terça-feira, 22 de agosto de 2017

É necessário ir além da mente, além do mundo, além do sentido do “eu”.



É maravilhoso estarmos juntos em mais esse encontro, onde nós podemos trabalhar Isso. Estamos trabalhando a constatação Daquilo que somos. Nossa grande procura é apenas uma única: estamos à procura de nós mesmos, da Felicidade que já somos. Procuramos externamente, mas a Coisa toda está aqui e agora, como o nosso próprio Ser, nossa própria Consciência, que não é algo a ser obtido.

Na verdade, você é sempre essa Felicidade, mas está procurando Isso em relacionamentos... É basicamente disso que tratamos dentro de Satsang. Você viaja para encontrar Isso num “relacionamento” com o lugar visitado; faz grandes viagens, literalmente. As pessoas adoram viajar, entrar em contato com lugares novos, desconhecidos, na busca da Felicidade, literalmente, do lado de fora. Então, elas buscam Isso e querem encontrar em lugares, realizações e pessoas.

Ramana Maharshi (Bhagavan), quando estava no salão, ficava lá, sozinho, mas dois passarinhos sempre costumavam entrar no salão e pousar ao seu lado, e ali ficavam. Havia também um pequeno cachorro que gostava de fazer isso... Eles entravam no salão e lá ficavam. Um dia Bhagavan percebeu que um dos discípulos expulsou o cachorro, com bastante dureza. Ao observar isso, Ramana disse: “Só porque vocês têm um corpo humano, pensam que são seres humanos, e, porque ele está no corpo de um cão, vocês acham que ele é um animal. Por que vocês não tratam os animais como verdadeiramente eles são”? Ramana continuou dizendo: “Vocês têm um corpo humano e eles têm um corpo animal, mas eles são O que vocês são: a Consciência e a Felicidade”.

Assim, basicamente, esse é o ponto: a constatação da Verdade sobre você é o fim da ilusão “eu sou uma pessoa” (uma pessoa cercada de pessoas, de seres humanos, ou cercada de animais). Sua Natureza Verdadeira é Felicidade, e essa é a Natureza da manifestação. Tudo o que os seus sentidos vivenciam, tocam, é apenas uma aparência dessa única Realidade – a Realidade do Ser, a Realidade da Consciência, que é Felicidade. A realização de Deus, a realização de si mesmo (a), é a constatação de sua Verdadeira Natureza.

Todos os pensamentos e sentimentos que aparecem, parecem exteriorizar o fenômeno. Assim, você fica diante da percepção, em que coisas específicas são percebidas, mas você não pode se confundir com essas aparições. Você deve perguntar: “Quem é que as vê? Quem é que as sente”? Então, quando faz isso, você se desidentifica dessas aparições e retorna à sua Natureza Essencial, retorna ao seu Ser-Consciência-Felicidade. Assim, o trabalho é se reconhecer como Ser-Consciência-Felicidade.

Essa procura de Felicidade externa, na experiência das percepções, nasce desse sentimento de incompletude. Agora, para quem é esse sentimento de incompletude? Para esse “eu”, que é o falso eu! Repare que em sono profundo você não tem nenhuma infelicidade. Então, o que é que se interpôs, aí, entre essa Felicidade, essa Paz, que você desfruta em sono profundo, e esta não-Felicidade, que você tem na sua vida do dia a dia? O que é que interrompe esta Felicidade natural do Ser que você é, aqui e agora? As suas crenças, esse confundir-se com os pensamentos, sentimentos e com essa imagem que você tem de si mesmo (a). Então, você se vê como uma “pessoa”, com um nome, uma identidade separada, uma história e, quando se vê assim, faz isso - esquece a sua Real Natureza.

Esse trabalho de autoinvestigação, entrega, Meditação, caminha na direção de soltura dessa ilusão. Identificado com a mente, você assume essa ilusão, que é a ilusão do “eu”, desse falso eu, quando você é bastante estúpido, confuso, desorientado, estressado e cheio de fantasias sobre o amor, a liberdade, a paz e a felicidade. O sofrimento é uma imaginação do “eu”. Não há nenhum sofrimento aqui, nesse instante, nem em seu Ser, em sua Identidade Real, em seu Eu Real.

Então, não olhe para fora, não se confunda com a mente – foi isso que Ramana quis dizer. Porque você se vê num corpo humano, acredita que é uma “pessoa”, um “ser humano”, e, devido a essa crença, você olha para os bichos e diz: “ali está um ser animal”. Contudo, na realidade, só há Deus, só há o Ser, que é Consciência, Felicidade, e Isso é Amor, Liberdade, Paz, Verdade.

Então, quando a mente para de ir atrás de objetos, de coisas, de pessoas, de lugares, existe o fim do desejo, e, quando ele termina, o sofrimento termina. Portanto, quando você se volta para Isso que está aqui e agora, dentro, para a sua Realidade, para Isso que Você é, você está livre... é Liberdade! Quando o mundo desaparece, a mente desaparece. Ela desaparece no Coração e volta para Casa. Então, você é Felicidade!

Porém, enquanto você ficar na mente, se mantiver nela, estará correndo atrás de sombras, buscando descanso do lado de fora. Então, é necessário ir além da mente, além do mundo, além do sentido do “eu”. É preciso deixar de confundir a Realidade com aparições.


*Transcrito a partir de um encontro online na noite de 19 de Julho de 2017
Encontros todas as segundas, quartas e sextas as 22h 
Para participar basta baixar o Paltalk App em smartphone ou computador

sábado, 19 de agosto de 2017

Investigue profundamente isto



Afinal, o que fazemos em Satsang? 

Satsang é um momento onde você tem a oportunidade de descobrir a limitação em que você mesmo se coloca. Isso é algo basicamente simples de ser constatado e um pouco complicado de ser abandonado. Podemos até teorizar sobre isso e há muitas pessoas fazendo isso. Isso é algo que tem se tornado bastante comum – há muitas pessoas sabendo sobre esse assunto; há muita teoria sendo badalada, propagada, divulgada.

É necessário ter uma aproximação de profundo discernimento ou você continuará se enganando ou sendo enganado, porque somente teoria e conhecimento não bastam. Isso é como saber pilotar um avião virtual, na tela do seu videogame... Você pega seu pequeno avião, na tela do computador, e pode pilotá-lo, brincar de fazer guerra, de ser um piloto de um avião de guerra. Assim, também, você pode brincar com o conhecimento espiritual, ou Advaita, ou Neo Advaita. Você pode saber tudo sobre Isso e, mesmo assim, ainda se sentir como uma entidade separada e, lá no fundo, profundamente, secretamente, ainda ser “alguém” fingindo que é um ninguém. 

Eu tenho falado muito sobre isso com o pessoal que se aproxima, porque estamos num momento onde a “sabedoria” da Vedanta está muito divulgada pela internet (tem muita gente aprendendo sobre isso). Depois que você aprende, que já conhece a teoria da Vedanta, esse assunto torna-se bem interessante e você também começa a falar sobre ele. Alguns falam sobre futebol, outros sobre política e outros falam sobre Realização de Deus, como se Isso fosse a coisa mais fácil do mundo. 

Então, você confunde o que é simples com o que é fácil... É algo simples, mas não é fácil. Isso requer um trabalho sobre si mesmo, uma profunda investigação da Natureza do Ser. Por que estou lhe dizendo isso? Porque estou vendo isso acontecer! É necessária uma profunda honestidade, sinceridade e clareza de propósito para um verdadeiro trabalho acontecer. Eu tenho encontrado alguns bastante apressados... Eles chegam em Satsang, assistem a três ou quatro encontros presenciais, se aborrecem com alguma coisa, se afastam, evidentemente continuam lendo e estudando o assunto, e logo começam, também, a falar sobre isso.

