segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Realizar Deus é Ser Deus


É bom estarmos juntos em mais um momento como este. Foi importante você ter descoberto o valor dessa aproximação, que temos aqui nesse encontro, porque estou lhe comunicando algo que você já carrega dentro de si mesmo. Eu não preciso lhe dar informações sobre isso, até porque não é possível dá-las.

Se um dia você encontrar alguém declarando, afirmando, que pode lhe dizer a verdade, afaste-se dele, ou dela, porque isso não é possível. Não é possível “alguém” lhe comunicar a verdade. Não é possível, nem é necessário, e, no entanto, estamos aqui diante de algo bastante paradoxal. É preciso ser informado sobre Isso, mas ninguém pode nos dar informações sobre Isso. A beleza desse encontro, a importância dele, é que eu posso lhe informar sobre Isso, mas é impossível para mim, ou para qualquer um que esteja em seu Estado Natural, dar “informações” sobre o significado da Verdade.

Então, é algo realmente importante estarmos dentro desse espaço. A Verdade não é comunicada, não através de informações, ela não pode ser comunicada. A real comunicação da Verdade é pelo despertar de sua Presença, dentro de você. Assim, quando você tem um encontro como esse, que estamos tendo aqui hoje, está em um momento muito importante. Esse é um momento para o despertar da Verdade e não para o conhecimento da Verdade.

Quando você está diante de algo, como uma escultura, uma pintura ou uma bela paisagem, não é a forma que está lhe comunicando algo, mas aquilo que está oculto por trás dessa forma, dessa escultura, pintura ou paisagem; é aquilo que está por trás disso que lhe comunica este estado interno, que você experimenta como o silêncio, a beleza, a paz, isto termina sendo comunicado e a representação física da pintura, da escultura, da paisagem, é apenas um formato externo, aparente, sensorial dessa coisa. Quando você se depara com um mestre vivo, não é a forma, mas é o que está por detrás da forma, que comunica algo... Assim, não é a fala, mas o silêncio por trás da fala.

Na Índia, eles têm uma expressão muito bela – Darshan –, que significa “o encontro com a forma de Deus”. Quando você se depara com uma foto de um mestre vivo, ou de um mestre que já não está mais em seu corpo físico, ou depara-se com uma escultura dele, uma imagem esculpida em pedra, ou você se depara diretamente com a forma física de um mestre – a presença de Deus naquela forma humana –, olhar para aquela forma, seja uma fotografia ou uma escultura, uma imagem ou ele em sua forma física, esse é o contato com a visão de Deus na forma. Darshan é “ter a visão de Deus”.

Assim como um quadro, uma escultura ou uma paisagem lhe trazem ou despertam algo dentro de você, que é comunicado aí dentro... Não é o quadro, a paisagem ou a escultura em si, mas aquilo que essa “coisa” comunica internamente; isso que desperta algo em você... Desperta essa beleza, essa paz, esse silêncio.

Darshan é algo que podemos comparar a isso... Essa Presença divina é comunicada diante desse olhar, desse contato – isso é o Darshan... É uma fala de comunicação interna. No instante do Darshan, o que comunica não é a fala, é o que há por trás dessa fala; não é o olhar, é o que está por trás desse olhar; não é essa presença física, mas o que está por trás dela. Assim, acontece uma comunicação não verbal, não intelectual, algo não teórico.

Isso é algo como se todos vocês estivessem, agora, com um piano aí e eu com outro aqui. Então, eu toco uma nota nesse instrumento musical e, como estamos dentro da mesma sala, quando toco essa nota, todos os pianos presentes, por uma questão de ressonância, essa mesma nota irá receber a mesma vibração. Assim, se eu toco a nota “lá”, por uma questão de ressonância, em todos os pianos essa mesma nota irá ressoar. Isso é chamado de ressonância. Observem que o piano de vocês não fez exatamente nada, ele apenas respondeu a essa ressonância. O contato com a Realidade, com a Verdade, é algo assim. É num contato desse nível onde a Verdade se revela, pois Ela já está presente. Essa é a forma de comunhão, ou comunicação, ou despertar.

Então, esse Silêncio, Amor, essa Consciência, Presença, Verdade, desperta em você dessa forma: por pura ressonância. Esse é um momento importante por isso. Satsang é um momento do despertar dessa ressonância, desse Amor, desse Silêncio, dessa compreensão, dessa Verdade, dessa Consciência. Isso é transmitido por uma espécie de ressonância.

