsang, é: “Quem sou eu?”. Então, você aguarda a comunicação, que pode vir pela fala, pelo gesto, pelo olhar, pelo silêncio... Se a sua disposição estiver em receber, em descobrir o que tem que pegar e o que tem que largar, a comunicação virá.
Essa foto para mim [Mestre aponta para a foto de Sri Ramana Maharshi], durante todos esses anos, não foi apenas uma imagem parada, uma expressão facial. Através dessa foto, o meu Guru, o Mestre, estava dizendo o que era falso e o que não era; o que era ilusão e o que era real; o que eu tinha que pegar e o que eu tinha que largar para realizar a Felicidade. Então, essa imagem nunca foi a mesma, ela estava sempre comunicando essa investigação.
Isso não é de se admirar, porque a vida está o tempo todo lhe dando sinais do que são meras repetições, hábitos e práticas que não significam absolutamente nada para você, para sua Felicidade, para sua Realização, e que você deve soltar. Da mesma forma, a vida está lhe indicando aquilo que você deve pegar; o que é relevante e o que não é relevante; o que é importante e o que não é importante.
Em geral, a pessoa não consegue ver esses sinais da vida, não consegue ver essas expressões no “rosto” da vida. Então, ela precisa de um Mestre vivo, de um Guru, para ver, na expressão de um rosto humano, o que é Real e o que não é real; o que vale a pena sustentar e o que não vale. Então, o Guru sempre será importante.
O Guru não precisa, necessariamente, ter uma forma humana, mas precisa ter um rosto. Se ele tem um rosto, ele é o Satguru, e se você pode olhar em seu rosto, ele é o seu Mestre. Mas, se você não pode olhar em seu rosto, você continua cego. A capacidade de olhar em seu rosto é a capacitação da Graça, desse poder misterioso que lhe dá abertura, inteligência e fervor… Uma Real Paixão por Isso! Eu chamo Isso de Graça, que é o que lhe dá a possibilidade dessa aproximação, para que você consiga Ver.
Eu era cego, mas agora vejo! Você vê, a face comunica e, então, você tem a inteligência, o fervor e a capacidade de “aprender”. Você “aprende” quando desaprende! Quando desaprende seu modelo, você “aprende” o que é Real. Em certo momento, essa “face” estará sorrindo para você e, no momento seguinte, ela dirá: “Você está segurando o que não deve segurar, está sustentando um equívoco, um engano, uma mentira. Solte isso!”. Na verdade, essa “face” não é a comunicação natalina do Papai Noel – “Ho, Ho, Ho! Feliz Natal para todos!”. O Papai Noel é uma ilusão e o seu saco de presentes também.
O que você está sustentando que, basicamente, o impede de Realizar a Felicidade? Qual é o seu real impedimento?
Participante I: Eu mesmo!
Mestre Gualberto: O que acontece com esse “eu mesmo”, que é o impedimento real? Se esse “eu mesmo” é uma ficção, como ele pode se constituir em um impedimento real? Como é configurado esse “eu”? Do que ele é feito?
Participante II: É feito da valorização! Quando eu valorizo os pensamentos que aparecem, quando dou importância a isso.
Mestre Gualberto: Quando você valoriza os pensamentos, o que, basicamente, você está valorizando?
Participante I: A ilusão de alguém separado, com uma vida própria, que deve ter as coisas do jeito que quer, que deve ter os desejos alcançados… É conflito! É ficar em contraposição à vida!

Mestre Gualberto: É bem isso! Saber o que quer e o que não quer; o certo e o errado; o que deve ser e o que não deve ser. Esse é o impedimento!

* Transcrito a partir de uma fala em um encontro presencial realizado em João Pessoa, no mês de Dezembro de 2017 - Encontros online em todas as segundas, quartas e sextas, às 22h. Baixe o App Paltalk e participe.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

O que impede a Real Felicidade?




O que impede a Real Felicidade? Nosso objetivo, nesse encontro, é investigar a natureza desse impedimento. Nós não estamos investigando a Realidade, a Verdade ou a Felicidade, mas a natureza desse impedimento. O grande impedimento — talvez o maior impedimento de todos — é a crença não examinada acerca da verdade sobre si mesmo. Você não sabe quem é, mas tem muitas ideias sobre isso.

Estar disposto a viver a Verdade significa ter a disposição de abandonar todas as crenças, o que significa abandonar essa identidade pessoal (esse sentido de pessoalidade sustenta essas crenças e vice-versa). O seu grande impedimento está assentado exatamente nisso!