Realização é o seu Estado Natural, onde, de fato, real e verdadeiramente, não há mais conflito, sofrimento, ilusão. Assim, o que eu lhe recomendo é ser muito honesto quanto a isso e investigar, com verdade, o que tem criado esse sentido de limitação e está sustentando essa falsa identidade aí presente. A minha primeira recomendação para todos é: investigue profundamente isso, de preferência em silêncio. Uma das coisas básicas, nesse trabalho verdadeiro, é o silêncio. 

No primeiro contato com meu Mestre, com meu Guru, eu tinha apenas 24 anos de idade e somente 21 anos depois, quando definitivamente o sentido de separação terminou (eu não sei explicar ou colocar em palavras o porquê), veio esse impulso de compartilhar. Não houve uma escolha, uma determinação pessoal, um desejo ou uma ambição de poder para fazer isso – o que é muito comum no ego. Por isso eu tenho recomendado àqueles que se aproximam para deixarem a “semente na terra”... Você coloca uma semente na terra e não fica cavando toda hora para ver se ela já germinou; você deixa a semente lá, em silêncio, e um dia ela germina e frutifica por uma ação da Graça. 

Pior do que estar identificado com o sentido de um “eu” presente, do que viver com esse sentido de uma egoidentidade, é ter um ego espiritual, um ego “iluminado”. Essa ampla divulgação do conhecimento espiritual, em razão da globalização da informação através da internet, tem facilitado isso. A natureza do ego é ser ambicioso, buscar o poder, desejar o reconhecimento e isso é muito complicado. O próprio Cristo dizia que quando um cego guia outro cego ambos caem numa cova; o cego não pode ser o guia de outro cego. Então, o próprio Cristo advertia quanto aos falsos profetas, que hoje são os gurus, e isso já é algo muito comum na Europa e em diversos países ao redor do mundo. Hoje há muito conhecimento, muita coisa sendo aprendida e o intelecto pode aprender tudo. 

Então, eu diria a você que está neste encontro, aqui nesta sala: tenha paciência! Não tente acelerar o “rio”... Deixe o “rio” seguir o fluxo na velocidade dele, naturalmente. Em outras palavras: cave fundo, dentro de si mesmo! Observe suas reações, esse movimento interno! Tenha cuidado com essa armadilha do autoconvencimento ou do convencimento alheio... Não caia nela!  Afinal de contas, é a sua vida e não a vida do outro. Descubra sua Real Natureza, a Verdade sobre si mesmo! Vá além da dualidade! 

Nesse sentido, o Silêncio é importante. Estar diante de uma investigação verdadeira é muito importante. Um cego não pode guiar você sem o perigo de cair no buraco com você. Em outras palavras: o ensinamento intelectual, um mero conhecimento teórico, que o ego tenha sobre Isso, não irá ajudar. Quando um ego dá a mão a outro ego, ambos continuam na egoidade. 

Quando você vai à Índia (como nós, que já estivemos lá), também vê muitos gurus, muita gente ensinando, muita gente que tem alguma experiência com a meditação, algum contato com essa Presença e, portanto, também tem alguma Presença ali... É “alguém” bonito! Quando você carrega certa Presença de Deus, você fica bonito! Então, você tem certo silêncio, certo olhar... um “charme” divino, vamos chamar assim. Todavia, não se impressione com isso, porque é somente um ego espiritualizado e isso não é algo fácil de discernir.

Eu estou dizendo isso para você: não assuma esse papel, nem entre nesse jogo com aquele  ego que assumiu isso, senão você estará numa armadilha. Essa Realização é resultado de um verdadeiro trabalho nessa direção. Você só pode levar o outro até onde você chegou. 

O que eu descobri, ao longo desses anos, é que há pouca honestidade no ego. O ego não tem honestidade, sinceridade e paciência para realizar Isso. Então, o que ele faz? Ele cria isso, se auto-hipnotiza... Aquilo que acredita existir, o ego cria. 

Se você for a um manicômio, você descobrirá “grandes personagens da história” - “Adolf Hitler” está lá, “Napoleão Bonaparte”, também, está. Certo dia fui visitar alguém que estava internado e fui apresentado a “Pedro Álvares Cabral”. Quando você acredita que é Pedro Álvares Cabral, fala como Pedro Álvares Cabral; se acreditar que é Napoleão, você falará como Napoleão. Se você acredita que é um iluminado, falará como um Iluminado. Se você, também, estiver procurando Pedro Álvares Cabral, você irá encontrá-lo, assim como, se o seu desejo de se encontrar com Napoleão for muito grande, você encontrará o “seu” Napoleão... É a busca por algo rápido, sem paciência, sem honestidade, sem sinceridade. Assim, são os dois lados da mesma moeda. Essa moeda é a armadilha do ego.

Eu quero lhe recomendar isso: vá para dentro! Seja sincero, honesto e paciente! Renda-se à Graça, à sua Divina Verdade, a Deus, e Ele conduzirá você. Se você tiver isso – sinceridade, honestidade, paciência – e um coração verdadeiro para Deus, uma oração sincera no coração, você não será enganado, não se deixará enganar... Há algo dentro de você que irá lhe mostrar, e “esse” algo é seu próprio, real e verdadeiro Guru.

Ok? Vamos ficar por aqui! Valeu pelo encontro! Namastê!

*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite do dia 17 de Julho de 2017 
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terça-feira, 15 de agosto de 2017

A Felicidade é a realização daquilo que Você é


Em Satsang, você está diante de sua real e única oportunidade. Nesse encontro, você se depara com um desafio, que é soltar a ilusão – soltar as suas escolhas, seus desejos, medos; soltar tanto aquilo que você acredita que irá fazê-lo feliz, torná-lo uma pessoa melhor, como também aquilo que, declaradamente, você sabe que, até hoje, só lhe criou problemas. Assim, quando você se depara com esse desafio, você está diante de algo, de fato, único: a investigação sobre a Felicidade. Aquilo que você tem de mais precioso é a realização dessa Felicidade. 

Quando você está sonhando e não sabe disso, é difícil acordar. Geralmente, todos os sonhos são assim: você sonha e não sabe que está sonhando. Raramente você percebe que é um sonho; isso é bastante difícil de acontecer. Quando as pessoas me procuram, elas não desconfiam do “sonho” que elas estão vivendo. Eu tenho que falar para elas que estão “sonhando” e, mesmo assim, elas não acreditam. Eu digo para elas: “Você está sonhando!”. A ideia de ser uma “pessoa” é um “sonho” difícil, complicado. Elas não acreditam no que eu lhes digo. Quando eu digo que elas não são felizes, elas dizem: “Não! Eu sou feliz! Sou feliz porque eu me casei, tenho filhos, um emprego… Eu sou funcionário público federal, trabalho para o Temer”. Essas pessoas vêm a mim, mas parece que eu é que devo ir até elas, para convencê-las de que estão vivendo uma vida miserável; tenho que questionar a felicidade que elas acreditam ter. 

Na verdade, a mente não tem qualquer parâmetro sobre essa questão da Felicidade. Felicidade é Ser, e isso não é circunstancial. Para a mente, felicidade é ter alguma coisa que a preencha momentaneamente. A Verdade é o sinal da presença da Felicidade – a não contradição, o não conflito, o não medo, o não desejo. 

