quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Como encontrar Deus? Busca pela espiritualidade. Mente condicionada. Aprender sobre Autoconhecimento

Eu gostaria de tratar com você aqui de alguns assuntos. O primeiro deles é sobre esse encontro com Deus. Aqui a pergunta é: como encontrar Deus? A Verdade sobre Deus é que estamos diante de uma Realidade presente aqui, nesse instante. Assim, a ideia de encontrar pressupõe todo um movimento para, em algum momento no futuro, isso se realizar.

Assim, nos deparamos já com um equívoco, porque quando tratamos de Deus, nós estamos tocando na única Realidade presente, tudo mais está dentro de uma aparição que agora está aqui e que irá desaparecer, porque tudo, absolutamente tudo, na vida é temporário, é passageiro, está num momento e no momento seguinte pode não estar mais.

Por que será que tudo na vida é temporário? Exatamente porque tudo na vida está dentro do tempo; se está dentro do tempo, teve um início e terá um fim, teve uma aparição e irá desaparecer. Não é assim a Realidade Divina, não é assim a Realidade de Deus.

Portanto, essa própria ideia de busca, de procura para encontrar é algo que se afirma em um modelo de pensamento que nós temos acerca de Deus. Mas um pensamento sobre Deus é uma imagem que o pensamento cria e projeta; se ele cria e projeta, isso está dentro dele. Não é da Realidade Divina, não é da Realidade de Deus que estamos tocando quando o pensamento está envolvido nisso. Qualquer envolvimento do pensamento, porque envolve a presença do próprio pensamento, é parte do pensamento.

Assim, o que de fato nós precisamos para encontrar Deus? Aqui, em primeiro lugar, é tomar ciência de que essa Realidade, essa Verdade Divina, não está em algum lugar, não está dentro do espaço, não está dentro do tempo, como qualquer coisa temporária que está aqui e irá desaparecer. Estamos diante d'Aquilo que está presente; e se está presente, não é algo que será encontrado e, sim, algo para ser constatado. Essa é a diferença que nós fazemos aqui acerca dessa ciência sobre Deus.

A maioria das pessoas estão envolvidas no processo de busca espiritual; aqui você toma ciência. Nós estamos juntos com você nos aproximando de uma nova aproximação, de uma nova forma de olhar para tudo isso e, assim, nos damos conta de que essa Verdade da Revelação de Deus não se trata também de uma busca espiritual ou de uma busca pela espiritualidade. E aqui a expressão é Revelação de Deus, Constatação de Deus, não é esse "encontrar Deus".

Aqui nos deparamos também já com um outro ponto. Quem é esse elemento envolvido nessa procura ou nessa busca? Se a única Realidade presente é a Realidade Divina, um elemento envolvido nessa busca é parte do equívoco, é parte da ilusão, é parte de uma aparição dentro do tempo. E quem é esse elemento dentro do tempo nessa busca ou procura? É a presença do "eu", é a presença desse "mim".

Assim, nós estamos projetando essa Realidade a partir de uma ideia que o pensamento em nós está projetando, e esse elemento nesse processo de projeção é o próprio "eu". Então aqui nos deparamos também com mais uma confusão da nossa parte: a ideia de que "eu", esse "mim", a "pessoa" irá ter um encontro, a partir da busca, com Deus. Portanto, a partir da busca, terá esse encontro com Deus, e o elemento que terá esse encontro é o "eu".

Aqui, estamos investigando exatamente aquilo que nos impede de ter uma Real ciência ou Revelação ou constatação dessa Realidade nesse instante, que é a Realidade Divina. Aquilo que nos impede é exatamente a presença desse "eu", desse sentido de alguém na experiência desse instante, que se sente, que se vê, que se percebe - é claro que no pensamento, na imaginação - como uma entidade presente separada desse instante.

O nosso enfoque aqui consiste nesse tomar ciência dessa Realidade, que é a Realidade de Deus, e esse é o propósito verdadeiro e profundo, na vida, desse aprender sobre a vida. Nós temos nos envolvido durante toda a vida sempre com o aprendizado. Tudo na vida consiste de algo que se realiza a partir do aprender. Tudo que você representa ser dentro desse contexto dessa existência é algo aprendido. Tudo o que você sabe, tudo o que você faz, todo o padrão de pensamento presente em você, é algo aprendido.

E qual será a verdade do porquê desse aprender? O que é a verdade profunda, o significado real na vida dessa necessidade do aprender? Sim, para efeitos práticos na vida, tudo o que nós fazemos, sabemos, realizamos, foi aprendido. Falar é uma coisa que você aprendeu, escrever é uma coisa que você aprendeu, tudo o que você faz você aprendeu, e na vida nós precisamos também aprender sobre nós mesmos.

Observe que tudo o que você sabe, faz, realiza é externamente, mas quem é esse elemento envolvido nesse saber, nesse fazer, nesse realizar? Você não conhece. Você não sabe a verdade sobre você, e para tomar ciência da verdade sobre você, você precisa aprender. E aqui nós estamos lhe dizendo exatamente isso: quando você toma ciência desse aprender sobre o Autoconhecimento, quando você se dá conta desse "eu", descobre algo além desse "eu", então, nesse momento, você pode ter a Revelação d'Aquilo que está além do "eu", pelo Autoconhecimento.

Então, aprender sobre si mesmo é o que lhe dá a base para descobrir a verdade da ilusão desse elemento que se vê presente fazendo as coisas, sabendo das coisas e realizando as coisas; esse elemento é o "eu". Qual é a verdade sobre você? Quem é você?

Então, notem, na vida estamos aqui para essa descoberta, apenas para essa descoberta, apenas para essa Revelação, para essa tomada de ciência dessa Realidade de Deus, o que representa o fim para esse "eu" quando há essa ciência do Autoconhecimento. E é isso que estamos com você aqui investigando, aprofundando, trabalhando com você, descobrindo que tomar ciência de Deus é a única coisa na vida, que é a própria vida que importa.

Veja, a única ciência que importa na vida é a ciência da vida, e a ciência da vida é a ciência de Deus. Essa ciência de Deus se mostra quando temos o fim do "eu", o fim dessa ilusão desse sentido de alguém que se vê separado da vida, separado da existência, separado do outro, se vê separado dos próprios pensamentos que tem, ou sentimentos, ou emoções, esse sentido de alguém que se vê como pensador, ou aquele que sente, ou aquele que vê, que percebe, que se relaciona.

A vida consiste de relações acontecendo, e esse "eu" se vê se relacionando com pessoas, com lugares, com situações. Tudo isso é parte de uma visão equivocada que temos sobre quem nós somos, que temos sobre a vida, que temos sobre o outro, que carregamos sobre Deus. Tudo isso está dentro de nós, dentro de um modelo de ilusão para ser descartado, para ser compreendido.

Quando há compreensão, temos uma visão clara; quando não há compreensão, em razão da falta da clareza, estamos confusos. Se está estabelecida a confusão, em razão dessa não compreensão sobre nós mesmos, nós estamos vivendo na ignorância, na ilusão sobre tudo isso, na ilusão sobre a vida, na ilusão sobre nós mesmos, na ilusão a respeito de Deus. Isso ocorre em razão da ausência da compreensão sobre nós mesmos.

A nossa forma de pensar, de agir, de sentir na vida é algo totalmente equivocado. Assim, nos deparamos também aqui com uma outra pergunta: e por que isso acontece? E por que estamos vivendo dentro desse formato de ilusão, de ignorância? Nós estamos vivendo assim porque nós fomos programados para viver assim, ensinados, organizados, colocados dentro dessa condição, isso em razão dessa mente presente em nós, dessa forma de mente que nós conhecemos, na qual nós estamos estruturados para esta vida. Essa é a presença da mente condicionada.