Os pensamentos que você tem sobre si mesmo sustentam os pensamentos que você tem sobre a vida. Basicamente, é assim que acontece. Na verdade, quem você pensa que é, é o que sustenta o seu mundo. Essas crenças inconscientes manifestam esse modelo e sustentam isso no corpo e na mente – essa é a base da falsa identidade.

Como você se sente neste momento? Quais sensações aparecem no seu corpo? Que tipos de pensamentos aparecem, agora, na sua mente? Como suas crenças estão aparecendo agora? Tudo que você está sentindo, neste momento, está dentro desse modelo programado por essas crenças. Se você sente tristeza, isso está sendo configurado por um modelo de pensamento presente. Se você sente alegria, outro modelo de pensamento está presente aí. Se está sentindo algumas coisas no corpo, algumas sensações, todas acompanham um certo modelo de pensamento, um modelo de crença.

Você está tão identificado com os pensamentos que nem mesmo toma ciência do que eles provocam nesse mecanismo, nesse corpo-mente. O seu conjunto de crenças sustenta esse modelo de uma identidade presente dentro do corpo. Isso é completamente falso, mas não é assim que esse corpo-mente sente, porque você está se confundindo com esse “aparato”, com essa condição de crença. Você se vê no corpo e com uma mente dentro desse corpo. Isso é um padrão de representação que você faz de si mesmo. Os Sábios chamam isso de “estado de sonho” ou “estado de inconsciência”. Isso não é Real! Do ponto de vista da Realidade, da Verdade presente, você está, literalmente, dormindo! Percebe o quanto isso é importante?

É evidente que isso não é facilmente aceito como real. O que é facilmente aceito é esse seu modelo de existência, e não o que estamos propondo aqui. Nosso convite é para que você descubra a estrutura, a base, que sustenta esse sofrimento, para que você possa compreender esse impedimento. Então, você se torna cada vez mais consciente da Realidade sobre si mesmo. 

Você pode se mover além da crença, além dessa identidade presente no corpo e, assim, toda essa estrutura, nesse mecanismo, sofre uma alteração. É evidente que isso nem sempre soa de forma fácil, porque suas crenças estão profundamente sustentadas, ancoradas, nesse sentimento, nesse pensamento, nessa emoção, nessa sensação. Você está há muito tempo viciado nisso.

Eu tenho falado muito sobre isso, tenho usado palavras e ideias novas para falar Daquilo que está além delas. Então, deixe suas ideias, suas crenças, seus modelos, seus condicionamentos para trás. Você pode ter lido muitos livros, ter ouvido muitas falas, ter assistido a muitos vídeos, mas isso não resolveu e não resolverá. Agora, você está acreditando em outras coisas, mas isso ainda é um ato intelectual, ainda está dentro da mente e você ainda não foi além dela. Você tem crenças bastante específicas e eu estou aqui para lhe dizer que essas crenças são o seu impedimento.

Existem algumas crenças que são básicas e simples, as quais não constituem nenhum impedimento para a Realização. Por exemplo: você acredita que a Terra é redonda, que a fórmula da água é H²O e que há a Lei da Gravidade. Você não é um químico, não é um cientista, então, você acredita no que eles dizem. Mas, essas crenças ainda são intelectuais. 

Assim, você tem milhares e milhares de crenças que não constituem nenhum tipo de impedimento para a sua Realização, para a sua Felicidade, para a constatação da Verdade sobre si mesmo. Contudo, existem outras crenças, das quais tratamos em Satsang, que precisam cair, desaparecer: a crença acerca de quem você é, acerca de uma existência separada, de uma identidade separada presente nesse momento – “Eu, o mundo e Deus.” Não há nenhum “eu”, não há nenhum “mundo” e Deus não é o que se imagina. 

Então, isso não é sobre não ter crenças, porque algumas crenças são inofensivas. Quando você bebe um copo d’água, você não precisa conhecer a fórmula da água, nem ter a comprovação científica dessa fórmula, basta continuar acreditando que a fórmula da água é H²O. Mas, do ponto de vista da Consciência, da Natureza Real do Ser, essa crença sobre quem você é carrega o maior de todos os impedimentos e você precisa abandoná-la completamente. 

A maioria das pessoas vive nessas crenças, as quais sustentam outras crenças. A verdadeira Felicidade, a verdadeira Liberdade, é algo muito maior do que qualquer crença; é algo além de qualquer ideia, de qualquer descrição. 

Essa Realização requer uma abertura, que é a vulnerabilidade de viver sem essas crenças. Para uma flor desabrochar, ela precisa se abrir; para que você se torne liberto, você precisa estar aberto à Verdade sobre si mesmo, que é o fim da ilusão da crença desse falso “eu”. Então, como uma flor, quando você se abre, você floresce.

* Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite de 16 de Fevereiro de 2018 - Encontros online todas as segundas, quartas e sextas as 22h. Baixe o App Paltalk e participe

terça-feira, 15 de maio de 2018

A cura para todas as doenças



O que acontece em Satsang? Em Satsang, você se depara com uma fogueira enorme, um calor intenso de Presença, de Consciência, de Atenção e Isso respinga em você; é Algo tão transbordante que vai para você. Você está aqui e recebe Isso.
Quando você dá valor a Isso, que é quando está aqui em silêncio, com todo o seu coração, com toda a sua disposição, você tem a oportunidade de ver a Verdade se revelando como o seu próprio Ser; porque Ela é o seu próprio Ser! Ela não está separada da própria fogueira, que é o Guru, que é a Consciência, que é o Real. Então, todo conteúdo egoico que está aí vem à tona e é consumido.
Na Índia, eles chamam essas tendências latentes da mente de vasanas, que são impressões do tempo na máquina (corpo-mente), a ilusão de uma história, de uma identidade que viveu algo há dez dias, há dez anos ou há dez milhões de anos.
Só existe uma “chave” para a Liberação e ela chama-se Meditação. Mas, Meditação não requer técnica, não é uma prática. Uma prática ou técnica estão sempre atreladas a corpo, mente, tempo e espaço. Meditação é Consciência atemporal, presente aí na máquina, sendo “acessada”, assumindo o lugar Dela – a melhor palavra é “assumindo”, porque Ela também não pode ser acessada. É como o sol que está brilhando lá fora. As janelas estão fechadas, e ainda tem as persianas, mas, quando você as abre, o sol que está lá fora entra. Você não vai trazer o sol, você vai apenas liberar os impedimentos.
Agora, entra a questão da Sadhana (que é o trabalho de entrega, sob a Upadesa, que é o ensino do Guru). Quando esse trabalho de entrega acontece, esses obstáculos desaparecem. Mas, o que está presente, já está presente! Como os obstáculos desapareceram, o que está presente se revela como Iluminação, como Despertar, como Realização de Deus!
Essa é a cura para todas as doenças! Ramana Maharshi dizia que o ego é a causa de todas as doenças, porque a doença não é natural. Quando você sente uma dor de dente, você vai ao médico, porque o natural é não sentir o dente na boca. Natural é o dente trabalhar sem você ter a mínima lembrança de que ele existe na sua boca. Quando sua boca está saudável, você não tem consciência dos dentes. Quando o seu rim está funcionando bem, você não tem consciência dele. Quando seu estômago está bem, você não tem estômago.
O natural é a saúde, que torna aquele órgão “invisível”. Quando o órgão sinaliza um mau funcionamento, surge a ideia da presença dele. Então ele diz: “Estou aqui!”, e a ideia do corpo aparece, assim como aparece a ideia de tratamento para esse corpo. Então, surgem as solicitações da mente para tratar dessa entidade presente, que tem que ficar boa, porque pode morrer… Toda uma história surge!
Entretanto, quando há saúde, não há ideia de corpo, como não há ideia de dente na boca, como não há ideia de rim. Por quê? Porque o corpo é uma ilusão. Ele só aparece quando reclama, dizendo: “Estou aqui!”.
Nessa Consciência presente, não há espaço para a ilusão da separatividade ou para essa “doença”, que é uma ilusão — a ilusão “Eu sou o corpo!”, “Eu estou aqui!”. Quando surge a ideia “Eu sou o corpo!”, “Eu estou aqui!”, e há uma doença, eu vou buscar a causa dessa doença. Se eu for buscar a causa dessa doença, é claro que vou encontrar, porque ela está atrelada a ideia de que “Eu estou aqui!”, “Eu sou o corpo!”. Portanto, é uma ilusão atrelada a outra ilusão, que é a de que “estou no tempo e no espaço e sou real como uma entidade presente”. Enquanto que, na realidade, só há Consciência, e a presença dessa Consciência é o fim de todas as doenças.
A doença primária é o sentido de separatividade; as doenças secundárias, vocês sabem: tédio, solidão, medo, ansiedade e muitas outras. Deu para acompanhar isso?
Assim, diagnosticamos e prescrevemos a medicação. A medicação para essa doença é o fim da ilusão de que existe alguém doente, é o fim do sentido de separatividade. Para isso, é necessária uma tomada de Consciência, o que costumo chamar de “assumir o que Você É”. Quando você assume o que Você É, o sofrimento termina. Quando você não assume o que Você É, você sofre, porque você quer consertar o mundo, quer consertar o corpo, e nada disso tem conserto.
O corpo, como qualquer outra aparição, está destinado a desaparecer no tempo e no espaço, porque o tempo e o espaço aparecem com ele, fazem parte de sua ilusão. Nesse sentido, toda doença e toda morte são bem-vindas a um corpo ilusório, destinado a desaparecer no tempo e no espaço. Assim, a doença e a morte são tão “reais”, quanto o corpo é “real”. Todos partilham da mesma “realidade”: a “realidade” da ilusão.

