quinta-feira, 2 de julho de 2026

Você e a autoimagem. O fim da autoimagem. O que é o pensamento? O que é o pensar? Como meditar certo

Aqui, o nosso empenho juntos consiste na descoberta da pessoa, da verdade da revelação dessa pessoa. O ponto importante aqui é o fato de que essa pessoa, que é a pessoa que acreditamos ser, é aquilo que o pensamento nos diz sobre quem nós somos. É basicamente isso. E tudo o que o pensamento nos diz consiste em uma imagem que ele construiu.

Se, por exemplo, eu peço para você fazer uma descrição de alguém para mim, descrever essa pessoa para mim significa que você vai me dar, nesse momento, a imagem que você tem dela. É como você pode descrever alguém pra mim; é como fazer um retrato falado - é basicamente isso, é literalmente isso.

Para fazer um retrato falado, você precisa de um quadro mental, de uma representação no pensamento do formato do nariz, do formato dos olhos, do tipo de cabeça, cabelo, queixo, se tem bigode, se não tem, e assim por diante. Então, descrever um retrato é criar uma imagem mental sobre aquele ou aquela que você quer descrever, que você precisa descrever.

Quando você lida com as pessoas, você não se dá conta de algo muito básico que nós temos trabalhado, averiguado, investigado aqui com você: o simples fato de que quando você lida com pessoas, você está lidando com representações no pensamento do que você sabe sobre elas, o que implica a presença de uma construção mental, de uma imagem em você, estabelecida em você, sobre quem ela é.

Qual será a verdade da pessoa que você é para si mesmo? A outra pessoa, para você, é somente também uma imagem. Mas e você para si mesmo, seria diferente? De forma alguma! A ideia que você tem sobre você é também uma construção mental.

Quando as pessoas lhe aborrecem, elas lhe aborrecem porque aborrecem essa imagem que você construiu sobre você. Se você tem uma imagem de si mesmo de alguém inteligente e eu te chamo de burro, de ignorante, de estúpido, nesse exato momento você se ofende, se magoa, se enraivece, fica colérico comigo, porque eu toquei nessa imagem; essa imagem está sendo ferida, está sendo arranhada.

Observem que todas as nossas relações são nesse nível, no nível de imagens. A imagem que você tem sobre você precisa ser respeitada por mim, e vice-versa, ou deixaremos a amizade, ou ficaremos inimigos e podemos até partir para a violência física, em razão da raiva que você irá me causar, que eu irei causar a você. Assim são as nossas relações.

As nossas relações com as pessoas são relações nesse nível. Então, vamos compreender aqui logo a primeira coisa. A primeira coisa é: você e a autoimagem. Você e a autoimagem são algo tão estreito e íntimo, que sem erro algum podemos dizer que você é a autoimagem. Tudo o que você tem sobre quem você é é tudo o que você sabe sobre você. Tudo o que você sabe sobre você é tudo o que o pensamento tem para lhe dizer sobre você.

Agora, percebam a ilusão presente em tudo isso, nessa condição de vida que estamos vivendo. Porque se a nossa vida se assenta na autoimagem, essa vida não é real, é uma vida de abstração, é uma vida de opinião, de comparação, de avaliação, de julgamento. Quando você concorda comigo, eu sou seu amigo; quando você discorda de mim, eu fico seu inimigo, ou me afasto de você, e vice-versa. Assim são as nossas relações humanas.

Qual é a verdade sobre você? Você desconhece! O seu nome não é você, a sua idade não é você, a sua história não é você. Tudo isso são lembranças que você tem sobre quem você é, acerca de si mesmo. Mas sobre você, tudo o que você tem é uma construção do pensamento.

Haverá uma verdade presente além dessa verdade, que é a verdade da autoimagem? Porque você, como pessoa, é isso. Tanto é assim que você leva muito a sério tudo o que sente sobre o que falam de você. Se falam bem de você, você se sente bem; se falam mal de você, você se sente com raiva, aborrecido, isso porque você não se dá conta da verdade sobre você, ou, a verdade sobre você é somente essa. É com isso que você se identifica, é com isso que você se confunde.