Satsang é isso, não um ensinamento. Você não precisa ser ensinado. Você está aqui apenas para ser despertado; para descobrir que há uma nota, a “nota lá”, nesse “instrumento musical” que você trouxe para essa sala. Na verdade, é assim que o ensino é comunicado; esse é o ensino real. Então, a forma do guru, ou do discípulo, é somente a embalagem, pois o conteúdo é único. A embalagem pode parecer diferente, mas é o mesmo conteúdo; esse conteúdo é o Silêncio, a Verdade, a Felicidade.

Está claro isso? O conteúdo é apenas um, mas as embalagens são muitas. Então, há muitas formas de gurus e de discípulos, mas a diferença está somente nas embalagens, pois o conteúdo sempre é o mesmo. Há somente uma única Verdade, uma única Realidade, um único Deus, uma única Consciência, Presença, Felicidade, Liberdade.

Você pode acompanhar isso?

Agora, se você não traz o seu “piano”, não toma ciência de que essa nota “lá” está presente nele. Acontece que você quer a realização da Verdade, quer a Felicidade, o Amor, a Sabedoria, mas não traz o “piano” para dentro da sala. Se você está querendo realizar a Verdade, tem que estar disposto a realiza-la, e tem que trazer o seu “piano”. Compreendem o que eu quero dizer, com “trazer o piano”?

Como você vai realizar Aquilo que você é, afastando-se disso o tempo todo? Se está ocupado apenas com as coisas do corpo, da mente e do mundo, como você irá além disso? Se a sua vida é criar filhos, cuidar de marido, mulher, família, é alcançar algo para essa “pessoa”, que você acredita ser, como você pode saber quem de fato você é? Como você pode ir além dessa historinha criada pelo desejo?

Realizar Deus é ser Deus. Portanto, é necessário ser O que você nasceu para ser. Essa é a sua única e real necessidade. Quando Isso é realizado, tudo o mais à sua volta assume o lugar, que tem que assumir; e você não se preocupa com mais nada. O que estou lhe dizendo aqui não é uma teoria, é a verdade para esse mecanismo chamado Marcos Gualberto.

Você é Deus! Como Deus se preocupa com alguma coisa? Como Deus pode se afligir com problemas familiares? Ou se preocupar com problemas de saúde, de dinheiro ou com qualquer outra necessidade? Então, a única coisa que importa é realizar o que você nasceu para realizar. Assim, literalmente, Deus vai suprir todas as necessidades desse mecanismo, desse organismo, desse corpo. Tudo o que Deus precisa, Deus tem, porque Deus é tudo. Portanto, a única coisa que você precisa é desaparecer e deixar Deus fazer muito bem o trabalho que Ele pode fazer, sabe fazer e tem o poder de fazer.

Tudo isso acontece nesse Darshan. Deus é ser Deus... Esse é o fim do sentido de um “eu” presente se sentindo separado, distante, e precisando de alguma coisa.


Vamos ficar por aqui. Até o próximo encontro. Namastê!


*Transcrito a partir da fala em um encontro online na noite do dia 13 de Setembro de 2017
Encontros online todas as segundas, quartas e sextas as 22h (exceto em períodos de retiros). 
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quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Um Devoto da Verdade


Olá pessoal! Boa noite! Sejam bem-vindos a mais esse encontro aqui pelo Paltalk. Maravilha estarmos juntos em mais esse encontro.

Sempre que estamos aqui, a sua disposição interna precisa ser aquela da inteligente curiosidade, porque é necessário que você descubra aquilo que Você é. Não temos que perder muito tempo com a tentativa de provar a você que a vida sem essa Realização não tem qualquer significado. Parece-me que é aqui que começa todo o trabalho de forma séria, no formato objetivo, aplicado e dedicado. Talvez seja esse o significado real da palavra “devoto”.

O devoto da Verdade é o discípulo da Verdade; é quando você começa a se perguntar: “Afinal, qual é o significado de tudo isso?”. Então, o devoto real é aquele que é o discípulo verdadeiro, o discípulo da Verdade. Algumas pessoas vêm a esses encontros e me passam a impressão de que, ao me ouvir, eu tenho que convencê-las de que a vida delas não tem qualquer significado. Ou seja, elas ainda não perceberam que, de fato, não há nenhum significado na vida delas.

