sábado, 22 de abril de 2017

Estar em seu Estado Natural é estar em Real Felicidade





É maravilhoso estarmos juntos em mais este encontro, em mais esta oportunidade, que representa uma aproximação desta Verdade que trazemos, Daquilo que somos em Verdade, que trazemos como nossa  Natureza Divina. Estamos tendo, aqui, uma real aproximação Disso. 

Temos neste encontro a oportunidade dessa averiguação, dessa investigação. Carregamos essa ilusão e precisamos ir além disso – essa ilusão de que existem duas coisas: nós mesmos e a experiência da vida; um “eu” e o mundo. Essa é a maneira com que nos aproximamos da vida (como uma entidade separada), como se houvesse duas coisas. A primeira, é alguém presente, e, a segunda, é a vida ou o mundo em volta desse “alguém”. 

Essa é a forma convencional: um “eu” dentro e um mundo fora. Esse mundo fora tem objetos, pessoas, lugares, situações, eventos, acontecimentos, etc. Basicamente, nessa dualidade, nessa separação, em cima dessa ideia, está todo o conflito humano, todo o problema do “eu”, dessa ego-identidade. A ilusão de uma identidade presente e separada vivendo uma experiência do mundo é uma crença convencionalmente aceita. 

Esse é o estado hipnótico em que vivemos. A hipnose é uma forma de sono. É assim que estamos vivendo: em um estado de sono; em uma sugestão hipnótica. O que significa este trabalho [Satsang]? Qual é a importância, o valor, deste trabalho? Este trabalho aponta para o Despertar, para o fim desse estado de sono, dessa forma convencional de pensar e sentir, que gira em torno dessa ilusória identidade com os seus dilemas, dramas, conflitos e problemas, relacionados a essa história pessoal, a esse mundo pessoal, e tudo isso está baseado em crenças, em pensamentos, que assumem formas de imagens. Então, o pensamento assume uma sobreposição à realidade presente. Nessa ilusão, não é possível ficar com aquilo que está presente. Nessa ilusão da dualidade, da separação, tudo o que você tem é uma sobreposição, uma interpretação, uma tradução, ou uma leitura, acerca do que acontece. Logo, o medo está presente; a revolta e o sofrimento estão presentes.

Eu quero convidá-lo a voltar-se para essa Presença, para essa Realidade, para essa Verdade que está presente quando a mente egoica não está, quando a dualidade não está. Isso só é possível quando você abandona esse sentido do “eu”, do “eu” experimentador, do “eu” que interpreta, que julga, que avalia, através do pensamento, através dessas crenças, através desses conceitos. Essa é a programação, a forma condicionada que o pensamento conhece e a maneira como ele se move. É o modelo do pensamento. 

É preciso um esvaziamento completo de todo o peso desse condicionamento. Então, temos o fim desse sentido de separação, dessa ilusão de um “eu” presente no mundo, de um “eu” presente na vida, de alguém dentro dessa experiência — dessa experiência “corpo”, dessa experiência “mente”, dessa experiência “mundo”. Isto é Real Meditação. 

Estamos falando constantemente a vocês sobre a importância da Meditação, que é o esvaziamento completo de todo esse conteúdo; que é o fim para esse movimento da mente egoica; o fim da mente dualista. Isso é algo fundamental. A Meditação, como seu Estado Real, como seu Estado Natural, é o seu Estado livre do ego. Então, a fala está presente, mas não há ego; a ação está presente, mas não há ego; suas atividades rotineiras, como trabalhar, ir para o escritório, para uma fábrica, ou qualquer outra atividade, estão presentes, mas não existe alguém nessa experiência. A Real Meditação não interrompe absolutamente nada, isso porque Ela não tem nada a ver com o corpo. Se o seu corpo está ativo ou inativo, se ele está em estado de vigília, de sono, ou mesmo em estado de sonho, nada disso interrompe Você em seu Estado Natural, que é Meditação.

Portanto, percebam que Meditação não tem nada a ver com aquilo que vocês aprenderam: uma técnica de se assentar, respirar, cantar mantra ou fazer alguns asanas, posturas físicas… Isso pode ser muito útil para o corpo, como uma ginástica para aumentar a elasticidade, para aliviar o estresse, para o relaxamento físico, muscular, mas não é disso que estamos tratando aqui. Estamos falando da Real Meditação, que é o fim do sentido de um “eu” presente na experiência, é a Liberação, é o final dessa separatividade, dessa dualidade, dessa sobreposição à realidade presente. 

