quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Deus é a realidade do seu Ser

Você foi programado, condicionado, a ver a multiplicidade, a diversidade e os fenômenos como sendo a sua realidade, a "sua" experiência. Assim, a sua experiência é individual, e a diversidade, a multiplicidade e todos os fenômenos estão acontecendo para esse "indivíduo". Esse seu modo de ver o que acontece, que é bem particular, é o modo distorcido de se ver no contexto da vida, da existência. Esse modo particular de se ver é, naturalmente, conflituoso, pesado, frustrante.
Você precisa se desabituar de se ver dentro de um contexto de multiplicidade, de diversidade, de fenômenos. Esse modo programado de se posicionar coloca você numa sujeição a crenças limitantes. Esse é o modelo comum, o modelo da mente egoica, cultural e socialmente aceito, de puro condicionamento. A natureza verdadeira de todas as aparições, de todos os fenômenos, de toda diversidade, de toda multiplicidade, é essa Presença, onde tudo acontece; essa Consciência, onde tudo aparece.
Quando você vem a Satsang, não pode esperar de mim alguma coisa, se "essa alguma coisa" é a confirmação dessa ou daquela crença que você tem. O propósito desse encontro é revelar a Verdade do que você é. Assim sendo, é essencial você se despir completamente de suas razões, de suas convicções, de suas crenças.
A Liberdade reside nessa flexível visão, nessa habilidade de ver as coisas como elas, de fato, são, e todo o treinamento que vocês receberam não é para isso. Vocês estão treinados, religiosamente, politicamente, ecologicamente, socialmente e culturalmente. Vocês têm muita política e religião dentro da cabeça; têm muitas opiniões, crenças, e muitos conceitos. Isso tudo tem que ser solto, todas essas "aves" precisam ser soltas, todas essas "gaiolinhas" têm que ser abertas. Nesses encontros, uma das muitas "gaiolinhas" preciosas, bastante decoradas, que vocês carregam é a religiosidade, ou a espiritualidade. Parece que esse é o meu maior problema com vocês... ou melhor, é o maior problema de vocês comigo. Vocês têm que deixar isso também.
Deus é a realidade do seu Ser, não é uma doutrina, não é um modelo de crença ou o resultado de muitos anos de práticas espiritualistas, nem algo que você só vai compreender no final de tudo isso. Absolutamente! A Verdade, a Consciência, a Realidade, seu Ser, é muito natural, é muito simples... Assim como Deus! A mente transforma o que é simples em complexo, o que é natural em algo excepcional, extraordinário. O ego adora isso: o extraordinário, o excepcional, o complexo. Você não pode se aproximar de um trabalho como esse dessa forma, sabendo tanto, tendo tantas certezas sobre o que é e o que não é. Dê-me um exemplo de algo que você não aprendeu, que é seu, que é original...
Por exemplo: você acredita que a Verdade se ajusta a uma cultura? Se você tivesse nascido numa floresta, no meio do mato, lá entre os índios, e fosse um deles, com seus hábitos de se vestir, de comer, e fosse trazido para uma cidade, como Fortaleza, e lhe dissessem: "Agora você vai se vestir assim, vai comer frango a passarinho e baião de dois"... Você teria piorado ou melhorado a sua situação para realizar a Verdade? Eu só quero saber se, do ponto de vista da Realidade, da Verdade, alguém que nasceu lá no meio da floresta, sendo índio, está mais próximo de Deus do que quem nasceu no Ceará e come baião de dois, carne de sol e rapadura. Quem está mais próximo da Realidade, aquele que vive numa cultura como essa ou que vive numa cultura como aquela?
Onde eu quero chegar com isso? Segundo a espiritualidade que vocês aprenderam, quem está mais próximo de Deus é quem não come carne, por exemplo... Nem toma coca-cola. Foi isso que vocês aprenderam, porque isso não é "espiritualmente correto"? Então, eu só estou dando um exemplo de que você tem de desaprender muita coisa ainda, acerca do que lhe foi ensinado sobre a possibilidade de Realização da Verdade sobre si mesmo. Isso não é cultural! Isso está além da cultura, da espiritualidade, da lei das práticas ascéticas.
Quem está mais próximo de Deus?
