quinta-feira, 30 de novembro de 2023

Como manter a calma? | Despertar da Verdadeira Inteligência | Real Ação livre do ego

A questão da ação é uma questão fundamental. Em nossa vida as ações estão sendo tomadas, a pergunta é: de onde provêm essas ações? De onde procedem essas ações? Qual é a natureza dessas ações? Por que agimos como agimos? Por que a ação é dessa forma ou daquela outra forma?

É muito comum perguntas do tipo: “Como agir corretamente?”, “Como agir sob pressão?” e “Como manter a calma?” Todas essas três perguntas são relativas à questão dessa problemática: a problemática da ação, da ação livre. Porque as nossas ações estão sempre comprometidas de alguma forma.

Nós queremos trabalhar com você aqui essa questão da ação livre. Me refiro à ação livre do ego e, portanto, à ação que não se traduz nem se mostra a curto, médio e longo prazo como uma ação conflituosa, como uma ação em sofrimento, como uma ação de desordem.

Todos nós queremos acertar, todos nós queremos ser bem sucedidos nas ações, mas há um problema aqui, e o problema é a não compreensão de que, quando nós nos devotamos às ações externas sem antes termos uma compreensão da natureza, da verdade, da estrutura dessa ação, essa ação não será Real, não será adequada; ela não será a ação que, de fato, irá produzir para nós e para o mundo à nossa volta Felicidade, Liberdade, Paz. Será uma ação em conflito, uma ação em sofrimento.

A base para a ação correta, para a ação livre é a Inteligência. Não há Inteligência presente em nós. O ser humano fala sobre a inteligência espacial, sobre a inteligência emocional, sobre a inteligência matemática, a inteligência musical, a inteligência naturalista. Nós pegamos a palavra “inteligência”, que na verdade é habilidade, conhecimento e capacidade de lidar com essa ou aquela área específica da vida, e nos conformamos a essa condição, não percebemos que a Verdade da Inteligência é uma outra coisa. E é isso que estamos tratando aqui com você. Estamos falando da Verdade da Inteligência – a meu ver, a Real Inteligência, como tenho chamado.

A Real Inteligência – eu poderia chamar aqui de Inteligência Natural. Eu não me refiro a essa chamada “inteligência humana", a essas categorias de inteligência, eu me refiro a essa Natural Inteligência, a essa Real Inteligência, a essa Divina Inteligência. A única Inteligência – a meu ver – nesse nível é aquela que lhe dá uma visão da vida livre de sofrimento. Uma vida livre de sofrimento é uma vida onde a ação ocorre, onde a ação acontece sem produzir sofrimento. Uma qualidade de ação desse nível nasce da Real inteligência, isso é Amor, isso é Compaixão. Então, a Inteligência que não produz sofrimento para o outro, que não produz sofrimento para si mesmo é a Inteligência do Amor, é a Inteligência da Verdade, é a Real ou é a Natural Inteligência.

Então, aqui estamos trabalhando com você o fim dessa ilusão desse centro falso que é o “eu”, o ego, para uma ação Real. Então, vamos explorar aqui o que é a ação. Nós somos impulsivos e nos movimentamos na ação. A vida consiste de ações acontecendo, ações sendo tomadas, ações ocorrendo, mas se nós não temos uma base para essa Real ação, tudo o que temos são meras atividades ainda egocêntricas. Essas atividades egocêntricas é o que temos chamado de ação.

É sempre esse "eu" em sua inquietude, na sua ausência de Inteligência que precisa ter calma, porque ele está estressado. Então ele pergunta: “Como manter a calma?” É sempre esse "eu", esse ego na dúvida, em sua confusão mental, psicológica que pergunta: “Como agir corretamente?” Porque quando a presença da Inteligência está – aqui eu me refiro à Real Inteligência –, você não pergunta “Como agir corretamente?” Não há qualquer separação entre essa Inteligência e a ação. A presença desse intervalo entre a ação e o pensamento é que cria perguntas desse tipo: “Como agir sob pressão? Como agir corretamente? Como manter a calma?”

Então, nós precisamos explorar isso aqui, é um assunto muito vasto essa questão da ação livre do ego e, portanto, da ação que nasce dessa Real Inteligência, dessa ação que nasce da presença do Amor. Responder a esse instante, a esse momento presente sem esse fundo do passado, sem esse experimentador. O que é esse experimentador? É aquele que já passou por experiências e armazenou essas experiências em forma de conhecimento, de memória, de lembranças e agora está atuando. E quando nós atuamos a partir dessas memórias, lembranças, que são o passado, nossas ações são meras atividades egocêntricas. Temos exatamente aqui a ausência dessa ação da Inteligência.

Temos que descobrir uma qualidade de ação livre do “eu", livre do ego. Essa qualidade de ação é a única ação Real, é a ação não conflituosa, é a ação livre de sofrimento, é a ação livre de confusão, porque ela não nasce do impulso, do ego, desse experimentador, desse "eu", desse passado. Notem o que estamos trazendo aqui para você: nossa ação com base no passado, acontecendo nesse instante, é a ação do ajustamento, da tentativa de acertar, da tentativa de fazer algo, de obter algo, de realizar algo. Então, é uma ação motivada por esse ego, por esse centro que é o “eu”.

Toda ação motivada, carregada de uma intenção, de uma motivação, de um desejo está nascendo de uma conclusão egoica, de um posicionamento particular desse centro que é o ego. Haverá uma ação livre? Estamos colocando aqui: sim, com certeza. É a ação da Inteligência, é a ação do Amor. Ela não nasce do passado, ela não nasce desse fundo reativo do “eu”, do ego.

Reparem como é importante a compreensão da ação. Olhem para o mundo, a confusão em que nós nos encontramos. O ser humano vive nesse sonho de vida, de existência em sofrimento. Ele está produzindo para si mesmo sofrimento quando ele está produzindo sofrimento para o outro. Na verdade, não existe qualquer separação entre “eu e você”, entre “nós e eles”. O único sofrimento presente é o sofrimento dessa ilusória identidade, que é o "eu", o ego, criando a ilusão desse “eu” individual, particular, criando a ilusão desse grupo particular chamado “nós”, que se separa daquele outro grupo que são “eles”.

Então, há “eu e você”, há “nós e eles”. Nessa divisão, nós temos a confusão, porque as nossas ideias, as nossas crenças, os nossos posicionamentos são divergentes, então nós não concordamos, não combinamos, não nos ajustamos ou, no máximo, nos ajustamos até um próximo desajuste. Então, olhem para a situação do mundo. A cada ano nós estamos vivendo um novo ano, já em um novo século. Em nossa geração nós estamos repetindo o que os nossos pais, avós e bisavós fizeram.

Olhem para o mundo, a confusão em que nós nos encontramos. Neste século, estamos repetindo o conflito entre “nós e eles”. Nós temos todo aquele conflito agora, no momento, acontecendo no Oriente Médio, isso vem se repetindo há milênios. Tudo que nós fazemos é lutar, é conflitar, é produzir sofrimento uns para os outros, tudo em nome de ideologias, de crenças, de tradição, de cultura, tudo em nome do passado, tudo em nome de uma história construída pelo pensamento, sustentada dentro de cada um de nós, nos dando uma ilusória identidade, que é o ego, que nos separa uns dos outros e, portanto, está sempre disposto a conflitar, a lutar.

Então, nós estamos vivendo um caos, uma confusão, uma desordem, um extraordinário sofrimento. Isso é esse sonho de vida humana. Essa condição de existência é a condição de sonho. Na verdade, de um grande pesadelo de existência humana. Podemos acordar disso? Podemos ir além desse sonho? Podemos soltar essa ilusão de identidade separada e, portanto, estar livre desse mundo? Porque apenas quando você se torna livre desse mundo, o mundo fica em paz.

É a sua presença, é a presença desse “mim”, é a presença desse "eu", é a presença dessa “pessoa” nesse sonho de existência, de identidade separada que está criando toda essa confusão. Essa é a condição psicológica do ego: a desordem, a luta, o conflito, o medo, o desejo, o sofrimento. O que é essa ação livre do mundo? O que é estar livre desse mundo? Aqui eu me refiro livre psicologicamente dessa confusão, dessa desordem, desse senso de separação. O que é permanecer livre desse centro que é o "eu", o ego? É quando o mundo termina, é quando o sonho termina, é quando a confusão termina.

Podemos, em nossas vidas, descobrir a Verdade da vida, abandonando esse sentido de “minha particular vida”, “minha particular existência”, “meu particular mundo”, onde nele existe esse sonho, onde existe avareza, inveja, ciúme, posse, controle, contradição? É possível a vida Real nessa ação Real, onde a presença da Compaixão, do Amor e da Liberdade é a única Realidade presente? Será possível uma vida livre de toda forma de sofrimento? Essa é a Realização de seu Ser, essa é a Realização de Deus. Essa é a resposta, nesse instante, para esse momento presente, para esse desafio da existência no viver, é a resposta para isso de uma ação livre da ilusão, de uma ação sem esse “mim”, sem esse “eu”. Neste instante temos presente a Inteligência em ação.

Percebam, não há separação entre o agir e a Inteligência, que é Amor, que é Compaixão, que é a presença da Verdade, que é a presença da Graça, que é a Visão do seu Ser, que é a Visão de Deus. Alguns chamam essa percepção de Realidade nessa Real inteligência de o Despertar da Consciência; alguns chamam de Iluminação Espiritual. Essa é a presença da Verdade do seu Ser que nasce do Autoconhecimento.

Assim, estamos compartilhando com você o Despertar da verdadeira Inteligência e da Real ação livre do ego, Algo que se torna possível quando há Autoconhecimento, quando há essa Verdade do Autoconhecimento, quando há o Florescer da Real Meditação, que é o seu Natural Estado de puro Ser, de pura Consciência se revelando aqui e agora.

Novembro de 2023
Gravatá/PE
Mais informações

terça-feira, 28 de novembro de 2023

Despertar Espiritual. Uma aproximação da vida com outra visão. Acumulação psicológica. Fim da busca.

É comum fazermos as perguntas “Como encontrar Deus?”, “Como Realizar Deus?”, “Qual é a verdade do Autoconhecimento?” ou “Qual a importância do Autoconhecimento?” A Realização do seu Ser é a resposta para tudo isso, porque a Realização do seu Ser é o fim da ilusão da “pessoa” como você se vê nesse contexto da vida.

Assim, nesses encontros aqui nós estamos investigando isso com você, explorando isso juntos. Aqui nós estamos tendo uma aproximação da verdade sobre quem nós somos. Então, o nosso propósito nesses encontros é termos uma revelação da Verdade d’Aquilo que somos quando aquilo que parecemos ser não está mais presente. Então, estamos diante de Algo realmente fascinante, de Algo realmente maravilhoso, extraordinário, porque Isso é o fim da busca para aquele que está nessa procura por Deus.

Então, nós temos que aqui, por exemplo, ter uma aproximação muito clara do que é a experiência para aquele que experimenta. Reparem que a nossa vida consiste de experiências acontecendo, mas percebam uma coisa: são experiências acontecendo quando são registradas. Se elas não são registradas, elas ficam a nível do experimentar. Então, observe como é interessante termos uma aproximação da vida com uma outra visão, com a visão livre desse fundo de mentalidade comum, de mentalidade pessoal, de mentalidade egoica como tem sido a nossa visão, como tem sido a nossa mentalidade.

A vida agora, aqui, está acontecendo, mas ela não está acontecendo para um experimentador. Assim, a vida acontecendo aqui, nesse instante, ela não é uma experiência, ela é o experimentar e, no entanto, estamos nesse instante em razão desse experimentador, que é o “eu”, o ego, a “pessoa” em nós. Estamos transformando sempre esse momento numa experiência. A vida é aquilo que acontece agora, não é aquilo do qual você pode ter uma memória, uma lembrança, uma recordação sem o experimentador. Nós sustentamos a presença do experimentador porque não conseguimos lidar com o momento presente apenas no experimentar.

Reparem o que estamos colocando aqui para você: a beleza de viver esse momento é a Beleza de ter um encontro com a Realidade Divina, com a Realidade do seu Ser, com a Realidade de Deus. Pode parecer muito estranho tudo isso, mas vamos examinar isso aqui juntos. A vida como ela acontece é uma Revelação Divina. É exatamente quando a “pessoa”, o “eu”, o “mim”, o experimentador entra que transforma esse momento, que é um momento único de puro experimentar, em uma mera experiência pessoal, egocêntrica, particular para esse “mim”, para esse “eu”, para esse ego.

