GC: Olá, pessoal! Estamos aqui para mais um videocast. Novamente, o Mestre Gualberto aqui conosco. Gratidão, Mestre, por mais este encontro.
Hoje eu vou ler um trecho de um livro do Joel Goldsmith chamado Viver Pela Palavra. Num trecho desse livro, Mestre, o Joel faz o seguinte comentário: "A Meditação tem por objetivo admitir a luz que é Deus". Sobre esse assunto da meditação, o Mestre pode compartilhar a sua visão sobre o que é a Real Meditação, na prática?
MG: Gilson, essa ciência da Meditação é algo do qual temos que nos aproximar de uma forma muito real. De outra maneira, ficaremos perdidos dentro de algo que nos é ensinado, ou passado para nós, de uma forma técnica, de uma forma mecânica. Tudo aquilo que nos é mostrado dentro de um modelo prefixado, criado, produzido pelo pensamento, todo resultado que você pode obter de algo assim, será um resultado mecânico, será algo dentro, ainda, do campo do conhecido. É isso que nós precisamos compreender. É por isso que nenhuma técnica, de fato, funciona. Isso porque estamos lidando com algo mecânico. Se você obtém, por uma prática, por uma técnica, dessa assim chamada "meditação", o silêncio, a quietude, essa interna quietude, esse interno silêncio, será o resultado mecânico de uma prática. Fora daquela prática, você estará, de novo, inquieto; de novo, fora do silêncio. Assim, quando, em geral, nos é ensinada alguma prática de meditação, nos mostram como silenciar a mente, como aquietar os pensamentos. E, sim, por uma prática você consegue essa quietude, mas é enquanto pratica.
Aqui, com você, nós estamos investigando o que é ter uma aproximação da vida, exatamente como ela acontece, sem nenhuma forma de artificializar isso, como, por exemplo, através de uma técnica, de uma prática. Enquanto você conversa com alguém, é necessário aprender a ter uma aproximação de si mesmo. Essa aproximação é essa Atenção que se deve dar a si próprio, no momento desse contato, dessa relação. É assim que nós temos o fundamento para o Autoconhecimento. E, sem essa base, que é o Autoconhecimento, em qualquer coisa que nós nos envolvermos, estaremos sempre caminhando em paralelo, distante, a essa tão importante questão, que é a compreensão daquilo que se passa conosco. A Verdade da Meditação requer a presença do Autoconhecimento. Sem Autoconhecimento, não existe Meditação. Existe a técnica, a prática que você pode fazer, sem a visão do Autoconhecimento. Então, você procura um lugar, se assenta, coloca uma música suave ou, sem uma música, começa a repetir um mantra e a mente se aquieta. Mas, no seu viver, no seu dia a dia, no trânsito, lidando com o marido, com a esposa, com os filhos, com o chefe, no trabalho, você está, de novo, distante dessa quietude, desse silêncio.
Ali é o lugar do Autoconhecimento, e é com base no Autoconhecimento que, de fato, podemos ter o fundamento da Meditação. Nada nos impede, a todo instante, de estarmos cônscios de nós mesmos. É evidente que, para isso, nós precisamos colocar Atenção em nossas reações neste instante. Então, essa é a forma real de uma aproximação para o Despertar, para a Ciência da Verdade sobre nós mesmos. Então, o Despertar da Consciência requer, neste instante, essa aproximação daquilo que se passa aqui e agora, dentro dessa consciência comum, que é a consciência do "eu". E você não pode realizar isso fora deste instante, fora deste momento. Você pergunta: "O que é Real Meditação?" É o contato com o Autoconhecimento, com suas reações, neste instante. É isso que abre a porta para que a mente se aquiete de uma forma natural, de uma forma simples e direta, uma vez que essa quietude da mente não é algo que você está produzindo, mas é a própria mente se tornando ciente dela própria, ciente de suas reações. Isso requer, naturalmente, a presença do Silêncio. Uma vez que a mente dê ciência a ela mesma, fique cônscia do seu próprio movimento, ela se aquieta, ela silencia para observar. E essa observação, é interessante isso aqui, não é a mente observando os pensamentos. Quando há esse Silêncio, essa Quietude, essa Observação dessa Atenção, é a Pura Observação sem o observador.
