Eu gostaria de tratar com você aqui de alguns assuntos. O primeiro deles é sobre esse encontro com Deus. Aqui a pergunta é: como encontrar Deus? A Verdade sobre Deus é que estamos diante de uma Realidade presente aqui, nesse instante. Assim, a ideia de encontrar pressupõe todo um movimento para, em algum momento no futuro, isso se realizar.
Assim, nos deparamos já com um equívoco, porque quando tratamos de Deus, nós estamos tocando na única Realidade presente, tudo mais está dentro de uma aparição que agora está aqui e que irá desaparecer, porque tudo, absolutamente tudo, na vida é temporário, é passageiro, está num momento e no momento seguinte pode não estar mais.
Por que será que tudo na vida é temporário? Exatamente porque tudo na vida está dentro do tempo; se está dentro do tempo, teve um início e terá um fim, teve uma aparição e irá desaparecer. Não é assim a Realidade Divina, não é assim a Realidade de Deus.
Portanto, essa própria ideia de busca, de procura para encontrar é algo que se afirma em um modelo de pensamento que nós temos acerca de Deus. Mas um pensamento sobre Deus é uma imagem que o pensamento cria e projeta; se ele cria e projeta, isso está dentro dele. Não é da Realidade Divina, não é da Realidade de Deus que estamos tocando quando o pensamento está envolvido nisso. Qualquer envolvimento do pensamento, porque envolve a presença do próprio pensamento, é parte do pensamento.
Assim, o que de fato nós precisamos para encontrar Deus? Aqui, em primeiro lugar, é tomar ciência de que essa Realidade, essa Verdade Divina, não está em algum lugar, não está dentro do espaço, não está dentro do tempo, como qualquer coisa temporária que está aqui e irá desaparecer. Estamos diante d'Aquilo que está presente; e se está presente, não é algo que será encontrado e, sim, algo para ser constatado. Essa é a diferença que nós fazemos aqui acerca dessa ciência sobre Deus.
A maioria das pessoas estão envolvidas no processo de busca espiritual; aqui você toma ciência. Nós estamos juntos com você nos aproximando de uma nova aproximação, de uma nova forma de olhar para tudo isso e, assim, nos damos conta de que essa Verdade da Revelação de Deus não se trata também de uma busca espiritual ou de uma busca pela espiritualidade. E aqui a expressão é Revelação de Deus, Constatação de Deus, não é esse "encontrar Deus".
Aqui nos deparamos também já com um outro ponto. Quem é esse elemento envolvido nessa procura ou nessa busca? Se a única Realidade presente é a Realidade Divina, um elemento envolvido nessa busca é parte do equívoco, é parte da ilusão, é parte de uma aparição dentro do tempo. E quem é esse elemento dentro do tempo nessa busca ou procura? É a presença do "eu", é a presença desse "mim".
Assim, nós estamos projetando essa Realidade a partir de uma ideia que o pensamento em nós está projetando, e esse elemento nesse processo de projeção é o próprio "eu". Então aqui nos deparamos também com mais uma confusão da nossa parte: a ideia de que "eu", esse "mim", a "pessoa" irá ter um encontro, a partir da busca, com Deus. Portanto, a partir da busca, terá esse encontro com Deus, e o elemento que terá esse encontro é o "eu".
Aqui, estamos investigando exatamente aquilo que nos impede de ter uma Real ciência ou Revelação ou constatação dessa Realidade nesse instante, que é a Realidade Divina. Aquilo que nos impede é exatamente a presença desse "eu", desse sentido de alguém na experiência desse instante, que se sente, que se vê, que se percebe - é claro que no pensamento, na imaginação - como uma entidade presente separada desse instante.
O nosso enfoque aqui consiste nesse tomar ciência dessa Realidade, que é a Realidade de Deus, e esse é o propósito verdadeiro e profundo, na vida, desse aprender sobre a vida. Nós temos nos envolvido durante toda a vida sempre com o aprendizado. Tudo na vida consiste de algo que se realiza a partir do aprender. Tudo que você representa ser dentro desse contexto dessa existência é algo aprendido. Tudo o que você sabe, tudo o que você faz, todo o padrão de pensamento presente em você, é algo aprendido.
E qual será a verdade do porquê desse aprender? O que é a verdade profunda, o significado real na vida dessa necessidade do aprender? Sim, para efeitos práticos na vida, tudo o que nós fazemos, sabemos, realizamos, foi aprendido. Falar é uma coisa que você aprendeu, escrever é uma coisa que você aprendeu, tudo o que você faz você aprendeu, e na vida nós precisamos também aprender sobre nós mesmos.
Observe que tudo o que você sabe, faz, realiza é externamente, mas quem é esse elemento envolvido nesse saber, nesse fazer, nesse realizar? Você não conhece. Você não sabe a verdade sobre você, e para tomar ciência da verdade sobre você, você precisa aprender. E aqui nós estamos lhe dizendo exatamente isso: quando você toma ciência desse aprender sobre o Autoconhecimento, quando você se dá conta desse "eu", descobre algo além desse "eu", então, nesse momento, você pode ter a Revelação d'Aquilo que está além do "eu", pelo Autoconhecimento.
Então, aprender sobre si mesmo é o que lhe dá a base para descobrir a verdade da ilusão desse elemento que se vê presente fazendo as coisas, sabendo das coisas e realizando as coisas; esse elemento é o "eu". Qual é a verdade sobre você? Quem é você?