Desde pequenos nossos pais nos disseram coisas; eles diziam para nós "isso é certo", "isso é errado", "não faça isso", "não faça aquilo", "isso é bom para você", "isso não é bom para você". Recebemos dos nossos educadores, dos nossos professores, ensinamentos de valores éticos, sociais, morais, dessa coletividade, desse mundo, padrões de ensinamentos sociológicos, filosóficos, espirituais, isso nos deu essa formação.

A formação que temos é a que nos faz avaliar a vida a partir dessa perspectiva de pensamentos que nós recebemos dessa cultura, dessa sociedade, desse mundo, daqueles que chegaram aqui antes de nós. Portanto, a mente está condicionada. Nós seguimos os padrões da cultura em que nascemos, da sociedade onde crescemos, do mundo que nós conhecemos.

Assim, o seu modo é aprendido, e nós precisamos aqui descobrir a verdade sobre tudo isso, porque essa Realidade de Deus, essa Realidade Divina não está dentro desse contexto de sociedade, de mundo, de pensamento de cultura. Estamos aqui querendo tomar ciência de algo que está fora do conhecido, que é a Realidade Divina. Enquanto estivermos dentro desses muros, enquanto estivermos dentro dessas muralhas dessa mente condicionada, tudo o que nós teremos dentro dessas muralhas, vivendo dentro dessa estrutura é algo dentro do conhecido.

Há uma Realidade presente, mas ela não faz parte do conhecido, ela não faz parte da mente, ela não faz parte do tempo. Nós só podemos tomar ciência da Verdade quando deixamos a ilusão, e a ilusão é esse contexto de vida, é esse contexto de existência onde está presente um comportamento em nós que é a repetição de todo esse comportamento de mundo, de sociedade, de cultura. Esses estados internos que prevalecem, invariavelmente, se expressando externamente em nossas relações são estados internos de uma mente condicionada.

A inveja, o ciúme, o medo, a raiva, a acepção de pessoas, a diferença, a divergência, o conflito que estabelecemos em nossas relações, tudo isso está dentro de um contexto de história humana. Nossos pais, avós, os nossos ascendentes viveram assim, e se hoje temos uma família porque estamos casados e temos filhos, nós estamos comunicando exatamente isso para os nossos descendentes. Nós estamos apenas, nesse contexto de identidade egoica, sem essa ciência da Verdade Divina, fazendo a manutenção ou a continuidade desse quadro de ignorância e, portanto, de infelicidade humana.

Aqui estamos juntos olhando para esse Despertar Espiritual, para essa Iluminação Espiritual, para essa ciência de Deus, que é a Verdade do seu Ser. É isso que estamos juntos trabalhando com você, lhe mostrando como Isso se realiza nesta vida. Esses encontros que nós temos aqui nos finais de semana, sábado e domingo, dois dias juntos de uma forma online, têm esse propósito. Fora esses encontros, nós temos encontros presenciais e, também, retiros.

Janeiro de 2025
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terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Joel Goldsmith | Um Parêntese na Eternidade | Autoinvestigação | Atma Vichara | Marcos Gualberto

GC: Olá, pessoal! Estamos aqui para mais um videocast, novamente o Mestre Gualberto aqui conosco. Gratidão Mestre, pela presença. Hoje eu vou ler um trecho do livro do Joel Goldsmith chamado "Um Parêntese na Eternidade". Num trecho desse livro, Mestre, o Joel faz o seguinte comentário: "Observando nossos pensamentos e sentimentos interiores, mantendo a consciência alinhada por meio do contínuo reconhecimento de Deus." Nesse trecho o Joel Goldsmith comenta sobre observar os pensamentos e sentimentos. O Mestre pode compartilhar a sua visão sobre o que é a auto-investigação que Ramana Maharshi chamava de Atma Vichara?

MG: Gilson, Atma Vichara, que é a proposta de Ramana Maharshi, a expressão "Atma Vichara" significa investigar a si mesmo, a observação direta do Atma, que é esse "eu". Daí a expressão "Atma Vichara". Se aproximar de si mesmo, requer esse olhar para as suas reações, para aquilo que se passa com você. A posição do ser humano na vida é a posição daquele que responde ao momento presente, à experiência do momento presente, a partir de um fundo de resposta de reação de memória.

A cada momento você está sendo solicitado para dar uma resposta para aquilo que está acontecendo aqui, neste instante. E o seu modo de se aproximar desse momento, geralmente, é sempre a partir do pensamento e do sentimento e você não toma ciência desse processo enquanto ele ocorre. A expressão "Atma Vichara", que alguns traduzem por "autoinquirição" ou "autoinvestigação" também, eu prefiro a visão próxima, mais literal disso, que é auto-observação, que é observar, se tornar ciente do "eu", do movimento do "eu", neste instante.

Então, nós não nos damos conta do que se processa conosco enquanto o processo está presente. Assim, cada reação, cada resposta, cada atendimento a este momento, na relação com acontecimentos, com situações, com pessoas, inclusive na relação com nós mesmos, quando um pensamento está presente, ou um sentimento presente, ou uma sensação. A autoinquirição, esta auto-observação, é se dar conta de si mesmo, é se tornar cônscio de si mesmo, daquilo que se passa com você, daquilo que ocorre com você neste instante, nesse contato com o momento, nesse contato com a vida.

Enquanto estivermos apenas reagindo ou expressando uma resposta para este momento de uma forma inconsciente, e portanto automática, sem esta auto-observação, estaremos mantendo a continuidade dessa ignorância a respeito de quem nós somos. Essa ignorância nos coloca no espaço, no terreno, na dimensão, da ilusão da separação. Então, a sensação de ser alguém presente na vida é ser alguém presente separado da vida; essa é a condição da ignorância, e nessa condição não temos a Ciência de Deus, a Ciência da Verdade. E, sem a Verdade nós não temos essa Liberdade, nós não temos esse Amor, essa Felicidade inata. Aqui é estranho isso, paradoxal também, o fato de que de uma forma interna, de uma forma inata nós trazemos já esta Liberdade, este Amor e Felicidade, mas nós não nos damos conta disso, porque nos falta o Autoconhecimento.

Assim, nos falta esse olhar para nós mesmos, esse estudar a nós mesmos, falta nos darmos conta daquilo que está presente neste instante para irmos além desta inconsciência, desta mecanicidade, desse formato de atuar na vida a partir do passado. O problema com isso é que a vida está acontecendo neste momento e a nossa atuação é a atuação da repetição, da continuidade, da permanência do passado. Assim, nunca temos uma resposta verdadeira para este instante na "minha" relação, por exemplo, com a esposa, com o marido, com as pessoas à "minha" volta, nem "comigo mesmo", porque há essa ilusão de alguém que está presente, enquanto que, na verdade, aquilo que eu sou, eu desconheço. Repare, eu desconheço esse aspecto de sentido de ego, de pessoa, de personalidade e desconheço essa Realidade Divina, além dessa pessoa, além desse "eu", além desse ego.

Ter uma aproximação da vida é ter uma aproximação de si mesmo, uma aproximação possível quando você se conta da vida acontecendo sem o "eu". No entanto, se dar conta dessa vida acontecendo sem o "eu", requer que você, primeiro, reconheça a presença desse "eu" pela auto-observação. É quando, pelo Autoconhecimento, conseguimos descartar aquilo que em nós está presente, que é ilusório, que é essa forma de pensamento que nós trazemos do passado. Por exemplo, o seu modo de sentir sobre as pessoas, de sentir sobre os acontecimentos, de sentir sobre si mesmo, é um modo de sentir aprendido; algo da cultura, algo da sociedade, algo dentro desse modelo de mundo.