Esse trabalho se propõe a mostrar a você esse caminho direto, o caminho dessa Realização. Ele mostra a você a importância de deixar tudo que você tem. Afinal, o que é que você tem? Parece-me que tudo o que você tem lhe dá um misto de prazer e dor, alegria e tristeza. Contudo, a minha ênfase, nesses encontros, é a importância de um esvaziamento completo de todo esse conteúdo, de todo acúmulo. É fundamental ir além dessa limitação, pois nada daquilo que o “eu” acredita ter, que a “pessoa” acredita possuir, pode lhe dar a Real Felicidade. Muito pelo contrário, isso mantém você preocupado demais.

As pessoas lutam para obter coisas e, depois, elas querem substituir aquelas coisas por outras coisas. Na verdade, se você observar a sua vida, verá que quanto mais coisas você tem, maiores são as suas preocupações para guardá-las, protegê-las e mantê-las com você. Então, as coisas não nos dão felicidade, elas dão “aporrinhação”, preocupação. Se você tem dois carros, preocupa-se com eles, pois o ladrão pode roubar os dois, não um somente; o seguro e o IPVA são para os dois carros, assim como a garagem tem que ser maior para guardá-los. 

Agora vamos para uma coisa que, supostamente, lhe dê mais felicidade… Por exemplo: duas namoradas. A preocupação com duas namoradas é maior do que com uma só. Tudo é muito complicado quando você tem muitas coisas. 

A Felicidade é a realização daquilo que Você é, e Isso não está na realização de coisas que você tem. 

*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite de 14 de Julho de 2017 - Encontros online todas as segundas, quartas e sextas as 22h - Baixe o App Paltalk e participe

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Lembrar-se de Deus é lembrar-se de Si mesmo


Você não vai mudar o lado de fora, não vai salvar, consertar, reformar alguma coisa. Você não vai mudar o destino da humanidade, do homem; não vai parar as guerras, acabar com a fome, espiritualizar a humanidade, nem salvar a flora ou a fauna. As pessoas se importam com isso, vivem em suas exterioridades, em um mundo projetado pelo pensamento. A Felicidade não! A Felicidade já salvou o mundo! Ela é como um quadro, no qual a imagem do mundo aparece. Uma vez que a Felicidade está presente, o mundo está a salvo! Então, não se preocupe em, na mente, salvar o mundo. Trabalhe o fim da mente e o mundo fica aos cuidados da Felicidade. Eu sei que vocês foram ensinados a serem boas pessoas, e é possível ser uma boa pessoa depois de muito treino. Porém, uma boa pessoa ainda é parte de um mundo perdido, sem salvação. Sem “pessoa”, ou seja, na Felicidade, o mundo está a salvo, mas não foi você quem o salvou. Quando você desaparece, o mundo fica livre, porque você é a doença; você é o vírus, a bactéria. A ilusão de “ser alguém” causa a dor, deixa o mundo enfermo – isso é a doença do mundo! 

Você é a maldade do mundo, desse mundo que só existe para pessoas, nas pessoas e com as pessoas. Não tem nada de errado com o mundo! Na visão da Felicidade, o mundo é o que é, mas, na visão da pessoa, o mundo é miserável, sofredor, está doente, perdido, precisando de salvação. Deixe o mundo em paz! Deixe o outro em paz! Enquanto houver “você”, há o outro. Certo filósofo disse: “O inferno é o outro!”. Não sei se era isso que ele queria dizer, mas, pelo menos, é o que estou dizendo… Enquanto você estiver presente, o outro será infernal; quando você não estiver mais presente, não haverá mais inferno. O Amor é invencível, impoluto, imbatível. O Amor é a Natureza do Ser, que é a Felicidade. Não tem inferno, desordem, caos, nem confusão, quando há Amor, que é Consciência, Felicidade. 

Então, a lição que fica para você é: não espere, não busque, não tente encontrar, desconecte-se. Você está conectado o tempo todo, acessando um mundo específico. Desconectado, esse mundo específico desaparece e fica a Vida como Ela é: Real! O mundo fica como ele é: Real! É só desconectar! Na Índia, eles chamam isso de Samadhi… Ser, Consciência, Felicidade! É a desconexão da ilusão, das aparições da mente e suas criações imaginárias, do sentido ilusório de um “eu” presente. Desconexão… Samadhi! Isso é Beatitude, Bem-Aventurança… Isso é O que é, Isso é Felicidade, que é quando o mundo não precisa ser salvo; quando não tem nenhum mundo doente precisando de cura.

Como soa isso para você? Para mim, soa como algo assim: Silêncio, Quietude… Não interfira, deixe como está, não se envolva, não se meta nesses assuntos! “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus!” – está na Bíblia, no Salmo 46, versículo 10. Desconsidere a “pessoa” que você acredita ser quando ela for ofendida, magoada, chateada, aborrecida, maltratada, desprezada, desacreditada, rejeitada… Desconsidere a “pessoa” que você acredita ser nesses momentos. Olhe como é prático isso! Pare de invocar seu poderio, sua realeza, seu poder de alterar o que os outros pensam e esperam de você. Isso tudo é medo, sofrimento. Desconsidere isso, anule-se! Aceite ser nada, ser sem ego. Ego, aqui, é a resposta que reage, de uma forma muito rápida, numa autodefesa amedrontada, querendo impor sua vontade, seus desejos, controles, suas determinações… Puro ego! Isso sustenta e mantém a miséria, a ilusão. Isso deixa o mundo enfermo!

Você precisa de algum tempo nisso. Você vai à academia uma vez a cada seis meses e espera algum resultado… Levará muito tempo! Talvez, antes que você veja qualquer resultado, o corpo já tenha dado algum “piripaque”, porque a frequência não é essa, o aconselhamento não é para ir de seis em seis meses. Essa observação daquilo que se passa aí “dentro” e o que se passa “fora” deve ser feita momento a momento. É nesse momento que você deve observar a linguagem que sai da sua boca, os pensamentos que aparecem na sua cabeça, como você olha para alguém, como você fala com alguém, o que pensa sobre alguém ou sobre uma dada situação, quais são as suas reações diante do que acontece… É nesse momento! É momento a momento e não daqui a seis meses! Você precisa treinar isso, trabalhar isso, colocar o coração nisso, dormir e acordar com isso.

Você acorda e se lembra de Deus – lembrar-se de Deus é lembrar-se de Si mesmo. Você dorme, acorda e o primeiro pensamento pela manhã é observar o pensamento. O pensamento é: observe o pensamento! Então, você dá um passo para trás e observa o pensamento que observou o pensamento. Pela manhã, você já acorda assim, passa o dia assim e, então, você tem um santuário, onde você está devotando a sua vida a Deus. 

Lembro que, quando eu era criança, vivia orando. Eu não sabia nada sobre Meditação, sobre essa atenção, sobre o movimento da mente. Eu ficava curioso e meu pai dizia: “É assim mesmo! Feche seus olhos, coloque suas mãos sobre os joelhos e coloque sua mente em Deus!”. Então, ele me ensinou a meditar, mesmo sem sabermos o que era isso. Eu entrava no ônibus, naquela época, e ficava com a mente em Deus, porque a mente era muito barulhenta, cheia de pensamentos feios e eu me sentia mal com aquilo. Eu sabia que tinha algo errado, mas não sabia o que era. 

