quarta-feira, 11 de julho de 2018

É necessário ir além do pensamento



Tudo aquilo que nós conhecemos é uma representação do que o pensamento tem produzido. Então, ao longo da vida, todo o contato que você tem é com aquilo que a mente produz, que é parte dela própria. O contato com a Realidade, ou com a Verdade, é o contato com o Desconhecido.

Tudo o que a mente pode explorar é parte dela e você está muito envolvido nessa coisa de pensar. O Desconhecido é essa Realidade que se apresenta momento a momento, mas que não pode ser capturada pelo pensamento. Então, não há como você ter acesso a Isso dentro desse hábito de pensar, concluir, deduzir, imaginar. É por isso que o fator mais importante é a Meditação. A Meditação é esse stop, é essa parada de representação mental sobre aquilo que se apresenta neste instante.

Então, é necessário ir além do pensamento. Esse sentido de “pessoa”, de personalidade, que você carrega, todo ele está assentado no pensamento, no conhecido e nas experiências que você tem na memória. Personalidade é pensamento! A mente não pode pensar além da personalidade, que é tudo aquilo que você conhece de si mesmo e do mundo à sua volta. Aí está a prisão!

A mente não pode ter sucesso sem a personalidade, que só pode existir com base no pensamento. Então, tudo que o pensamento representa é memória. Reparem como funciona a coisa: o pensamento, todo ele, é memória e ela é a base de sua personalidade. A mente não pode ter sucesso sem essa personalidade, ou seja, você está num círculo vicioso, onde você tem o pensamento, que é memória, que é personalidade, que é a mente. Então, você passa a sua vida inteira dentro desse circuito. Os Sábios na Índia chamaram isso de “maya”, a ilusão. Então, isso cria esse centro falso, essa falsa identidade, que você acredita que é você.

Todos os relacionamentos que você tem na sua vida estão baseados nisso: na ilusão do conhecido, na ilusão da memória, da experiência desse suposto “alguém”. Todas as pessoas em volta de você são parte desse mesmo movimento. Não existem “estranhos”, porque eles estão dentro desse seu “conhecido”; não existem “outros”, porque esses “outros” estão dentro desse sentido do “eu”.

A situação pode piorar quando essa personalidade imagina uma segurança e vai em busca dela em suas relações. Assim, ela projeta um mundo perfeito para se viver! Você precisa compreender que essa personalidade é uma alucinação! O “seu mundo” é uma alucinação! Enquanto você estiver se identificando com a personalidade, que é essa memória, experiência, conhecimento, identidade, essas relações, você estará vivendo uma alucinação. Então, agora você entende que, quando usamos a expressão “ego”, estamos falando dessa alucinação. Eu tenho reiterado isso, quando digo: “Você é uma fraude”! Compreenda o valor daquilo que você chama de “pessoa”: o valor que isso tem é zero! Não é nem um valor negativo, é zero!

Quando você desiste da personalidade, não há mais dor nem esforço. Quando compreende que essa personalidade é uma alucinação, você está trabalhando essa desistência e já não tem mais pelo que lutar (você está sempre lutando, lutando, o tempo todo, para ser “alguém”, para conquistar, ganhar, construir, fazer). Eu sei que essas falas são desanimadoras. Todos querem chegar em algum lugar, por isso estão trabalhando; eles querem mudar o mundo, se salvar, se proteger, se defender; eles querem ir para algum lugar... você quer ir para algum lugar! A mente não conhece sua própria limitação. O ego não reconhece sua própria ignorância, futilidade, inutilidade, confusão… O ego só arruma confusão! Você nunca fez nada certo porque sempre esteve aí, se metendo nas coisas, nos assuntos de Deus, sempre desejando fazer a sua própria vontade, como se fosse uma entidade presente e capaz disso!

Estou convidando você para uma nova percepção, uma nova dimensão, para a Consciência da Realidade! Nessa nova dimensão, você desiste dessa luta, dessa busca, dessa procura de algo fora de si mesmo, nas relações com o mundo. Você está buscando paz, liberdade e felicidade no mundo, e quer isso nos relacionamentos com outros egos. O ego é problema, o “seu” é o problema; o outro é somente uma expressão, uma extensão, um prolongamento de você mesmo.

Quando você descobre a beleza de viver nessa abertura, nessa nova dimensão, acontece uma entrega, uma rendição. É como dois lutadores em cima do tablado, que estão lutando e, de repente, um deles joga a toalha, desiste da luta, não quer mais lutar. Quando a mente reconhece, por uma ação da Graça, que é uma luta inútil, vã, estúpida, naturalmente, há uma parada de suas funções, do seu desejo de sonhar! Assim, você pode Acordar!

Nessa nova dimensão, não há mais a valorização da mente, da “pessoa”. Você tem valorizado muito a “pessoa”, mas, agora, você não tem mais essa valorização. Aí, ela tem que definhar e ir para o “túmulo”. Ela morre de fome, porque ela não é mais suprida, alimentada, por essa ignorância. Então, há uma chance de ir além da personalidade, da mente egoica. Nessa nova dimensão não há ninguém, nenhum ego, nenhuma “pessoa”.

Enquanto você acreditar ser uma pessoa, vai se sentir inseguro, buscando segurança nas relações. Quando você desistir da ilusão de querer ser uma pessoa, vai parar de buscar segurança nas relações, e, assim, acolher o fato de que a existência é completa sem “você” e nenhuma segurança tem qualquer importância. Você está além da segurança e da insegurança, está além da dualidade!

Nós estamos aqui para explorar todas as direções, tudo o que você tem construído, todos os caminhos antigos, todos os trajetos e trilhas, tudo o que a mente tem construído ao longo de todo esse tempo. Por isso a questão é: “Quem sou eu?”

Somente quando você explora todas essas direções e abandona completamente essa coisa da memória, da personalidade, que é a mente nessas relações, em busca de segurança, é que a mente reconhece o quanto ela é limitada e “joga a toalha”, desiste. Então, essa nova dimensão surge.



* Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite do dia 08 de Junho de 2018 Encontros todas as segundas, quartas e sextas as 22h (exceto em perídos de encontros e retiros presenciais). Para participar baixe o App Paltalk.

domingo, 8 de julho de 2018

Um grande paradoxo


Mais uma vez, estamos voltando nosso coração para essa Realidade, para Aquilo que é tão simples e que, ao mesmo tempo, é tão sublime, tão ímpar. Estar em Satsang é dar um passo para essa abertura, é se colocar em uma posição em que a Verdade pode vir até você. Você não vai convidar a Verdade, o Silêncio — você não pode fazer isso. Estamos falando de algo que não aceita ou responde a qualquer provocação. Essa é a maravilha das maravilhas! Você nunca poderá provocar esse convite! Não estamos falando de algo que está dentro do espaço. A Verdade, o Silêncio, não é algo aprisionado no tempo nem no espaço. 