Então, como nasce esse “eu”, esse ego, esse “mim”, esse experimentador? Simplesmente transformando esse momento do experimentar em uma memória, em uma recordação, em uma lembrança. A nível prático, objetivo, ao passarmos por instantes do experimentar precisamos, sim, podemos, sim, e devemos, sim, transformar isso em uma experiência, porque a nível objetivo e prático aprender nesse nível representa apenas acumular informações, conhecimento, experiências. Isso requer, sim, a presença de um experimentador. Dirigir um carro, por exemplo, é algo que você, ao passar pela experiência, ela é guardada na memória, então, o experimentar na direção se transforma numa experiência de memória. Então, é um conhecimento nesse nível que se faz necessário para esse cérebro técnico, funcional. Nesse nível o conhecimento se faz necessário, a experiência se faz necessária, o experimentador se faz necessário.

Notem como é interessante isso. O uso da fala é uma coisa aprendida. Ao passar pelo experimentar do ouvir aquela palavra isso foi guardado na memória e se tornou uma experiência para esse experimentador. Então, a nível de funcionamento cerebral, o experimentador é prático, ele é objetivo, ele é direto para funções muito práticas da vida. Nesse sentido, eu diria que esse experimentador não é uma entidade presente, é um modelo como o cérebro opera, como ele funciona. O cérebro registra a experiência, isso agora é parte do conhecimento do cérebro, e quando se faz necessário está na memória motora dirigir um carro ou fazer uso da fala. Nesse nível, o cérebro precisa acumular, ele precisa aprender, ele vive dessas experiências, ele evolui nessas experiências.

Todo o progresso humano está em razão de um cérebro que vem se desenvolvendo, vem evoluindo nesse modelo de experimentar, transformar isso num conhecimento, em razão do registro, e fazer uso desse conhecimento de uma forma prática. Isso é algo importante nesse contexto de sonho de vida, como eu tenho chamado. O problema aqui surge quando psicologicamente estamos sugerindo um experimentador, sustentando um experimentador. Todo o problema conosco, todo o problema em nós, nesse “mim”, nesse “eu”, nesse ego é que ele é esse experimentador psicológico, ele é essa entidade psicológica que está, psicologicamente, registrando as experiências. Então, o sentido do “eu”, do ego, esse elemento autocentrado em nós é uma fraude, é uma ilusão. É aquele que está produzindo uma qualidade de vida em sofrimento, em conflito, em contradição. Estamos sempre passando pelo experimentar e transformando isso em algo pessoal, egoico, para este centro ilusório.

Quando falo com você, eu não estou falando, na verdade, com você, estou falando com a imagem que esse “mim”, esse “eu” tem registrado sobre quem você é. Então, esse contato que tenho com você é um contato com uma imagem, com uma autoprojeção. Eu tenho esse “gostar” ou “não gostar” de você, o que é algo egocêntrico, centrado nesse “eu”. É isso que está produzindo conflito em nossas relações, sofrimento em nossas relações, problemas em nossas relações. Nós estamos vivendo nesse centro ilusório, nesse centro falso, nesse “mim”, nesse “ego”, nesse experimentador. A pergunta aqui é: podemos nos livrar disso, desse centro ilusório, desse centro falso, desse experimentador? Porque, enquanto isso estiver presente, não há ciência da Realidade de Deus. Esse é o problema com o buscador, ele busca a partir desse centro ilusório, desse ego e tudo o que ele pode encontrar a partir desse centro ilusório é uma projeção dele mesmo. Então, nossa ideia, nossa imagem, nossa crença sobre Deus é uma projeção do próprio “eu”. Percebem? É uma projeção do próprio ego.

Assim, compreender esse movimento do “eu”, que é o movimento do ego, é se despir desse experimentador, é ir além desse “eu”, desse centro. Então o nosso cérebro pode funcionar de uma forma muito prática e objetiva no mundo com o seu aprendizado técnico, funcional, mas não temos mais esse modelo de acumulação psicológica, de aprendizado psicológico, de identidade que se separa do outro a partir de uma imagem. Se você me elogia, eu gosto de você; se você me critica, eu não gosto de você. Esse “mim”, esse “eu” é todo o problema. Todo o problema em nós é esse “eu”, esse centro ilusório.

O que é esse encontro com a Verdade? O que é esse encontro com a Realidade Divina? É a constatação de que nesse instante, nesse momento presente, podemos prescindir da ilusão desse falso centro que é o ego. A Verdade do Autoconhecimento reside na compreensão de que esse “eu” ilusório está sustentando em nossas vidas essa ilusão da separação entre “eu e a vida”, “eu o outro”, “eu e Deus” porque esse “eu” é a ilusão. Permitir que a vida seja o que ela é, viver livre desse centro particular, dessa projeção que tem por princípio experiências que não desapareceram para esse centro ilusório, se despir disso é o fim do sofrimento, é o fim da confusão, é o fim da ilusão. Então, nesse momento podemos ter uma aproximação do que é esse encontro com Deus, do que é esse encontro com a Vida livre do “eu”, do que é esse encontro com o “outro” livre do “eu”, com o mundo livre do “eu”.

Assim, uma aproximação de si mesmo é o fim da ilusão desse “mim” pelo Autoconhecimento. É aqui que a ciência da Verdade da Meditação se torna fundamental. Se despir desse conteúdo psicológico de memória, de história, de recordação, de imagens sobre quem eu sou, sobre quem o outro é, sobre o que a vida é. O fim de todo o modelo já programado de pensar, de sentir e agir, que é o modelo de condicionamento de sociedade, de mundo, de cultura, de vida egoica. O esvaziamento de todo esse conteúdo é a aproximação da Verdade, da Verdade do Autoconhecimento, da Verdade da Real Meditação. Quando todo esse conteúdo psicológico, que é o “eu”, desaparece, Algo novo está presente.

Tudo o que nós precisamos é descobrir o que é esse momento presente sem esse conteúdo do passado, o que representa esse contato com esse instante sem esse elemento que se separa desse momento presente para registrar, para transformar esse instante numa memória para depois agir a partir dessa memória. É um processo que ocorre naquilo que eu tenho chamado de o tempo psicológico. Assim, esse momento presente se torna muito importante para o ego, porque ele transforma esse momento num acervo, numa memória, em um passado, e ao se deparar sempre com o momento presente seguinte, ele se depara com esse momento com base nesse passado.

No ego, estamos sempre atuando a partir do passado nesse instante. É quando transformamos esse momento presente de puro experimentar em uma mera experiência pessoal. Assim, estamos sempre sendo pessoais em nossas relações, pessoais em nossas ações, pessoais em nosso comportamento, pessoais a cada instante nessa vida, nesse movimento extraordinário que é a Vida em sua Graça, em sua Beleza, em sua Totalidade. Estamos sempre nesse tempo psicológico – passado, presente e futuro. Isso explica todo o estado interno de sofrimento presente no ego. A ansiedade, a antecipação de um futuro psicológico para o ego, a angústia, a depressão, a frustração, é esse passado psicológico para o “eu”, para o ego aqui, nesse momento. E, para o ego, esse momento é um momento de conflito, de contradição e, portanto, de sofrimento, porque ele vive no tempo: passado, presente e futuro.

A constatação da Realidade de Deus, a constatação da Realidade do seu Ser é o fim desse “eu” que é o experimentador, que é esse elemento que vive nesse cultivo de memórias, de lembranças psicológicas. E parece que já ficou claro: num certo nível, a memória se faz necessária, em outro nível é o problema. Aqui nesse trabalho estamos tomando ciência da Realidade de Deus, ciência da Realidade do seu próprio Ser, da Verdade Divina, o que representa o fim do tempo psicológico, o fim para essa egoidentidade.

Então, essa é a Realização de Deus, o Despertar Espiritual ou a Iluminação Espiritual. Ter uma aproximação do movimento da vida sem esse movimento psicológico da mente é viver sem conflito, é viver sem sofrimento, é viver sem ilusões. Assim, estamos juntos investigando isso, explorando isso, trabalhando o fim para essa ilusão dessa pessoa, desse “mim”, desse centro ilusório.

Novembro de 2023
Gravatá/PE
Mais informações

quinta-feira, 23 de novembro de 2023

Realização de Deus | Egoica mente | Psicológica ordem | Tagarelice psicológica | Totalidade da Vida

A questão da ordem interna. Vamos falar sobre isso. Nós queremos ter uma vida externa em ordem, equilibrada, tranquila, em paz. No entanto, não há ordem interna, equilíbrio interno, paz interna. Qual é a importância dessa psicológica ordem dentro de nós. O que é ordem psicológica? E qual é a importância disso?

É necessário ordenar internamente a si mesmo, carregar essa autoridade interna de Liberdade psicológica. Temos uma mente inquieta, não temos uma mente em ordem, não há Silêncio dentro de nós. Não há nada tão importante quanto o Silêncio. Como lidamos com o pensamento? O que é o pensamento em cada um de nós? Não temos um cérebro silencioso. Assim, nós precisamos descobrir como funcionamos, precisamos dessa ordem interna, precisamos descobrir como o pensamento se processa dentro de cada um de nós.

Notem que o pensamento é inquieto. Percebam que o pensamento está num movimento de inquietude interna, ele está sempre saindo de um assunto para outro, ele está sempre se movimentando dentro de você, e com ele você se confunde, com ele você se identifica. Então, você não se separa dele, você sente ser ele, e se ele muda de um assunto para o outro, você internamente está o tempo inteiro mudando de um assunto para o outro, de um estado para o outro, de um sentimento para o outro, de uma emoção para a outra. Assim como o pensamento muda, o sentimento muda, e nós não temos ciência de como funcionamos.

Nós não percebemos que entre um pensamento e outro há um espaço, e é estranho você ouvir isso. Alguns de nós – na verdade, a maioria – nem mesmo tem ciência do que estamos falando aqui, de que há um espaço entre um pensamento e outro, Você nunca vê esse espaço, você nunca percebe que entre um sentimento e outro há um espaço, entre uma emoção e outra emoção há um espaço, entre uma sensação e outra sensação há um espaço. Em geral, nós não percebemos isso. Isso requer uma certa atenção sobre si mesmo, uma certa observação sobre como você funciona.

Em geral, o ser humano não dá atenção a si mesmo. Ele tem que trabalhar, ele tem que ganhar dinheiro, ele tem que pagar suas contas, ele tem que levar os filhos no colégio, ele tem que realizar muita coisa fora de si mesmo. E todos os pensamentos que giram em torno do ser humano, giram dentro desse propósito, que é o propósito de ordenar e colocar a vida externa de uma certa forma que haja preenchimento e satisfação para ele.

Então, nós passamos pela vida, depois de quarenta, setenta anos, constituímos família, criamos filhos, já temos netos, mas nunca observamos a nós mesmos, como nós funcionamos. E porque não observamos a nós mesmos, não sabemos o que é Consciência. Nós estamos sempre conscientes das coisas, mas é esse “eu” consciente daquilo que está à sua volta, é esse “eu” se preenchendo nas coisas que estão à sua volta. Isso é inteira inconsciência. Nós não temos consciência sobre nós mesmos, nós não conseguimos enxergar esse espaço entre um pensamento e outro, entre um sentimento e outro, entre uma emoção e outra emoção. Não há Silêncio, não há Quietude, não há Liberdade, não há Verdade em nossas vidas. Então nós caminhamos para o túmulo de uma forma totalmente inconsciente.

Quando você vem a esses encontros, nós estamos aqui olhando para algo diferente. A vida está acontecendo lá fora e você está se tornando ciente do movimento interno do “eu”. Você está se tornando ciente do movimento do pensamento, do sentimento, da emoção, você está investigando a si próprio, você está estudando a si mesmo, você está encontrando essa psicológica ordem, está descobrindo a verdade sobre você, está entrando em contato com Algo fora do conhecido, está entrando em contato com a Realidade. Cada um dá um certo nome para essa Realidade, mas os nomes não importam, o que importa é a Verdade dessa Realidade se revelando. Isso é a ciência sobre quem Você é. Então agora há Paz, então agora há Liberdade, então agora há Verdade, então agora existe compreensão em sua vida, porque existe ordem psicológica, ordem física, ordem emocional, sentimental. Você está vivendo a Verdade porque tem ciência da Verdade sobre quem é Você.

Então, nesses encontros – Satsangs – nós estamos estudando isso, estudando a nós mesmos, compreendendo como nós funcionamos, percebendo o que é isso, o que é essa desordem, o que é essa confusão, por que que a vida tem sido assim. Então, a aproximação dessa psicológica ordem, dessa ordem emocional, sentimental, dessa ordem de vida requer a aproximação da investigação da desordem, dessa desordem interna. O que é o pensamento? O que é a emoção? O que é o sentimento? O que é isso que ocorre em nossas relações? Por que estou magoado, ofendido, aborrecido? O que é essa raiva? O que é esse medo? O que é essa tagarelice interna? Por que toda essa agitação? Por que essa coisa de sair de um pensamento para outro? E nem mesmo ciência de que isso está acontecendo eu tenho. Por que isso tudo?