Então, você acorda pela manhã e já começa a colocar a sua mente voltada para Deus, para a oração, para a prece, para a lembrança do Divino… Colocar o seu coração voltado para aquela imagem que lembra Deus, para O que está além dela, além da própria mente. Então, a mente começa a se tornar pura. Na Índia, eles chamam de Sattva esse poder de tornar a mente pura. A mente, a princípio, é cheia de pecados, cheia de desejos, sempre voltada para o exterior, para as coisas externas, para os objetos. Ela quer uma bolsa nova, um sapato novo, uma casa nova, um namorado novo… É sempre alguma coisa nova! A mente está sempre entediada de si mesma, porém ela acha que está entediada dos objetos antigos que ela tem. Na verdade, a mente está entediada dela mesma, ela não se suporta e, então, quer alguma coisa nova. Ela fica nesse jogo de substituição, sempre voltada para o exterior. Então, você acorda pela manhã e já coloca a sua mente nessa observação. Quando faz isso, você já coloca sua mente em Deus, voltada para a observação do seu movimento.

*Transcrito a partir de uma fala no encontro presencial de João Pessoa em Julho de 2017 Acesse a nossa agenda e se programe para estar conosco: http://mestregualberto.com/agenda/agenda-satsang

terça-feira, 8 de agosto de 2017

A ilusão do controle


A mente tem a ilusão de que pode controlar as coisas. Um dia, Ramana Maharshi fez uma observação para Annamalai Swami. Ele disse: “As pessoas vêm aqui, fazem a sua saudação e ficam aqui por um tempo. Mas, no tempo que passam aqui, elas agem como se estivessem dentro de um reino, no qual elas se sentem reis. Elas esquecem por que motivo estão aqui e querem agir como se fossem verdadeiros reis, como se tudo aqui existisse para servi-las. Elas querem mandar, então dizem: ‘Vamos fazer assim… Vamos resolver isso, fazer aquilo’. Depois, olham para mim e dizem: ‘Bem que o Mestre poderia fazer isso ou aquilo; poderia sair pelo mundo levando a sua mensagem’. As pessoas esquecem por que estão aqui; elas querem reformar o Ashram e querem que eu mude!”.

Uma coisa que eu acho interessante, para você observar, é a necessidade ilusória que a mente tem de que as coisas aconteçam do jeito que ela quer. Você carrega essa ilusão na mente, mas precisa observar isso. Para você, a felicidade virá quando as coisas acontecerem como você espera que elas aconteçam. Quer seja aqui dentro ou lá fora, você sempre vai querer alguma coisa da vida. 

O que os Sábios sabem, que é tão simples? É que a vida se move do jeito dela. Em alguns momentos, ela vai lhe oferecer sofrimento, o que, na verdade, é só um movimento dela. A vida não se importa com você! Você não é importante para ela! Ela acontece como tem de acontecer, mas você interpreta isso como sofrimento. Em alguns momentos, você percebe que a vida lhe oferta sofrimento, mas essa é a sua falsa interpretação do que acontece. Em outros momentos, ela oferece satisfação, prazer e preenchimento, o que, também, é uma falsa interpretação daquilo que acontece  - é um modo particular, pessoal, de ver o que acontece. 

Enquanto estiver esperando da vida alguma coisa, você jamais será feliz, jamais conhecerá a Felicidade, porque o conceito de felicidade que se tem é o de satisfação e prazer, que se realiza e conquista naquilo que acontece, naquilo que se apresenta. Mas, nem sempre é assim, porque nem sempre a vida corresponde às suas expectativas. Boa parte das vezes (para não dizer na maioria das vezes), exatamente porque você não existe – embora se sinta tão importante nessa crença – a vida vai surpreender você negativamente. 

Por mais que alguém diga que o Universo está conspirando a seu favor – o que soa muito bonito e romântico – isso é somente uma ficção; é uma dessas frases que a imaginação criou e por detrás dela, você se esconde, ouvindo falas sobre positivismo, adquirindo essa coisa tão infantil que são os ensinamentos sobre autoajuda. É próprio da mente, em sua ingenuidade, buscar ser ensinada, e ela busca isso nos ensinos de como ajudar a si mesma para ter sucesso, realizar-se, concretizar algum objetivo, alvo, para sentir-se bem com ela mesma e, depois, jamais chamar isso de felicidade.

Você nunca tem um lado da moeda sem ter o outro. A natureza da mente é dual – nunca haverá o bem sem o mal, o certo sem o errado, a felicidade sem a infelicidade, o prazer sem a dor. Então, você não pode esperar do mundo externo alguma coisa, ou pode esperar qualquer coisa, mas não uma coisa positiva e definitiva, como a felicidade permanente, o sucesso permanente… O sucesso de hoje é o fracasso de amanhã; o prazer de hoje é a dor de amanhã; a felicidade de hoje é a infelicidade de amanhã. 

A Felicidade Real não vem da vida, não é uma coisa chegando até você. A Felicidade Real é um transbordamento do seu Ser! Não é algo que chega, é algo que sai; não é algo que vem, é algo que vai daqui para lá… Não vem de lá para cá. A mente quer fazer a coisa certa, mas quer a “sua” coisa certa, que não é tão certa, porque ela está tremendamente equivocada na própria raiz. Se o equívoco está na raiz, no tronco, no caule, nos galhos, nas folhas, então você vai encontrar o mesmo engano nos frutos. O fruto do equívoco é o equívoco; da confusão, a confusão; da ilusão, a ilusão.

Tudo que vocês receberam da cultura, receberam da mente. A cultura é a mente e está dentro dessa dualidade, dessa experiência dual. Essa experiência dual da mente é verdade e falsidade, prazer e dor, certo e errado, bem e mal… O que nasce da mente é parte dela mesma. Não há Sabedoria na mente – há muito conhecimento, mas não Sabedoria. Conhecimento e Sabedoria são coisas diferentes: o conhecimento é cultural; a Sabedoria é existencial. Tem que ir além da mente! O conhecimento é dual e a Sabedoria é não dual, porque Nela não há opostos. No conhecimento, na cultura, na mente, você encontra sempre os opostos, com as suas contradições.

A minha recomendação a você é: vá além da cultura, do conhecimento e do que você chama de “vida”, a qual tem ofertas para você. Assim, a Felicidade é possível, porque a Felicidade não é cultural e ela não nasce, não é fruto do conhecimento, nem descansa nele. Ela é algo além do conhecido, não faz parte da mente… Ela está além da mente e, assim sendo, está além destes opostos, da dualidade. Então, ela não vem de fora; vem de dentro. 

Quando eu falo “dentro”, eu falo da Natureza do Ser, da Natureza da Realidade última, da Absoluta Realidade, Daquilo que é indefinível, indescritível, inominável. Assim sendo, além da mente é a Meditação, que está além dos opostos. A Meditação é o acesso a essa interioridade e está além dessa, assim chamada, “vida” que faz ofertas. Talvez, Ela seja a própria Vida que está além dos opostos, mas não aquilo que você chama de “vida”, porque você chama de “vida” aquilo que acontece do lado de fora. O que acontece do lado de fora, somente acontece, sem a preocupação de “alguém” interpretando isso. Assim, estamos diante da Vida Real e, nesse sentido, Ela é a Felicidade. Mas, se o que encaramos como vida é aquilo que acontece, porque temos expectativas com relação a isso, aí já estamos numa falsa interpretação do que de fato é a Vida, como Ela acontece, como Ela é. 

A Sabedoria não dual, além da mente, além dos opostos, que é Meditação, é a Felicidade. Ela não é circunstancial, aparente, não depende do que acontece, ou que parece acontecer, externamente. Isso significa que você não procura nada, nem espera nada de nada, de ninguém, de coisa alguma. Você fica com o que é, sem julgamento, sem comparação, sem rejeição e sem aceitação. Então, você está além da mente, e isso é estar além dessa “vida” que a mente conhece. Traga Meditação para essa “vida” que você conhece (que é a vida que a mente conhece), que, então, ela se dissolve, desaparece, e a Felicidade se faz presente. Ela não virá; ela brotará… Ela surgirá de dentro da própria Vida Real. 