Você não tem um modo real de aproximação do momento presente, porque você está vivendo dentro de um plano, de um programa, de um condicionamento mental, de um condicionamento psicológico. O resultado final disso são os problemas, as diversas dificuldades com as quais nos deparamos e não sabemos lidar, e elas terminam se tornando problemas. Então, as nossas mentes estão cheias de problemas. Todo tipo de situação que surge, essas situações não conseguem ser atendidas como precisam ser atendidas e elas se transformam em problemas, em razão da ausência desta visão da vida, que é a visão que a Inteligência traz. Eu me refiro a essa inteligência que nasce do Autoconhecimento, me refiro a essa Inteligência para a Sabedoria, essa Inteligência que lhe dá essa visão de Deus.

Não sabemos atender a vida em razão da ausência dessa Inteligência, e se ela não está presente, a nossa condição psicológica é a condição da confusão, é a condição do sofrimento, é a condição dessa ilusão de alguém presente, separado de Deus, sem Ciência desta Verdade, que é a Verdade Divina. Aqui, ter uma aproximação de si mesmo é através da Atma Vichara, desse olhar, desse observar, desse se dar conta dessas reações presentes. Veja, não é para corrigir isso, é apenas para constatar. Então, uma qualidade nova de ação surge nesse constatar - é quando ocorre esta libertação do ego, esta libertação do "eu". A visão da Verdade é o portal para essa Liberdade, para esta Ciência da Realidade do Amor, da Felicidade, para a Ciência desse Estado presente, que está aqui agora, que é esta a Realidade do seu Ser, que é esta a Realidade de Deus.

GC: Mestre, nós temos uma pergunta de um inscrito aqui no canal, o César, faz a seguinte pergunta: "Como posso descobrir quem eu sou?"

MG: Gilson, é exatamente isso que estamos tratando aqui com você. Nós estamos, com você, nos aproximando por esta autoinvestigação, por esta auto-observação, da resposta para essa pergunta "quem sou eu?" Então, quando você pergunta: "Como saber quem sou eu?. se dando conta de quem é você, neste instante! Aprendendo a olhar para este momento, para aquilo que se passa, para aquilo que se processa, para toda e qualquer reação, resposta, inclinação, tendência, sentimento, emoção, sensação presente; aprender a olhar para isso. não existe nada na vida tão importante quanto esta arte da auto-observação. Auto-observação é descobrir o que é olhar esse "eu", aprender sobre isso, aprender como lidar com o pensamento, com o sentimento, com a emoção; não é aprender o que fazer com eles. Aprender, aqui, a lidar com isso, significa aprender a observar sem se envolver com eles. No momento em que você aprende a observar suas reações, sem se envolver com elas, você está além delas, você as transcende. Você em sua natureza verdadeira se revela como algo além dessas reações

Então, a base para o Autoconhecimento é esse aprender sobre nós mesmos; é isso que revela esse "eu", esse "quem sou eu?". Há algo presente, aqui, para ser constatado. É algo semelhante a assistir um filme. Quando você vai assistir um filme, você não vai se envolver com o filme, com as cenas, com os episódios, com os acontecimentos; isso é coisa para os atores, isso é coisa para os personagens. Tudo isso está dentro do filme, tudo isso está ocorrendo em razão da presença da ideia do diretor. Você não tem nada a ver com o que acontece no filme, o seu lugar é de espectador. você está assistindo o filme, você vai assistir, vai ser um espectador do filme. Aqui há algo para se revelar - esse algo é esse filme.

Nós somos o filme humano, o filme da humanidade; tudo que está presente na humanidade está presente em nós, exatamente tudo. Tudo o que você assiste em um filme, que você tem ali, é o que temos na humanidade, e o que temos na humanidade está presente em cada um de nós. E nós precisamos olhar, observar, ser um espectador disso, sem se envolver. É quando, de fato, rompemos com o filme, rompemos com o conteúdo desse filme humano. Então há o florescer de algo novo, fora dessa história de humanidade; esse é o Despertar da Consciência, esse é o Despertar de Deus.

A Natureza Divina, a Natureza de Deus, a Verdade do seu Ser, é algo que está fora desse contexto de filme. A produção desse filme, tudo o que ele contém, está dentro de um contexto de mente humana, de mente egoica, de consciência de separação, de consciência de dualidade. A beleza de um encontro com a Verdade, é que a Verdade liberta, e você se depara com a Verdade quando aprende a ser um espectador, quando aprende a assistir, quando descobre que tudo no filme está dentro de um sonho, de uma imaginação, de uma criação do pensamento - do pensamento comum, do pensamento humano, do condicionamento mental.

Então, esse encontro com a Realidade Divina é o fim dessa história, é o fim dessa memória, é o fim desse filme, ou é a visão clara do que o filme representa. Então, nesse instante temos a ciência da verdade sobre esse "eu". Compreender a verdade desse "eu" é tomar ciência de algo que está além do "eu", que é essa Realidade Divina. Alguns chamam isso de "o Despertar Espiritual" ou "Iluminação Espiritual"; é quando a vida está presente sem a história do pensamento, sem a história que o pensamento tem construído. Então, o nosso contato com este momento é um contato revelador. Assim, se a sua pergunta é como tomar ciência, como saber, como ter clareza sobre quem "eu sou": olhando, sendo um espectador, descobrindo o que é esse encontro com a Meditação.

É por isso que temos enfatizado a importância da Meditação. Nós precisamos descobrir, na vida, o que é Meditação. Você chega a 50, 70, 80 anos, sem se aproximar desse estudo de si mesmo, se confundindo com a ilusão de uma identidade presente, que é a identidade do "eu", que se situa na vida mental, que é essa vida do pensamento, que é toda essa estrutura de sonho, de filme, de história humana. Então, o ser humano vive na ignorância, porque ele vive na ilusão, porque lhe falta a arte da Meditação, a ciência desse encontro com a Verdade Divina. E, aqui, Meditação não é nada daquilo que as pessoas falam aí fora sobre meditação; aqui colocamos a expressão Meditação de uma forma nova, também. É por isso que eu tenho chamado de "Real Meditação na prática,". Isso é que é a presença do Autoconhecimento, desse olhar para si mesmo, descobrir como você funciona - isso é uma aproximação real da Meditação.

GC: Mestre, nós temos uma outra pergunta de um outro inscrito aqui no canal, o Leandro faz o seguinte comentário e pergunta: "Mestre, depois que ativar a energia Kundalini, ela vai se repetir igual ou é apenas uma vez que acontece aquilo?"

MG: Gilson, essa aqui é uma pergunta - repare a preocupação das pessoas. Nos falaram dessa energia, nos falaram desta presença que temos presente em nós, e que está dormindo. Nos disseram muita coisa a respeito desta assim chamada "Kundalini", e nos falaram desse Despertar da Kundalini, e a ideia por detrás desse Despertar, para as pessoas, é de uma experiência. Então, nós temos a ideia do Despertar da Kundalini como sendo uma experiência, uma experiência que iremos ter um dia. E aí surgem perguntas: "E quando essa experiência acontecer, como será?"

Veja, nós estamos, aqui, estudando com você a Verdade do Despertar da Consciência, esse Despertar da Consciência - me refiro a esta Divina Consciência, a esta Real Consciência - esse Despertar é, em si, o Despertar da Kundalini. Não é uma experiência, não é algo que irá acontecer uma vez para sempre, como uma experiência que alguém vai ter. O florescer do seu Natural Estado Divino é o Despertar da Kundalini, mas não é uma experiência para alguém - é exatamente quando a ilusão desse alguém, que é esta consciência pessoal, que é esta consciência da pessoa, se dissolve. Ou seja, a ilusão desta consciência presente, atuante, pensando, sentindo, agindo, termina.

