quinta-feira, 21 de junho de 2018

Descubra seu Estado Natural de Meditação!




Estamos colocando, nesses encontros, a verdade da Quietude, do Silêncio, de sua Natureza Verdadeira; estamos tratando de uma Quietude que não é aquilo que todos conhecem como quietude. Toda fala, em Satsang, aponta para essa Quietude, e Isso não é algo que você possa alcançar. Você não pode encontrar a Verdade! Então, a procura pela Iluminação é inútil, porque você não pode encontrar o seu Estado Natural. Isso não é como encontrar alguma coisa ou alguém que você perdeu. Essa Iluminação, Quietude, Liberdade, é nossa Real Identidade e Ela não é um objeto, nem algo que possamos perceber e consigamos encontrar.

Você não pode se movimentar em direção à Quietude, não pode perturbar o Silêncio, nem encontrar Aquilo que não está perdido. Qualquer movimento que você fizer, irá perturbar Isso, esse Silêncio, essa Quietude, e será somente um afastamento da Verdade sobre você. Quando você compreende esse primeiro passo, já está dando o último. Quando você compreende que tudo que está buscando é parte, ainda, do que a mente tem projetado — o que significa que é parte do pensamento, das suas ideias, da imaginação — sua procura se mostra completamente inútil e, então, você para.

Portanto, essa paz, liberdade, felicidade, que você está buscando, assim como a iluminação ou a realização de Deus, todas estão dentro dessa imaginação criada pelo pensamento. Então, isso ainda é um objeto sendo procurado, como se fosse algo que pudesse ser percebido, ser alcançado ou ser conhecido. Aqui, estou dizendo para você que Isso está fora da mente, e, portanto, não tem nenhuma relação com qualquer objeto ou representação que o pensamento possa reconhecer. Assim sendo, Isso está fora do conhecido. A Verdade, a sua Natureza Verdadeira, é algo assim e isso é a Iluminação. Por esse motivo, isso soa simples e ao mesmo tempo muito misterioso. Não é algo que você possa encontrar buscando e qualquer pensamento é somente um afastamento Disso.

Reparem como é importante essa compreensão, porque, quando isso fica claro, você para com as suas práticas, com toda forma de busca espiritual, com toda essa procura externa. A Real Identidade, seu Ser, não é uma coisa para ser encontrada ou obtida através de práticas e de buscas espirituais — essa é uma tentativa de aproximação completamente equivocada. Isso se dá por uma ação misteriosa de “Algo” maior do que você. Então, a real aproximação da Verdade é completamente livre de desejo, intenção, exercícios e práticas. A realidade do seu Ser está além da mente, do conhecido e do que pode ser percebido. Não tem “alguém” que possa descobrir Isso; não tem “alguém” nessa descoberta, então também não tem vontade, desejo ou intenção. Assim, eu sempre convido você a ficar quieto.

Não estou falando dessa quietude do corpo e da mente, que você pode conseguir através de alguma prática espiritual. Se você pratica alguma técnica de meditação, consegue aquietar o corpo e a mente. Tudo fica muito tranquilo: o pensamento se aquieta, o corpo se aquieta... Ou seja, você entra em um estado em que a mente e todas as atividades do corpo param e, então, tem a sensação de que está se encontrando com a Verdade. Esse é um momento sem qualquer perturbação, conseguido através de um mantra, de uma música, de uma técnica de respiração ou de uma voz falando pausadamente, de forma lenta, conduzindo-o a esse estado, que você considera o estado da “verdade”, do “silêncio”, de perfeita “quietude”. Assim, você fica ali meia hora, quarenta minutos, uma hora, uma hora e meia, talvez duas horas, e, depois disso, tem que se levantar, ir para a cozinha fazer a comida. Mas, quando você está na cozinha, lavando o arroz ou preparando a mamadeira para a criança, a mente já voltou. Ou, depois dessas duas horas, você tem que se levantar e ir para o escritório, mexer nos papéis, responder os e-mails, e percebe que o pensamento volta e traz o personagem novamente, com todo o peso da história que ele tem. Então, não é dessa quietude do corpo e da mente que estamos falando.

Digo isso para você, porque as pessoas me perguntam: “Como manter esse estado de meditação no dia a dia?” O fato é que elas encaram o estado que viveram por meia hora, uma hora e meia, duas horas, como sendo o estado de Meditação e de contemplação do Nirvana, e, depois, elas se veem fora do “nirvana”, do “samadhi”; a mente voltou. O fato é que as pessoas não gostam muito de ouvir o que eu tenho a dizer para elas: essa não é a verdadeira Meditação, o Estado Real. Procuro falar com elas de uma forma bem agradável, mas, mesmo assim, eu acho que não adianta muito.

Eu quero que você descubra seu Estado Natural de Meditação, não esse estado artificial que você encontra por meio de práticas, que, ainda, é parte de um exercício, não é algo natural. Esse estado pode ser um ótimo calmante para os nervos, para os músculos, para a pressão sanguínea, um ótimo relaxante para o sono, traz grandes benefícios para o corpo e para a mente… É um momento sem estresse, sem preocupação, sem família (porque família preocupa mesmo). Nele, seu ego está “nocauteado” durante trinta minutos, uma hora e meia, duas horas, e depois se levanta e está de volta ao “ringue”, com as luvas prontas novamente, porque ele já descansou, tomou água, secou o suor e está pronto para mais vinte e duas horas do dia que você tem, incluindo as horas de sono — isso se você meditou durante duas horas.

Então, você pergunta: “Por que eu não consigo permanecer nesse estado tão maravilhoso, silencioso, de paz”? A resposta é: “Porque não é o seu Estado Natural, mas um estado criado por uma técnica, uma prática de meditação”. Você tem que trabalhar o resto do dia e seu chefe/patrão não vai aceitá-lo de pernas cruzadas, nessa prática, no horário do expediente, seja no consultório, escritório, na fábrica, no quartel ou noutro lugar; ele quer você trabalhando, porque ali é lugar de trabalho. Não estou falando mal de sua prática de meditação, estou dizendo somente que é inútil para esse objetivo aqui, é claro; pode ser útil, mas para esse objetivo aqui é inútil.

Então, essa Quietude de que estamos falando, não é a quietude do corpo e da mente; é algo além dessa prática de meditação; é a Quietude que surge naturalmente quando há atenção sobre o ilusório movimento do “eu”. Isso é a Real Meditação! Eu tenho insistido muito nisso. Portanto, quando você está aberto para observar o movimento desse falso “eu”, começa a descobrir a Real Meditação, seja lá no seu trabalho (no escritório, na fábrica, no quartel, no consultório, escrevendo uma receita, atendendo um paciente, etc.) ou na cozinha, lavando arroz e preparando a mamadeira da criança. É necessário observar a mente, o que se passa dentro de você nessa relação com o mundo à sua volta, no seu dia a dia, quando o seu “eu” é contrariado, a sua “pessoa” é magoada, ofendida, aborrecida, momento a momento...

* Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite do dia 02 de Maio de 2018 - Encontros todas as segundas, quartas e sextas as 22h - Para participar baixe o Paltalk app no computador ou smartphone

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