segunda-feira, 26 de junho de 2017

Como os sábios vivem no mundo


Bem-vindos a Satsang. Estarmos juntos é sempre uma bela oportunidade de olharmos para essa experiência de vida.

É importante saber que você não está diante de um professor nesse encontro. Aqui, não há nenhum ensinamento. Eu não tenho nada para lhe ensinar. O que nós temos nesses encontros é um momento de investigação, que acompanha, também, esse Silêncio. Então, nós temos esse instante, que é Meditação e, naturalmente, um instante de devoção à Verdade. Portanto, não se trata de um ensinamento. Não tenho nada novo para dizer a você. Não sou um pregador, um orador ou um filósofo. Estou apenas investigando com você a sua própria Realidade. Então, não é bem um ensinamento, é uma declaração sobre a sua Realidade, sobre a Vida. 

Estou falando de Você – que sou Eu mesmo – da Natureza da Consciência, da Verdade da Vida. Você é essa Consciência, Presença e Felicidade. Você não é o corpo, não é a mente, não é uma “pessoa” vivendo no mundo. Isso, que parece ser assim, não é a Verdade. Parece que você é alguém dentro do corpo, vivendo no mundo, mas isso não é Verdade. Isso é algo que está sempre mudando. O mundo, o corpo, a mente, a experiência da vida e a história mudam. Isso não é você, é somente uma aparição temporária, momentânea, não é a Realidade, a Verdade. Você precisa descobrir Aquilo que, de fato, em Verdade, Você é, e é disso que estamos tratando aqui, em Satsang. 

Você deve constatar isso por si mesmo, por meio de sua própria experiência da realidade sobre si. Não se trata de ouvir a minha fala e, teoricamente, concordar ou achá-la completamente absurda. Você é puro Ser, pura Consciência, pura Felicidade, mas não se trata de ouvir, acreditar e repetir isso, teoricamente. É necessário realizar este seu Estado Real, seu Estado Natural, e é por isso que eu convido você a estar em Satsang.  

Afinal, o que é a vida, o que é esse mundo? O seu senso de realidade nesse mundo é o mesmo senso de realidade no sonho. Mas qual é, de fato, real: o seu sonho ou esse mundo? Você se agarra a esse mundo pensando que nele está a sua vida real. Da mesma forma, quando sonha, você se agarra à experiência do sonho, pensando ser uma experiência real, quando, na verdade, é só a experiência de um personagem, de uma suposta entidade presente. Isso acontece tanto no sonho como nesse estado de vigília. Portanto, aqui é só um sonho também. Nada pode acontecer a você, no sonho ou aqui. 

Vocês estão vivendo uma complicação muito grande, que é a crença de ser alguém nessa experiência chamada “vida humana”, “vida pessoal”. É necessário Despertar, sair dessa ilusão, soltar isso. Portanto, é sobre isso que tratamos em Satsang: o fim da ilusão do “eu”. Tudo o mais é somente uma experiência na mente, uma aparição. Essas aparições na mente, essas aparências, são como hipnose: um mundo que parece real, mas é somente uma imaginação, um sonho. Enquanto estiver se confundindo com uma entidade presente nessa experiência chamada “vida humana”, você vai estar sobrecarregado de aflições, de problemas. Isso estará sempre acontecendo somente para essa ego-consciência, para essa ego-identidade, para essa mente hipnotizada, para esse sentido de “ser alguém”. 

Não é lindo isso? 

Você está se confundindo com isso. Uma hora você está alegre, outra hora está triste; uma hora sente-se bem, noutra sente-se mal. Você está se identificando com a experiência “eu sou o corpo”, “eu sou alguém no mundo”. É sobre isso que tratamos em Satsang: o fim de tudo isso, dessa ilusão, dessa mentira que a mente tem produzido. Você esqueceu que tudo isso é somente um sonho, seja o sonho de estar vivendo no mundo ou o sonho de estar vivendo na experiência onírica, que acontece durante a noite quando o corpo dorme. 

