terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

A verdade da morte | Como lidar com a morte? | Sofrimento psi´quico | Mente egoica e sofrimento

Existe uma coisa muito curiosa em todo esse comportamento em nós, nesse contato com a vida como ela acontece. Entre nós encontramos os filósofos, os psicólogos, as pessoas assim chamadas religiosas, encontramos os místicos. Quando você olha para a natureza, você não encontra entre os pardais, entre os coelhos, entre os macacos, os filósofos, os psicólogos, aqueles que se dedicam ao estudo da teologia.

Reparem como é interessante todo esse comportamento em nós. Nós temos questões que não encontramos em nenhum outro ambiente, apenas nesse ambiente, dentro desse contexto de história humana, de criatura humana. Assim, nós temos um intelecto do qual nós nos orgulhamos.

No entanto, esse intelecto, além de resolver problemas - nesse encontro com uma condição de vida cientificamente, tecnologicamente, como também no caso da medicina e em diversas outras áreas nós vemos problemas resolvidos, problemas solucionados, e estamos em uma melhor condição de vida dentro desse contexto de cultura humana, de história, de civilização, nesse contexto da humanidade -, também se depara com questões não resolvidas, e nós temos a ideia de que elas não estão resolvidas ainda e que poderão ser resolvidas no futuro.

Mas notem: são questões inteiramente intelectuais e que envolvem essa questão de sentimentos e emoções no ser humano, que nós não encontramos na natureza, no reino animal. Questões do tipo: "como lidar com a morte?" Você não pode imaginar um passarinho com uma questão como essa.

Se você tem um pet aí em sua casa, você nunca imaginou o seu gato com esse problema. Veja, uma questão é um problema. Com certeza você nunca teve essa imaginação do seu gatinho se perguntando quando iria morrer ou com a velha questão sobre a verdade da morte: "O que é a morte?"

Então, são questões presentes no ser humano, porque nós somos filosóficos, nós somos teológicos, nós vivemos dentro de princípios psicológicos, nós queremos razão, o porquê das coisas, sobretudo se essas coisas nos afetam internamente, criam algum nível de desconforto, de desordem, conflito, contradição e sofrimento.

Por que temos uma pergunta como essa: "Como lidar com a morte?" É bem simples: nós não estamos lidando com a vida; o seu pet, seu cachorro, seu peixinho no aquário, aqueles peixinhos lá estão lidando com a vida, porque eles estão lidando com aquilo que acontece; eles não especulam sobre o que virá, sobre o que acontecerá, sobre o prejuízo que terão, mas nós, como seres humanos, apesar de toda essa capacidade intelectual de resolver assuntos que nos trazem hoje uma melhoria de vida, uma qualidade de vida melhor - como por exemplo o prolongamento dos nossos dias em razão de todo esse avanço tecnológico, científico e na medicina - continuamos, psicologicamente, com problemas.

E por que isso está presente em nós? Isso em razão da presença desse sentido do "eu", desse sentido do ego, desse sentido desse "mim". É porque temos coisas que podemos perder, ou porque temos coisas que queremos alcançar e que ainda não alcançamos. Esse ideal de possuir no futuro, e de não se livrar do que você tem, é um movimento interno de pensamento, dentro de você, que produz conflito, que produz sofrimento.

Aqui nós estamos investigando essa questão do fim dessa ilusão, que é a ilusão dessa condição psicológica em que nós nos encontramos nesse sentimento-pensamento "eu", tendo todas essas coisas, precisando resolver essas questões. Nós precisamos descobrir a vida como ela é, e não podemos estar em contato com ela como ela é enquanto estivermos tecendo ideias, conceitos e crenças sobre ela, sobre como ela deveria ser ou poderia ser para "mim".

É aqui que temos a presença dessa separação entre você e a vida, entre você e o que é. Quando isso se estabelece, temos a presença de ideias filosóficas, crenças espirituais ou espiritualistas, conceitos psicológicos. Tudo isso envolve a questão desse modelo de pensamento que está presente em cada um de nós. É esse modelo do pensamento, que limitado como ele é, se vê querendo resolver questões fora da sua alçada, fora da sua competência.

Nós não podemos resolver assuntos de ordem psicológica, uma vez que esses assuntos de ordem psicológica são assuntos criados por esse modelo psicológico que, por estrutura e natureza, é confuso, desorientado, criando questões imaginativas, questões do tipo: "Como vencer a morte?" Repare, não sabemos o que é a vida e já queremos vencer a morte; não sabemos o que é viver, mas queremos resolver a questão do que é a morte e de como vencer a morte.

Notem que todos os problemas de ordem psicológica que nós temos estão estabelecidos em questões que o próprio pensamento estabelece, na imaginação, dentro do seu modelo de confusão, de limitação, de especulação. O pensamento em nós está procurando encontrar a resposta para as questões imaginárias que ele tem. Reparem isso com calma.