Eu nunca fumei na minha vida. Quando botei um cigarro na boca pela primeira vez, tossi e achei aquilo horrível; não quis aprender a fumar. Fui criado num ambiente religioso, nunca fumei, nem bebi, e, até hoje, se tomar um gole de cerveja, acho amargo, horrível! Mas... Quem está mais próximo de Deus? Quem está mais longe de Deus? Será que alguém que fuma ou que toma whisky não pode realizar Deus? Estou somente dando um exemplo de como você está condicionado a modelos impostos pela espiritualidade. Nesse sentido, os gurus também são culpados disso, porque são eles que inventam essas coisas todas.
Eu tive a felicidade de nunca ter escutado um guru, por 21 anos. O único Guru que eu ouvia falava dentro do coração, e poucas vezes falava alguma coisa dentro da minha cabeça. Então, eu não aprendi espiritualidade, cultura espiritual. Quando Ele chegou na minha vida, chegou para me mostrar como desaprender tudo, inclusive teologia evangélica, cristã... Nada disso é real!
Se você está buscando espiritualidade, está no lugar errado, porque é nessa dualidade, neste conceito de multiplicidades, diversidades, que se dá muita importância a fenômenos espirituais. Se a sua disposição é para realizar a Verdade sobre si mesmo, seja bem-vindo a Satsang. Mas, lembre-se de que eu não vou lhe ensinar nada, porque vocês já sabem muito, muito mesmo... Sabem muito de tudo! Quanto mais você sabe, quanto mais conhecimento tem, mais você está enrascado, encrencado. Nosso interesse aqui é no Amor, não no conhecimento... É na Verdade, não no que é certo ou errado, no bem contra o mal, nem nas diversas crenças, como céu e inferno, reencarnação, purgatório...
Nesses dias, eu ouvi alguém escrever algo que dizia assim: "O Rio de Janeiro está sob um carma muito negativo, por isso é que está acontecendo tanta guerra, tanta morte, tanta criminalidade". O que acontece na sua vida não está acontecendo a você, mesmo que levem seu carro para não devolverem mais, devido a um assalto à mão armada. Isso já aconteceu a "você"? Aconteceu na "sua vida"? Mas essa é a "sua vida"? Você dá muita importância ao que acontece, ou ao que parece acontecer, e não dá nenhuma importância a si mesmo.
Aqui é o inverso: eu ensino você a dar toda importância a si mesmo e não ao que acontece, até chegar o dia em que você verá que o que acontece só parece acontecer, mas nada toca Você; nada o tira de onde Você está ou muda o que Você é. Uma coisa que é uma marca das aparições é que elas vão desaparecer: o carro vai desaparecer, a casa e os móveis vão desaparecer; o marido, a namorada e os filhos vão desaparecer também; este corpo, a beleza física, vai desaparecer também. É... Paciência... Quando você tem 15 anos, possui uma beleza; aos 35, já tem outra; aos 75, outra; e, quando tem 95, outra. Ou seja, uma marca daquilo que aparece é que vai desaparecer.
Então, nosso interesse, em Satsang, é descobrir Aquilo que é atemporal, imperecível; Aquilo que o ladrão, o tempo e pessoas não levam; Aquilo que não faz parte de nenhuma crença; "algo" que está aqui e agora... sempre aqui e agora; Aquilo que vê os fenômenos como simples fenômenos, a multiplicidade como multiplicidade e as diversidades como diversidades, mas não se confunde com elas.
*Transcrito a partir de uma fala em um encontro presencial em Julho de 2017 na cidade de Fortaleza – Acesse a nossa agenda e se programe para estar conosco: http://mestregualberto.com/agenda/agenda-satsang .

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Deus não é espiritual, Deus é Natural!

Essa aproximação da Verdade sobre si mesmo, sobre si mesma, é um contato com a Realidade que transcende as limitações que o pensamento tem produzido, ou está além delas. Tudo que você conhece está dentro daquilo que o pensamento tem produzido. O contato com a Realidade é o contato com o Divino em você, que não é "Ele e você". O Divino em você é Ele sem você, porque tudo é Deus... Tudo é essa Realidade, essa Verdade.
A minha dificuldade com vocês é ajudá-los no sentido de abandonarem tudo que o pensamento tem produzido, aí, sobre como a sua vida deve ser. Primeiro: não há a “sua vida”, só há a vida Dele, e a vida Dele é Ele. Para nós, a vida tem opostos. Assim, tem a vida e a morte – esse é o conceito que temos de vida, em que "vivos são vivos", porém, para a Realidade, que é Deus, a Vida é a própria natureza das formas... É a natureza última das formas, que são como bolhas de sabão e explodem. Então, você vê a forma, mas esquece o vazio presente na bolha, interno e externo à película. A forma é como essa película, que oculta o vazio ("dentro" e "fora").
