terça-feira, 25 de setembro de 2018

A origem da ilusão



Dentro desses encontros, nós estamos sempre trabalhando essa abertura, que é a capacitação para vivenciar a Graça, a Verdade sobre você. Você é esta Presença atemporal, algo além daquilo que é eterno. Mas, sempre que um pensamento ou sentimento aparecem, com base na crença de que você é outra coisa além desta Presença atemporal, há uma limitação (que é a identificação com o corpo e a mente) e você termina vendo isso como sua “verdadeira” identidade.

O que acontece é que seus antigos hábitos de sentir, pensar e se ver como uma entidade separada criam todo tipo de problema. Você está aqui para tomar ciência de si mesmo, conhecendo a sua Natureza Real. Isso não significa uma luta constante contra antigos hábitos do pensamento, do sentimento, da emoção. A luta não é o caminho, não é a real forma de se aproximar deste trabalho de autoinvestigação. A real aproximação é amorosa, de rendição e de entrega, algo que acontece através da paciente observação. Você necessita da paciente observação do movimento da mente, de como surgem as inclinações da mente em cada um.

Cada pessoa responde de uma forma, reage de uma maneira, e isso precisa ser observado pacientemente, amorosamente, com bastante atenção. A Realização da Verdade não nasce do resultado de um esforço, de uma luta, de uma resistência, de um combate. Isso é algo que requer que você seja consistente, que você jamais desista, mas dentro dessa rendição, dessa entrega, dessa auto-observação.





Não se trata de uma luta para conseguir virtudes ou experiências, mas de um profundo amor, uma consistente e persistente entrega dos antigos hábitos de pensar, sentir e agir — é aqui que a devoção à Verdade aparece. Antes, não havia atenção sobre o movimento das ações, dos pensamentos, dos sentimentos, era puro automatismo, pura inconsciência. Agora, você está trazendo Consciência a este instante, a este momento presente, desidentificando-se da experiência, do “eu” presente na experiência. Como resultado disso, os pensamentos, os sentimentos, as atividades e os relacionamentos começam a acontecer nessa Consciência. Quando há essa Consciência, surge a expressão da Verdade, da Paz.



"Não se trata de uma luta para conseguir virtudes ou experiências, mas de um profundo amor, uma consistente e persistente entrega dos antigos hábitos de pensar, sentir e agir — é aqui que a devoção à Verdade aparece."


Se seu interesse é pela Verdade, pela Paz, pela Felicidade, você precisa se tornar cônscio de suas reações, de todo movimento interno, de tudo que se passa dentro de você. Assim, será possível o perfume desta Presença atemporal; você será capaz de, naturalmente, sair dos antigos hábitos, deixar esse “eu”, essa antiga imagem de si mesmo.

Tudo é apenas parte dessa Totalidade, dessa mesma Verdade inseparável, mas você não pode ver isso enquanto estiver preso aos antigos hábitos da velha identidade ilusória; você não pode desfrutar da verdadeira Paz, Liberdade e Felicidade do seu Ser. A minha sugestão é: vá além dessa ilusão!


*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite do dia 29 de Agosto de 2018 – Encontros online todas as segundas, quartas e sextas as 22h (exceto em períodos de retiros) – Para informações sobre o app Paltalk e instruções de como participar acesse o link: http://mestregualberto.com/agenda/encontros-online

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Como abandonar a mentira de ser uma pessoa?



Estamos tratando, nesses encontros, de algo bastante básico para a realização daquilo que todos procuram, de uma certa forma, que é a Felicidade.

O que eu tenho observado é a facilidade que você tem de se desorientar. Quando alguém caminha dentro de uma mata fechada, precisa tomar muito cuidado para não perder o sentido de orientação. Se isso acontece, ela pode perder a vida. Com muita facilidade, você perde este sentido de orientação, e isso acontece quando você perde a si mesmo nos fenômenos, nas aparições dos acontecimentos. Você se esquece de si mesmo, de sua Natureza Real, e se embola com qualquer fenômeno externo.

