quinta-feira, 26 de junho de 2025

Joel Goldsmith. Viver pela Palavra. O que é Real Meditação? Meditação na prática. Marcos Gualberto.

GC: Olá, pessoal! Estamos aqui para mais um videocast. Novamente, o Mestre Gualberto aqui conosco. Gratidão, Mestre, por mais este encontro.

Hoje eu vou ler um trecho de um livro do Joel Goldsmith chamado Viver Pela Palavra. Num trecho desse livro, Mestre, o Joel faz o seguinte comentário: "A Meditação tem por objetivo admitir a luz que é Deus". Sobre esse assunto da meditação, o Mestre pode compartilhar a sua visão sobre o que é a Real Meditação, na prática?

MG: Gilson, essa ciência da Meditação é algo do qual temos que nos aproximar de uma forma muito real. De outra maneira, ficaremos perdidos dentro de algo que nos é ensinado, ou passado para nós, de uma forma técnica, de uma forma mecânica. Tudo aquilo que nos é mostrado dentro de um modelo prefixado, criado, produzido pelo pensamento, todo resultado que você pode obter de algo assim, será um resultado mecânico, será algo dentro, ainda, do campo do conhecido. É isso que nós precisamos compreender. É por isso que nenhuma técnica, de fato, funciona. Isso porque estamos lidando com algo mecânico. Se você obtém, por uma prática, por uma técnica, dessa assim chamada "meditação", o silêncio, a quietude, essa interna quietude, esse interno silêncio, será o resultado mecânico de uma prática. Fora daquela prática, você estará, de novo, inquieto; de novo, fora do silêncio. Assim, quando, em geral, nos é ensinada alguma prática de meditação, nos mostram como silenciar a mente, como aquietar os pensamentos. E, sim, por uma prática você consegue essa quietude, mas é enquanto pratica.

Aqui, com você, nós estamos investigando o que é ter uma aproximação da vida, exatamente como ela acontece, sem nenhuma forma de artificializar isso, como, por exemplo, através de uma técnica, de uma prática. Enquanto você conversa com alguém, é necessário aprender a ter uma aproximação de si mesmo. Essa aproximação é essa Atenção que se deve dar a si próprio, no momento desse contato, dessa relação. É assim que nós temos o fundamento para o Autoconhecimento. E, sem essa base, que é o Autoconhecimento, em qualquer coisa que nós nos envolvermos, estaremos sempre caminhando em paralelo, distante, a essa tão importante questão, que é a compreensão daquilo que se passa conosco. A Verdade da Meditação requer a presença do Autoconhecimento. Sem Autoconhecimento, não existe Meditação. Existe a técnica, a prática que você pode fazer, sem a visão do Autoconhecimento. Então, você procura um lugar, se assenta, coloca uma música suave ou, sem uma música, começa a repetir um mantra e a mente se aquieta. Mas, no seu viver, no seu dia a dia, no trânsito, lidando com o marido, com a esposa, com os filhos, com o chefe, no trabalho, você está, de novo, distante dessa quietude, desse silêncio.

Ali é o lugar do Autoconhecimento, e é com base no Autoconhecimento que, de fato, podemos ter o fundamento da Meditação. Nada nos impede, a todo instante, de estarmos cônscios de nós mesmos. É evidente que, para isso, nós precisamos colocar Atenção em nossas reações neste instante. Então, essa é a forma real de uma aproximação para o Despertar, para a Ciência da Verdade sobre nós mesmos. Então, o Despertar da Consciência requer, neste instante, essa aproximação daquilo que se passa aqui e agora, dentro dessa consciência comum, que é a consciência do "eu". E você não pode realizar isso fora deste instante, fora deste momento. Você pergunta: "O que é Real Meditação?" É o contato com o Autoconhecimento, com suas reações, neste instante. É isso que abre a porta para que a mente se aquiete de uma forma natural, de uma forma simples e direta, uma vez que essa quietude da mente não é algo que você está produzindo, mas é a própria mente se tornando ciente dela própria, ciente de suas reações. Isso requer, naturalmente, a presença do Silêncio. Uma vez que a mente dê ciência a ela mesma, fique cônscia do seu próprio movimento, ela se aquieta, ela silencia para observar. E essa observação, é interessante isso aqui, não é a mente observando os pensamentos. Quando há esse Silêncio, essa Quietude, essa Observação dessa Atenção, é a Pura Observação sem o observador.

Há algo presente nesse contato com esse olhar para nossas reações, onde o sentido do "eu", do observador, desse elemento, que é o pensador, que é o experimentador, não entra. Então, o contato real com a Meditação é a Meditação presente sem o meditador, sem o observador, sem o pensador. Enquanto você dirige o seu carro, enquanto você caminha pela rua, na hora do jantar, na hora do seu almoço, ali na sua ocupação profissional. A todo instante, nós estamos em contato com nós mesmos e com situações à nossa volta, e com pessoas também. Então, nós temos toda a oportunidade de ficarmos cientes dessas reações que surgem de dentro de cada um de nós, neste momento, para dar uma resposta para alguém, para atender a uma dada situação, para lidar com o pensamento que está aqui dentro, com uma lembrança que está surgindo, com o sentimento que está aparecendo. Portanto, a única coisa aqui é observar sem o observador. Qualquer envolvimento que você tenha com essa observação, esse elemento está presente. Isso não é esse observar, é o observar a partir do "eu".

A nossa condição psicológica de consciência já é essa. Nós já estamos constantemente nos envolvendo com pensamentos, com sentimentos, com emoções. Nós já estamos constantemente respondendo a ele ou a ela a partir de conclusões, de crenças e pensamentos que temos sobre ele ou ela. Essa é a forma de atuação do "eu", é a forma de atuação do ego, essa é a nossa consciência egoica, é a nossa consciência comum, mas no momento em que você se torna ciente da reação e não interfere, algo novo surge. Estamos diante do florescer de uma nova visão da vida. É quando, neste instante, a Realidade deste Ser, desta Divina Presença, desta Divina Consciência, está aqui. Não é alguém presente, é essa Realidade presente, assumindo esse espaço nas relações. Então temos, neste momento, a presença da Meditação, no viver, no dia a dia, momento a momento. É isso que estamos encarecendo aqui para você: a importância de um encontro com o Autoconhecimento a partir desta Atenção, desse olhar, desta Plena Atenção sobre suas reações. Então, neste instante, nós temos a presença da Meditação, essa real aproximação desta Ciência que revela Aquilo que está fora da mente, fora do "eu", fora do ego.

Nós temos diversas playlists aprofundando esse assunto aqui no canal: o que é ter uma aproximação direta deste instante sem o pensador, sem o observador, sem o experimentador.

GC: Mestre, nós temos uma pergunta de um inscrito aqui no canal. Ele faz o seguinte comentário e pergunta, o Márcio: "Sim, Mestre, faz sentido o que você diz, mas é confuso para mim. Eu, como um buscador, olhando para dentro de mim, por onde posso começar a praticar a Real Meditação? Qual prática é o início da caminhada? É pela Advaita Vedanta?"

MG: Gilson, essa aproximação, quando você pergunta "onde posso praticar?"... Aqui, neste instante. Essa questão da Vedanta. o que temos na Vedanta são só ali colocações de palavras dos Sábios a respeito dessa Não Separação, dessa Não Dualidade. Essa verdade da aproximação da Não Dualidade requer a presença do Autoconhecimento, e o Autoconhecimento é aqui, neste instante, neste momento. Nós temos encontros onde estamos juntos trazendo clareza sobre esse assunto, esclarecimentos maiores sobre isso, onde temos também a oportunidade de estarmos juntos em Silêncio. Então, esse é o espaço, o espaço da Presença desta Graça.

Se nós estamos em busca de uma facilitação para esse Estado, a melhor companhia é a companhia daqueles que realizaram, é daqueles que estão nessa disposição de compartilhar esse Estado.

É por isso que nós temos enfatizado a importância de Satsang, esses encontros on-line que nós temos nos finais de semana. Você pergunta: "Onde se aproximar? Como se aproximar da Meditação?" Participe dos encontros on-line, dos encontros presenciais, participe dos retiros.

Uma coisa importante aqui, Gilson, é que uma real aproximação disso requer a presença de um elemento maior do que os nossos esforços, maior do que a nossa dedicação, maior do que qualquer empenho. Até porque todo esse empenho, dedicação, esforço, nasce do "eu". A presença da Graça, a Ciência do seu Ser, é algo que se revela pelo próprio Poder Divino, pelo próprio Poder da Graça. Este instante, este momento, é sempre um momento de olhar para essas reações, e um espaço maravilhoso para investigar isso é dentro de Satsang. É no contato com a Presença da própria Graça, é no contato com o próprio Silêncio, que o Silêncio se revela, que a Graça se revela.

É isso que estamos fazendo juntos nessas oportunidades. Agora, quanto ao momento da Meditação, este é o momento. Sempre, a cada instante, você está diante da oportunidade de olhar suas reações. Esse contato com o olhar sem o observador é fundamental. A verdade sobre a Meditação é que apenas um contato direto com essa visão do Autoconhecimento, com essa Atenção, nessa visão do Autoconhecimento, é isso que faz florescer esta Realidade, a Realidade da Meditação, a Real Meditação, de uma forma real, de uma forma prática. Então, temos algo aqui que funciona. Não como algo para acalmar, para aquietar, para desestressar, mas algo que, ao florescer, é o Despertar da Inteligência, é a Realização de Deus.

GC: Mestre, nós temos uma outra pergunta de outro inscrito aqui no canal. O Cleiton faz a seguinte pergunta: "Como faço para ficar atento aos pensamentos e não me embolar com eles?"

MG: Você pergunta como ficar atento e não se embolar com eles? Me parece que você está aqui falando dos pensamentos, mas compreenda aqui uma coisa: essa ciência da Atenção sobre essas reações não é apenas o fim dessa identificação com os pensamentos. Em geral, a nossa ideia. isso é algo equivocado dentro da nossa particular visão. Nós queremos nos livrar dos pensamentos ruins, daquilo que é desagradável, daquilo que provoca ou traz sofrimento. Nós não queremos nos livrar daquilo que é agradável, confortante ou prazeroso. No entanto, o contato com a ciência da Meditação, que requer a presença dessa Atenção sobre essas reações, que são as reações da mente, isso não envolve apenas pensamentos, muito menos os pensamentos ruins. Isso envolve toda e qualquer reação que vem do passado, se mostrando neste momento, nesse contato dentro das relações.

Nesse sentido da mente egoica, nesse sentido do "eu", essa consciência desse "mim", dessa "pessoa", se move dentro de um princípio de sensação de prazer e dor. Então, esses dois aspectos, assim chamados "positivos" e "negativos", "bons" e "ruins", "agradáveis" e "desagradáveis", de prazer e de dor, todos esses aspectos, na verdade, fazem parte de um mesmo contexto. É esse contexto do próprio "eu", do próprio ego.

Aqui, não se trata de se livrar daquilo que é desagradável pela Atenção, pelo Autoconhecimento e pela Meditação. Aqui, se trata do descarte dessa ilusória identidade, que vem do passado e que carrega esse padrão de dualidade.

Quando nós trazemos conosco um aspecto, o outro está presente. A nossa ideia, a errônea ideia, é de que precisamos nos livrar daquilo que é negativo nesse "mim". Nós não compreendemos que o aspecto assim chamado "positivo" é só o outro lado desse aspecto "negativo". Um lado carrega o outro.

