domingo, 10 de dezembro de 2017

Consciência é Amor


Essa identidade está presente porque ela está apoiada e sustentada por uma base, que é basicamente pensamento. Se você busca a Origem do pensamento, se você vai à Fonte do pensamento, se o seu olhar se volta para encontrar a Natureza Essencial e Substancial do pensamento, você encontra o Vazio. O Vazio é o fim dessa base que sustenta essa ilusória presença de alguém. Sua Natureza Real é o Vazio! Em sua Natureza Real não há essa base; embora o pensamento possa aparecer, ele é só um fenômeno. O que dá identidade a esse fenômeno chamado pensamento, é essa desatenção na qual você foi criado. 

Todos vocês são desatentos, todos estão sonolentos; não estão de fato acordados, estão todos dormindo. Essa sonolência é essa desatenção que faz o pensamento ser essa base que sustenta essa identidade. Mas de fato, não existe essa identidade, tudo o que existe é o Vazio, que é sua Natureza Essencial, e que, curiosamente, funciona como a base dessa identidade... Um jogo divino…. Você está livre desse jogo quando não está emaranhado no meio dele, perdido no meio dele, isso se chama Consciência. Essa Consciência é a Atenção.

Você precisa “desenvolver” essa Atenção! O que lhe deram desde a infância foi a desatenção; que é esse modus operandi, que é essa maneira de atuar, de se mover idealizada, planejada, calculada e executada pelo pensamento. Poderíamos chamar de inconsciente, mas essa divisão entre consciente e inconsciente é uma divisão muito arbitrária – não há divisão no pensamento. Todo pensamento acontece nessa desatenção – poderíamos chamar isso de inconsciência. Quando está acontecendo nessa Atenção, está acontecendo só nessa Consciência… então não há inconsciência, quando não há inconsciência não há mecanicidade, não há essa coisa calculada, idealizada, planejada e executada por essa ego-identidade, essa pessoa-identidade.

É fundamental se despir de todo condicionamento, e isso só é possível no fim dessa desatenção. Quando você vem a Satsang, eu lhe dou fogo para essa fogueira – a fogueira da Consciência – eu lhe dou fogo colocando lenha. Lenha são dicas... é o que na Índia chamam de Upadesa – o ensinamento. A qualidade do meu ensinamento é não ensinar, é lhe despertar, é lhe trazer para Consciência lhe dando Atenção, alimentando essa chama. Então nessa fogueira da Consciência, a chama é alimentada pela Atenção, e o que faz esse fogo da Atenção arder são as dicas que eu lhe dou. Essa é a minha upadesa, o meu ensino… 

E o meu ensino, basicamente, é que não há nada para se aprender. Ser não se aprende! Ser é como o Amor: Ele acontece, você não faz Isso acontecer. É algo que explode dentro de você de forma natural e espontânea. O amor não se aprende nem se cultiva, não é como um relacionamento que é cultivado pelos acordos, pelos diálogos, por essa coisa de discutir a relação... assim se cultiva relacionamento. Mas relacionamento é uma coisa do ego, isso não é Amor. 

Amor está na relação, não no relacionamento; Amor é não cultivável, relacionamento é cultivável. Você passa anos em um relacionamento chamado amoroso – eu chamaria isso de relacionamento adormecido. Os acordos que se fazem para se manter o relacionamento, um relacionamento adormecido e não amoroso. O Amor não conhece relacionamento e assim não pode ser cultivável. 

Assim como essa Consciência, assim como essa Atenção, assim como esse ensino, você não pode cultivar isso, você pode despertar para isso e você desperta para isso de uma forma natural e espontânea. É um acontecer, assim como o Amor é um acontecer não cultivável. Deus só é reconhecido nesse constatar do Amor, e isso não é cultivável, você não pode crescer nessa direção, você pode despertar para ela. No campo da ciência, da religião, da filosofia, da psicologia ou de qualquer área do conhecimento humano, ou do assim chamado conhecimento divino, dessa tão badalada espiritualidade, nesses campos, você pode cultivar algo, não aqui. 