Quando há Real Meditação, o Amor está presente, a Verdade está presente, a Liberdade está presente. Essa é a Natureza do Ser, é a sua Natureza Real; essa é a Verdade Divina, a Verdade de Deus. 

Assim, essa Consciência é vista como essa Presença, como esse Espaço, que é Meditação, no qual os objetos, a mente, o mundo e as experiências acontecem. Nada está excluído desse Espaço, dessa Consciência, dessa Presença, que é Meditação. Não há nada de especial ou de extraordinário nisso. Esse não é um estado extraordinário, mas, também, não é esse estado ordinário que a mente conhece. A mente vive em conflito, sofrimento e medo — este é o seu estado ordinário, mas isto não é você em seu Estado Natural. Seu Estado Natural é Consciência, é Presença, é Ser, é Verdade, é Deus.

Estar em seu Estado Natural é estar em Real Felicidade, livre dessa ilusão, dessa mente dualista, dessa mente separatista. 

Vamos ficar por aqui. Até o nosso próximo encontro. Namastê!



*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite de 21 de Abril de 2017 - Acesse a nossa agenda e se programe para estar conosco: Visite nosso site: www.mestregualberto.com - Participe também de nossos encontros online - baixe o app Paltalk no computador ou smartphone - e localize a sala: satsang marcos gualberto sempre aberta às 22h de segundas, quartas e sextas-feiras. 

quarta-feira, 19 de abril de 2017

O mundo criado pelo pensamento





O pensamento criou esse mundo. Tudo que os seus olhos estão vendo aqui, nessa sala, foi criado pelo pensamento. Essa roupa que você está vestindo foi desenhada pelo pensamento... Algumas coisas o pensamento produz e materializa, dá uma forma física, palpável; outras, ele não materializa na forma física, palpável, mas materializa na forma de sensações, sentimentos, emoções e experiências subjetivas. Esse é o seu mundo: o mundo criado pelo pensamento.

Não há nada externo que não seja interno; não há nada fora que não esteja dentro. O que eu quero dizer com isso? Que o seu mundo é mental; um mundo mental e particular para a ilusão de "alguém" presente nessa experiência chamada pensamento. Vocês acompanham isso? Conseguem ver? O que você está sentindo agora? Resultado de pensamentos! O pensamento materializa, torna palpáveis, visíveis, os objetos do lado de fora e torna reais as sensações do lado de dentro. Então, o que você sente não é confiável, pois é só pensamento.

O que estamos fazendo em Satsang? Nós estamos afirmando a Realidade da Consciência e Ela não conhece o mundo. Você acredita que Deus conhece o mundo? Nesses dias perguntaram-me quem criou isso, se foi a mente ou se foi Deus. Eu achei uma pergunta muito interessante. Mente é uma palavra, Deus é uma palavra, Consciência é uma palavra. O pensamento pode imaginar essas três coisas como coisas distintas e separadas, mas tudo é ele que produz. É no pensamento que tudo aparece e desaparece. Mas o que é anterior a isso? O que é anterior e está durante e depois? Que nome você pode dar para isso?

Nós estamos investigando a substância das aparições, que está além da dualidade, além do pensamento – o que significa que está além dos sentimentos, das emoções, das sensações, do corpo e da mente. É aqui que todo o conflito, sofrimento e medo terminam, porque o lado de fora e o lado de dentro desaparecem.

Os problemas não estão nas aparições, não são as pessoas, não estão no mundo, não estão lá fora, mas sim na ilusão que está aí dentro. Então, o que está lá fora está aí dentro. Não há nada que precise mudar que já não esteja mudando, mas não tem alguém fazendo isso. Ou seja, não há nada sendo feito por alguns ou por um novo sistema, pois tudo está somente acontecendo de uma forma natural. As mudanças estão acontecendo; tudo o que tem que acontecer já está acontecendo, mas não tem um grupo, uma organização ou um movimento fazendo isso.

Vocês passaram muito tempo identificados com a mente, que significa estar identificado com o pensamento, com a ilusão desse lado interno, vendo coisas que só estão no imaginário do pensamento. Estar identificado significa trazer um significado subjetivo à experiência. Se eu acredito compreender o significado dessa experiência, isso é em razão dessa subjetividade – estar identificado com esse “alguém” que sabe o que está acontecendo do lado de fora, o que, na verdade, é somente uma projeção daquilo que o pensamento está imaginando dentro.

Um outro aspecto dessa identificação com o pensamento é a tristeza. Se você já teve um momento de tristeza na vida, naquele momento você estava imerso numa subjetividade de conclusão acerca de um acontecimento, o que produziu esse estado que você chamou de triste; isso é estar identificado. Não há tristeza no Estado Natural. Você nunca vai encontrar um Sábio triste, pois tristeza requer muita imaginação, subjetividade e identificação.