Então, essa aproximação desse olhar para si mesmo é a Verdade de se conhecer. Então, se conhecer é se aproximar da Meditação. Olhar para aquilo que se passa dentro de você é Autoconhecimento. Então, a Verdade desse Autoconhecimento lhe aproxima da Meditação, e a Meditação é se tornar ciente desse espaço, do que representa esse intervalo entre um pensamento e outro, entre um sentimento e outro, uma sensação e outra, uma emoção e outra. Meditação é estar desidentificado da mente e do corpo, numa ciência da Verdade d’Aquilo que está nesse Desconhecido, nesse espaço que se abre dentro dessa Atenção onde é encontrado esse intervalo.

Notem como isso é interessante. Quando você olha para uma partitura musical, você acha que está diante do som, mas uma partitura musical tem o desenho de espaços de silêncio que representam tempo de quietude. Então, entre um som e outro, você se depara com esse espaço de silêncio, com esse tempo de silêncio. Então, aquelas figuras mostram um tempo de silêncio. Então, o som faz sentido, um belíssimo sentido. Mas, quando há esse espaço, é o espaço de silêncio entre uma nota e outra que determina a beleza do som, a beleza da música. A totalidade da música está no som e no silêncio. Então, as pausas de silêncio são tão importantes quanto as notas musicais. As notas têm um tempo e as pausas têm um tempo, então você tem a totalidade da música. Em nossa vida só haverá Beleza, só haverá Verdade, só haverá Amor quando estivermos nessa Totalidade da Vida, e não há Totalidade da Vida se você está nessa mente, nessa psicológica mente, nessa inquieta mente, nesta egoica mente, nessa condição de desordem psicológica. Não há Totalidade da Vida se não há Silêncio, se você não tem ciência do Silêncio.

Quando você realiza a Verdade do seu Ser é a partir do Silêncio o falar, é a partir do Silêncio o olhar e é a partir do Silêncio o pensar. Notem que você não sabe pensar. Você não sabe o que é pensar. É uma grande ilusão essa de que você pensa. Em você se processam pensamentos, mas é exatamente como colocamos agora há pouco: um pensamento que se associa a outro, que se associa a outro, que se associa a outro. Não há qualquer ciência do espaço entre um pensamento e outro. Isso ocorre no seu cérebro de uma forma automática, mecânica, inconsciente, sem nenhuma ciência do que está ocorrendo com você. Então, você não pensa. Não há “você” nesse pensamento, há só o pensamento, há só essa inconsciência, mecanicidade, inquietude, há só essa interna tagarelice. Essa é a desordem psicológica em nós.

Então, nós não sabemos o que é a Totalidade da Vida porque não compreendemos como funcionamos, não sabemos o que é o pensamento, como ele se processa e o que é o pensar. Não há esse pensar a partir do Silêncio, não há esse olhar a partir do Silêncio, não temos uma vida muito clara, objetiva, lúcida, Real. Não vivemos essa Totalidade de Ser quem somos, não conhecemos a música. Fazemos muito barulho, mas é uma coisa desordenada. Não é uma harmonia. Eles chamam de cacofonia – é aquela barulheira toda. Não é uma orquestra. É uma balbúrdia, é uma confusão. É assim que nós funcionamos. O “eu” funciona assim, o ego é isso.

Então nos falta essa Totalidade da Vida, essa Beleza da Vida, porque não há ordem psicológica, não há ordem emocional, não há ordem de sentimentos, não há ordem de pensamentos. Não há ordem. A compreensão sobre quem somos, o fim de toda essa confusão, de toda essa desordem de som, de toda essa barulheira, essa orquestração interna – o que eu chamei agora há pouco de ordenar a si mesmo –, estar ciente d’Aquilo que é Você, ciente da Verdade do seu Ser. Então, o que nós temos agora? A Realização de Deus, a Realização da Verdade, a Realização do seu Natural Estado de Ser. Isso é ordem, Isso é música, Isso é Silêncio.

Então, o que fazemos aqui juntos? Estamos estudando aquilo que somos, estudando aquilo que se passa dentro de cada um de nós, estamos olhando como funcionamos, tomando ciência disso. Se isso não está presente, estamos em confusão, estamos em sofrimento, estamos com todos esses quadros de infelicidade interna, porque não há ordem psicológica, não há Liberdade, não há Ser, não há Consciência, não há música. Essa infelicidade nós conhecemos. Ansiedade, a angústia, o tédio, a solidão, o medo, diversos temores que temos, todo tipo de estado interno de sofrimento é algo presente quando você não compreende a Verdade do seu Ser, quando você não assume Isso.

Novembro de 2023
Gravatá/PE
Mais informações

terça-feira, 21 de novembro de 2023

O que é a Vida? | O que é Iluminação? | Seu Natural Estado é Iluminação | O que é o pensamento?

A pergunta é: o que é a Vida? Uma outra pergunta é: o que é Iluminação? O que é Iluminação Espiritual? Parece que são duas perguntas. Então, nós temos aqui, aparentemente, duas perguntas, é isso? Na verdade, nós estamos fazendo uma única pergunta.

A Verdade da Iluminação Espiritual ou Iluminação, se bem compreendida aqui, colocamos essa expressão, talvez, com um sentido diferente do que a maioria das pessoas colocam. Estamos falando do Despertar da Verdade de sua Natureza Real, de Algo fora do conhecido, de Algo fora desse modelo de tempo e espaço como nós conhecemos, Algo diferente de tudo isso que o pensamento pode formular. Outra coisa é a Vida. Assim, esse Despertar ou essa Iluminação e a Vida é uma única coisa.

Se você tem uma aproximação da verdade de si mesmo agora, aqui, nesse instante, liberando de você esse modelo conhecido, que é o modelo do pensador, do experimentador, do observador – aqui eu me refiro desse que pensa, desse que vê e desse que experimenta –, se você tem uma aproximação verdadeira de si mesmo, haverá uma liberação desse modelo; então estamos diante do fim do experimentador, do observador e do pensador. Isso é a Verdade da Vida. Só há Vida nesse instante, só há Vida nesse momento presente.

Tudo o que está acontecendo aqui, nesse instante, prescinde da presença de um pensador, de um observador e de um experimentador. A Vida é o que acontece, Ela é o que ela faz ser, o que demonstra ser. O que Ela é nesse instante é o que É, isso é a Vida. Não há esse “eu”, não há esse elemento pessoal presente na vida. Isso é Iluminação. Então, o que é Iluminação? É a Realidade sem o “eu”. O que é a Vida? É a Realidade sem o “eu”. A Realidade do que É é a Vida. A Verdade do Ser sem o senso do “eu” é a Vida, é Iluminação.

Nós precisamos investigar a natureza desse pensador. Observe que os pensamentos estão acontecendo em você, mas a ideia central em você é você pensando esses pensamentos. Notem a ilusão disso. Você não pensa os pensamentos, os pensamentos criam ideias, sustentam ideias, projetam ideias, formulam imagens, algo que é o resultado do conhecido, do que já foi experimentado e se mostra, nesse momento, como uma reação que vem do passado. Através do cérebro, isso se mostra como uma expressão, com uma forma, com um modelo, com uma maneira específica de manifestação na Existência, que nós chamamos de “pensamento”.

Assim, o que é o pensamento? O pensamento é memória. O pensamento é uma reação, uma resposta dada a esse momento presente pelo cérebro. O cérebro tem registros nele, tem gravações nele, tem lembranças, memórias, o cérebro reage nesse momento com esse formato chamado “pensamento”. É algo automático. Você diz: “O meu coração está batendo”. Isso é só uma ideia, é um conceito, é uma crença. Há um coração batendo, ok, mas não é o “meu” coração batendo. Da mesma forma, o pensamento está acontecendo, mas não é o “meu” pensamento.

Notem isso. O pensamento não é uma propriedade sua, simplesmente porque você, como uma entidade presente nesse instante, é tão ilusório quanto uma pessoa fazendo o coração bater, sendo dono do coração, estando no controle do coração. O coração é parte do corpo. Você se vê como uma entidade presente dentro do corpo e, portanto, dona do corpo e, portanto, dono do corpo, dono do coração, mas é uma crença, como é uma crença acreditar que você faz o coração bater; da mesma forma, faz o cérebro pensar.

O cérebro está reagindo com imagens, com lembranças, com recordações. Algo aparece diante dos seus olhos que você diz “meus olhos”, e agora você acaba de compreender isso: são olhos do corpo. Assim como esse corpo é parte da Existência, é parte da Manifestação. A Manifestação poderia dizer “meu corpo”, mas você não tem autoridade para dizer “meu corpo”, porque você não o controla, você não determina absolutamente nada no que diz respeito às funções, ao trabalho, à Vida presente, à Energia Vital presente nesse organismo. Tudo isso está sob o controle da Existência, da Natureza, da Vida – como você queira chamar Isso.

Então, a Natureza, a Existência, a Vida é dona do corpo, assim como é dona dos olhos. Então, algo aparece diante dos “seus” olhos, parece que você está vendo e, na realidade, o cérebro está detectando aquela imagem e respondendo. Então, é todo um movimento da própria Existência, da própria Vida. A existência do corpo, as batidas do coração, o pensamento acontecendo, a digestão e tudo mais acontece em razão da presença da Vida. Então, qual é a Verdade da Vida? É a Verdade da Iluminação. Não há “alguém” nisso. Há uma Realidade presente e essa Realidade é Aquilo que está além desse modelo que é o modelo do “eu”. É o “eu” que se vê como o pensador, é o “eu” que vê como o experimentador, é o “eu” que vê como sendo o observador. Mas é uma ideia, é um conceito, é uma imaginação.

A Vida está acontecendo nesse momento. A ideia de um “eu” presente é exatamente o que está criando todo o tipo de sofrimento, confusão, desordem, toda essa balbúrdia no mundo, é algo que está sendo produzido por esse senso, que é o senso do “eu” presente. “Eu”, “você”, “nós” e “eles”, estamos separados uns dos outros, estamos separados da Vida, estamos separados da Realidade Divina. A ideia desse “eu” é a separação, é a dualidade. É o senso de um pensador com o seu pensamento, de um observador com a coisa que ele observa, de um experimentador tendo suas experiências, de alguém vivo tendo uma vida que pode perder. Isso representa sofrimento, medo.

Então, os nossos estados psicológicos são estados desse “eu”, desse “centro”, dessa ”pessoa”, dessa “identidade” que se separa da vida. Então é um centro. Esse é o modelo de uma identidade que se separou da vida, que se separou do outro, que se separou de Deus, que se separou de tudo, buscando controle sobre tudo e, portanto, tendo medo e todas as aflições psicológicas engendradas pelo pensamento, por esse modelo de pensamento que vem se repetindo há milênios na humanidade e, agora, está presente aí.

Assim, notem: tudo isso está sendo construído por essa formulação, por essa ideação, por essa amostragem que é o pensamento. Não sabemos como o pensamento funciona. O pensamento está criando tudo isso, produzindo tudo isso em nossas vidas. Ele tem construído a ideia de um “eu” que se separa. Um “eu” que se separa para ser aquele que observa as coisas, para ser aquele que faz as coisas acontecerem, para ser aquele que pensa sobre os pensamentos que ele tem, para ser essa entidade que tem esses sentimentos, que está vivendo essa vida isolada e separada. Tudo isso é algo que o pensamento tem construído.

Não sabemos o que é o pensamento e o que ele representa. Nós estamos funcionando com base na memória, com base no passado. Passamos por experiências, e ao passarmos por experiências nós guardamos essas experiências como lembranças, como memórias. Nós confundimos esse “passar por experiências” com “alguém” passando por essas experiências, isso porque nós nos identificamos com o corpo, como acabamos de colocar, nós acreditamos que somos “alguém” presente dentro do corpo, que essa consciência humana em nós está limitada a essa consciência desse corpo. Temos a ideia de uma consciência individual, de uma individualidade real presente, de uma consciência separada do resto da humanidade. É a “minha consciência”, é o “meu corpo”, é a “minha experiência”, são as “minhas lembranças”, tudo isso é o resultado do pensamento. É o pensamento que tem criado esse sentido de um “eu” presente, de um experimentador presente, de um pensador presente, de um fazedor presente.

Então, a nossa vida no “eu”, no ego consiste nessa ideia “eu fui, eu sou e eu serei”. “Eu tenho problemas hoje em razão de situações que vivi ontem, mas um dia irei me livrar desses problemas”, então tem um dia, amanhã, para acontecer tudo isso. Tem o dia de ontem que, segundo esse pensamento, é a causa do problema que tenho hoje, mas tenho hoje para resolver problemas de ontem e para criar um futuro brilhante, maravilhoso, extraordinário para “mim”, para esse “eu” amanhã. Então, nós vivemos no tempo – passado, presente, futuro. Essa é a vida do “eu”, é a vida do ego, é a vida da “pessoa”. É isso que não está presente nesse Natural Estado que é a Verdade se revelando como sendo a própria Vida como Ela é. É a Natureza desse Ser que somos, a Vida como Ela é.