Aqui, um trabalho direto de Autoconhecimento é aquilo que lhe revela, por essa Atenção, o aspecto dual do "eu", o aspecto dual desse ego, desse sentido de separação. Então, Gilson, não existe nada mais singular na vida do que a presença dessa ciência, que é a ciência da Meditação. Mas eu continuo reiterando isso para vocês aqui: algo que relaxa, que tranquiliza, que ameniza psicologicamente a dor, não é necessariamente a verdade da Meditação.

Existem inúmeras práticas, inúmeros sistemas, inúmeras técnicas, mas tudo isso funciona num nível psicológico, algo semelhante a uma auto-hipnose. Então, você se acalma, você relaxa, você induz a si mesmo uma condição psíquica, mental, diferente da que você estava antes, mas isso não elimina esse sentido do "eu".

E esse é o nosso propósito aqui: trabalharmos em direção à Visão da Realidade, ao fim dessa psicológica condição de egoidentidade. O Despertar de sua Natureza Divina é Aquilo que está presente, terminando por completo toda a psicológica condição de dualidade, de separação.

Nós, em geral, temos perguntas, e elas estão sempre em busca de uma fórmula mágica. "Como faço para não me embolar?" Todo esse movimento na intenção, na vontade, no querer, no fazer, é algo que sutilmente carrega sempre esse sentido do "eu", do ego, na intenção de alcançar alguma coisa, de obter alguma coisa. A grande dificuldade, Gilson, para a Meditação, é que todo esse movimento de prática de meditação é algo engendrado, criado, produzido pelo próprio "eu" para obter resultados. Esses resultados são mecânicos. Naturalmente, como partem desse próprio "eu", são egocêntricos. Então, quando queremos um modelo, uma fórmula, o que o sentido do "eu" está procurando, ainda, é manter a sua continuidade. Assim, muitas pessoas fazem uso de práticas de meditação para escapar, para fugir temporariamente de estados conflituosos, de estados aflitivos, de estados negativos. E esse não é o propósito da Meditação.

Ao menos aquilo que aqui nós chamamos de Meditação, é a aproximação Divina, é a aproximação de Deus, mas é uma aproximação que só se torna real quando há um esvaziamento desse conteúdo, que é o conteúdo do "eu", esse elemento presente, que é o pensador, que é o experimentador; esse elemento presente que olha a partir do passado, que é o observador. O fim dessa psicológica condição é o surgimento de algo novo, de algo que está presente além da dualidade, além do "eu". Aqui, estamos lhe dizendo que, nesta vida, sim, é possível Realizar Aquilo que é Você em sua Natureza Essencial, em sua Natureza Divina. O descarte dessa ilusória presença egoica, dessa ilusória identidade, que se mostra presente dentro das relações, criando conflitos, criando problemas, vivendo em desordem, vivendo em sofrimento, com todos esses diversos quadros de sofrimento psíquico, de sofrimento mental, de sofrimento emocional. isso é algo presente em razão desse sentido de separação entre você e Deus, entre você e a Vida.

Esse sentido de separação é algo que o pensamento tem construído. Esse modelo de dualidade, o pensamento tem construído através desse pensador, desse experimentador, desse observador.

Olhar para a vida neste momento, sem o sentido de alguém nesse olhar, aprender a escutar, a perceber, aprender a atuar, agir, sentir, se mover neste instante, sem o passado, sem esse fundo psicológico que vive nesse "gostar", "não gostar", que vive se ocupando constantemente nesse seu autointeresse, em suas buscas egocêntricas, é ter um real contato com a Realidade Divina, é descobrir a Fonte Perene de Alegria, de Amor, de Paz, de Felicidade. Esta é a Ciência de Deus, esta é a Ciência do seu Ser, algo que aflora, que desponta, que desperta muito naturalmente quando nos aproximamos desse trabalho em nós mesmos, quando temos uma aproximação da Verdade desta Revelação, pelo Autoconhecimento e pela Meditação.

GC: E para você que está acompanhando o videocast até o final e realmente deseja viver essas verdades, fica o convite para participar dos encontros que o Mestre Gualberto proporciona.

Nesses encontros, além do Mestre Gualberto responder diretamente às nossas perguntas, o Mestre, por já viver nesse Estado Desperto de Consciência, compartilha esse Estado de Presença em que ele vive, e, nesse compartilhar, existe um campo de energia de muito poder e força. E nesses encontros, a gente acaba entrando de carona nesse campo de energia do Mestre, e isso nos ajuda demais nessa compreensão dessas verdades. Nós entramos naturalmente, de forma espontânea, no Estado de Meditação, no Estado de Silêncio, num Estado que está além da compreensão, além do entendimento intelectual.

Então, fica o convite. No primeiro comentário, fixado, tem o link do WhatsApp para poder participar desses encontros. Além disso, já dá um "like" no vídeo, se inscreve no canal e faz comentários aqui, trazendo perguntas para trazermos para os próximos videocasts.

E, Mestre, mais uma vez, gratidão pelo videocast.

Março de 2025
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terça-feira, 24 de junho de 2025

Relações humanas. Como encontrar Deus. Busca pela espiritualidade. Aprender sobre Autoconhecimento.

Uma forma equivocada de pensar a respeito desse encontro com a espiritualidade ou desse encontro com Deus é o que, em geral, as pessoas têm feito. Quando elas perguntam: "Como encontrar Deus?" "O que posso fazer para realizar a espiritualidade?" "O que é realizar essa busca pela espiritualidade?" Elas não compreendem que a espiritualidade não é algo que você positivamente realiza, por que quem é esse elemento presente que se propõe a realizar tal coisa?

Temos que investigar a natureza desse "eu", que é o elemento que se propõe a encontrar essa, assim chamada, espiritualidade. E quanto a esse encontro com Deus, é a mesma coisa. Não é você que encontra Deus, é a Realidade de Deus que te encontra. Não é você que encontra ou, nessa busca pela espiritualidade, realiza essa espiritualidade. A verdadeira Espiritualidade não é algo que você realiza, assim como a Realidade de Deus não é algo que você encontra.

Só há Real Espiritualidade quando o sentido do "eu", do ego, desse "mim", dessa "pessoa", não está. Portanto, não se trata de uma pessoa espiritual ou uma pessoa espiritualizada; trata-se, sim, da Realidade do Desconhecido presente nesse corpo e nessa mente. Assim, não é você tendo um encontro com Deus, é a Realidade de Deus assumindo a Verdade da vida aí, em sua mente, em seu coração. Não é alguém assumindo Isso, é Deus assumindo Isso.

E como podemos nos aproximar realmente disso? E como podemos, de fato, assumir isso nesta vida? Já que não é de uma forma positiva, ou seja, não se trata desse "eu", desse "mim", realizando Isso, encontrando Deus ou, pela busca, realizando a Espiritualidade. Então, como isso se processa? Pelo descarte da ilusão do "eu".

Veja, eu disse exatamente isso: pelo descarte da ilusão do "eu". Você se vê como alguém real para realizar coisas. Isso porque algumas coisas na vida você já realizou. Repare, a ideia de ter realizado, de ser alguém que realizou. Então você fez um curso superior e adquiriu uma formação, uma graduação, ou você estudou alguma coisa e aprendeu aquilo, e agora está fazendo uso desse conhecimento, dessa informação naquela dada profissão, então a ideia de ter realizado. Ou então você construiu um negócio, e ele está funcionando, e ele está indo bem, então você é a pessoa que realizou.

Veja, estamos diante de uma ideia, de um conceito, de uma crença. Um grande número de coisas aconteceu para que essas realizações ocorressem. No entanto, esse sentimento de "eu que realiza", nós carregamos conosco. A ideia de alguém que realiza coisas, na crença de que tudo isso dependeu exclusivamente de mim. Isso é uma crença, é uma ideia, é uma forma de pensamento, é uma imaginação.

Assim, também acreditamos que podemos realizar Deus, ou ter esse encontro com essa Vida Divina; e é apenas nesse sentido que usamos aqui a expressão "Espiritualidade". Não tem nada a ver com rituais, cerimônias ou práticas, assim chamadas, místicas, esotéricas ou espiritualistas. Aqui a Verdade da Espiritualidade é a ausência de alguém espiritual. A Realidade de Deus se revelando é a ausência do "eu".

Assim, nós voltamos à pergunta: e como isso se processa, já que não sou eu que realizo, já que não sou eu que faço? Veja, qual é a verdade desse "eu"? Essa é a primeira questão. Então, não se trata de encontrar, pela busca, a espiritualidade, não se trata de encontrar Deus a partir de um movimento interno de conceitos, de ideias, de crenças - que por sinal nós recebemos da cultura religiosa.

Então, como realizar Isso? Tomando ciência da Verdade sobre Você; e não há qualquer separação entre a Vida, Deus e Você, em sua Natureza Essencial, em sua Natureza Real. O encontro com a Verdade requer a presença da investigação do falso. Investigar a natureza daquilo que não é é a aproximação daquilo que é. Você não pode ir positivamente à Verdade do que é; você pode investigar, indiretamente, essa Verdade do que é investigando o que não é. Essa é a aproximação real da Verdade de Deus, da Verdade Divina.

Qual é a verdade sobre você? Se dar conta da ilusão que você é, essa é a aproximação verdadeira desse assunto. Quem é você? Aqui a pergunta é: quem sou eu? Qual é a verdade sobre esse "mim"? É por isso que estamos com você explorando aqui sobre o que é esse aprender sobre o Autoconhecimento. A verdade desse aprender é o descarte da ilusão do "eu". Então, ver o falso, tomar a ciência da ilusão, a ciência do falso, a ciência da ilusão é a visão da Verdade. A ilusão é esse sentido do "eu", desse "mim", dessa "pessoa".

Como podemos ter uma aproximação disso? Aprendendo a olhar para as nossas reações. Por exemplo, quando você está triste, aborrecido ou preocupado, em geral, você apenas responde ou reage de uma forma automática, sem qualquer ciência dessa reação. Quando você está zangado, com raiva, aborrecido, você responde com aborrecimento, responde com essa zanga, responde com essa chateação àquela dada situação.

Então, as nossas reações são reações que nascem, que vêm do passado, e estamos sempre respondendo de uma forma reativa, em razão da presença desses estados, sem nunca investigar o que eles representam. Assim, não tomamos ciência de nossas reações, para irmos além delas, para termos uma compreensão de algo além delas. Nós estamos sempre reagindo, respondendo de uma forma mecânica, inconsciente e automática.

"Quando tenho raiva, respondo. Quando estou triste, respondo. Quando há um estado de tristeza ou depressão ou angústia, respondo. Ainda não aprendi a olhar para isso, a me dar conta desse estado, a isso investigar, a estudar isso aqui. O que é isso? O que eu sou? Ou quem eu sou nesse momento?" Então, a presença do Autoconhecimento é esse olhar sem reagir. Nesse constatar, isso que se mostra, se revela; e quando isso se revela, nós temos o fim para essa condição, porque estamos diante de um modelo de inconsciência, de mecanicidade, de resposta de memória, algo que vem do passado.

Romper com essas condições, com esses quadros internos, psicológicos, de sentimento, emoções e pensamentos, é romper com esse padrão do ego, com esse padrão do "eu". Isso requer a presença desse olhar, desse observar, desse perceber diretamente tudo isso. Veja, estamos tratando aqui com você da base para a Revelação da Verdade sobre Deus, da Verdade sobre a Verdadeira Espiritualidade, desse real encontro com o Divino, com a Natureza do seu Ser.

