segunda-feira, 29 de julho de 2019

A Única Verdade sobre Você

É bom estarmos juntos nesta oportunidade de investigação da Verdade sobre nós mesmos. Qual é a Verdade sobre você? Qual é a Verdade sobre sua Natureza essencial? O corpo e a mente podem passar por experiências, no entanto, essa Consciência, seu Ser Natural, permanece sem ser afetado. Aqui, o ponto é ter essa Compreensão direta.
Seu Ser, a Verdade, não conhece sofrimento, dúvidas ou problemas. A mente e o corpo podem viver essas experiências, enquanto que Você mesmo não! Estar em Satsang é descobrir Isso, é aproximar-se Disso.
Estou afirmando que Você não é essa falsa identidade, essa crença, que sustenta a raiz do sofrimento. Essas experiências são criações conceituais do pensamento. A imaginária pessoa assume a ilusão de uma identidade presente e, assim, sofre, carrega dúvidas e problemas. É necessária a libertação da crença nessa falsa identidade. É necessário o reconhecimento da Verdade sobre Aquilo que Você é.
Esse modelo de pensamento é o modelo da inconsciência. São os pensamentos que sustentam atributos e condições de uma “pessoa” separada, com particularidades, uma “pessoa” em sua história. Mas, onde está essa “pessoa”? Quando há um esvaziamento desse conteúdo de ideias, crenças, conceitos e imaginações, para onde vai essa “pessoa”? Sem a história, que são memórias, lembranças e imagens, onde é que essa “pessoa” está? Então, quantas pessoas estão presentes hoje neste encontro aqui? Se tirarmos todo esse conteúdo de história, memórias, imagens e lembranças, a “pessoa” é real?
Você tem atribuído a existência dessa “pessoa” a alguns poucos pensamentos, sentimentos e sensações que estão aparecendo. Porém, eles comprovam somente a existência de uma Consciência, a qual está ciente desse fenômeno.
Assim a Consciência é uma realidade, mas a particularização Dela é uma imaginação, a história Dela é uma imaginação. Consciência não tem história, não tem nome, não tem corpo, não tem forma. Consciência é simplesmente a constatação da aparição de qualquer fenômeno, como os pensamentos, sentimentos e percepções. Isso vêm, aparece e depois desaparece. A Consciência é a constatação do fenômeno!
Como é que a Consciência desse fenômeno, que aparece e desaparece, pode ter qualquer substância ou a independência de uma entidade? Estamos lidando apenas com o fenômeno, ou seja, o pensamento aparece e desaparece. Não há uma identidade presente, fixa, com real substância e qualidade; isso é a imaginação que o pensamento produz. É parte da imaginação do pensamento acreditar numa entidade presente, com real substância, qualidade, que é sempre a mesma.
Não há nenhuma “pessoa”, nenhuma entidade. Estamos lidando com fenômenos existenciais o tempo todo, que aparecem nessa Realidade que chamamos de Consciência. O corpo é um fenômeno que vem e vai, assim como a mente. As sensações, sentimentos, emoções, percepções, absolutamente tudo são fenômenos que aparecem e desaparecem, que não têm substância fora dessa Consciência. Tudo está aparecendo nessa Realidade, nessa Verdade, que é a Consciência.
Portanto, a única Verdade sobre você é essa Consciência. Essa é a Verdade de todos os fenômenos e isso não tem história, não tem qualidade ou substância, não tem forma nem nome. Assim, quando você diz “essa é a minha história”, isso é somente imaginação, porque você não tem nenhuma história! Você não existe! Você é uma fraude! Você é uma ilusão, uma imaginação! Consciência é a Verdade, esse “você” não!
"Portanto, a única Verdade sobre você é essa Consciência."
Então, o seu medo se sustenta na ilusão de que você está presente em um fenômeno chamado “medo”, em um certo modelo de pensamento, sentimento e sensação. Não tem alguém nesse fenômeno chamado “medo”! O corpo sofre, a mente sofre, esse mecanismo corpo-mente vivencia experiências de conflito, de dor, de problemas, enquanto que Você permanece livre como essa Consciência, essa Realidade que Você é, que está além do corpo, da mente e, portanto, além do sofrimento e da experiência. Como parar essa identificação com aquele que sofre com emoções e circunstâncias? Você precisa se desidentificar dos pensamentos, emoções e circunstâncias! Não se identifique com eles, momento a momento. Esse é o segredo!
A Meditação é a base da quebra desse hábito, desse condicionamento. Você precisa deixar de acreditar em sentimentos, emoções e sensações. Em outras palavras, você precisa deixar de acreditar que é o corpo. Tenho percebido que essa é a maior dificuldade que todas as pessoas têm, porque elas se identificam muito com o corpo, é um hábito de muito tempo. Desde criança você está identificado com o corpo, e somente essa auto-observação pode desfazer isso. Por isso, é necessário ter bastante paciência nesse trabalho. Meditação é uma Realização de paciência, é a arte de Ser, de assumir sua Natureza Verdadeira, e isso requer uma quebra de condicionamentos, hábitos, padrões bastante arraigados, profundos.
*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite do dia 29 de Abril de 2018 – Encontros online todas as segundas, quartas e sextas as 22h (exceto em períodos de retiros) – Para informações sobre o app Paltalk e instruções de como participar acesse o link: http://mestregualberto.com/agenda/encontros-online.

