segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Quando você está livre de amigos e de inimigos, tudo é Amor.




Ser é algo que você não aprende; você desperta para Isso! Ficar sozinho é fundamental! Ficar sozinho não é ficar isolado, mas é não se perder na experiência, no contato com o mundo do lado de fora. Esse contato é inevitável, mas se perder nele é evitável. Por que nesse encontro eu estou convidando você a ficar sozinho, o que pode parecer extremo? Não falar, não pensar... Na verdade, quando eu digo “não falar” e “não pensar”, estou dizendo: “Não expresse o seu contato - esse contato pessoal, individual, da ‘pessoa’ que você acredita ser - com o outro, com o mundo do lado de fora”. Não expresse palavras e nem expresse pensamentos. Se você faz isso, sua atenção fica voltada para dentro. Você não tem como se perder quando observa todo o movimento interno (o que acontece aí dentro), sem se identificar com ele. Não tem como você se perder. 

Você se perde somente quando salta para fora, para o mundo externo, voltando, mais uma vez, ao mesmo esquema, modelo, padrão, dessa identidade separada. Quando faz isso, você começa a fazer as considerações de “uma pessoa” para “pessoas”. Isso é como uma árvore que ainda não cresceu. A gente coloca um gradil ao redor de uma árvore que queremos proteger de animaizinhos que querem comê-la, ou, num lugar que venta muito, para protegê-la de um vento muito forte, que pode arrancá-la pela raiz. Você dá toda a proteção para aquela plantinha poder crescer, protegendo-a do vento, do frio demasiado, dos outros animais... Você dá a essa plantinha, a essa árvore, a condição para ela crescer.

Quando você observa o movimento interno, o que se passa aí dentro; quando observa os pensamentos, as respostas internas diante de algo; quando você observa suas reações internas, esse desejo de falar com o outro, de trocar ideias, de trocar experiências, de exigir ou de cobrar; quando você só observa, a atenção nessa observação começa a revelar todo esse padrão e tudo isso começa a vir à tona, começa a aparecer! Você não analisa isso, apenas observa! Você não compara isso, não diz que isso está certo ou errado, que não deveria ser assim, que deveria ser de outra forma… Você não faz isso! Você apenas observa essa energia que, antes, estava na expressão e, agora, está na observação. Antes ela estava no sentimento, agora está na observação. 

O pensamento vem e é observado; o sentimento vem e é observado (o mau humor, o bom humor, o mal-estar, o bem-estar; um pouco de tristeza, de melancolia; uma contrariedade, uma espécie de revolta...). Há uma raiva porque "o copo está fora do lugar"; "Ele não lavou o prato dele"; "Ela deixou essa pilha de pratos em cima da pia"; "Ela é a 'minha esposa’ (‘minha’ - algum direito que ‘eu’ tenho)”… Então, essa contrariedade é observada. Você vê todo esse movimento interno surgindo, toda essa revolta, essa contrariedade, e olha para isso. Isso quer tomar seu corpo, seu sistema nervoso, e você apenas observa. Quando você observa, isso não consegue se expressar, não tem energia para se expressar, porque sua energia de atenção está toda voltada para esse movimento, que é o movimento do “mim”, com "seus" direitos, "suas" razões, "seus" sentimentos, "suas" sensações e conclusões; com "sua" história!

Acompanham isso?

É o que vamos fazer nesses dias aqui: não expressar! Você vai lá e faz, se puder fazer. Se não puder fazer, fica só o desejo que não pode ser realizado, e você solta. Por exemplo: deixaram a luz acesa. Você se levanta, vai lá e apaga; não fica, internamente, nessa história de cobrança. Não se identifique com a história de "culpados". Compreendem o que quero dizer? Dá para acompanhar isso? "Quem foi esse miserável que deixou a luz acessa?"; "Que menina chata! Ela gosta de deixar a luz acesa". Aí você fica nessas historinhas: "Eu não gosto dela"; "Ela vai ver!”; "O que eu vou fazer amanhã?”; “Vou me vingar, vou dar meu jeito"... É bem assim que acontece: historinha! Isso é um desperdício enorme de energia, dessa energia de Consciência, de Presença, de atenção!

Eu não conheço isso há muito tempo, porque eu não levo desaforo para casa. Eu não guardo historinhas. Você guarda historinhas: "Você me paga"; "Vai se ver comigo"... Assim, você vive cheio de inimigos e, também, cheio de amigos, porque você fica devendo favores para quem faz alguma coisa boa para você. Eu não guardo. Você me faz alguma coisa boa e, para mim, você "morre" no momento em que acabou de fazer. Eu não lhe devo nada! Não tem necessidade de carregar amigos ou inimigos aí. Não é lindo isso? Compreendem o que quero dizer?

Quando você está livre de amigos e de inimigos, tudo é Amor. Seus olhos cintilam esse brilho, porque não tem futuro e você não prometeu a vingança para si mesmo - a vingança de "alguém". Não tem passado também, porque ninguém lhe fez nada, de modo que, agora, você não está devendo alguma coisa para alguém. Eu estou falando que Ser não se aprende! A arte de Ser não se aprende! Você trabalha Isso, agora, nesse momento. Trabalha essa “coisa” de viver sem imagem - a imagem do outro como uma boa pessoa ou uma pessoa ruim. 

Compreendem? Eu estou sozinho, sempre sozinho. Ninguém pode me frustrar, me abandonar, tornar-se meu inimigo porque antes era meu amigo. Por quê? Porque eu estou sozinho. Eu não estou falando de mim. Estou falando de você! Trabalhe isso agora, aqui; deixe tudo no lugar, não se meta com "pessoas"! Não se meta nessa de “ser pessoa”, pois, fazendo isso, você se mete com "pessoas", e, aí, você está numa ilusão, na prisão do tempo.

Essa pequena árvore não pode crescer, se não foram dados proteção e cuidado a ela. Essa Presença, que Você É, tem que ser acolhida nessa Consciência e nessa Liberdade de não se identificar, de não se perder e não se confundir com coisas, lugares e pessoas. Então, Você permanece em sua singularidade, em sua Liberdade, em sua Beleza. Ser não se aprende! É um reconhecimento de que só tem Você em todo o universo, no meio de todas as formas, de todos os nomes, de todas as coisas, pessoas, lugares, objetos... Só tem Você!

Tudo aparece como no sonho. Quando você para de se identificar aqui, no seu estado de vigília, à noite, quando tem sonhos, você observa que também está desidentificado. É diretamente proporcional: quanto mais identificado no estado de vigília, mais identificado no sonho. Identificação você já sabe o que é - estar perdido na experiência do momento, como o experimentador, como o fazedor. 

Nesses dias, eu li algo que achei simples, sobre Muruganar, que foi um discípulo direto de Ramana. Ele escreveu, falando de Ramana: “O nosso amado, o nosso Senhor, o nosso Mestre, nosso Bhagavan, nos libertou da ilusão de que nós somos os autores das coisas, de que nós somos os fazedores”. Isso é de uma extrema beleza! O Guru, o Mestre, em sua Graça, liberta você dessa ilusão - a ilusão de ser "alguém" no mundo. Você faz isso agora! Não é uma coisa impossível! Você não aprende a Ser; você assume Ser! Não é uma coisa impossível, mas você tem que desaprender a ser uma "pessoa". Ouviram isso? Você não aprende a Ser, mas você desaprende a ser uma "pessoa", e você faz isso agora!