Um trabalho em direção à Realização Divina, à Realização de Deus é a tomada da ciência daquilo que é a Verdade do seu Ser, aquilo que é Você livre desse "você" que o pensamento construiu, livre dessa imagem que o pensamento estabeleceu. Isso requer que você compreenda alguns elementos básicos, principais, envolvidos nessa questão desse "eu", desse "mim", dessa "pessoa". Um dos elementos básicos, que nós temos voltado aqui a ele muitas vezes, é a verdade sobre o pensamento. É o pensamento o elemento principal em tudo isso.

Então, o que é o pensamento? Você não tem uma única lembrança sem um símbolo, sem uma ideia, sem um quadro mental, sem uma imagem. Toda lembrança é basicamente isso, e isso é pensamento. Todo o pensamento em você não é algo que irá chegar. Todo o pensamento em você não é algo que irá aparecer aí a partir do futuro. Todo o pensamento em você aparece em você a partir do passado. Não é algo que irá chegar do futuro, é algo que vem do passado.

Então, aqui, nós temos duas coisas presentes nessa questão da resposta sobre o que é o pensamento. O pensamento é o passado; sendo o passado, é uma memória, é uma lembrança. A outra coisa é que o pensamento tem uma forma, uma representação mental, tem uma imagem. Então, todo o pensamento em você é algo que vem do passado e ele tem uma forma, ele tem uma imagem.

Eu só posso reconhecer o seu rosto porque eu tenho uma imagem do seu rosto nesse formato de pensamento; de outra forma, eu não poderia reconhecer o seu rosto. E eu só posso reconhecer o seu rosto porque ele já foi conhecido, ele é parte do conhecido. Assim, a presença da memória é o reconhecimento, e é o reconhecimento de uma imagem, algo que já está presente dentro de cada um de nós: essa é a presença do pensamento.

Quando as pessoas querem se ver livres de problemas elas não compreendem que a base dos problemas é a presença, nelas, desse elemento. Você não teria nenhum problema com pessoas se você não tivesse, delas, imagens, lembranças.

Quando alguém diz assim: "Ah, eu gostaria muito de não estar ainda magoado com fulano, ou com raiva dela, mas ao me lembrar." Sim, é claro que ao se lembrar isso chega, porque sem a lembrança você não tem mágoa. Você não tem raiva de alguém de quem não se lembra. É a presença do pensamento o elemento principal nessa forma psicológica de existir como alguém, como uma pessoa.

Soa estranho ouvir isso, mas não existem pessoas. As pessoas existem nas lembranças. Elas estão presentes na lembrança, elas estão presentes no reconhecimento. Quando você se esquece de alguém, a verdade é que ela não existe; ela não faz parte do seu campo de consciência, uma vez que essa consciência é a consciência mental - é o que nós chamamos de consciência.

O que chamamos de consciência é a consciência do "eu", é a consciência nessa autoimagem. Essa autoimagem, que é o "eu", tem suas lembranças; essas lembranças são a condição psicológica da existência da pessoa que eu sou. Mas onde se encontra essa pessoa quando não existe essa autoimagem? Quando você não tem uma lembrança de algo, onde é que aquilo se encontra? Onde está a verdade daquilo do qual você não se lembra?

Então, estamos diante, aqui, de algo muito básico e de grande relevância para essa visão que nos interessa nesses encontros, que é a visão da compreensão, que é a visão da libertação desse sonho, que é o sonho de existir como alguém, que é o sonho de existir como uma pessoa, uma vez que a presença da pessoa é a presença da autoimagem, e essa autoimagem é o que o pensamento estabeleceu em você sobre quem é você e, também, sobre o mundo das relações com outras pessoas. Portanto, a verdade sobre o pensamento é que o pensamento é uma memória.