A Natureza é o vazio e ele não está dentro nem fora... É somente o vazio. A película é a forma, só uma aparição temporária, e a essa aparição temporária você dá o nome de vida, “a minha vida”, “a minha existência”, “a pessoa que sou”. Não tem pessoa! Você briga por essa "bolha". Confundindo-se com a película, você diz para outras “películas” à sua volta: “eu sou uma pessoa mais importante que você"; "olhe o tamanho da minha beleza"; "olhe como eu sou grande, como eu sou fofa, fofo”. Então, toda confusão que você tem na "sua vida” está baseada no conceito de bolha de sabão... Uma bolha que agora é e, daqui a pouco, não é mais; aparece e daqui a pouco desaparece, assume essa ou aquela forma ao reflexo do sol... É, também, como a cauda do pavão, que se abre e mostra muita beleza, mas, daqui a pouco, aquela cauda cai – o pavão fica sem cauda, parecendo uma galinha grande, aquela beleza toda se foi... Ou fica pior que uma galinha, porque você olha para os pés e diz: "Que pés horríveis!". Tudo vaidade, vaidade, vaidade...
Quando você vem a Satsang, eu olho para você e digo: “vamos lá! Vamos soltar isso; soltar essa ilusão de ser cauda de pavão, película de bolha de sabão". Eu digo mais, e um pouco mais: “solte isso! Você está muito agarrado a isso! Largue tudo por isso"! Então você diz: “mas eu tenho tanta coisa... Olhe o meu brilho diante do sol". É tudo artificial, espelhando o ambiente, e nada interno e real... Somente um subproduto social, cultural. Esse é o seu brilho de “bolha de sabão” – um produto social, como sua cultura, sua formação em terceiro grau, seu doutorado, pós-doutorado, seu carro importado, a sua conta no banco. Todo esse brilho é como a artificial e temporária beleza do pavão, quando a cauda se abre, mas que se fecha e, em determinado mês do ano, ela cai toda. Assim, o pavão perde a cauda e espera brilhar no próximo ano, de novo, numa próxima manifestação da Consciência. Porém, tudo é essa Consciência se manifestando... Não tem você!
Então, a sua vida não é a “sua vida”; é a sua vaidade, arrogância, presunção, ilusão; é o seu medo! O que será você sem a sua "cauda”? O que será você sem as coisas que acumulou durante tanto tempo, que lhe dão tanto brilho e fazem, até, você flutuar?
A Realização é o reconhecimento de sua Natureza Real... É a riqueza Real!
As pessoas ficam aborrecidas comigo, quando eu digo que a espiritualidade, também, faz parte desse brilho artificial da bolha de sabão, faz parte dessa cauda enorme do pavão, fazendo dança de acasalamento para atrair a fêmea. Elas ficam aborrecidas, quando eu digo que toda essa espiritualidade é, também, uma coisa apreendida, cultivada e herdada da estupidez humana, da ignorância e do desejo da mente de chegar onde ela não pode; de alcançar o ilimitado sendo limitada; de tocar o desconhecido, sendo ela o conhecido. Elas ficam aborrecidas comigo, quando eu digo que elas têm que abandonar tudo isso, porque Deus não é espiritual. Deus é Natural!
Deus é a natureza da manifestação, que é somente uma expressão brincalhona de sua Presença e Graça. Ele não faz isso para se exibir, tentando chamar atenção para Si, dizendo “me adorem, sejam espirituais para me conhecer"... Ele não faz isso! Foi a mente que construiu isso; os sacerdotes, os padres, os gurus construíram isso. A Realidade é a natureza do Ser, é o que há de mais oculto, secreto, silencioso e íntimo em você. Isso é Deus! Não tem nada de espiritual nisso. A Santidade é o reflexo dessa Graça e Presença oculta, silenciosa e íntima, dentro de você, que não tem nada a ver com espiritualidade, com essa coisa educada, ética, com base no comportamento apreendido. A Santidade é uma expressão do Coração amoroso, silencioso, divino, sagrado e sábio que você traz dentro de si! Quando Isso floresce, o Amor floresce, a Liberdade floresce, a Compaixão floresce, a Felicidade floresce, a Sabedoria floresce.