É curioso, mas o pensamento, o sentimento e a emoção também são fenômenos externos. Percebam que isso é básico para você que está trabalhando essa coisa do Despertar, da Realização de Deus — não se perder no “externo”.

Quando algo acontece do lado de fora do corpo — um parente sofre um acidente ou é hospitalizado, alguém vai embora, perde o emprego, etc. —, você se perde nesses eventos, você esquece sua Natureza Real, preocupa-se, ocupa-se com o “externo”. E o “externo” pode ser tanto acontecimentos do lado de fora como pensamentos do lado de dentro. Quando você faz isso, esquece que há algo, em você, maior que o “externo”.

Quando você chega em Satsang, eu lhe digo: “Nada disso é real!”. Talvez, seja real apenas como um fenômeno, mas não é real em seu Ser, em sua Natureza Verdadeira. Não é real porque é uma coisa que vem e vai. Pensamentos, sentimentos, emoções, empregos, acidentes, pessoas sendo internadas, morrendo e nascendo são coisas assim, mas nada disso pode tocar Você, o seu Ser. Entretanto, você não acredita em mim; você prefere acreditar nisso, então, tem problemas, sofre. Você acompanha isso?




Quando você chega em Satsang, eu lhe digo: “Nada disso é real!”. Talvez, seja real apenas como um fenômeno, mas não é real em seu Ser, em sua Natureza Verdadeira.


A coisa mais desafiadora na vida é ficar só com ela e não inventar nada. O pensamento adora inventar! Ele interpreta, traduz e tenta manipular o que acontece. Isso é o ego! “Forçar a barra” é o ego; resistir, lutar contra o que aparece, é o ego. Você vai além dessa limitação quando acolhe seu Ser, sua Natureza Real.

A sua Natureza Verdadeira está em Paz, não tem problema. Em sono profundo, você experimenta Isso, porque você não está lá como uma egoidentidade, como uma pessoa com escolhas, desejos e medos.

Satsang o convida a ir além de toda essa limitação; é a chave que abre a porta do fim da ilusão, dessa entidade que sofre, dessa pessoa, desse perturbado. Eu não conheço uma pessoa boa, porque “pessoa” é sinal de maluquice. Quando você vai a Satsang, se depara com um Ser Realizado, então, ele olha para você e diz: “Não precisa sofrer, mas tem que se desapegar da história, do pensamento, do seu mundo, porque o ‘seu mundo’ é problemático. Onde o seu mundo aparecer, o problema aparecerá.”.

Mas, você está viciado em pensar, em sentir, em ser “alguém”; está viciado no mundo, na história. Então, não há espaço para a Consciência, que é Meditação, que é Ser. Não há mais problema se você vive em seu Ser. Isso é seu Despertar! Você tem que sair desse sono, que é o “seu mundo”, o qual está todo dentro da sua cabeça. Esse é o seu único problema!

Compreenda isso; não intelectualmente, mas de forma prática. Quando o fenômeno surgir, não salte sobre ele, não confie nisso. Quando o pensamento, o sentimento, a emoção, a sensação e os acontecimentos surgirem, deixe isso por conta de Deus. Não é seu assunto, então, não se envolva! Deixe Deus tomar conta de tudo! Se você não fizer isso, vai perder a fome, vai perder o sono, vai sonhar à noite, vai ficar mal-humorado durante o dia, vai ter muita raiva, vai ficar perturbado, um perturbado mental.

Então, você se volta para a Verdade de si mesmo, que é Consciência, que é essa Presença, que é Deus, e abandona a mente. Por isso, eu tenho recomendado às pessoas que venham a Satsang, porque é único jeito de abandonar a mentira de ser uma pessoa.

Você está muito viciado nisso, muito viciado! Você vive no meio de “drogados”, de “gente viciada”. Então, você vai a Satsang e se depara com um “sóbrio”, em meio a uma multidão de egos, de pessoas “embriagadas” de ilusão.