Como você desaprende a reagir (ter reatividade, ser reativo), a viver em amizade com a inconsciência, agindo dentro de um condicionamento, de uma resposta mecânica inconsciente, estando desatento? Comece pela observação. Observe como você olha para as pessoas e o que sente quando olha para ela ou ele. Você sente algum vínculo? Esse vínculo é uma imagem. Você gosta dessa pessoa? É uma imagem. Você não gosta? É uma imagem. Ela é chata? É uma imagem. Ela é boazinha? É uma imagem. "Gosto dela", ou "ela é horrível, detesto"; imagem! “Não quero nem saber de você", ou "quero tanto ficar com você"; imagem também!

Essa imagem é uma vinculação. Você está vincado! Sabe o que é vincado? Você pega uma roupa faz um vinco e ali tem uma marca. "Eu gosto tanto dela"… Quando você se lembra de alguém e sente isso, é um vinco. "Que pessoa detestável", é um vinco. Isso se desaprende, viu? Você não aprende a Ser, mas desaprende a "ser pessoal", a "ser gente". Ser Deus é uma Graça, mas ser gente não é coisa muito boa. Porém, você desaprende. Tem que desaprender a ser uma "pessoa". Quando começa esse trabalho? Agora! Não tem pessoas nessa sala, não tem gente aqui. Você quer continuar no jogo? Se quiser continuar no jogo, você vai fazer muitos amigos, e inimigos também; vai adorar ser amado, detestar ser odiado e vai odiar em troca. É o jogo. 

Você quer continuar no jogo? Quer continuar preocupado com o que pensam sobre você, com o que falam de você? Você quer continuar no jogo ou quer aprender a olhar, a ouvir, a sentir o outro? A interioridade dele, não a "pessoa"! No meu caso, hoje, como eu não tenho interesse em “pessoas”, eu fico com o ver, o sentir, o ouvir… com O que Eu Sou - a interioridade delas! Então, elas só me fazem bem porque Eu sou o bem das minhas relações, dos meus relacionamentos! Eu sou a Felicidade dos meus relacionamentos! Fora do jogo, você não depende. Fora do jogo, não tem você na dependência, na carência, na necessidade, no medo, no prejuízo, na preocupação, no desejo.

*Transcrito a partir do techo de um fala durante o retiro de réveillon de 2016-2017 
no Ramanashram Gualberto em Campos do Jordão

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

A meditação é a chave



Não há nada fora dessa Consciência. Essa divisão é totalmente arbitrária, criada pelos psicólogos. A própria mente cria uma divisão arbitrária acerca dela mesma. Ela é todo o conteúdo (que pode ser de 10 anos ou de 10 milhões de anos; mas é único). Quer a mente esteja aparente (na superfície) ou submersa em profundidade (oculta), estamos tratando do mesmo fenômeno. Não há divisão entre consciente e inconsciente. O que se chama "inconsciente" é a não ciência do que está aí submerso (inconsciente) e "consciente" é aquilo que está na superfície, do qual se tem ciência. Mas, quando a gente olha para a mente, a gente vê um conteúdo único, e ele não está oculto nessa Real Consciência. O que se oculta e o que se mostra é aquilo que a mente oculta e mostra para ela mesma. O que ela oculta de si mesma, ela chama de inconsciente, e o que ela mostra para si mesma, chama de consciente.

Então, não há tal coisa como mente inconsciente, subconsciente e esse "blá-blá-blá" todo. Essas divisões todas são criadas pela mente. Aquilo que ela oculta, chama de inconsciente ou subconsciente, e aquilo que ela mostra, chama de consciente. Mas não há nada na mente que seja oculto dessa Real Consciência. A Consciência é autorrefulgente. Assim como a lua não pode se ocultar do sol, a mente e o conteúdo dela não podem se ocultar da Consciência, porque a natureza da Consciência é aquilo onde tudo aparece e desaparece. O conteúdo da mente é somente imaginário, de tempo; não tem qualquer realidade substancial, material. Esse conteúdo da mente, quer seja de 10 anos ou de 10 milhões de anos atrás, é todo um conteúdo imaginário, conhecido dessa Consciência — que, por sinal, ignora isso, porque não é real. 

Compreendendo isso, podemos fazer as perguntas adequadas. Qual seria a pergunta adequada? A pergunta que você tem é: “Como posso me livrar, aqui, na ‘máquina’, desse conteúdo oculto que se mostra como um trauma ou uma doença? ”

Trauma e doença, assim como o corpo, são somente aparições, também imaginárias, no tempo. Então, a primeira coisa a ser compreendida é isso. Não dê realidade ao que não tem Realidade! São aparições "linkadas" a outra aparição, e todas são ilusórias. Então, nós estamos limpando o terreno para que possamos fazer as perguntas corretas,  formulá-las de uma forma correta. 

Assim, entra agora a pergunta correta, que é: “Como posso me livrar desse conteúdo que se revela como uma doença, um trauma, ou seja lá o que for? Como posso me livrar disso?” Não há nada disso oculto nessa Consciência. Então, esse é o ponto número um: se não há nada oculto nessa Consciência, isso está presente agora!

Então, o que impede isso de vir à luz e desaparecer? A identificação forte com a ilusão dessa coisa chamada "realidade da mente".  Quando se confia que o sentido do "eu" é real, quando isso recebe validação, confiança, isso se mantém sem alteração. Somente isso impede a volatização de todo esse conteúdo à luz da Consciência. O diagnóstico é esse! O tratamento é Meditação! Meditação Real é esse presente momento, que é importante, porque pode abrir uma porta para esse instante atemporal, que é Consciência. 

Então, qual é o tratamento? É esta observação desapegada, não intencionada, não envolvida com aquilo que acontece agora. Quando isso acontece, não há como esse experimentador (que é a própria mente egoica) se estruturar e se manter oculto. Então, todo esse conteúdo egoico se revela nesse presente momento. Não há nada que você carregue dessa vida ou de outras vidas, ou seja lá do que for.

Por que a gente está tratando da questão do tempo? Na verdade, é uma questão ilusória, porque não há tempo. Para a Consciência, tudo está presente agora. Então, a única coisa que se faz necessária é: aqui e agora, não se identificar com a experiência – isto eu chamo de Meditação! Então, todo esse conteúdo pode se revelar e ser volatizado, ser queimado e desaparecer, porque ele não tem nenhuma realidade, a não ser essa realidade que a própria ilusão da mente egoica sustenta, nessa ideia de que há um experimentador nisso. 

Vocês estão compreendendo?

O diagnóstico foi dado e, agora, o tratamento está sendo dado. O tratamento é: aqui e agora não há experimentador; aqui e agora, o que quer que esteja aparecendo nessa "máquina", não é para um experimentador. Quando isso é assumido, então, tem-se liberdade para que aquilo que está oculto venha e apareça. Eu perguntei agora se você consegue fazer isso sozinho... Você não faz isso sozinho! Sozinho, você só faz atrapalhar tudo! Sozinho, você só dorme e está nessa inconsciência há milênios. 