A depressão, por exemplo, é um caso agudo de tristeza. Quando a tristeza chega a um ponto mais grave, contundente e forte, você chama isso de depressão. É um caso agudo de tristeza, ou seja, de imaginação ao extremo, para uma suposta entidade presente na experiência dessa dor da decepção, da frustração, do abandono, do estresse, para o que ela não encontra saída. Agora estão compreendendo o que significa estar identificado? É estar preso a essa experiência como uma entidade presente, tão fixada, colada, grudada nela, que se torna uma com essa dor, que é puramente subjetiva, psicológica; que é puramente egoica. Assim, você se torna exclusivo, muito especial.

Por que eu não tenho pena nenhuma do depressivo, do ansioso? Porque eu não posso fazer nada mantendo consenso com a ilusão… É a pura ilusão de alguém muito importante, muito especial, que pode estar numa tristeza tão absoluta, que o mundo inteiro tem que trabalhar e ele não; o mundo inteiro tem que cuidar das coisas do dia a dia e ele pode se recolher no quarto escuro e ficar chorando, pedindo remédio e ajuda de outros. O sentido de importância é tão grande que ele tem que chamar a atenção do mundo dizendo: “Eu sou um imperador, um rei, em minha dor, e não preciso trabalhar, cuidar da vida, pagar as contas… Não preciso fazer nada! Basta ficar deitado aqui, que o mundo vai atender todas as minhas solicitações. Todos vão olhar para mim, vão me considerar e reconhecer que esse caso, aqui, é um caso perdido. Eu mereço toda a atenção do mundo!”

Você faz isso em diversas escalas. Aqui, estou apontando a escala extrema da depressão: no quarto escuro (luz apagada, janela fechada), com uma quantidade enorme de medicação ao seu lado e muita gente preocupada em tentar resgatar você do mundo, que é uma fantasia.


*Trecho de uma fala ocorrida durante o retiro de carnaval em Fevereiro de 2017 em João Pessoa. Acesse a nossa agenda e se programe para estar conosco. Visite nosso site: www.mestregualberto.com - Participe também de nossos encontros online - baixe o app Paltalk no computador ou smartphone - e localize a sala: satsang marcos gualberto sempre aberta às 22h de segundas, quartas e sextas.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

A Natureza Verdadeira do Ser






Não há nada lá fora que já não esteja aí dentro. A Iluminação ou Despertar é saber aquilo que, de fato, você é. Toda confusão, toda luta e guerra, toda dificuldade, todo conflito e sofrimento, não estão lá fora; estão aí dentro. Mas isso não é a verdade sobre você, sobre o mundo; não é a verdade dentro, nem fora. O lado paradoxal é esse: não há nada lá fora que já não esteja aí dentro.

A investigação disso, em Satsang, é uma aproximação para o trabalho do Despertar. Qual é a natureza verdadeira daquilo que acontece? Qual é a real natureza do que se apresenta nesse instante? Qual é a natureza real disso, desse momento? Qual é a natureza verdadeira dessa experiência? A Natureza Verdadeira disso que se apresenta, da experiência, desse instante, do que acontece, é a natureza verdadeira do poder dessas aparições, dessas expressões, dessas manifestações; é o poder verdadeiro desses eventos, acontecimentos.

E qual é a Natureza Verdadeira disso? Ela não é interna nem externa, pois ela está além disso. É a Natureza Verdadeira do Ser, é a sua Natureza Verdadeira. Você está há muito tempo olhando para fora, a partir da ilusão que faz sobre si mesmo, aí dentro – que é o que parece estar acontecendo do lado de fora. Essa mesma ilusão, que você tem sobre si, você tem sobre o mundo, porque o que está fora é o que está dentro, mas isso é uma ilusão.

Um dia, um Mestre deu um presente, bem embrulhado, ao discípulo, que ficou muito feliz por ter ganhado do Mestre um prasad e, ao desembrulhá-lo, descobriu que era um espelho. Ele perguntou: “Mestre, qual o significado desse espelho?”. O mestre disse: “Esse é um espelho mágico, que revela o mundo; é o espelho da sabedoria. Tudo o que você colocar diante desse espelho, ao olhar o reflexo, será revelado a você o interior daquilo”. Ele perguntou ao Mestre: “Então, esse espelho pode me revelar o oculto, o secreto, o segredo das pessoas?”. O Mestre respondeu: “Sim. Esse espelho tem o poder de revelar o que está dentro; vai revelar-lhe os sentimentos, as emoções, os segredos, o oculto, o secreto das pessoas, de tudo”.