Então, você não pode provocar essa Presença, mas é possível descobrir uma abertura para que isso aconteça. É o que estamos fazendo dentro de Satsang... Estamos descobrindo qual é o significado real dessa receptividade, dessa abertura.

Estamos diante de algo simples e, ao mesmo tempo, extraordinário. A Verdade não é parte e nem está presa no tempo ou no espaço. Isso significa que não é algo que necessita de tempo ou de espaço para se manifestar. O Silêncio, a Verdade, é o fundo, a base, a sustentação de tudo que se apresenta, de tudo que se manifesta. Portanto, é algo que já está presente em todos os acontecimentos, em todas as atividades, em todas as aparições. Estar em Satsang significa estar aberto e sensível a essa constatação. 

Você não pode convidar Isso, mas pode descobrir como estar aberto e sensível a essa Realidade que já está presente. É algo que está presente fora do tempo e espaço, fora de qualquer esforço seu. É aqui que você se depara com um grande mistério, com um grande paradoxo: você não pode provocar o convite, mas, identificado com o ego, você fecha todas as portas. Então, você não pode convidar, mas pode se manter um bom tempo aprisionado dentro de padrões que não lhe possibilitarão perceber essa Verdade, a Verdade da Realização de Deus, da Iluminação.

Aqui, o segredo é: sensibilidade e abertura. Quando você descobre a importância de abandonar o seu ponto de vista, o seu modo pessoal de se deparar com aquilo que está presente neste instante, neste momento, automaticamente você se abre para essa Verdade, para esse Silêncio. Esta é outra forma de falarmos sobre a arte e a beleza de Ser, que é Meditação.

A Meditação não faz um convite para essa Realidade — que já está presente — se manifestar. A Meditação é a própria abertura dessa Manifestação, dessa Verdade, desse Silêncio, que podemos também chamar de Consciência, de Presença.

Primeiro, é preciso que você compreenda que a mente egoica é muito hábil, muito esperta, e ela está contra o misterioso movimento da vida, contra a vida como ela é. Em outras palavras: você não aceita a vida como ela acontece. Todo o seu treinamento, desde a infância, é para buscar, resolver, controlar e acertar as coisas. Então, o seu movimento, que é o movimento da mente, da “pessoa”, desse “eu”, é um movimento hábil e esperto que se posiciona contra a vida como ela é. 

É claro que, quando digo “hábil e esperto”, não é no sentido de “movimento inteligente”, mas no sentido de “movimento astucioso, astuto”. Então, esse é o primeiro ponto e não pode ser ignorado. 

O segundo ponto é que a mente sabe que não há espaço para a sua psicológica astúcia, para a sua psicológica “habilidade” e “esperteza” no real movimento da vida. Isso significa que ela corre o risco de desaparecer se for vista, se for desmascarada. Então, nós temos duas coisas aqui: a primeira, é que a mente está contra a vida. A segunda, é que ela sabe que não haverá mais espaço se ela for desmascarada. 

Estou colocando para você os dois terríveis e complicados problemas do velho ego, desse velho “eu”. Primeiro, ele não aceita a vida como ela é; segundo, ele tem medo de ser desmascarado e ter seu jogo destruído. Agora, vamos complicar um pouco mais para o lado “dele”, para o lado desse disfarçado inimigo que se finge de amigo, dentro de você.

Deixa eu lhe dizer algo que a mente egoica não vai gostar. Vamos expor um pouco mais esse seu truque antigo. Você está pronto? Quando você não mais valoriza o sentido da "pessoa", quando não há mais espaço para o sentido pessoal, não há mais por que esse jogo de resistência à vida, de resistência ao que é, continuar. Quando você fica atento a esse movimento, que é esse jogo de memória, padrões, conceitos, crenças, ideologias, sonhos, projetos, desejos, todo esse condicionamento que o sentido de pessoa carrega, o jogo da mente é visto. 

Só há uma forma disso acontecer, que é através daquilo que eu tenho sempre considerado nessas falas e mostrado a você em todos os encontros: Real Meditação. Ela está presente quando você não mais valoriza a “pessoa”, que é quando não existe mais o desejo da memória, essa energia para o falso “eu” continuar. Então, é possível que esse sentido do “eu” sofra uma trinca, uma rachadura; é uma estrutura que, agora, pode vir abaixo, porque você não confia mais na "pessoa", nesse sentido do “eu”, nessa memória, nesse fundo. Só então o jogo pode terminar. 

Você está se tornando consciente das resistências da mente à vida como ela é, do “eu”, do ego, desse “mim” com relação ao misterioso movimento da vida, como ela acontece. Ao mesmo tempo, a mente está sendo desmascarada; o seu jogo psicológico de continuidade, de funcionamento no dia a dia, está sendo observado. Então, não há mais por que essa memória psicológica do “eu” permanecer tendo razão, decidindo, escolhendo, resolvendo, controlando. 

Este é um daqueles encontros em que eu dou para você tudo o que pode ser apresentado aqui. Não estou lhe escondendo nada! Você está consciente de suas ações, reações e resistências... É muito importante que você veja essas resistências, que você se torne consciente dessa prisão do falso “eu”. No momento em que você consegue ver isso, você está fora desse processo, está fora dessa prisão de reação. Quando você vê isso, você permanece do lado de fora da mente egoica. Essa é a abertura, a sensibilidade necessária (que é Meditação) para a revelação dessa Verdade, desse Silêncio, dessa Consciência, que está presente aqui e agora. A Liberação, a Iluminação, a Realização é o fim dessa ilusão da mente egoica e de sua “esperteza” e “habilidade”.

* Transcrito a partir de uma fala em um encontro online em 11 de Junho de 2018 - Encontros todas as segundas, quartas e sextas as 22h - Baixe o Paltalk e participe. 

quarta-feira, 4 de julho de 2018

O Segredo da Autorrealização




Nesses encontros, nós sinalizamos como é importante aprender a observar aquilo que está acontecendo. Em geral, o ser humano não parece dar qualquer atenção a isso, à vida como ela acontece. A ideia central é a autopreocupação. A vida é algo que está acontecendo e inclui esse personagem, essa suposta identidade presente. Basicamente, não há nenhum problema na vida como ela é, e, parte do que está acontecendo particularmente para você, existe apenas como um aspecto da experiência, algo apenas para ser testemunhado. Não percebemos a importância disso.

O que está acontecendo não é algo que “alguém” está fazendo acontecer, não é o “meu” fazer — esse é apenas um aspecto da experiência particular desse personagem. O problema surge quando a ideia de alguém presente aparece. Então, Satsang aponta para essa Realidade, que é a vida como ela acontece, sem se preocupar com esse personagem que você acredita ser. Não existe alguém no “fazer”. O problema surge quando aparece a ideia de que a vida está acontecendo porque “alguém” está fazendo tudo isso acontecer — esse “alguém” é o “eu”, esse personagem, e isso não representa a Verdade.