Na Índia, eles chamam de Jivamukti, que significa "aquele que está liberto em vida"... Liberto da ilusão dessa auto identidade e do medo, que carrega o juízo, a comparação, o preconceito, a vaidade de diferenciações e de acepção de pessoas, que carrega tudo isso. O medo carrega tudo isso. Aqui não se trata de palavras; os livros estão cheios delas. Eu não preciso de palavras. Eu não sou um palestrante. Eu não sou um advogado, um médico, um professor... Eu sou Deus! Você é Deus! Satsang é Consciência, é Presença! Satsang é Liberdade, é Sabedoria. Satsang é conhecer a si mesmo, todo o tempo.
*Transcrito a partir de uma fala em um encontro presencial em Julho de 2017 no Ramanashram Gualberto em Campos do Jordão – Acesse a nossa agenda e se programe para estar conosco: http://mestregualberto.com/agenda/agenda-satsang .

terça-feira, 22 de agosto de 2017

É necessário ir além da mente, do mundo, do sentido do “eu”

É maravilhoso estarmos juntos em mais esse encontro, onde nós podemos trabalhar Isso. Estamos trabalhando a constatação Daquilo que somos. Nossa grande procura é apenas uma única: estamos à procura de nós mesmos, da Felicidade que já somos. Procuramos externamente, mas a Coisa toda está aqui e agora, como o nosso próprio Ser, nossa própria Consciência, que não é algo a ser obtido.
Na verdade, você é sempre essa Felicidade, mas está procurando Isso em relacionamentos... É basicamente disso que tratamos dentro de Satsang. Você viaja para encontrar Isso num “relacionamento” com o lugar visitado; faz grandes viagens, literalmente. As pessoas adoram viajar, entrar em contato com lugares novos, desconhecidos, na busca da Felicidade, literalmente, do lado de fora. Então, elas buscam Isso e querem encontrar em lugares, realizações e pessoas.
Ramana Maharshi (Bhagavan), quando estava no salão, ficava lá, sozinho, mas dois passarinhos sempre costumavam entrar no salão e pousar ao seu lado, e ali ficavam. Havia também um pequeno cachorro que gostava de fazer isso... Eles entravam no salão e lá ficavam. Um dia Bhagavan percebeu que um dos discípulos expulsou o cachorro, com bastante dureza. Ao observar isso, Ramana disse: “Só porque vocês têm um corpo humano, pensam que são seres humanos, e, porque ele está no corpo de um cão, vocês acham que ele é um animal. Por que vocês não tratam os animais como eles verdadeiramente são”? Ramana continuou dizendo: “Vocês têm um corpo humano e eles têm um corpo animal, mas eles são O que vocês são: a Consciência, a Felicidade”.
Assim, basicamente, esse é o ponto: a constatação da Verdade sobre você é o fim da ilusão “eu sou uma pessoa” (uma pessoa cercada de pessoas, de seres humanos, ou cercada de animais). Sua Natureza Verdadeira é Felicidade, e essa é a Natureza da manifestação. Tudo o que os seus sentidos vivenciam, tocam, é apenas uma aparência dessa única Realidade – a Realidade do Ser, a Realidade da Consciência, que é Felicidade. A realização de Deus, a realização de si mesmo (a), é a constatação de sua Verdadeira Natureza.
Todos os pensamentos e sentimentos que aparecem, parecem exteriorizar o fenômeno. Assim, você fica diante da percepção, em que coisas específicas são percebidas, mas você não pode se confundir com essas aparições. Você deve perguntar: “Quem é que as vê? Quem é que as sente”? Então, quando faz isso, você se desidentifica dessas aparições e retorna à sua Natureza Essencial, retorna ao seu Ser-Consciência-Felicidade. Assim, o trabalho é se reconhecer como Ser-Consciência-Felicidade.
Essa procura de Felicidade externa, na experiência das percepções, nasce desse sentimento de incompletude. Agora, para quem é esse sentimento de incompletude? Para esse “eu”, que é o falso eu! Repare que em sono profundo você não tem nenhuma infelicidade. Então, o que é que se interpôs, aí, entre essa Felicidade, essa Paz, que você desfruta em sono profundo, e esta não-Felicidade, que você tem na sua vida do dia a dia? O que é que interrompe esta Felicidade natural do Ser que você é, aqui e agora? As suas crenças, esse confundir-se com os pensamentos, sentimentos e com essa imagem que você tem de si mesmo (a). Então, você se vê como uma “pessoa”, com um nome, uma identidade separada, uma história e, quando se vê assim, faz isso - esquece a sua Real Natureza.