Eu não estou aqui para convencê-lo de que você é infeliz, até porque a mente tem um movimento de autodefesa bastante forte. Então, se eu tenho que convencê-lo de que você não é feliz, significa que você ainda não conseguiu ver, por si mesmo, que a sua vida não tem nenhum sentido. Significa que você não está pronto para ser um devoto da Verdade.

Um discípulo da Verdade é aquele que não precisa ser convencido de que precisa descobrir um sentido, em meio a esse “não significado” da vida. Então, o trabalho começa! Então, a única coisa que importa para você é descobrir, em meio a essa vida sem significado, algum sentido para tudo isso. Parece-me que esse é o sentido real da palavra “discípulo”. Então, repassando isso: o discípulo é o devoto da Verdade, é aquele que não precisa ser convencido de que precisa ter um encontro com Deus, com a Verdade dele próprio. A Inteligência Real aparece a partir desse ponto.

Nessas falas, eu faço uma distinção muito clara entre “inteligência” e Inteligência. A Inteligência Real é aquela que nasce do trabalho do despertar, da autorrealização. Não importa o quanto você seja inteligente em qualquer área, em qualquer modelo da vida, essa não é a Inteligência Real. A sua habilidade em lidar com qualquer área, modelo ou nível da existência em particular, não representa Real Inteligência. Então, essa Inteligência Verdadeira é a Inteligência do Sábio, Daquele que descobre, em meio a essa vida sem significado, a razão de sua própria existência.

O começo da Inteligência ou o Despertar da Inteligência está no autoconhecimento. A palavra “autoconhecimento” também tem sido muito mal compreendida, porque não se trata de conhecer as particularidades da personalidade, as particularidades do “eu”. Há diversos cursos que favorecem esse tipo de “autoconhecimento” - o que nada mais é que uma aproximação psicológica a respeito desse “eu”.

Aqui, quando uso a expressão “autoconhecimento”, estou falando de algo completamente diferente disso. Autoconhecimento é a compreensão de que não existe nenhum “eu” a ser compreendido. Portanto, não se trata de uma aproximação psicológica através da introspecção, da autoanálise ou de qualquer outra técnica. A autorrealização, que é o começo da Inteligência, é fruto dessa Inteligência e começa na investigação desse falso “eu”. O discípulo é o devoto da Verdade, e o devoto é o discípulo verdadeiro. É aqui que começa a Inteligência e isso floresce em autorrealização.

A investigação da Verdade sobre si mesmo é o princípio da Sabedoria, esse Algo que está presente no fim desse falso “eu”. Quando a ilusão desse “eu” termina (e isso é para o discípulo, que é o real devoto), o Sábio – que é o próprio Guru, o próprio Mestre – se manifesta. Reparem que não há separação entre o discípulo e o Mestre – ambos são um só. Aquele que devota a sua vida à Verdade, é um verdadeiro devoto – esse é o real discípulo e o verdadeiro Sábio.

Então, quando você vem a Satsang, não é para ser convencido de que a sua vida não tem qualquer significado sem essa Realização. Você encontra-se em Satsang porque tudo isso já está claro para você. O que quero dizer é que eu não sou o Guru que vai convencê-lo a se tornar discípulo da Verdade ou devoto verdadeiro. Quando você chega aqui, isso tem que estar dentro de você. Agora fica clara a expressão: “Quando o discípulo está pronto, o Mestre aparece!”.

Eu tenho percebido que alguns de vocês, aqui nessa sala ou mesmo nesses encontros, não têm um interesse real nisso. É só um interesse intelectual, é só mais um encontro interessante, onde alguém tem uma fala bastante interessante de se ouvir. Você precisa estar disposto a ir além da ilusão desse falso “eu” e esse é o sinal do verdadeiro discípulo ou devoto.

Como já foi colocado, o discípulo real é o verdadeiro devoto; é aquele que olha a sua vida e percebe que, realmente, nada faz sentido sem a Verdade. Para o verdadeiro devoto, todos os atos, ações, pensamentos, empreendimentos, objetivos não têm qualquer sentido sem essa Realização. A única coisa que importa para o discípulo-devoto é a Realização da Verdade. Tudo vai para segundo plano e, na razão em que esse trabalho aprofunda dentro dele ou dela, isso vai para terceiro plano, quarto plano. Nada tem qualquer sentido, porque não há nenhum sentido na vida sem a Realização disso que Você é, da Verdade sobre si mesmo.