Todos os seus problemas pessoais não são problemas com a vida; são problemas de interpretação com relação àquilo que a vida é, àquilo que a vida representa. Então, Satsang é um espaço essencial para aquele que está disposto a descobrir a Verdade sobre si mesmo. Esse sentido do “eu” nos diz que existimos como uma entidade presente na experiência da vida; que a vida está acontecendo para “mim”, para este “eu”. A mente tem a habilidade de transformar para si mesma tudo aquilo que acontece, como se algo especial estivesse acontecendo para ela. Assim, surge o sentido: “Eu sou Carlos”, “Eu sou José”, “Eu sou Maria”, ou qualquer outro nome. Então, esse “Carlos”, esse “José” e essa “Maria” existem, estão vivendo no mundo, o que representa apenas uma autoimagem que a mente construiu.

A mente pega a experiência à sua volta e a transforma em algo particular, criando o sentido da “pessoa”. Tudo o que está acontecendo para “mim”, através de “mim”, representa apenas uma autoimagem, uma imaginação criada pelo pensamento. Isso não tem nada a ver com o que a vida representa, porque a vida é o que é, e não se importa com essa imaginação. Essa imaginação, essa autoimagem, entra em choque com a realidade da vida como ela é.

Aqui vai o segredo da Autorrealização, da Realização da Verdade sobre si mesmo: descubra a importância de testemunhar a vida como ela é e não se meter com ela, não levar nada para o pessoal. Isso é algo muito fácil de ser colocado em palavras, mas requer um trabalho verdadeiro, porque, na prática, você está muito viciado em manter essa autoimagem, em ser pessoal. Quando faz isso, você continua sustentando a autoimportância, a importância desse falso “eu”. O segredo é observar, estar atento ao movimento dessa autoimagem em seus desejos, escolhas, anseios, medos e assim por diante.

Quando a vida é testemunhada, quando aquilo que acontece é só o que acontece e nenhuma crença tendenciosa e pessoal é mais importante do que a Realidade do que É, a mente egoica “cai”, perde a sua evidência, o seu poder. Então, algo inteiramente novo começa a acontecer.

O ser humano tem agido muito mecanicamente, do ponto de vista psicológico; ele vive repetindo, de forma mecânica, seus pensamentos, desejos e medos habituais. Ele faz isso porque se considera muito importante, mais importante do que a própria vida. O que acontece para ele não é interessante, mas o que ele deseja, sim. Para ele, é mais importante aquilo que ele deseja do que a vida como está acontecendo, neste instante, neste momento. Esse é um aspecto muito interessante dentro do processo da mente egoica. Ela é repetitiva, automática, mecânica e tudo isso vem sendo sustentado pela imaginação, por essa autoimagem em sua autoimportância.

Essa ilusória sensação de estar no controle, de querer controlar, de querer determinar o que acontece, controlar as circunstâncias, os eventos, os acontecimentos, ter resposta para tudo, e essa própria curiosidade do ser humano por desvendar os mistérios da vida, são anseios de autopreenchimento egoico.

O ser humano investe milhões na investigação do mundo externo, daquilo que está do lado de fora, na busca de encontrar algo que possa preenchê-lo e dar-lhe felicidade. Um satélite é enviado ao espaço com a intenção de termos, aqui, uma melhor internet. Assim, as pessoas podem se comunicar de uma forma mais rápida, o conhecimento pode se tornar mais rápido (conhecimento este que, na verdade, é só ignorância e não contribui em nada para a Real Felicidade humana). Apenas ficamos sabendo mais rápido de toda a confusão que a mente humana está criando do outro lado do planeta, de todos os problemas que a mente humana, sem paz, está produzindo em outro continente.

Tudo isso é parte dessa coisa mecânica, inconsciente e automática do movimento da imaginação, desse falso “eu” na busca do que, de fato, não tem nenhuma importância para a Real Felicidade humana. A Felicidade não está do lado de fora; o “fora” representa apenas o sonho que o pensamento tem criado, imaginado e sustentado. A Realidade está além do pensamento e, assim, a Felicidade, a Paz, a Inteligência, o Amor, a Bondade e a Verdade estão além da mente.

O que estou dizendo é que as circunstâncias de um mundo mais confortável não representam Real Felicidade, porque a “fome” interna por Felicidade verdadeira continuará pedindo “comida”, pedindo saciedade. A menos que você conheça quem Você É, não importa se pode desfrutar do melhor conforto material que a tecnologia e a ciência podem lhe oferecer, pois você continuará infeliz. Nós investimos muito em nada. Tudo o que você precisa é a Felicidade, mas a Felicidade não é circunstancial; a Felicidade é a Realização de sua Natureza Divina, de sua Natureza Real. Assim sendo, nenhum conforto circunstancial externo pode lhe dar Isso.

O ser humano tem buscado a Felicidade há muito tempo e de uma forma equivocada. É o que faz com que ele viaje para fora, que vá, literalmente, para o espaço sideral em busca disso. Mas, não adianta, porque tudo continua da mesma forma. Sua “viagem real” é para fora desse falso “eu”, além dessa autoimagem, da ilusão dessa egoidentidade. Isso só é possível indo para dentro e não para fora. Não é explorando o externo, mas investigando o que está próximo, o interno. Não é o distante e externo, mas sim o próximo e interno.

Então, temos nos tornado proativos, produtivos e bastante evoluídos cientificamente, tecnologicamente, e, mesmo assim, continuamos infelizes, inquietos, perturbados, estúpidos, medíocres, carentes, vivendo em solidão, com desejos e medos. Você pode aumentar a lista, acrescentando a depressão, a ansiedade e as diversas formas de representação de loucura que todos, sem exceção, experimentam — incluindo os nossos mais renomados homens da ciência e da tecnologia. Sim, eles também sofrem!

Essa fala não é um ataque, estamos apenas observando que toda essa formação e educação baseadas no desejo de obter mais controle através do conhecimento não tem funcionado. Isso em nada representa o movimento real em direção à Felicidade, à Paz no mundo. A Paz no mundo começa com a Paz dentro de você. Você é a Paz do mundo quando já não mais o perturba.

A Felicidade humana é a Felicidade da não mente, do coração silencioso, do Amor presente, enquanto que a "vida humana" é essa constante busca por prazer, mesclada com dor, mesmo em meio a todo tipo de parafernália altamente sofisticada.

O que estou dizendo é que a vida não é algo que você possa controlar. Você não tem que se importar com o que está do lado de fora; você tem que descobrir quem é você, ou o que você não é. Você não é o corpo, não é a mente, não é essa autoimagem, não é uma pessoa viva, que tem que viver 150 anos à base de medicamentos. Basta Realizar a sua Real Natureza e deixar esse sonho. Isso pode ser com trinta, quarenta, cinquenta ou setenta anos, não importa... Esse é o único propósito.