*Transcrito a partir de uma fala em um encontro presencial em Julho de 2017 
na cidade de João Pessoa. Acesse a nossa agenda e se programe para estar conosco: 
http://mestregualberto.com/agenda/agenda-satsang

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Profundamente guardado dentro de nós



Em Satsang, estamos falando sobre Liberdade, Felicidade, Deus, sobre nós mesmos… Aquilo que está profundamente guardado dentro de nós. A Felicidade é algo que depende dessa maestria de Ser, mas poucos neste mundo estão interessados na real Felicidade. Isso porque poucos estão mergulhando dentro de si mesmos para encontrar Isso, para tomar ciência Disso.

A natureza da mente é se voltar para as exterioridades, para o lado de fora. A mente está interessada em satisfação, preenchimento, conforto, prazer, desejo… As pessoas vêm a mim, mas elas não estão interessadas no que tenho para entregar para elas. Elas estão muito dispersas, muito fixadas em exterioridades, em realizações do lado de fora. A Felicidade não está em objetos externos, mas sim em nós, dentro de nós, e a maestria, a arte da Felicidade é Ser, não é ter coisas, como um novo marido, uma nova casa, nova realização sentimental, emocional, pelas quais a mente está interessada. 

As pessoas estão interessadas em seus projetos e pensamentos, no mundo das formas, das aparências, das cores, dos nomes, na exterioridade. A beleza, a riqueza e os objetos não darão Felicidade, tampouco o conhecimento. Você só encontra Isso aí dentro! Todo meu interesse é nessa Felicidade, e isso não é algo desse mundo da mente. 

A mente é confusão, desordem, sofrimento. A mente é samsara, o que significa “a roda da confusão”, “a roda do engano”. Se você tem a intenção de realizar a Felicidade, tem que se tornar um mestre na ciência de Ser; tem que sair da mente, porque ela é conflito. Permaneça voltado para o Coração, volte-se para dentro, vá além das aparências, dos nomes, das formas, das cores… Externamente, do lado de fora, está o furacão. Porém, no olho do furacão, está a calmaria. Isso é a Verdade presente, aqui, neste instante.

Então, torne-se um mestre de si mesmo. Encontre Isso no Silêncio, dentro de você, não do lado de fora. A Coisa toda está dentro e não fora. A miséria morre quando a mente morre, mas vocês estão viciados em pensamentos, em sentimentos, agarrados a percepções, a sensações.

*Transcrito a partir de um encontro online na noite de 07 de Setembro de 2017 - Encontros todas as segundas, quartas e sextas as 22h - Para participar baixe o App Paltalk em seu computador ou dispositivo móvel.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Em seu Estado Natural, você é a própria Realidade!


Entrar em contato com uma fala como essa é mais do que aproximar-se de palavras. As palavras são símbolos. Assim, tudo que você percebe através dos sentidos pode ser comunicado através de uma palavra. A fala, portanto, descreve percepções, aquilo que os olhos, os ouvidos, o olfato, o tato e o paladar percebem. 

Nosso interesse, nesse encontro, é descobrir Aquilo que está além das palavras, além das percepções, além dos sentidos. Satsang significa investigar a natureza da Realidade. A Realidade é Aquilo onde tudo surge, onde tudo aparece, onde tudo é percebido. Identificado com a mente e o corpo, você pode passar uma vida inteira se confundindo com a ilusão da existência de “alguém” presente na experiência da percepção. Para a mente, a percepção é a Realidade, mas eu quero lhe dizer que a Realidade está além da percepção.

Você precisa compreender a diferença entre percepção e Realidade. Quando você está identificado com o corpo e com a mente, as  experiências acontecem para uma suposta “identidade” presente, para esse “mim”, para esse “eu”. Sem identificação com o corpo e com a mente, você pode estar em contato com a direta Realidade, que é a Verdade sobre si mesmo. Isso significa viver livre do sentido do ego, do “mim”, do “eu”. Perceba a importância, a beleza, a graça que existe por trás disso!

Você, em seu Estado Natural, não é uma pessoa, não é uma egoidentidade. Em seu Estado Natural, você é a própria Realidade! Qual é a implicação disso? A implicação disso é viver sem conflito, sem medo, sem sofrimento, nesse estado de indescritível Liberdade, Felicidade. Alguns chamam isso de Iluminação. Eu prefiro chamar de Estado Natural, porque você não é um ser especial, alguém que tem uma lâmpada acesa sobre a cabeça. Você não dispara raios das pontas dos dedos, nem tem superpoderes, como o super-homem ou a mulher-maravilha. 

Portanto, em seu Estado Natural, você não é especial, não é superior a ninguém, não é maior do que ninguém. Você apenas não se confunde mais com o sentido de separação, não se identifica mais com o sentido de dualidade. Não tem mais “você”, Deus e o mundo, como a mente o fazia acreditar antes. Esse é o fim da confusão, de toda desordem emocional, psicológica, porque é o fim da ilusão. 

Esse Estado Natural é a Realidade de Deus! Você nasceu para realizar Isso, apenas Isso, unicamente Isso, e nada mais! É quando, então, você está em “casa”, em Paz… Você é Sábio! Você está curado! Você havia sido picado pela serpente da ignorância e agora está curado, não há mais veneno no corpo! 

Você não pode encontrar a Verdade de Deus, essa Verdade sobre Você,  no mercado, pagar uma pechincha por Ela e levá-La para casa. Não é assim! O preço da Realidade, da Verdade, do Despertar, é a sua vida, a sua história, o seu mundo… Você terá que entregar tudo isso! Se você ainda tem desejos, sonhos e ainda quer fazer muita coisa nesse mundo, é sinal que você ainda gosta muito dele. Esqueça esse mundo ou esqueça Deus! Lembrar-se desse mundo é esquecer-se de Si mesmo; esquecer-se desse mundo é lembrar-se de Si próprio. Eu falo desse mundo que a sua mente construiu, com seus desejos e medos, com seus sonhos e esperanças. Esse é o único mundo do qual você precisa se livrar – o mundo imaginário criado por essa suposta identidade presente. 

Tudo isso é puro condicionamento! Você foi condicionado a acreditar que a Felicidade é para “alguém” – esse “alguém” que você acredita ser. Um “alguém” que encontrará essa Felicidade do lado de fora, no mundo imaginário criado pelo próprio pensamento. Assim, você acredita que um casamento lhe dará Felicidade; o sucesso em uma carreira profissional lhe dará Felicidade; ter uma família, uma dúzia de filhos, lhe dará Felicidade; dirigir um carro importado – uma Lamborghini ou uma Ferrari – fará você encontrar a suprema Felicidade…

A Felicidade reside aqui e agora! É o seu Ser! O seu Ser é Amor, Paz, Liberdade, Inteligência, Sanidade, Completude, e Isso já está aqui e agora! Não tem nada a ver com experiências sensoriais, sensações, percepções… Quando eu falo de percepções, eu me refiro a percepções físicas e não físicas (chamadas de percepções espirituais). Tudo isso está dentro da mente. A mais sublime das percepções espirituais ainda é uma experiência mental; o ego ainda está lá. Lamento ter que dizer isso a você. Se você ainda está agarrado a essas coisas, fico muito triste por você, pois não valem nada, quer nesse mundo ou no “outro mundo”.

*Transcrito a partir de encontro online na noite de 12 de Maio de 2017 - Encontros online todas as segundas, quartas e sextas as 22h - Para participar baixe o App Paltalk em seu smartphone ou computador.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Satsang é a revelação de sua Real Natureza.