Só mais uma coisa aqui para você: A única coisa que importa é essa entrega, essa determinação; é quando a Verdade pode se expressar como o Real Significado. Não se trata do real significado da vida, porque a própria Vida é o seu próprio significado.

Pronto, turma! Vamos ficar por aqui! Valeu por encontro!


Namastê!

*Transcrito a partir de um encontro online na noite de 08 de setembro de 2017 
Encontros online todas as segundas, quartas e sextas as 22h - (exceto em períodos de retiro). 
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sexta-feira, 29 de setembro de 2017

É fundamental desaprender



Para vocês, aprender é uma coisa muito importante. No entanto, para mim, fundamental é desaprender. Desaprender significa voltar a essa inocência. O descobrimento da Verdade sobre você nasce desse desaprender, é resultado desse desaprender.

Todas as crianças, quando começam a falar, referem-se a si mesmas na terceira pessoa. Isso significa que elas veem seus próprios corpos e o que passa em suas cabeças de uma forma desidentificada. Assim, elas dizem: “Ana gosta de bolo”; “João não quer brincar”; referindo-se a si mesmas como um corpo e uma mente que fazem parte de uma totalidade. Isso porque elas ainda não aprenderam – ainda não foi ensinado para elas – a crença a respeito de quem elas são.

Todo o seu problema está nesse sentido de culpa, pelo fato de você se sentir autor e responsável por aquilo que acontece, como sendo alguém presente fazendo aquilo. Tudo que você faz na vida, faz por culpa, impelido pelo medo, e isso é resultado dessa coisa que você aprendeu, dessa crença que você adquiriu na infância – a crença de quem você é. Por isso, eu comecei dizendo que é preciso desaprender. A não ser que você desaprenda, sempre sentirá medo e culpa; a não ser que você vá além do conhecimento, sempre se sentirá responsável.

Para você, a responsabilidade é importante porque, em sua crença, ela traz ordem e equilíbrio. Mas na verdade, a responsabilidade impõe medo, gera culpa. É evidente que ser alguém é se sentir assim – com medo, com culpa – e quando você se sente assim, não é leve, não é feliz! Então, diferente do que você pensa, a responsabilidade não traz ordem, mas sim o caos, a confusão. Toda a miséria no mundo é a miséria da culpa, algo criado por esse sentido de responsabilidade, que não nasce da Liberdade. A Liberdade nasce da Alegria, da Leveza, da Felicidade, e Isso não produz caos ou desordem.

Por que é interessante investigar tudo isso? Porque, assim, você descobre que o que você construiu com toda essa cultura e educação, não produziu o que você esperava. A mente criou uma expectativa de um mundo pacífico, feliz e ordeiro, mas ela mesma foi criada por essa confusão. Assim, a confusão no mundo é a confusão da vida privada. Enquanto houver desordem em você, haverá desordem no mundo.

Portanto, compreenda isso claramente: você está aqui apenas para ser quem Você é, e Isso já é a ordem do mundo, já é a paz e a felicidade do mundo.

O que eu poderia dizer para você? Pare de se preocupar em colocar ordem em suas relações próximas; coloque ordem dentro de você primeiro! Para isso, volte à inocência, desaprenda tudo que lhe foi ensinado, abandone o compromisso, a responsabilidade e o desejo de mudar qualquer coisa do lado de fora. Então, você realiza a sua Real Natureza – quando desaprende tudo.

O Sábio não está se ocupando em cuidar do mundo, Ele apenas está quieto em seu próprio Ser, em sua Natureza Essencial. Dessa forma, Ele pode presenciar as ações de Deus; Ele mesmo não está separado disso, não tem nada fora do lugar!

Repare o que estou dizendo para você neste encontro: confusão, desordem, culpa, medo, responsabilidade, tudo isso faz parte da ilusão que se aprende; toda a complexidade da vida é a complexidade da mente. Você sente a vida complexa, mas não é exatamente assim. A mente é que é complexa, porque ela está cheia de tudo isso, isso é parte do condicionamento dela, da programação dela; esses são os seus padrões.