Olhe para as pessoas! Elas acreditam que estão vivas e querem continuar nessa, assim chamada, “vida”, mesmo à base de medicamentos, de drogas, importunando todos à sua volta e dando trabalho para todo mundo. Isso é apego a essa ilusão da egoidentidade, a essa falsa imagem.



* Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite do dia 16 de Maio de 2018
Encontros todas as segundas, quartas e sextas as 22h - Baixe o App Paltalk e participe

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Sua Realidade Impessoal


Em Satsang, você está trabalhando essa questão da sua Realidade impessoal. Essa é a sua Realidade Divina. Toda sua história gira em torno de um padrão de condicionamento, e isso é a sua prisão. O pensamento gira dentro da sua cabeça em torno de um personagem imaginário, que você acredita ser. É esse personagem imaginário que está preso a esses elementos de sua própria imaginação, que são as realizações externas, a formação educacional, a família, os relacionamentos... Essa é a prisão desse “eu” que você acredita ser, com o qual você tem se confundido. Esse é o seu dilema, drama, problema, medo, e você está protegendo isso. Percebam o que estou dizendo, a gravidade dessa coisa: você está protegendo esse imaginário personagem que você acredita ser.

O interessante é que todos esperam que você se mantenha dessa forma, porque isso também não vai oferecer nenhum perigo para a imaginação que eles têm deles mesmos; não criará nenhum desconforto. Em outras palavras, você vive a ilusão e ela fica à vontade com você. Assim, o outro aceita você nesse jogo de aceitação e rejeição. Você é uma fraude, porque “você” não é Você mesmo. Na mente, o seu comportamento é sempre esse, que se ajusta a esse modelo. Então, você está sempre cedendo, sempre se vendendo. 

Por que você faz isso? Porque você não quer ficar sozinho; não quer pegar uma trilha, quando todo mundo está numa estrada. Você não quer pegar uma trilha, porque não tem quase ninguém nela, e, se tem alguns, eles estão tão afastados uns dos outros que é como se não existissem; não dão nenhum suporte psicológico, interno, nenhum reconhecimento, “tapinha nas costas”, ou parabéns a você. Estamos falando, aqui, desse Natural Estado impessoal de Ser. 

Como é possível esse impessoal Natural Estado de Ser, se há tantas pessoas nessa estrada, todas interagindo no mesmo nível, falando a mesma linguagem, comunicando-se da mesma forma? A inveja, o desejo e o ciúme são coisas comuns, bem como a proteção dessa autoimagem, e todos estão falando a mesma linguagem, vivendo da mesma forma. Diante disso, como você poderia sair da estrada e pegar uma trilha para ficar sozinho? No ego, você tem muito medo de que as coisas não venham, não cheguem até você, e, como tudo vem somente para preencher você, estar preenchido significa, exatamente, estar à vontade em uma estrada comum a todos. 

Mesmo assim, você vem a Satsang, tentando descobrir qual é o caminho real para a Felicidade, para a Paz, para a Sabedoria, para a Liberdade... Certo dia, Cristo disse que essa trilha, na linguagem dele, era um caminho estreito, como passar por uma porta apertada. Você saiu da estrada comum e entrou numa trilha. Meu trabalho aqui é somente dizer: “Permaneça aí!”. A pressão do lado de fora é muito grande, então eu entro nesse espaço, nesse recinto, e lhe digo: “Permaneça aí!”.

Quem aqui se sente amado? Seu marido ama você? Sua mulher ama você? Você se sente amado porque ele ou ela está tomando conta de você? Você se sente amado quando alguém quer saber com quem e por quanto tempo você falou ao telefone ou com quem você esteve e por que demorou tanto a chegar em casa?

Participante I: Ah! No fundo, eu acho que a gente gosta disso. A gente se sente importante, bem-visto...

Mestre Gualberto: Amado...

Participante I: É. Poderia dizer que sim... especial!

Participante II: No fundo, é um determinado prazer, porque tem aquela coisa de dizer assim: “Ah! Ele sente falta de mim!”.

Participante III: Tem gente que fala que, se a pessoa não tem ciúmes, quer dizer que ela não gosta. A gente acha que isso é Amor, tem essa ideia preconcebida de que o Amor vem com isso tudo. Porém, no fundo, não estamos interessados no Amor; estamos interessados em sermos importantes, de alguma forma.

Mestre Gualberto: Como é isso de se sentir amado por uma imagem que representa posse, controle, domínio, desejo, carência, medo de perder, angústia? Como é se sentir amado por “alguém” que representa isso? Como é? É delicioso?

Então, essa estrada é uma estrada comum, todos estão à vontade nela, e isso é reconhecido como algo muito natural. Assim, a sua liberdade de dizer “não” a isso, seja falando, em silêncio ou através de atitudes, será interpretado como desamor, insensibilidade, indiferença − esse é um lado. O outro lado é que você, também, se sente preenchido, como foi dito. Tem um prazer nisso, porque isso, também, está dentro de você, não é? Se o outro fizer a mesma coisa, você  sentirá o mesmo (“Estava com quem?”, “Falou com quem”?). Dentro de você, há uma necessidade muito forte de saber o que o outro está pensando, sentindo, se ele está sentindo falta de “você”, desse “mim”. Percebe o jogo todo? Não! Não percebe, não é? É muito tempo viciado nesse modelo...


* Transcrito a partir de uma fala em um encontro presencial em Cabedelo - PB - Praia de Intermares em Maio de 2018

terça-feira, 26 de junho de 2018

A liberdade de viver sem escolhas




A mente não tem qualquer perspectiva a respeito Daquilo que é inominável, impensável, indizível, indescritível. Nós estamos falando de algo que está fora dessa dimensão conhecida, da dimensão da mente. Em Satsang, nós estamos sempre tratando daquilo que pode ser investigado e, portanto, daquilo que ainda faz parte do processo conhecido da mente, mas é dessa forma que é possível se ter uma percepção direta Daquilo que está além dela.

Nessa nova dimensão, não existe limitação, que é algo tão comum na mente, porque não existe alguém. Portanto, não se trata de “alguém” compreendendo isso, mas essa investigação da limitação é algo que se torna fundamental para se perceber Aquilo que está além desse “alguém”, dessa suposta entidade presente. Dessa forma, podemos nos deparar com Aquilo que está além da mente, além do descrito, além do conhecido. A investigação prepara o terreno para o salto que acontece para além da própria investigação.

Você está aqui para ir além das crenças. Enquanto acredita ser alguém, você permanece dentro da dimensão do conhecido e, portanto, sem conhecer essa nova dimensão. A Realização é o Despertar dessa nova dimensão, dessa Realidade indescritível, desconhecida.