Então, o que acontece em Satsang? Em Satsang, você se depara com uma "fogueira enorme", com um calor intenso de Presença, de Consciência, de Atenção. Então, Isso respinga em você. É algo tão transbordante que vai para você. Você recebe Isso quando dá valor a Isso; quando está aqui em silêncio, com todo seu coração e disposição para vê-Lo. Quando essa disposição está presente aí, você tem a oportunidade de ver Isso revelando-se como seu próprio Ser, que não está separado da própria “fogueira”, que é o Guru, que é a Consciência do Guru, que é o Real. Então, isso que está aí vem à tona e é consumido. Na Índia, eles chamam de Vasanas essas tendências latentes da mente, que são essas impressões do tempo na “máquina” – a ilusão de uma identidade que viveu tal coisa há 10 dias, há 10 anos ou há 10 milhões de anos. 

Então, somente uma chave existe para a Liberação e se chama Meditação! Mas Meditação não requer técnica e não é uma prática. Uma prática ou técnica você sempre atrela a corpo, mente, tempo e espaço. Meditação é Consciência atemporal - essa Consciência atemporal presente aí na "máquina" sendo acessada. O termo melhor seria "assumindo o lugar Dela", porque Ela também não pode ser acessada; Ela pode assumir o lugar Dela. É como o sol que está brilhando lá fora enquanto as janelas estão fechadas. Então, você tira as persianas, abre as janelas, e o sol que está lá fora entra. Você não traz o sol, apenas libera os impedimentos. 

Agora entra a questão da Sadhana, que é esse trabalho de entrega sob a Upadesa, o ensino do Guru. Assim, ao acontecer esse trabalho de entrega, que é a Sadhana, esses obstáculos desaparecem, mas o que já está presente já está presente. Como os obstáculos desapareceram, o que está presente se revela como Iluminação, Despertar, Realização de Deus. Esta é a cura para a causa de todas as doenças. 

Ramana Maharshi dizia que o ego é a causa de todas as doenças, porque doença não é natural. Quando sente uma dor de dente, você vai ao dentista, porque o natural é não sentir o dente na boca, ou seja, o dente trabalha sem você ter a mínima lembrança de que existem dentes na sua boca. Quando sua boca está saudável, você não tem consciência dos dentes; quando seus rins estão funcionando bem, você não tem consciência deles. Não é assim? Quando seu estômago está bem, você "não tem" estômago. Portanto, o natural é a saúde, que torna aquele órgão invisível, mas quando  ele sinaliza um mau funcionamento, surge a ideia da presença dele, que "diz": "Estou aqui". Assim, a ideia do corpo aparece e, também, a ideia do tratamento para esse corpo. Então, existem as solicitações da mente para tratar dessa entidade presente, chamada órgão no corpo, que tem que ficar bom, porque senão pode morrer. Aí toda uma história surge! Mas, quando há saúde, não há ideia de corpo, como não há ideia de dente na boca, como não há ideia de rim. Por quê? Porque o corpo é uma ilusão. Ele só aparece quando reclama, “dizendo”: “Estou aqui!”, quando, então, acontece essa coisa não natural, que é chamar atenção para ele. Então, reparem que, nesse sentido, a doença não é algo natural. 

Não estamos dizendo que não seja natural, como a presença do corpo é natural, assim como a morte. Estou dizendo outra coisa, apontando para outra coisa. Nessa Consciência presente não tem espaço para a ilusão da separatividade ou para essa doença, que é uma ilusão – a ilusão "eu sou o corpo", "eu estou aqui". Quando surge a ideia "eu sou o corpo", "eu estou aqui", e há uma doença, então "eu" vou buscar a sua causa. Se "eu" vou buscar a causa dessa doença, é claro que eu vou encontrá-la, porque ela está atrelada à ideia "eu estou aqui", "eu sou o corpo". Então, é uma ilusão atrelada a uma outra ilusão – a ilusão "estou no tempo e no espaço", "sou real como uma entidade presente", enquanto que, na realidade, só há Consciência, e a presença Dela é o fim de todas as doenças. A doença primária é o sentido de separatividade. As secundárias, vocês sabem quais são: tédio, solidão, medo, ansiedade, "blá, blá, blá...".

Deu para acompanhar isso?

Então, diagnosticamos e acabamos de prescrever a medicação para essa doença. A medicação é o fim da ilusão de que tem "alguém" doente; o fim do sentido de separatividade. Isso significa uma tomada de Consciência, o que eu costumo chamar nas minhas falas de "assumir o que Você É". Quando você assume o que Você É, o sofrimento termina; quando não assume, você sofre, porque quer consertar o mundo, o corpo, isto ou aquilo, e isso tudo não tem conserto.

Portanto, no Estado Natural, o corpo, como qualquer outra aparição, está destinado a desaparecer no tempo e no espaço, porque o tempo e o espaço aparecem juntos com ele, fazem parte de sua ilusão. Neste sentido, toda doença e a morte são bem-vindas a um corpo ilusório, destinado a desaparecer no tempo e no espaço. Neste sentido, a doença e a morte são tão reais quanto o corpo é real – partilham da mesma "realidade", que é a realidade da ilusão.

*Transcrito a partir de uma fala durante um Satsang Intensivo no Ramanashram Gualberto em Setembro de 2016 na cidade de Campos do Jordão

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

O que é Despertar?


Há algo para o qual eu quero chamar a sua atenção, para que você possa ver, constatar isso. Todos nós temos uma só ciência, uma única constatação comum, uma única observação comum: a de que estamos aqui. Onde quer que você se encontre, e isso é comum a todos, você está aqui! Isso é indiscutível, inquestionável, não entra em debates, não depende de opiniões, de crenças. Não podemos concordar com isso e não podemos discordar disso. É a única certeza, é a certeza comum a todos: você está aqui! Qualquer outra experiência, qualquer outra coisa experienciável, percebida, constatada, sentida, está dentro desta realidade indiscutível e inquestionável. A realidade é: você está aqui!

A única coisa real, certa, é: Eu Sou! Tudo gira em torno desse “Eu Sou”. Todas as experiências, em todos os níveis, em todas as suas formas e expressões, elas aparecem neste “Eu Sou”. Eu pretendo, nessa fala, colocar diante de você uma chave para você abrir essa porta. Se você fechar os olhos para ela, ignorá-la, ok. Se você não tem a chave ou se você fecha os olhos para a chave, dá as costas para a chave, ok. Todo sono está acontecendo pelo fato de ignorarmos isso, de não assumirmos a verdade disso: “Eu Sou” permanece aqui, e tudo mais gira em torno desse “Eu Sou”! Todas as experiências, todos os incidentes, acontecimentos, eventos; toda a história, a história desse personagem… Personagens são muitos! Eles são discutíveis, são diferentes, cada um tem a sua individualidade, particularidade, mas este “Eu Sou” não tem isso. Essa é a certeza!

Estou colocando para você agora, diante dos seus olhos, essa chave. O que é o Despertar? O que significa Isso para você? Despertar significa permanecer em sua Natureza Verdadeira, de uma forma completa, única, definitiva e irreversível – não mais se confundir com o que aparece em torno desse “Eu Sou”.