Há algo presente nesse contato com esse olhar para nossas reações, onde o sentido do "eu", do observador, desse elemento, que é o pensador, que é o experimentador, não entra. Então, o contato real com a Meditação é a Meditação presente sem o meditador, sem o observador, sem o pensador. Enquanto você dirige o seu carro, enquanto você caminha pela rua, na hora do jantar, na hora do seu almoço, ali na sua ocupação profissional. A todo instante, nós estamos em contato com nós mesmos e com situações à nossa volta, e com pessoas também. Então, nós temos toda a oportunidade de ficarmos cientes dessas reações que surgem de dentro de cada um de nós, neste momento, para dar uma resposta para alguém, para atender a uma dada situação, para lidar com o pensamento que está aqui dentro, com uma lembrança que está surgindo, com o sentimento que está aparecendo. Portanto, a única coisa aqui é observar sem o observador. Qualquer envolvimento que você tenha com essa observação, esse elemento está presente. Isso não é esse observar, é o observar a partir do "eu".
A nossa condição psicológica de consciência já é essa. Nós já estamos constantemente nos envolvendo com pensamentos, com sentimentos, com emoções. Nós já estamos constantemente respondendo a ele ou a ela a partir de conclusões, de crenças e pensamentos que temos sobre ele ou ela. Essa é a forma de atuação do "eu", é a forma de atuação do ego, essa é a nossa consciência egoica, é a nossa consciência comum, mas no momento em que você se torna ciente da reação e não interfere, algo novo surge. Estamos diante do florescer de uma nova visão da vida. É quando, neste instante, a Realidade deste Ser, desta Divina Presença, desta Divina Consciência, está aqui. Não é alguém presente, é essa Realidade presente, assumindo esse espaço nas relações. Então temos, neste momento, a presença da Meditação, no viver, no dia a dia, momento a momento. É isso que estamos encarecendo aqui para você: a importância de um encontro com o Autoconhecimento a partir desta Atenção, desse olhar, desta Plena Atenção sobre suas reações. Então, neste instante, nós temos a presença da Meditação, essa real aproximação desta Ciência que revela Aquilo que está fora da mente, fora do "eu", fora do ego.
Nós temos diversas playlists aprofundando esse assunto aqui no canal: o que é ter uma aproximação direta deste instante sem o pensador, sem o observador, sem o experimentador.
GC: Mestre, nós temos uma pergunta de um inscrito aqui no canal. Ele faz o seguinte comentário e pergunta, o Márcio: "Sim, Mestre, faz sentido o que você diz, mas é confuso para mim. Eu, como um buscador, olhando para dentro de mim, por onde posso começar a praticar a Real Meditação? Qual prática é o início da caminhada? É pela Advaita Vedanta?"
MG: Gilson, essa aproximação, quando você pergunta "onde posso praticar?"... Aqui, neste instante. Essa questão da Vedanta. o que temos na Vedanta são só ali colocações de palavras dos Sábios a respeito dessa Não Separação, dessa Não Dualidade. Essa verdade da aproximação da Não Dualidade requer a presença do Autoconhecimento, e o Autoconhecimento é aqui, neste instante, neste momento. Nós temos encontros onde estamos juntos trazendo clareza sobre esse assunto, esclarecimentos maiores sobre isso, onde temos também a oportunidade de estarmos juntos em Silêncio. Então, esse é o espaço, o espaço da Presença desta Graça.
Se nós estamos em busca de uma facilitação para esse Estado, a melhor companhia é a companhia daqueles que realizaram, é daqueles que estão nessa disposição de compartilhar esse Estado.
É por isso que nós temos enfatizado a importância de Satsang, esses encontros on-line que nós temos nos finais de semana. Você pergunta: "Onde se aproximar? Como se aproximar da Meditação?" Participe dos encontros on-line, dos encontros presenciais, participe dos retiros.