Portanto, a base para uma vida livre, feliz, harmoniosa, em paz, em felicidade, é a ciência da Realidade de Deus; e essa Realidade de Deus se mostra presente quando temos o fim para essa psicológica condição. Assim, compreenda todo esse processo que dá continuidade a esse elemento presente, que sustenta esse elemento presente, eu me refiro a esse processo de inconsciência de respostas - aquela resposta daquele que está com raiva, zangado, aborrecido, chateado, triste -, viver dentro dessas respostas, sem um olhar direto para o que isso representa, para o fim dessa condição, é se manter dentro desse velho processo de inconsciência, de vida do "eu", de vida do ego.

Assim, o que é esse aprender sobre o Autoconhecimento? É descobrir o que é olhar, observar, perceber. Veja, é perceber, não é fazer algo. Porque a ideia de fazer algo é a ideia de um elemento que já se vê separado para agir de uma forma positiva, ou seja, contrária a essa condição. Uma vez que a ideia é que essa condição seja uma condição negativa, esse sentido do "eu", do ego, quando interferir, é para modificar, é para alterar, é para trazer esse, assim chamado, elemento positivo de desconstrução dessa condição. Veja, não é isso que estamos falando aqui.

Nós precisamos aprender a olhar, apenas a olhar, apenas constatar, se dar conta disso. Quando há esse olhar, essa condição psicológica passa por uma profunda mudança, por uma profunda transformação. Há algo presente, que é a condição de uma nova ação que surge a partir dessa compreensão, nesse simples e direto olhar, perceber e observar.

Então, a verdadeira aproximação do Autoconhecimento não é fazendo escolhas, não é tirando conclusões, não é fazendo avaliações, não é criando ajustamentos ou buscando fazer mudanças. A Verdade sobre o Autoconhecimento consiste em aprender a olhar, sem reagir. Então Algo surge, Algo fora do conhecido, Algo fora da mente, Algo fora do "eu", Algo fora desse processo. Isso é o fim para essa separação, que é esse elemento que está sentindo isso, envolvido com isso, se movendo nisso.

Reparem como temos aqui uma grande base para o fim da dualidade. Porque a ideia em nós é de alguém triste, então tem alguém e a tristeza; é de alguém zangado, com raiva, com medo ou preocupado, e esse alguém fazendo algo contra isso. Não existe qualquer separação entre esse estado e esse alguém, e você toma ciência disso quando aprende a observar, a olhar, a perceber. É por isso que enfatizamos aqui a beleza da Meditação, da Real Meditação.

A Verdade sobre a Meditação é o descarte desse particular modelo de separação, onde temos esse "eu" e o estado. Então se revela Algo fora da mente, Algo fora do ego, Algo fora dessa condição. Então, nesse momento, nós aprendemos, na vida, o que é a vida nesse encontro com o outro, com o mundo, com as situações, com os acontecimentos, Percebam a importância disso.

A base das nossas relações humanas, por exemplo, é a confusão. Nós estamos sempre, constantemente, sustentando algum tipo de desordem, confusão e conflito em nossas relações humanas. Isso porque, internamente, nós estamos confusos, desorientados, preocupados, aflitos e infelizes, em razão desses estados conflituosos em que nós nos encontramos.

A eliminação do sentido do "eu", do "mim", do ego, aqui, é o Amor nas relações humanas, é a Paz nas relações humanas, é a Felicidade nas relações humanas. É quando o seu contato com o marido, a esposa, os filhos, o mundo à sua volta é algo inteiramente novo, porque o sentido do "eu", desse "mim", desse ego, não é mais.

Realizar, na vida, a Verdade da Vida é assumir a Liberdade de Deus, é assumir essa Liberdade desse encontro. Então, não existe nada mais importante na vida do que esse verdadeiro encontro com a Verdade. Então, a resposta para a pergunta "como encontrar Deus" reside no fim dessa ilusão desse sentido do "eu", dessa dualidade, dessa separação entre esse "eu" e esse outro estado, seja ele medo, ansiedade, preocupação, raiva.

O encontro com a Realidade Divina é a ausência de alguém, é a Realidade de Deus se revelando. Então, o fim da ilusão é o surgimento d'Aquilo que é Real. A visão daquilo que é falso, daquilo que não é real, é a Verdade se revelando nesse instante. É isso que estamos trabalhando com você aos sábados e domingos em encontros online. Então, se isso é algo que faz sentido para você, fica aqui um convite. Além disso, temos encontros presenciais e, também, retiros.

Março de 2025
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quinta-feira, 19 de junho de 2025

Sofrimento psíquico | Sofrimento humano | Sofrimento emocional | Como lidar com pensamentos

Aqui a pergunta é: como podemos lidar com o sofrimento humano? O sofrimento que acomete a todos. O que é e como lidar com isso? O que é esta coisa chamada sofrimento? E como lidar com isso? Observe que a base, a real base que sustenta essa questão do sofrimento humano é o sofrimento psíquico, é o sofrimento emocional. Então, como podemos nos aproximar dessa questão do sofrimento? Nós sabemos que uma dor de dente é a presença da dor.

Se isso psicologicamente lhe afeta, além da dor física, você tem a presença do sofrimento. O sofrimento é aquilo que lhe atinge psicologicamente, enquanto a dor é aquilo que lhe fere ou lhe atinge fisicamente. Se você queima o dedo ou dá uma tropeção e cai, e descobre que o pé torceu e descobre que depois disso o pé está com uma luxação, ali está a presença da dor.

Então, há uma diferença entre a dor e o sofrimento. Quando você está com raiva de alguém, você está sofrendo. Quando você está preocupado, você está sofrendo.

Quando existe o medo, ele está presente, você está sofrendo. Quando está triste, você está sofrendo. Então, há uma diferença entre o sofrimento e a dor.

Sofrimento é aquilo que atinge a pessoa, o sofrimento é aquilo que atinge esse "eu", enquanto que a dor é aquilo que atinge esse corpo. Se você tem uma dor física e internamente está irritado com isso, com raiva de estar se sentindo assim, ou preocupado, com essa dor, você tem juntamente a presença da dor e a presença do sofrimento. Então, repare como é simples essa compreensão do que é o sofrimento.

O sofrimento é aquilo que lhe atinge psicologicamente. A dor é aquilo que lhe atinge fisicamente. O modo como o pensamento representa a experiência, nesse momento o que temos presente pode ser a simples dor ou a presença do sofrimento.

Aqui juntos, nós estamos investigando essa questão do fim para esse sofrimento psíquico, o fim para esse sofrimento emocional. Isso é parte desse sofrimento humano. Aqui, nesses encontros, nós estamos explorando a liberação nesta vida.

A condição psicológica de existência do "eu", desta pessoa, é a condição de uma prisão. Como seres humanos, nós estamos nesse sofrimento em razão da presença desta psicológica prisão que o pensamento tem construído para esta pessoa. Qual é a verdade desta pessoa? Esta pessoa é uma construção do pensamento.

Uma construção que tem uma forma, que tem um nome, que tem uma história, que tem uma imagem. Esta é a pessoa. A constituição dessa pessoa, a estrutura dessa pessoa, a base dessa pessoa é o pensamento.

Pode soar estranho você ouvir isso, mas você não é outra coisa a não ser um pensamento. Quando você usa o pronome eu, você está se referindo exatamente a quê? A uma ideia, a um quadro mental.

Isso é esse você. O que é um quadro mental? O que é uma ideia? É a presença do pensamento. Quando você está triste, é um pensamento triste. Observe isso aqui juntamente conosco.

Quando você está com raiva, o que é essa raiva? É um sentimento, é uma emoção, é uma sensação nesse pensamento, nesta autoimagem. Essa imagem é o pensamento, essa raiva é o pensamento, essa emoção é o pensamento. Olha como é importante nós investigarmos isso aqui. Se queremos romper com essa psicológica condição e é isso que estamos dizendo aqui para você. Na vida é possível, sim, uma vida livre do sofrimento, do sofrimento psíquico, do sofrimento emocional, mas para isso você tem que tomar ciência da verdade sobre você.

Você precisa se dar conta de que você não é outra coisa a não ser um pensamento. Um pensamento que se magoa, que se entristece, que se aborrece, que fica colérico, tomado de raiva, um pensamento em emoção, um pensamento em sentimento. Isso é o "eu", Romper com esse pensamento é romper com essa imagem, é romper com essa raiva, é romper com essa dor emocional, com esse sofrimento psíquico.

Essa é a beleza de um encontro com a realidade. Um encontro com a realidade é o fim da ilusão, da ilusão dessa autoimagem. Então, vamos tocar nisso aqui agora com você.

Já que a verdade é que é o pensamento o elemento por trás de tudo isso. Quando você está com raiva, um elemento por trás da raiva é o pensamento, com medo é o pensamento, com tristeza é o pensamento, preocupado é o pensamento. É sempre o pensamento o elemento.

Já que é o pensamento esse você, esse "eu", e ele está por detrás de tudo isso, aqui a pergunta é: o que é o pensamento? Aqui a pergunta é: como lidar com essa coisa? Como lidar com o pensamento? Primeiro, antes de tudo, vamos compreender algo aqui. Mais uma vez, o pensamento se separa quando faz a pergunta: como lidar com o pensamento? A ideia por detrás dessa pergunta é um elemento capaz de lidar com o pensamento. Mas, veja, o próprio pensador é o pensamento.

Nós temos uma visão equivocada da vida porque temos uma visão errônea, totalmente ilusória, sobre nós mesmos. Nós vemos a vida como algo acontecendo, separado daquilo que nós somos, porque nos vemos como alguém presente e a vida como algo à parte, separada.

Não existe tal separação entre a vida como ela acontece e você como você aparece. Ao nos vermos separados da vida, sendo alguém presente, esse alguém é aquele que, por exemplo, está pensando, está sentindo, está agindo, está falando. Aqui o falar é a vida acontecendo, o pensar é a vida acontecendo, o sentir é a vida acontecendo. É quando nós temos exatamente essa separação, repare, é que temos o problema do sofrimento.

Exatamente porque queremos lidar com isso, fazer algo contra isso, que estabelecemos uma separação. Eu não sei se isso está um pouco confuso aqui, para alguém aqui pela primeira vez no canal ouvindo essa fala. Você se vê como alguém presente.

Veja, isso é só um pensamento que você tem. O que temos presente é a vida como ela acontece. Mas você se vê como alguém que gosta do que acontece ou que não gosta do que acontece.

Note que isso é só um pensamento sobre como a vida deveria ser, ou como ela poderia ser. Assim, quando você pergunta como lidar com o pensamento ou como lidar com os pensamentos, você se vê como alguém que está pensando e que pode lidar com os pensamentos. Mas quem é esse que está pensando? Existe tal coisa como uma separação? A teoria que temos, que é só uma crença, é que esse pensador chega antes do pensamento.

Primeiro chega o pensador e depois ele tem pensamentos. Olhe para você e me responda. Isso é verdade? É verdade que você primeiro está aqui e depois produz pensamentos de preocupação para si mesmo? É você que produz esses pensamentos de preocupação ou eles aparecem? É verdade que você está aqui e produz pensamentos de tristeza para ficar triste? É você que faz isso? Ou são esses pensamentos de tristeza que surgem e você se dá conta de que está triste? Se você fosse realmente o pensador dos pensamentos, você iria fabricar para você pensamentos de ansiedade, de preocupação, de tristeza?

Você já reparou que quando você está com medo, são pensamentos que trouxeram esse medo? Você está aqui muito bem e de repente você está com medo de algo acontecer com você. É verdade que você estava aqui e pensou sobre isso e fez isso aparecer ou isso apareceu e o medo surgiu? Percebem? A grande verdade é que não existe esse pensador para pensar. O que temos presente é o pensamento surgindo.