quarta-feira, 24 de julho de 2019

Não tente compreender Isso! Viva-O ou desista!

Aqui, temos a possibilidade do Despertar da Compreensão, mas não do entendimento, pois são coisas diferentes. Aquilo que geralmente chamamos de entendimento é a mera compreensão intelectual, enquanto que a Real Compreensão é algo inteiramente diferente disso. Bem-vindo a essa Real Compreensão! Bem-vindo a Satsang!
Quando falamos a respeito da não dualidade, ou dessa Compreensão, usamos uma linguagem a partir de metáforas e aparentes paradoxos. Quando, por exemplo, falamos do sonho da separação, não estamos tentando descrever algo que intelectualmente você possa entender com facilidade. A Compreensão é importante, a intelectualidade não. Estamos tratando, aqui, de um ponto inteiramente novo, algo fora da mente. Por isso, usamos metáforas e aparentes paradoxos, apontando para a possibilidade dessa Real Compreensão. Assim, esteja aberto a essa possibilidade.
Essas falas estão cheias de paradoxos e, naturalmente, aparentes contradições, e não há como fazer de forma diferente. O problema é que a mente está tentando compreender Isso. Quero repetir para você: a Compreensão é possível, mas, na mente, o mero entendimento intelectual ou verbal, que você chama de “compreensão”, é inútil. A Sabedoria se trata de uma vivência direta, não é algo da mente. Na verdade, a Sabedoria parece muito confusa quando você faz uso do intelecto para alcançar o que Ela está comunicando, mas é o que a mente tenta desesperadamente, porque ela quer possuir essa “Coisa”.
A Sabedoria, a Verdade, a Realização, não é mais uma das conhecidas aquisições da mente. Portanto, Isso não pode ser possuído, nem controlado. Se fôssemos dar um título a essa fala, seria: “Não tente compreender Isso! Viva-O ou desista!”.
Toda a ideia sobre espiritualidade, sobre a Vida Real, a Verdade, é falsa. Qualquer ideia que você tenha sobre a vida, o mundo, Deus, si mesmo, é falsa. Ou você vive a Realidade, a Verdade ‒ e isso é Real Compreensão ‒, ou a imaginação estará presente. Esses encontros, que temos aqui, são um convite para essa abertura. Esteja aberto a essa possibilidade de ver que Aquele que lhes fala é também Aquele que aí escuta; que há somente uma Consciência presente nessa experiência do falar e do ouvir.
Essas falas, às vezes, podem parecer bastante cruéis com o seu modelo de pensar, agir e sentir, porque esse modelo que você tem é pura contradição, medo e conflito. A intenção não é fazer desta uma fala cruel para atacá-lo ou atingi-lo de alguma forma. Não é para chocá-lo, aborrecê-lo ou preocupá-lo, mas para compartilhar a possibilidade desse Amor incondicional. Assim, usamos expressões como “ilusão”, “maya”, “sonho”... Não estamos tentando, nessas falas, comunicar-lhe um entendimento, mas provocar em você uma abertura para a possibilidade da Real Compreensão. Então, não fique preso às palavras.
Talvez você se encante, temporariamente, pelas palavras, mas, se vier a um dos nossos encontros presenciais, irá perceber que isso não tem relevância. Aliás, eu tenho observado isso: essas palavras podem fluir e atingi-lo de uma forma bastante interessante, mas se você vier, irá descobrir que eu não tenho muita coisa para lhe dizer, e essa é uma boa notícia. Se pudermos nos olhar, em silêncio, isso será suficiente.
Quero sugerir que você coloque de lado as palavras, pois essas falas são sobre Ver e não sobre o entendimento de palavras. Então, enquanto você escuta [lê], não se importe com as palavras; vá além delas. Se seu coração está fechado, não importa o volume de palavras que você receba, que possa escutar [ler]. Em seu “sonho”, você está encantado com as experiências, enquanto que a Verdade está além delas. Eu lhe avisei agora há pouco que essas palavras seriam, como sempre têm sido, paradoxais e contraditórias. Por quê? Porque isso não é para a mente. Se o seu coração está fechado, nada de Real acontece.
"Toda a ideia sobre espiritualidade, sobre a Vida Real, a Verdade, é falsa. Qualquer ideia que você tenha sobre a vida, o mundo, Deus, si mesmo, é falsa. Ou você vive a Realidade, a Verdade ‒ e isso é Real Compreensão ‒, ou a imaginação estará presente."
A beleza desses encontros é o Reconhecimento nessa ressonância. Enquanto as palavras acontecem, a pausa e o silêncio entre elas podem trazer um Real Reconhecimento e uma profunda ressonância, e isso traz uma Revelação além da mente. Essa ressonância é algo completamente além da mente pensante, do intelecto, da sua compreensão; é algo que vai direto ao Coração. Então, quando há essa ressonância, existe sempre a possibilidade de alguma coisa Real estar acontecendo, e isso é o que realmente essas palavras são: uma sinalização de uma Verdade além das palavras. Quando falamos sobre a não dualidade, estamos falando sobre essa Verdade além da mente. Existe somente Isso, essa Presença aqui e agora. Isso é completo, não precisa de melhora, de ajustes, e tudo sempre são boas novas, boas notícias.
Toda essa busca inútil por espiritualidade ou por sucesso mundano dá no mesmo; é o mesmo movimento da mente procurando alguma coisa, e tudo o que ela pode encontrar está dentro da ilusão. O que eu estou dizendo é que essa busca precisa desaparecer e ela pode desaparecer completamente. A Liberação está aqui onde você está, no meio da vida, não da vida de sucesso ou da vida de espiritualidade, mas da vida comum, no seu dia a dia, no seu viver. Isso é a morte dessa ilusão da separação entre você e a Realidade, dessa ilusão de uma individualidade separada; é a morte do buscador. Então, o sonho da separação termina. No sonho da separação, você é um indivíduo com livre-arbítrio, escolhas, tomadas de decisões; você escolhe o seu caminho, faz tudo acontecer e recebe o crédito por tudo isso... Bobagem!
*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite do dia 19 de Junho de 2019 – Encontros online todas as segundas, quartas e sextas as 22h (exceto em períodos de retiros) – Para informações sobre o app Paltalk e instruções de como participar acesse o link: http://mestregualberto.com/agenda/encontros-online.

