quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Um filme de destino para um personagem que não existe





Lidar com isso que acontece se desidentificando é o seu trabalho para despertar, mas enquanto você se vê como uma entidade separada, você está preso a um processo que alguns chamariam de destino. Então, o que tem para acontecer na sua vida vai acontecer. Isso tudo tem a ver com aquilo que está destinado a essa máquina (corpo-mente). Algo que a própria mente montou para ela. Na Índia, eles chamam isso de karma; cada mecanismo tem o seu karma. 


Enquanto você estiver se identificando com a ideia de ser alguém dentro do corpo, isso fica muito pesado, porque você vê as coisas boas e ruins como algo acontecendo para você. É muito pesado viver nesta ideia de ser uma pessoa, lidar com aquilo que o corpo está destinado a passar sendo uma "pessoa". Você está aqui comigo em Satsang para se desidentificar desse personagem nessa história. Você vai começar a olhar e parar de valorizar isso, parar de dar importância a isso, parar de dar vida a isso; é só algo destinado para esse corpo passar, mas se você colocar essa crença, o ego, o “mim”, dentro da experiência, você vai sofrer! 


Alguma coisa boa acontece, você fica feliz; vem uma coisa ruim e você entra em depressão, entra em angústia, xinga Deus, xinga o céu, xinga a vida, xinga tudo, e é só um filme, um filme de destino para um personagem que não existe. Esse personagem é esse “você” que você acredita ser. É uma coisa que está destinada só ao corpo e à mente, mas você tem que colocar uma identidade nisso e… pronto! A coisa cria um volume extraordinário e, assim, tudo que você faz é para criar mais problema, ao invés de se submeter à vontade divina. A vontade divina é essa? É isso que a Graça tem ? Ok! Em vez de acolher e confiar que isso não é você, você se confunde com isso, entra em desespero e quer fazer as coisas. E quanto mais você faz, mais embananado você fica, mais enrolado você fica, mais infeliz, mais problemático.

Não se confundir com a experiência significa não colocar um experimentador ali, alguém ali. Quando você faz isso, de imediato fica livre; você já não entra mais naquilo; você sabe que está fora do seu controle; você sabe que não é assunto seu; você sabe que, na verdade, é Deus que determina tudo!



Nada está acontecendo para você ser infeliz ou feliz. No entanto, quando você se vê como uma pessoa, as coisas estão acontecendo para você ser feliz ou para você ser infeliz. Quando você é feliz, você diz: “Que bom! Deus gostou de mim! Consegui! Deus gostou de mim, mas ‘eu’ que consegui!” Quando está infeliz, você diz: “Deus me desprezou, a Graça não quer nada comigo”. E não é assim! A vida está acontecendo só por acontecer, não tem “você” nisso.


Ontem eu falei sobre isso... Você se afasta de si mesmo quando se volta para esse “você” que você acredita ser, para essa história desse alguém aí. Eu não sei para vocês, mas isso soa como música para mim! Ouvir isso é música, ouvir a Verdade é música, é algo libertador! Nós falamos o tempo todo de fé em Deus, de confiar em Deus, mas não sabemos o que é isso. Fé em Deus é saber que não tem você. 

Fé em Deus é ficar preso no trânsito, perder o voo e dizer: “Uau! O avião foi embora!” E só! Você não pode esperar ter fé em Deus nas benesses, nos momentos festivos, nos momentos de alegria. A sua fé em Deus está no momento de adversidade, nos momentos em que você vê que não foi como a mente disse que seria ou que deveria ser. Você diz: “Caramba, que coisa engraçada! Como a mente é sacana! Eu tinha tanta certeza... mas não é! Nunca mais vou confiar em pensamentos! Pensamentos são mentirosos dentro da  cabeça, pessoas não são reais”.



Quando você sabe que pessoas não são reais, você não espera nada delas, nem espera o bem ou o mal delas. Quando você não espera nada delas, você não se frustra com elas.

Ninguém mais é seu amigo, ninguém mais é seu inimigo. As pessoas são o que elas são. Assim como aquele pássaro é o que é, aquele cachorrinho é o que é, aquela árvore é o que é... Tudo é o que é, e você está fora disso, fora dessa bobagem de ter que confiar em alguém, de ter que confiar em mudanças para você ser feliz, para você estar em paz. Nesse trabalho, não existe esse propósito de mudar sua vida. Sua vida não tem que ser mudada, sua vida tem que ser reconhecida. Você precisa reconhecer a vida. Deus não é uma conquista, Deus é uma constatação.



Por aí afora, vocês aprenderam tudo de forma muito equivocada. O que vocês receberam aí fora não funcionou para vocês, jamais funcionará, porque não há verdade aí fora. O "Eu Sou" é a Verdade! E "Eu Sou" não é um ensino, uma crença. Eu sou Consciência! Encontrar-se é encontrar esse “Eu Sou” que Sou, que Você É. É em Você que está a Verdade, e não fora! É em Você que está a Sabedoria, e não fora! E a Sabedoria está na Vida como Ela se mostra, e não fora Dela, em um ideal de vida, em um ideal de viver. Eu só trato da Vida, eu só trato desse “Eu Sou”. Isso é a Verdade, Isso sou Eu! E você pode dizer essas mesmas palavras: “Isso sou Eu”, porque você está falando desse “Eu Sou”.



Isso só é possível quando há uma profunda paixão. Sabem o que significa paixão? Paixão é estar ardendo, é estar em chamas, é estar em fogo! Deus só se revela, nessa constatação, quando há fogo. Quando você está queimando por isso, ele se mostra. Não do lado de fora! Primeiro, Deus se mostra dentro, depois ele se apresenta como o Guru do lado de fora. Paradoxalmente, primeiro ele se apresenta como o Guru do lado de fora, que é o mesmo Deus do lado de dentro.


Aqui o meu convite é para você ir além da mente. Ou você queima, arde, está em chamas pela Verdade, ou você volta a confiar nas evidências da mente.



Nós vamos falar muito sobre isso ainda.

*Transcrito a partir de um encontro em Agosto de 2016 na cidade de Fortaleza

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