Então, em seu Natural Estado, que é Iluminação ou Realização de Deus, o Despertar da Real Consciência ou dessa Nova Consciência – os nomes são vários –, Você em seu Natural Estado de Ser está livre desse senso de separação e, portanto, livre dessa limitação criada pelo pensamento. Nesse momento, há um modo, sim, natural de lidar com pensamentos de uma forma prática, simples, direta, objetiva. O pensamento é algo funcional para dirigir um carro, para fazer uma conta matemática; para uma atividade profissional você precisa do pensamento.

O que é o pensamento? É memória também, é reconhecimento, é algo vindo do passado, resultado de uma experiência. Aqui o experimentador dessa experiência, que guardou essa experiência, é o próprio cérebro, mas estamos falando de algo simples, natural. O pensamento nessa função objetiva, clara não carrega esse senso de separação, que é o “eu”, que é o ego. É quando o ego surge, o sentido de uma identidade presente no pensamento – inclusive nesse pensamento técnico – que toda a confusão surge, todo o sofrimento surge, toda a loucura humana começa a acontecer. Então, nós construímos armas, nós fazemos uso da violência em razão de ideias, de estratégias construídas pelo pensamento com um objetivo, com um propósito de destruição, de gerar mais complicação, mais sofrimento no mundo.

Então, o pensamento a serviço desse centro ilusório que é o “eu”, o ego, está a serviço da ilusão, do sofrimento, da confusão, da luta entre as pessoas, do conflito entre elas. Mas o pensamento em si é algo funcional, prático, objetivo. Num certo nível, nós precisamos do pensamento. Mas a Vida em seu Ser, em seu Natural Estado de Ser é algo que prescinde de pensamentos, que não depende de pensamento, que está, por natureza, livre de pensamentos e, portanto, livre de complicações, de aflições.

A minha relação com o outro pode ser uma relação livre de pensamentos. No entanto, quando o pensamento está presente, eu tenho uma imagem sobre ele, ela tem uma imagem sobre mim. As nossas relações baseadas, assentadas nessas imagens são conflituosas. Existe essa ideia no “eu”, no ego, na “pessoa”, “eu gosto de você”, “eu não gosto de você”. Se você me agrada, se você agrada esse “mim”, esse “eu”, essa pessoa que, na verdade, é uma imagem que faço sobre quem eu sou – esse “eu” é uma autoimagem –, se você agrada essa imagem que eu faço de mim mesmo, eu gosto de você; se você não agrada, eu não gosto de você. Então, há conflito em nossas relações porque há esse sentido de separação, há esse sentido de divisão.

Então, a nossa vida baseada no “eu”, no ego é conflito, é sofrimento. O pensamento está ocupando um lugar que não é o lugar dele. Então, a vida humana, a vida nesse senso de pessoa é sempre sofrimento, é sempre conflituosa, é sempre problemática. É possível uma vida livre de sofrimento e, portanto, livre desse sentido do pensamento nesse formato, portanto, livre desse senso de separação que é o “eu”? Uma vida assim é Realização de Deus. Uma vida assim é Iluminação Espiritual. Uma vida assim é uma vida livre do senso de separação, onde está presente essa Realização Divina. Essa Realização Divina é a Vida. Essa Realização Divina é a Iluminação Espiritual. Então, para esse propósito estamos juntos aqui.

Outubro de 2023
Gravatá/PE
Mais informações

quinta-feira, 16 de novembro de 2023

Chamada Inteligência Artificial. Ação livre da reação. Beleza da Real Inteligência. O que é o medo?

Eu gostaria de tratar com você aqui um pouco sobre a importância da ação. Eu me refiro a uma qualidade de ação que nós desconhecemos. Nossas ações são ações que nascem, que têm por base o movimento da vontade, o movimento do querer, o movimento do desejo, até mesmo do impulso que nasce do medo. Tudo isso gera algum nível de ação presente.

Eu gostaria de tratar com você sobre a Verdade da ação, quando temos presente nela a presença da verdadeira Inteligência. Uma coisa bastante curiosa a respeito disso é, por exemplo, aquilo que as pessoas estão falando muito sobre a inteligência artificial. As pessoas estão encantadas com isso. No entanto, algumas estão amedrontadas também com isso.

Percebam como nós funcionamos como seres humanos. Nós temos a questão da, assim chamada, “inteligência artificial” e o medo, porque algumas pessoas não sabem o que pode vir a acontecer em razão da presença dessa “inteligência artificial". É bastante curioso isso porque nós estamos muito confiantes e bastante à vontade nessa, assim chamada, “inteligência humana”. Para nós, essa inteligência humana é inofensiva. Agora, olhe de perto isso e veja se de fato é assim.

Qual é a razão do medo? O que é o medo? O que é a verdade da inteligência? Qual é a verdade sobre a inteligência? Qual é a verdade sobre o medo? O que é isso que nós chamamos de inteligência artificial? Notem que nós consideramos a inteligência presente quando vemos a habilidade, a capacidade e o conhecimento presentes, se expressando em alguém. Então dizemos: “Olha como essa pessoa é inteligente”.

Alguns têm uma habilidade para a música, outros para a matemática, outros para essa noção de espaço. Então nós temos as, assim chamadas, “inteligência matemática”, “inteligência musical”, “inteligência espacial". Nós vemos essa expressão de conhecimento, de habilidade e de experiência de alguém numa determinada área como a verdade da inteligência. E agora acaba de surgir essa, assim conhecida, inteligência artificial.

Então, há já uma disputa entre essa já antiga e conhecida inteligência humana versus essa nova inteligência, que é a inteligência artificial. E já estamos com medo dessa, assim chamada, “inteligência artificial". Qual é a verdade sobre isso, a realidade da inteligência? Será que é, de fato, isso: inteligência é habilidade, é conhecimento, é capacidade? A verdade da inteligência é a rapidez, a maestria, a precisão como o cérebro eletrônico funciona, como no caso da inteligência artificial?

Aqui estamos tratando com você o fim para a ilusão do sofrimento humano, o fim para a ilusão do medo, o fim para a ilusão do conflito, da contradição, o fim para a ilusão dessa identidade presente que é o "eu", o ego. O fim para isso representa um novo modo de agir na vida. Por isso eu quero tratar com você dessa Verdade da ação, da ação livre dessa, assim conhecida, inteligência humana.

Estamos falando aqui com você da Beleza da Real Inteligência, da verdadeira Inteligência. A única Inteligência que se faz, de fato, necessária em nossas vidas é aquela que pode pôr fim a todos os problemas humanos. Será que a inteligência artificial é o fim para os problemas humanos, já que com a nossa inteligência humana não conseguimos colocar fim para os problemas humanos?

O mundo está vivendo em uma condição em que há violência, há medo, há sofrimento, há ambição; a inveja é algo presente, o apego, as contradições ligadas a esse sentido de desejo em nós. Então, toda condição do ser humano nessa, assim chamada, “consciência humana”, nessa inteligência humana tem sido de problemas. A nossa ação é um clássico reflexo disso. Não sabemos o que é uma ação livre. Vamos explorar um pouquinho isso aqui e vamos nos perguntar isso: a inteligência humana colocou fim aos problemas? Há inteligência, verdadeiramente, em nossas ações só porque, tecnicamente, nós sabemos algumas coisas, temos algum nível de conhecimento, temos algum nível de experiência e habilidade para lidar com alguns assuntos?

A tecnologia tem avançado, a medicina tem avançado, a ciência tem avançado, mas do ponto de vista psicológico, nós continuamos como seres humanos nessa mesma velha condição que acabamos de relatar aqui pra você. Não sabemos viver numa relação com o outro, com nós mesmos, com a vida com harmonia, com alegria, com paz, com felicidade. É isso que se faz necessário em nossas vidas. A inteligência humana não nos deu isso. A inteligência artificial irá nos dar isso? Absolutamente! Se há algo que a inteligência artificial não pode resolver é isso.

Ela pode resolver assuntos técnicos de uma forma muito mais habilidosa do que essa, assim conhecida, inteligência humana em nós, porque se nós temos um cérebro de um computador, com uma velocidade muito mais rápida de operação, os problemas técnicos podem ser resolvidos de uma forma muito mais eficiente. Mas esses problemas técnicos são problemas apenas funcionais do aspecto tecnológico, científico, matemático e assim por diante. Aqui eu me refiro a esses problemas humanos em nós. A inveja, por exemplo, a dor que isso representa, a dor do apego, o sofrimento que isso causa quando, por exemplo, perdemos um ente querido, alguém que amamos ou que dizemos amar. Dizemos amar, acreditamos que amamos, nunca investigamos, de verdade, nossa relação com o outro, o que esse outro representa para esse "eu". Nunca investigamos a natureza desse "eu". Nossa, assim chamada, “inteligência humana” não nos habilitou para isso. Não temos uma aproximação dessa mente como nós a conhecemos para uma investigação do que ocorre dentro dela.

Então, toda essa, assim chamada, “inteligência” em nós é para investigar o mundo externo, é para pesquisar o mundo exterior, é para explorar os assuntos externos da vida, da existência humana, no campo da ciência, da arte, da música, da mecânica, da física, da química. Assim, nós estamos, no que diz respeito à verdade sobre quem nós somos, sem essa Verdade, sem a compreensão de nós mesmos. Então, não importa se aquilo que está presente estamos chamando de inteligência. Eu quero repetir isso aqui: o que temos chamado de inteligência é apenas conhecimento acumulado, experiência adquirida. Ao longo desses milênios, temos muita experiência adquirida, muito conhecimento acumulado, colocamos isso em uma máquina e chamamos de inteligência. Acumulamos-nos de informações dos livros, de palestras e de experiências, e chamamos isso de inteligência. Estamos aqui sinalizando para você Algo além dessa, assim chamada, “inteligência artificial", além da inteligência humana. A ciência de uma ação agora, aqui, livre do conhecimento e, portanto, livre da reação.

Quando olhamos para um céu estrelado à noite e há só o olhar sem alguém, repare que, nesse momento, o sentido de um “eu” não está com suas ideias, seus conceitos, suas opiniões, seus julgamentos, seus medos, seus desejos. Um céu estrelado não tem nada para oferecer para o ego, para esse sentido de um “eu” presente. Repare que nesse momento, ao olhar para um céu estrelado, fica apenas o olhar. Há um impacto de silêncio, de quietude, de serenidade, onde o cérebro se aquieta, todo o movimento de pensamento, que é o movimento do conhecido, da memória, da lembrança, do passado, da recordação, da ambição, do desejo e do medo não está presente. Então há só um olhar para essa noite estrelada. Nesse momento o cérebro se aquieta. Então estamos diante de uma ação livre desse “eu”, desse ego. Não se faz necessária nenhuma, assim chamada, “inteligência”, nem a inteligência espacial, nem a inteligência musical, nem a inteligência técnica, nem a inteligência artificial, nem a inteligência humana. Nesse momento não se faz necessária nenhuma qualidade de inteligência.

Então, essa divisão de inteligência em inteligência espacial, inteligência mecânica, inteligência musical, inteligência emocional, inteligência artificial, inteligência humana, tudo isso desaparece nesse momento, fica uma apreciação da Pura Apreciação, há um modo de olhar sem o sentido de um “eu” presente. Nesse instante há um momento de profunda Quietude, de profundo Silêncio, há Algo que nesse instante se revela fora da noção de separação, dessa noção de “eu e a outra coisa”, “eu e as estrelas”, “eu e essa imensidão”, “eu e esse céu extraordinário com essas estrelas, com toda essa aparição”. Nesse momento há essa Presença de alguma Coisa que está fora do conhecido. Nós temos isso também numa praia ou à beira de um lago. A mente é completamente varrida nesses instantes de toda ocupação com o escritório, com os negócios, com os problemas de família, com os problemas de saúde, de toda a ordem. Tudo isso desaparece nesse Silêncio, nessa Quietude, esse é o encontro com a Real Inteligência. Notem: esse é o encontro com a Vida nesse instante.

Eu quero lhe fazer uma pergunta: será possível lidarmos com o marido, com a esposa, com o patrão, com os funcionários da empresa, com os colegas de trabalho, é possível lidar com o momento presente, levando a criança para o colégio, trazendo do colégio, será que é possível lidar com a vida, com as atividades diárias, com as atividades profissionais, no trabalho, sem o sentido de um “eu” presente? Permitindo-se um cérebro nessa quietude, nessa ausência desse sentido de um “eu”, que se separa do momento presente, que se separa da experiência presente, que não coloca o experimentador dentro da experiência para julgar, comparar, aceitar, rejeitar ou fazer alguma coisa com isso?