Não se pode falar de Despertar por ter uma compreensão intelectual desse assunto. Se isso não é completo e irreversível, se ainda há essa identificação com a mente egoica, com a crença desse “mim”, desse “alguém” presente nessa experiência, se há essa possibilidade de se identificar com aquilo que o pensamento diz, não há Despertar.

Despertar, como eu coloco dentro dessa fala, é o final do sentido de separatividade. Toda experiência está fora desse “Eu Sou”. As experiências do corpo, as experiências da mente, tudo aparece nesse “Eu Sou”, mas não é esse “Eu Sou”. Esse “Eu Sou” está aqui e agora, independentemente do estado do corpo, da mente; independentemente dos acontecimentos externos, do que quer que esteja aparecendo. EU SOU aqui e agora! Esse “Eu Sou” permanece destacado, acima de toda ideia de um “eu” presente nesse momento, de um “eu” que experimentou algo no passado e que pode experimentar algo no futuro.

A mente egoica – isso que está carregado desse sentido de um “eu” em suas experiências – está em contato com o mundo externo, com os objetos, com as pessoas, com os lugares... Esteve ontem, está aqui hoje e estará amanhã. A mente egoica configura um mundo externo e um mundo interno. Seu mundo externo está cheio de objetos, nos quais ela busca se preencher fisicamente, emocionalmente, intelectualmente, sensorialmente. E, internamente, a mente egoica está buscando se preencher através da imaginação. Esse é um assunto bastante interessante de se investigar. Boa parte da sua vida transcorre na imaginação. A imagem que você tem de si mesmo está na imaginação, e tudo que essa imagem pode obter, ou poderá obter, está na imaginação.

Esse movimento de pensamentos acontecendo dentro da sua cabeça funciona mantendo esse sentido do “eu”, o que eu acabei de chamar de mente egoica – mantém isso assentado na imaginação. Você está aqui e agora, mas a mente egoica não tem interesse no que Você É. É a natureza dela ser cega e insciente do que Você É. Você está aqui e agora, mas ela não está. Ela está no passado ou está no futuro; ou ela está nesse presente buscando o futuro ou o passado. Isso é imaginação.

Você passa a maior parte da sua vida, a maior parte da sua existência, descuidado desse “Eu Sou” aqui e agora. Por quê? Porque você está perdido na identificação com a imaginação, internamente, e na identificação com experiências, com objetos externos, através do corpo. O movimento dos sentidos atraídos pelas cores – a serviço da mente egoica –  o distanciar-se desse instante, no qual o “Eu Sou” permanece completamente desidentificado, completamente livre, completamente pleno. Você em seu Ser está pleno.

Na mente, ou você está no mundo imaginário, ou está na ilusão de um experimentador, na experiência de um mundo externo. Enquanto houver algum resquício, alguma pequena sombra,  essa chance de se perder de si mesmo, deste “Eu Sou”, para o pensamento, para a identificação com o corpo, na ideia “eu sou o corpo”, ou na ideia “eu sou a mente” – não há o Despertar.

Não importa a quantidade de palavras que eu conheça sobre Isso; não importa a maestria de minhas falas, a beleza dos meus escritos; não importa o poder de minha influência carismática; não importa se dou nome aos meus encontros; não importa o poder que eu tenha de influenciar outros com a minha sabedoria… Conhecimento emprestado. Meras teorias, meros conceitos!

Se seu interesse é descobrir o real significado do Despertar, então não é o significado lexicológico, filosófico, verbal, místico, esotérico, advaita ou neoadvaita, mas o significado vivencial; isso que só se encontra em seu Ser, em sua Natureza Verdadeira. 

Se o seu interesse está em constatar Isso, vá além da mente, de uma forma completa, total e irreversível. Desidentifique-se desse mundo interno de imaginações. Pare de imaginar! Pare! Permaneça aqui e agora. O seu trabalho nessa direção começa exatamente aqui: pare de imaginar. Pare de configurar, aí dentro, imagens sobre como estão as coisas, ou como foram as coisas, ou como serão as coisas.

O segundo passo é: acolha o mundo externo, em suas aparições, como ele é. Se está chovendo, isso é um fato. Não quer se molhar? Use um guarda-chuva. A chuva está lá fora e você precisa sair? Abra um guarda-chuva e saia. Não faça dessa situação, desse evento, desse acontecimento, desse mero incidente, uma calamidade pessoal. Não transforme isso num drama pessoal. Não construa sua história em torno de uma chuva.

O ego faz isso o tempo todo. Se não faz com a chuva, faz com outras coisas que estão acontecendo. O prato não foi levado da mesa para cozinha, e você pediu isso dez vezes! Não, você já pediu cem vezes, nessa relação com o marido ou com o namorado: “Pegue o prato e leve para a cozinha.” Ele nunca atendeu! Isso é um fato. Ou ele tem problemas de audição, ou ele não está disposto a estar nesse jogo com você, atendendo ao seu desejo. Não faça disso um drama.

O trabalho do Despertar precisa ser visto por você nas coisas mais simples. Você precisa perceber onde o sentido de um “eu” está sendo construído, sustentado, em detalhes muito simples, estando ciente de si, de forma zelosa, aplicada, dedicada; sem se perder de si mesmo em imaginações, em pensamentos sobre os fatos, sobre os acontecimentos. Uma vez que você der atenção a si mesmo, de forma zelosa, você começará a perceber esse movimento intrincado, malicioso, capcioso, imaginário, de uma identidade presente fazendo dramas, fazendo tempestades em copo d'água. O ego tem feito isso. 

Você me pergunta o que é o Despertar. O Despertar é se manter aqui, agora, nesse “Eu Sou”! É saber que o que está acontecendo externamente, ou tentando se apresentar internamente, não possui nenhuma realidade fora desse “Eu Sou”, para poder roubar a minha atenção e me levar, me capturar. Qual é o significado do Despertar? Permanecer em seu Ser, de forma completa, total e irreversível. Isso como um fato, não como uma teoria verbal, não como uma crença, como todas as que você já teve. Agora você vai introduzir mais uma crença? Isso não serve para nada.

A única certeza é aquilo que é real, que está além das crenças, opiniões e conclusões sobre isso. Só há esse instante! Não tem nada a ver com o mundo externo. Quando eu digo “esse instante”, não estou falando do que está acontecendo, porque o que está acontecendo já aconteceu… Percebem? Você está respirando? Não. Respirou ou vai respirar. Respirou? Já foi. Vai respirar? Não está aqui. Então, não está acontecendo nem uma coisa nem outra. Alguém está respirando? A respiração acontece, mas, como tudo que acontece, já foi!

Estou falando Daquilo que é imutável. Aquilo que e imutável não acontece, não aconteceu. Olhe para a sua cabeça, que coisa curiosa: o pensamento aconteceu ou vai acontecer; não é imutável. O sentimento aconteceu ou vai acontecer; não é imutável.

O futuro, que a mente ama criar em sua imaginação, não é um fato, é uma crença, é só um pensamento; não é imutável. A Realidade é imutável! A única certeza: “Eu Sou”. Permaneça Nisso! Trabalhe nessa direção. Não importa se você fracassar muitas vezes. Você está há milhões de anos sem tentar e você quer na primeira vez acertar? Você tem uma vida pela frente. Esse “Eu Sou” é atemporal: ele não acontece; ele não aconteceu; ele não vai acontecer. 