Esse trabalho de autoinvestigação, entrega, Meditação, caminha na direção de soltura dessa ilusão. Identificado com a mente, você assume essa ilusão, que é a ilusão do “eu”, desse falso eu, quando você é bastante estúpido, confuso, desorientado, estressado e cheio de fantasias sobre o amor, a liberdade, a paz e a felicidade. O sofrimento é uma imaginação do “eu”. Não há nenhum sofrimento aqui, nesse instante, nem em seu Ser, em sua Identidade Real, em seu Eu Real.
Então, não olhe para fora, não se confunda com a mente – foi isso que Ramana quis dizer. Porque você se vê num corpo humano, acredita que é uma “pessoa”, um “ser humano”, e, devido a essa crença, você olha para os bichos e diz: “ali está um ser animal”. Contudo, na realidade, só há Deus, só há o Ser, que é Consciência, Felicidade, e Isso é Amor, Liberdade, Paz, Verdade.
Então, quando a mente para de ir atrás de objetos, de coisas, de pessoas, de lugares, existe o fim do desejo, e, quando ele termina, o sofrimento termina. Portanto, quando você se volta para Isso que está aqui e agora, dentro, para a sua Realidade, para Isso que Você é, você está livre... é Liberdade! Quando o mundo desaparece, a mente desaparece. Ela desaparece no Coração e volta para Casa. Então, você é Felicidade!
Porém, enquanto você ficar na mente, se mantiver nela, estará correndo atrás de sombras, buscando descanso do lado de fora. Então, é necessário ir além da mente, além do mundo, além do sentido do “eu”. É preciso deixar de confundir a Realidade com aparições.
*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online, na noite do dia 19 de Julho de 2017 – Para informações sobre os encontros online e instruções de como participar, clique aqui.

sábado, 19 de agosto de 2017

Investigue profundamente isto

Afinal, o que fazemos em Satsang?
Satsang é um momento onde você tem a oportunidade de descobrir a limitação em que você mesmo se coloca. Isso é algo basicamente simples de ser constatado e um pouco complicado de ser abandonado. Podemos até teorizar sobre isso e há muitas pessoas fazendo isso. Isso é algo que tem se tornado bastante comum – há muitas pessoas sabendo sobre esse assunto; há muita teoria sendo badalada, propagada, divulgada.
É necessário ter uma aproximação de profundo discernimento ou você continuará se enganando ou sendo enganado, porque somente teoria e conhecimento não bastam. Isso é como saber pilotar um avião virtual, na tela do seu videogame... Você pega seu pequeno avião, na tela do computador, e pode pilotá-lo, brincar de fazer guerra, de ser um piloto de um avião de guerra. Assim, também, você pode brincar com o conhecimento espiritual, ou Advaita, ou Neo Advaita. Você pode saber tudo sobre Isso e, mesmo assim, ainda se sentir como uma entidade separada e, lá no fundo, profundamente, secretamente, ainda ser “alguém” fingindo que é um ninguém.
Eu tenho falado muito sobre isso com o pessoal que se aproxima, porque estamos num momento onde a “sabedoria” da Vedanta está muito divulgada pela internet (tem muita gente aprendendo sobre isso). Depois que você aprende, que já conhece a teoria da Vedanta, esse assunto torna-se bem interessante e você também começa a falar sobre ele. Alguns falam sobre futebol, outros sobre política e outros falam sobre Realização de Deus, como se Isso fosse a coisa mais fácil do mundo.
Então, você confunde o que é simples com o que é fácil... É algo simples, mas não é fácil. Isso requer um trabalho sobre si mesmo, uma profunda investigação da Natureza do Ser. Por que estou lhe dizendo isso? Porque estou vendo isso acontecer! É necessária uma profunda honestidade, sinceridade e clareza de propósito para um verdadeiro trabalho acontecer. Eu tenho encontrado alguns bastante apressados... Eles chegam em Satsang, assistem a três ou quatro encontros presenciais, se aborrecem com alguma coisa, se afastam, evidentemente continuam lendo e estudando o assunto, e logo começam, também, a falar sobre isso.