Será possível uma vida livre desse senso de um “eu” presente no viver? Um cérebro livre, uma mente em quietude é esse Florescer, o Florescer d’Aquilo que eu tenho chamado de Real Inteligência. Essa verdadeira Inteligência está presente quando o sentido do ego, do “eu”, quando essa ilusão de uma identidade presente no momento, aqui e agora, não está. Experimente isso, experimente olhar apenas sem “alguém” olhando. Experimente isso!

Experimente olhar sem “alguém”. Assim como você consegue ouvir um pássaro cantando e você não julga, não compara, não rejeita, também não se prende ao canto, mas apenas escuta, descubra também como ouvir, ouvir alguém falando com você, apenas ouvir, sem colocar em um juízo de valor, sem avaliar, sem comparar, sem concordar ou discordar com aquilo que você escuta. Exatamente como você faz quando escuta um pássaro, quando você olha para uma floresta, para uma árvore, quando você olha para o mar, quando você olha para o céu, fica só o olhar. Descobrir isso, experimente olhar para esse instante, sem esse fundo, sem esse eu, quando ele surge, ele surge se separando para gostar, não gostar, concordar, discordar, dizer sim, dizer não, para desejar o que vê, para rejeitar aquilo que está vendo, para concordar com o que escuta, para discordar do que escuta.

Quando fazemos isso, estamos apenas nesse movimento antigo e velho dessa, assim chamada, “inteligência do eu”, essa, assim chamada, “inteligência humana”, que é basicamente conhecimento, memória, lembrança, reconhecimento. Esse é o movimento do ego presente. Essa é a ausência da verdadeira Inteligência. Estamos lhe convidando aqui para o Despertar da Real Inteligência. Essa Real Inteligência é essa ação. Repare que essa ação é a ação sem “alguém” na ação. A ação de olhar, a ação de ouvir, a ação de viver a vida sem esse centro, sem esse “eu”. Alguns chamam isso o Despertar da Consciência. É o Despertar da Real Inteligência, da Verdade do seu Ser. Outros chamam isso de Iluminação Espiritual. Assim, aqui estamos trabalhando com você essa Verdade, a Verdade da Revelação d'Aquilo que é Você quando a ilusão desse “mim”, desse “eu”, desse “você” que você acredita ser não está mais presente.

Outubro de 2023
Gravatá/PE
Mais informações

terça-feira, 14 de novembro de 2023

Como a mente funciona? Livre do egocentrismo. Divisão: a causa da desordem e sofrimento. Fim do ego.

O que há por detrás dessa confusão, dessa desordem e desse sofrimento que nós, seres humanos, temos em nossas vidas? Me parece que, para a maioria de nós, ainda não ficou claro que tudo isso nasce dentro de cada um de nós. É alguma condição interna em nós que torna isso viável dentro da vida.

Em geral, nós estamos sempre culpando os outros, culpando o externo, culpando o lado de fora. Então, me parece que ainda não está muito claro isso, que todo o problema reside dentro de cada um de nós. E a pergunta é: onde é que isso se encontra? Não é o mundo, externamente, que está criando problema para nós, nós é que, na verdade, estamos criando problemas para o mundo. Em que nível isso acontece?

Então, vamos tornar claro isso aqui para você, que o único problema presente em nossas vidas é interno, e isso se reflete em nosso mundo externo, em nosso mundo de relações com as pessoas, com as situações. Onde é que isso ocorre? A nível da mente. É isso que ainda não está claro.

O que é essa mente? O que é a mente humana? Como ela funciona? A não compreensão de como nós funcionamos faz com que essa condição de vida e de existência continue dessa forma: confusão, desordem, sofrimento. Então nós passamos uma boa parte da vida sem atentar para isso, e é possível que a grande maioria carregue a vida inteira dentro dessa condição, como geralmente acontece.

Então, é necessário nos atentarmos para aquilo que se passa dentro de cada um de nós. Assim, se torna essencial, imprescindível a compreensão da verdade sobre quem nós somos, de como a mente funciona. Então a pergunta é: o que é a mente? Uma outra coisa é: o que essa consciência em nós?

Vamos colocar para você aqui esses dois assuntos. O que é a mente – o que é a mente humana, como ela funciona – e o que é esta consciência? Nós falamos da consciência e falamos da mente, e nós, geralmente, separamos isso. Há realmente uma separação? Uma outra coisa: qual é o elemento principal da mente?

Qual é o elemento principal dessa, assim chamada, “consciência”? O elemento principal pode ser observado, o elemento principal de tudo isso é muito claro. Claramente é possível observarmos que o elemento principal ainda é o movimento do pensamento. O movimento do pensamento é o elemento principal dessa, assim chamada, “mente em nós” e dessa, assim chamada, “consciência em nós”.

Então, o que é o pensamento? Como ele funciona? Pensamento em nós é algo muito simples de ser observado; ele é a memória em nós. Observe isso que estamos colocando para você. Todo o pensamento em você é só uma lembrança, é só uma recordação, esse pensamento é só uma memória. Sem memória, não há pensamento. A base, então, do pensamento são as lembranças. Tudo aquilo pelo qual você passou, hoje você se recorda aqui, nesse instante. Então, o pensamento, que é memória, que é essa lembrança, é a base da mente. Essa mente é o próprio movimento dessa consciência como nós a chamamos, como nós a conhecemos.

Então, o que é essa consciência? É a mente, é o movimento da mente, que é pensamento, que é memória. Percebam uma coisa aqui muito importante: todas as nossas ações – esses comportamentos em nós – estão presentes em razão do pensamento. Nós não compreendemos como funciona esse movimento do pensamento, que é memória dentro de cada um de nós. Nós somos impulsionados para a ação, para o comportamento com base no pensamento, com base na emoção, no sentimento e nesse formato de percepção. Tudo isso está dentro do modelo do pensamento, desse movimento que é memória dentro de cada um de nós.

Assim, de onde nasce nossa confusão, nossa desordem e o nosso sofrimento? Da consciência. Dessa consciência presente que nós temos, dessa mente presente nessa consciência. E essa mente é esse movimento de pensamento. Então, a não compreensão dessa memória é a continuidade da confusão, é a continuidade da desordem e do sofrimento.

Nós queremos ter paz em nossa vida, nós queremos ter paz em nossas relações, nós queremos nos compreender uns aos outros, mas isso não se torna possível enquanto o elemento principal em nós for esse elemento que é o elemento do pensamento. Aqui eu me refiro ao pensamento que se assenta na memória, que se assenta nessa estrutura de recordação e de lembrança. E por que é assim? Por que a Paz não é possível? Por que a Liberdade, por que o Amor não são possíveis dentro dessa condição? Porque nós estamos sempre impondo a esse modelo de memória, de lembrança um elemento que se separa dessa lembrança, dessa memória, desse pensamento, que é o elemento “eu”. Vamos investigar isso aqui com você.

O “meu pensamento”, que acredito ser meu pensamento, é uma memória que surge nesse instante em razão de uma recordação. Por detrás dessa recordação existe um elemento, que é o elemento “eu”. Esse sentido de um “eu” presente dentro do pensamento é um elemento que se separa do pensamento para avaliar esse pensamento; se separa dessa memória para avaliar essa memória, para julgar essa memória, para comparar essa memória com alguma outra coisa. Assim, quando fazemos isso, estamos criando um elemento de conflito dentro do pensamento, dentro da recordação, dentro da memória. Esse elemento do conflito é o “eu”.

Quando olho para você e falo com você, aquilo que está presente é esse elemento “eu” e, com base nesse pensamento – tirando conclusões, avaliações e julgamentos –, está dizendo coisas para você. Então, o que nós temos nesse encontro entre “eu” e “você”? Um encontro entre memórias, entre lembranças, entre pensamentos que estão em conflito, porque você faz uma ideia sobre quem eu sou e eu faço uma ideia sobre quem você é. Quando nós julgamos um pensamento, uma lembrança e uma memória, nós estamos fazendo isso.

Não somos capazes de lidar com o outro com base na memória. A memória, a lembrança, o pensamento são algo que vêm do passado. Nesse contato com você, já está presente um preconceito, um conceito pré-formado. Esses são os encontros entre as ideias que as pessoas têm. Reparem que as pessoas têm opiniões, têm ideias, têm conclusões uma a respeito das outras. Isso é conceito, isso é preconceito. Essa é uma visão particular do “eu”, do ego, e isso naturalmente é conflito.

Então, não é possível Paz em nossas relações enquanto as nossas relações tiverem se assentando nesse padrão de lembrança, de memória, de recordação que têm por detrás disso esse elemento que é o “eu”, o ego. Nós precisamos, sim, da memória, da lembrança, mas num nível funcional. O seu nome é uma lembrança que eu tenho de você, o meu nome é uma lembrança que você tem de mim. A imagem do rosto, a recordação dessa, assim chamada, “pessoa” é algo funcional. Nós precisamos disso em nossas relações para nos reconhecermos, para trabalharmos juntos, para nos relacionarmos. Mas, psicologicamente, nós estamos colocando um elemento novo, que é o elemento “eu”, o ego, nesse contato.

Então, esse sentido de “alguém” presente aqui e “alguém” presente aí, esse olhar a partir de crenças, de conceitos, de preconceitos, de opiniões, de ideias divergentes, tudo isso nasce desse fundo de memória e, por detrás desse fundo de memória, nós temos esse elemento que é elemento “eu”, o ego, esse que está trabalhando apenas com uma imagem, com um conceito, com uma visão particular sobre quem você é.

Então, eu tenho uma visão particular de quem eu sou e tenho uma visão particular sobre quem você é baseado em opiniões, em crenças, em conceitos, em preconceitos. Então há confusão. Não pode haver Amor enquanto presente estiver essa forma de imagem. Então, não existe Amor em nossas relações enquanto prevalecer essa condição psicológica de identidade, que é a identidade do “eu”, do ego.

Portanto, olhar para esse movimento, que é o movimento do “eu”, do ego, dessa “pessoa” que acredito ser nessa relação com você, como eu acredito que você é, tomar ciência desse movimento de separação, de divisão é o fim para isso. Olhar para esse movimento do ego presente, olhar para esse movimento do “eu” presente, se despir desse movimento e ficar apenas com a memória, a lembrança, a recordação funcional.

Precisamos de um dado conhecimento, de uma dada experiência, de uma relação de reconhecimento entre eu e você, sem o elemento do ego, desse “mim” – que é essa condição psicológica egocentrada de ser alguém dentro da experiência. O problema com esse elemento – que é o “eu”, o ego – é que ele é autointeresseiro. Ele está sempre na busca da relação com o “outro” para os seus próprios fins, para adquirir algo, para ganhar algo, porque ele se vê como uma entidade separada que precisa de coisas. Ele precisa de apreciação, ele precisa de preenchimento.

A questão é que esse elemento, que é o “eu”, está nessa relação dentro de um sentido de separação, de exclusivismo, de autocentramento, autointeressado nele mesmo. Tudo o que ele quer em uma relação é obter algo para si próprio. Então, esse movimento é o movimento do egoísmo, do egocentrismo. Então, a divisão é a causa dessa desordem, dessa confusão, desse sofrimento.

Não compreendemos como a mente funciona porque nós particularizamos esse movimento, tornamos esse movimento algo particular desse “eu”, desse centro, dessa pessoa. Ao olhar diretamente para esse movimento da mente, como ela funciona, podemos nos libertar dessa ilusão, da ilusão de uma identidade presente dentro dessa experiência. É quando a mente, então, se torna livre. Então, a compreensão de como a mente funciona é possível quando você se aproxima e observa o movimento dela e percebe esse elemento que é o “eu”, o ego, esse autocentramento.

Quando você começa a se tornar ciente de que você está constantemente construindo do outro uma imagem, uma ideia, um conceito, uma opinião, quando você começa a se tornar ciente de que você está fazendo isso para adquirir algo, conseguir algo, obter algo do outro, você começa a perceber esse movimento do ego, desse centro, dessa ilusão, desse sentido de um “eu” presente, sempre carente, necessitado e, portanto, egocêntrico. Tomar ciência do próprio movimento do “eu” é Autoconhecimento, é a Verdade do Autoconhecimento.

Então, essa aproximação desse olhar para si mesmo e observar o movimento da memória e esse sentido de um “eu” presente se separando para construir uma história pessoal, particular dentro dessa relação com o outro, com a vida, com o mundo é Autoconhecimento.