Podemos descobrir o que é permanecer livre do pensamento? Livre do pensamento, nós temos a libertação dessa autoimagem. Isso é o fim dessa autoimagem, isso é o fim dessa pessoa como nós conhecemos, deste "mim", desse "eu", desse "ego".

Será possível uma vida livre de ser magoado, ofendido, livre da ilusão de dependência sentimental, emocional de outras pessoas que acreditamos amar? Livre dessa dependência emocional de outras pessoas que acreditamos odiar? Podemos nos libertar, nesta vida, desse sentido do "eu", do "ego" para estarmos além desse, assim chamado, amor, que é mera dependência emocional nas relações? - uma dependência lincada à questão da autoimagem.

Podemos descobrir o que é uma vida livre dessa ideia de gostar e não gostar? - uma vez que essa ideia é uma ideia no pensamento, na autoimagem. Se isso se torna possível, nós nos aproximamos aqui, pela primeira vez, do fim dessa autoimagem e da real aproximação da Meditação.

Quando a pergunta é: "Como meditar certo?" Em geral, a ideia é alguém se envolvendo com a prática da Meditação para encontrar o fim dos problemas. A verdade da aproximação da Meditação requer a compreensão da verdade sobre o que é o pensar. Lidar com o momento presente, livre do pensamento e, portanto, livre da imagem que eu tenho sobre quem eu sou, sobre quem o outro é, é se aproximar desse instante na compreensão sobre o pensar.

A verdade sobre o pensar é que o pensar é aquilo que está presente quando não existe mais essa autoimagem, quando não existe mais esse padrão de visão a partir da imagem, uma vez que essa visão a partir da autoimagem é a visão do pensador, desse experimentador, desse elemento que vem do passado, que é o "eu". Então, o que é pensar? É lidar com o pensamento, livre do pensador, livre do experimentador, livre dessa questão da autoimagem.

Nós não sabemos a verdade sobre o pensar, porque nós vivemos dentro de um contexto de pensamentos a partir do pensador, a partir dessa autoimagem. Então nós vivemos dentro desse contexto de criação do pensamento, de ilusório pensar, de ilusório sentir, de ilusório viver, porque estamos dentro dessa vida do "eu", dessa vida do "ego", onde temos esse que é o pensador com o seu pensamento, esse experimentador com a sua experiência, esse que gosta, esse que não gosta, esse que olha a partir dessas memórias, dessas lembranças.

Lidar com a verdade do pensamento requer a presença de um olhar para o pensamento, sem se envolver com o pensamento. Esse é o fim dessa qualidade de pensamento que está produzindo em nós essa ilusória identidade, que é a pessoa, que é esse "mim".

Haverá uma forma de pensar livre do pensamento? Haverá uma forma de sentir livre desse "eu" no sentir? Haverá uma forma de emoção livre de uma identidade presente se confundindo como sendo o experimentador dessa experiência chamada emoção? Tudo isso requer uma investigação da compreensão de nós mesmos.

O contato com a Realidade da Vida consiste no pensar, no sentir, no agir, consiste em se emocionar. Não alguém presente nisso; não esse sentido do "eu", do "ego", desse "mim", desse pensador, desse experimentador, desse observador, que é o "eu", presente nisso. Aqui, nós estamos sinalizando para você algo além do "eu", além do "ego", além daquilo que o pensamento em nós identifica como sendo real, e que, de fato, não é.

Há uma Realidade presente, e essa Realidade é a Realidade Divina, é a Realidade do seu Ser, é Aquilo que está presente além dessa autoimagem, além dessa pessoa, além deste pensador, além desse elemento no sentir. É isso que estamos trabalhando aqui com você, aprofundando aqui com você. Qual é a verdade sobre o pensar? Qual é a verdade sobre o sentir? O que é a verdade da Meditação? O que é essa Real Meditação?

Nós temos encontros on-line nos finais de semana, onde estamos, sábado e domingo, investigando isso com você. Fora esses encontros, temos encontros presenciais e, também, retiros. Se isso é algo que faz algum sentido para você, já fica aqui um convite.

Junho de 2025
Gravatá-PE
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