Essa questão sobre o que é a morte é como a questão sobre o que é a vida. A vida aqui é só a vida como ela acontece, para ser vivida como ela acontece. Qualquer discussão sobre isso, qualquer debate sobre isso é uma mera especulação imaginária do pensamento. A morte é uma palavra que construímos, pelo pensamento, para falar, por exemplo, sobre o fim das coisas. Mas vamos olhar de perto, por exemplo, essa palavra, que é uma construção do pensamento.

A vida aqui e agora, tudo nesse instante está aparecendo e desaparecendo. Não existe tal coisa como uma estrutura fixa, chamada vida, que aconteceu num determinado momento e irá terminar em um determinado instante lá na frente. Esse momento é uma ideia e esse instante lá na frente também é uma ideia. A cada momento a vida se expressa em uma constante mudança. Tudo é novo a cada instante. Então, a cada instante tudo nasce e tudo morre. Não existe uma separação, não existe uma linha que separa o aparecimento e o desaparecimento.

Por que nós temos questões como essa? Nós temos questões como essa porque estamos vivendo no pensamento. O pensamento tem nos dado a ilusão de ser alguém presente na vida, que tem coisas, que controla coisas, que possui coisas e que não pode perder isso. O pensamento criou a ilusão de uma identidade, que é o "eu", essa "pessoa" que o pensamento diz que é você, e você, de fato, no pensamento, como "pessoa", acredita no que o pensamento diz.

O pensamento, por exemplo, diz que você tem um carro, que você tem uma casa, que você tem negócios, que você tem o corpo, que você tem a vida. Reparem que tudo isso são construções do pensamento, são ideias no pensamento. Essas ideias no pensamento estão criando problemas. Uma vez que o pensamento esteja aí, dizendo que você existe como alguém, separado do que tem, você é só uma extensão daquilo, e se aquilo for tirado de você, um pedaço de você foi arrancado. Então, todo esse sofrimento psíquico presente em nós é uma construção do pensamento.

Assim, estamos vivendo psicologicamente nas coisas, nos objetos, nas pessoas, nas ideias, nas crenças: essa é a vida do "eu", é a vida desse "mim"; ele se vê como uma entidade separada da vida como ela acontece, de tudo que está aqui aparecendo e desaparecendo, e ele quer controlar, e ele quer dominar, e ele quer possuir, ele quer ter para ele, ele quer que isso seja seu. Reparem, essa é a condição, no ser humano, em cada um de nós, que sustenta essa condição psicológica de sofrimento psíquico.

É isso que temos chamado aqui de mente egoica. Aquilo que você chama de "minha consciência" não é outra coisa: é esse movimento de pensamento que está assumindo a ilusão desse sentido do "eu", desse "mim", dessa entidade, como se ela fosse real. Então você se vê como alguém que tem coisas, que está vivendo a vida - e, aqui, a vida é possuir essas coisas. Então, nós vivemos sempre psicologicamente dentro dessa interna condição.

Essa é a vida na mente egoica, essa é a vida do "eu", uma artificial vida. Como temos colocado inúmeras vezes aqui: nós temos a vida como ela acontece e temos essa ilusória vida dessa suposta entidade presente dentro desse viver, dentro desta existência, dentro desse acontecimento. Romper com essa condição é assumir a Realidade, a Realidade do seu Ser, que é a Realidade de Deus; é a ciência da Vida, como ela acontece, sem essa ilusão de estar vivendo a vida porque nasceu e de estar perdendo a vida se a morte acontece.

Há Algo presente nesse instante, e Isso que está presente nesse instante está além dessa ilusória vida do "eu", está além desse modelo do pensamento, que está sempre levantando, a partir dele mesmo, questões, problemas, que ele não resolve. O que temos colocado aqui para você de uma forma muito clara é que ansiedade, depressão, raiva, medo, esses diversos estados conflituosos e aflitivos, como preocupação, ódio, esses diversos apegos que todos nós conhecemos, tudo isso está dentro dessa psicológica desordem desse "eu".

A verdade da aproximação da vida como ela é é possível quando nos aproximamos de nós mesmos, e pelo Autoconhecimento temos essa direta compreensão da não necessidade da continuidade desse movimento psicológico, que é o movimento da mente egoica, que é esse movimento do pensamento procurando respostas para essa vida que ele tem idealizado, que ele tem construído.

A Real Vida está presente, e nós não precisamos desse modelo do pensamento para lidar com o que acontece. Se isso é real, o sofrimento termina, o medo termina, a confusão, os conflitos, as desordens e os diversos problemas presentes nessa condição psicológica desaparecem, porque neste momento aquilo que está presente é a Vida como ela é, e n'Ela se revela a Beleza de Deus, a Beleza do seu Ser, a Beleza de sua Verdadeira Natureza, que não é a pessoa, o "mim", o "eu", o ego.

É isso que estamos trabalhando aqui com você. Esses encontros que temos aqui nos finais de semana, sábado e domingo, são dois dias juntos onde estamos aprofundando isso com você. Além desses encontros, nós temos encontros presenciais e também temos retiros. Então aqui fica um convite.

Fevereiro de 2025
Gravatá-PE
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