Quando eu digo que a sua vida é uma fraude, estou falando dessa vida que o pensamento projeta, se posicionando no tempo e no espaço imaginário. Agora tocamos no aspecto fundamental dessa Liberação, dessa Realização, Daquilo que chamei de Despertar. Agora tocamos na chave. A chave é a Meditação. Agora vocês sabem o que é a Meditação! O prato foi levado para a cozinha? Não foi levado? Quem se importa? A quem isso fere, atinge, magoa, ofende, entristece, aborrece, deprime, angustia? Você recebeu o presente de Natal? A quem isso importa? Lembraram do seu aniversário? Aniversário de quem? A quem isso importa? Quem se importa em se sentir amado(a)? Quem se importa?

Em seu Ser, você é Deus! O que está faltando em Deus? Que alguém leve o prato para a cozinha para Ele se sentir bem? Isso acontece nessa ilusão, nessa flutuação de tempo psicológico, o tempo criado pelo pensamento. Não há tempo; isso é Meditação! Não há pensamento; isso é Meditação! Não há passado, não há futuro, não há presente, não há alguém!

Você não pode se livrar do mundo do lado de fora. Você não pode dar ordem no mundo do lado de fora para que tudo aconteça como você quer que aconteça. Não adianta mandar a chuva parar. Pegue o guarda-chuva e saia. Não adianta mudar o outro para se sentir preenchido, feliz, satisfeito realizado por ele. Tudo isto está no velho fundamento da mente egoica. Por que os consultórios psiquiátricos estão cheios de paciente? Responda para mim? Numa escala menor ou numa escala de maior expressão, onde a sua loucura se posiciona? Essa loucura está só na ilusão de que tem alguém aí, fora do “Eu Sou”.

Despertar é permanecer agora e aqui! Assim como você abre o guarda-chuva e sai; assim como deixa o prato na mesa ou pega o prato e leva para a cozinha.

Descubram em vocês mesmos o que mantém esse sentido de uma identidade presente nesse momento. Isso está ocultando a Realidade... Não está destruindo a Realidade; Ela é intocável. Por mais miserável que você se sinta, por mais infeliz, por mais problemático, isso não muda o fato de fácil contatação a todos: esse “Eu Sou” permanece além do corpo e da mente.

Você tem toda a energia necessária para esse Despertar! A chave está disponível, mas você está desperdiçando essa energia o tempo todo, devaneando, pensando, imaginando, se identificando com o corpo e suas satisfações, com o ambiente externo e seus acontecimentos, seus episódios, como se isso fosse mais importante que você. Então, isso de fato se torna mais importante que você. Quando isso é mais importante que você, você é miserável. Quando o outro, o mundo, as formas, as coisas, os pensamentos, os sentimentos, as imaginações, etc., é mais importante do que permanecer nesse olhar, nesse ouvir, nesse sentir, nesse experimentar, nesse vivenciar, sem se identificar com isso, você é miserável. É isso!

*Transcrito a partir de uma fala no Retiro de Reveillon Dez 2016/Jan 2017 no Ramanashram Gualberto em Campos do Jordão


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Essa realidade absoluta é você


Este é um momento de Presença, de Consciência, de Silêncio. Nesse espaço, nós estamos trabalhando essa investigação e tratando da Natureza da Verdade. É um momento de descoberta, de constatação! Existe somente uma Realidade presente, uma única Realidade, e nós estamos investigando a natureza dessa Realidade. Existe somente este Ser… Nós somos isso!

O contato com essa Presença, com esse Ser, com essa Realidade é o contato com nós mesmos. Sendo assim, não existe a questão do Guru e do discípulo. Estamos tratando da mesma Realidade e nos curvando diante dessa mesma Realidade. É importante que compreendamos isso! Quando falamos de Ramana, do Guru, estamos falando dessa mesma Verdade sobre nós mesmos. Assim sendo, nesse contato, nós estamos em contato com nosso próprio Ser. 

Nessa noite, estamos nos curvando diante dessa mesma Realidade, Verdade, Presença... Diante Disso que somos. Assim, toda ideia de Guru e discípulo desaparece. Estamos diante da mesma Presença, da mesma Realidade, da mesma Verdade, desta mesma Realização. Essa é a beleza do Guru! O Guru não é algo separado Disso que Sou, deste “Eu Sou”, desta Presença, pois estamos sempre tratando da mesma Consciência, da mesma Verdade, da mesma Realidade.

Todos acompanham isso?

Deus é essa Verdade presente, é essa Consciência em você, é esse Guru presente em você, e isso existe em uma única coisa: na rendição! Quando há rendição, existe essa Presença, essa Consciência, e aí está a coisa toda! Essa rendição ao seu Ser é Deus, é o Guru. Então, Deus, o Guru, o Ser e Você são uma coisa só! Curve-se diante deste Ser, desta Presença! Ame esse Ser - o seu Ser Real! Quando eu falo desse Ser, não estou falando do ego, do "mim". Existe algo do qual, talvez, você não tenha tomado consciência ainda, e esse "algo" é a absoluta Realidade, da qual temos falado tanto. Essa é a Realidade sobre você e é disso que estamos tratando em Satsang.

Essa Realidade absoluta é você! Nessa entrega, comece a perceber Isso, comece a amar a Si mesmo, vá além de todo equívoco, de todo engano, de toda ilusão e torne-se Livre! 

Em Satsang, estamos tratando dessa Realidade, dessa Presença, dessa Felicidade, Disso que somos. Esse momento é um momento de pura Presença, de pura Consciência... Um momento de Meditação. Esse ensinamento não é filosófico, não é dos gregos, dos hebreus, dos cristãos ou dos hindus, e não tem nada a ver com religião. Somente Isso é Real! Somente Isso funciona! Esse é um momento assim: um momento de encontro com a Realidade, com a Verdade que somos, com essa Verdade que trazemos. 

Perceba que você nunca está em conflito, mas sim a mente. É apenas a mente em ansiedade, em depressão, em confusão, não você. Você se confunde com a mente! Seu Ser nunca está em depressão, nunca está em conflito. Nessa rendição, nessa entrega à sua Verdadeira Natureza, tudo desaparece. Não há nada como essa coisa chamada ansiedade, medo, depressão ou conflito. Apenas na ilusão isso acontece, não em você. 

Quem é aquele que se deprime? Quem é aquele que se aflige?

O ego está sempre fazendo esse jogo com você. Você se confunde com a mente e perde-se no conflito. Na verdade, não há nenhum ego. Não existe nada aí para entrar em depressão, a não ser a ilusão de "alguém" presente, que é quando você se confunde com a mente, com os sentimentos. Sua Natureza Real é Liberdade! É disso que tratamos em Satsang. É isso que colocamos para você o tempo todo.

Como é ouvir isso tudo? Como é ficar sabendo que você pode assumir a Verdade sobre si mesmo?