sábado, 20 de julho de 2019

A Meditação é um salto para o Desconhecido

Em Satsang, nós tratamos Daquilo que está sempre presente e é radiantemente claro, inegável, como nossa Natureza Verdadeira. A experiência comum é a de ver e experimentar toda uma mudança, o tempo todo, em razão dos pensamentos e das circunstâncias que surgem. Essa é a experiência do senso de limitação pessoal.
A experiência comum do ser humano é de sofrimento, medo, dúvida, ansiedade e confusão. Isso porque não há a compreensão Daquilo que está aqui presente e ultrapassa a mente, que está além dela, e que, curiosamente, é anterior à própria mente. Essa é a natureza do Ser, a natureza da Consciência. Esse espaço para o sofrimento, para a ansiedade e confusão não é o seu espaço Natural de Ser; é o seu espaço mental de experiência humana. Em seu Ser, você não tem como experiência essa confusão, esse sofrimento, esse medo, essa frustração. Curiosamente, você não deixa de ter isso na mente.
Esses encontros são reveladores: revelam seu íntimo Ser, sua Natureza Essencial, que é Liberdade, Felicidade. Isso não é a sua experiência, é a sua Real Natureza. As pessoas procuram uma experiência de Felicidade e de Liberdade, mas qualquer experiência que elas vivenciem sempre estará dentro da limitação da mente. O seu Ser não vive na experiência, enquanto que a mente vive de experiências, as quais são limitadas. O seu Ser, a sua Natureza Verdadeira, é inegavelmente essa Presença de Liberdade, de Amor e Felicidade, mas você não pode experimentar Isso. Tudo que você pode experimentar está dentro da mente.
A Verdade do seu Ser, que é essa Liberdade, Felicidade, não é algo que você alcança ou realiza. Aqui, você descobre o que é desistir da mente, desistir de dar credibilidade a ela, não confiar nela. O seu trabalho é descartar o falso; o Verdadeiro já está presente. Assim, não se trata de uma experiência que você vai ter, mas, sim, da libertação da ilusão da mente, com todo o seu aparato de crenças, percepções, sensações, experiências. Você acompanha isso?
Meditação é um descarte da ilusão – você descarta crenças, conceitos, esperanças, dúvidas e desejos. Você faz isso pela observação, pela não confiança em qualquer experiência surgindo aí, dentro da sua cabeça, em qualquer ideia e formulação de história aparecendo. Você não precisa ler livros para aprender a fazer isso; precisa olhar e ver que todo pensamento é parte da memória, de uma história imaginária ‒ os Sábios sempre apontam para isso. A mente é um feixe de lembranças, de memórias, de imagens… É necessário você romper com isso.
Você não vai Realizar o seu Ser estudando, lendo livros ou tentando aprender Isso com outros. Você vai Constatar o seu Ser pela observação, descoberta, autoinvestigação. Você investiga pacientemente, cuidadosamente, amorosamente, o que se passa aí dentro, e essa é a base para a Real Meditação. Meditação não tem nada a ver com uma prática, pois, de uma prática, você extrai uma experiência. Você tem alguma experiência em razão de uma prática meditativa, mas ela ainda está dentro do campo da mente. O seu Ser não conhece experiência, não vive de experiência, pois toda experiência é parte do tempo. O seu Ser é a Verdade desconhecida, não detectada pela mente, enquanto que toda experiência a mente pode detectar, nomear, relembrar e assumir como parte dela.
A Meditação é um salto para o Desconhecido, para fora do mundo da mente, que é esse mundo de experiências, percepções, crenças, sensações, e assim por diante. Então, quando há Real Meditação, não há mente. Você começa na atenção, nessa observação, e, então, se revela Aquilo que é desconhecido. Mas, você não está lá, o experimentador e a sua experiência não estão lá. O seu Ser é Isso anterior à mente, para o qual usamos a expressão Estado Natural. Por que Estado Natural? Porque é um estado sem esforço, algo espontâneo e disponível.