A mente vive dentro dos limites do conhecido, das restrições de suas crenças. O modo de se perceber o mundo, as situações, a vida, através da mente, é sempre dentro dessas restrições. Tudo o que a mente busca – e ela vive sempre em busca – está dentro dessas limitações. Esse é o movimento da personalidade, é o movimento da egoidentidade. Assim, existe uma constante luta, pois a mente está sempre em busca de segurança.

Quando você está livre da “pessoa”, desse senso pessoal, não há mais luta, que é quando há uma profunda compreensão de que essa “pessoa”, essa personalidade, é apenas uma alucinação. Então, você está livre do peso da memória, da busca de segurança, do medo de errar e, portanto, dessa coisa tão pesada que é a escolha.

No ego, você vive dentro desse conceito de escolha, tal é o medo de errar, de não ser bem-sucedido. Na verdade, você foi condicionado, dentro da cultura, a buscar segurança, buscar realização, buscar sucesso, e tudo isso dentro de uma base de escolhas.

Nesses encontros, nós investigamos os padrões dessa egoidentidade, dessa falsa identidade que você acredita ser; o medo, o sofrimento que isso representa e a prisão que está presente nisso. Tudo isso por quê? Porque você não é quem acredita ser. Você está preso a escolhas.

Há uma grande e extraordinária Felicidade na vida livre das escolhas. Nessa Realização de Si mesmo, na Realização da Verdade de sua Real Natureza, nesse “viver” sem escolhas, há uma grande e extraordinária Inteligência. Seu Estado Natural dispõe de uma grande Liberdade, de uma grande e indescritível Criatividade. Seu Estado Natural é sábio! Nessa Criatividade, nessa não escolha, nessa Inteligência, há uma completa liberdade do medo.

Deus é essa Realidade, é esse Mistério. Nós podemos chamar Isso, também, de Consciência. Consciência é Aquilo que está presente quando não há mais a alucinação da egoidentidade. A mente não pode alcançar essa perspectiva, porque isso é impensável, está fora da imaginação, está fora do pensamento. Então, todo esse antigo medo e procura por segurança, toda essa busca de resultados e preenchimentos externos, desaparecem. Essa é a maturidade da Inteligência, a maturidade do Estado Natural, do Ser Realizado, Daquele que “voltou para casa”. Como na parábola do filho pródigo, é aquele que retornou à casa do seu Pai. Algo bastante paradoxal, porque essa Consciência nunca deixou de ser O que É. Então, esse tempo de afastamento do filho pródigo foi algo muito real em sua imaginação, mas nunca foi, de fato, real — do ponto de vista da Realidade Última. O “retorno do filho pródigo” acontece nessa pergunta: “Quem sou eu?”.

Quando você faz essa autoinquirição e explora isso profundamente dentro de si, chega um momento de maturidade, em que a mente diz: “Não sei!”. Somente então, nesse “Eu não sei!”, abre-se um espaço para a instantânea e extraordinária percepção da Verdade sobre si mesmo. Só então, Aquilo que é atemporal, inominável e indizível se mostra presente. Nesse momento, “o filho pródigo volta para a casa de seu Pai”, mas, na realidade, ele nunca saiu dela. Ele fez uma grande viagem de alucinação egoica. O ego é pura alucinação!

Quando existe a autoinvestigação com essa entrega, esse envolvimento total, a desistência acontece naturalmente e a ilusão da separação se dissolve. Eu tenho chamado isso de “colapso da ilusão”, que é o Despertar da Inteligência.

Nessa autoinquirição, nessa exploração, a mente pode imergir na Fonte e desaparecer, porque há essa desistência, essa rendição. Então, esse círculo vicioso da alucinação da mente egoica é quebrado.

Você tem ido por muitas direções, mas todas elas estão dentro desse círculo da alucinação egoica. Você, nesse círculo, nunca encontrou, nem jamais encontrará, a Felicidade, a Paz, a Liberdade, porque Isso não faz parte da mente egoica, não está dentro da alucinação.

* Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite do dia 11 de Maeio de 2018 - Encontros todas as segundas, quartas e sextas as 22h. Para participar baixe o app Paltalk no seu smartphone ou em seu computador.

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Descubra seu Estado Natural de Meditação!




Estamos colocando, nesses encontros, a verdade da Quietude, do Silêncio, de sua Natureza Verdadeira; estamos tratando de uma Quietude que não é aquilo que todos conhecem como quietude. Toda fala, em Satsang, aponta para essa Quietude, e Isso não é algo que você possa alcançar. Você não pode encontrar a Verdade! Então, a procura pela Iluminação é inútil, porque você não pode encontrar o seu Estado Natural. Isso não é como encontrar alguma coisa ou alguém que você perdeu. Essa Iluminação, Quietude, Liberdade, é nossa Real Identidade e Ela não é um objeto, nem algo que possamos perceber e consigamos encontrar.

Você não pode se movimentar em direção à Quietude, não pode perturbar o Silêncio, nem encontrar Aquilo que não está perdido. Qualquer movimento que você fizer, irá perturbar Isso, esse Silêncio, essa Quietude, e será somente um afastamento da Verdade sobre você. Quando você compreende esse primeiro passo, já está dando o último. Quando você compreende que tudo que está buscando é parte, ainda, do que a mente tem projetado — o que significa que é parte do pensamento, das suas ideias, da imaginação — sua procura se mostra completamente inútil e, então, você para.

Portanto, essa paz, liberdade, felicidade, que você está buscando, assim como a iluminação ou a realização de Deus, todas estão dentro dessa imaginação criada pelo pensamento. Então, isso ainda é um objeto sendo procurado, como se fosse algo que pudesse ser percebido, ser alcançado ou ser conhecido. Aqui, estou dizendo para você que Isso está fora da mente, e, portanto, não tem nenhuma relação com qualquer objeto ou representação que o pensamento possa reconhecer. Assim sendo, Isso está fora do conhecido. A Verdade, a sua Natureza Verdadeira, é algo assim e isso é a Iluminação. Por esse motivo, isso soa simples e ao mesmo tempo muito misterioso. Não é algo que você possa encontrar buscando e qualquer pensamento é somente um afastamento Disso.

Reparem como é importante essa compreensão, porque, quando isso fica claro, você para com as suas práticas, com toda forma de busca espiritual, com toda essa procura externa. A Real Identidade, seu Ser, não é uma coisa para ser encontrada ou obtida através de práticas e de buscas espirituais — essa é uma tentativa de aproximação completamente equivocada. Isso se dá por uma ação misteriosa de “Algo” maior do que você. Então, a real aproximação da Verdade é completamente livre de desejo, intenção, exercícios e práticas. A realidade do seu Ser está além da mente, do conhecido e do que pode ser percebido. Não tem “alguém” que possa descobrir Isso; não tem “alguém” nessa descoberta, então também não tem vontade, desejo ou intenção. Assim, eu sempre convido você a ficar quieto.