Eu não conheço tal coisa como depressão, isso é só um jogo da mente. Eu falo depressão, mas poderia falar sobre ansiedade, medo e todo tipo de problema que a mente cria. É apenas um jogo, mas se isso faz você se sentir bem, ok! Continue! Se você ama viver na ilusão, confundindo-se com a mente, ok! 

Para quem acontece tudo isso, todos esses problemas, todos esses conflitos? Não dê espaço para isso! Seu Ser não conhece isso! Livre-se da mente egoica, da ilusão. Pare de alimentar essa mente egoica. Em vez de tentar encontrar a causa disso - que é o que muitos fazem, quando buscam a causa do sofrimento -  livre-se da mente! Em vez de tentar encontrar a causa da depressão, da ansiedade, do medo, livre-se da mente, da identificação com os pensamentos! Corte isso da sua vida! Elimine isso! Livre-se da mente, livre-se dessa identificação! 

Se você vai ao médico com um tumor, este médico “arranca” o tumor. Não é assim? O médico “arranca” e o corpo fica livre daquele tumor. É o que estamos dizendo... É uma questão de se livrar! A autoinvestigação é o meio mais rápido para “cortar e jogar fora” esse problema. Pare de criar isso para si mesmo! Pare de alimentar isso! Se você quer a Felicidade, a Paz, a Liberdade, mantenha-se livre da mente. Se você quer a Felicidade, permaneça feliz! Se você quer a Paz, permaneça em paz! É muito simples.

Em vez de encontrar a causa, você vai ao “doutor” e ele “corta e joga isso fora”. O doutor é o Guru, é a Presença! Quando falamos dessa Presença, dessa Graça, desse Ser, dessa desidentificação da mente egoica, estamos falando do Guru. Repare que não há separação alguma entre você, em sua Natureza Real, e essa Consciência, o "Doutor" - Aquele que livra você do "tumor".

*Transcrito de uma fala em um encontro online na noite do dia 12 de Dezembro de 2016 - Encontros todas as segundas, quartas e sextas as 22h - Baixe o App Paltalk e participe

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Mergulhe em seu próprio Ser


Em Satsang, você tem um encontro com a Realidade, com a Verdade, com Deus. Nesse encontro somente um pode prevalecer, permanecer e se mostrar Real. Portanto, esse encontro é algo definitivo. Qual é a importância de estar aqui? Qual é a importância de estar diante desta Graça, desta Presença, do Guru? Podemos falar um pouco sobre isso nesse encontro.

Afinal, o que significa estar em Satsang? Há uma tremenda confusão, na mente, sobre isso. Existem aqueles que colocam a figura do Guru, do Mestre, muito distante, como um objeto, algo separado, como uma figura de autoridade. Nós precisamos ter uma aproximação real acerca disso. Precisamos descobrir o que significa estar em Satsang, o que não é outra coisa senão estar diante desta Presença, desta Graça, que é a Presença e a Graça do Guru! 

O que é o Guru?

A mente, em sua confusão, coloca o Guru como uma figura de autoridade, como um elemento separado, mais uma "pessoa" separada. Nós temos falado algumas vezes sobre isso. O Satguru, o Real Guru, não é um “guru”. A palavra guru, na Índia, define aquele que ensina, apresenta, mostra algo. É um termo usado, também, para professores. Então, o Satguru, ou o Guru Real, que é essa Presença, essa Consciência, não é um “guru”, não é um professor. Ele é aquele que EU SOU. Ele é este “Eu Sou” que Sou, o mesmo que O meu Ser. Este é o sentido da Presença do Guru. Quando você vai ao Guru e coloca-se diante de Sua Graça, de sua Presença, você está diante de Si Mesmo – da Consciência, da Verdade, da Realidade, de Deus, do que Você É. Esse é o sentido Real de um Satguru, de um Mestre. 

Todos acompanham isso?

Nesse sentido, não há qualquer separação entre você e essa Realidade, entre você e essa Consciência, entre você e essa Presença. Não há separação entre você e Deus, porque o Guru é Deus. Estamos falando daquele que expressa essa Consciência como sua Verdadeira Natureza; não teoricamente, não verbalmente, não como uma crença ou como um professor faz. Então, diante do Guru, você está diante de Deus, dessa Presença, e você não pode substituir isso por outra coisa. O Guru Real não vai ensiná-lo, Ele vai despertá-lo! Ele não vai lhe mostrar alguma coisa, vai lhe revelar o seu próprio Ser. O Guru é o mesmo que “Eu Sou”. Este é o sentido da Presença do Guru. 

Quando você o honra, encurva-se diante dele, toca os seus pés, traz presentes e flores, é uma homenagem que faz a Si Mesmo, ao seu próprio Ser. Existe somente Um - O Ser - e nós somos este Ser. Você é o Ser! Você é o Guru! Você é o Mestre! Você é a Presença! Você é a Consciência! Então, honrar o Guru é honrar a Si Mesmo.

Não existe nenhum outro a não ser Você, que é Consciência, Presença, Realidade, Deus! Então, não há nenhuma separação (esta ilusão) entre o discípulo e o Guru. Só há o Guru. A confusão surge quando a mente aparece, criando a separação, a divisão, e essa ilusória figura de autoridade, como se o Guru fosse um e você outro; como se você fosse o discípulo e o Guru o professor. O Guru Real não é um professor. O Guru Real é essa Consciência, essa Presença interna que toma a forma externa na figura do Guru, mas essa figura não está separada dessa Consciência, porque não há nenhuma separação na Consciência. Na sua experiência do mundo - na mente - há a multiplicidade, a variedade de coisas, lugares e pessoas, mas nesta Presença, nesta Consciência, que é o Coração, não há separação. 

O Darshan é essa visão da Consciência. É a Consciência contemplando a Si Mesma, vendo a Si Própria, sem qualquer separação. Portanto, não é o Guru sendo adorado ou recebendo homenagem, pois ele não é um elemento externo. Você não se encurva diante de um elemento externo. Deus, como Consciência, como Verdade, é o seu Próprio Ser -  É Você sendo Você; É Você como Você.

O Ser, Deus, o Guru, é este “Eu Sou” que Você É. Eu não estou me referindo ao sentido de separação, ao sentido do “eu”, do “mim”, do ego. É o ego que cria essa separação entre você e Deus, entre você e essa Consciência, entre você e essa Realidade. Quando você está em Satsang, essa Realidade, essa Consciência, essa Presença, está falando acerca Dela mesma. É a Isso que você, como Consciência, Verdade, presta adoração e homenagem; diante do qual se encurva e de quem toca os pés. Claro isso?

Precisamos deixar completamente essa ilusão da separação entre o Guru e o discípulo. Isso é uma invenção do pensamento. Há somente essa Presença, a Consciência, a Verdade, essa Realidade, que é Você! Você é o Guru! Eu não falo do seu “eu”, do seu “mim”, do seu ego e do sentido do “eu” presente nessa experiência do corpo, do mundo, da mente. Portanto, render-se ao Guru significa rendição desse sentido de separação; é apenas isso. Deus, Guru e o Ser SÃO! Portanto, eu recomendo a você: encurve-se diante do seu Ser! Ame e reverencie o seu Ser! Renda-se, entregue-se, ao seu Ser! 