Depois que o pensamento aparece, aí aparece esse pensador. Primeiro aparece o pensamento da tristeza e depois você se vê triste. É exatamente assim que acontece.

Primeiro aparece o pensamento de preocupação e depois você se vê aflito por estar preocupado. Essa é a ordem. Primeiro surge o pensamento que é a causa do medo, depois você se vê com medo. Reparem que é exatamente assim que acontece. Não existe essa coisa de alguém pensando, só existe o pensamento aparecendo.

Então nós precisamos ter da vida uma aproximação real para a compreensão do fim do sofrimento. Mas compreender o fim do sofrimento requer a compreensão do fim do pensamento, porque é o pensamento a causa, a razão, a verdade sobre esse sofrimento psíquico, sobre esse sofrimento emocional, sobre esta preocupação, ansiedade, medo ou tristeza. Repare que nós passamos uma boa parte da vida sem nos dar conta de como nós funcionamos.

Então, essa qualidade de pergunta, esse tipo de pergunta, como lidar com os pensamentos, pressupõe uma base ilusória, uma base equivocada, a base de que existe esse alguém para lidar com os pensamentos. Não existe tal coisa como uma separação entre o pensamento e o pensador. Quando você se depara com uma flor, não tem você olhando a flor, existe apenas o olhar.

Você surge apenas quando uma ideia aparece. Quando, por exemplo, você diz: essa flor é muito bonita, seria muito bom ter flores assim lá no jardim de casa. Repare, é apenas nesse momento que você aparece, quando você se separa da visão, sendo o observador.

Quando você está diante de uma cena, o que temos presente é a cena, você aparece quando acha bonito ou acha feio, quando gosta, quando não gosta. Reparem como é sutil esse movimento do pensador, do observador, do experimentador da experiência. É o próprio movimento do pensamento se separando que cria esse experimentador, que cria esse observador, que cria esse pensador.

Há uma grande beleza nesta aproximação de estudarmos a nós mesmos. Isso porque nos damos conta, pelo Autoconhecimento, de que não existe esse elemento presente, que é o "eu". Aqui a palavra, a expressão Autoconhecimento não se trata de alguém conhecendo a si mesmo para melhorar como pessoa.

Aqui se trata da ciência de que esse elemento que é o "eu" é apenas uma construção do pensamento diante da experiência. Descobrir a verdade sobre si mesmo é tomar ciência de que esse "eu", esse "mim", essa pessoa, é uma ideia, é uma construção do pensamento. Assim, anulamos por completo esta separação.

E quando esta separação é anulada, esse elemento, para sofrer, se dissolve. Assim, esse grande contato com a vida como ela acontece, sem esse elemento que é o pensamento, para se separar da experiência, isso é o fim para o sofrimento. O sofrimento termina porque esse elemento que se separa para conflitar com o momento, para conflitar com a experiência, não está mais presente.

Quando alguém lhe elogia, você sente prazer. Quando alguém lhe critica, você fica chateado, ou aborrecido, ou com raiva. Isso ocorre porque, no momento da experiência, nesse instante, nesse exato momento, esse sentido da autoimagem desse "eu", repare que é só um pensamento surgiu, quando esta autoimagem é lisonjeada, esse pensamento, que é essa autoimagem, que é você, fica feliz. Quando esta autoimagem é criticada, você, que é essa autoimagem, que é esse pensamento, fica com raiva, fica aborrecido, fica chateado.

Então, o elemento presente que sustenta o sofrimento é o mesmo elemento que sustenta o prazer. Reparem como é importante nós compreendermos isso aqui. Na vida nós estamos sempre em busca do prazer, ou seja, daquilo que possa afagar, acalentar, mimar, trazer satisfação a essa autoimagem. E nós vivemos constantemente tentando nos defender da dor, daquilo que possa produzir distúrbio, ofensa, desordem, rejeição a esta autoimagem. Essa é a presença do sofrimento. Assim nós estamos na vida sustentando constantemente a ideia, o pensamento, a imagem, esse quadro mental sobre quem nós somos, sobre quem cultivamos ser, desejamos ser, esperamos ser. Essa é a autoimagem.

Enquanto isso estiver presente, nós estaremos sempre passando por prazer e dor do ponto de vista psicológico. Isso é basicamente a sustentação do sofrimento.

Isso é parte desse sofrimento humano, isso é parte desse sofrimento psíquico, isso é parte de sofrimento emocional. Aqui, juntos, estamos descobrindo como romper com esta autoimagem, que vive nesta dependência psicológica de apreciação e de rejeição. Que quando é rejeitada, se sente triste, com raiva, aborrecida, que quando é elogiada, parabenizada, se sente feliz, contente, prazerosa. O fim desta psicológica condição é o fim desse movimento, que é o movimento do pensamento, que é exatamente esse movimento de separação. É quando existe essa separação, que está presente o sofrimento.

Da próxima vez que alguém lhe elogiar, apenas escute, dê toda atenção nesse escutar o elogio. Repare, estamos diante de algo aqui, não tão simples, porque por toda a vida esse movimento interno do pensamento em nós sempre defendeu sua continuidade pela autoimagem.

Essa crença de que nós existimos sendo alguém, sendo uma pessoa, é a própria autoimagem. Essa autoimagem adora ser elogiada e detesta ser criticada. Esse é o modelo viciado do pensamento, presente em cada um de nós.

Então, o pensamento se separa, cria essa autoimagem e sustenta essa autoimagem, querendo ser amada e procurando se proteger para não ser odiada. Assim, da próxima vez que te derem um elogio, dê atenção nesse momento a si mesmo e observe esta reação quando ela surge. A primeira inclinação do "eu", do ego, desse passado em você é de receber aquele elogio e inflar como um balão.

Mas se você der toda a atenção a esse escutar sem colocar esse elemento que vem do passado, que é esse mim, esse "eu", essa autoimagem, se apenas ficar o escutar, e esse escutar requer um ouvir livre, e esse escutar requer a presença de um novo modo de se aproximar dessa experiência, a presença dessa atenção sobre esse instante, essa atenção desse escutar, elimina esse "eu", elimina esse passado.

Então, fica apenas o elogio, mas isso não lhe toca, porque você não está presente. Como sendo esse "eu", esse "mim", essa pessoa, essa autoimagem, trazer atenção para esse momento, isso é o fim do "eu", isso é o fim desta autoimagem, isso é o fim desse sentido do "eu", é o fim do sentido do ego para esse prazer, para esse preenchimento pessoal.

Faça o mesmo diante de uma crítica, de um insulto. Apenas escute. Dê toda a sua energia de atenção para esse escutar mas não se coloque como uma pessoa na experiência. Não traga do passado esta autoimagem e observe o que acontece.

Então, nem a lisonja lhe torna especial, nem o insulto lhe torna alguém triste, com raiva ou aborrecido. Isso é o fim desta autoimagem. Isso é o fim desta qualidade de vida centrada no "eu", centrada no ego.

Isso requer a presença desta atenção sobre suas reações. Isso é básico nesta visão do Autoconhecimento, para o fim desta continuidade do "eu", para o fim desta continuidade do ego.

O contato com a vida nesse instante, livre desse sentido do "eu", é o contato com a liberdade, com a não dependência do pensamento e, naturalmente, das emoções e dos sentimentos. Então se revela algo além do ego, além do "eu", além desse pensamento, além desta lisonja ou deste insulto. O encontro com a realidade do seu Ser é a constatação da verdade, da felicidade, desta ausência do "eu". Isso é o fim do sofrimento.

Isso é o fim desta velha condição de sofrimento humano, de sofrimento psíquico, de sofrimento emocional. Assim, quando nos aproximamos da meditação, ela só é possível a partir do Autoconhecimento, que requer a presença desta atenção.

Então, se revela a realidade do seu Ser, se revela a realidade de Deus.

É isso que estamos trabalhando aqui com você nesses encontros. Sábado e domingo nós temos encontros online aqui, nos finais de semana. Você tem aqui na descrição do vídeo o nosso link do WhatsApp para participar desses encontros online nos finais de semana. Fora esses encontros, temos encontros presenciais e também retiros.

Se isso é algo que faz algum sentido para você, já fica aqui um convite, já deixa aqui o seu like, se inscreva no canal, coloque aqui no comentário: sim, isso faz sentido. Ok? E a gente se vê. Valeu pelo encontro e até a próxima.

Março de 2025
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terça-feira, 17 de junho de 2025

Joel Goldsmith | A Consciência é o que Eu Sou | A união consciente com Deus | Marcos Gualberto

GC: Olá, pessoal! Estamos aqui para mais um videocast. Novamente o Mestre Gualberto aqui conosco. Gratidão, Mestre, pela presença. Hoje eu vou ler um trecho do livro do Joel Goldsmith chamado "A Consciência é o que Eu Sou". Num trecho desse livro, Mestre, o Joel faz o seguinte comentário: "Agora, chegue à Verdade de que a Consciência que é Deus é a Consciência que é você. E então, você chega à Unidade". Mestre, sobre esse assunto da Unidade, da união com Deus, o Mestre pode compartilhar a sua visão sobre esse assunto conosco?

MG: Gilson, essa questão da união com Deus, é necessário que nós, primeiro, tenhamos uma compreensão clara da Verdade sobre essa Realidade que nós chamamos de Deus. O ponto é que nós não temos qualquer aproximação Real disso a partir do pensamento, e tudo que nós temos a respeito de Deus, na teoria, no conceito, na ideia, são pensamentos. Assim, quando falamos desta união com Deus, já partimos de um equívoco, aqui: a ideia de que o nosso pensamento pode ter qualquer ideia verdadeira sobre isso. Qualquer ideia é, por princípio, uma ideia. algo que o pensamento compreende, algo que o pensamento formula; e tudo que o pensamento formula está dentro de uma ilusão, uma vez que todo pensamento está dentro de um princípio de limitação. Observe que quando você se lembra de algo, o que você tem sobre aquilo é um pensamento. E esse pensamento não é aquilo do qual você se lembra. Nenhum pensamento lida, faz jus, representa a verdade daquilo. Nenhum pensamento representa aquilo que, de fato, é. O pensamento é só uma representação de imagem mental.

Assim, essa ideia de Deus, para nós, é um conceito, é uma imagem, é uma representação mental. E nós temos uma ideia de Deus, e a ideia que temos é de um Ser separado de nós, separado daquilo que nós somos essencialmente. Isso é um grande, grande erro, um grande equívoco da nossa parte. A única Realidade presente, sendo a própria Vida quando a Vida se expressa, essa expressão da Vida é essa única Realidade. Essa única Realidade é a Realidade de Deus. Não existe nenhuma separação entre aquilo que você é em sua Realidade interna verdadeira e a Realidade Divina. Portanto, não se trata de um contato a nível de uma comunhão, a partir de um princípio de separação entre você e Deus. Não existe tal coisa como "Deus, você e a vida". Há uma expressão presente, há uma manifestação presente, há uma realidade presente, e essa realidade é a Realidade Divina.

Assim, a verdade sobre esse "contato" com Deus, essa "comunhão" com Deus, consiste na ciência da Revelação d'Aquilo que realmente é você, quando a ilusão desta suposta entidade presente, que é o "eu", o ego, esse "mim", não está mais. Então, qual é a verdade desta aproximação, desta Real Comunhão com Deus? É a ausência de um elemento presente que se vê separado, que se vê como um elemento à parte desta Realidade Divina. Assim, todo o trabalho nosso deve ser nessa direção, e tudo que nós recebemos de ensinamento deve ser sinalizando e apontando para esta Ciência da Realidade que somos. E é importante dizermos aqui isso, também, para você: que toda forma de ensinamento que enfatiza esta separação, que nos coloca dentro de um modelo de pensamento e, portanto, de crença, é equivocado. A verdadeira aproximação do ensinamento consiste em uma descoberta; uma descoberta possível a partir de uma visão direta daquilo que se passa conosco, dentro de nós.