Nós temos assim, a ciência desta ilusão. A ciência desta ilusão é o fim para essa ilusão, e isso é o florescer da Kundalini. Isso requer um esvaziamento completo, um esvaziamento total desse sentido egoico, desse sentido de separação, desse sentido do "eu". Isso requer a presença do Autoconhecimento, isso requer uma verdadeira aproximação da Meditação, isso requer um trabalho. Mas eu volto a dizer: não é uma experiência, não é algo que se obtém, não é algo que se alcança, não é algo que se conquista, não há alguém nisso; é, exatamente, o fim dessa ideia de ser alguém. Isso é o Despertar Divino, isso é o Despertar de Deus.

A expressão "Kundalini" aponta para esta Presença, para esta Real Consciência, para esta Divina Energia disponível. Uma Energia que, por sinal, nesse sentido do ego, do "eu", desse alguém, nós estamos constantemente desperdiçando nesse mundo mental, nesse mundo do "eu", nesta consciência egoica. Uma vez que um trabalho se processa - e esse trabalho é o trabalho da aproximação da auto-investigação, da auto-observação - isso lhe aproxima da Meditação. Isso lhe revela o poder da Meditação, a presença desse Silêncio, dessa Quietude interna da mente e do coração. permite, sim, com que este poder de Presença Divina, que é o Real poder da Verdadeira Meditação, aflore, aconteça.

Então sim, temos o Despertar de Deus, o Real Despertar da Kundalini, mas falar sobre Kundalini como uma experiência ou como algo pelo qual a pessoa tem que passar, ou precisa passar, é uma ilusão. Aquilo que é Real Consciência é a Verdadeira Kundalini, porque Kundalini é sinônimo de Real Consciência. Por sua vez, isso é sinônimo, do Despertar Espiritual, da Iluminação Espiritual. Nós temos, Gilson, isso aqui no canal, uma playlist sobre isso, sobre o Despertar da Kundalini. Tomar Ciência da Verdade sobre você, é assumir a Verdade daquilo que é esta Ciência de Deus, isso é o Despertar da Kundalini. Quando isso ocorre, o sentido de separação, de identidade egoica se desfaz, então o sofrimento termina, porque a ilusão desse sentido de separação não está mais presente. Então temos a Realidade de Deus, temos a Realidade Divina. É isso que estamos trabalhando aqui com você, aprofundando aqui, com você.

GC: Gratidão, Mestre, já fechou o nosso tempo; gratidão por mais este videocast. E, pra você que está acompanhando o videocast até o final, e quer se aprofundar nesses conhecimentos, fica o convite para participar dos encontros que o Mestre Gualberto proporciona. São encontros on-line de final de semana; existem também encontros presenciais, inclusive retiros. Esses encontros são muito mais profundos do que os vídeos aqui no Youtube, porque nos encontros o Mestre responde diretamente as nossas perguntas, e muito mais do que isso: o Mestre compartilha esse estado de Presença em que ele vive, e nesse compartilhar a gente acaba entrando de carona nesse Silêncio, nessa Graça e nesse Poder. E isso é um facilitador incrível para a gente conhecer a nós mesmos, para podermos compreender o que está além da compreensão intelectual.

Então, fica o convite no primeiro comentário, fixado, tem o link do WhatsApp para poder participar desses encontros. Já aproveita e dá um like no vídeo, faz um comentário trazendo perguntas para a gente trazer para os próximos videocasts, se não for inscrito no canal já se inscreve. E mais uma vez, Mestre, gratidão pelo videocast.

Janeiro de 2025
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quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Autoconhecimento e a Meditação | A importância do Autoconhecimento | O Despertar da Consciência

Eu gostaria de tratar com você aqui de um assunto fundamental para essa aproximação do Despertar da Consciência: é a necessidade que todos nós temos - e isso explica porque nós buscamos o preenchimento dessa necessidade - de espaço.

Eu quero tratar com você da questão da Liberdade e o quanto isso é fundamental para esse encontro com a Verdade d'Aquilo que nós somos; mas isso requer o preenchimento dessa necessidade, que é a necessidade de todos nós, de espaço.

Você já observou que quando vai alugar um apartamento, uma casa, ou comprar um apartamento ou uma casa, um elemento principal que você busca é o espaço. Se é um apartamento, você quer uma sala ampla, um quarto grande, com um bom banheiro, espaçoso. Se é uma casa, você olha logo se tem um quintal bom. Então, nós estamos à procura da Liberdade, é por isso que nós queremos um espaço amplo.

Para onde quer que você viaje, a primeira coisa que você, como objetivo para ser encontrado naquela viagem, é o espaço. Repare, quando você viaja para uma outra cidade e fica em um hotel, você procura um hotel onde haja um bom espaço, um quarto grande, um apartamento grande, tem que haver uma piscina. A nossa visão de espaço é algo que vai sempre na frente dos nossos empreendimentos, dos nossos objetivos, propósitos e conquistas.

Nós queremos espaço numa casa, num apartamento, em um carro. Se vamos para uma montanha, por que uma montanha? Porque tem muito espaço. Se amamos fazer caminhada é porque ali encontramos espaço. Se vamos para uma praia, lá está o espaço. Nós queremos ir para a praia não é só porque tem o mar, é porque tem a parte da areia e ali há um grande espaço. Queremos espaço; sempre espaço.

E por que buscamos o espaço? Porque nós buscamos Liberdade. Há dentro de cada um de nós um anseio pela Liberdade. Nós temos essa procura da Liberdade, em razão da imperiosa necessidade do espaço, porque é o espaço que nos mostra a presença da Liberdade. Então, do ponto de vista externo, nós queremos o conforto que o espaço nos dá, em razão da Liberdade que encontramos ali.

E do ponto de vista interno, como será que nós funcionamos? Nós temos vivido estados internos de conflito, de desordem, de peso, de contração, de sofrimento, porque não há espaço. O ser humano precisa de espaço, não só externamente, mas, antes de tudo, internamente.

Quando as pessoas falam dessa busca da paz interior, da presença da quietude, do silêncio, da presença da alegria, tudo isso se refere à presença do espaço interno. Quando há espaço interno, há Paz, Quietude, Silêncio, Amor, porque esse espaço é o espaço da Liberdade.

Então, nós estamos aqui com você lhe dizendo que nessa Liberação na vida, nessa Realização de Deus, nesse assumir a Verdade sobre quem é você, a presença do Amor é algo que requer Liberdade, e a presença da Liberdade requer espaço. Então veja como isso é importante para as nossas vidas.

Por que nós temos enfatizado a beleza da Meditação e a importância do Autoconhecimento? Porque quando temos uma aproximação da Verdade do Autoconhecimento, nos aproximamos da Meditação. E qual será a Verdade sobre a Meditação? A Meditação é o espaço sem o centro. Veja, eu disse isso mesmo: é o espaço sem o centro.

Quando você vê um objeto, em torno dele há um espaço, mas é a partir do objeto a referência do espaço. Quando você entra em uma sala, nós temos ali um espaço, mas esse espaço está presente quando você olha e vê móveis; é o espaço que sobrou quando os móveis estão presentes ali, naquela sala ou naquele ambiente. Então, é um espaço que tem por referência a presença dos objetos; são eles que determinam o que nós temos ali de espaço livre.

