quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Apenas acorde desse sonho


A felicidade está em permanecer desidentificado da experiência. Não há felicidade na experiência quando há um experimentador. Permanecer desidentificado da experiência é felicidade. Na experiência, seja ela qual for, o experimentador presente se separa do que acontece; se ele se separa do que acontece, ele é uma entidade presente. Então, há dois: ele e a coisa, ele e o acontecimento, ele, o experimentador, e a experiência; nessa divisão, o conflito. Quando há conflito não há felicidade, não há paz. 

A base de todos os conflitos da guerra no mundo é a ideia “o eu e o outro”: “o meu país e o seu país”, “meus interesses e seus interesses”, “eu quero uma coisa e você quer outra coisa”, “minha religião e sua religião”, “meu Deus e o seu Deus”, “meu Deus é mais forte que o seu Deus”, “meu país é mais bonito que o seu, é mais rico, é mais poderoso, tem mais armas, tem mais bombas e eu posso destruir você, porque eu sou mais forte”. Essa divisão… conflito. Onde há conflito, não há Amor, não há Paz, não há Felicidade. Se você aqui sentado sobre essa pedra não separa seu bumbum da pedra, não há conflito. Em Deus não há divisão, em Deus não há guerra!

Tudo que eu quero mostrar a vocês é a Vida como ela é. Nela tudo acontece sem divisão: a prosperidade, a riqueza, a abundância, assim como a pobreza, a falta, a escassez, tudo… sem divisão. Alguns são pobres, alguns são ricos, alguns estão saudáveis, outros estão doentes, mas não há divisão. A divisão está na interpretação do pensamento sobre aquilo que se apresenta, sobre essa  experiência, sobre aquela experiência, sobre o que está aqui, sobre o que está ocorrendo. Abandone a mente, então os conflitos terminam, porque as divisões terminam. 

Não é simples isso? Por que vocês tornam isso tão complicado? Por que querem mudar tudo? Por que querem alterar tudo? Este é o plano de Deus. Deus está brincando com os contrastes, com a fome e com a saciedade. Quando eu estou com fome, eu como. Não há divisão entre comer e a fome. É um casamento, um jogo, um jogo divino… a comida é para um estômago faminto. Não há nenhum problema em ter fome, o corpo precisa da fome, esse é um problema do corpo. Quando o pensamento entra, ele reclama da fome, mas a fome tem o seu lugar, tudo tem o seu lugar. A fome não é a miséria, a falta não é a miséria, a pobreza não é a miséria, a escassez não é a miséria, a falta de alguma coisa não é a miséria. É o pensamento sobre isso, e o que não deveria ser assim, que cria conflito, cria sofrimento. A mente se revolta e diz: Não podia ser assim. Não podia haver isso, isso está errado! Não deveria ter fome, não deveria haver pobreza, não deveria haver doença, a morte é uma coisa errada. Meu pai está morrendo, mas você se esquece que o seu avô também já morreu, seu bisavô também já morreu. Todos morrem! Quem nasce, morre! É o jogo da vida. Você não tem nada a ver com isso. 

Então, não se meta, não se intrometa nisso, não interfira! Deixe tudo aí como você encontrou, apenas acorde desse sonho, desse sonho onde tem a comida para o estômago, a morte para os vivos. Deixe tudo aí, tudo como você encontrou. Milhões já morreram e você não sente falta deles, porque é um sonho. Qual o problema? Fica tudo muito engraçado, muito divertido, porque não há sofrimento, não há interpretação. Isso é sabedoria… ver as coisas como são! 

Vocês estão aqui para encontrar Deus! Mas não podem encontrar Deus… vocês estão brigando com a vida. Querendo mudar as coisas. Estão querendo ser donos das coisas Dele, estão querendo controlar os negócios de Deus. Você também é parte, seu corpo, suas experiências, os acontecimentos relativos a essa forma, todas as vezes que você perceber sua mente gerando conflito observe… você está se separando daquilo que está acontecendo, está exigindo, está cobrando, está impondo sua pessoa nessa situação, isso é ego. Ego é conflito. 

Eu quero mostrar a vocês como é possível viver sem ego, naturalmente. Pagando tuctuc, caminhando, tomando água, comendo, sorrindo, até o chorar, não há nenhum problema em chorar, se o ego não está por trás daquele rosto choroso. Ter um ego choroso é feio. O choro é uma coisa bonita. Se o ego está, até um sorriso fica feio, mas se não há ego e há lágrimas rolando pelo rosto, é muito bonito. É Deus chorando, é Deus sorrindo. Deus ama isso!

Deus é muito bem-humorado. Você nunca vai encontrar um sábio mal humorado. Você nunca vai se encontrar como sábio se continuar carregando esse peso, o peso do conflito, o peso da separação, a crença de que você é um e aquilo que está acontecendo é outra coisa. Tudo que está acontecendo é um jogo divino, você está dentro desse contexto, apenas uma peça, apenas uma pequena coisa, dentro de um grande contexto, maior do que esse você que você acredita ser. 

Às vezes, eu me pergunto: o que tenho a dizer para vocês? Tudo é tão natural. Vocês me obrigam a sair do silêncio e depois reclamam que eu falo muito. Vocês não sabem ficar em silêncio e culpam a mim. Vocês me culpam porque eu falo. Falando, vocês não prestam atenção, vocês não dão atenção. Se não podem ouvir a minha fala, como ouvirão meu silêncio? Não é falta de maturidade falar; a falta de maturidade é ouvir quando não há o ouvir; a imaturidade está em não ouvir o silêncio. 

Qual é a lição de hoje? Não pense! Não tire conclusões… sobre nada, absolutamente nada!

*Trecho de uma fala durante o retiro na Índia na cidade de Tiruvannamalai em Setembro de 2016

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