A Verdade é algo assim, pois está sempre disponível, não se oculta, mas Ela não é alcançável, conquistável. Isso implica alguma coisa real, natural, agora e aqui; alguma coisa fora de toda limitação, influência, restrição... É o seu Ser, o seu Estado Natural. Para mim, “natural” tem essa implicação, não é um produto da experiência. Por isso que a meditação, como uma prática, como é conhecida, não pode lhe dar Isso. O que ela pode lhe dar, como foi colocado agora há pouco, é uma experiência, que é alcançável, realizável, mas o seu Ser, não. O seu Ser não é um produto da experiência, é algo presente, embora fora do tempo, e natural.
Estamos diante de Algo direto, íntimo, natural, presente, embora fora do tempo. Você é Isso! Você sempre foi e sempre será Isso! Então, você não se tornará Iluminado amanhã, pois “amanhã” é tempo, é uma experiência imaginária. Você existe sempre agora, e isso é anterior à mente, é anterior ao futuro, ao passado e ao presente. Isso é como dizer que você nunca viaja, nunca deixa a sua casa. Tudo isso que o ego tem criado como história, nessa, assim chamada, “sua vida”, é somente uma habilidade fantástica, extraordinária, da imaginação; é o resultado de um fantástico empreendimento imaginário: o pensamento.
Você não deve ficar com a minha fala, mas, sim, entrar fundo em sua própria e direta vivência. Eu não disse “direta experiência”, disse “vivência”; a vivência de que seu Ser está fora da experiência. Assim, você tem um íntimo contato com o seu Estado Natural, que é Meditação.
"Você não deve ficar com a minha fala, mas, sim, entrar fundo em sua própria e direta vivência."
Por isso que nós temos esse espaço aqui, chamado Ramanashram: para olharmos com proximidade para Isso. Àqueles que não estiveram por aqui, eu recomendo correr logo para cá. Afinal, essa é a história que você chama de “vida”. Você pode continuar convivendo com uma gama enorme de experiências, assim chamadas, “humanas”, e deixar esse mundo sem saber nada sobre Si mesmo, sem ter a mínima noção do que estamos tratando, de verdade, aqui nessa fala.
Basicamente, não existe nenhuma diferença entre mim e você, a não ser o sentido de separação. Você tem medo porque se vê como uma entidade separada, vivendo uma gama enorme de experiências, dentro de uma história fantástica e extraordinária criada pela imaginação, por essa mente imaginária, que diz que você é o que de fato não é. Essa é a pequena diferença.
O meu recado nesses encontros é para que você descubra sua Natureza imperecível, imutável, que está livre do medo, porque está livre do senso de dualidade e separatividade. Assim, não existe diferença entre nós, você apenas crê em coisas que o pensamento diz e eu permaneço no Desconhecido.
A dúvida, a confusão, o sofrimento e o medo preenchem todos os cantos e recantos desse mundo imaginário mental, no qual você acredita existir como “alguém”. Eu estou aqui lhe dizendo que existe apenas uma Realidade presente, e Ela é atemporal, está fora dessas medidas do pensamento, está fora do passado, presente e futuro.
Então, você vai continuar lendo livros e visitando gente que parece saber mais do que você? Isso não vai adiantar nada! Toda Verdade está presente Naquilo que Você é, e esse íntimo e direto contato com essa Verdade é algo disponível aqui e agora quando a mente é descartada. Assim, a única coisa aqui é a Meditação... Essa é a única coisa!
*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite do dia 14 de Junho de 2019 – Encontros online todas as segundas, quartas e sextas as 22h (exceto em períodos de retiros) – Para informações sobre o app Paltalk e instruções de como participar acesse o link: http://mestregualberto.com/agenda/encontros-online.