A Meditação não é cultivável, a Meditação é Consciência, que é Atenção que recebe todo material de queima para fazer arder essa chama desse ensino, dessa Upadesa, por isso que Satsang é fundamental. Satsang significa estar em boa companhia, na companhia do sagrado, do divino. Isso já é conhecido há milhares e milhares de anos no oriente, a importância de estar próximo de um homem ou mulher que é uma fogueira – uma fogueira incendiária, em chamas. No oriente, chamam isso de Guru. 

Estar em boa companhia é estar com o Guru, Aquele que está fora do jogo, esse jogo que é todo o movimento do pensamento desatento, inconsciente, habitual, mecânico, planejado, idealizado e executado. Fora do jogo você é sábio, dentro do jogo você é estúpido; fora do jogo você é Bhagavan – termo indiano para bem-aventurado, aquele que vive livre da miséria da mente egoica. Bhagavan é o sábio, é você em sua natureza real, é estar fora do jogo, uma fogueira em chamas aquecendo tudo, dando brilho e calor à sua volta. 

Dentro do jogo você é um tolo, um estúpido e medíocre, é um miserável, não importa o quanto de luxo você viva cercado, não importa o quanto de saúde exista aí no seu corpo, ou quanta riqueza você tenha ou acredita ter nessa sua estupidez e mediocridade, você continua sendo um miserável. Isso está só na desatenção, na inconsciência, não na base da Realidade presente; isso ainda é a periferia, a superfície, o movimento do jogo, o movimento da inconsciência do pensamento. 

Por isso que o meu convite a você é: Acorde! Dê um salto para fora da mente, vá além da dualidade, essa dualidade é aquilo que começa com o pronome pessoal eu, quando você se refere a si mesmo ou a si mesma, sinalizando a presença do corpo presente aí. Isso não é mecânico, não é inconsciente, não é aprendido; isso é despertar, isso não requer tempo. Na verdade, isso é o final do tempo. Para os acordos, para os contratos, o tempo é necessário. Mais uma vez estamos vendo a fraude, a mentira, a ilusão, qualquer coisa acontecendo no tempo, isso está tomando o lugar da Felicidade. O que acontece nos relacionamentos: um contrato, uma coisa firmada, eu te dou isso e você me dá aquilo, funciona assim. 

Você já está completo, não está fazendo acordo com a vida, não está num relacionamento com ela, você não está separado dela como Consciência. Por isso, Consciência é Amor, não há nenhum acordo aí. Você não pode ter um relacionamento com Deus, não pode fazer um acordo com Ele, não pode entrar num contrato, você não tem como controlar isso. É tão simples... você não tem como realizar isso no tempo, não tem como negociar, não se engane quanto a isso, você não pode negociar comigo, não é um acordo, é uma entrega, uma entrega nesse despertar. 

Isso é muito desconfortável, você sair do controle, tudo aquilo com o qual você entra em contato, você transforma num relacionamento, numa possibilidade de você trocar, barganhar, basicamente controlar. É impossível despertar assim, é necessário uma vulnerabilidade, que implica em não ter nenhum poder, nenhum controle e isso dá muito medo. Como se não houvesse medo no controle, como se o controle não fosse exatamente uma necessidade de uma segurança que o próprio medo produz. Você está condicionado a viver com medo, por isso que tem que controlar tudo. 

Quando você vem a esse espaço chamado Satsang, você só chega aqui porque já cansou de relacionamentos, está cansado de todo esse jogo, aí eu posso lhe dar Upadesa. Está cansado de toda essa desatenção, de toda essa inconsciência, de todo esse controle, de todo esse sentido de ser alguém, aí eu posso lhe entregar algo para alimentar essa chama, essa chama da Atenção, que é possível nessa Consciência. Então, a sua fogueira incendeia, e quando ela incendeia você está fora da limitação do tempo, do espaço, de um “eu”… aí Bhagavan está presente, o bem-aventurado, o Buda, o Acordado!


*Transcrito a partir de um trecho de uma fala em um encontro presencial de João Pessoa em Agosto de 2017 


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