Quando há uma Real Compreensão disso, existe o fim para o sofrimento, porque você está soltando essa ilusão, a ilusão desse “mim”, desse “eu”, desse ego dentro dessa experiência – e aqui a experiência é o pensamento, a memória, a lembrança. Então nos tornamos capazes de uma vida em relação com o outro sem qualquer imagem dele ou dela, sem qualquer opinião, conceito, preconceito a respeito dele ou dela. Uma vida livre de imagens de quem é o outro, do que o outro representa para esse “mim” é uma vida em Amor, é uma vida em Paz, em Liberdade, é quando não há mais espaço para a desordem, para a confusão e para o sofrimento.

Assim, olhar para esse movimento da mente, de como ela funciona, se tornar ciente desse elemento que é o “eu”, que se separa do pensamento sendo esse o pensador, se separa da experiência sendo esse o experimentador, que se separa do outro sendo esse o “eu” e o “outro”, “ele” ou “ela”, tomar ciência desse movimento de separação, de dualidade.

Nossa vida está assentada nesse sentido de um “eu”, de um ego nessa dualidade, nesse sentido de separação, nesse senso de “eu e o outro”, “eu e ele”, “eu e os meus pensamentos”, “eu e as minhas ideias”, “eu e as minhas crenças”. Nós aqui estamos olhando juntos para essa Verdade de que a única Realidade presente é a Realidade Divina, é a Realidade desse Ser que somos quando não existe esse elemento, que é o elemento do “eu” – eu tenho chamado de pessoa, ego, identidade egoica.

Outubro de 2023
Gravatá/PE
Mais informações

quinta-feira, 9 de novembro de 2023

Real Consciência | Despertar da Consciência | Identidade egoica e medo | Como a mente funciona?

Existe algo aqui que nós precisamos compreender. Por mais que nós estejamos tentando organizar as nossas vidas do ponto de vista externo, para que haja equilíbrio, para que haja paz, para que haja liberdade em nossas relações, algum nível de segurança e estabilidade, um perfeito nível de harmonia, por mais que estejamos tentando isso, é preciso compreendermos aqui algumas coisas. Toda essa atividade interna sempre irá – aqui eu me refiro a essa atividade dentro de cada um de nós –, infalivelmente, sobrepujar essa condição externa.

A verdade sobre a nossa vida nesse contexto do viver, nesse contexto da existência, é que, por mais felizes que aparentamos ser externamente, por maior segurança, estabilidade e tranquilidade que transparecemos ter, a verdade sobre isso é que dentro de cada um de nós, sabemos que o que determina nossa real vida, nossa real qualidade de vida é, ainda, aquilo que se passa dentro de cada um de nós.

Enquanto não houver uma compreensão da verdade dessas atividades internas dentro de nós, por mais que criemos regulamentos ou padrões de comportamento ou tentativa de ajustamento a um modelo externo de vida, para esse encontro com a Felicidade, para esse encontro com a Liberdade, para esse encontro com o Amor, isso não será possível. E isso não é possível simplesmente porque nós não compreendemos algo aqui muito básico, que é a verdade dessa consciência, da consciência presente em nós, dessa mente que está dentro desse contexto de consciência presente em cada um de nós.

Qual é a verdade sobre essa consciência? O que é essa consciência humana? Nós não sabemos. Como a mente funciona? Nós não sabemos. O que é a mente? Nós não temos ideia do que, na verdade, isso é. Podemos encontrar nos livros as descrições, como podemos ter no dicionário uma descrição, mas tudo que temos ali são palavras. Não temos tido um contato com a verdade da própria mente aqui, dessa consciência humana aqui. Nós não precisamos encontrar nos livros, nós somos essa consciência humana e nós trazemos essa mente humana como parte dessa consciência que somos, que expressamos. Então, tudo que nós precisamos já está presente nesse instante.

A possibilidade de estudarmos a nós mesmos é algo que está aqui presente, e é apenas quando nós estudamos a nós mesmos que nos tornamos cientes desse movimento interno, dessa atividade interna que, infalivelmente, sempre irá sobrepujar toda a ordem externa que temos intenção de realizar em nossas vidas.

As pessoas mais bem sucedidas no mundo podem ter uma vida externamente muito bem ordenada, muito bem organizada, com bastante ordem, mas a verdade é que internamente a vida delas consiste, ainda, numa desordem, porque a totalidade da vida consiste naquilo que somos aqui, nesse instante, dentro de nós mesmos e não apenas aquilo que externamente está à nossa volta.

A Verdade do seu Ser é a verdade da totalidade da sua vida. Se carregamos, ainda, o peso da inveja, do ciúme, do medo, da preocupação, da insegurança, da inquietude, da ausência da paz, da ausência do amor, da ausência da liberdade, não importa como nossa vida externa já esteja ordenada, essa interna desordem presente irá sempre sobrepujar essa externa ordem aparente.

Aqui estamos lhe mostrando que é possível uma vida livre, uma vida Real, uma vida verdadeiramente sábia. Essa é uma pergunta que, também, as pessoas fazem: “Como ser Sábio?” São muito poucos os que fazem essa pergunta, mas ela também acontece. Há, sim, uma necessidade em nossas vidas da presença da Sabedoria, e a presença da Sabedoria é a Verdade da Inteligência Real em ação.

Deixa eu tocar um pouquinho aqui com você nessa questão dessa consciência humana e dessa Real Inteligência. Aquilo que nós chamamos de “consciência” – o seu modo de pensar, o seu modo de sentir, o seu modo de se comportar no mundo – nasce desse fundo, nasce dessa condição interna. É nessa atividade interna, psicológica, que está a base do seu comportamento externo na vida, e essas atividades internas são o resultado daquilo que você aprendeu, são o resultado daquilo pelo qual você passou. Desde a infância você vem obtendo uma formação psicológica, não só desse próprio tempo, desse corpo, dessa mente, desse mecanismo vivo, desse mecanismo biológico e psicológico que você chama de corpo e mente, mas também como o resultado de uma cultura onde você foi educado.

Nós somos, como consciência humana, o resultado da civilização humana, da cultura humana. Então, essa consciência presente aqui, em geral, nós chamamos de “minha consciência". A verdade sobre a consciência, sobre essa consciência humana, é que não existe essa, assim chamada, “consciência individual". Qual é a verdade sobre essa individualidade da consciência? A verdade é que não existe essa consciência individual.

Essa consciência em nós é a consciência humana. Tudo aquilo que está presente em você – nesse pensar, nesse sentir e nesse agir – está presente em todo ser humano. Todo impulso, todo sentimento, toda emoção, todo senso de percepção de realidade, de existência, de vida é algo presente nesse fundo, nesse programa, nesse modelo. Isso é o resultado da cultura, da civilização, da história do ser humano. Então, a nossa consciência é a consciência da humanidade.

A inveja presente em você está presente em todos, o ciúme está presente em todos, o medo está presente em todos, a ambição, a ganância, toda forma de preocupação que ocorre com você, ocorre com todos. Os objetos podem mudar, mas a preocupação é uma só em todo ser humano, o medo é um só. Os objetos podem mudar, mas o ciúme é um só, a inveja é uma coisa única, todos nós compartilhamos, nessa consciência humana, dessa mesma condição.

Internamente, psicologicamente, nossas atividades internas irão sempre sobrepujar qualquer ordem, qualquer forma de equilíbrio, de disciplina, de ideia, de planejamento que tenhamos para externamente ordenar nossas vidas. Então, a ideia dessa consciência individual é uma ilusão. Aqui estamos lidando com a consciência do ser humano. Estudar a si mesmo é estudar a humanidade, é estudar o próprio homem, é estudar a própria criatura humana.

Esse “estudar a si mesmo” é aquilo que lhe abre a porta para o Despertar do seu Ser, da Verdade sobre a Real Consciência – não dessa consciência que conhecemos, mas da Real Consciência, que é Algo inteiramente desconhecido desse senso, desse "eu", dessa consciência comum, dessa consciência humana. O Despertar da Verdade do seu Ser é o Despertar da Inteligência, o Despertar da Sabedoria, é a resposta para a pergunta “como ser sábio?”, é se mover nesse mundo livre desse senso de identidade egoica, desse “eu” que se separa, e porque se separa está sempre em conflito com a vida, e porque se separa está sempre com medo daquilo que a vida representa.

Notem como é muito importante essa aproximação aqui que estamos tendo. Nós estamos investigando a natureza do "eu", a natureza da mente. Aqui temos a resposta para as perguntas “O que é a mente?”, “Como a mente funciona?”, “O que é a consciência?” Reparem, há várias respostas aqui nessa compreensão desse Despertar, desse Ser Real, dessa Real Consciência. A aproximação disso é pelo Autoconhecimento, a base para a Sabedoria é o Autoconhecimento.

Sem a compreensão do movimento do "eu", sem a visão desse movimento, que é o movimento da mente que, basicamente, é um movimento de pensamentos, não há Sabedoria. Pensamentos são lembranças, memórias, recordações guardadas nesse, assim, acervo que nós chamamos de “mente”. Então, o movimento desse pensamento é o movimento da mente, a compreensão desse movimento da mente é a percepção do movimento dessa consciência, que é o resultado de um programa de cultura, de sociedade, de civilização, de história humana presente nesse mecanismo, nesse corpo-mente.

A expressão desse condicionamento é a expressão desse "eu", dessa mente condicionada, é isso que está sobrepujando, é isso que está prevalecendo nessa vida que nós chamamos de “minha vida”, nessas relações, essas, assim chamadas, “minhas relações”, “nossas relações”. O sentido de um "eu" presente, de uma identidade egoica que se comporta dentro da avidez, da inveja, do ciúme, do medo, da violência, do sofrimento, a expressão deste condicionamento em nossas relações com o outro, com a vida é o modelo para esse "eu", para esse centro que é o ego, é isso que está sobrepujando, é isso que está prevalecendo nas relações humanas. Todo o caos no mundo, toda a desordem no mundo, entre as nações, entre os países, entre as cidades, entre os bairros, entre as famílias, entre as pessoas, há sempre uma outra forma de conflito, de agressão, de violência.

Então, o sentido do “eu" está sempre aparecendo, presente, criando essas separações entre cidades, nações, bairros, famílias, entre “eu e você", entre “nós e aquele outro grupo”. Examinar isso, investigar isso é ir além desse sentido de um "eu" presente para uma Real vida em seu próprio Ser verdadeiro. Não esse ser psicossomático preso a essa condição de condicionamento psicológico, de condicionamento egoico, de condicionamento mental, de vida no “eu”, de vida no ego. Eu falo desse Ser Real, nessa Real Consciência, a Revelação dessa Harmonia, dessa Beleza, desse olhar para o outro sem esse fundo, sem esse aspecto dessa identidade egoica que se separa para julgar, comparar, rejeitar, olhar a partir sempre de uma distorção de realidade, que é esse fundo do conceito, do preconceito, da opinião, da avaliação com base em julgamentos. Ter a ciência de um olhar livre do “eu”, do ego, ter um falar livre desse sentido de um “eu”, de um ego, ter esse sentir, esse viver, essa vida em Completude, em Plenitude, uma vida Divina, uma vida onde está a Presença do Amor. Será isso possível?

Uma vida livre de sofrimento, onde há essa Presença da Alegria. Não uma alegria motivada, tipo a alegria que você tem quando ganha um presente ou quando uma coisa boa acontece para esse “mim”, para esse “eu”, para esse ego, não estamos falando desse padrão de alegria. Estamos falando de uma Alegria de simplesmente Ser, de permanecer livre desse senso de pessoa, nessa Beleza de ciência, de Totalidade, de ausência do “eu”, do ego.

Nós temos momentos dessa qualidade de Alegria quando, por exemplo, estamos diante de uma praia olhando para o mar, vendo as ondas batendo contra as rochas, sentados na areia. Não há qualquer pensamento, não há qualquer imaginação, não há qualquer ideia. Os olhos estão abertos, os ouvidos estão ouvindo o som daquele ambiente, das águas se chocando contra as rochas. Neste instante há o som do mar, há o brilho do céu, há toda essa luz espalhada por aquele ambiente, a luz reluzindo sobre as águas, sobre aquela areia; nesse instante não há esse sentido de um “eu” presente, há um completo esvaziamento de todo esse conteúdo de uma identidade egoica, de uma identidade pessoal, temos o fim de toda essa cultura, de toda essa, assim chamada, “humanidade”. Temos, neste instante, a ausência do medo, da inveja da ambição, desses, assim chamados, “sonhos para ser feliz”, porque nesse momento há essa Coisa indescritível, a Presença desse Silêncio, a Presença dessa Verdade, a Presença dessa Real Alegria. Então, nesse momento nós temos a Presença dessa Realidade desconhecida, dessa Verdade Divina, que é a Presença desse Ser, dessa Real Consciência.