Então, notem, na vida estamos aqui para essa descoberta, apenas para essa descoberta, apenas para essa Revelação, para essa tomada de ciência dessa Realidade de Deus, o que representa o fim para esse "eu" quando há essa ciência do Autoconhecimento. E é isso que estamos com você aqui investigando, aprofundando, trabalhando com você, descobrindo que tomar ciência de Deus é a única coisa na vida, que é a própria vida que importa.
Veja, a única ciência que importa na vida é a ciência da vida, e a ciência da vida é a ciência de Deus. Essa ciência de Deus se mostra quando temos o fim do "eu", o fim dessa ilusão desse sentido de alguém que se vê separado da vida, separado da existência, separado do outro, se vê separado dos próprios pensamentos que tem, ou sentimentos, ou emoções, esse sentido de alguém que se vê como pensador, ou aquele que sente, ou aquele que vê, que percebe, que se relaciona.
A vida consiste de relações acontecendo, e esse "eu" se vê se relacionando com pessoas, com lugares, com situações. Tudo isso é parte de uma visão equivocada que temos sobre quem nós somos, que temos sobre a vida, que temos sobre o outro, que carregamos sobre Deus. Tudo isso está dentro de nós, dentro de um modelo de ilusão para ser descartado, para ser compreendido.
Quando há compreensão, temos uma visão clara; quando não há compreensão, em razão da falta da clareza, estamos confusos. Se está estabelecida a confusão, em razão dessa não compreensão sobre nós mesmos, nós estamos vivendo na ignorância, na ilusão sobre tudo isso, na ilusão sobre a vida, na ilusão sobre nós mesmos, na ilusão a respeito de Deus. Isso ocorre em razão da ausência da compreensão sobre nós mesmos.
A nossa forma de pensar, de agir, de sentir na vida é algo totalmente equivocado. Assim, nos deparamos também aqui com uma outra pergunta: e por que isso acontece? E por que estamos vivendo dentro desse formato de ilusão, de ignorância? Nós estamos vivendo assim porque nós fomos programados para viver assim, ensinados, organizados, colocados dentro dessa condição, isso em razão dessa mente presente em nós, dessa forma de mente que nós conhecemos, na qual nós estamos estruturados para esta vida. Essa é a presença da mente condicionada.
Desde pequenos nossos pais nos disseram coisas; eles diziam para nós "isso é certo", "isso é errado", "não faça isso", "não faça aquilo", "isso é bom para você", "isso não é bom para você". Recebemos dos nossos educadores, dos nossos professores, ensinamentos de valores éticos, sociais, morais, dessa coletividade, desse mundo, padrões de ensinamentos sociológicos, filosóficos, espirituais, isso nos deu essa formação.
A formação que temos é a que nos faz avaliar a vida a partir dessa perspectiva de pensamentos que nós recebemos dessa cultura, dessa sociedade, desse mundo, daqueles que chegaram aqui antes de nós. Portanto, a mente está condicionada. Nós seguimos os padrões da cultura em que nascemos, da sociedade onde crescemos, do mundo que nós conhecemos.
Assim, o seu modo é aprendido, e nós precisamos aqui descobrir a verdade sobre tudo isso, porque essa Realidade de Deus, essa Realidade Divina não está dentro desse contexto de sociedade, de mundo, de pensamento de cultura. Estamos aqui querendo tomar ciência de algo que está fora do conhecido, que é a Realidade Divina. Enquanto estivermos dentro desses muros, enquanto estivermos dentro dessas muralhas dessa mente condicionada, tudo o que nós teremos dentro dessas muralhas, vivendo dentro dessa estrutura é algo dentro do conhecido.
Há uma Realidade presente, mas ela não faz parte do conhecido, ela não faz parte da mente, ela não faz parte do tempo. Nós só podemos tomar ciência da Verdade quando deixamos a ilusão, e a ilusão é esse contexto de vida, é esse contexto de existência onde está presente um comportamento em nós que é a repetição de todo esse comportamento de mundo, de sociedade, de cultura. Esses estados internos que prevalecem, invariavelmente, se expressando externamente em nossas relações são estados internos de uma mente condicionada.
A inveja, o ciúme, o medo, a raiva, a acepção de pessoas, a diferença, a divergência, o conflito que estabelecemos em nossas relações, tudo isso está dentro de um contexto de história humana. Nossos pais, avós, os nossos ascendentes viveram assim, e se hoje temos uma família porque estamos casados e temos filhos, nós estamos comunicando exatamente isso para os nossos descendentes. Nós estamos apenas, nesse contexto de identidade egoica, sem essa ciência da Verdade Divina, fazendo a manutenção ou a continuidade desse quadro de ignorância e, portanto, de infelicidade humana.
Aqui estamos juntos olhando para esse Despertar Espiritual, para essa Iluminação Espiritual, para essa ciência de Deus, que é a Verdade do seu Ser. É isso que estamos juntos trabalhando com você, lhe mostrando como Isso se realiza nesta vida. Esses encontros que nós temos aqui nos finais de semana, sábado e domingo, dois dias juntos de uma forma online, têm esse propósito. Fora esses encontros, nós temos encontros presenciais e, também, retiros.