Como é que você se livra de tudo isso? Simplesmente observando, parando de valorizar o experimentador presente na experiência. Vocês estão muito viciados em “ser alguém”, nessa autoimportância de “estar presente” no fazer, pensar, sentir, agir, realizar as coisas. Como é que nos livramos dessa ilusão? Observando tudo à nossa volta sem nos prendermos a nada, desindentificando-nos da experiência de “ser alguém”. Compreender a si mesmo significa saber que você não é o fazedor, o pensador, o realizador, o controlador, nem é aquele que decide. Tudo já está acontecendo nessa Vontade Divina, é a Vontade de Deus sendo feita. Você só está carregando um peso enorme sobre os ombros, em vez de relaxar e entregar essa ilusão da responsabilidade. 

Como você faz isso? Repito: simplesmente sabendo que tudo já está sendo gerenciado, cuidado, feito, realizado, por um poder maior que você. Isso é como uma folha quando cai num riacho e desce na correnteza. Às vezes, ela esbarra em troncos ou pedras, mas continua descendo. Ela tem alguns percalços nessa descida, mas continua descendo… Ela não resiste à correnteza, não tem força contra a correnteza. Você, no ego, quer lutar contra a Vida, quer tentar se segurar em uma das “pedras” para não continuar descendo; quer lutar contra aquilo que a Existência, assim, já está preordenando. Tudo está preordenado pela Graça, por Deus, mas você quer fazer o que a folhinha não faz, segurando-se num tronco, agarrando-se a uma pedra, lutando contra aquilo que já está preordenado. Você precisa relaxar e aceitar que seja feita essa Vontade, a Divina Vontade, e abandonar todo o condicionamento. 

É assim que os Sábios vivem no mundo. Sábios são aqueles que estão se rendendo à Verdade do seu Ser, à Verdade de Deus. Isso é devoção, é entrega, e esse é o trabalho do Despertar. A Realidade vem e acontece segundo essa única Vontade que faz todas as coisas, e, assim, a Felicidade, a Paz, a Liberdade e a Verdade estão presentes. É quando não há resistência, não há ego, não há esse sentido de controle, o sentido ilusório do fazedor, do pensador, do realizador. Então, o Amor, a Liberdade, a Felicidade e a Paz vêm segundo essa única Vontade, porque não há “alguém” lutando contra O que é, contra a Realidade, a Verdade. Você não precisa pensar sobre isso, sentir isso, tomar decisões sobre isso; precisa somente observar, desidentificando-se do que aparece, acontece, momento a momento. 

Então, quando o pensamento vem a você, apenas observe com clareza e solte-o. Afinal, para quem acontece esse pensamento? Para “mim”. E o que é esse “mim”? É uma ideia, uma crença, um conceito, a ilusão de uma entidade presente pensando. Desabitue-se de “ser alguém”, de assumir esses pensamentos acontecendo aí como sendo “seus” pensamentos, as ações acontecendo como sendo “suas” ações, o que está acontecendo à sua volta como se estivesse acontecendo para você… Tudo só está acontecendo e não tem ninguém especial nisso. O condicionamento é basicamente esse: você é muito importante, muito especial. Aí está a ilusão. Quem sou eu? Qual é a fonte? De onde isso vem? Para quem isso está aparecendo? 

Participante: Mestre, então esse emprego, que eu não aguento mais, é uma criação? Se for para aparecer um emprego melhor, vai aparecer naturalmente?

Mestre Gualberto: Melhor ou pior são apenas conceitos que a mente cria sobre o que acontece, sobre aquilo que aparece. Você diz: “Não aguento mais”. Quem é que não aguenta mais? Enquanto houver alguma forma de resistência, vai haver algum tipo de sofrimento. Resistência à vida, como ela se mostra, é conflito e sofrimento. Então, no ego, isso fica insuportável. Para quem é essa dor? Quem sente que não aguenta mais? De repente, essa é uma ótima oportunidade para você perceber o quanto de resistência está presente diante daquilo que a Existência está lhe mostrando. É sua oportunidade para ir além dessa identificação com o sentido de um “eu” presente nessa experiência do trabalho. 

Não há nenhum conflito, nenhum sofrimento e nenhuma resistência quando não há ego. A resistência, o conflito e o sofrimento são o ego! O problema nunca é o que está acontecendo do lado de fora, mas como isso é visto, vivenciado, internamente.

*Transcrito a partir de um encontro online na noite de 3 de Abril de 2017
Encontros todas as segundas, quartas e sextas-feiras as 22h
Para participar baixe o App Paltalk em seu smartphone ou computador.

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