Então, quando você olha para um objeto, percebe que há um espaço em volta dele; então o objeto é o centro, mas há um espaço em torno dele. Do ponto de vista psicológico, o sentido do "eu", do ego, dessa pessoa em nós funciona também a partir de um centro, e há um espaço em torno deste centro. O "eu", o "mim", o ego, esse sentimento-pensamento "eu" está produzindo um espaço à sua volta, está sendo a referência de um espaço à sua volta.

Agora, notem, esse espaço em torno do "eu", do ego, desse "mim", desse pensamento-sentimento e sensação, que é a presença da pessoa, é um espaço limitado; limitado porque há muita coisa envolvida presente nesse ambiente. Então, esse ambiente não tem muito espaço. É assim que, psicologicamente, estamos funcionando; estamos abarrotados desse velho modelo de pensamentos, sentimentos, emoções, sensações, de formas de percepções.

Tudo isso nos coloca, psicologicamente, dentro de uma condição onde não há espaço interno, e sem esse espaço nós não temos Liberdade. O sentido do "eu" em cada um de nós é a ausência de um espaço sem o centro. Então, nós temos um espaço, o espaço a partir do centro, a partir do "eu". Assim, o nosso modelo de ação é egocentrada, o nosso modelo de fala é egocentrada, de visão é egocentrada, de percepção do outro é egocentrada, da vida é egocentrada.

É a partir de um centro, com um espaço específico, limitado por esse centro, que essa vida pessoal está acontecendo. Então nós não temos a Verdade sobre quem somos. Ou melhor, a Verdade sobre quem somos, nesse momento, dentro desse contexto de cultura, de humanidade, aquilo que somos é essa pessoa carregada de problemas, de contradições, de desordem, de sofrimento, em razão desse padrão de limitação pessoal, particular, egocentrado de ser.

Uma aproximação da Verdade d'Aquilo que é Você em sua Natureza Divina, em sua Natureza Essencial, fora desse "você" cultural, social, dentro do padrão de cultura humana, há uma Realidade presente, é a Realidade d'Aquilo que é Você em sua Natureza Essencial, em sua Natureza Divina. Portanto, esse contato com a Realidade é a Liberação. A Liberação nesta vida é a ciência do seu Ser, é a ciência de Deus.

Aqui nós estamos aprofundando com você isso. A cada encontro, a cada fala nós estamos explorando os diversos aspectos desse sentido de identidade pessoal e percebendo que essa entidade, essa identidade se assenta em uma base equivocada, que é a base de um modelo de pensamento de padrão, de organização de cultura, dentro desse modelo de mundo como nós conhecemos.

Assim, nós estamos encarecendo com você aqui a importância do Autoconhecimento, o Autoconhecimento e a Meditação, e isso é algo que requer, naturalmente, um olhar novo para si mesmo, uma aproximação real e verdadeira daquilo que se passa com você aqui e agora. A Meditação é o esvaziamento de todo esse velho e antigo conteúdo que, dentro desse ambiente, está ocupando todo esse espaço.

Há uma Realidade presente, mas é como quando você entra em um espaço ocupado por móveis: você não pode ter ciência da dimensão real do espaço enquanto os móveis estão ali presentes. Quando você entra em uma sala e ela está cheia de móveis ali, você não tem noção de espaço. Se os móveis forem tirados dali, a noção de espaço está presente, mas sem isso você não tem qualquer noção do espaço. Qualquer ideia que você faça é só uma ideia. Esse olhar não vê o espaço, vê a ocupação do espaço.

A ciência do seu Ser é a Revelação de Deus. Então, quando alguém se envolve com alguma técnica ou prática de Meditação não compreende que a Verdade da Meditação é o esvaziamento de todo esse psicológico conteúdo, e não a busca de alguma coisa para ser acrescentada a ele ou a ela ali, naquela prática, como em geral as pessoas fazem.

Você procura se concentrar em um determinado pensamento, em afastar os outros, você procura respirar de uma certa forma, diferente da que você tem no seu dia a dia, você entoa um mantra, que você não entoa enquanto dirige o carro, enquanto está conversando com alguém ou vendo televisão. Notem, estamos sempre acrescentando alguma coisa nesse fazer na prática da meditação. Você tem que estar num ambiente separado, numa hora reservada, desocupado do seu trabalho, de lidar com os filhos, com a família, de tratar de negócios. Então, você está em um modelo diferente do usual no dia a dia.

Aqui estamos dizendo para você que a Verdade da aproximação da Meditação é a ciência de percepção de suas reações aqui e agora, nesse instante, nesse momento; não se trata de acrescentar nada, apenas tomar ciência dessas reações. Não se trata de alguém tomando ciência, de alguém intervindo, de alguém interferindo, avaliando, julgando, comparando, aceitando ou rejeitando aquilo que percebe aqui, nesse instante, dentro dessas reações.

Aqui se trata do simples olhar para as reações; um olhar sem alguém olhando, um perceber sem alguém percebendo, um sentir sem alguém sentindo. Assim, nós temos um contato direto, nesse instante, com esse "ambiente". Isso é Autoconhecimento.

Observar as reações, um pensamento surge, um sentimento, uma emoção, uma percepção, um gesto está acontecendo, algo está sendo visto, um som está sendo ouvido, na relação com ele ou ela, ela fala e há esse escutar, uma cena é vista e há só o ver. Então, há só esse olhar ou esse ver, sem alguém vendo, sem alguém olhando. Há só o escutar, sem alguém envolvido nesse escutar. Há só o perceber aquilo que está presente nesse instante.

Quando temos uma aproximação de nós mesmos, estamos estudando nossas reações, e aquilo que ocorre internamente e externamente passa a ser visto sem o observador, sem o centro; e quando isso fica claro, sem esse centro, sem esse observador, um novo espaço está presente. Então, nesse espaço se revela a Verdade deste Ser, porque é um espaço sem centro.

Nós precisamos descobrir o que é ter uma aproximação da Meditação, assim, podemos perceber a verdade desse esvaziamento de todo o conteúdo, podemos apenas tomar ciência desse esvaziamento; é quando a mente se aquieta, silencia e um espaço novo se abre de ciência da não separação, da não dualidade.

Esse encontro com a Verdade do seu Ser nesse instante, a partir desse Autoconhecimento, que é a constatação de suas reações sem o sentido de alguém envolvido nisso, é a presença dessa Atenção, dessa Plena Atenção sobre todo esse movimento, que é o velho movimento do centro, desse "mim", desse "eu". Então, a ciência desse movimento é o fim do "eu", é o fim desse centro, é o fim do ego"

Então, essa questão do Despertar da Consciência ou desse Florescer do seu Estado Natural requer esse espaço, essa Liberdade, então temos a Presença do Amor, a Presença de Deus. É isso que estamos trabalhando com você, também, em encontros online aqui nos finais de semana. Sábado e domingo estamos juntos em um encontro online. Além disso, nós temos encontros presenciais e, também, retiros.

Janeiro de 2025
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terça-feira, 13 de janeiro de 2026

O que é o pensar? O que é o pensamento? Aprender sobre Autoconhecimento. O que é Atenção Plena?

Aqui, estes nossos encontros podem assumir um significado e um valor muito, muito especial, muito significativo para cada um de nós, quando nós colocamos a nossa mente e o nosso coração para acompanhar uma fala como esta. Uma vez que estamos, aqui, tratando de assuntos que põem fim a esses diversos problemas que temos, esses inúmeros problemas que, como seres humanos, nós temos, se eles forem investigados, compreendidos, eles terminarão. Porque, você sabe, a palavra "problema", o significado da palavra "problema", todos nós sabemos. Nós sabemos o que um problema significa: um problema é uma situação não resolvida. Nós temos inúmeras situações não resolvidas, do ponto de vista psicológico. Assim, nós precisamos ter, aqui, uma aproximação que nos aproxime, realmente, desse ou daquele problema para a investigação desse problema.