Satsang é a revelação de sua Real Natureza. Isso é algo semelhante ao fim do capítulo de um livro – é o fim do “capítulo” de sua vida. Satsang termina com a crença de que você é uma entidade separada no mundo, movendo-se, escolhendo, envelhecendo e destinada a morrer. Antes de Satsang, esse é o “capítulo” de sua vida. Satsang é o final desse “capítulo”.

Quando esse “capítulo” termina, algo tem início… Acontece o começo de um novo momento, o qual nós podemos chamar de Realização ou Despertar da Verdade, da Sabedoria, quando a compreensão, em diversas áreas de sua vida, assume uma posição inteiramente nova, diferente. Isso se reflete na maneira como você pensa, sente, percebe, se reporta e se relaciona com a vida. É o fim de um processo conhecido, comum, ordinário, que vem sendo aceito como algo natural, mas sempre insatisfatório, no qual a maioria vive. É o começo do reconhecimento dessa Verdade sobre você mesmo, que representa o fim da ignorância acerca de si próprio. 

Nessa nova fase, nesse novo início, há um real Ser, um real Eu… Eu Sou! Esse “Eu”, nessa frase “Eu Sou”, assume um sentido completamente diferente. Esse “Eu” significa Presença ou Consciência, que é Aquilo que conhece, que está ciente – a real Consciência dos pensamentos, sentimentos e das sensações, que não se confunde com eles. Assim, o estado conhecido, comum, considerado natural nessa egoidentidade, termina. O “eu” que conhecemos antes de terminar esse “capítulo”, antes de Satsang, é um “eu” confuso, desorientado, desordenado, identificado com pensamentos e perdido em sentimentos, sensações e percepções, mas, nessa nova fase, isso muda. 

Portanto, esse “Eu”, na expressão “Eu Sou”, refere-se a essa Consciência, a essa Presença. Reparem que essa Consciência, Presença, está sempre consciente de pensamentos, sensações, emoções, sentimentos e percepções. Porém, antes do final desse “capítulo”, o “eu”, na frase “eu sou”, é um “eu” em conflito, com medo, em sofrimento, inconsciente e levado pelas circunstâncias, por pensamentos, sentimentos e emoções. Esse é um “eu” que carrega o sentido de separação, de dualidade e de uma existência separada da vida como ela se apresenta. Na verdade, esse sentido do “eu” está ocultando sua Real e Verdadeira Natureza, que é Consciência, Presença, Paz, Felicidade – essa é a real condição de toda experiência no Ser, em seu Ser Real, Verdadeiro. 

Isso explica porque há essa grande e profunda dor em seu coração, com a qual você cresceu; é a dor dessa entidade separada, dessa “pessoa” que você acredita ser, desse sentido de estar separado da existência. A maioria das pessoas tenta abafar essa dor vivendo cheia de objetos, pessoas, lugares e relacionamentos novos. Esse imaginário sentido do “eu”, dessa entidade separada, com essa profunda dor dentro, está sempre buscando paz, felicidade e amor em objetos, do lado de fora, em coisas e pessoas. Porém, na verdade, esse sentido de um “eu” separado não pode encontrar Paz, Felicidade, Liberdade, Verdade e Amor, porque ele se encontra carregado desse sentido de existência separada. É exatamente isso que está velando ou ocultando essa Verdade do Ser, da Presença, da Consciência, da sua Natureza Verdadeira, A qual, Nela mesma, é Paz, Liberdade, Amor, e não busca nada, não precisa de nada. 

Isso é semelhante àquela mariposa que busca a luz: tudo o que ela quer é a luz, mas não pode tê-la. Quanto mais a mariposa se aproxima, mais o calor a assusta, e, ao mesmo tempo, mais fascinante aquela luz se torna para ela. Porém, ela não pode tê-la. O sentido de um “eu”, de uma existência separada, está sempre em busca da Paz, da Liberdade, da Felicidade, mas não pode encontrá-Las, a não ser que desapareça, como a mariposa desaparece no fogo. Essa é a única experiência possível para a mariposa, assim como é a única experiência real possível para essa entidade separada, essa “pessoa” que você acredita ser… É a única experiência real possível para a realização da Felicidade, da Paz, da Liberdade e do Amor. 

Você não pode ter a luz e continuar sendo uma “mariposa”. Você não pode ter Deus e continuar sendo o “eu”, a “pessoa”! Não é possível “você” e a Verdade! Não é possível esse sentido de um “eu”, de pessoalidade, com seus conflitos, dilemas e problemas, e a Verdade da Consciência impessoal, do Ser, da Felicidade!

Talvez não faça sentido para você ouvir isso, a princípio. Talvez você esteja vivendo a primeira parte ainda, que é esse “capítulo” da vida tradicional, comum, aceita pela grande maioria como sendo real. É necessário o fim desse “capítulo”, dessa história… o fim dessa “mariposa”. Todos estão à procura disso, mas, equivocadamente, do lado de fora, em objetos, relacionamentos… tentando manter esse sentido de identidade, isso que eles acreditam ser. Porém, para esse sentido de separação, é literalmente impossível se livrar do sofrimento, do medo e do conflito, dessa dor profunda no coração. 

É necessário desistir dessa ilusão de ser “alguém” com essa tradicional forma de sentir e pensar, que é quando a verdade sobre si mesmo é ignorada; quando a verdade da natureza da experiência é ignorada. Então, qual a verdade da natureza da experiência? A verdade é que não existe uma entidade separada nesse “pensar”, “sentir” e “ser”. É necessário tornar-se aberto, vazio, transparente… É necessário assumir essa Consciência, essa Presença, além dessa ilusão de separatividade, dessa “pessoa” que você acredita ser. 

Assim, o coração pode ser saturado, pode viver essa saturação do sentido da Verdade, que é Paz, Felicidade e Amor. Essa Realização, essa saturação de Presença, dissolve todas as crenças. Nessa Realização, a Verdade revela-se como Amor, em toda a sua totalidade. Esse é, ou deveria ser, o mais alto propósito de toda arte, filosofia, religião e ciência: revelar a natureza do Ser, a natureza de Deus em você. Somente isso representa real Liberdade, Sabedoria e Felicidade. Sem isso, filosofia é mero intelecto, religião é puro ritual e tudo aquilo que nós chamamos de ciência fica a serviço de um propósito muito menor. 

*Transcrito a partir de uma fala na noite do dia 29 de Março de 2017 em nosso encontro online. Para participar de nossos encontros que acontecem as segundas, quartas e sextas as 22h é só baixar gratuitamente o App Paltalk em seu Smartphone, computador ou tablet. Participe! 



sábado, 29 de julho de 2017

Felicidade não é a realização de desejos



Tratamos de algo simples, mas, ao mesmo tempo, profundamente desafiador. Estamos tratando com você sobre a arte da Felicidade. Satsang é isso, e representa o abandono da ilusão do sentido da “pessoa” presente. É importante que você se lembre de que a vida acontece sem “você” e de que os pensamentos, sentimentos, tudo isso é parte da vida, assim como as ações, que aparentemente são o resultado desses pensamentos e sentimentos. 

O que estamos dizendo é que não se trata de tentar cooperar com a vida ou de procurar criar as condições para a Felicidade, esperando que tudo seja auspicioso. Nem sempre as coisas precisam ser perfeitas como você espera que elas sejam. O que você espera de perfeição, naquilo que acontece, é somente uma crença, uma projeção de desejo. Você não pode esperar da vida alguma coisa, porque “esperar” significa criar uma expectativa para ser miserável. 