É por isso que nossa ênfase, aqui, consiste em tomarmos ciência da Verdade sobre nós mesmos. Esta ciência requer a presença da compreensão de todo esse mecanismo presente, psíquico, que nós denominamos de "mente", que inclui naturalmente o próprio cérebro. Compreender a Verdade sobre você é se dar conta de como sua mente funciona, como se processam em nós os pensamentos, os sentimentos, as emoções, as sensações, as percepções. qual é o significado disso dentro desse contexto de relações, relações com pessoas, com nós mesmos, com as situações que aparecem, com as coisas que acontecem. Sem termos uma base - e essa base é a compreensão de como nós funcionamos - nós não temos o fundamento para esta visão, para esta visão desta Ciência de Deus. É esta Ciência de Deus que é a Verdade desta não separação entre você e Deus. Essa é a Real Expressão desta Unidade, desta não dualidade, desta não separação.

Nós precisamos descartar toda forma de pensamento, de conceito, de ideia e de crença. Uma vez que todo pensamento, ideia, conceito, crença em nós, é a presença, exatamente, desta separação. É precisamente o pensamento que lhe separa, é exatamente o pensamento que cria esta separação entre você e a Realidade, entre você e a Verdade, entre você e Deus. Como seres humanos, nós estamos vivendo no pensamento; a nossa vida é a particular vida do pensamento. Nós temos a ideia presente de um elemento aqui, que é esse que pensa, esse que sente, esse que faz, esse que realiza as coisas. Esse elemento é uma construção do pensamento, e nós temos esse modo de nos aproximarmos da vida a partir do pensamento, em razão desse condicionamento. Não nos ensinaram a lidar com o pensamento. É fundamental aprender a lidar com o pensamento, mas mesmo a ideia de lidar com o pensamento é a ideia de alguém para lidar com os pensamentos. Esse alguém é uma ilusão.

É isso que nós precisamos compreender: não existe esse alguém, não existe esse "eu". Esse "eu" separado, esse "eu" à parte, esse "eu" que vê o mundo como sendo esse "eu" aquele que observa as coisas, como sendo esse "eu" aquele que pensa sobre as coisas, como sendo esse "eu" aquele que pode ter um encontro com Deus. Aqui, a Verdade do Despertar da Consciência, desse florescer do seu Natural Estado Divino, que é a Ciência de Deus, consiste no descarte dessa ilusão, no se desfazer dessa ilusão, no se dar conta de que estamos diante de um modelo de pensamento estabelecido em nós há milênios, que é o modelo da separação, onde existe esse "eu" e o não "eu". Nesse formato de pensamento existe você, Deus, o mundo e a vida. Isso é algo muito comum em nós. Estamos diante de um quadro psicologicamente comum a todos, que é esse quadro de visão de condicionamento psicológico, de condicionamento mental, de programa que nos tem sido dado pela cultura, por esse padrão de mundo.

Assim, todo esse comportamento em nós, nesse sentido de separação, é egocêntrico, é pessoal, é particular. Nós estamos constantemente envolvidos, invariavelmente, com esse autointeresse pessoal, algo inteiramente egocêntrico. Toda essa condição de confusão dentro de nossas relações. As nossas relações dentro de casa são as nossas relações na cidade, são as nossas relações com o mundo, são essas relações entre países. A condição do mundo é de conflito, é de desordem, é de confusão e sofrimento em razão desse egocentramento, desse comportamento de condicionamento mental, em razão da presença desse modelo de pensamento, que é o pensamento do "eu". O florescer do seu natural e Divino Ser, o florescer de sua natureza essencial, que é Deus, que é a Verdade sobre você, requer o fim desse você como você se conhece, como você se vê. Então, quando temos, psicologicamente, a morte desse "eu", o fim para essa psicológica condição de continuidade de existência separada, o fim para tudo isso que o "eu" representa, que são seus desejos, seus medos, suas buscas, suas escolhas, suas crenças. Quando temos o fim para isso temos a Ciência dessa Revelação. E como isso se torna possível? Pelo Autoconhecimento.

Aqui, o Autoconhecimento é se dar conta da ilusão desse "eu". Não é do aperfeiçoamento desse "eu", da mudança desse "eu", da melhora desse "eu". Eu digo isso porque, em geral, as pessoas usam a expressão "autoconhecimento" nesse sentido. Aqui, usamos de uma forma bem clara para você, apenas no sentido de se dar conta desse movimento, que é o movimento egocêntrico, que é o movimento que sustenta essa separação, essa dualidade. A plena ciência disso é o suficiente para uma nova ação surgir. Essa nova ação é a verdadeira Ação, que não nasce desse "eu". Gilson, nós não sabemos o que é esta Ação livre do ego. Toda ação que nós conhecemos é a ação centrada na volição, no querer, nesse movimento da vontade, da intenção e do pensamento. Assim, estamos sempre nos movendo na vida a partir deste ilusório "eu", desta ilusória identidade. O fim para isso é a visão da Realidade Divina.

GC: Mestre, nós temos uma pergunta de um inscrito aqui no canal. Ele faz o seguinte comentário perguntando: "Mestre, estou me cansando de procurar a Iluminação. O que eu faço?"

MG: Aqui, quando você diz: "Estou me cansando de procurar a Iluminação", repare, a ideia é equivocada; a ideia da procura e a ideia de alguém presente nesse movimento. Não existe tal coisa como uma procura real, todo esse movimento de procura é apenas um movimento de imaginação do pensamento. Assim como não existe um elemento presente - capaz de realizar esse encontro - que é o "eu". Então, você diz: "Estou me cansando de procurar a Iluminação." O pensamento criou em nós, pelo menos na maioria das pessoas que já leram sobre esse assunto, que já ouviram falas sobre isso. existe a crença, a ideia dessa assim chamada "Iluminação". Uma ideia, uma crença, é uma imaginação. Nenhum pensamento representa a Realidade da própria coisa. Quando você tem um pensamento, você está tendo uma ideia, uma imagem mental. Assim, a ideia, a imagem mental da Iluminação é um equívoco, é um erro, não existe tal coisa, no pensamento, que seja Real. Tudo que o pensamento faz é criar uma foto, um retrato, uma imagem da própria coisa.

Então, repare, nós temos aqui a imagem da Iluminação, que é a ideia da Iluminação, temos a procura dessa Iluminação. Isso só pode ser um movimento do próprio pensamento, em busca daquilo que ele imagina. Ele cria a imagem e vai em busca dessa imagem, essa é a procura. E temos, também, esse elemento nesta procura, que é o "eu". Todo esse movimento é um movimento do pensamento. O pensamento em nós é o elemento que criou essa ideia de alguém presente, que é esse "mim"; criou essa procura e criou essa imagem que ele procura. Então, é natural que você esteja cansado, mas quem é esse elemento que está cansado? Veja, é o próprio pensamento nesta procura, nesta busca, daquilo que ele imagina ser Iluminação.

Aqui, juntos, nós estamos investigando a verdade sobre o pensamento e compreendendo que é exatamente o pensamento, esse elemento presente em nós, que nos impede de tomarmos Ciência dessa Realidade que já está presente. Veja, não se trata de algo para ser encontrado. Você não tem o endereço disso, você não sabe onde isso está para ser encontrado. Eu tenho dito que é como uma chave que você perde. Se você perde a chave do seu carro dentro de casa, sim, a chave está perdida, mas de fato, ela não está perdida, ela está ali, em algum lugar. Mas se você perde a sua chave fora de casa, de fato, você não sabe onde ela está. Você pode até suspeitar do último lugar onde esteve, e se lembra de a chave estar com você ali, mas você, de fato, não sabe onde a chave está.

Aqui, nesse caminhar do Despertar, da Realização daquilo que alguns chamam de Iluminação Espiritual, nós não sabemos onde é que isso se encontra para ser encontrado. A Realidade do Despertar não é algo que está perdido. A Realidade, a Verdade desta Realização Divina é algo presente. Tudo que nós precisamos consiste nesta constatação desta Realidade. É a constatação desta Realidade a Verdade desse Despertar. Isso requer um trabalho nessa direção e não uma busca. Um trabalho nessa direção é possível, porque aqui nós temos uma direção para esse trabalho. Veja que coisa interessante, nós não temos uma direção para a busca. A direção para a busca significaria saber o lugar onde aquilo, provavelmente, está perdido. Nós não temos essa direção para a busca, porque não temos o endereço da Iluminação ou onde, supostamente, aquilo pode ser encontrado, mas nós temos uma direção para o trabalho, e a direção para o trabalho consiste em uma aproximação de si mesmo. É a compreensão desse movimento interno em nós mesmos, que é o movimento dessa consciência que nós conhecemos, que é a consciência do "eu". Uma consciência que tem nela esse movimento, que é o movimento do pensamento. É exatamente esse movimento do pensamento em nós, não compreendido, não esclarecido, não liberado, que nos impede desta visão, que é a visão da Realidade que já está aqui, que é a Realidade Divina.

Aqui o nosso trabalho, juntos, consiste em termos, da vida, uma aproximação real, compreendendo aquilo que se passa dentro de nós mesmos. Essa é a direção para o Despertar, para a Iluminação. Sem isso, continuaremos nesta assim chamada "busca" ou "procura", nessa ilusão de algum dia encontrar. Esse é um outro elemento ilusório dentro desse contexto de busca: é a ideia de que um dia isso será encontrado. Ou seja, temos presente a ilusão do tempo, a ilusão que o pensamento tem sustentado nessa ideia desse futuro psicológico, desse amanhã psicológico. Isso não é real! Não existe tal coisa como o futuro psicológico, como o amanhã psicológico. Investigar tudo isso requer um trabalho em nós mesmos, neste instante, para essa Compreensão, para esta Revelação, para esta Ciência que é a Ciência de Deus. Portanto, o trabalho é uma coisa fundamental, a busca é um adiamento, é um afastamento, na verdade, desta real aproximação. É o trabalho que se faz necessário e não a busca, e não essa procura, uma vez que, repito, essa busca e procura está dentro desse modelo do pensamento, e o pensamento não lida com a realidade. O pensamento lida com a ideia, com a imagem, com a crença, enquanto que o trabalho lida com a realidade.

Aprender a tomar ciência de suas reações, descobrir como se processa em você essa condição de pensamento, sentimento, emoção, modo de perceber a vida, perceber a si mesmo, perceber o outro, tudo isso está dentro desse contexto de um trabalho direto para o florescer do seu Ser, para o Despertar Espiritual. É isso que estamos juntos, aqui, investigando com você, aprofundando e explorando, trabalhando juntos. E aí você pergunta: "O que faço?" A única coisa aqui é se voltar para esse estudo de si mesmo, é para investigar. A única coisa consiste em descobrir como olhar para aquilo que se passa com você. Estudar a si mesmo, investigar suas reações, não é viver nesse movimento de procura, através de práticas assim chamadas "espirituais", leitura de livros, de ouvir falas, palestras. nada disso resolve. É necessário descobrir como olhar para si mesmo, como tomar ciência desse movimento presente em você que vem do passado, que é o movimento do pensamento, assim como dos sentimentos, das emoções. É isso que abre a porta para uma aproximação da Meditação. A Meditação é esta Ciência que revela a Verdade do seu Ser, que revela a Verdade Divina.