Esse é o encontro com a Verdade, que é a simplicidade de Ser, onde nada se sabe. Quando não se sabe nada, a Simplicidade está presente. Não fica ninguém para a responsabilidade e, portanto, para a culpa, o medo e a desordem. Então, volte-se para dentro! Investigue profundamente “Quem sou eu?” e não “O que são os outros?” ou “O que é o mundo?” ou “Quem é Deus?”... Investigue “Quem sou eu?”: quem sou eu antes da cultura, da educação, do conhecimento? O que é esse “eu” antes desse nome e dessa forma, desse corpo e dessa história?

Percebam, esse é o modo de desaprender tudo! Isso é Meditação! Quando isso está presente, o Sábio nasce e, com Ele, a Felicidade, a Ordem, a Paz, a Liberdade, a Inteligência, a Verdade. Quando a inocência está, Deus está! Essa inocência é essa Simplicidade Natural.

Então, termino dizendo isso para você: a única coisa que importa é aquela coisa que é fundamental… desaprender tudo, abandonar o conhecimento, abandonar o pensamento! Com isso presente, toda a noção de tempo termina. Passado é memória, é conhecimento, é pensamento. O presente é conhecimento, memória, pensamento. O futuro, imaginação, conhecimento, pensamento... desaprenda tudo!


Isso é tudo. Namastê.


*Transcrito a partir de uma fala na noite de 18 de Agosto de 2017
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terça-feira, 26 de setembro de 2017

O que significa viver?



Bem-vindos a mais esse encontro aqui pelo paltalk.

É de fato uma alegria estarmos juntos e assim nos aproximarmos dessa Verdade, que é a única coisa que importa. Dessa forma, vocês estão se prontificando a saber, de fato, quem são, que não se trata de compreender o significado da vida, mas descobrir o que significa viver. O significado da vida é, intelectualmente, ter alguma teoria sobre isso. Porque não se pode saber o significado da vida, a mente pode construir inúmeras teorias sobre isto, porém, descobrir o que é viver é uma coisa completamente diferente.

Quando você está na mente, perdido nela, viver significa, basicamente, sofrer. Há poucos momentos de alegria em razão de alguma realização externa, de alguma coisa boa acontecendo para essa pessoa, que você acredita ser. Quando acontecem algumas coisas boas, “as coisas” que a sua mente deseja, que o seu ego espera, como expectativas e desejos preenchidos, satisfações realizadas, nesses momentos você tem essa breve alegria, baseada em uma situação boa, em circunstâncias favoráveis. Então, basicamente, é isso que vocês chamam “viver” – a alegria e o sofrimento, que dependem do que acontece a cada um de vocês.

Portanto, você vive na dualidade, entre a alegria e o sofrimento, o prazer de uma satisfação realizada e a dor de uma frustração, e isso é o que tem chamado de “minha vida”. Vocês estão tentando compreender tudo isso, acreditando que, quando são capazes de compreender isso, são capazes, também, de colocar um fim nisso. Então, o apelo da mente está sempre dentro do campo da mente, e tudo o que ela pode fazer está dentro dela própria, com suas soluções e respostas baseadas no conhecimento e na experiência. Porém, vocês não percebem que isso, ainda, está dentro da ilusão de tempo e espaço – um tempo criado pela ilusão de “alguém” presente pensando, e o espaço criado pela ilusão de “alguém”, vivendo dentro do corpo e cercado de objetos externos a si mesmo.

O que ainda não ficou claro para você é que tudo isso é somente uma experiência mental. Você acredita que está dentro do corpo e que o corpo está dentro do mundo, o que não é verdade. O mundo sempre aparece com o aparecimento do corpo e o corpo sempre aparece com o aparecimento da mente, porém, ela só pode aparecer porque há uma Consciência presente, para que ela assim apareça. Então, quando voltamos à fonte, damos um passo para trás, nós perguntamos o que é anterior ao corpo, aí nós temos a mente. Vamos ver isso agora: anterior ao mundo, nós temos o corpo; anterior ao corpo, nós temos a mente; e anterior à mente, nós temos a Consciência – essa é a Fonte, onde tudo aparece.

Assim, o que você chama de experiência, seja ela qual for, como toda experiência do corpo, através dos sentidos (sensações do tato, da visão, da audição, do paladar, do olfato), ou toda experiência da mente (pensamentos, sentimentos, percepções, emoções, lógica, raciocínio), ou seja, qualquer experiência aparecendo está aparecendo como uma experiência na mente. Todavia, tudo isto é uma experiência na Consciência. É “você”, na experiência, que tem a percepção do mundo, do corpo e da mente, então, tudo o que é percebido no mundo, no corpo, é percebido pela mente, porém, continua sendo “você” que percebe a mente, o corpo, o mundo.