A mente tem a habilidade de transformar a vida em um problema. A mente é sempre pessoal! Ela pega a experiência em volta dela — pensamentos, sentimentos, emoções e tudo que acontece do lado de fora  e transforma tudo em algo particular, pessoal, para “alguém”. Quem? Você! Então, você diz: “Eu tenho um problema que ninguém tem!” — essa é a particularização da mente.





Agora, fica claro o que a gente chama de “ego”. Ego é esse sentido ilusório de um centro, em torno do qual acontecem coisas. Maluquice total, porque tudo o que acontece a esse “mim” é só uma imaginação para essa autoimagem que você acredita ser. Olha que interessante: você imagina ser alguém e, então, tem problemas. Isso só existe na mente!

A Vida diz: “Eu Sou o que Sou, não estou nem aí para a sua imaginação!”. Então, essa autoimagem fica revoltada, com raiva, sofrendo, e isso não tem fim nunca! Só se o sonho terminar.

Bem-vindo a Satsang!


*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite do dia 24 de Agosto de 2018 – Encontros online todas as segundas, quartas e sextas as 22h (exceto em períodos de retiros) – Para informações sobre o app Paltalk e instruções de como participar acesse o link: http://mestregualberto.com/agenda/encontros-online

terça-feira, 18 de setembro de 2018

É o momento do Despertar



O senso de separação, a ilusão da autoidentidade, não pode fazer algo para ir além dela mesma. Você não vai intensificar o calor, a força e o brilho da luz da manhã; você não pode interferir no trabalho do sol. Essa Consciência, essa Graça, essa Presença é esta “Luz”, então, não existe um meio de fazer essa Iluminação, esse Despertar, essa Realização acontecer. Estamos diante de algo que acontece naturalmente, assim como, pela manhã, o sol aparece e faz todo o trabalho que ele sabe fazer. Assim é a Luz dessa Presença, Consciência e Graça. Então, o florescer dessa Presença, dessa Realização, acontece sem esforço.

Quando há uma comunhão de coração com a Verdade, Ela é vivida, Ela é realizada, Ela floresce. Se persiste no seu sonho, que é o sonho dessa egoidentidade, você está na ilusão e não há espaço para essa comunhão de coração com a Verdade. Quando não há esse espaço, o sonho continua, a ilusão continua.

Quando nós nos encontramos, você se depara com esse momento de “luz da manhã”. A Presença de Deus é esta “luz do amanhecer”. Quando a Graça do Guru, de Deus, dessa Presença aparece, chega desta forma e, então, tudo acontece naturalmente.

O meu trabalho não é fazer alguma coisa com o sonho. Eu, simplesmente, não dou suporte e nem acredito nisto; não vivo dentro deste ponto de vista, e esta é a posição da Graça, de Deus, do Guru quando o encontra.

Você está na cama e é de manhã… É momento de Acordar! É o fim da ilusão, do sofrimento, de todo desespero, aflição, confusão. É o momento da “manhã”, é o momento do Despertar! Este é o significado deste trabalho.

Nessa comunhão de coração com a Verdade, Ela é vivida por você. Então, você pode viver a sua Natureza Verdadeira. Você, gradualmente, se torna menos e menos envolvido com o sofrimento, porque ele é todo imaginário; ele está assentado na ilusão de uma entidade separada, agarrada aos seus desejos, apegos e medos. Isto faz algum sentido para você ou isso não lhe diz nada?


Nessa comunhão de coração com a Verdade, Ela é vivida por você. 
Então, você pode viver a sua Natureza Verdadeira. 


Esta Realização não dá suporte ao sentido de separação e a qualquer busca de realização do lado de fora. Então, o coração em comunhão com esse Eu Real é a base do fim do sofrimento e de toda a ilusão. Por isso, comecei dizendo que não é uma questão de fazer alguma coisa, mas de estar nesta comunhão, nesta entrega, nesta rendição.