Felicidade não é a realização de desejos, nem a realização de expectativas. Felicidade é Ser! A Vida é o que é, e isso é Ser. Não há o sentido de “alguém” em Ser. Eu não disse “ser alguma coisa”, “ser feliz”… Ser é a Felicidade, mas não é ser feliz! O sentido de “pessoa” é sempre miserável, não importa o que ela realize na vida, porque essa realização ainda é parte de sua miséria. Você não pode olhar para a Verdade como um Shopping Center, onde você vai fazer compras e lá adquire tudo o que quer… Come na praça de alimentação, faz compras nas lojas de roupas, compra brinquedos e assim por diante… E agora você é “feliz”! 

Não olhe a vida como um Shopping Center. Ela não tem o que você deseja, porque o seu desejo é miserável e a vida não conhece miséria. Todos procuram a Felicidade, mas confundem a Verdade, a Vida, com um grande mercado, onde podem conseguir tudo que desejam. Não é conseguindo o que deseja que você será feliz, mas exatamente o oposto: é deixando de desejar, abandonando o sentido de “alguém” presente que deseja – esse “alguém” que você acredita ser e sempre sente falta de alguma coisa: de família, de sucesso, de saúde, de roupas, de amizades… Esse sentido de falta somente é possível quando o sentido do “eu” está presente, e isso é ser miserável. 

Estamos tratando, em Satsang, de algo simples e profundo. Simples porque é fácil nos aproximarmos disso pela palavra; profundo porque temos que investigar, profundamente, a natureza ilusória dessa mente egoica, desse sentido do “eu”. Em Satsang, seus pensamentos, sentimentos, emoções e todas as formas de crenças – em qualquer nível que apareçam, dentro da sua cabeça ou no que você chama de “coração” – são descartados. Nada disso tem real importância para Ser.

Para ser alguma coisa, você precisa ter coisas, e isso faz de você “alguém” miserável, porque há sempre medo, dependência, ansiedade, preocupação e sofrimento. Para Ser, no entanto, o final do desejo é importante, assim como o término da ambição, da expectativa, da busca por algo, da procura por alguma coisa. Portanto, Realização não é “realização”. Realização é estar aqui, sem futuro, sem expectativas, sem desejos. Então, a Felicidade se revela com a Verdade, e ela, definitivamente, não é um mercado, onde você consegue tudo o que deseja. Ela está presente na Meditação, que é assumir a Verdade sobre si mesmo; é viver sem o passado e o futuro; é ter o coração e a mente completamente livres. Então, as emoções, os pensamentos, os sentimentos e as sensações físicas são simples experiências, sem “alguém” dentro delas fantasiando, imaginando e calculando, preso dentro desse movimento.

Assim, em Satsang, descobrimos a beleza de viver livre da “pessoa” e, naturalmente, dos conflitos que ela produz, em razão dos desejos, das ambições e dos medos que ela tem. Então, a Vida é o que é! Ela não está aí como um mercado esperando você. Não há separação nem distância entre Ser e a Vida… Isso é Completude, Totalidade, Felicidade.

A pergunta que surge é: “Como eu continuo indo para o trabalho, ganhando dinheiro, pagando as contas, cuidando de filhos e família?” A resposta a essa pergunta é: Não tem “você”! Esse é o movimento da Vida! Isso acontece muito bem sem “você” - sem a ansiedade, a expectativa, o desejo e, naturalmente, sem o medo. 

Dê a si mesmo total Liberdade! Dê a si mesmo total Paz, total Inteligência, total Verdade e total Amor! Dê a si mesmo a ausência de “si mesmo”. Isso é Realização, mas não é a realização de “alguém”… É somente Realização! Ninguém se realiza, mas a Realização é possível. Isso é Iluminação! Ninguém se ilumina, mas a Iluminação é possível quando “você” não está, quando “o que é” é O que É! Isso é tudo! 

*Transcrito a partir de uma fala em um encontro online na noite de 26 de Maio de 2017 - Encontros todas as segundas, quartas e sextas as 22h Baixe o Paltalk e participe!

quinta-feira, 27 de julho de 2017

O buscador é um cego



Nós temos algo bastante paradoxal para investigarmos dentro desse encontro. Tenho observado que, quando as pessoas se aproximam, a intenção delas é sair do sofrimento, o que pode parecer bastante natural a princípio. Quando chegam nesse encontro, elas escutam que a causa do sofrimento é a ilusão de uma entidade presente. Então, quando descobrem que a causa do sofrimento é a ilusão de uma entidade presente, esse suposto "eu", o ego, coloca na cabeça que agora é preciso se livrar desse "eu", desse ego. É isso o que eu tenho observado. Parece razoável, agora, vocês buscarem essa libertação. Então, vocês querem se libertar do ego, já que ele é a causa do sofrimento. 

E aqui é que nós nos deparamos com um assunto muito delicado: você não pode se libertar do ego! Você quer se libertar do ego porque está sofrendo, mas esse sofrimento é o próprio ego, e, agora, ele está querendo se livrar dele mesmo. Por isso que o assunto da Liberação, ou Realização, ou Iluminação, é um assunto muito delicado. 

Geralmente, a pessoa tem uma aproximação disso de uma forma pessoal, e, então, a pessoa quer se livrar da “pessoa”, o ego quer se livrar do ego, com a mente dualista, com o sentido da dualidade presente. A questão aqui é: todo esse movimento só fortalece o sentido de uma entidade presente. Essa não é a resposta, esse não é o caminho. É por isso que você pode passar uma vida inteira ouvindo falas, adquirindo informações sobre Isso [Iluminação], tendo experiências, também, em razão de alguma prática de meditação, mas, no final, isso não resulta em nada, porque a mente jamais vai se livrar da mente; o ego jamais vai se livrar do ego. 

Todo esse movimento é da ilusão, pela ilusão, em prol da ilusão. Esse movimento é a busca, uma grande armadilha que a mente egoica criou. Ela se disfarça e cai em sua própria armadilha, fingindo que quer fugir da armadilha. Parece querer se libertar, mas o movimento dela é um movimento contrário a isso. Assim, o movimento da busca apenas fortalece o buscador. 

Estamos vivendo um momento no Brasil, em particular, em que há muitos buscadores, mas são buscadores cegos. O buscador cego é aquele que caminha na escuridão. Quando um cego caminha, ele esbarra em muitos objetos se não tiver um guia; se existirem buracos, ele pode cair neles com facilidade. A busca é algo assim: um caminhar na escuridão, uma estrada cheia de buracos e sem nenhuma luz sobre ela. Esse é o movimento do “eu”, do ego, na busca.

Então, ser um buscador não significa nada. O buscador é um cego! A questão é que todos estão adorando essa coisa da busca, entretendo-se com ela – ler livros, assistir a vídeos, etc., são apenas entretenimentos. Isso é ser cego e andar na escuridão, numa estrada cheia de buracos. Você não precisa da busca! Você precisa desse trabalho de autoinvestigação, de auto-observação. Assim, não se trata de procurar por Isso em falas, vídeos, livros, ou ficar andando de guru em guru, o que também é um entretenimento. Vocês estão buscando distrações. O trabalho é outro completamente diferente. O trabalho está na rendição, na entrega do “eu”, por meio dessa autoinvestigação, que é essa auto-observação, numa real devoção a Deus, à Verdade, que é a Real entrega ao Guru. Então, o Guru fora, nesse momento, e somente nesse momento, é o mesmo Guru dentro de você. Então, não existe fora ou dentro. 