* Transcrito a partir de uma fala em um encontro presencial no Ramanashram Gualberto Campos do Jordão, em 16 de Setembro de 2017.

domingo, 13 de maio de 2018

Nada está oculto dessa Real Consciência



Não há nada fora dessa Consciência. Essa divisão criada entre mente consciente e inconsciente é totalmente arbitrária. A própria mente cria uma divisão arbitrária acerca dela mesma. Ela é conteúdo, que pode ser de dez anos ou de dez milhões de anos, mas é um único conteúdo. Assim, quer a mente esteja aparente na superfície ou submersa em profundidade, oculta, trata-se do mesmo fenômeno.
Não há divisão entre “consciente” e “inconsciente”. O que chamamos de “inconsciente” é a não ciência do que está submerso, e “consciente”, aquilo que está na superfície, do qual há ciência. Mas, quando “olhamos” para a mente, observamos um conteúdo único, que não está oculto dessa Real Consciência.
O que se oculta e o que se mostra é aquilo que a mente oculta e mostra para ela mesma. O que ela oculta dela mesma, ela chama de “inconsciente”; o que ela mostra para ela mesma, ela chama de “consciente”. Entretanto, não há tal coisa como “mente inconsciente”, “subconsciente” e esse “blá-blá-blá” todo. Essas divisões todas são criadas pela mente. Na verdade, não há nada, na mente, que esteja oculto dessa Real Consciência. A Consciência é autofulgente!
Assim como a lua não pode se ocultar do sol, a mente e seu conteúdo não podem se ocultar da Consciência. Isso porque a Consciência é Aquilo onde tudo aparece e desaparece. O conteúdo da mente é apenas imaginário, ligado ao tempo, não tem qualquer realidade substancial, material. Esse conteúdo da mente, seja ele de dez anos ou de dez milhões de anos atrás, é todo um conteúdo imaginário, conhecido dessa Consciência, que, por sinal, o ignora, porque não é Real.
Compreendendo isso, você pode fazer a pergunta adequada. A pergunta que você tem é: “Como posso me livrar desse conteúdo oculto que se mostra como um trauma ou uma doença?”. Trauma e doença, assim como o corpo, são apenas aparições imaginárias no tempo. Então, a primeira coisa a ser compreendida é isso: não dê realidade ao que não tem realidade. Trauma e doença são aparições ligadas a outra aparição (corpo), e ambas são ilusórias.
A outra coisa é que não há nada disso oculto dessa Consciência e, se é assim, isso está presente agora. Então, o que impede isso de vir à luz e desaparecer? A forte identificação com essa ilusão chamada “realidade da mente”. Quando se confia que o sentido do “eu” é real, quando isso recebe validação, isso se mantém sem alteração. Somente isso impede que todo esse conteúdo seja volatizado à luz da Consciência. O diagnóstico é esse e o tratamento é a Meditação; mas a Meditação Real! Esse presente momento é importante, porque ele pode abrir uma porta para esse instante atemporal, que é Consciência.
Então, qual é o tratamento? É essa observação desapegada, não intencionada, não envolvida com aquilo que acontece agora. Quando isso acontece, não há como o experimentador, que é a própria mente egoica, se estruturar e se manter oculto. Então, todo esse conteúdo egoico se revela nesse presente momento.
Não há nada que você carregue dessa ou de outras vidas. Quando tratamos dessa questão do tempo, estamos tratando de uma questão ilusória, porque não há tempo. Para a Consciência, tudo está presente agora. Então, a única coisa que se faz necessária é, aqui e agora, não se identificar com a experiência. Isso eu chamo de Meditação!
Todo esse conteúdo pode se revelar e ser volatizado, ser queimado e desaparecer, porque ele não tem nenhuma realidade, a não ser essa “realidade” que a própria ilusão da mente egoica sustenta, na ideia de que existe um experimentador na experiência. Isso requer um pouco de Atenção!
Vocês estão compreendendo? O diagnóstico foi dado e agora o tratamento está sendo dado, que é: aqui e agora não há experimentador! O que quer que esteja aparecendo na máquina (corpo-mente) não é para um experimentador. Quando isso é assumido, há liberdade para que aquilo que está oculto apareça.


* Transcrito a partir de uma fala em um encontro presencial no Ramanashram Gualberto - C. do Jordão, em 16 de Setembro de 2017.


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