O trabalho do Despertar dessa Consciência, dessa Realização é o Despertar dessa Sabedoria, é o Despertar dessa Real Alegria, que é a Verdade sobre quem é Você. Alguns chamam isso de o Despertar da Consciência e Iluminação Espiritual, é o fim da ilusão desse "eu", desse ego dentro do viver, dentro da experiência.

Outubro de 2023
Gravatá/PE
Mais informações

terça-feira, 7 de novembro de 2023

Ação do pensamento | Superficialidade da vida | Satsang: a Verdade | A necessidade da Liberação

Aquilo que nós estamos vendo aqui juntos é algo sobre o Real significado da compreensão: a Compreensão de nós mesmos, a Verdade sobre quem somos. Não se trata de nos aproximarmos de uma liberação. As pessoas nesse mundo buscam isso, elas buscam não sofrer, elas buscam não conflitar. Mas elas têm uma busca ideológica, e eu quero colocar isso aqui bem claro para você. Nós temos ideias sobre a necessidade da liberação. Termina que nós formulamos projetos, planos, nós criamos métodos, criamos sistemas para deixarmos de conflitar, para deixarmos de sofrer. E é muito comum em nós a ideia de como fazer isso. É aqui que eu quero chamar a sua atenção.

Não se trata de simplesmente buscar uma liberação do conflito, da contradição e do sofrimento. Então, você vai em busca de ajuda nessa direção. Você quer uma vida feliz, sem sofrimento. Em geral, nós achamos isso bem razoável, mas nós temos uma ideia do que é ser feliz e temos, também, uma ideia do que é não sofrer, do que é não carregar sofrimento. Mas quando nós nos aproximamos de verdade para olhar para a nossa vida, você vai observar que você está dentro do contexto da maioria das pessoas. O que você está buscando é um certo conforto, é uma certa tranquilidade, é um certo ajustamento ao modelo.

Nós temos todo tipo de ideia do que é uma vida feliz, uma vida em paz, uma vida sem conflito e sem sofrimento e, na verdade, o que nós temos, realmente, são ajustamentos, uma certa estabilidade financeira, saúde, uma posição dentro da sociedade, onde você tenha uma respeitabilidade social, a possibilidade de adquirir aquilo que você deseja, de realizar desejos, é isso que nós chamamos de “ser feliz”. E quando qualquer coisa contraria isso, nós chamamos de sofrimento, nós chamamos isso de conflito. Então, na verdade, é muito superficial nossa vida. Nós temos que ir além dessa superficialidade, dessa assim chamada “condição de não conflitar e não sofrer”, além dessa condição de ser feliz como todos à nossa volta.

Então, aqui, quando tratamos com vocês sobre a importância da Compreensão, estamos falando de algo inteiramente diferente disso. Se trata de um novo modo de sentir, um novo modo de viver, um novo modo de se portar na vida – não dentro dessa superficialidade. Algo é insuspeito em tudo isso e raramente nós nos aproximamos d’Isso. Eu me refiro à Realização da Verdade, do fim dessa superficialidade de vida. Porque notem que dentro dessa superficialidade de vida comum a todos, somos criaturinhas carregadas de medo, mesmo em meio a todo tipo de segurança. Mesmo entrando em um castelo e criando uma grande muralha de proteção à nossa volta, nós continuamos com medo. A gente tem medo do passado e tem medo do futuro e, mesmo assim, nós nos consideramos como pessoas felizes.

Nós não temos a menor ciência, a menor consciência da superficialidade que se tornou nossas vidas quando não há essa Verdade da Real Compreensão, da Compreensão da vida, a Totalidade da vida – não essa coisa circunscrita aos cuidados com nós mesmos. Esse “nós mesmos” é um padrão de centralização de existência onde nós somos o centro do mundo, nós e tudo aquilo que representa “nós mesmos”. Então, nós vivemos nessa superficialidade de vida. Sem conhecermos a nós mesmos é o máximo que conseguimos: um bom trabalho, uma certa estabilidade, e isso tudo aparente, porque internamente estamos no medo, somos criaturas infelizes dentro da nossa felicidade, criaturas assustadas dentro de nossas realizações.

Haverá um outro tipo de ação? Não essa ação que está em conformidade com o padrão comum. Haverá um outro modo de agirmos no mundo? Uma resposta para isso requer uma investigação de como nos conduzimos. Observe sua ação. É uma ação que nasce do pensamento, nasce de um modelo pré-estabelecido, nasce de um programa de cultura, nasce de um programa de mundo. Eu tenho repetido inúmeras vezes as palavras, algumas palavras-chave, e já com o propósito mesmo de você se tornar ciente de nossa real condição. Temos uma mente condicionada, uma ação condicionada, um falar condicionado, um agir condicionado.

Então, somos criaturas dentro de um condicionamento porque temos uma mente condicionada. Vivemos dentro de um condicionamento interno e, também, externo de comportamento. Estamos fazendo tudo o que os outros fazem. Esse condicionamento psicológico, esse condicionamento emocional, esse condicionamento físico de comportamento tem nos colocado dentro de enquadramentos, dentro de programas pré-estabelecidos.

Não há Liberdade, não há Verdade, não há Amor em nossas vidas porque não há Compreensão. Então, notem isso: nessa superficialidade de vida, você pode ter tudo o que outros admiram, mas internamente você continua seco, muito seco. Não há Amor em sua vida, não há Beleza em sua vida, não há Verdade em sua vida porque tudo que você faz nasce desse condicionamento. Pensa como todo mundo, fala como todo mundo e age como todo mundo e deseja o que outros desejam. Quer se livrar do que os outros querem se livrar. É isso que aqui eu estou chamando de superficialidade de vida.

Então, você não é feliz. Isso explica porque você se pergunta: “Como pode? Eu tenho tudo que já desejei. Eu tinha um sonho e ele se realizou. Eu consegui o negócio que queria, o trabalho que buscava. Meu sonho era casar e eu já estou casado, eu queria esse número de filhos e já consegui. O que está acontecendo? Por que eu não sou feliz?” E a resposta é simples: você não se conhece. Você está na ilusão de ser alguém, de se sentir como alguém, de se mover como alguém, de se comportar como alguém. E esse alguém é todo mundo, não há nada de singular em sua vida. Essa “sua vida” é a pessoal vida do “eu”. Então não vai adiantar!

Você não nasceu para ser uma pessoa. Você não nasceu para realizar o que já realizou. Você nasceu para realizar Aquilo que Você é e para Ser Aquilo que Você é – não uma pessoa. Tudo que ocorre em nossas vidas, nessas diversas realizações externas, nesse nível de “ter” está dentro de um sonho. Olha que coisa curiosa: quando você acorda pela manhã, descobre que tudo aquilo que você foi, tudo o que você viveu, tudo o que você teve no sonho não era real, mas você só sabe isso depois que acorda. Você só sabe disso depois que percebe que aquilo não era real. Quando o sonho acontece, aquilo é muito real.

Assim é essa nossa vida. Você parece que está realizando coisas, você parece que está conquistando coisas, você parece que tem essas coisas, mas é porque está dormindo. E está tendo um sonho agradável, mas todo sonho pode mudar. É um dia de sol, ensolarado, o mar está muito calmo, o vento sopra suavemente e, repentinamente, o volume de vento aumenta. A tempestade chega, o mar se agita e uma chuva forte cai, mas vêm antes os trovões e relâmpagos. Então, tudo pode mudar a qualquer momento. Assim é o sonho, o sonho que você tem à noite e o sonho dessa vida, mas do sonho à noite você acorda para o estado de vigília. Mas nesse estado de vigília, quando a tempestade chega, quando toda a situação muda, quando tudo aquilo que parecia seguro, quando tudo aquilo que parecia real começa a se mostrar incerto, porque agora tem raios, trovões, relâmpagos, o vento está forte, o mar não está mais calmo, bate o desespero. O medo está presente. Essa é a condição do “eu”, essa é a condição do ego.

Tudo isso ocorre porque você está dormindo. Então, todo sofrimento na sua vida é porque você está dormindo. O que você tem chamado de felicidade, porque está tudo em calmaria, é muito superficial, isso não é real. Aqui estamos fazendo um trabalho juntos. Esse trabalho é nos tornarmos cônscios de nós mesmos, cientes de nós próprios. Qual é a Verdade sobre o “eu”? Qual é a Verdade sobre essa assim chamada “minha vida”? Essa aproximação irá lhe mostrar que essa “sua vida” é um sonho e enquanto tudo estiver bem – e é um bem aparente, é só uma aparência de que está tudo certo –, você se sentirá relativamente seguro. Embora, psicologicamente, você sinta dentro de você, isso passa para você, é muito claro para você que há medo aí, porque algo dentro de você diz que tudo pode mudar a qualquer momento.

A beleza de um trabalho como este é isso aqui que chamamos de Satsang. É uma palavra em sânscrito que significa “o encontro com a Verdade”, com a Verdade do seu Ser, com a Realidade sobre o que é Você. Isso é basicamente a constatação da ilusão do sonho que você chama de “minha vida” e a incerteza, a insegurança, o medo, todo sofrimento que você se recusa a olhar – que também está presente aí. Então, o que fazemos juntos? Estudamos a nós mesmos. O Autoconhecimento é a base deste trabalho, conhecer a si próprio. E, como no início da fala, isso é Real Compreensão, não o que algumas pessoas chamam aí fora de “autoconhecimento” para ter uma melhora nessa condição de sonho. Não, não é isso!

Autoconhecimento não é para você ter uma melhora na qualidade do sonho. Esse sonho pode mudar, você já melhorou o quanto pôde e, por mais que você se esforce e melhore ainda mais a qualidade do sonho, ainda será um sonho e um sonho é para quem dorme. Aqui se trata de acordar. Acordar para a Verdade, a Verdade do seu Ser, a Verdade de sua Natureza Divina, a Verdade da Beleza, a Verdade da Verdade, do Amor, da Liberdade, da Inteligência. Isso é Compreensão, a Compreensão sobre nós mesmos, a Compreensão do que é tudo isso. “Quem sou eu? Estou aqui? Se estou aqui, o que estou fazendo aqui? Qual é a Verdade?”

A boa notícia aqui é que uma aproximação Real disso é o final da ilusão, é o final do sofrimento, é o final da ignorância. Uma aproximação Real disso é a Revelação d’Aquilo que é Deus, d’Aquilo que é a Verdade, d’Aquilo que é a Liberdade, d’Aquilo que é o Amor. Repare, eu usei essas palavras aqui. Nós não sabemos o significado disso, desse estado de sonho em que vivemos, onde tudo parece estar muito bem e, a qualquer momento, algo pode mudar e bate o desespero. Nós não sabemos o significado disso. Então, nós usamos palavras como amor, liberdade, verdade, Deus, mas não sabemos o que isso significa, porque estamos sonhando.

Em nosso sonho de vida, em nossa imaginação de ser alguém, acreditamos em muitas coisas. Estamos colocando conteúdo dentro dessas palavras e são projeções emocionais nossas, são projeções sentimentais nossas, algo inerente ao próprio sonho. Tiramos do sonho o conteúdo e colocamos dentro dessas palavras. Então, nós temos uma visão particular de quem é Deus, do que é o amor, do que é a liberdade, mas aqui a beleza está nesse encontro com Aquilo que é Você em seu Ser. Essa é a constatação de sua Real Consciência. Então, nós carregamos uma Real Consciência. Essa Real Consciência é a Natureza do Ser, que é a Natureza Real do Amor, da Verdade, da Liberdade, da Felicidade. Isso se revela quando não há mais sonho.

Todas as noites você sai do sono profundo para o sonho e do sonho para o estado de vigília. Todos nós conhecemos isso, mas nós não sabemos o que é Acordar. Quando à noite vamos dormir, nós estamos saindo de um sonho para o sono profundo e depois para um outro sonho. Quando acordamos, saímos do sono profundo, saímos do sonho para um outro sonho. Então, a nossa vida transcorre no sonho, que nós dizemos estar acordado quando estamos no estado de vigília.

A grande revelação, a grande sacada aqui é perceber que a sua vida é um sonho, semelhante àquela que você tem à noite. Talvez a qualidade seja melhor, as coisas sejam mais vivas, talvez o intelecto consiga acompanhar melhor todo esse processo. Parece ser você sempre a mesma pessoa depois que sai do sonho e do sono profundo para o estado de vigília. E parece que você se encontra ainda com os mesmos problemas, com as mesmas situações. A esposa é a mesma e os filhos também – não sei se para a sua alegria ou para a sua preocupação. O fato é que esse estado de vigília ainda é um sonho. Você está num sonho! Descobrir isso é acordar nessa vida. Acordar é tomar ciência de que há Algo além disso. Esse é o contato com a Realidade fora da mente, fora do “eu”, fora dessa “minha vida”, fora desse sonho que falamos agora há pouco, onde tudo parece bem, mas, na verdade, você não se conhece.