GC: Mestre, nós temos uma outra pergunta de uma inscrita no canal. A Gilmara faz o seguinte comentário perguntando: "Mestre, como parar a busca? É só viver?"

MG: Aqui você pergunta como parar a busca e viver. Repare, aquilo que você chama de "viver", o que é que você entende, realmente, por viver? Aquilo que, em geral, nós entendemos por "vida" ou "viver", é vida em desordem, é esse viver em confusão. Esse viver na mente, esse viver na ignorância, é a vida em sofrimento. Portanto, aqui não se trata de parar de buscar e viver, aqui se trata de tomar ciência de um trabalho direto em si mesmo, para o fim da ilusão desse assim chamado "viver" no "eu", desse assim chamado "viver" da pessoa. Então, não se trata de parar de buscar, se trata de investigar a natureza desse elemento da busca, esse elemento na busca, esse elemento que está envolvido nesse buscar. Portanto, se trata de um trabalho direto para o fim do "eu". Apenas quando fica clara a Verdade do seu Ser, Aquilo que está presente fora do ego, fora desse sentido de pessoa, é que temos a beleza da vida como ela acontece. Não se trata de alguém no viver, se trata da vida livre do "eu", livre do ego. Em geral, as pessoas vivem conformadas a essa psicológica condição de egoidentidade, e elas não buscam nada. Viver conformado a esta condição e não buscar nada é se manter na mesma condição de ignorância.

Então, vamos compreender isso com clareza, aqui. Aqui, de fato, não se trata de uma busca, mas se trata de um trabalho. Enquanto você, nesse sentido do "eu", estiver se conformando a esta condição de vida, como no ego nós conhecemos, essa condição de vida sem investigação, sem uma aproximação de si mesmo, sem um trabalho direto em si mesmo, tudo continuará da mesma forma. Nós precisamos tomar ciência da necessidade de um trabalho direto nesta direção para, nesta vida, a presença desse Real Despertar florescer.

GC: Gratidão, Mestre. Chegamos ao final de mais este videocast. E, para você que está acompanhando o videocast até o final e tem esse desejo real e sincero em vivenciar essas verdades, fica o convite para participar dos encontros que o Mestre Gualberto proporciona. São encontros intensivos de final de semana, existem no formato on-line, presenciais e inclusive retiros de vários dias. Nesses encontros, além do Mestre Gualberto responder diretamente às nossas perguntas, Ele, por já viver nesse Estado Desperto de Consciência, compartilha um campo de energia que nos ajuda demais nessa compreensão do que está além do entendimento humano. Então, fica o convite. No primeiro comentário fixado tem o link do WhatsApp para poder participar desses encontros. Aproveita e já dá o like no vídeo, se inscreve no canal e Mestre, mais uma vez, gratidão pelo videocast.

Fevereiro de 2025
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quinta-feira, 12 de junho de 2025

Joel Goldsmith | O Trovejar do Silêncio | A mente condicionada e a mente livre | Marcos Gualberto

GC: Olá, pessoal! Estamos aqui para mais um videocast. Novamente, o Mestre Gualberto aqui conosco. Gratidão, Mestre, pela presença. Hoje eu vou ler um trecho de um livro do Joel Goldsmith chamado "O Trovejar do Silêncio". Em um trecho desse livro, Mestre, o Joel faz o seguinte comentário: "Ao conhecer a Verdade, essa Verdade o libertará de todas as condições da mente carnal, ou seja, de todas as situações ou circunstâncias condicionadas por bem e por mal". Bom, Mestre, nesse trecho, o Joel comenta sobre a mente carnal, sobre a mente humana. O Mestre pode compartilhar a sua visão sobre o que é a mente condicionada e o que é uma mente livre?

MG: Uma resposta real sobre isso requer, de cada um de nós, um olhar direto para aquilo que se passa dentro de cada um de nós. Observe que a nossa forma de responder a este momento presente, quando somos solicitados, é, invariavelmente, sempre a partir do pensamento. E esse modelo de pensamento que temos para a resposta para a vida, neste momento, é o modelo de um pensamento que vem do passado, que é o resultado de experiências pelas quais nós passamos. Nós temos uma forma de atender à vida a partir da memória, a partir dessas lembranças. Essas recordações, lembranças, memórias são experiências guardadas em nós na forma do pensamento. O ponto é que atender à vida neste momento, atender de uma forma completa, de uma forma verdadeira, real, requer a presença de uma visão daquilo que se faz realmente importante e necessário aqui neste instante, e o pensamento não faz isso. O pensamento vem com uma resposta pronta, com uma resposta que vem do passado, que vem da memória.

Assim, nós estamos respondendo ao momento presente a partir do passado, e respondemos em razão de que a mente, como ela está acontecendo neste instante, está programada para responder. Essa programação é o condicionamento.

Nós vivemos dentro de um padrão de condicionamento mental, psicológico. Nós temos um modo de nos assentarmos, nós temos um modo de comer, nós temos um modo de caminhar. Cada pessoa caminha de uma forma diferente. À mesa, ela se comporta de uma forma típica, característica. Isso tem a ver com o nosso condicionamento do corpo, com a forma como lidamos com as experiências do momento, da vida como está acontecendo. Nesse nível, esse condicionamento físico desse corpo é razoável, mas como seres humanos, nós estamos vivendo uma vida conflituosa, aflitiva, carregada, pesada, cheia de problema, de diversos tipos, em razão de uma outra qualidade de condicionamento, totalmente disfuncional e desnecessária, que é esse condicionamento da mente, que é esse condicionamento psicológico. A forma como você lida com o marido, com a esposa, com a família, a forma como você lida com você mesmo, isso está causando estresse, está causando divisão, está causando confusão. E esse comportamento, em nós, está nascendo do pensamento, dessas posturas mentais.

Assim como nós temos repertórios físicos, nós temos repertórios mentais. Nós estamos constantemente atendendo à vida a partir dessas posturas, dessas posturas mentais. Nós não sabemos lidar com o momento presente, porque não sabemos lidar com nós mesmos. A confusão externa é apenas uma extensão exteriorizada dessa interna confusão, que está dentro de cada um de nós em razão da presença desse caótico movimento, que é o movimento do pensamento. Nós estamos vivendo no passado ou no futuro. Essa é a forma da pessoa, essa é a forma do "eu". Esse sentido de personalidade presente é em razão dessa forma de consciência, que reconhecemos presente em cada um de nós. Isso está acontecendo dessa forma porque a mente não é livre.

Você pergunta: "O que é a mente livre?" É a mente que não está mais presa a esse padrão. Como podemos, na vida, assumir a Verdade d'Aquilo que somos, além desse modelo de ser que apresentamos, de modelo de pessoa, de personalidade, de consciência que expressamos em nossas relações, enquanto continuarmos presos dentro desse padrão do pensamento, enquanto estivermos presos dentro desse modelo, que é o modelo dessa cultura, que é o modelo dessa sociedade, que é o modelo desse mundo? Nós precisamos ir além desse condicionamento para assumirmos a Verdade de Deus. A Verdade de Deus é a Verdade do seu Ser, de sua Natureza Essencial, de sua Natureza Divina. Esse encontro com a Realidade requer o descarte da verdade que expressamos neste instante. Nós temos duas coisas aqui: nós temos a verdade que expressamos, o que expressamos ser, o que demonstramos ser, o que parecemos ser, e há uma Realidade presente, além de tudo isso. Essa Realidade só tem espaço quando a mente silencia, quando ela se aquieta, quando ela passa por uma profunda e radical mudança, quando nos despimos completamente dessa condição de consciência egoica, de mente condicionada. É por isso que é fundamental conhecer a nós mesmos, conhecer aquilo que se passa conosco. É esse conhecimento de nós mesmos, é essa visão da verdade que expressamos, é a ciência disso que traz o descarte dessa condição para o surgimento da Realidade. Qualquer ideia ou crença sobre o que nós somos ainda é parte do velho pensamento, ainda é parte dessa programação, ainda é parte desse condicionamento.

Nós estamos sempre respondendo a partir da memória. Assim, estão presentes expressões da verdade desse "eu", desse ego, o tempo todo. Quando você se sente magoado, com raiva, triste, aborrecido, ansioso, preocupado, deprimido. esses aqui são só alguns dos inúmeros estados que nós conhecemos, que são estados egoicos, estados dessa consciência, que é a consciência do "eu". Nossos apegos, ciúmes, invejas. todo esse tipo de coisa representa estados internos psicológicos de condicionamento. É a forma como a verdade do "eu", do ego, se expressa. Haverá uma Realidade, como aqui estamos colocando? Sim, nós temos colocado, investigado isso, aprofundado isso aqui, com você, mas eu volto a dizer: a ideia, a crença, o conceito sobre isso não resolve. O que nos aproxima dessa Real Visão é a ciência da Meditação. Essa ciência da Meditação requer a compreensão do Autoconhecimento. Não há separação entre Autoconhecimento e aproximação da Verdade sobre a Meditação.

Nós temos aqui, no canal, uma playlist: "A Real Meditação na Prática" e "A Verdade do Autoconhecimento". Há uma outra playlist: "Como aprender sobre o Autoconhecimento?" É quando nos aproximamos de nós mesmos, é quando olhamos para aquilo que esse "eu" representa, esse modelo de pensamento expressa, que começamos a nos dar conta da realidade dessa mente condicionada, porque a mente se aquieta e esse modelo de condicionamento é visto. O que chamamos de mente condicionada é apenas esse modelo como a mente está funcionando, como esse condicionamento está se processando, em razão do pensamento, do sentimento, da emoção. O fim para essa condição é o início, é o surgimento, é o aparecimento de algo indescritível, de algo inominável, que é a Realidade Divina. Essa é a verdade da aproximação de uma mente livre, livre do "eu", livre do ego, livre desse condicionamento.

GC: Mestre, nós temos uma pergunta de um inscrito aqui no canal. A Tatiana faz o seguinte comentário e pergunta: "Não quero mais nada. Como é que eu solto esse saco de pensamentos?"

MG: Soltar esse "saco de pensamentos" requer a compreensão desse movimento de condicionamento. O nosso problema não são os pensamentos; nós precisamos do pensamento de uma forma prática, para assuntos práticos na vida. O seu nome é um pensamento. O seu endereço é um pensamento. O seu conhecimento profissional está presente em razão do pensamento. Assim, nesse nível, o pensamento é importante e se faz necessário.

O problema surge quando o velho modelo de pensamento está se processando de uma forma condicionada, nessa mente condicionada, nesse cérebro condicionado, nesse intelecto condicionado. Esse modelo de pensamento é o pensamento que dá formação a esse sentido do "eu", a esse sentido egoico. Então, o descarte desse modelo, que é o modelo do pensamento condicionado. é desse modelo de pensamento que precisamos nos livrar.

Essa forma de pensamento eu tenho chamado de "pensamento psicológico". É a memória psicológica do "eu", é o padrão de pensamento, que é conhecimento, experiência, memória, que dá estrutura ao sentido de uma egoidentidade.

Assim, se livrar do pensamento é se livrar do pensador, desse experimentador. É se livrar dessa estrutura, que é a estrutura dessa egoidentidade, algo que está sempre se repetindo. Todas as experiências pelas quais nós passamos, o pensamento registra em seu velho formato de memória, e esse sentido de um pensador por detrás do pensamento está mantendo sua continuidade. Essa é a história do "eu", é a história do ego.