A pergunta, então, é: “Quem é você”?

Você é essa Consciência, é a Fonte, é o início de tudo. Portanto, não é você que está dentro do corpo, nem o corpo está dentro do mundo; o mundo e o corpo estão dentro de você. Perceba como isso é claro. Na mente, você tem medo da morte, porque está dando identidade ao corpo, e ele não tem nenhuma identidade, separado da mente. Porém, a mente não tem nenhuma identidade real separada da Consciência. Tudo é somente essa Consciência. Sendo assim, buscar o significado da vida é algo completamente absurdo, porque o que você chama de vida é a ilusão de “alguém” que está vivo; não tem alguém vivo. Assim, se não tem alguém vivo, quem está buscando o significado da vida? A ilusão, a crença, esse conceito de “eu”, isso tudo, é um falso eu. O que quero dizer para você claramente é: você não é real.

As experiências da “pessoa”, que você acredita ser, recebem uma interpretação falsa, e, consequentemente, você tem amigos, inimigos, parentes, família (pai, mãe, filhos, tios, netos). Você não está contente com a própria complicação que se tornou sua vida – a vida desse falso eu, que você acredita ser – e ainda quer resolver o problema deles, também. Você quer atrapalhar a vida dos filhos, dar solução aos problemas dos amigos, quer proteger os parentes; você quer ajudar o mundo, que é, na verdade, o mundo que existe somente na sua cabeça. Por isso, os Sábios chamam tudo isso de sonho. A ilusão de ser alguém cria o mundo para esse “alguém” viver e, como não pode estar sozinho, ele cria todos esses personagens. Isso tem sido o modelo do “eu”, desse falso eu.

A pergunta para você é essa: não é possível soltar tudo isso, ou você tem que continuar vivendo assim, como esses que estão, supostamente, à sua volta? Porque eles acreditam nisso e você acredita neles e, tanto eles, quanto você, estão nessa confusão. Tudo bem que eles continuem acreditando nisso, porém, se você parar de acreditar nisso, eles desaparecerão, perderão essa importância. Uma vez que você descubra que você não tem problemas, perceberá que o problema deles está dentro da cabeça deles, também. Uma vez que você saiba que está livre, ficará claro que tudo é somente um drama, que tudo isso é somente uma crença. Não existe “você”, nem “eles”; existe somente a Consciência e isso é a Vida.

Essa Vida, que é Consciência, é inteligência, não conhece o sonho, a ilusão e, portanto, não conhece o sofrimento, o medo. Podemos chamar isso de Liberação, Realização de Deus ou Iluminação. 

Pode parecer muito estranho esse ponto de vista, esse modo de ver, porém, isso é assim. Esse é o momento de você descobrir Isso – de ir além do mundo, do corpo, da mente e de tudo o que ela tem criado à sua volta.


Ok! Vamos ficar por aqui. Até o próximo encontro. Namastê!

*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite do dia 31 de Julho de 2017
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quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Não há nenhuma distância entre você e a Verdade!



O que estamos fazendo nesses encontros? O que é estar aqui em Satsang?

Primeiro, você precisa perguntar se existe alguma distância real entre você e a Verdade. Todas as vezes, eu me deparo exatamente com essa dificuldade em Satsang: tentar, através das palavras, mostrar que não há nenhuma distância entre você e a Verdade!

Afinal, qual é a distância entre essa Consciência e os objetos dos quais Ela está consciente (corpo, mente, e mundo)? Existe alguma distância? Que distância é essa? Onde se cria, se produz, essa distância?

Se você investigar isso, de forma simples e direta, verá que não há distância; que essa separação não é real; que essa Consciência está presente sempre, e a mente, o corpo e o mundo estão aparecendo Nela — não são coisas separadas.

Em outras palavras, você apenas olha através de uma crença, de uma ideia, do pensamento acerca dessa experiência acontecendo. Você nunca entra a fundo nessa experiência. No entanto, se o fizer, descobrirá que não existe alguém presente nela; há somente a experiência acontecendo na Consciência. Dessa forma, a mente, o mundo, o corpo, as sensações, as emoções, os sentimentos, e os pensamentos estão acontecendo sem a ilusão da separação, da dualidade.