Não estou falando dessa quietude do corpo e da mente, que você pode conseguir através de alguma prática espiritual. Se você pratica alguma técnica de meditação, consegue aquietar o corpo e a mente. Tudo fica muito tranquilo: o pensamento se aquieta, o corpo se aquieta... Ou seja, você entra em um estado em que a mente e todas as atividades do corpo param e, então, tem a sensação de que está se encontrando com a Verdade. Esse é um momento sem qualquer perturbação, conseguido através de um mantra, de uma música, de uma técnica de respiração ou de uma voz falando pausadamente, de forma lenta, conduzindo-o a esse estado, que você considera o estado da “verdade”, do “silêncio”, de perfeita “quietude”. Assim, você fica ali meia hora, quarenta minutos, uma hora, uma hora e meia, talvez duas horas, e, depois disso, tem que se levantar, ir para a cozinha fazer a comida. Mas, quando você está na cozinha, lavando o arroz ou preparando a mamadeira para a criança, a mente já voltou. Ou, depois dessas duas horas, você tem que se levantar e ir para o escritório, mexer nos papéis, responder os e-mails, e percebe que o pensamento volta e traz o personagem novamente, com todo o peso da história que ele tem. Então, não é dessa quietude do corpo e da mente que estamos falando.

Digo isso para você, porque as pessoas me perguntam: “Como manter esse estado de meditação no dia a dia?” O fato é que elas encaram o estado que viveram por meia hora, uma hora e meia, duas horas, como sendo o estado de Meditação e de contemplação do Nirvana, e, depois, elas se veem fora do “nirvana”, do “samadhi”; a mente voltou. O fato é que as pessoas não gostam muito de ouvir o que eu tenho a dizer para elas: essa não é a verdadeira Meditação, o Estado Real. Procuro falar com elas de uma forma bem agradável, mas, mesmo assim, eu acho que não adianta muito.

Eu quero que você descubra seu Estado Natural de Meditação, não esse estado artificial que você encontra por meio de práticas, que, ainda, é parte de um exercício, não é algo natural. Esse estado pode ser um ótimo calmante para os nervos, para os músculos, para a pressão sanguínea, um ótimo relaxante para o sono, traz grandes benefícios para o corpo e para a mente… É um momento sem estresse, sem preocupação, sem família (porque família preocupa mesmo). Nele, seu ego está “nocauteado” durante trinta minutos, uma hora e meia, duas horas, e depois se levanta e está de volta ao “ringue”, com as luvas prontas novamente, porque ele já descansou, tomou água, secou o suor e está pronto para mais vinte e duas horas do dia que você tem, incluindo as horas de sono — isso se você meditou durante duas horas.

Então, você pergunta: “Por que eu não consigo permanecer nesse estado tão maravilhoso, silencioso, de paz”? A resposta é: “Porque não é o seu Estado Natural, mas um estado criado por uma técnica, uma prática de meditação”. Você tem que trabalhar o resto do dia e seu chefe/patrão não vai aceitá-lo de pernas cruzadas, nessa prática, no horário do expediente, seja no consultório, escritório, na fábrica, no quartel ou noutro lugar; ele quer você trabalhando, porque ali é lugar de trabalho. Não estou falando mal de sua prática de meditação, estou dizendo somente que é inútil para esse objetivo aqui, é claro; pode ser útil, mas para esse objetivo aqui é inútil.

Então, essa Quietude de que estamos falando, não é a quietude do corpo e da mente; é algo além dessa prática de meditação; é a Quietude que surge naturalmente quando há atenção sobre o ilusório movimento do “eu”. Isso é a Real Meditação! Eu tenho insistido muito nisso. Portanto, quando você está aberto para observar o movimento desse falso “eu”, começa a descobrir a Real Meditação, seja lá no seu trabalho (no escritório, na fábrica, no quartel, no consultório, escrevendo uma receita, atendendo um paciente, etc.) ou na cozinha, lavando arroz e preparando a mamadeira da criança. É necessário observar a mente, o que se passa dentro de você nessa relação com o mundo à sua volta, no seu dia a dia, quando o seu “eu” é contrariado, a sua “pessoa” é magoada, ofendida, aborrecida, momento a momento...

* Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite do dia 02 de Maio de 2018 - Encontros todas as segundas, quartas e sextas as 22h - Para participar baixe o Paltalk app no computador ou smartphone

terça-feira, 19 de junho de 2018

Viva em amor com o seu Ser




Enquanto você se confunde com o corpo, a ilusão da mente se repete, mas, mesmo assim, Você continua intocável. Você não se repete, é a mente que se repete! Você não tem problema, a mente tem! 
Você está em apuros porque se confunde com o corpo. Como a mente se repete, o que ela faz, o tempo todo, é plasmar formas — ela precisa disso. O corpo é uma forma da mente, mas a mente não é uma forma da Consciência, de sua Real Natureza. A mente é uma forma do ego, do desejo, que forma o corpo para desfrutar daquilo que ele anseia. Então, você nasce porque está em estado de miséria, que é o estado da mente egoica; está embolado, confundido com isso. Quando isso termina, não há motivo para a forma aparecer novamente, porque a mente egoica não está mais presente.
Por que eu digo para vocês sempre, em Satsang: “Não confie na experiência!”? Porque é na experiência que está a ilusão de ser alguém e, assim, você se mantém na escravidão! Vá além disso! Vá além de tudo e  de todos! Vá além da mente, do corpo, da ideia de ser alguém! Vá além dessa ilusão!
Pare de pensar em termos de pessoas, de lugares, de coisas, de objetos, porque quando você está buscando isso, está se fixando cada vez mais no tempo. Por exemplo: se você tem um marido, ou um namorado, e vive pensando nele, você está se fixando no tempo, como uma identidade separada. Vá além de pessoas, coisas e lugares! Mantenha-se livre, internamente, de tudo isso, porque, enquanto houver desejo, a mente vai se repetir, vai buscar um corpo novo, uma nova sensação, uma nova experiência, e isso não termina nunca! Está claro isso?
More em seu Ser, viva em seu Ser, case-se com o seu Ser, viva em Amor com o seu Ser! O resto são formas que a mente está criando e buscando para se posicionar no tempo, como uma identidade separada.
O que eu estou dizendo para você é o Cerne, o Coração dos Vedas, dos Upanishads, da Bíblia, do Alcorão e de todos os livros sagrados do mundo. Todos estão apontando para o Divino, e Ele É quando você não é.
A identificação com o corpo, com a ideia de ser alguém, faz você ficar preocupado: “Vou ou não vou”?; “Continuo ou paro?”; “Caso-me ou não?”; “Peço o divórcio ou não?”…  É como quando eu encontro alguém que está preocupado com o que come: “Eu sou vegetariana”; “Eu sou macrobiótico”. Estou tratando de outra coisa! Você está preocupado com o que o corpo vai comer, está se identificando com o corpo, achando que o corpo vai se espiritualizar pela comida. O corpo espiritualizado pela comida é o quê? É a mente! O corpo é só a mente e eu estou tratando de Você, não do corpo e da mente. Eu não estou preocupado com o que você come, mas sei que, na espiritualidade, vocês aprenderam isso, então chegam aqui cheios de crenças do que pode e do que não pode; do que deve e do que não deve; do que se faz e do que não se faz.
Que diferença faz para O que Você É, em sua Natureza Real? Antes de o corpo ter nascido, Você é Isso e, quando o corpo desaparecer, Você é Isso! Eu estou apontando para Aquilo que Você É, apontando para Aquilo que é sua Natureza Real, além do corpo, além da mente, além da forma, além do mundo, além do nascer e morrer.