Realização é o seu Estado Natural, onde, de fato, real e verdadeiramente, não há mais conflito, sofrimento, ilusão. Assim, o que eu lhe recomendo é ser muito honesto quanto a isso e investigar, com verdade, o que tem criado esse sentido de limitação e está sustentando essa falsa identidade aí presente. A minha primeira recomendação para todos é: investigue profundamente isso, de preferência em silêncio. Uma das coisas básicas, nesse trabalho verdadeiro, é o silêncio.
No primeiro contato com meu Mestre, com meu Guru, eu tinha apenas 24 anos de idade e somente 21 anos depois, quando definitivamente o sentido de separação terminou (eu não sei explicar ou colocar em palavras o porquê), veio esse impulso de compartilhar. Não houve uma escolha, uma determinação pessoal, um desejo ou uma ambição de poder para fazer isso – o que é muito comum no ego. Por isso eu tenho recomendado àqueles que se aproximam para deixarem a “semente na terra”... Você coloca uma semente na terra e não fica cavando toda hora para ver se ela já germinou; você deixa a semente lá, em silêncio, e um dia ela germina e frutifica por uma ação da Graça.
Pior do que estar identificado com o sentido de um “eu” presente, do que viver com esse sentido de uma egoidentidade, é ter um ego espiritual, um ego “iluminado”. Essa ampla divulgação do conhecimento espiritual, em razão da globalização da informação através da internet, tem facilitado isso. A natureza do ego é ser ambicioso, buscar o poder, desejar o reconhecimento e isso é muito complicado. O próprio Cristo dizia que quando um cego guia outro cego ambos caem numa cova; o cego não pode ser o guia de outro cego. Então, o próprio Cristo advertia quanto aos falsos profetas, que hoje são os gurus, e isso já é algo muito comum na Europa e em diversos países ao redor do mundo. Hoje há muito conhecimento, muita coisa sendo aprendida e o intelecto pode aprender tudo.
Então, eu diria a você que está neste encontro, aqui nesta sala: tenha paciência! Não tente acelerar o “rio”... Deixe o “rio” seguir o fluxo na velocidade dele, naturalmente. Em outras palavras: cave fundo, dentro de si mesmo! Observe suas reações, esse movimento interno! Tenha cuidado com essa armadilha do autoconvencimento ou do convencimento alheio... Não caia nela! Afinal de contas, é a sua vida e não a vida do outro. Descubra sua Real Natureza, a Verdade sobre si mesmo! Vá além da dualidade!
Nesse sentido, o Silêncio é importante. Estar diante de uma investigação verdadeira é muito importante. Um cego não pode guiar você sem o perigo de cair no buraco com você. Em outras palavras: o ensinamento intelectual, um mero conhecimento teórico, que o ego tenha sobre Isso, não irá ajudar. Quando um ego dá a mão a outro ego, ambos continuam na egoidade.
Quando você vai à Índia (como nós, que já estivemos lá), também vê muitos gurus, muita gente ensinando, muita gente que tem alguma experiência com a meditação, algum contato com essa Presença e, portanto, também tem alguma Presença ali... É “alguém” bonito! Quando você carrega certa Presença de Deus, você fica bonito! Então, você tem certo silêncio, certo olhar... um “charme” divino, vamos chamar assim. Todavia, não se impressione com isso, porque é somente um ego espiritualizado e isso não é algo fácil de discernir.
Eu estou dizendo isso para você: não assuma esse papel, nem entre nesse jogo com aquele ego que assumiu isso, senão você estará numa armadilha. Essa Realização é resultado de um verdadeiro trabalho nessa direção. Você só pode levar o outro até onde você chegou.
O que eu descobri, ao longo desses anos, é que há pouca honestidade no ego. O ego não tem honestidade, sinceridade e paciência para realizar Isso. Então, o que ele faz? Ele cria isso, se auto-hipnotiza... Aquilo que acredita existir, o ego cria.
Se você for a um manicômio, você descobrirá “grandes personagens da história” - “Adolf Hitler” está lá, “Napoleão Bonaparte”, também, está. Certo dia fui visitar alguém que estava internado e fui apresentado a “Pedro Álvares Cabral”. Quando você acredita que é Pedro Álvares Cabral, fala como Pedro Álvares Cabral; se acreditar que é Napoleão, você falará como Napoleão. Se você acredita que é um iluminado, falará como um Iluminado. Se você, também, estiver procurando Pedro Álvares Cabral, você irá encontrá-lo, assim como, se o seu desejo de se encontrar com Napoleão for muito grande, você encontrará o “seu” Napoleão... É a busca por algo rápido, sem paciência, sem honestidade, sem sinceridade. Assim, são os dois lados da mesma moeda. Essa moeda é a armadilha do ego.