As pessoas se aproximam deste encontro e se deparam com uma proposta inteiramente nova, que é a de desistir de si mesmo, de suas buscas, de suas realizações, mergulhando na Fonte, na Natureza do Ser, voltando para “casa”. Isto é uma radical “compreensão”, uma aproximação totalmente diferente da Vida, de que não há nada para se fazer neste mundo, porque ele já está no lugar em que precisa estar. Você não vai melhorar nada, só vai criar mais confusão.

Na Índia, eles chamam isso de “karma”, que é receber os frutos de boas ações ou de más ações. Mas, isto está, ainda, dentro da operação do falso “eu”, da ilusão da egoidentidade, da separação. O que eu acabei de chamar de “radical compreensão”, é a constatação de que a Vida está completa e o mundo está muito bem sem você.

Você está na fábrica da confusão, trabalhando duramente nela. Os Sábios, na Índia, chamavam essa “fábrica” de “Círculo do Samsara” — nascer, voltar para a escola, casar, ter filhos, constituir família, morrer, nascer, morrer, nascer, morrer...

Há sempre a ilusão de alguém presente no “fazer”, enquanto que não tem ninguém fazendo; é só o próprio movimento do karma. Isso está dentro da ilusão, da crença da separação: “eu e o mundo”, “eu e a vida”, “eu e os meus feitos”. Onde quer que exista relacionamento desse “eu” com o mundo, desse “eu” com o outro, desse “eu” com a vida, haverá confusão. Essa é a “fábrica”, é o Samsara.






*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite do dia 04 de Julho de 2018 – Encontros online todas as segundas, quartas e sextas as 22h (exceto em períodos de retiros) – Para informações sobre o app Paltalk e instruções de como participar acesse o link: http://mestregualberto.com/agenda/encontros-online

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

É preciso descobrir em si mesmo tudo isso




Para esse Despertar, você necessita investigar algumas questões, e é fundamental que cada um de vocês leve muito a sério isto.

Existem perguntas para as quais você terá que ter a resposta, e não basta uma reposta teórica. Se você for a um livro de psicologia e procurar a resposta para a pergunta: “O que é o ego?”, você vai encontrá-la. Se você for a um filósofo ou a um psicólogo e perguntar: “O que é a vida?”, ou, “Qual é o papel do ego na sua vida?”, certamente, eles terão uma resposta para lhe dar. São pessoas instruídas, cultas, que estudaram bastante.

Todos vocês sabem muito, mas não sabem como se livrar dessa “coisa” que faz você resistir à Vida como Ela se apresenta. Isso faz com que você resista para não estar Consciente, Presente. É exatamente isso que o ego faz: ele cria uma resistência a este instante, ao misterioso movimento da Vida, então, ele coloca você como uma entidade que se separa do presente momento. Um psicólogo, um filósofo ou um terapeuta não podem ajudá-lo nesse sentido.

O conhecimento vai ajustá-lo, mas não lhe dará a Liberdade. Tudo que o ego busca é se ajustar, então, o seu movimento é de ajustamento em resistência. Desta forma, não existem respostas suficientes ou a solução final para essas questões: “O que é o ego e qual o seu papel na sua vida?”, “Como ele funciona?”, “Como isso produz essa resistência?”. É aqui que entra Satsang, essa profunda investigação da Realidade, da Verdade, da Natureza do Ser.

Para esse Despertar Real, você precisa descobrir em si mesmo tudo isso. Você vive preso a um movimento de imaginação, de pensamentos, que é o mundo da mente. Não há nenhum problema com o mundo da mente, desde que você saiba que é um mundo ilusório. Quando você confunde esse mundo com a Realidade, você está em um estado de sono, que é confusão, sofrimento, que é a vida estúpida do experimentador, desse falso “eu”. Eu vou repetir isso para você: não existe nada errado no mundo da mente, o problema surge quando você acredita nesse mundo como sendo real.