Até hoje, a sua rendição, a sua entrega, tem sido a essa ilusão da separatividade, que é o seu próprio ego, “eu”, esse próprio “mim”. Quando vem a Satsang, você recebe um novo convite: renda-se ao Guru, à Consciência, ao seu Ser! Renda-se a Isso, a essa Absoluta Realidade, da qual estamos falando nesse encontro. Assim, não haverá conflito, erro. É quando o florescer do Despertar aparece, se manifesta - Aquilo que já está presente se revela!

Portanto, nosso convite em Satsang é: desista da sua vida pessoal! Abandone o sentido da “pessoa”, que é o sentido do controle dessa identidade presente e da ilusão da separação. Essa é a rendição ao Guru, à Consciência, à Presença... Essa é a rendição ao seu próprio Ser, à sua própria Natureza Verdadeira, que é esse Silêncio, essa Liberdade! Esse é o sentido real do  Satsang, o encontro com esta Presença! Você não pensa sobre isso, porque, se assim faz, você se afasta da Realidade. Pensar significa ter ideias, tirar conclusões, concluir, ponderar acerca Disso; concordar ou discordar. Aqui, você dá um salto para fora da mente, do sentido do “eu”, e, então, essa Consciência, que é o Guru, se revela... Revela-se como essa Presença, como ausência da separatividade! Este é o fim do sofrimento, do medo e da ilusão. É o fim para esse “mim”, “eu”, para esse ego, para essa "pessoa”.

Quando eu falo sobre o seu Ser, não estou me referindo ao "seu" ego. Existe algo aí, sobre você, do qual você não tem consciência ainda, pelo fato de estar profundamente identificado com a mente, com os pensamentos, com as crenças, com os conceitos e ideias, com a experiência “corpo-mente-mundo”. Você está muito identificado com isso e esse é todo o problema! Portanto, realize aquilo que Você É! Tenha Amor a Si Mesmo! Levante-se, acorde, torne-se livre! Assuma essa Liberdade! Vá além desse “mim”! Isto significa tocar os pés do Guru, render-se ao Guru! Essa é a Real Devoção, é a Real Adoração, é a Real Entrega! Acompanham isso?

Isso não é para pessoas ponderadas e inteligentes. Isso é para Devotos! Pessoas ponderadas e inteligentes não entram nessa sala, ou não permanecem aqui me ouvindo por mais de três minutos. Não há nada de inteligente nessa fala, porque ela está vindo a partir da não-separação, da não-dualidade, e está se dirigindo a essa não-separação, a essa não-dualidade. Ela não está surgindo a partir da mente para a mente, mas sim nessa Consciência para essa Consciência. Isso é algo muito objetivo, direto, real, verdadeiro, mas não é inteligente (no sentido que a mente conhece). Portanto, você não pode obter nada com isso. Isso não vai lhe acrescentar nada! Isso significa essa “morte”, que é a morte da “pessoa”; a morte da ilusão dessa entidade presente, com toda sua habilidade, capacidade, perspicácia, ou seja, com tudo isso do qual o ego se orgulha muito. 

Estamos falando de rendição, de entrega, de abandonar-se aos pés dessa Graça, dessa Presença, de deixar o controle, de tomar consciência de que não há "alguém" aí capaz de controlar o que quer que seja. Portanto, embora não seja inteligente, é Sábio! A Verdade é Sábia, é a Sabedoria! Portanto, escute com o seu Coração e não com a sua cabeça! Jogue fora a sua cabeça! Não tente analisar isso. Não pense sobre isso, porque seria fazer uso de conceitos para formar novos conceitos, o que a mente, com um ego “inteligente”, faz muito bem, mas não serve para nada aqui nesse espaço chamado Satsang. Apenas se permita, e o Despertar da Sabedoria acontece, de uma forma direta, real. Esta é a Real Inteligência, mas não é para inteligentes. Deus não trata com inteligentes. 

Em alguma parte na Bíblia diz que a inteligência desse mundo é loucura para Deus e a Sabedoria de Deus é loucura para esse mundo. É disso que estamos falando. Portanto, torne-se aberto, receptivo, sensível. É necessário recomeçar, mas não recomeçar a aprender. Esse recomeço significa desaprender tudo o que você aprendeu até hoje! Assim, o florescer dessa Natural Inteligência acontece sem esforço. Esse é o Despertar do Guru, desse Guru que é Você em sua Real Natureza; o Despertar do Sábio, que é Você em sua Real Natureza, porque é isso que o Sábio faz: revela o Sábio! O Guru revela o Guru! O Mestre revela o Mestre! 

Portanto, esqueça completamente essa ilusão: a ilusão da separação entre Guru e discípulo; entre aquele que sabe e aquele que não sabe. Então, isso é Meditação, Presença, Consciência, e isso é Ser, é o Real Guru! Assim, seja seu próprio Ser! Mergulhe em seu próprio Ser! Realize, constate, o seu próprio Ser! Na Realidade, não existe nenhum ego, “eu” ou “mim”; nenhum corpo, nenhuma mente, nenhum mundo. 

Esta fala está bem direta para você aqui. Portanto, venha a Satsang! Entregue sua cabeça em Satsang! Livre-se dela! Esse é o sentido do aparecimento do Guru na sua vida. Você não pode fugir Dele. Você não pode fugir de Si Mesmo. 

*Transcrito a partir a partir de uma fala de um encontro online no dia 05 de Outubro de 2016 via Paltalk. Baixe o App e participe. Encontros todas as segundas, quartas e sextas as 22h.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Neste Lugar o Amor se Reconhece






O que a mente concebe, teoriza, idealiza, imagina, ainda é parte dela. A velha ideia de alguém presente, vivendo alguma coisa, ganhando alguma coisa, tendo algo para mostrar… Isso não é real. Na verdade, quando você está profundamente feliz, ninguém está interessado em você. Você quer ser o centro das atenções? Seja infeliz! Estando feliz você não é o centro das atenções. Você não causa nenhum estardalhaço, nenhuma impressão. Agora, quando você é infeliz, você fica bastante interessante para as pessoas.

Participante: Por isso é que o ego aprecia [ser infeliz]?

Mestre: Sim. O ego fareja sofrimento. Ele não tem faro para a Alegria, para a Liberdade, para o Amor, para a Paz... Por isso é fascinante, lindo demais, estar diante de um Ser Realizado, porque ele não tem esse perfume tão atraente, já que a Felicidade não tem cheiro. A miséria tem. A sensibilidade do ego é farejar miséria. É como você dar para um cão uma peça de roupa para ele farejar. O cão descobre de quem é aquela peça, porque ele tem um faro muito apurado. O ego é uma espécie de cão que fareja, com um faro apuradíssimo, tudo que pode alimentá-lo. Assim como o cão fareja a roupa e chega até o seu dono, o ego fareja aquilo que mais pode supri-lo, preenchê-lo, alimentá-lo. Então, o ego sente de longe o cheiro de conflito, tensão, estresse, ansiedade, nervosismo, desejo, medo. A Liberdade, o Amor e a Verdade não têm cheiro.