O discípulo viu que estava diante de uma preciosidade e a primeira coisa que fez foi colocar o espelho diante das pessoas mais próximas, as que tinham mais contato com ele. Mostrou-o para a namorada e, quando ela se olhou no espelho, ele viu refletido o que de fato se passava dentro dela, o que o deixou surpreso e chateado, porque ele descobriu que não havia amor, mas sim medo, ciúmes, desejo de controle, inveja, mágoas, ressentimentos… Naquele momento, começou a se revelar tudo! A cada segundo, uma nova imagem, cada uma mais feia que a outra, tão feias que ele desviou o espelho da moça. Depois, mesmo assustado, passou a colocar o espelho diante de outras pessoas mais próximas dele. Colocou-o diante do pai, da mãe… e cada vez era uma decepção, porque, em todos, só mudava a ordem de como apareciam aquelas imagens.

Então, ele disse para si mesmo que, quando acabasse de mostrar o espelho às pessoas próximas, começaria a descobrir o mundo, mas não sabia se aguentaria fazer isso, porque, quanto mais ele mostrava o espelho para as pessoas, mais se revelava esse lado nelas. Assim, ele saiu pelo mundo à sua volta, cada vez mais curioso a respeito do que o mundo podia lhe revelar, mas, diante do que foi revelado, parou e viu que aquilo estava fazendo um mal muito grande para ele. As imagens de raiva, intolerância, inveja, medo, ódio, passavam na mente dele. Assim, tapando o espelho, ele disse para si: “Não quero mais saber disso. Eu já vi que não vou encontrar coisa boa nesse mundo. As pessoas são muito feias, carregam tudo isso dentro delas, e eu não sabia que elas eram assim. Acredito que, nesse mundo, somente o Mestre mesmo, o meu Guruji, salva-se dessa situação. Todos são tão feios!”.

Com aquelas imagens vindo à sua mente, ele voltou ao Guru e disse: “Mestre, eu não quero mais saber desse espelho, pois já vi que só vai me fazer mal. Ele está me revelando o mundo como eu não conhecia. Não sabia que o mundo era tão feio, que as pessoas eram tão feias! Só o senhor, Mestre… Só o senhor”. O Mestre perguntou-lhe: “Como assim?” O discípulo respondeu: “Mestre, o espelho revela o íntimo das pessoas, o que elas trazem dentro. O senhor não entende?” O Mestre disse-lhe: “Não. Eu não estou compreendendo. Onde está o espelho?” Então, ele tirou o espelho, desembrulhou-o e, naquele momento, o Mestre olhou para o espelho. Quando olhou para o reflexo do Mestre naquele espelho mágico que revela a Sabedoria, a Verdade, o discípulo viu, muito claramente, que lá estavam o ódio, o medo, o desejo, a solidão, o ressentimento, a inveja, o ciúme, e, colocando a mão na cabeça, disse: “Uau! Tem algo errado com esse espelho! Não é possível!” Começou a chorar e o Mestre perguntou-lhe: “O que foi? O que você está vendo”? Ele respondeu: “Mestre, eu não sei, não consigo falar… Tem algo errado com esse espelho… tem algo errado com esse espelho”.

O Mestre olhou para ele, sorriu e disse: “Não tem nada errado com esse espelho; não tem nada errado em mim; não tem nada errado nas pessoas que você colocou diante desse espelho. Pare de chorar, porque não tem nada errado, também, em você. Isso tudo é porque você passou muito tempo, uma vida inteira, olhando para fora, procurando encontrar a Sabedoria, a Verdade, a Felicidade, o Amor, a Liberdade, a Paz, nas pessoas, no mundo externo, no mundo do lado de fora, mas não há nada errado lá fora. Essa atitude aí é que precisa mudar. Não há nada lá fora, meu filho, que não esteja aí dentro. Quando essa ilusão, essa visão equivocada, distorcida, errônea, desaparece, termina, não há nada aí dentro e não há nada lá fora”.

*Transcrito a partir de uma fala durante o retiro de carnaval em fevereiro de 2017 em João Pessoa. Acesse a nossa agenda e se programe para estar conosco. Visite nosso site: www.mestregualberto.com - Participe também de nossos encontros online - baixe o app Paltalk no computador ou smartphone - e localize a sala: satsang marcos gualberto sempre aberta às 22h de segundas, quartas e sextas.

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