Os produtores de filmes usam muito o mundo da mente. Quando você assiste a um filme, você está assistindo à produção de uma imaginação. O autor do filme sabe que tudo aquilo é imaginário; ele está no mundo da mente criando entretenimento. Para isso, você precisa da imaginação, e não há nenhum problema com ela. Mas, se os atores daquele filme, ao saírem da gravação, esquecerem que aquilo existia apenas no filme, algo que tinha que parecer muito real, e, assim, levarem para casa os personagens que representaram, eles terão problemas. Se o diretor, produtor e toda sua equipe esquecerem quem realmente são, que tudo aquilo é só uma fantasia, um “faz de conta”, eles terão sérios problemas. É exatamente isso que acontece com você, quando você confunde o mundo da mente, o mundo imaginário do pensamento, com a sua Verdade, a Verdade sobre você. Isso está acontecendo todos os dias para todos.

Quando alguém nasce, todos ficam felizes; quando alguém morre, todos choram; quando seu time de futebol faz gol, você fica muito feliz; quando ele leva um gol, você fica à beira do suicídio, de tanta tristeza e dor. Então, observe isso: basicamente, não há nada errado com o que anda acontecendo na sua vida, só que isso é algo do mundo da mente, do mundo imaginário. É como um filme que Deus está produzindo, onde Ele mesmo é o autor, o diretor, o produtor, o ator, o ator coadjuvante, o vilão, o mocinho... Isso tudo é a assim chamada “sua vida”, mas não é a “sua vida”, é a produção de Deus, o cinema Divino.

Você está levando muito a sério isso, está se confundindo com o personagem que a Existência, a Vida, em sua misteriosa forma, está fazendo acontecer. Você esqueceu quem é você. Acabei de colocar o que, basicamente, significa estar Desperto. Nesse filme Divino, um é o vilão e o outro é o mocinho, um é o santo e o outro o pecador, um é o rico e o outro é o pobre. Não é interessante? Não existe nada de errado com o mundo da mente, porque o mundo da mente é o mundo de Deus - Deus decidiu brincar de cinema. Eu não sei o que vocês têm contra o cinema.


Você esqueceu quem é você.


Quando você estiver com raiva, um dia, perceba que não há problema nisso. A raiva só é possível porque Deus precisa de um ator com raiva em seu filme, naquele instante, senão ela não seria possível. Olha o que eu estou lhe dizendo: você quer todas as coisas positivas e nenhuma negativa, mas isso é algo estúpido, porque não é possível — não há possibilidade de se escolher nada! A raiva também faz parte do cinema, do filme, então, da próxima vez que você a sentir, fique presente, não leve para o pessoal, deixe a história cair e observe o que acontece com a raiva.

Você não é um bom ator, porque está se embolando com a experiência. A experiência da raiva é belíssima, a ilusão de “alguém” nisso é o problema. Então, você assume características de uma identidade separada que não está vendo o jogo. Não tente se livrar da raiva, não tente se livrar da inveja, do ciúme, do medo, do desejo, porque, quando faz isso, você é como um ator que não está fazendo a coisa direito; quando faz isso, você está em resistência, você quer mudar o que É, e isso, basicamente, é o falso “eu”, é o ego, esse “mim”.

Você não aceita a Vida como Ela é, não A acolhe como se apresenta, e, quando resiste, você não está Presente, não está Consciente. Quando resiste, você está identificado com a experiência, e aí está o sentido pessoal. Diante da alegria, não crie história e, então, não haverá resistência. Sabe o que acontece quando não há história na alegria? Ela não vira euforia. Quando não há história em perdas, isso não se transforma em medo. Quando não há história na raiva, essa mesma Presença se expressa com uma energia de grande Inteligência, sem violência, sem conflito.

Alguns presenciaram Ramana com raiva. Nós temos, no próprio evangelho, Jesus expressando o que chamaríamos de “raiva”. Você se torna, primeiro, consciente daquilo que se apresenta agora, aqui, neste instante, e, simultaneamente, presta atenção naquilo que se passa como história, dentro da sua cabeça, a respeito daquilo que está acontecendo. Esse presente momento revela a totalidade da Consciência. Quando faz isso, você está trabalhando o fim da ego-identidade.