terça-feira, 16 de julho de 2019

A lembrança de sua Natureza Verdadeira

Como sempre, estou lhe trazendo essa lembrança, ou lhe mostrando a importância dela, que é a lembrança da Verdade sobre Você. O estado de inconsciência, ou de “sono”, não lhe permite acessar essa lembrança. Na maior parte do tempo, você está inteiramente esquecido e esse esquecimento nasce da própria inconsciência, que é esse estado comum de “sono”. A lembrança é a de que a sua Natureza Verdadeira é essa Consciência e de que não há qualquer outra coisa acontecendo que não seja Ela. Tudo é parte dessa única Consciência, Ela é a Fonte das aparições; é Nela que tudo aparece e desaparece. Eu o convido a essa Consciência, onde é possível essa lembrança.
O esquecimento é o estado comum, é o estado mental, e aqui nós chamamos de inconsciência. É um estado verdadeiramente de “sono” e, nele, o “sonho” é confundido como sendo a Realidade; a inconsciência é confundida como sendo Consciência; o “sono” é confundido com o estado Desperto; e a ilusão é confundida com a Verdade. Assim, todo o meu propósito, quando nós nos encontramos em Satsang, é trazer a você essa lembrança, é torná-lo ciente Daquilo que somos. Nada jamais aconteceu na sua vida — e jamais acontecerá — fora dessa Consciência. Nada mais é real a não ser essa Consciência.
As pessoas, os objetos, os eventos em sua vida, tudo apareceu e desapareceu dentro dessa Consciência, que é a sua Realidade. Você acredita que está tendo uma experiência em um mundo material, mas, na verdade, esse mundo material, ou a aparição desse mundo, é algo presente dentro dessa única Consciência. Não é você experimentando esse mundo material, não existe nenhum mundo material sendo experimentado.
O que eu estou dizendo é que não existe um mundo separado de Você. Não existe esse mundo e não existe esse “você”, como sujeito e objeto. Essa separação é a ilusão. Então, estamos diante de um extraordinário e bonito jogo, um jogo Divino. É o jogo da aparente separatividade, da aparente dualidade, da divisão aparente entre observador e coisa observada, entre pensador e o seu pensamento, entre o “eu” e o mundo. Nada disso é como parece, nada está acontecendo como parece estar acontecendo ‒ esse é todo o jogo! Tudo está se desdobrando nessa Consciência, é uma perfeita expressão Dessa Unicidade.
Assim, há uma constante mudança, com aparições e desaparições, no entanto, isso não é verdade! Aparentemente, isso está tomando esse formato. Isso é bem interessante, porque você pode criar, até mesmo, a ilusão de que precisa acordar dentro desse sonho, mas, na verdade, esse sonho não está acontecendo para um “alguém” que precisa acordar. Esse sonho é algo dentro Dessa Consciência, e Ela não vai acordar! Ela é algo presente, sempre presente, como sua Natureza Real, sua Natureza Verdadeira.
"Isso é bem interessante, porque você pode criar, até mesmo, a ilusão de que precisa acordar dentro desse sonho, mas, na verdade, esse sonho não está acontecendo para um “alguém” que precisa acordar. Esse sonho é algo dentro Dessa Consciência, e Ela não vai acordar! Ela é algo presente, sempre presente, como sua Natureza Real, sua Natureza Verdadeira."
