Eu quero tocar com você aqui nessa aproximação da arte de meditar. O que é a Meditação? O que é a Real Meditação? Nós temos colocado aqui, para você, algo sobre isso. Meditação é a ciência deste Ser. Este Ser se revela quando temos a presença desse espaço, de um espaço de liberação de contradição, desordem e confusão, algo que o pensamento estabelece quando está presente. Quando liberamos esse espaço, a desordem e a bagunça desaparecem.
Nós não temos interno espaço, psicológico espaço, estamos sempre ocupados com alguma coisa internamente: a presença de uma lembrança, de uma recordação, de uma imagem, de algo que vem do passado, criando e estabelecendo estados aqui, presentes em nós. Assim, internamente, dentro de nós mesmos, psicologicamente, a mente vive ocupada - ocupada com o passado.
A nossa ocupação interna é com o futuro ou com o passado, mas é uma ocupação imaginária. Não existe nenhum passado aqui, nenhum futuro aqui, mas o pensamento está aqui, nos falando de um futuro, nos falando de um passado. Nós precisamos descobrir a vida como ela acontece, e como ela acontece não existe uma leitura para ser feita pelo pensamento, que é o que geralmente fazemos, e fazemos isso o tempo todo.
Nós estamos sempre projetando sobre a vida as ideias que trazemos, os pensamentos que temos, exatamente essas internas ocupações em que estamos envolvidos o tempo todo. Algo lhe aconteceu ontem e isso está voltando aqui, nesse momento.
Por que será que uma experiência que tivemos ontem está voltando aqui, nesse momento? Primeiro, antes de tudo, de que forma ela volta? Ela volta como uma lembrança, volta como uma recordação, como aquelas imagens; e observe que toda essa lembrança que volta, volta porque ela não se completou. Se eu lhe aborreci ontem, você vai se lembrar disso hoje; se eu lhe deixei alegre ontem, você vai se lembrar disso hoje. Eu criei uma provocação: ou eu aborreci você, ou alegrei você.
E por que essa recordação está aqui, voltando? Porque essa memória assumiu uma importância muito grande para "mim". Qual é a verdade desse "mim"? Qual é a verdade desse "eu"? Por que ele valoriza a memória? Por que ele valoriza a lembrança? Por que todo esse valor está presente, que é o valor que temos dado ao pensamento? A resposta é que esse "mim", esse "eu", vive de pensamentos.
A pessoa que você é, a pessoa que você acredita ser, que você sente ser, não vive sem memórias, não vive sem lembranças. Nós estamos constantemente nesse movimento de continuidade da história que foi, que é memória, e fazemos isso quando nos agarramos aos pensamentos. E esses pensamentos estão voltando e se repetindo porque aquela experiência pela qual nós passamos não se completou. Esse sentido do "eu" ainda quer a continuidade disso, ainda busca a continuidade disso, porque ele sobrevive dessa forma.
Reparem as implicações do que estamos colocando aqui para você. Se você conserva imagens de prazer, conserva também imagens de dor. Esse "você" é esse movimento presente de desatenção. Nós não sabemos o que é lidar com esse instante permitindo que esse instante se complete; não sabemos porque, em geral, nós estamos desatentos, colocando sempre o sentido de um experimentador dentro desse momento, para experimentar essa experiência. E esse experimentador registra e guarda essa experiência para continuar vivendo no passado, vivendo nessas experiências, vivendo dessas experiências - essa é a história do "eu", é a história do ego, é a história dessa pessoa.
O cultivo dessa qualidade de vida psíquica, de vida psicológica, que é a qualidade de memória presente em nós, eu tenho chamado de memória psicológica: é a memória que dá continuidade ao "eu", que dá continuidade ao ego. Assim, nós estamos preservando a continuidade do passado e projetando isso para o futuro. Todo esse movimento interno, presente em nós, de consciência é um movimento conflituoso, criador e gerador de conflitos, de problemas, de confusão e sofrimento, porque estamos estabelecidos na ilusão de uma identidade que se vê como o centro de suas experiências, que são experiências de memórias, que são experiências do passado.
Nós vivemos estados internos com os quais não sabemos lidar, como, por exemplo, quando alguém me ofende, e eu não consigo liberar de mim essa dor, esse desconforto, esse mal estar, esse sofrimento; não consigo pelo fato de que estou constantemente nesse modelo de desatenção, cultivando a memória, cultivando o passado. Quando alguém me elogia, eu me sinto feliz com ele e guardo esse elogio, então, ele ou ela agora é minha amiga ou meu amigo.
"Eu amo aqueles que me aceitam, elogiam, aplaudem, concordam comigo, e rejeito, detesto, odeio e me separo daqueles que não me aceitam, me rejeitam, não gostam de mim". Esse sentido do "eu", do ego, a presença de alguém - desse alguém que eu sou -, vive dentro desse padrão de comportamento. Isso está presente em razão da presença do passado. O passado é a vida da pessoa.