É a aproximação desse olhar para as nossas reações, é o descobrimento da verdade sobre como o pensamento em nós se processa, que nos dá uma clara visão da verdade sobre isso, para o fim do pensamento. Podemos ter uma mente livre, um cérebro livre, um intelecto livre? Podemos viver a vida livres do passado, respondendo a este momento sem as imagens, crenças, conclusões, opiniões, ideias que vêm do passado? É o que estamos trabalhando aqui com você.

Participar desses encontros on-line nos finais de semana é fundamental! Encontros presenciais, retiros... tudo isso é parte desse real trabalho que se faz necessário nesta vida, para o fim dessa psicológica condição.

GC: Mestre, nós temos outra pergunta de uma outra inscrita aqui no canal. A Idalina faz o seguinte comentário e pergunta: "Parabéns, amei! Sou dessas, sofro há anos por excesso de pensamentos. Não consigo mudar, sou muita emoção. Como mudar?"

MG: Sim, Gilson, essa mudança é fundamental! Ou estaremos sempre dando continuidade a esse modelo de pensamento. esse modelo de pensamento, esse velho modelo de pensamento, essa condição de pensamento, que carrega sensação, sentimento, emoção, toda essa história do passado, esse velho padrão de inveja, ciúme, controle, posse, medo, raiva, preocupações. Tudo isso é a presença do sofrimento. Essa é a condição desse sentido do "eu", desse sentido egoico.

A presença do sofrimento nos causa um impacto de alerta. Observe que, quando tudo está bem ou tudo anda bem, você não tem nenhum alerta. Quando algo complica, dificulta, e alguma forma de sofrimento chega, aí acende o alerta de que algo não anda bem.

O ser humano vive os seus dias totalmente inconsciente. O seu modelo de pensamento inquieto, tagarela, repetitivo, continuado, carregado de crenças, conceitos, preconceitos, tudo isso passa por nós de uma forma desapercebida. Nós estamos, em geral, inscientes de todo esse processo de consciência egoica, de consciência do "eu", de mente inquieta. Mas, quando uma situação surge e o sofrimento bate, nesse momento nós nos damos conta, e, nesse momento, nós nos perguntamos: "Será que existe algo além de tudo isso? Além dessa condição de sofrimento em que eu me encontro?" Porque, quando tudo está bem, você não se pergunta; mas, quando você percebe que já não tem mais o controle e que o sofrimento está presente, e todos os velhos expedientes de fuga não estão funcionando mais, você se dá conta de que precisa descobrir algo além de tudo isso.

A vida está constantemente nos desafiando. Os gatilhos, os desafios, as propostas, o que ocorre neste instante, é algo que sempre se mostra como oportunidade para darmos uma resposta para a vida. Se ela é inadequada, o sofrimento está presente; se ela entra em linha com a vida, algo novo está presente.

Nós desconhecemos a Verdade sobre a Vida, desconhecemos a Verdade sobre nós mesmos. Quando você diz: "Sofro há anos por excesso de pensamentos" - compreender a Verdade sobre si mesmo é ir além dos pensamentos, é ir além dessa velha condição de identidade do "eu", onde o sofrimento está presente.

O pensamento é algo prático, é algo funcional. Num certo nível, ele se faz necessário - como acabamos de colocar aqui em uma dessas respostas -, mas, ao nível psicológico, toda essa ocupação com pensamentos, todo esse padrão de comportamento, onde há toda essa inquietude interna, onde está se repetindo constantemente a ilusão de alguém aqui, que veio do passado, está aqui agora e caminhando para o futuro. O pensamento se processa assim, é assim que ele acontece dentro de cada um de nós.

Insatisfeitos com o momento presente, essa forma de pensamento, esse padrão de pensamento, está correndo veloz dentro de cada um de nós, se projetando na imaginação de um futuro onde ele será feliz. Assim, o pensamento cria uma identidade, que é o "eu". A sensação que você tem é de ser alguém que veio do passado, está aqui no momento presente e caminhando para o futuro, e que precisa ser feliz no futuro.

É assim que o pensamento se processa dentro de cada um de nós. Ele vive dentro dessa inquietude, gerando esse estresse, essa ansiedade. Ele está sempre nessa agitação, e essa forma como o pensamento se processa, a partir dessa ilusória identidade - que é o pensador - , em razão dessa separação entre o pensamento e o pensador, está sempre estabelecida essa ilusão de tempo, para alcançar a felicidade um dia, alcançar a paz um dia, a liberdade um dia, enquanto que o sofrimento está presente para esse pensador neste momento, essa inquietude, esse vazio existencial, essa ausência de Paz, de Liberdade, de Felicidade. Isso jamais será realizado pelo pensamento, porque é exatamente a presença do pensamento que está favorecendo essa psicológica condição de sofrimento mental, de sofrimento psíquico.

Qual será a verdade sobre a vida? Qual será a verdade sobre esse "mim"? Quem sou "eu"? Nós temos colocado aqui, diversas vezes, para vocês, que há uma Realidade presente. Essa Realidade não é a verdade do que você é, nisso que você apresenta ser, nisso que você demonstra ser. Essa é a verdade do "eu", essa é a verdade da pessoa, enquanto que há uma Realidade aqui, e essa Realidade está além do pensamento, além do sentimento, da emoção, além desse formato de ser alguém. Essa Realidade é a Realidade do seu Ser, é a Realidade Divina. A presença dessa Realidade é a presença da Felicidade, do Amor, da Liberdade. A não ser que realizemos, nesta vida, esse Silêncio, essa Compreensão de nós mesmos, da Verdade sobre essa mente livre do passado, de todo esse velho movimento do pensamento, jamais teremos Real Ciência de Deus.

Aqui, a Ciência da Verdade sobre Deus é a Visão da Realidade do seu Ser. Existem dois elementos presentes que são parte dessa Visão da Realidade: a presença do Autoconhecimento e a presença da Meditação. A base para a Ciência do seu Ser é o Autoconhecimento, e essa Ciência do seu Ser se revela quando esse Estado Divino, esse Estado de Deus, esse Estado Natural desse Ser, que é o seu Ser, se revela. Essa é a Presença da Meditação. Não é alguém na prática da meditação, é a Verdade da Meditação que se revela naturalmente, sem qualquer esforço, quando colocamos Atenção sobre tudo aquilo que se passa conosco neste instante, neste momento. Esse estudar a si mesmo é o fim para essa psicológica condição de inquietude mental, de movimento inconsciente de pensamentos e, portanto, esse é o fim do sofrimento.

GC: Gratidão, Mestre, já fechou o nosso tempo. Gratidão por mais este videocast.

E, para você que está acompanhando o videocast até o final e realmente quer se aprofundar nesses ensinamentos, ter uma compreensão real disso que o Mestre Gualberto está compartilhando, fica o convite para participar dos encontros on-line de final de semana que o Mestre Gualberto proporciona. Existem no formato on-line, presenciais e também retiros. Nesses encontros, o Mestre responde diretamente às nossas perguntas e, muito mais do que isso: por o Mestre já viver nesse Estado Desperto de Consciência, ele compartilha um Estado de Presença com um Poder e uma Graça que, apenas ao estarmos na sua presença, a gente acaba entrando de carona nesse campo desse Poder de Presença. E com isso, naturalmente, a gente entra no estado meditativo, nós silenciamos nossas mentes. Então, é uma grande oportunidade e uma verdadeira graça ter acesso a um Acordado que compartilha esse Estado de Presença. Então, fica o convite.

No primeiro comentário, fixado, tem o link do WhatsApp para poder participar desses encontros. Além disso, já dá o "like" no vídeo, se inscreve no canal, já faz comentários trazendo mais perguntas para a gente trazer para os próximos videocasts.

E, Mestre, mais uma vez, gratidão pelo videocast.

Abril de 2025
Gravatá-PE
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terça-feira, 10 de junho de 2025

Mente condicionada | Aprender sobre o Autoconhecimento | Importância do Autoconhecimento | Advaita

Aqui com você nós estamos investigando todos esses aspectos ligados a essa Verdade da Revelação Divina, dessa Revelação de Deus. E há um assunto aqui que a gente precisa se aproximar e olhar para ele: é essa questão da experiência, dessa procura, dessa busca, dessa intenção de se obter ou realizar experiências para termos um encontro com a Verdade Divina.

Então, uma das coisas aqui, um dos assuntos para ser investigado é essa questão ou essa coisa chamada experiência. Por que valorizamos tanto isso? Qual será a verdade por detrás dessa, assim chamada, experiência? Aqui com você nós estamos tendo uma aproximação da Verdade que revela Deus. E qual é a Verdade que revela Deus? A Verdade não é a experiência; a Verdade que revela Deus é a ciência do Autoconhecimento.

Reparem a diferença entre aprender sobre o Autoconhecimento, que é o que nós tratamos aqui no canal com você - e aqui nos referimos à Verdade sobre o Autoconhecimento! Alguns chamam autoconhecimento essa aproximação da introspecção, da autoanálise, da observação de si mesmo para mudar alguma coisa, para alterar alguma coisa, para, como pessoa, passar por uma mudança, por uma transformação, tendo por princípio essa transformação ou mudança em um desejo, em uma vontade de mudar, em se tornar uma pessoa melhor ou uma pessoa que se ajuste melhor aos seus propósitos, aos seus ideais, aos seus desejos de vida.

Assim, a pessoa, para melhorar, se ajusta a um modelo de auto aperfeiçoamento pessoal, em razão de um desejo, por exemplo, conseguir uma promoção no trabalho ou conseguir um certo resultado a nível de relacionamento com alguém. Então, ela quer melhorar, ela quer abandonar algumas coisas nela que percebe que são ruins, que não são boas, desfavoráveis nessa ligação com o outro, nesse relacionamento com ele ou ela. Então, a nível de melhora, aprimoramento, em um propósito também de autointeresse, para se obter resultados pessoais e, naturalmente, egocêntricos, o ser humano busca melhorar, e essa melhora é esse autoaperfeiçoamento por essa coisa assim chamada autoconhecimento. Não é disso que tratamos aqui com você.

Aqui a palavra "Autoconhecimento" se refere a esse encontro consigo mesmo, apenas um encontro consigo mesmo. Saber o que é olhar suas reações é, de fato, saber não interferir com elas, é apenas se dar conta delas, então algo acontece quando isso está presente. Nós não sabemos nada sobre isso. Todo o nosso treinamento, toda a nossa formação é para se obter, realizar, conquistar, mudar ou alterar as coisas, claro, com uma finalidade e a finalidade é pessoal, a finalidade é do próprio "eu", desse "mim", desse próprio ego.

Aqui a nossa aproximação, quando usamos a expressão "Autoconhecimento", é para a investigação e clareza a respeito da ciência do "eu", da ciência do "ego", para o fim dessa entidade que se separa da vida, que se separa do outro e que, portanto, não tem nada para obter, nada para conseguir, nada para ganhar, uma vez que essa "pessoa", esse "eu", esse ego, não é outra coisa a não ser um conjunto de reações que estão presentes aqui, nessa figura assim chamada humana, que não é outra coisa a não ser um condicionamento, uma vez que esse "eu", esse ego, esse sentido de "pessoa" não é outra coisa a não ser uma formação de pensamentos, emoções, sentimentos, sensações, percepções condicionadas. Veja o que estamos com você, aqui, investigando.

Nós estamos investigando a verdade para o fim desse condicionamento, que é o condicionamento da mente; a mente, constituída de emoções, pensamentos, sensações, percepções, temos presente o próprio cérebro e como ele processa tudo isso, tudo isso faz parte desse condicionamento da mente, dessa assim chamada mente em nós. Aqui nós estamos estudando com você essa questão do "eu", esse estudo de nós mesmos para o descarte desse condicionamento, que é o condicionamento da mente, que é o condicionamento mental. É isso que aqui nós chamamos de Autoconhecimento.

