sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Você nunca nasceu



Mais um momento para observar, para investigar. Não é um momento de mudar as coisas, de transformar ou alterar as coisas. Quando nós nos assentamos aqui, descobrimos que Satsang não é isso, não tem esse propósito. A Verdade não se mostra na mudança, na alteração, na transformação; a Verdade se mostra na constatação, na observação, na investigação. 

É preciso que você compreenda que isso aqui, este encontro, este momento em que nos assentamos juntos, não é um momento de mudar as coisas, não é um momento de transformar as coisas; é um momento de Verdade, ou é o momento da Verdade. E a Verdade por si só é automanifesta, é autoevidente; ela não vai chegar, ela já É, Aqui e Agora.  

Na sua vida muitas coisas aconteceram, outras estão acontecendo e outras acontecerão. Quando eu digo “sua vida” você sabe que estou me referindo à sua história, mas essas coisas vão passando, elas estão sendo alteradas, transformadas e mudadas. Aquilo que era ontem não é mais hoje, e o que é hoje não será amanhã. Mas quando tocamos no aspecto da Verdade, quando falamos sobre Realização, sobre o Despertar, não estamos falando de algo no tempo. 

Quando estamos neste encontro, estamos no encontro com a Verdade, isso é como meramente assistir a um filme, assistir a uma cena, uma peça teatral; não pela primeira vez, mas pela segunda vez. Quando você assiste pela primeira vez você não sabe o que vai acontecer, mas quando você assiste pela segunda vez você já sabe o que vai acontecer. 

Aqui em Satsang, nós temos que ter isso muito claro para nós… Não tem nada de novo para acontecer. É como assistir a um filme, uma peça teatral, da mesma forma você deve começar a assistir os pensamentos, e o que eles andam dizendo aí, as histórias que eles têm para lhe contar. O pensamento vai lhe prometer um resultado novo, um final novo, mas você tem que aprender pela experiência que o final é sempre o mesmo. A peça teatral é sempre a mesma, termina da mesma forma. Então, você tem como primeiro grande passo no florescer dessa Sabedoria, dessa Verdade, dessa Inteligência Divina, perceber o quanto tudo isso é repetitivo, o quanto tudo se repete, os resultados são sempre os mesmos, tudo sempre termina da mesma forma. 

Observe os pensamentos, observe as histórias que eles têm para lhe contar, por exemplo, sobre sua família… todos aqui têm família, mas basicamente todas as famílias são precisamente iguais, todas as histórias de famílias são iguais. Uma superficial diferença em alguns hábitos, tipo de alimentação, coisas assim bem básicas, mas psicologicamente, internamente, interiormente é a mesma coisa! Você sabe que é assim o que impera nessas histórias, que são histórias que o pensamento repete; repete neste formato de pai, mãe, marido, mulher, filhos, tios, avós, bisavós; a história sempre termina da mesma forma: autointeresse, posse, controle, ciúmes, inveja, dependência emocional, cobranças, e por aí vai. 

É importante que você se desligue de tudo isso. Não deixe nada segurar você. Isso vale para você que está aqui em Satsang comigo, isso vale para quem está nesta sala aqui comigo esta noite; isso não é para o seu pai, para sua mãe, seu marido, sua esposa, ou seu vizinho. Vale para você! Se você não conseguir “ouvir” isso, não tente comunicar isso a ninguém, porque se nem você consegue compreender o que estou dizendo, você acha que eles vão conseguir compreender? 

Comece a perceber a ilusão que é a história que o pensamento conta, e o quanto ele se repete, ou seja, o final do filme, o final da peça teatral, que você já sabe qual é. Há muito apego, há muito controle, há muito medo, autointeresse, exploração, chantagem, vaidade... Eu sei que não é um quadro muito bonito, não é um quadro romântico ou poético, mas é um fato, é assim. Ninguém está interessado em sua felicidade, ninguém está interessado em lhe mostrar Deus, porque ninguém está interessado em Deus, ninguém está vendo Deus… está todo mundo vendo seu próprio umbigo, seu próprio autointeresse. 

Você não está neste contexto; o corpo está neste contexto, esse nome aí atrelado a alguém, com quem eles acreditam estar se relacionando, sim, mas Você não. Você nunca nasceu, Você não faz parte de um contexto histórico, Você não é um entre bilhões do planeta, Você nunca nasceu. Eu tenho que lhe contar a verdade! Lembre-se de sua real natureza! Você se esqueceu... você está se identificando com o corpo, se identificando com a mente, se identificando com a história e você esqueceu que você nunca nasceu.  

Você olha para uma árvore e diz: de onde veio essa árvore? E sua mente logo responde: ela veio de uma semente. E de onde veio essa semente? Ela veio de uma outra árvore. De onde veio essa outra árvore? Veio de outra semente... É assim que a mente está pregando uma peça em você, está dizendo que você veio e que você apareceu, os seus pais vieram dos pais deles, que, por sua vez, vieram dos pais deles, e tudo isso é falso. Você nunca veio, e como nunca veio, nunca vai embora também.  

São como os pensamentos acontecendo, você vê os pensamentos chegando, observe… o pensamento chega e depois vai embora, depois chega um outro e depois vai embora, mas há algo presente que pode observar essa chegada e partida, e isso não muda. Há algo aí que pode observar os pensamentos chegando e partindo. Há algo aí que pode observar o movimento da história, e é essa história que tem um corpo, que tem um nome atrelado a outros nomes e a outros corpos, mas tudo isso está chegando e partindo. Você continua sendo esse não nascido. 