Uma vez compreendido o problema, ele já não é mais um problema. Observe que quando você tem um problema de matemática, ele só é um problema de matemática enquanto não se encontra a solução para ele. Então podemos dizer: "Olha, ali está um problema de matemática", mas uma vez resolvido, esse problema já não mais existe, não é um problema de matemática. Assim, psicologicamente, nós temos inúmeros e variados problemas, mas eles são problemas porque nós não nos confrontamos com eles, não olhamos de perto, não nos aproximamos intimamente desta situação para a compreensão. Então, não há compreensão, quando não há compreensão nós temos o problema.

Aqui, com você, nós estamos investigando tudo isso, ficando cientes a respeito de tudo isso. Está aí o nosso interesse aqui, juntos, nesta ciência da verdade sobre quem nós somos, porque é a ignorância a respeito de quem somos, a base que sustenta os diversos problemas que nós trazemos. O professor de matemática aplica uma prova para os alunos; naturalmente, coloca ali questões de matemática. Na vida nós temos inúmeras questões, questões são problemas, problemas não resolvidos. A vida não nos aplica uma prova como um professor faz com seus alunos, a vida ela é como ela é. Sim, ela se constitui de um grande desafio para cada um de nós, em razão de que nós nos vemos como criaturas separadas da própria vida.

Você sabe exatamente o que é um problema? Um problema é esta situação que não se resolveu, mas essa situação que não se resolveu é a forma como nós estamos lidando com aquela situação. É isso que faz com que aquela situação seja um problema. Nós temos um modo particular de lidar com a vida. Esse modo particular não se ajusta, não é a forma adequada de lidar com a vida, mas nós temos sido ensinados desde a infância a lidar com a vida dessa maneira. Quando você não atende de uma forma adequada a uma situação, uma vez que ela não foi atendida, ela se transforma em um problema.

Assim é esse nosso contato com a vida: nós estamos atendendo de uma forma inadequada aquilo que a vida representa, então nós temos problemas. E por que nós estamos atendendo de uma forma inadequada? Porque a nossa forma de atender a vida como ela acontece neste instante, tem por base, em nós, um movimento que vem do passado. Se eu me encontro com você e o que eu tenho de você é memória, é lembrança, é recordação sobre você, eu não estou tendo um contato real com você, neste instante. O que está acontecendo neste momento, neste encontro, é a verdade do momento se revelando, e esse estado em mim, de inadequação, se confrontando com este instante, com este momento.

Por que nós temos problemas, por exemplo, em nossas relações, entre nós como seres humanos? Porque nós não nos compreendemos. E por que não nos compreendemos? Porque o elemento presente em mim, como o elemento presente em você, é um elemento que vem do passado. Então, quando nós nos encontramos não existe um real encontro; está estabelecida uma separação, está estabelecida uma divisão, está estabelecido, naturalmente, um conflito. Esse é o problema. O problema em nossas relações consiste no fato de que "eu não sei quem você é", assim como "você não sabe quem eu sou". Apenas nos conhecemos!

Em que nível nos conhecemos? A pergunta é: você conhece quem você é? Você sabe quem é você? Você se conhece? Ou o que você tem de você é um conhecimento de ideias, de conceitos, de crenças, de julgamentos, de opiniões? Então, quando as pessoas se relacionam, elas se relacionam com base na pessoa. Qual é a verdade sobre a pessoa? Esse sentimento de pessoa que você tem, essa ideia de pessoa que você expressa aqui e agora, é um conjunto de pensamentos que você tem sobre você. Aqui o nosso trabalho, juntos, consiste nesta descoberta, nesta constatação, nesse aprender sobre nós mesmos, nesse aprender sobre o Autoconhecimento. Enquanto não houver uma compreensão da verdade sobre a pessoa, enquanto você não se compreender, não haverá Inteligência.

Aqui eu me refiro a essa Inteligência Divina, a essa Inteligência Espiritual. A presença dessa Inteligência é a Liberdade de lidar consigo mesmo, de lidar com o outro, sem o falso, sem a ilusão. É quando existe o falso, é quando existe a ilusão, que está presente a ignorância. A importância do Autoconhecimento - aqui estamos com você vendo a importância disso - a importância do Autoconhecimento é o fim para a ignorância e, portanto, o fim para o falso, o fim para a ilusão. Esse encontro com a verdade daquilo que você é, é o descarte dessa ilusão presente, deste falso presente, desta ignorância presente nesse contexto das relações. Porque temos o fim para esse movimento de separação, onde está presente esta ignorância. É nesta ignorância que você se vê nesse contexto da vida, como um elemento separado dela. Esse é o contexto de existência neste sonho de existir como alguém, de pensar, de agir, de falar, de fazer, de sentir. tudo com base nessa ideia, que é a ideia da pessoa.

Você usa o pronome "eu". Qual é a verdade sobre esse "eu"? Aqui, com você, nós estamos descartando esse movimento que predomina, que prevalece nessa particular vida desse "eu". O movimento que prevalece, que predomina na vida desse "eu", dessa pessoa, é o movimento do pensamento. O que é o pensamento? Acompanhe aqui esta pergunta, e vamos examinar aqui, juntos, a resposta para esta pergunta. O que é o pensamento? O pensamento presente em você, de onde ele vem? A princípio, a ilusão é que o pensamento vem de alguém que pensa. Então, veja, nós temos a crença de alguém que pensa, esse alguém é o pensador e esse pensador chega primeiro, chega antes de qualquer pensamento. Então é você pensando. Não, isso não é verdade! Não tem esse alguém, esse pensador, esse "você" pensando. O que temos presente é a presença do pensamento.

Diferente de como nós acreditamos, o pensador não chega antes do pensamento; o pensamento se firma como uma presença de memória, neste momento, e ele aparece. Algo acontece internamente, em você, em razão de algo que você vê, ou escuta, ou sente. Então, em razão desse sentir, desse escutar ou desse ver, um pensamento aparece, e esse pensamento aparece porque ele é parte de um acervo presente. Você carrega em você essa memória, o cérebro tem essa memória, então comunica essa memória a esta consciência - que nós chamamos de consciência - que dividimos em consciente e inconsciente. Então, nesse momento aparece, nesta mente, nesta consciência, esse pensamento.

Não tem alguém, não tem você, não tem o pensador trazendo esse pensamento - é algo que está aparecendo. Quando você está preocupado, você não está produzindo preocupações; quando você está triste, você não está produzindo tristeza; quando está alegre, você não está produzindo alegria; quando existe uma lembrança, você não está produzindo essa lembrança; quando existe uma imaginação, você não está produzindo essa imaginação; é algo que está acontecendo. Acontecendo em razão de um fundo de memória. Não tem você como um elemento de querer, de volição, de vontade, de desejo, de identidade produzindo isso. É só algo que está acontecendo.

Então, o que é o pensamento? O pensamento é uma aparição desta mecânica cerebral, desse movimento da consciência, mas nós temos a ilusão de alguém presente nisso. Este "alguém" é esse "mim", é esse "eu", é esta pessoa. Veja como é importante isso. Acabamos de dar duas respostas aqui para uma única pergunta. A pergunta foi: "O que é o pensamento?", mas acabamos de ter aqui a resposta, também, para a pergunta: "O que é o pensar?" Acabamos de ver, aqui, o que é o pensar. O pensar é essa mecânica quando ocorre o pensamento; quando há um pensamento, há o pensar. Nós temos só o pensar, nós não temos o pensador, mas nós criamos a ilusão do pensador que quer se livrar do pensamento quando ele é desagradável, que quer se agarrar ao pensamento quando ele é agradável. Então se estabelece o problema, se estabelece o conflito.