Agora nós podemos tocar na própria questão da experiência. E o que a experiência tem a ver com essa questão? Veja, em geral, as pessoas pensam na experiência como algo que elas precisam obter para ter uma visão da Verdade Divina, da Verdade de Deus, da Verdade do seu Ser. Assim, aqui, quando abordamos com você essa questão do Despertar Espiritual ou Iluminação Espiritual, nós estamos investigando que a base que traz essa Revelação não é a experiência, volto a dizer, e sim uma aproximação de si mesmo para investigar a natureza desse "eu"; e a natureza desse "eu" tem por estrutura e natureza o condicionamento, e esse condicionamento mental não é outra coisa a não ser a experiência, e essa experiência é a experiência que esse "eu" tem sustentado ao longo de sua continuidade.

Assim, o que nós podemos ter por experiências são condicionamentos. Nós não podemos ter, pela experiência, a ciência da Revelação de Deus; nós podemos ter na experiência a continuidade desse elemento que se situa na experiência como sendo aquele que viveu aquilo. Esse elemento é essa identidade, esse elemento é o próprio "eu". Quando você passa por situações, elas são lembradas, elas são guardadas. Guardar situações requer a lembrança, requer a informação adquirida, a situação recordada. Essa situação é a memória. Portanto, essa memória, essa recordação, essa lembrança é a experiência.

Quando aqui você tem uma lembrança, você tem uma experiência guardada. Se ontem, por exemplo, eu disse algo para você e, nesse momento aqui você pode se lembrar disso que eu lhe disse ontem, o que você tem de ontem, aqui, agora, nesse momento, é uma lembrança, é uma recordação, é uma experiência. Essa experiência coloca a ilusão de uma identidade aqui, que é o "eu", se lembrando. Portanto, repare, qual é a verdade da experiência? A experiência é a lembrança que sustenta o experimentador, que é o "eu", aquele que passou por aquela experiência e guardou essa lembrança e está aqui, agora, falando dela.

Então, o que é que a experiência traz para cada um de nós? Mais conhecimento, mais memória, mais do passado. Então, o que podemos adquirir com experiências? Conhecimento, lembranças, o passado. Isso dá formação ao "eu", a esse "mim", a esse ego. Assim, repare, nós não podemos entrar num contato direto com a Verdade sobre Deus a partir do passado, uma vez que a Realidade sobre Deus é que se essa Realidade está presente, Ela não tem nenhuma referência de passado nela. Se essa Realidade, que a Verdade Divina está presente, Ela se revela nesse instante, e nesse instante não existe nada do passado que possa compreender ou apreender o significado disso.

Nós não estamos lidando, repare, com algo que está no tempo, que faz parte desse tempo como nós conhecemos, que é passado, presente e futuro. Nós estamos lidando com algo que é indescritível, inominável, que é essa Realidade que está presente. Como Ela não tem nenhum retrato guardado, nenhuma representação dela, jamais foi vista, jamais será vista, não é possível que um elemento que venha do passado, que é o experimentador, tenha qualquer registro dela.

Todo conceito, imagem ou ideia que você tem sobre a Verdade, sobre Deus, o que você tem sobre isso é ainda parte do pensamento, é uma fotografia do pensamento; e o pensamento é um elemento presente em você de memória. Todo pensamento é memória. Todo pensamento é algo que vem do passado. Assim, você não tem um retrato da Realidade, um retrato de Deus, portanto, você não pode ter uma experiência de Deus, porque quem é esse elemento que irá ter essa experiência? Esse elemento é o "eu" e essa experiência é só a memória, e essa memória é o pensamento. Portanto, a experiência é a memória, que é o pensamento, e esse "eu" é a ideia desse experimentador com essa lembrança.

Então, perceba com clareza isso: a Realidade de Deus pode ser constatada, mas não pode ser experimentada, Ela pode ser constatada, mas não existe um elemento para constatá-la. Assim, só podemos ter uma aproximação da Verdade de Deus quando há o descarte exatamente da experiência, do experimentador, do pensamento e desse "eu". Assim, a verdade de uma aproximação do Autoconhecimento é a ciência da ausência do "eu", da ausência da experiência, da ausência do experimentador, da ausência do passado.

Quando isso termina, nós temos o fim dessa mente condicionada, uma vez que essa mente condicionada é a própria presença desse condicionamento, e esse condicionamento não é outra coisa a não ser o próprio pensamento que quando aparece faz uso desse pronome, que é o pronome do "eu", com essa ideia desse "meu" ou dessa "minha". A "minha" experiência, como as "minhas" coisas, as "minhas" lembranças, o "meu" propósito, a "minha" casa, o "meu" carro, o "meu" nome, a "minha" história. Então, quando surge esse pronome "eu", temos presente essa mente condicionada com essa ideia de ter coisas, de possuir coisas, de ter adquirido coisas. Essas coisas são materiais, são intelectuais, são físicas, são mentais e, na realidade, tudo isso ainda está dentro do âmbito da dimensão do pensamento.

Quando uso o pronome "eu" e surge esse "meu" ou "minha" - o "meu" carro, a "minha" casa, a "minha" família, o "meu" nome, a "minha" história, a "minha" alegria -, nós trazemos essa ideia, trazemos esse modelo de crença, esse modelo de pensamento, esse modelo de experiência para esse experimentador. Portanto, qual é a verdade sobre essa Ciência Divina, sobre essa Ciência de Deus? A verdade sobre isso requer a presença desse aprender sobre nós mesmos, descobrir o que é esse sentido do "eu" com essa ideia de "meu", de "minha". Nós carregamos conosco esse "meu" e esse "eu". Isso está dentro dessa forma de programa de mente estruturada no conhecimento e na experiência. É o conhecimento e a experiência que nos traz esse condicionamento, que nos dá esse condicionamento, que nos traz esse sentido do "eu".

Olhar para aquilo que se passa aqui e agora - e tudo que temos aqui e agora é a vida como ela acontece, sem o passado. Quando o pensamento surge, ele surge nesse momento para interpretar, para avaliar, para aceitar e rejeitar a vida como ela acontece, nesse momento. E nós só fazemos isso tendo por princípio essa experiência, esse experimentador. Em você, o elemento que gosta ou não gosta, que quer ou não quer, que aceita ou rejeita, que carrega esse sentimento de prazer e de dor, veja, do ponto de vista psicológico, esse elemento presente em cada um de nós não é outra coisa a não ser o experimentador.

Portanto, tudo que o experimentador pode assumir é algo que ele viveu e registrou a partir do passado. Assim, todo o encontro que ele tem com o momento presente é a partir do seu fundo de memória, de lembrança, de recordação. Assim, esse elemento, que é o "eu", que vive de experiências, sendo ele o experimentador, não pode ter um encontro com a Realidade, tudo que ele pode, a partir da experiência, é manter a continuidade dele, sempre interpretando, avaliando novas situações a partir desse seu fundo de experiência passada. Tudo que podemos fazer como experimentador, notem isso, é manter a continuidade do "eu".

O experimentador, repito, não pode ter uma experiência fora do âmbito do conhecido, e a Realidade Divina não está no conhecido; estamos lidando com algo que está fora do tempo, que está fora da mente, que está fora do pensamento. Essa é a importância do Autoconhecimento, uma vez que esse Autoconhecimento descaracteriza o sentido de uma identidade presente nesse instante, uma vez que essa aproximação desse olhar novo para esse instante põe fim a essa identidade que se coloca sempre mantendo essa continuidade da experiência, sempre se baseando naquilo que viveu no passado.

Portanto, a beleza da importância do Autoconhecimento, desse encontro com esse novo aprender sobre nós mesmos, é que olhar para esse momento, sem colocar o experimentador, sem colocar esse "eu", sem colocar esse elemento que vem do passado para, nesse momento, avaliar esse instante a partir do seu fundo, nós temos nesse momento um contato com a vida nesse instante, nesse momento, sem o "eu", sem o experimentador.

Quando, por exemplo, você tem um pensamento, é só uma lembrança que surge aqui, nesse instante, algo que vem do passado, mas quando você coloca nesse pensamento uma identidade que desliza com o pensamento ou desliza para o futuro ou para o passado - para o passado tendo memórias, lembranças, para o futuro tendo imaginações, ideias e projetos -, quando essa identidade surge, uma vez que o pensamento apareceu, nós temos a continuidade do "eu", desse experimentador. E aqui nós estamos lhe convidando à ciência da verdade desse momento, onde não existe o tempo, onde não existe esse passado e esse futuro.

Portanto, aprender a olhar para esse momento sem colocar esse elemento presente, nesse instante estamos diante dessa Atenção, dessa percepção, desse olhar novo, desse perceber sem o percebedor, desse se dar conta sem esse elemento, que é o "eu", envolvido nisso; é quando nesse instante temos a Revelação da ciência deste Ser. Esta revelação é a própria ciência de Deus. Perceba isso aqui com clareza.

A Realidade d'Aquilo que é Você não é a "pessoa", não é o "eu", não é o experimentador. A Realidade d'Aquilo que é Você é esse perceber, é esse se dar conta, é esse olhar sem o passado. A clareza disso é a Verdade de que está presente a Vida, sendo a Vida a própria Realidade Divina; essa Realidade é a Realidade de Deus. Então, quando a mente silencia, quando o cérebro se aquieta, em razão da ausência desse "eu", desse experimentador, desse elemento que vem do passado para julgar, comparar, avaliar, gostar ou não gostar, aceitar ou rejeitar aquilo que está aqui, nesse instante, quando esse elemento não está, nós temos a presença da não separação; é quando, nesse momento, o seu contato com ele ou ela não é o contato de alguém com ele ou ela, é o próprio contato da Vida com a Vida, porque nesse momento não existe o outro; ele ou ela é Você em sua Natureza Real, é Você em seu Ser.

Podemos descobrir o que é olhar para a vida sem o passado e, portanto, sem o experimentador, sem o "eu"? Então, esse contato com o momento é o contato que revela Aquilo que está fora do pensamento e, portanto, fora do passado, da experiência, do experimentador, estamos diante da própria Vida. Quando as pessoas perguntam o que é a Advaita - nós temos aqui no canal uma playlist sobre esse assunto. Advaita é a não separação, é olhar sem o observador, é escutar sem esse elemento aqui no escutar, que é o ouvinte, que é o "eu", é perceber sem o percebedor, é um contato com a Realidade sem o passado. Veja, isso não é uma experiência, isso é a ciência do puro Ser, do puro experimentar, do puro viver, da pura Vida Divina. É isso que eu tenho chamado de Real Consciência, essa é a verdade da Advaita.

Advaita é uma expressão indiana para a não separação, para a não dualidade. Então, o que é que revela a Realidade de Deus? A ciência deste Ser, e isso é Advaita, isso é a presença da pura Meditação, do seu Natural Estado de Ser, livre do "eu", livre do ego. É isso que estamos trabalhando aqui com você, lhe dizendo que nesta vida, sim, isso é possível. São dois dias juntos. Você tem aqui na descrição do vídeo o nosso link do WhatsApp para participar desses encontros online nos finais de semana. Fora esses encontros, nós temos encontros presenciais e, também, retiros. Se isso que você acaba de ouvir lhe toca em algum nível, esse é o nível do seu próprio Ser. Fica aqui um convite. Já deixe aqui o seu like e se inscreva no canal, ok? E a gente se vê. Valeu pelo encontro e até a próxima!

Fevereiro de 2025
Gravatá-PE
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