Aqui, o que se faz necessário é uma desidentificação com essa ilusão da dualidade, com a crença de uma entidade presente se separando da experiência. Essa ignorância sobre a Verdade, sobre Si mesmo, é simplesmente uma ilusão. Uma vez que essa ilusão seja vista, não há mais ilusão, e Isso é a Verdade! Então, não se trata de Despertar ou se Iluminar um dia. Esse é um assunto bastante delicado... Essa expectativa de futuro é, também, algo dentro desse sonho, dessa ilusão. Não existe nenhum futuro! O futuro é sempre para a mente e não para Você. Você não é a mente! Futuro é sempre para o corpo que experimenta a mudança, e é a mente que vive dentro do tempo psicológico. Então, existe o tempo cronológico do corpo e o tempo psicológico da mente, enquanto que Você mesmo não está em nenhum tempo.
Assim, quando falamos de Despertar, Iluminação, Realização, não estamos falando de algo no tempo; estamos falando exatamente do fim da ilusão do tempo. Estamos diante de um fascinante jogo, que é exatamente esse: a mente se vê no tempo e o corpo se sente no tempo. Porém, aqui a chave é se desidentificar com o corpo e a mente. Por isso eu trabalho com você, em Satsang, essa questão da Meditação, da verdadeira Meditação! Há muita coisa aí fora que é chamada de “meditação”, mas não é desse tipo de “meditação” do qual estamos falando. Estamos falando da Meditação em que há a Verdade da ausência do meditador e da prática, da técnica e de todas as demais coisas que a mente, de uma forma engenhosa, tem construído em torno dessa palavra chamada “meditação”.
A Real Meditação revela a Verdade do que Você é ‒ essa Consciência presente, aparecendo como tudo, sem qualquer separação. A Real Meditação é este “ver na claridade”; é ver todo esse jogo. Não se trata, portanto, do desaparecimento do mundo, mas da ilusão de “alguém” presente como uma entidade se separando dessa experiência “corpo-mente-mundo”. Quando, de uma forma ilusória, existe esse envolvimento do personagem dentro do jogo, sem o reconhecimento de sua Verdadeira Natureza, tudo é tomado com muita seriedade, e, então, todos os dramas e dilemas da vida aparecem como sendo sérios problemas.
Se há esse reconhecimento de sua Verdadeira Natureza dentro desse jogo, se isso é visto, a questão do “sonho” não é mais um real problema. Quando sua Real Natureza se torna clara, óbvia, o personagem não precisa desaparecer; é a ilusão da identidade presente, de “alguém” presente, que desaparece! Todo esse jogo é a vida; todo esse sonho é aquilo que nós chamamos de vida, que é algo acontecendo sem qualquer propósito. É a mente, dentro da ilusão, que está na procura de algum propósito para tudo isso. Então, a mente tem tornado isso algo muito sério, muito dramático e cheio de dilemas, conflitos e problemas. A vida é o que ela é!
O que estou dizendo é que, para Você, como Consciência, o que quer que esteja presente já está perfeito, incluindo todo esse jogo. Assim, toda a procura, dentro dessa assim chamada “espiritualidade”, essa busca de ser especial e alcançar algo diferente do que está presente neste instante, é algo sem qualquer propósito. Não há nada para se alcançar, não existe nenhuma espiritualidade através da qual você possa evoluir e se tornar alguém diferente ‒ isso tudo está dentro dessa ilusão. Essa “vida espiritual” é somente uma presunção dessa individualidade, que se projeta no intuito de encontrar uma união com algo maior, com algum poder superior ou algo do tipo.
*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite do dia 18 de Março de 2019 – Encontros online todas as segundas, quartas e sextas as 22h (exceto em períodos de retiros) – Para informações sobre o app Paltalk e instruções de como participar acesse o link: http://mestregualberto.com/agenda/encontros-online.

terça-feira, 2 de julho de 2019

O que é Realizar Deus?