Assim, as nossas relações com as pessoas, como pessoa que acreditamos ser, se assentam numa relação do passado, uma relação que tem por princípio a memória. Reparem como é importante isso: nós estamos alienados do instante, do momento presente, porque estamos vivendo nesse pensamento que é o passado. É aqui que reside esta ilusória, esta falsa, esta ignorante vida do "eu", do ego, desse "mim". Uma vez que você aprenda a olhar para isso, a ficar ciente disso quando isso ocorre, você pode descartar esse movimento, que é o movimento do pensar. Então temos a presença do Silêncio - o Silêncio que surge quando surge esse espaço, que até então vem sendo ocupado por esse momento de inquietude psicológica, que é o movimento do pensamento.

Então, repare o que estamos dizendo aqui: a ansiedade, a angústia, a depressão, o medo, a raiva, a tristeza, a preocupação. esses diversos estados psicológicos que acompanham o pensamento - eu me refiro a esses estados emocionais e de sentimentos - eles estão funcionando, ou acontecendo, de uma forma disfuncional nesse modelo de identidade do "eu", de identidade egoica, em razão da ignorância. Esse falso, essa ilusão, essa ignorância está assumindo a verdade sobre as nossas vidas. Essa "minha vida" é a vida dentro desta condição de ignorância.

Uma vez que você descubra o que é olhar para essas reações, o que é esse aprender sobre o Autoconhecimento, o que é trazer para este momento esse olhar, esse observar, saindo desta condição psicológica de movimento inconsciente como ocorre nesta mecânica - não há ciência disso, então tudo isso se processa de uma forma inconsciente - uma vez que você aprenda a observar essas reações, o pensamento, o sentimento, uma emoção, uma sensação. o seu contato com ele ou ela, o seu contato consigo mesmo, o seu contato com o momento, a ciência de que está presente o passado - esse movimento do qual o ego é constituído - nesse momento esta forma de lidar com o momento presente sofre uma profunda mudança.

Então temos a presença do Silêncio, em razão desse espaço novo que surge, e nesse momento se revela aquilo que está fora desta dualidade, que é pensador e pensamento, que é essa "pessoa", que é essa "pessoa" com suas crenças tendo a visão daquela outra "pessoa" - o que é uma mera projeção do próprio pensador, o que é uma projeção do próprio pensamento nessa ideia de ser alguém, que é esse "eu", esse "mim", essa pessoa. Então, nós temos aqui uma aproximação desta ciência que revela esse espaço, que revela esse Silêncio, esta ausência dessa forma psicológica de existir sendo alguém - temos a presença da Meditação.

É isso que estamos trabalhando aqui, com você, a forma real dessa aproximação requer a presença desta atenção plena. Então, o que é a atenção plena? É a aproximação da vida neste momento; sem isso que acabamos de descrever aqui, que é o modelo de inconsciência que, há milênios, como seres humanos estamos vivendo. O descarte do sentido egoico, o descarte do sentido do "eu", o descarte desta desordem psicológica, desta divisão, desta separação. o descarte desse sentido, sentimento, pensamento de pessoa na vida, no momento, neste instante, é o início de algo novo, de algo além do ego, além do "eu".

É isso que estamos trabalhando aqui, com você. Temos diversos vídeos aqui no canal; temos encontros nos finais de semana, onde sábado e domingo estamos juntos, aprofundando isso aqui, com você, nesses encontros on-line nos finais de semana. Além disso, temos encontros presenciais e também retiros. Se isso que você acaba de ouvir é algo que faz algum sentido para você, fica aqui um convite. Já deixa aqui o seu like, se inscreve no canal, coloca: "Sim, isso faz sentido", Ok? E a gente se vê. Valeu pelo encontro e até a próxima.

Dezembro de 2024
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quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Estoicismo e as relações humanas. O que é o pensamento? Aprender sobre Autoconhecimento. Autoimagem.

Aqui o nosso empenho consiste nessa descoberta da Verdade sobre quem nós somos. Repare que quando as pessoas têm uma preocupação, e é a preocupação de como aprender a lidar com as suas relações, elas não compreendem que a base para essas relações são elas mesmas.

Em geral, nós acreditamos que as relações se situam do lado de fora, é como se a vida estivesse acontecendo externamente. A grande verdade é que não há qualquer vida lá fora; você é o elemento de contexto da vida, você contextualiza a vida. Não há qualquer separação entre você e a vida.

As pessoas querem estudar o estoicismo para descobrir como lidar com o mundo, para lidar com o outro, para lidar com as relações. Então se fala de estoicismo e relações humanas, mas as pessoas não compreendem que a base das relações é a presença desse sentido de alguém na relação. Assim, vamos juntos aqui ver algumas coisas.

A primeira delas é que não existe tal coisa como uma separação entre você e a vida e, naturalmente, entre você e o outro. Essa ideia de que o mundo tem que mudar, o outro tem que mudar ou algo tem que acontecer lá fora para que haja liberdade, paz, inteligência e compreensão nas relações, isso é inteiramente falso. A base para tudo isso é você.

É por isso que aqui, com você, nós estamos estudando não o outro, mas a nós mesmos, não o mundo, mas você. Os cientistas estudam o mundo externo, enquanto você nesse trabalho em direção à Verdade Divina estuda a si mesmo.

Aqui se trata de investigar a Verdade sobre você. De uma forma natural, real ocorre uma visão sobre a vida e, realmente, sobre o outro, porque não existe você, a vida e o outro. Nesse sentido, o maior cientista não é aquele que explora o mundo externo, mas é aquele que investiga a Natureza da Verdade presente aqui e agora, dentro dele mesmo.

Aqui nós estamos descobrindo como aprender sobre tudo isso, e aprender sobre isso requer uma mente nova, um cérebro novo, uma forma de olhar para o momento presente sem a intervenção do pensamento. E por que o pensamento é dispensado? Porque o pensamento não é o elemento que torna possível essa visão da Realidade, uma vez que o pensamento é exatamente o elemento que se interpõe como uma cortina entre a Realidade do momento e você.

Não existe tal coisa como a separação entre Você em sua Natureza Verdadeira e a vida nesse momento surgindo, momento a momento, dentro dessas relações; isso porque a vida consiste de relações. A relação com o outro, a relação com situações, a relação com acontecimentos, a relação com você é a vida, e essa relação é a relação onde está presente a Verdade da comunhão. Não existe uma separação, a não ser essa separação, que é a separação que o pensamento tem estabelecido.

É por isso que estamos aqui investigando como eliminar por completo essa psicológica condição, que é a condição dessa complexidade psicológica presente em cada um de nós, a complexidade do pensamento. O que é a presença do pensamento em você? Quando você olha para alguém e essa pessoa você reconhece, esse reconhecimento é memória; essa é a presença do pensamento.

Agora, percebam o que vamos colocar: esse reconhecimento, que é a presença do pensamento, é a cortina entre você e ele ou ela, uma vez que esse reconhecimento é o passado. Assim, quando você olha para alguém, você não está diante da pessoa, você está diante da imagem, do reconhecimento, da memória: isso é o passado. É aqui que está presente a presença do pensamento na vida.

Para alguns efeitos práticos, o pensamento sempre estará presente para nos dar uma base de relacionamento, a nível de contato, de experiências. Veja, isso é razoável. Você reconhece o seu carro, isso é importantíssimo porque você não vai tentar entrar no carro do outro, você vai entrar no seu carro, porque você reconhece o seu carro; esse reconhecimento é memória. Se você sai do supermercado e entra no estacionamento, você não vai pegar o carro de uma outra pessoa, você vai pegar o seu carro. Nesse nível, o pensamento se faz necessário.