Uma coisa importante aqui, Gilson, é que uma real aproximação disso requer a presença de um elemento maior do que os nossos esforços, maior do que a nossa dedicação, maior do que qualquer empenho. Até porque todo esse empenho, dedicação, esforço, nasce do "eu". A presença da Graça, a Ciência do seu Ser, é algo que se revela pelo próprio Poder Divino, pelo próprio Poder da Graça. Este instante, este momento, é sempre um momento de olhar para essas reações, e um espaço maravilhoso para investigar isso é dentro de Satsang. É no contato com a Presença da própria Graça, é no contato com o próprio Silêncio, que o Silêncio se revela, que a Graça se revela.
É isso que estamos fazendo juntos nessas oportunidades. Agora, quanto ao momento da Meditação, este é o momento. Sempre, a cada instante, você está diante da oportunidade de olhar suas reações. Esse contato com o olhar sem o observador é fundamental. A verdade sobre a Meditação é que apenas um contato direto com essa visão do Autoconhecimento, com essa Atenção, nessa visão do Autoconhecimento, é isso que faz florescer esta Realidade, a Realidade da Meditação, a Real Meditação, de uma forma real, de uma forma prática. Então, temos algo aqui que funciona. Não como algo para acalmar, para aquietar, para desestressar, mas algo que, ao florescer, é o Despertar da Inteligência, é a Realização de Deus.
GC: Mestre, nós temos uma outra pergunta de outro inscrito aqui no canal. O Cleiton faz a seguinte pergunta: "Como faço para ficar atento aos pensamentos e não me embolar com eles?"
MG: Você pergunta como ficar atento e não se embolar com eles? Me parece que você está aqui falando dos pensamentos, mas compreenda aqui uma coisa: essa ciência da Atenção sobre essas reações não é apenas o fim dessa identificação com os pensamentos. Em geral, a nossa ideia. isso é algo equivocado dentro da nossa particular visão. Nós queremos nos livrar dos pensamentos ruins, daquilo que é desagradável, daquilo que provoca ou traz sofrimento. Nós não queremos nos livrar daquilo que é agradável, confortante ou prazeroso. No entanto, o contato com a ciência da Meditação, que requer a presença dessa Atenção sobre essas reações, que são as reações da mente, isso não envolve apenas pensamentos, muito menos os pensamentos ruins. Isso envolve toda e qualquer reação que vem do passado, se mostrando neste momento, nesse contato dentro das relações.
Nesse sentido da mente egoica, nesse sentido do "eu", essa consciência desse "mim", dessa "pessoa", se move dentro de um princípio de sensação de prazer e dor. Então, esses dois aspectos, assim chamados "positivos" e "negativos", "bons" e "ruins", "agradáveis" e "desagradáveis", de prazer e de dor, todos esses aspectos, na verdade, fazem parte de um mesmo contexto. É esse contexto do próprio "eu", do próprio ego.
Aqui, não se trata de se livrar daquilo que é desagradável pela Atenção, pelo Autoconhecimento e pela Meditação. Aqui, se trata do descarte dessa ilusória identidade, que vem do passado e que carrega esse padrão de dualidade.
Quando nós trazemos conosco um aspecto, o outro está presente. A nossa ideia, a errônea ideia, é de que precisamos nos livrar daquilo que é negativo nesse "mim". Nós não compreendemos que o aspecto assim chamado "positivo" é só o outro lado desse aspecto "negativo". Um lado carrega o outro.
Aqui, um trabalho direto de Autoconhecimento é aquilo que lhe revela, por essa Atenção, o aspecto dual do "eu", o aspecto dual desse ego, desse sentido de separação. Então, Gilson, não existe nada mais singular na vida do que a presença dessa ciência, que é a ciência da Meditação. Mas eu continuo reiterando isso para vocês aqui: algo que relaxa, que tranquiliza, que ameniza psicologicamente a dor, não é necessariamente a verdade da Meditação.
Existem inúmeras práticas, inúmeros sistemas, inúmeras técnicas, mas tudo isso funciona num nível psicológico, algo semelhante a uma auto-hipnose. Então, você se acalma, você relaxa, você induz a si mesmo uma condição psíquica, mental, diferente da que você estava antes, mas isso não elimina esse sentido do "eu".