Basicamente, você está condicionado a confiar nas ideias, nos pensamentos e, aqui, toda essa investigação que fazemos é em cima desse condicionamento.
A mente vive dentro desse movimento da memória, do pensamento. Se você tem um interesse real pela Verdade, você precisa ir além da memória, além do pensamento. O pensamento funciona como uma forma de programação repetitiva e continuada. Você, por exemplo, nunca conversa sem memória. Em um diálogo, as pessoas estão apenas trocando recordações e lembranças. Aquilo que chamamos de “comunicação” é a troca de lembranças, de imagens, de memória, de passado.
É curioso isso, porque você não sabe o que é o passado. Tudo o que você tem daquilo que chama de “passado”, é só lembrança, memória, imagens, pensamentos. Você não conhece o passado nem o futuro, no entanto, pode imaginá-los. Você imagina o passado como algo que aconteceu a você. É como se fizesse uma viagem ao passado, algo totalmente impossível, que existe só no imaginário, só na ficção científica dos filmes. Você pode imaginar, mas não pode ir ao passado. Você pode dizer que esteve lá, mas você nunca esteve, de fato. Você acredita que está aqui... Há algo presente aqui, mas não é esse imaginário “eu” que você acredita ser. Então, você também não está aqui, no que chama de “presente”. Reparem que é basicamente sobre isso que tratamos em Satsang.
Se o seu interesse está na Verdade, você precisa soltar a ilusão, o pensamento, a imaginação. Basicamente, em Satsang, tratamos sobre o fim da imaginação, o fim desse mundo imaginário que o pensamento cria. É nesse mundo imaginário que você “viveu” o passado ou se lembra dele. Na verdade, você não viveu o passado, como você não está vivendo este momento presente.
"Se o seu interesse está na Verdade, você precisa soltar a ilusão, o pensamento, a imaginação."
Você está aqui comigo hoje para investigar essa questão da Verdade do que Você é. Você não é esse movimento da mente, esse movimento imaginário do pensamento. Isso é um programa rodando. Assim como o coração está programado para bater, assim como os órgãos do corpo trabalham dentro de uma programação, o cérebro também tem uma programação nesse mecanismo. Assim, a mente tem esse movimento de recordações, de lembranças, de memórias, de imagens, de imaginações.
Basicamente, em Satsang, nós investigamos a natureza da Verdade sobre nós mesmos. Qual é essa Verdade? A Verdade é que essa imaginação não é você. Tudo aquilo que você está buscando nessa vida é a Verdade sobre si mesmo, e a única coisa que você pode encontrar que seja Real é Isso. À parte Disso, tem esse movimento da mente, de imagens, lembranças, recordações. Você não pode viver nenhum momento passado ou futuro. O que a mente faz é imaginar tudo isso.
A única “coisa” Real que você pode encontrar é a Si mesmo. Encontrar a Si mesmo significa estar fora desse movimento da mente. Então, tudo o que você pode encontrar na mente é parte da ilusão. Na verdade, nada está sendo encontrado, é só uma projeção imaginária do pensamento. Assim é o seu mundo, assim é a sua história.
Tudo o que você sabe sobre si mesmo e pode relatar fazendo uso do pensamento não tem nada a ver com quem Você é. Tudo o que você pode contar para alguém sobre si mesmo, ou imaginar sobre o mundo, sobre a vida, sobre o outro, é falso.
Então, o que fazemos em Satsang? Nós paramos com a imaginação, paramos com a história, paramos com o movimento imaginário do “eu”, desse “senso da pessoa”. Isso se chama Meditação, Satsang, encontro com a Realidade, encontro com a Verdade. Por isso eu tenho dito: o que você está buscando, de fato, é a Si mesmo!