Então veja, o tempo inteiro nós estamos fazendo uso do pensamento para reconhecimento. Assim, o pensamento cumpre uma função de memória funcional na vida. O problema é quando o pensamento está ocupando, psicologicamente, a condição de uma identidade presente na experiência dessa Totalidade da Vida.

Reparem a diferença. Eu preciso da experiência para reconhecer o meu carro; essa experiência é conhecimento, é memória, é lembrança, é a imagem que o cérebro aqui tem do carro. Mas eu preciso dessa qualidade de pensamentos em nossas relações humanas? Observe a pergunta. Eu preciso, de fato, me lembrar de todos os momentos ruins, desagradáveis, complicados, de confusão, de frustração, de desordem, sofrimento que já vivi no passado nesse contato com ele ou ela?

Observe que todas essas lembranças criam uma separação, uma divisão entre eu e ela. Essa qualidade de lembrança deu formação, aqui, em uma imagem. Então há uma imagem que foi formada nessa qualidade de lembrança; essa é a imagem que eu tenho dele, que eu tenho dela. Essa imagem está formada nessa autoimagem que eu também tenho de mim.

Esses diversos estados internos que me colocam em uma interna posição de sentimento, emoção, sensação e percepção da vida, como acontece internamente e externamente, baseada nessa qualidade de imagem, nessa qualidade de memória, isso está estabelecendo a vida para uma particular vida; essa particular vida é a particular vida do "eu", desse "mim", dessa "pessoa".

Em um certo nível, o pensamento se faz necessário, em um outro, ele não só é desnecessário, como ele cria desordem, ele cria confusão, ele cria sofrimento nas relações. Então, algumas vezes eu estou gostando de mim e outras vezes eu não estou gostando de mim. O elemento presente criando esse gostar e não gostar é o pensamento. De algumas pessoas eu gosto e de outras eu não gosto: é a presença do pensamento.

O pensamento em nós distorce a realidade, ele nos dá uma visão com base nesse passado. Assim, eu não me encontro com a pessoa, eu me encontro com a imagem que eu tenho dela. Esse "eu" é só também uma imagem que "eu" tenho de mim. Qual é a verdade desse mim?

Assim, estudar aquilo que nós somos, aprender sobre o Autoconhecimento é o nosso assunto. Aprender sobre nós mesmos, aprender como, psicologicamente, nós funcionamos, ter uma visão clara do que é o pensamento. Acabou de ficar claro para você o que é o pensamento.

O pensamento é essa imagem, o pensamento é essa lembrança, é essa memória, é esse passado. Com base nessa memória, lembrança e passado você reconhece o seu carro no estacionamento, mas com essa mesma base você desconhece a pessoa com a qual você está lidando, porque você a vê com base no passado.

Assim, o marido não conhece a esposa, a esposa não conhece o marido. Você não se conhece porque o que você tem de você são pensamentos; isso está produzindo internamente estados de conflito em você, de contradição e sofrimento. Você deseja ser feliz, mas internamente o pensamento produz desejo de sofrimento.

Então, há um desejo de ser feliz, mas internamente o pensamento está produzindo uma qualidade de desejo de autoapreciação negativa, de autoimagem negativa, de culpa, de alguém frustrado, entediado com ele mesmo, decepcionado com ele próprio, dentro de uma baixa autoestima. Assim, estamos vivendo estados de contradição psicológica em razão da presença desse modelo psicológico, que é o modelo do "eu".

Esse assunto da autodescoberta não é um assunto para o estoicismo, não é um assunto para a psicologia, para esse modelo de religião organizada, onde existem crenças, dogmas, práticas místicas, rituais. Esse assunto não é um assunto para a filosofia. Esse assunto é um assunto para essa autodescoberta. Precisamos aprender a olhar para aquilo que se passa conosco, para aquilo que acontece dentro de cada um de nós, para o descarte do pensamento, para o descarte dessa memória, para um contato com a vida nesse momento, sem o "eu", sem esse "mim", sem essa autoimagem.

Autoimagem: a psicologia toca nessa questão da autoimagem, mas reparem a confusão que nós temos feito com essa expressão "autoimagem". Nós descobrimos a existência dessa autoimagem, e sabemos, dentro da psicologia, que essa autoimagem é a imagem do eu, é a imagem da pessoa, mas não compreendemos ainda que essa autoimagem carrega essa dualidade, esse peso de separação, de contradição, de conflito.

Assim, para muitas pessoas a ideia é melhorar essa autoimagem, é aperfeiçoar essa autoimagem, é colocá-la em uma condição em que ela se sinta bem com ela mesma. Nós nunca nos perguntamos se podemos nos livrar desse modelo, que é o modelo da autoimagem, para uma vida livre desse sentido de contradição, de conflito e, portanto, livre dessa autoestima e dessa baixa autoestima.

Aqui, com você, estamos investigando o fim do "eu", o fim do "ego" e, portanto, o fim dessa autoimagem; é quando podemos ter um contato com o outro, com a vida, com o momento presente sem o passado. Evidente que o seu nome você tem que lembrar, isso é conhecimento, essa é a experiência do cérebro, no que diz respeito a esse nome que lhe foi dado. Evidente que reconhecer o seu carro no estacionamento, isso é parte de uma memória funcional de experiência, de lembrança cerebral, prática e objetiva.

Mas aqui, do ponto de vista psicológico, podemos viver livres do ego e, portanto, livres dessa autoimagem, para uma relação com esse momento presente, sem esse sentido de separação, onde existe essa ilusão entre "eu" e ele, "eu" e ela, "eu" e a vida, "eu" e Deus? É o que estamos propondo aqui para você: uma vida onde temos a presença do Amor, a presença da Liberdade, a presença da Verdade.

Nós precisamos de um cérebro novo, de uma mente nova, dessa qualidade de Ser, livre desse padrão egocêntrico, separatista, de existir como alguém dentro desse contexto das relações; é quando temos a Verdade da relação. Essa Verdade da relação é a presença da Liberdade, da Comunhão. Enquanto houver essa ilusão da separação, desse sentido de alguém presente sendo o centro das experiências, onde existe essa vida centrada nessa autoimagem, haverá conflito, sofrimento, desordem, confusão.

Aqui, com você, estamos vendo juntos a possibilidade de uma vida livre do sentido do "eu", livre do sentido do ego e, portanto, livre desse padrão de pensamento. Uma resposta para esse momento é uma resposta perfeitamente completa, singular, única, perfeitamente adequada quando temos a presença da Inteligência e não a presença do pensamento.

Uma resposta a partir desse instante, dentro de uma visão real, não cria problemas. Mas uma visão equivocada desse momento, a partir do pensamento, estará sempre dando uma resposta inadequada para esse instante, dentro desse contexto das relações.

Assim, as confusões diversas que temos em nossas relações, em nossos relacionamentos, todas essas confusões estão estabelecidas nesse padrão de resposta inadequada, dentro de uma visão equivocada, que é a visão que vem do passado com base em memórias, em recordações, nesses relacionamentos. Podemos atender esse momento sem o passado e, portanto, sem essa autoimagem, sem essa imagem dele ou dela? É isso que estamos aqui, com você, investigando.

Nós temos esses encontros aqui nos finais de semana, sábado e domingo, para explorarmos isso com você, para descobrirmos como, nesta vida, tomar ciência disso: dessa vida livre do pensamento, desse formato de pensamento. Além disso, temos encontros presenciais e, também, retiros.

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