O que é esse encontro com a Verdade desse instante? É um encontro com um momento onde há uma Atenção, tão completa sobre tudo que acontece que, nesse instante, não registramos; e quando não há registro, não há fortalecimento desse centro, não há esse registro de memória para esse ego, para esse "mim" manter qualquer continuidade, porque nesta Atenção o "eu" não está; como não há esse sentido do "eu", como não há essa desatenção, não há registro, isso não perpetua, não dá continuidade ao passado.
Esse contato com a vida nesse momento requer um encontro com o fim do experimentador, do pensador, com o fim desse ego, com o fim desse "eu". Essa forma de aproximação desse momento requer Atenção. Esta Atenção abre essa visão da compreensão de todo esse movimento, que é o movimento da continuidade do "eu". A Verdade se revelando aqui como ela é é a presença da Meditação. Uma vez presente essa Atenção, temos a Verdade do Autoconhecimento; é quando esse espaço surge. É o espaço que torna possível uma visão desse momento sem registro.
Podemos viver essa vida sem a ilusão desse "eu", sem esse elemento que vem do passado? Podemos viver nossas vidas, nesse instante, livres do passado, livres da memória, livres desse elogio que recebi, livres dessa crítica que recebi, livres dessa ideia de amigo e inimigo? O que significa a vida aqui e agora, sem o "eu", sem o ego? Isso requer esse aprender sobre o Autoconhecimento, isso requer o descarte dessa ego identidade.
O contato com esse instante, quando colocamos Atenção para o que quer que esteja aqui acontecendo, nesta Atenção nós eliminamos essa separação, que é o sentido de alguém sendo experimentador. Nós temos a experiência, mas como não temos esse alguém, esse experimentador, a verdade desse encontro com o momento é um encontro com o experimentar. Nesse experimentar, como essa Atenção está presente, essa situação se completa, então não fica registro, não fica esse sentido desse "eu" querendo mais daquilo, querendo a continuidade daquela experiência, seja de dor ou de prazer.
Esse é o contato com a vida nesse instante, nesse estado livre do ego; essa é a presença da Meditação. A Meditação é a ciência da Verdade do instante, do momento, sem o pensador, sem o experimentador, sem o observador. Assim, esse observador é a própria coisa observada, não há qualquer separação, então não fica esse observador, não fica esse experimentador.
Quando aquilo que está presente é a única Realidade, porque não há essa divisão, não há essa separação, não há essa diferença entre o observador e a coisa observada, a Realidade do momento revela a ciência desse Ser. Assim, Meditação não é cruzar as pernas, respirar de uma certa forma e entoar um mantra, ou procurar afastar os pensamentos.
A Verdade da Meditação é a aproximação desse momento livre do passado, é a aproximação desse momento livre desse "eu", desse experimentador, desse meditador. A Vida é algo presente nesse instante, nenhuma leitura, nenhuma avaliação, comparação, julgamento, aceitação ou rejeição se faz necessária. É exatamente quando o sentido do "eu" entra, nessa desatenção, que esse registro acontece, essa memória fica e temos, assim, essa continuidade do ego.
Um encontro com a vida nesse instante é a Revelação de que a Vida é a única Realidade presente. Se esse sentido de separação não está, se esse sentido do "eu" não está, então Algo está presente. Esse Algo é indescritível, é inominável, é de uma grande beleza. É a presença da Real Felicidade a Verdade desse Ser, quando temos presente a Real Meditação.
Podemos atender à vida como ela é? Esse atender a vida não pode vir de alguém, é a Vida atendendo a si mesma, é a Vida ciente n'Ela mesma. Assim, a Realidade deste Ser, a Realidade d'Aquilo que é Você em sua Natureza Verdadeira, é a Verdade de Deus, que se revela quando há a Real Meditação. A Real Meditação é a Meditação na prática. Não existe nada mais importante na vida do que a ciência deste Ser, que é a ciência de Deus, que é a Verdade sobre a Vida.
Uma vida livre do ego, uma vida livre do passado é uma vida livre para atender a esse instante a partir dessa Inteligência, que é a Inteligência Divina, que é a Presença da Sabedoria, que é a Presença da Verdade. Quando o Amor está presente, tudo está presente: a Inteligência, a Verdade, a Beleza, a Liberdade, a Felicidade. Tudo isso é a Natureza do seu Ser, tudo isso é a Natureza de Deus, tudo isso é a Verdade do Amor.
Aqui, nesses encontros, nós estamos aprofundando isso com você. Nós temos a oportunidade, juntos, de investigarmos isso em encontros on-line nos finais de semana. Nós temos dois dias juntos, sábado e domingo, para trabalhar isso. Fora esses encontros, nós temos encontros presenciais e, também, retiros. Se isso que você acaba de ouvir é algo que faz algum sentido para você, já fica aqui um convite.
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