Dualidade significa duas coisas acontecendo: a “consciência” testemunhando e a mente, o corpo e o mundo aparecendo de uma forma independente… mas isso não é real! A mente não é independente, o corpo não é independente, o mundo não é independente! Não existe separação, não existem duas coisas! O pensamento não é independente do pensador! Na verdade, o pensador é só uma crença, uma ideia, mais um pensamento também, que não funciona de uma forma independente dessa Testemunha, dessa Consciência.

Não há pensador, pensamento, corpo e mundo como algo separado, com uma vida independente. Tudo isso é real, mas apenas nessa Consciência. Você não precisa se livrar do pensamento, nem da mente ou do corpo. Quem estaria tentando fazer isso? Apenas a ilusão da separação, da dualidade; a ilusão de alguém que está presente como o pensador, separado do pensamento; o observador separado daquilo que ele observa; aquele que se sente separado daquilo que é sentido.

Todo o problema que você tem se encontra na ideia de que há uma vida sua, particular, acontecendo; a ideia de que essa vida é a vida de alguém  alguém e suas escolhas, desejos, determinações, intenções... Portanto, você está brigando com quem? Discutindo com quem? Reclamando com quem? Todo seu problema com o outro é um problema com quem? Todo seu problema com o mundo, todo seu problema com a própria mente, com o corpo, é um problema com quem? O seu conflito é com sua namorada, com sua esposa, marido, vizinhos?

Você gosta de alguns e não gosta de outros… Então, de quem é que você gosta? Quem é importante para você? Com quem você se dá muito bem? Reparem que é a mesma dualidade, é o mesmo sentido de alguém presente. “Alguém presente” sempre tem amigos e inimigos; é a mesma ilusão: se você tem amigos, tem inimigos também; se você gosta de alguém, tem alguém de quem você não gosta; se você está amando alguém, tem alguém que você não está amando. Você não pode ter uma coisa sem ter a outra. Essa é a dualidade, a ilusão da separação!

Então, quem é que o perturba ou o faz feliz? Ora você está feliz, ora você está triste, mas quem é que o deixa assim? Quem é esse que se sente feliz ou triste? Por que é que ele se sente assim? Por que tem algo do lado de fora tornando-o feliz ou triste? Para quem existe essa separação? Para quem existe essa dualidade?

Isso é muito claro, não?

Tudo isso está acontecendo nessa ilusão de estar se confundindo com a crença de ser alguém separado, no controle desse momento, dessa experiência, ou seja, do pensamento, da sensação, da emoção, do mundo, do corpo, do “outro”...

Reparem que estou sempre apontando para o Estado Natural, fora da dualidade, fora da ilusão, fora dessa separação entre sujeito e objeto, entre observador e objeto da observação. Reparem que nesse Silêncio, que é Consciência, que é Presença, não existe separação. Ela surge apenas como uma crença, quando você, como uma entidade, se separa do que está acontecendo. É sempre uma crença, uma ideia, a ilusão de alguém presente criando uma distância  “eu e o corpo”, “eu e a mente”, “eu e o mundo”... Como se houvesse duas coisas!

Aqui está, diante de você, o desafio desse trabalho, que é se aproximar intimamente dessa constatação; o desafio de não se separar para não produzir conflito, sofrimento, ilusão. Quando você se separa, você cria o conflito. Não se separar significa parar com essa guerra, parar com o medo, parar com o sofrimento. Você deve fazer esse trabalho agora, nesse instante, até que Isso comece a tomar forma, até que Isso comece a assumir o lugar que precisa ter aí.

Lembre-se que você está indo no sentido inverso — a ilusão da separação, a ilusão da mente egoica está indo para uma direção e você está indo para o sentido inverso; a mente egoica, a mente separatista, a mente ilusória, está indo e você está voltando. Você está saindo dessa rota, dessa via, dessa mão, está saindo dessa estrada! Você está saindo do ego, da dualidade, da ilusão, de Maya, do sono, da inconsciência, da mente egoica, da história da pessoa... Você está muito acostumado com essa estrada, com essa via e, agora, você está pegando uma outra via: a via de volta… de volta para casa.

Casa, aqui, é sinônimo de Felicidade, Liberdade, Consciência, Sabedoria.

 Namastê!

*Transcrito a partir de um encontro online na noite do dia 13 de Fevereiro de 2017
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