Eu estou lhe convidando a deixar a ilusão e você faz isso em Satsang, apenas investigando, apenas observando. Não se trata de mudar nada, de alterar nada, de transformar nada, de radicalizar qualquer coisa ou qualquer aspecto da sua vida. Repetindo de novo, trata-se apenas de observar! Vejo todos vocês acreditando em problemas, problemas familiares, emocionais, sentimentais, financeiros, de saúde, e isso não é real. Isso é problema da história! A história está mudando, então a história tem problemas. 

Isso pode ser problema para o corpo, pode ser problema para os pensamentos, pode ser problema para a mente... Mas você não é o corpo, não é a mente, não é o pensamento, não é essa história. Portanto, seu espaço é Satsang, um encontro com a Verdade, com o Silêncio de sua natureza divina, que não nasce, que não morre. Como você nunca nasceu, você não pode morrer. 

À noite, quando dorme, você sonha. Repare que o sonho tem um começo e que, dentro do seu desenvolvimento, é como um filme, um pequeno filme particular. Teve um começo, várias coisas se desenrolam nesse sonho mas ele termina. O sonho começa, tem um desenrolar e termina. Essa sua vida, isso que você chama de “minha vida” também é um sonho. É só a ilusão de que é a sua vida, porque é só um sonho, um sonho que se desenrola sem você. 

Como acontece à noite quando o sonho começa, você não decide se vai sonhar ou não naquela noite, e com o que você vai sonhar, nem quanto tempo o sonho vai durar. Não é assim? De repente, o sonho acontece; às vezes o sonho é bom, às vezes o sonho é ruim; ele acontece mas você não tem nenhum controle sobre isso. Olhe para a sua vida… é apenas o pensamento que diz que você tem controle sobre alguma coisa, mas, na verdade, está acontecendo também um sonho assim.  

Esse sonho começou em 1962, ou em 1955, no mês de julho, às 8 da manha ou às 8 da noite, o sonho do corpo começou, e este sonho está agora se desenrolando, mas uma hora este sonho termina. Então, ele parece começar quando você nasceu, e ele parece terminar quando você morre, e nesse ínterim todas as complicações, as adversidades, as contrariedades, as vicissitudes, as intempéries, os conflitos, os dilemas, os dramas, os amores e desamores, os encontros, os reencontros e desencontros, as lágrimas, os risos, o prazer, a dor, a alegria, a tristeza… Você acha que isso é real, mas à noite aquele sonho não era real. Quem lhe garante que agora esse sonho aqui é real? 

Eu posso lhe garantir que não é real. Eu posso testemunhar, eu posso fazer uma confissão, a minha confissão é verdadeira, está assentada em minha vivência, está assentada em minha própria autoridade de quem está vendo todo esse jogo. Então todos os seus medos, decepções, frustrações, alegria e tristeza, prazer e dor, nascer e morrer, céu, inferno e purgatório, ou no que quer que você acredita, isso é só pensamento também. Não existe nascimento, um sonho com o qual você se confunde e sofre... Acorde, criança! 

Esse é todo o meu trabalho, é tudo o que estamos fazendo em Satsang. Apenas pela observação, pela investigação a Verdade se mostra nesta constatação clara, real. Nada muda, nada se transforma, nada… porque não há nada, apenas o fim dessa ilusão, a ilusão de que você está aí com suas frustrações, decepções, medos, desejos, liberdade de escolha, podendo ter coisas diferentes do que tem, uma outra mulher, um outro marido, outros filhos, outros resultados… como se você tivesse escolhido estes resultados e estivesse fazendo toda essa coisa acontecer. Nem o início desse sonho chamado nascimento, nem o desenrolar, nem o fim desse sonho chamado morte... mas você acredita que está no controle disso. Pior ainda é acreditar que você pode mudar isso, parar isso, alterar isso, transformar isso. Como acabei de colocar, a Verdade está no constatar, no observar, nesse investigar.  
Esse convite chamado Satsang é algo ímpar, porque nele estou lhe convidando à Felicidade, à Liberdade, à Consciência, à Verdade de sua natureza, à Liberdade de sua natureza, à Consciência que é a sua natureza, à Felicidade que é a sua natureza.  

Agora, você precisa abandonar essa ilusão, abandonar essa crença na qual todas as outras estão assentadas...


*Transcrito a partir da fala de um emcontro online ma noite de 2 de Novembro de 2016 - Encontros online tidas as segundas, quartas e sextas às 22h - Horário de Brasília 

2 comentários:

  1. O fator psicológico jamais deveria ser considerado.Até porque é um fator viciante, um fator viciado.
    Psicólogos, padres, religiões, abraçam a causa e consolam os sofredores, ajudando a perpetuar o sofrimento.
    A não ser aquele que está realmente desperto, ninguém questiona isso.
    Quem é o sofredor? Como ele surge? Ele é real?
    Ganha-se muito dinheiro em cima dos bobos.Bobos por não estarem indo a raiz do problema. Quem é o sofredor?
    Pode parar.

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  2. Robert Adams coincidentemente disse essa mesma fala em 12 de agosto de 1990.

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