É bem engraçado isso hoje para mim, porque eu vejo vocês fazendo o movimento para encontrar alguma coisa, mas não percebem que esse não é um movimento natural, é um movimento da mente. Então, não é um movimento para a Realização da Felicidade, é um movimento para a mediocridade, para a miséria, para a confusão, para o sofrimento. É assim todo movimento de busca que a mente conhece, e é por isso que a busca precisa parar. A busca não é de interesse dessa Realidade, dessa Consciência, dessa Presença que Você é. A busca é de interesse da mente. A mente tem interesse na busca, na filosofia, na religião, nas práticas esotéricas, em estudos de livros sagrados e todo tipo de prática de espiritualidade. A mente vive em busca de conhecimento, de experiência, de realização, ou seja, está em busca de continuidade. Você não! Você é Consciência, é Verdade, é Suprema Realidade! Isso está fora dessa dimensão do que é conhecido como “tempo”. Isso é algo fora do passado, fora do futuro, fora daquilo que chamamos de “presente”.
Então, o que é Realizar Deus? É Realizar Aquilo que está presente fora da mente. Assim, Isso está presente, mas está fora desse “presente”, desse “passado” e desse “futuro” que a mente conhece. Por isso que só a Meditação revela Deus, só a ausência da mente revela Aquilo que está fora do tempo, fora do conhecido. Você tem que jogar tudo fora para Ser. Vou repetir: é necessário que tudo desapareça para que Aquilo que está fora do tempo se revele como a única Realidade que flutua sobre esse oceano de aparições e de impermanência – passado, presente e futuro.
Você não pode encontrar outra coisa que não seja a Realidade. Qualquer outra coisa que você acredite ter encontrado, fora do que Você é, não é Real. A única Realidade é o que Você é, e Isso está fora de tudo que se possa encontrar. Tudo que, de fato, você pode encontrar é a Si mesmo, que é quando tudo desaparece: sua história, seu mundo, sua imaginação, seu passado, seu futuro e seu presente. Isso tudo é imaginário, nada disso tem Realidade! Então qual é a causa de todos os seus problemas? Qual é a causa, a raiz, por detrás de toda essa busca, de toda essa infelicidade, miséria e insatisfação?
Quando você olha isso de perto, você descobre que isso tudo existe nesse mundo do pensamento. Sem pensamentos, você não tem problema; sem história, você não existe. Quando você existe, você tem problema. A Realização é a Verdade de que Você é Real, mas não existe. Vou repetir: a Realidade de Ser é a Verdade de não existir. Isso é Realizar Aquilo que está pronto, que já está aqui, que é atemporal, que está fora da mente, fora da história, da imaginação, fora de todo esse blá-blá-blá da mente. Isso é a Verdade!
Na Índia, eles têm uma expressão para essa ilusão: “maya”. Todo esse imaginário mundo, todas essas histórias, memórias, vivências, experiências, percepções, sensações... Isso é maya. Eles usam a palavra “Deus”, como sinônimo de Consciência, de Verdade. Nesse sentido, é Aquilo que sustenta e se oculta por detrás de todos esses fenômenos aparentes que surgem e desaparecem, como o corpo, a mente, o mundo, as histórias, os pensamentos, o passado, o futuro e o presente. Isso é Inteligência Absoluta, é Verdade, Consciência, Deus, Aquilo que é inominável, indescritível, atemporal, indizível, desconhecido.
Então, o que é Realizar Deus? Na linguagem do meu Guru, é ser Deus. Ramana dizia: “Realizar Deus é ser Deus; ver Deus é ser Deus!”. Deus é Aquilo que está presente fora do presente; que está aqui sem uma posição no espaço. Isso é algo que a mente não pode acessar. Isso é Realizável em seu Ser, como sua Natureza Verdadeira, de fácil, simples, direta e objetiva Constatação. Quando a ilusão da mente, da história, da memória, cai... Meditação! Não está simples isso? Eu acho!
Quando o pensamento vem, cria a história, que é imaginação sobre o passado. Se essa imaginação sobre o passado cai, o pensamento desaparece, então, Aquilo que permanece por Si mesmo, fora da memória, do tempo, da história, da mente, é essa Inteligência Absoluta, Deus, a Suprema Realidade, o seu Ser, a sua Verdadeira Natureza Divina.
*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite do dia 03 de Maio de 2019. Encontros online todas as segundas, quartas e sextas às 22h (exceto em períodos de retiros). Para informações sobre o app Paltalk e instruções de como participar, acesse o link: http://mestregualberto.com/agenda/encontros-online.

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