Quando está Presente, você está Consciente, mas, quando está perdido no mundo da mente, você está dormindo. Cada momento é riquíssimo de oportunidades para você Acordar, porque ele sempre o desafia a se manter alerta, consciente, desidentificado.



*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite do dia 13 de Julho de 2018 – Encontros online todas as segundas, quartas e sextas as 22h (exceto em períodos de retiros) – Para informações sobre o app Paltalk e instruções de como participar acesse o link: http://mestregualberto.com/agenda/encontros-online

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Como é possível realizar a Verdade?




Este é um extraordinário momento de aproximação de algo inteiramente novo. É importante que você compreenda sobre o que estamos tratando nesses encontros, qual é a grande certeza que aqui nós temos. A certeza é que essa Autorrealização é o real Autoconhecimento. Não se trata de uma experiência pela qual você possa passar, ou de um conhecimento que você possa adquirir um dia. Essa coisa de conhecimento e experiência é uma curiosa combinação para a mente, algo muito fascinante para o ego. Observem bem o que estou dizendo. As pessoas vivem em busca de experiência e conhecimento, mas a Verdade não surge assim. A Sabedoria não nasce do conhecimento, nem da experiência. Todo conhecimento e toda experiência ainda fazem parte da mente, daquilo que é fenomênico, enquanto que a Verdade é o nosso próprio Ser. Ela está nessa luminosidade da própria Consciência, que é, por natureza, atemporal, não faz parte do tempo.

Então, se aqui nesse encontro um de vocês anda muito fascinado pelo estudo, ouvindo ensinamentos e buscando experiências, inclusive experiências espirituais, tenha paciência com o que vou dizer agora, pois pode destruir a sua esperança: isso é completamente inútil! Portanto, se vocês gostam de participar de grupos de estudos de Advaita, ou grupos espirituais de algum tipo, o que dá no mesmo, saibam que isso não vai funcionar. O que eu quero dizer é que isso não serve para nada, apenas para encher, ainda mais, esse velho baú, onde está escrito: “Aqui estão o conhecimento e a experiência”. O nome desse baú é “mente”.

Se você quer encontrar esse baú, permaneça no conhecido, permaneça no tempo. Reparem que é no tempo, no conhecido, que esse baú pode ser encontrado, e o seu conteúdo é a experiência e o conhecimento. No entanto, a Verdade, a Realidade, é totalmente não objetiva, não faz parte do pensamento. Nela não existe nenhum indivíduo, nenhum conhecedor com seu conhecimento, nenhum experimentador com seu experimento. Então, percebam isso: não pode haver Verdade, Realidade, no conhecido, onde existe somente limitação, que é tempo. A Verdade não é o conhecedor, nem o objeto conhecido.

Portanto, Autorrealização não tem nada a ver com experiência e conhecimento. Então, surge a pergunta: “Como é possível realizar a Verdade?” E a resposta é: pela investigação dessa limitação. É necessário investigar a limitação da mente, ver o quanto ela está presa a um estado limitado de experiência e conhecimento. Assim, pela investigação, a mente reconhece a sua própria limitação e para de acumular. Por isso, é importante a busca cessar. Enquanto houver busca, haverá essa ilusão de “alguém” que quer capturar Isso (a Autorrealização) pelo estudo, buscando mais experiência e conhecimento. Isso não funciona.

Por isso, tenho dado ênfase, como todos os Sábios de todos os tempos, à autoinvestigação e à Meditação. Aqui entra um outro elemento, que é uma grande ferramenta: a devoção. A devoção é algo bastante misterioso, um movimento importantíssimo dentro dessa autoinvestigação e um grande facilitador para aquilo que eu tenho considerado como real Meditação.

A Sabedoria não nasce do conhecimento, nem da experiência. Todo conhecimento e toda experiência ainda fazem parte da mente, daquilo que é fenomênico, enquanto que a Verdade é o nosso próprio Ser.


