quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

A diferença entre ser inteligente e ser sábio



O Sábio não tem a inteligência de um inteligente. A inteligência do inteligente é ignorância, absoluta ignorância! O Sábio não é inteligente por ter a inteligência do inteligente; o Sábio é a Inteligência! Curiosamente, ele não é nada, muito menos inteligente. Se o Sábio fosse inteligente, ele não seria Sábio, porque ser inteligente não é sábio. Ser inteligente é ser um especialista, é conhecer algo, e isso limita o inteligente no tempo. O Sábio é a Inteligência, não está limitado ao tempo. Ele não pode ser tão estúpido para ser inteligente, como faz o inteligente, que não quer abrir mão de ser estúpido para ser alguém… alguém no tempo.

A Sabedoria é a Inteligência. O conhecimento é inteligente, mas o conhecimento está no tempo. Como está no tempo, é algo que sempre pode crescer mais e mais, e, portanto, é algo sempre limitado. A Sabedoria não é limitada, porque não está no tempo. Ela não é pessoal, não é individual, não é particular, não é de alguém; ela é a Inteligência! O Sábio não é alguém, não é uma pessoa. O Sábio é a Impessoal Inteligência, que é Sabedoria; que não está no tempo; que não pode ser aumentada ou diminuída; que não pode ser conhecida ou aprofundada, como o conhecimento.

Compreenderam a diferença, agora, entre ser inteligente e ser Sábio? O Sábio está fora do tempo, porque não tem mente. O inteligente, na mente, está no tempo. Seu conhecimento sempre pode se ampliar, melhorar, porque é limitado. Conhecimento sempre é limitado, porque sempre pode-se saber mais, conhecer mais, aprofundar mais. Isso é a prova da limitação do conhecimento, que só é possível para a pessoa… para a pessoa inteligente. Por isso, o Sábio pode ser iletrado, inculto. O inteligente, não! O inteligente é muito limitado pelo conhecimento — ele precisa do conhecimento para ser inteligente. O Sábio não precisa do conhecimento. Ele é a Consciência, não precisa de nada, absolutamente nada! Por isso está pronto, é completo, não é limitado, não tem nada a adquirir, nada a perder… Isso é Sabedoria!

Quando você vai a um Sábio, está indo à Verdade na forma. Quando você vai ao homem culto, inteligente, você está se encontrando com a limitação. O inteligente tem com quem concorrer. O Sábio, não. O inteligente tem com quem aprender. Aliás, ele só é inteligente, porque ele anda aprendendo. Se ele fosse mais simples, seria um Sábio, mas ele é muito complexo. Ele transforma essa sua complexidade em conhecimento. O Sábio está na contramão disso. Enquanto o inteligente está indo, o Sábio já voltou! O Sábio já voltou e o inteligente está indo... não para de ir! Se ele para de ir, ele para de ser inteligente. 

A inteligência está sempre em risco, sempre ameaçada pela ignorância, porque ela é limitada. Ela está sempre tendo que ser acrescentada, aprofundada, investigada. Então, é uma caminhada sem fim nessa limitação. Esse “sem fim” é a limitação, e quando não há limitação não existe início. Como pode haver fim para o que não tem início? É a Sabedoria! 

Não é isso? 

A Verdade manifesta o Sábio! O conhecimento manifesta o medo… o medo de não ser; e, para ser, tem que se buscar mais e mais conhecimento. Então, enquanto a Verdade manifesta o Sábio, o conhecimento manifesta o medo. 

Simples isso, não é?

O desejo de saber é medo, puro medo… medo de não ser. Não ser não é ignorância; buscar ser é ignorância, porque buscar ser é medo! Não ser é: não sei! Não há medo no “não sei”, que é a afirmação do Sábio. “Mas eu quero saber…” Aí surge o medo, que é a afirmação do inteligente. Esse inteligente é um tolo, que é complexo. Se fosse simples, não diria: “quero saber”. Ele ficaria relaxado no “não sei”. Não tem peso nenhum no “não sei”. No entanto, “quero saber”… Olha como é pesado!? Isso é medo! Coisa de tolo, coisa de inteligente. Então, o inteligente não é a Inteligência; o inteligente é só inteligente. Ele é tolo o suficiente para ser inteligente. Como o Sábio relaxa no “não saber”, ele é Inteligência!

Qual é a proposta do Despertar? O fim do inteligente; o fim do conhecimento; o fim do “eu quero saber”, porque é o fim do medo! Qual é a pergunta sobre isso? Querem saber? É uma pena! Parece que não prestaram atenção na fala. 

Arrogância não é ser Inteligência; arrogância é se julgar inteligente. Quando você se compara, é arrogante; e você só se compara quando conhece. Isso só é possível quando se é inteligente. Quando há Inteligência, não há comparação. Quando não há comparação, o inteligente não aparece. Quando não há comparação, fica só a inteligência, que é só Ser, e isso não é arrogância, isso é natural. Ser é natural, Inteligência é natural.

Inteligência é a natureza do Ser, que é a natureza do Amor. A arrogância é violenta. A arrogância é presunção, é vaidade. O Amor não é vaidade, não é presunção, não é arrogância. O Amor é a alegria da liberdade de Ser… e isso é Inteligência! Só na Inteligência há Felicidade. Essa é a sua Real e Verdadeira Natureza, diferente da inteligência do inteligente, que pode ser aprendida, acumulada, aprofundada, apresentada. A inteligência é natural, é a natureza de Deus, é a natureza da Verdade, da Sabedoria, do Amor, da Felicidade, da atemporalidade, Daquilo que não nasce e nem morre. É assim, e assim permanece! Imutável! Imutável!

*Transcrito a partir de uma fala em Setembro de 2016, no retiro em Tiruvannamalai, Tamil Nadu, Índia

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