Eu quero lhe recomendar isso: vá para dentro! Seja sincero, honesto e paciente! Renda-se à Graça, à sua Divina Verdade, a Deus, e Ele conduzirá você. Se você tiver isso – sinceridade, honestidade, paciência – e um coração verdadeiro para Deus, uma oração sincera no coração, você não será enganado, não se deixará enganar... Há algo dentro de você que irá lhe mostrar, e “esse” algo é seu próprio, real e verdadeiro Guru.
Ok? Vamos ficar por aqui! Valeu pelo encontro! Namastê!
*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online, na noite do dia 17 de Julho de 2017 – Para informações sobre os encontros online e instruções de como participar, clique aqui.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

A Felicidade é a realização daquilo que Você é

Em Satsang, você está diante de sua real e única oportunidade. Nesse encontro, você se depara com um desafio, que é soltar a ilusão – soltar as suas escolhas, seus desejos, medos; soltar tanto aquilo que você acredita que irá fazê-lo feliz, torná-lo uma pessoa melhor, como também aquilo que, declaradamente, você sabe que, até hoje, só lhe criou problemas. Assim, quando você se depara com esse desafio, você está diante de algo, de fato, único: a investigação sobre a Felicidade. Aquilo que você tem de mais precioso é a realização dessa Felicidade.
Quando você está sonhando e não sabe disso, é difícil acordar. Geralmente, todos os sonhos são assim: você sonha e não sabe que está sonhando. Raramente você percebe que é um sonho; isso é bastante difícil de acontecer. Quando as pessoas me procuram, elas não desconfiam do “sonho” que elas estão vivendo. Eu tenho que falar para elas que estão “sonhando” e, mesmo assim, elas não acreditam. Eu digo para elas: “Você está sonhando!”. A ideia de ser uma “pessoa” é um “sonho” difícil, complicado. Elas não acreditam no que eu lhes digo. Quando eu digo que elas não são felizes, elas dizem: “Não! Eu sou feliz! Sou feliz porque eu me casei, tenho filhos, um emprego… Eu sou funcionário público federal, trabalho para o Temer”. Essas pessoas vêm a mim, mas parece que eu é que devo ir até elas, para convencê-las de que estão vivendo uma vida miserável; tenho que questionar a felicidade que elas acreditam ter.
Na verdade, a mente não tem qualquer parâmetro sobre essa questão da Felicidade. Felicidade é Ser, e isso não é circunstancial. Para a mente, felicidade é ter alguma coisa que a preencha momentaneamente. A Verdade é o sinal da presença da Felicidade – a não contradição, o não conflito, o não medo, o não desejo.
Esse trabalho se propõe a mostrar a você esse caminho direto, o caminho dessa Realização. Ele mostra a você a importância de deixar tudo que você tem. Afinal, o que é que você tem? Parece-me que tudo o que você tem lhe dá um misto de prazer e dor, alegria e tristeza. Contudo, a minha ênfase, nesses encontros, é a importância de um esvaziamento completo de todo esse conteúdo, de todo acúmulo. É fundamental ir além dessa limitação, pois nada daquilo que o “eu” acredita ter, que a “pessoa” acredita possuir, pode lhe dar a Real Felicidade. Muito pelo contrário, isso mantém você preocupado demais.
As pessoas lutam para obter coisas e, depois, elas querem substituir aquelas coisas por outras coisas. Na verdade, se você observar a sua vida, verá que quanto mais coisas você tem, maiores são as suas preocupações para guardá-las, protegê-las e mantê-las com você. Então, as coisas não nos dão felicidade, elas dão “aporrinhação”, preocupação. Se você tem dois carros, preocupa-se com eles, pois o ladrão pode roubar os dois, não um somente; o seguro e o IPVA são para os dois carros, assim como a garagem tem que ser maior para guardá-los.
Agora vamos para uma coisa que, supostamente, lhe dê mais felicidade… Por exemplo: duas namoradas. A preocupação com duas namoradas é maior do que com uma só. Tudo é muito complicado quando você tem muitas coisas.
A Felicidade é a realização daquilo que Você é, e Isso não está na realização de coisas que você tem.
*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online, na noite do dia 14 de Julho de 2017 – Para informações sobre os encontros online e instruções de como participar, clique aqui.

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