Então, o Despertar, a Iluminação, não é um tópico que pode ser estudado; é algo que é realizado nessa investigação, na constatação do que é Meditação. A devoção, que é voltar-se para Deus, entra como parte disso tudo. Aqui, “Deus” é um nome para essa “Coisa” misteriosa, desconhecida, que está fora da mente; a Realidade que está além de toda experiência e todo conhecimento.

Percebam a importância do que estou dizendo a você aqui. Quando você é capturado pela imaginação da dualidade, pela crença de ser uma entidade separada na experiência deste presente momento, essa ilusão lhe dá uma identidade, a qual se baseia totalmente no conhecimento e na experiência. Assim, essa “entidade” retira de dentro daquele baú, do qual falei há pouco, tudo aquilo que ela precisa para existir.

Quando você vai a um guru e ele lhe oferece mais conhecimento e, ainda, fomenta a busca de mais experiências, ele só pode fazer isso porque ainda está “dentro desse baú”. Portanto, esse guru é uma fraude e não vai funcionar. A não ser que o guru esteja além da mente, ele não irá funcionar. A não ser que o guru esteja compartilhando com você algo além de palavras, experiências e conhecimentos, ele não vai funcionar, porque ainda se encontra na ilusão ‒ ele não é um Satguru.

A palavra “Sat” é Realidade, Verdade, e a palavra “guru” significa “Aquele que dissipa a ilusão”, “Aquele que traz clareza, a claridade, a luz”. Nesse sentido, você precisa da Verdade, da Realidade. Deus é a sua Real necessidade e esse é o verdadeiro Ser. Então, o real Guru é essa Consciência, essa Verdade presente, além da mente, ou seja, além do conhecimento e da experiência, além do conhecido. É nesse sentido que o Guru não precisa ter uma forma humana, mas precisa ser Real. Se o Guru for real, ele é um Satguru, quer esteja na forma humana ou não. Então, se ele não é o Ser na forma de Guru, se é apenas algo ou alguém dentro do tempo, que é a própria mente, não irá funcionar, porque ele se encontra “dentro do baú”, ainda.

Pois, é... Eu sei que isso é desanimador. A pergunta é: para quem é o conhecimento e para quem é a ignorância? Quem é aquele que poderia se destacar e dizer “eu sei e vou lhe ensinar”? Mas, aqui, quem é o conhecedor e quem é o ignorante? Claro que isso ainda faz parte da ilusão, do ego. Então, o Guru real jamais vai lhe ensinar algo, dar a você uma nova experiência ou incentivá-lo a ter mais “profundas experiências”. O real Guru é aquele que está além da ideia, da imaginação, da dualidade; é o próprio Ser, a própria Consciência! Vejam como isso é maravilhoso, belíssimo!





Aquele que se vê como guru, não é Guru. Aquele que “sabe” que é guru, não é Guru, e aquele que, mesmo dizendo que não é guru, quer ensinar alguma coisa, não é guru também. Então, há um momento, dentro de você, em que, por uma ação da Graça, esse Guru interno é despertado. Quando isso acontece, o real Guru já está presente e, então, surge esse amor à Verdade, ao Ser, ao Guru e Ele é reconhecido, assumindo uma forma humana ou não (isso é irrelevante). Quando o seu real Guru está presente, algo dentro de você o reconhece, e esse “algo” é o próprio Guru. Agora, você não está com Ele para aprender alguma coisa, nem para viver alguma experiência.

Despertar não é um caso de experiência ou de conhecimento. Despertar é um mergulho na Realidade, Naquilo que está além do tempo, da mente, do “eu”. Então, isso traz, mostra, declara, o Conhecimento real da Verdade (aqui usei a palavra “conhecimento” num sentido inteiramente diferente do que a mente conhece). Nesse Conhecimento real da Verdade, Você é Aquilo que é conhecido como “Deus” pelos Sábios.  Eu disse: “pelos Sábios!”

*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite do dia 06 de Agosto de 2018 – Encontros online todas as segundas, quartas e sextas as 22h (exceto em períodos de retiros) – Para informações sobre o app Paltalk e instruções de como participar acesse o link: http://mestregualberto.com/agenda/encontros-online

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