* Transcrito a partir de uma fala em um encontro presencial no Ramanashram Gualberto na cidade de Campos do Jordão em outubro de 2016

sábado, 16 de junho de 2018

Como opera a ilusão do pensamento?




O pensamento é um movimento automático, em que não há alguém. Então, de certa forma, ele é um fenômeno existencial. Mas, tem outra coisa aí: a intenção. O falso “eu” é viciado nesse movimento de imagens, então, ele carrega a intenção de pensar, porque precisa estar ocupado com imagens, com desejos, com buscas.

O que eu descobri é que no Estado Natural não existe intenção de pensar, pois não há prazer nisso, mas no ego há. Quando digo “prazer”, também me refiro à dor, pois ela está incluída nesse prazer. É paradoxal, porque o falso “eu” não pensa, mas tem a intenção, então, o pensamento fica a serviço dessa imaginação.

O ego não tem nenhum interesse na Felicidade, não sabe o que é Isso, mas ele sabe o que é sensação. Isso explica por que as pessoas cultivam, durante anos, pensamentos negativos e memórias que lhes trazem sofrimento. Desde que o “eu” esteja existindo, está tudo bem; desde que você seja alguém, mesmo deprimido, está bom! Então, para ser alguém, "você" vai buscar o pensamento. Aqui está o paradoxo, porque não tem alguém para buscar o pensamento. No entanto, aparece a intenção do pensamento, que é este suposto “alguém” querendo sobreviver com o pensamento. Então, os pensamentos, que são apenas um fenômeno existencial, ficam a serviço dessa falsa identidade e, como ela está viciada em sentir, em ser alguém, essa intenção continua mantendo-a sempre aí.

O corpo está aqui, mas não tem nada aqui. Há apenas os sentidos (percepção auditiva, visual, o tato, o paladar, o olfato). Esse movimento interno aparece com a intenção de pensar e, então, o pensamento diz: “Eu queria tomar sorvete!”. Nesse momento, o movimento interno começa a criar imagens. Pronto! Aí está o “eu” em sua sensação. Não há necessidade de sorvete, mas o “eu” necessita ser alguém, ele quer a sensação, então, ele fabrica o pensamento. Na verdade, ele pega o pensamento emprestado de um mar conhecido, chamado “memória”, chamado “lembranças”. Ele pega emprestado um pensamento e fabrica uma sensação imaginária do sorvete, ou de qualquer coisa. Ele sendo alguém, ele sentindo, está bom! Não importa se é uma imagem que lhe dá prazer, pode ser uma imagem que lhe dê dor; essa também serve.

Para o “eu”, o que importa é a sensação; a Felicidade não. O “eu” não sabe o que é Felicidade! Como ele pode desejar aquilo que ele não conhece? Tudo o que ele deseja está no seu “mar da memória”, “mar de lembranças”, nas imagens do pensamento.

É normal, para esse falso “eu”, permanecer buscando vida na experiência do pensamento. Como eu enfatizei agora há pouco: não faz diferença se ele está vivendo prazerosamente (o que ele chama de felicidade), ou se ele está vivendo dolorosamente (o que ele chama de infelicidade). Na verdade, a infelicidade é a sua marca registrada! O “eu” jamais será feliz, pois nele não há Felicidade.

É uma questão de intenção — a intenção de continuar. Por isso que, em Satsang, você se vê em resistência. Você não sabe para onde eu estou apontando e não tem interesse nenhum em olhar para lá. Então, requer certo tempo até você compreender a importância da autoinvestigação. Sabem o que é autoinvestigação? É a coragem de investigar a si mesmo e perceber o quanto de mentira você carrega.

A real libertação do sofrimento não é possível dentro de um trabalho de cura. A libertação só pode ser real dentro dessa autoinvestigação, e não é com a intenção de ser curado que a autoinvestigação surge. Ela surge quando há a intenção de observar a Verdade sobre si mesmo. Todos que estão buscando cura não estão prontos para a libertação do sofrimento. Aquele que se torna apto para a libertação do sofrimento não é aquele que busca a cura, mas aquele que busca a Verdade sobre si mesmo.

Uma vez que o Real é visto (e o Real é que não há o irreal), o irreal desaparece. O que não é real, não tem cura, mas pode ser descoberto como não sendo real e, então, desaparece. O ego pode “morrer”, mas não pode ser curado. Quando digo “morrer”, não significa que ele para de respirar, mas que a Verdade é vista e o irreal desaparece.

É como se deparar com um fantasma que nunca existiu. Você entra no quarto e se depara com a inexistência do fantasma — é assim que a ilusão termina. Compreendem agora por que o ego não tem cura? Isso é como dizer a um fantasma (que não existe) que ele precisa ir embora do quarto. Um fantasma que não existe dentro do quarto jamais vai embora. É como o ego – ele não tem cura.

Esse trabalho é muito interessante. Nós estamos investigando a natureza ilusória, não estamos investigando a Verdade. A Verdade é, por si só, autofulgente, autodemonstrativa, e é por isso que todos os Sábios dizem que você já é o Buda. Mas, os tolos também podem usar essa frase sem entender nada do que estão falando. Para você usar essa frase, você tem que ser um Buda ou, então, um tolo. Tem que falar com propriedade. [risos]

O Despertar é um jogo divino. Não tem ninguém para despertar, não tem nenhum fantasma ilusório no quarto, mas é o jogo. É por isso que o Estado Natural não é um estado — ele está fora de todos os estados. Um “estado” é algo que vem e vai e um “não estado” é aquilo que não se pode falar a respeito. Por isso que é tão bonito, tão encantador o Estado de Buda, esse Estado fora dos estados. Quando você me escuta, a sensação é que você conhece Isso. Isso faz você se lembrar de algo que você sabe que sabe, mas não sabe o que é (que é a sua Natureza, que é o que Você É).