Assim, essa autoinvestigação é a observação desse movimento da mente egoica, ocupada com seus desejos, predileções, escolhas, contrariedades, raiva, medo, voltada para a realização de prazeres, busca de entretenimentos, diversões, enfim, com toda essa disposição para a vida mundana e indisciplinada. Observe que a mente egoica está com a sua energia toda voltada para a exterioridade, numa completa desatenção, interessada em coisas estúpidas, como estar engajado em movimentos de reatividade social, política…

Essa autoinvestigação é o trabalho, e não se trata de buscar o fim do “eu”, alimentando mais ainda o “eu” com aquilo que ele deseja, como espiritualidade, conhecimento, experiências, enfim, todo esse tipo de coisa. Aqui, trata-se de olhar para isso, para esse impulso, esse movimento viciado de ir para fora, de buscar preenchimento e realizações externas, de se identificar com pensamentos, com aquilo que é lixo.

Se você for sério quanto a isso, você aprenderá a olhar para esse sentido de “alguém” presente, esse “mim”, esse “eu”, com toda a estupidez que ele deseja, e abrirá mão disso. Não importa a quantidade de conhecimento espiritual que você tenha se a sua mente está povoada de pensamentos estúpidos; se você está cedendo, constantemente, aos caprichos dessa estupidez do pensamento. Se é assim, esse não é o seu momento ainda. 

Tudo isso que eu acabei de colocar para você é a própria ação da Graça… É o terreno sendo preparado. Se a sua casa já está limpa e arrumada, então você já pode receber um hóspede, assim como um terreno preparado pode receber uma planta capaz de florescer. Essa “casa” pode receber um hóspede, a visitação do Despertar, e esse é o germinar e o florescer dessa Verdade. Assim sendo, você deixa a busca, abandona o sentido de “buscador” e olha para si mesmo, para toda essa desordem interna, essa bagunça, para colocar ordem na “casa” e preparar o “terreno”. Então, a Verdade, que já está presente, pode florescer. Falar de uma Verdade presente sem essa autoinvestigação, entrega, rendição, é uma grande ilusão. Isso é ser um buscador cego.

  
*Fala transcrita do encontro online da noite de 21 de Junho de 2017. 
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Encontros todas as segundas, 
quartas e sextas as 22h 

terça-feira, 25 de julho de 2017

O sonho de ser alguém





Em Satsang, você tem a oportunidade de se compreender… Você tem a oportunidade de compreender, verdadeiramente, onde acontece toda a confusão e o que é essa mente complicada que você tem. 

O que eu posso lhe garantir é que todo problema que você tem não é o que você é. Esses problemas aparecem em razão da ignorância que você tem sobre quem, de fato, você é. Onde estão todos esses problemas, toda essa desordem ou confusão? Tudo isso faz parte da valorização que você dá a essa ideia que faz de si mesmo, ideia essa que é o sentido do “eu” presente, desse “eu”, desse “mim”. Não há nenhum “mim”, nenhum “eu”, nenhuma mente. Aí é que está toda confusão. 

Todos à sua volta acreditam nisso – nesse “eu”, nesse “mim”, nessa mente. Esse estado de confusão, de desordem, é o estado da ilusão. Essa percepção que você faz de si mesmo é a que você tem do mundo, da vida à sua volta. Você está embolado em uma história. 

Enquanto você assiste a um filme, a história que se desenrola é bem emocionante e, mesmo que haja cenas de perigo e diversos outros tipos de problemas sérios, nada disso toca você, porque nada tem a ver com você. Então, assistir a filmes é algo bastante divertido, porque você não está envolvido com aquilo, não tem “você” naquela história, é somente um entretenimento, uma diversão. No fundo, você sabe que aquilo é tudo montado e que nada daquilo é real. O fogo, no cinema, não está destruindo, de fato, nada verdadeiro, pois está queimando uma casa de mentira, uma pessoa de mentira, um carro de mentira e tudo mais. No filme, quando tem uma inundação, a água está afogando pessoas e animais, mas você sabe que tudo aquilo é cinematográfico; são cenas dramáticas e emocionantes, mas ninguém, de fato, está morrendo. 

Agora, quando você olha para a sua vida (que também é só uma história), a coisa muda. Por que é que muda? Porque nessa história, agora, tem uma pessoa importante, real, verdadeira, sendo atingida, tocada pelas circunstâncias. Então, essa pessoa recebe uma credencial de identidade “real”  – essa pessoa sou “eu” e essa história é a “minha vida”. No filme, não tem a “minha vida” e não tem o “eu”, mas do lado de cá tem. Do lado de lá, no filme, nada é real, mas aqui, sim. O que foi que mudou?

À noite, quando você tem um sonho, você também está em uma história e, nesse sonho, tem o “eu” e a “minha vida”. Nesse sonho, você viaja, pode passar por perigos, dificuldades e a sua história é muito real, porque, novamente, “você” está lá. Porém, quando você acorda pela manhã, para onde foram aqueles “perigos”, aquelas “dificuldades”, aquela história e toda a “verdade” daquele mundo do sonho? Percebe o que estamos dizendo? O princípio é sempre o mesmo. Aqui, você diz que a sua vida é muito real e, enquanto está sonhando, sente que ela também é, mas o filme, no cinema, não tem realidade nenhuma para você; é somente um filme divertido.

O que estamos dizendo para você, em Satsang, é que tanto no filme quanto no sonho, seja no sonho à noite ou nesse sonho agora, enquanto você me escuta, estamos tratando sempre da mesma coisa: o sonho de “ser alguém”, de “ser uma pessoa”. Uma pessoa com uma vida “real”, com pensamentos, sentimentos e emoções “verdadeiros”, com uma história familiar “verdadeira”, com o sentido de uma identidade separada de toda existência – algo “verdadeiro” também. Mas tudo isso é verdade ou é somente uma crença criada pela imaginação? Você nasceu, está vivo e vai morrer? Isso é verdade ou é imaginação? Quantos anos você tem? Qual é o seu nome? Qual é o problema de saúde que você tem? Você é uma criança, um jovem, um adulto ou um idoso? 

A pergunta para você é: quem é você sem a imaginação? Você é filho de quem? É pai? É mãe? Quem é você? Sem a imaginação, onde estão os seus problemas? Sem o pensamento de uma conta para pagar, você está devendo para quem e quanto? Onde está o seu mundo sem você? Está claro o que estamos colocando para você em Satsang? Olhe para a sua cabeça nesse momento… O que ela está buscando nesse instante? O que ela quer construir? O que a mente quer imaginar? Do que você quer sofrer agora? Repare que a imaginação constrói o “seu” mundo e, nele, você é muito importante, tudo está cooperando a seu favor ou contra você. Tudo ilusão! 

As pessoas têm uma frase: “O Universo conspira a seu favor!”. Isso não é real! Você imagina o Universo, depois acredita que Ele está vendo você e que você é muito importante. A mente adora esse tipo de coisa! A filosofia é toda criada pela imaginação, assim como a poesia e todas as coisas bonitas que a mente inventa. A mente inventa tudo isso para se sentir importante, para ser “alguém” no seu mundo imaginário. Quanto mais coisas ela inventa, mais miserável ela se sente. 

Acordar, Despertar, é sair desse sonho, dessa imaginação. Então, a sua Natureza Real é Felicidade, é Liberdade, é Sabedoria, é Amor… Não há nenhum problema, sofrimento e nenhuma miséria, porque não há mente. Assim, não há nascimento nem morte, porque não há história.

*Fala transcrita em um encontro online ocorrido na noite de 14 de Junho de 2017 
 Encontros todas as segundas, quartas e sextas as 22h 
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