O fato de estar dormindo lhe mantém na ignorância. Então, Acordar é a única coisa que importa, e nós não sabemos que estamos dormindo. Então, os Seres Realizados, aqueles que de verdade acordaram, estão vindo nos dizer: “Olha, acorde! Você casou dormindo, teve filhos dormindo, seus filhos estão nascendo e também estão dormindo, seus pais estavam dormindo, todos estão dormindo, todos estão sonhando.” Você diz: “É mesmo?” E eles dizem: “Sim, você está dormindo.”

Então, aqui esse Acordar é a Compreensão, é o nascer de Algo novo, Desconhecido, Extraordinário. É assim que eu tenho denominado a Verdade de Deus. Nós usamos a palavra “Deus”, mas a Realidade de Deus é o Desconhecido, é Aquilo que é Inominável, Indescritível. Não é uma palavra, não é uma crença, não é uma ideia, é uma Realidade quando você não está, quando o sentido de um “eu” separado não está, quando só Deus está. Isso é o Inominável, isso é o Indescritível e Ele é tudo, toda parte, todas as coisas e além de todas as coisas, e além de todas as partes. É o Indescritível, é o Inominável, é o Indizível, é a Realidade Divina, é a Realidade do seu Ser, é a Realidade que você é quando você não está. Isso mesmo, quando você não está, você é. Quando você é, não há Realidade.

Eu sei que soa estranho, mas não é um jogo de palavras. É isso: Acordar é a Ciência de Ser aquilo que é Você quando você não está. Não é um jogo de palavras. A visão disso é o Acordar, a Compreensão disso é a Realidade de Deus. Então, não se trata, como no início da fala começamos a dizer para você aqui, de se livrar de sofrimento, de se livrar de problemas, de ter uma qualidade de vida melhor, de ter uma certa tranquilidade financeira, uma família bonita, um marido bonito, uma casa bonita e um carro novo. Estamos apontando para outra coisa! Não há real vida aí.

Então, aqui o ponto é Acordar, tomar Ciência da Realidade de Deus, fora das crenças – fora das crenças! – fora das ideias. Uma vida sem o pronome “eu”, ou inteligentemente usando o pronome “eu”, com a Verdade que não há nada como esse “eu”. Isso é uma vida em Verdade, isso é uma vida em Sabedoria, isso é uma vida em Amor, isso é uma vida Realizada, é isso que fazemos em Satsang. Então, sejam bem-vindos ao Despertar, ao Acordar, à Realização de Deus.

Outubro de 2023
Gravatá/PE
Mais informações

quinta-feira, 2 de novembro de 2023

Investigação da mente. O que é a consciência? Mente tagarela. Mente inquieta. Despertar Espiritual.

Aqui estamos tratando com você sobre o que é a consciência, o que é a mente e o que é o pensamento. Esses três assuntos são assuntos tratados aqui, assim como diversos outros assuntos que estamos investigando com você. E por que fazemos isso? Porque esses assuntos são assuntos muito importantes dentro da nossa proposta.

O que estamos trabalhando com você aqui juntos? Estamos trabalhando o fim da ilusão desse "eu" presente, desse ego, desse sentido de “alguém” na vida, aqui, neste momento presente. Isso é o fim para o sofrimento, para a ansiedade, para a depressão, para a angústia, para todos esses quadros de infelicidade psicológica que nós conhecemos. O seu encontro com a Verdade Divina, o seu encontro com a Verdade do Ser, com a Verdade de Deus é o fim para conclusões do tipo “minha consciência”, “minha mente”, “meu eu”, “meus pensamentos”. É isso que estamos tratando com você. Veja, tudo isso é algo significativo aqui.

Então, vamos trabalhar aqui sobre essa questão da consciência, vamos ver isso de perto. As pessoas têm falado sobre isso, sobre o que é a consciência, elas perguntam: “O que é a consciência?” Há muitos livros falando sobre o que é a consciência e nós temos dividido a consciência em inconsciente, consciente, subconsciente, falamos de “minha consciência” e assim por diante. E aqui nós estamos vendo com você a questão da simples consciência humana.

O que é a consciência humana? Não vamos nos prender a palavras e a termos mais técnicos porque isso a gente deixa com os especialistas. O que é essa mente humana, essa “minha mente”? Existe tal coisa? O que é essa consciência humana? Existe tal coisa como a “minha consciência”? Veja, estamos aqui lidando com a consciência humana, essa, sim, é essa consciência em mim, é a consciência em você, é a consciência em todos. Estamos lidando com a mente humana, é a mente comum a todos.

Como a mente funciona? Como a consciência funciona? Consciência é basicamente um movimento de pensamentos dentro de cada um de nós. É isso que chamamos de consciência. Estar ciente da experiência do momento, se vendo como alguém que se identifica com essa experiência, isso é algo possível quando há esse movimento de pensamento que reconhece. O reconhecimento a partir do pensamento dessa experiência é o que nós chamamos de consciência, esse é o sentido de ser consciente, de estar consciente, e essa é a consciência humana; uma consciência presa a um padrão, a um modelo de existência, onde sabemos muito bem o que está presente neste modelo de consciência humana: ansiedade, angústia, medo, depressão, inveja, ciúme, posse, controle, sofrimento. Também reconhecemos dentro dessa consciência alguns aspectos, assim chamados, “positivos” dessa vida humana, dessa vida em todos nós: o prazer, a alegria, a realização, a satisfação.

Nós carregamos esses aspectos, os positivos – resumindo: prazer – e os negativos – resumindo: dor –, então de um lado temos o sofrimento nessa consciência humana e em outro lado temos o prazer, e tudo isso são aspectos dessa consciência em nós, essa é a consciência humana. A pergunta é: podemos ir além dessa condição de consciência humana para algo desconhecido desse padrão de prazer e dor, para além desse padrão de aspectos positivos e negativos dentro dessa “minha consciência”, desse “meu pensamento”, dessa “minha mente”, desse “meu eu"? Podemos descobrir alguma coisa além disso? É o que estamos trabalhando com você aqui; estamos sinalizando para você a Libertação desse “eu” e, portanto, a Libertação dessa consciência humana.

O que há além dessa consciência humana? Qual é a Realidade quando essa, assim chamada, “consciência humana” – ou essa mente como nós a conhecemos – não mais está presente? Temos que primeiro investigar o que é essa mente, como nós temos funcionado, o que é essa consciência, como estamos funcionando dentro dela. Reparem, é sempre dentro de um princípio de separação, de dualidade, é sempre numa ideia de um “eu” presente sentindo esses aspectos positivos e negativos e dizendo estar consciente deles, é sempre o sentido de um “eu” presente nesse movimento de pensamento dizendo que está consciente desses pensamentos.

O que são esses pensamentos? O que é o pensamento? Pensamento é basicamente memória. Todas as experiências pelas quais você passou você registrou em algum momento, isso se tornou dentro de você lembranças, recordações, memórias. É possível uma vida livre dessa condição, onde estamos livres desse modelo de identidade, que é o “eu” vivendo esses aspectos da consciência – os positivos e os negativos –, e esses aspectos dessa mente carregada com essa memória, com esse modelo de memória? Haverá alguma outra coisa além disso? É o que estamos investigando aqui com você.

A Realidade do seu Ser, a Realidade Divina, a Realidade de Deus não está dentro desse padrão, desse modelo. Todos esses aspectos que são conhecidos dessa, assim chamada, “mente” e dessa, assim chamada, “consciência em nós” são aspectos da identidade egoica, do movimento de uma existência que se vê separada da vida, separada do outro, separada da Realidade Divina, separada de Deus.

Aqui não estamos lidando com uma crença sobre Deus, estamos falando sobre uma Realidade que se revela quando esse “eu”, esse ego, não está mais presente, quando esse sentido de consciência egoica, que é a consciência que carrega esses dois aspectos – os positivos e os negativos –, não está mais presente, quando essa mente dualista, que é a mente que se vê separada, no controle ou acreditando estar no controle, não está mais presente. Então temos a Verdade da Revelação do Ser, que é a Consciência.

A pergunta é: como isso se torna possível? Isso se torna possível por um estudo. Não indo aos livros ou indo aos especialistas para ouvir falar sobre isso, mas olhando para si mesmo. Um especialista em autoconhecimento não pode lhe dar a Verdade do Autoconhecimento. A compreensão da Verdade do seu Ser é algo que se revela aqui, nesse instante. Não há qualquer especialista em autoconhecimento, como não há qualquer livro capaz de lhe dar a Verdade da Revelação sobre quem é Você. A não ser que você se aproxime de si mesmo, você jamais terá essa visão, esta compreensão.

Então, aqui se trata desse estudar a si mesmo e compreender a verdade da mente, a verdade sobre a consciência. Assim, essa condição de consciência humana, que é resultado de toda uma programação de cultura, de sociedade, de mundo, uma forma específica e condicionada de se sustentar dentro de cada um de nós, tudo isso se desfaz dentro dessa Real Compreensão da Verdade sobre quem nós somos, a constatação dessa verdadeira Presença de Ser, que é Real Consciência. Então uma qualidade nova de mente surge.

Quando a mente se aquieta começa a se tornar ciente do seu próprio movimento, esta é a forma que temos de nos aproximarmos da verdadeira Revelação desse Ser que somos, dessa verdadeira Consciência, dessa Real Consciência que somos. É isso que é Real, além dessa condição psicossomática que assumimos ser nessa ilusão do ego, nessa ilusão do “eu”.

Pode ser que isso pareça para você algo muito estranho a princípio. Ter uma aproximação de si mesmo para olhar, para estudar a si próprio e observar o movimento da mente, então há uma compreensão daquilo que está fora dessa mente inquieta, tagarela, com os seus diversos padrões de pensamentos obsessivos, pensamentos negativos, pensamentos aquisitivos. Todos os modelos de padrões de pensamentos presentes dentro dessa memória egoica, dessa memória do “eu” são compreendidos quando a mente se aquieta, silencia. Assim, olhar para esse próprio movimento do “eu” é auto-observação.

As pessoas perguntam: “Como observar a mente?” A resposta para isso é se tornando ciente de todo e qualquer movimento que surge sem reagir. A não reação a todo e qualquer movimento do pensamento, sentimento, sensação é o segredo. A não reação é o segredo, essa é a forma de nos aproximarmos verdadeiramente da observação da mente.

Como observar a mente? Se tornando ciente. Como não reagir? Se tornando cônscio de si mesmo aqui e agora. Então um espaço novo se abre, que é o espaço da Verdade do Autoconhecimento. Reparem que isso é possível quando nós colocamos nossa atenção, essa Plena Atenção sobre todo o movimento da consciência, dessa consciência comum a todos. Quando você coloca atenção sobre esse movimento da consciência e percebe todo esse jogo, nesta Atenção não existe esse elemento que é o "eu" tentando fazer algo, há apenas essa observação, esse observar a mente, esse observar o movimento dessa consciência nessa Atenção Plena. Então temos a Revelação do Autoconhecimento. Tudo isso faz parte de uma aproximação da Realização do seu Ser, da Realização de Deus, porque agora temos presente a Verdade da Real Meditação.

Descobrir a arte de Ser essa Presença, de Ser essa Consciência é descobrir o que significa Ser; é Algo possível quando há essa aproximação da Real Meditação. O trabalho consiste nesse olhar para todo esse movimento do “eu”, então descartamos essa ilusória consciência, essa condição de consciência, de padrão, de condicionamento de consciência que é essa, assim chamada, “consciência humana”, para Algo novo, para Algo inusitado, para Algo inominável, que é a presença da Real Consciência.

Essa é a forma de nos aproximarmos da Verdade do nosso próprio Ser, o que alguns chamam de o Despertar Espiritual ou o Despertar da Consciência Tudo isso requer uma aproximação de si mesmo como, em geral, não temos dado a nós mesmos, porque estamos sempre dentro dessa continuidade de vida egoica, dentro desse padrão de repetição, de modelo, de continuidade. Se faz necessária uma aproximação neste instante, se faz necessário esse estudar a si mesmo, esse aprender a olhar para si mesmo, trazer essa Atenção Plena aqui e agora para essa constatação, para esse descobrimento.

Então, essa é a forma de nos aproximarmos de nós mesmos, de nos aproximarmos da Verdade sobre a Constatação de Deus, desse Silêncio, dessa Beleza, dessa Graça, dessa vida livre, nessa completude de Ser Pura Consciência, de Ser Pura Presença. A Verdade Divina é Algo que está aqui e agora, tudo que se faz necessário é o fim dessa ilusão, desse senso de separação criado, sustentado por esse movimento de mente egoica, por esse movimento de consciência humana, que é a consciência mental, que é a consciência do “eu”.

Outubro de 2023
Gravatá/PE
Mais informações

Compartilhe com outros corações