E esse é o nosso propósito aqui: trabalharmos em direção à Visão da Realidade, ao fim dessa psicológica condição de egoidentidade. O Despertar de sua Natureza Divina é Aquilo que está presente, terminando por completo toda a psicológica condição de dualidade, de separação.
Nós, em geral, temos perguntas, e elas estão sempre em busca de uma fórmula mágica. "Como faço para não me embolar?" Todo esse movimento na intenção, na vontade, no querer, no fazer, é algo que sutilmente carrega sempre esse sentido do "eu", do ego, na intenção de alcançar alguma coisa, de obter alguma coisa. A grande dificuldade, Gilson, para a Meditação, é que todo esse movimento de prática de meditação é algo engendrado, criado, produzido pelo próprio "eu" para obter resultados. Esses resultados são mecânicos. Naturalmente, como partem desse próprio "eu", são egocêntricos. Então, quando queremos um modelo, uma fórmula, o que o sentido do "eu" está procurando, ainda, é manter a sua continuidade. Assim, muitas pessoas fazem uso de práticas de meditação para escapar, para fugir temporariamente de estados conflituosos, de estados aflitivos, de estados negativos. E esse não é o propósito da Meditação.
Ao menos aquilo que aqui nós chamamos de Meditação, é a aproximação Divina, é a aproximação de Deus, mas é uma aproximação que só se torna real quando há um esvaziamento desse conteúdo, que é o conteúdo do "eu", esse elemento presente, que é o pensador, que é o experimentador; esse elemento presente que olha a partir do passado, que é o observador. O fim dessa psicológica condição é o surgimento de algo novo, de algo que está presente além da dualidade, além do "eu". Aqui, estamos lhe dizendo que, nesta vida, sim, é possível Realizar Aquilo que é Você em sua Natureza Essencial, em sua Natureza Divina. O descarte dessa ilusória presença egoica, dessa ilusória identidade, que se mostra presente dentro das relações, criando conflitos, criando problemas, vivendo em desordem, vivendo em sofrimento, com todos esses diversos quadros de sofrimento psíquico, de sofrimento mental, de sofrimento emocional. isso é algo presente em razão desse sentido de separação entre você e Deus, entre você e a Vida.
Esse sentido de separação é algo que o pensamento tem construído. Esse modelo de dualidade, o pensamento tem construído através desse pensador, desse experimentador, desse observador.
Olhar para a vida neste momento, sem o sentido de alguém nesse olhar, aprender a escutar, a perceber, aprender a atuar, agir, sentir, se mover neste instante, sem o passado, sem esse fundo psicológico que vive nesse "gostar", "não gostar", que vive se ocupando constantemente nesse seu autointeresse, em suas buscas egocêntricas, é ter um real contato com a Realidade Divina, é descobrir a Fonte Perene de Alegria, de Amor, de Paz, de Felicidade. Esta é a Ciência de Deus, esta é a Ciência do seu Ser, algo que aflora, que desponta, que desperta muito naturalmente quando nos aproximamos desse trabalho em nós mesmos, quando temos uma aproximação da Verdade desta Revelação, pelo Autoconhecimento e pela Meditação.
GC: E para você que está acompanhando o videocast até o final e realmente deseja viver essas verdades, fica o convite para participar dos encontros que o Mestre Gualberto proporciona.
Nesses encontros, além do Mestre Gualberto responder diretamente às nossas perguntas, o Mestre, por já viver nesse Estado Desperto de Consciência, compartilha esse Estado de Presença em que ele vive, e, nesse compartilhar, existe um campo de energia de muito poder e força. E nesses encontros, a gente acaba entrando de carona nesse campo de energia do Mestre, e isso nos ajuda demais nessa compreensão dessas verdades. Nós entramos naturalmente, de forma espontânea, no Estado de Meditação, no Estado de Silêncio, num Estado que está além da compreensão, além do entendimento intelectual.
Então, fica o convite. No primeiro comentário, fixado, tem o link do WhatsApp para poder participar desses encontros. Além disso, já dá um "like" no vídeo, se inscreve no canal e faz comentários aqui, trazendo perguntas para trazermos para os próximos videocasts.
E, Mestre, mais uma vez, gratidão pelo videocast.