Não tem nenhum fantasma ilusório no quarto, como também não existe alguém para ser curado. Então, quando você vai a um Sábio e diz: “Estou tão angustiado”, é como dizer: “Olha, eu tenho um fantasma no meu quarto com a perna quebrada!”. Como você sabe que o seu fantasma está com a perna quebrada? Imagine só: um fantasma com uma perna quebrada precisando de atendimento médico… Não dá para acreditar nisso! É como quando você diz: “Estou deprimido!”. A dificuldade é de “ponto de vista”, é o modo como você vê. Você escuta um barulho e diz: “É a perna do fantasma que mora no meu quarto!”.



* Transcrito a partir de um encontro presencial em João Pessoal no mês de Maio de 2018

quinta-feira, 14 de junho de 2018

O que é voltar-se para dentro?




Voltar-se para dentro não é comportar-se de determinada forma, respirar de uma determinada maneira, cantar uma espécie de música, recitar algumas palavras... Voltar-se para dentro é não confiar na mente, no que ela diz aí. Não confie em pensamentos, em nenhum deles!

Não há Verdade no pensamento, somente a “verdade” dele. Se você passar algum tempo perto de mim, descobrirá isso: eu não confio em pensamentos! Se eu não confio, você pode começar a desconfiar também. Isso é tudo o que espero de você. Mas, eu posso dar mais um passo com você. O primeiro passo com você é lhe mostrar que nenhum pensamento, sentimento, sensação ou percepção é real em seu Ser, em sua Natureza Verdadeira. Você quer saber qual é o segundo? Dê esse primeiro passo comigo e eu lhe revelarei o segundo.

Despertar é assumir a Verdade de que não há nada além de Deus! Então, a gente não confia em nada além de Deus, ou confia que tudo é Deus; dá no mesmo. Deus é outra palavra para a suprema Bem-Aventurança, suprema Felicidade. Há somente a suprema Felicidade! É aqui que eu estou, é aqui que Eu Sou o que Sou, que Você é O que é. Você se esqueceu disso e eu estou aqui só para lembrá-lo.

Vocês acham que eu sofro? Não! Por quê? Porque não há imaginação. Para sofrer, você precisa do pensamento. E pensamento é o quê? É imaginação, e está sempre associado a objetos, a imagens de coisas, pessoas e situações. Então, vejam como é simples viver sem sofrimento. A única coisa que importa é abandonar a exterioridade, que é criada pelo pensamento; o pensamento também é exterioridade.

Portanto, vejam que Meditação, que é o seu Estado Natural, é muito simples. É você permanecer no Agora, e Nele está a Totalidade da Verdade, que é Paz, Liberdade, Felicidade. Não tem “pessoa” no Agora! O Agora não carrega a “pessoa”. Eu trago você para a Meditação. Em todos os Satsangs, estou trazendo você para a Meditação. Eu não ensino uma prática de meditação, trago você para a arte da Meditação, o resgato para a Meditação. Às vezes, você foge, vai para uma imaginação e me dá um trabalho enorme trazê-lo de volta para esse Espaço, que não é contaminado pelo pensamento, pelo tempo, pela história.

Então, o meu trabalho com você é trazê-lo para este instante, que não é um “instante”, é o Coração da experiência, para o qual podemos dar vários nomes: Consciência, Presença, Ser, Deus, Verdade... Mas é qualquer “Coisa” onde “você”, a “pessoa”, não está.

Assim, não se fixe na identidade, deixe-a solta, pois ela é somente uma coisa do tempo.   Quando você assume uma identidade na experiência, ou seja, assume que está vivendo no mundo como uma “pessoa”, você tem preferências, escolhas, medos, desejos e histórias para contar. Quando você é Consciência, você é essa Presença, que esvazia todo o conteúdo da personalidade, da egoidentidade. Quando você é essa Presença, não tem mais “você” e, então, fica uma coisa muito bonita, como uma dessas rosas… uma coisa muito linda, muito atraente, de grande beleza! Contudo, não é isso o que refletem seus desejos, suas escolhas… É exatamente a ausência disso tudo, que é o Vazio, essa Vacuidade, que reflete toda a Beleza!

* Trecho de uma fala em um encontro presencial em João Pessoa no mês de maio de 2018

terça-feira, 12 de junho de 2018

O único problema que você tem




Em seu Estado Natural, não existe o outro. A base do outro está no sentido do “eu”. Se não há nenhum “eu”, não há nenhum “você”. Não é apenas o “outro” que não existe quando não há o “eu”; o mundo também não existe. Seu único problema é o sentido do “eu”. Paradoxalmente, o “Eu Sou” é a solução para todos os problemas. Se existe apenas o “Eu Sou”, não há “você”, mas, se você acredita nesse sentido de “eu sou este corpo” ou “eu sou esta pessoa”, outra “pessoa” aparece diante de você. Dessa forma, o outro se torna muito importante para você, pois a sua existência é dependente da existência dele. Se você aprender a permanecer em Si mesmo, todos os problemas desaparecem imediatamente. 

Portanto, a crença é o problema; a outra pessoa não é nenhum problema. Se o seu sentido de “eu” está aqui, você vive nessa comparação: “Eu sou pobre e ele é muito rico”; “Eu sou infeliz e ele é muito feliz”; “Olhe para a esposa dele… Eu não tenho uma esposa”; “Olhe para os seus discípulos… Eu não tenho discípulos”; “Eu falo o tempo todo de Advaita Vedanta, sou um mestre, mas ninguém reconhece minha grandiosidade, minha santidade”; “Se eu estou aqui, por que você não me vê?”; etc. 


Então, o sentido do “eu”, essa crença, é o único problema que você tem. Com o sentido do “eu”, você tem em si a inveja. Isso é sofrimento, uma forma de dor que você tem em si mesmo, porque “alguém” tem o que você não tem; “alguém” é o que você não é”. O senso de comparação é a causa de diversos problemas em sua vida. Por exemplo, ao dizer: “A minha esposa não é tão bonita”, o sentido do “eu” diz que você tem uma esposa. O “outro” é uma grande preocupação, porque “eu estou aqui”, “eu sou…”. Crenças! Na verdade, você não é o que acredita ser. A base desse problema são os pensamentos. Se você não tem pensamentos, não há comparação, não há o sentido do “eu”, não há inveja, não há problema. 


Eu, particularmente, não tenho nenhum problema, porque “pessoas” não existem para mim. Isso porque esse “eu” não existe para este “Eu”, que é o real “Eu Sou”. Não falo desse falso “eu sou”, que diz: “Eu sou bonito”, “Eu sou marido”, “Eu sou filho”, “Eu sou avô e tenho lindos netos”… O pensamento é muito estúpido e, se você acredita nesse “eu”, os problemas aparecem a todo momento. “Ela comeu o meu bolo! Cadê o meu bolo?”. Vocês percebem o problema? O sentido do “eu” traz todos os problemas. Meu trabalho é compartilhar com vocês como viver sem esse sentido de “eu sou pai”, “eu sou namorada”, “eu sou namorado”…


* Transcrito a partir de uma fala em um encontro presencial em João Pessoa em Maio de 2018

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