Na realização, você não fica atraente. Ao Ser, você é fascinante, mas, para a mente egoica, você é completamente desinteressante. O seu fascínio por estar em Satsang, a sua alegria por estar em Satsang, o seu relaxamento em Satsang, não é algo que está acontecendo na mente egoica, é algo que está acontecendo a Você. Não está acontecendo a essa “pessoa” que, por muito tempo, você acreditou ser; a essa “pessoa” que está na imaginação das outras pessoas. Por elas se verem como pessoas, elas o veem como pessoa, e, como pessoa, você é muito interessante para elas. Como Consciência, você não desperta nenhum interesse delas. Causa estranheza, interesse não.

Quando as pessoas escrevem para mim ou estão comigo presencialmente, a primeira coisa que elas apresentam é esse profundo interesse em sustentar o velho cheiro — o cheiro do conflito, o cheiro do sofrimento. Diante de um Mestre vivo, você está diante desse Desconhecido, e ele é o único que trata com você. Todos os demais à sua volta tratam com a ideia que fazem de você, baseados na ideia que fazem deles mesmos. Eles não tratam com você.

O Amor é o único que está interessado somente em uma coisa; o Amor só tem um interesse. O interesse do Amor é o Amor. Então, o Desconhecido, a Presença, a Consciência, o Guru, só tem um interesse: Você, porque Você é o Amor; o Amor que Ele é. É o Amor interessado Nele mesmo. Todos os que estão à sua volta não conseguem vê-lo, porque não há Amor. Não é possível Amor sem Verdade, e não há Verdade na mente. Se não há Verdade, não pode haver Amor. Um Mestre vivo é a Verdade. Então, o Amor está presente, e o Amor se reconhece. Ele é o único que lida com você, como você, de fato, É. Por que você se sente tão relaxado em sua Presença? Tão leve? Tão preenchido? Porque você sabe que ele não está ignorando você! E, aqui, não se trata de uma apreciação, ou de uma visão centrada na personalidade. O ego também tem interesse no ego, mas o interesse dele é proporcionar alimento para si mesmo, o que eu chamei agora há pouco de farejar, sentir o cheiro do sofrimento, o cheiro da dor.

Estar diante dessa Presença é estar diante de Si mesmo; o único Espaço onde Você é visto. Seu Ser, sua Natureza Real, volta para casa diante da Verdade, do Amor que é o Guru, que é a Consciência, que é Você. Por que você ama estar em Satsang? Porque não existe outro lugar fora de Satsang. Outro lugar fora de Satsang é um lugar que a mente imaginou para uma suposta entidade, e essa suposta entidade é a ideia de ser alguém, a ilusão que você faz de si mesmo. Lá, nesse “outro lugar", é sempre desconfortável. O "cheiro" de lá não faz você relaxar. É um cheiro de tensão, de nervosismo, de estresse, de conflito, de medo, de sofrimento.

Esse Espaço é o único “lugar” em que a mente não pode estar. Ela não entra nesse “lugar”, porque ela não pode imaginar Isso. Nesse “lugar”, o Amor se reconhece. Então, Guru e discípulo, Mestre e discípulo, nesse Espaço, nesse “lugar”, desaparecem, assim como desaparecem o conhecimento, o experimentador, o pensador, a resistência, o sentido de separação. Ninguém pode ver você. Eles não têm olhos para isso; a mente, não!

É como você no meio de uma multidão, onde todos estão usando camisa azul, e alguém grita: “Fulano está ali!” Aí você diz: “Quem? Qual deles?” Ao que respondem: “Aquele de camisa azul!” Aí você olha e diz: “Seja mais específico!” E dizem: “Exatamente aquele com a camisa de cor azul! Você está vendo?”

Não, porque você é só mais um de camisa azul. Por isso que não há Compreensão. Compreensão só é possível quando há Liberdade. Liberdade só é possível quando há Consciência. Consciência só é possível quando há Inteligência; e essa Inteligência está presente quando esse Espaço, chamado Verdade, está presente.

Você não é mais um de camisa azul no meio da multidão quando Deus  o encontra. Só Deus pode ver Deus! Só a Verdade se reconhece na Verdade! E as pessoas vêm a mim e falam de Iluminação, como se pessoas pudessem reconhecer Isso. “Pessoa” é o obstáculo! “Pessoa” é a multidão de camisa azul, num espaço que não é um lugar real, num espaço imaginário, onde o cheiro não é agradável.

Você acha que o seu pai o compreende? Espera que ele o compreenda? E o seu namorado, seu marido, seus filhos, seu círculo de relacionamentos? Só há Compreensão quando não há “pessoa”, porque Compreensão é Inteligência. Não é a compreensão de alguém, é só a Compreensão. É como a Inteligência: não há alguém nela; é como a Verdade: não há alguém nela; é como o Amor: não há alguém nele; ele não é pessoal. Reparem que Amor não é um verbo, não é uma ação, não tem sujeito nisso. Liberdade é um verbo? Não tem sujeito na Liberdade; não é um verbo. Você não pode conjugar Liberdade, seja nessa primeira pessoa, naquela segunda ou naquela terceira. Verdade também não é um verbo. Deus não é um verbo. Não dá para conjugar Deus. Você não vai encontrar a primeira ou a segunda pessoa para conjugar Deus.

A Compreensão está presente quando não tem sujeito. Então, não é a “minha compreensão”, que diz: “Compreendo você”. Não é assim. Essa é a beleza da Iluminação! Essa é a beleza, que também não é um verbo. Eu iluminado, tu iluminado, ele iluminado... Não é assim.

As pessoas querem uma coisa impossível! Elas querem se iluminar, elas querem compreender... Eu falo da Compreensão, não falo de compreender. Eu falo da Inteligência, não de alguém Nisso. Eu falo do Amor, da Verdade, da Iluminação, não falo de alguém Nisso. Eu falo do “lugar”, não falo de alguém lá. Lugar também não é um verbo. Então, quando você vem para se iluminar, você está projetando uma imaginação, uma crença... mais uma crença. É como encontrar Deus; você não pode! É como encontrar a Verdade, a Compreensão, a Liberdade, o Amor; você não pode!

Meu interesse é em você, não no personagem de camisa azul. A beleza nesse Estado Natural é que você tem olhos. Você não está interessado em um lugar imaginário, onde tem uma multidão de camisa azul, onde tem um cheiro muito forte. Eu falei agora há pouco sobre esse cheiro; já esclareci o que é essa “camisa azul”; já coloquei para você claramente que não existe esse lugar, é só imaginário. Eu não estou interessado nisso; não aqui! Agora, só pode haver ISSO aqui.
       
Repare que é quando você vai para o mundo imaginário do pensamento que você se encontra com a imaginação de pessoas, todas com um nome. Mas você não sabe com quem, de fato, está lidando, pois são todas basicamente iguais: carregam os mesmos medos, os mesmos conflitos, os mesmos dilemas, dramas, problemas, anseios, receios, desejos, medos... Então, quem é você no meio dessa multidão, se não for encontrado pelo olhar de Deus? Está compreendendo? Se não for encontrado pelo olhar de Deus, você é um no meio da multidão, nessa ilusão de ser filho de fulano de tal, neto de fulano de tal, pai de fulano de tal, marido de fulano de tal... 

*Transcrito a partir de uma fala do encontro de João Pessoa em Novembro de 2016

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