domingo, 20 de novembro de 2016

Uma grande e inexplicável beleza





Olá, pessoal. Boa noite. Sejam bem-vindos a mais um encontro aqui pelo Paltalk. Maravilha estarmos juntos, mais uma vez, nesta noite.

Esse é um trabalho completamente diferente de tudo o que você conhece, porque estamos tratando de algo ímpar, bastante singular. Estamos indo além das crenças. Aqui, o ponto é que você “esqueceu” que nós estamos juntos, nesse encontro, que você entrou nesse espaço, nessa sala; o ponto é que você se esqueceu, e está aqui para se lembrar. Lembrar-se é ir além dessas crenças. Você esqueceu que isto aqui é um sonho e você acredita que é real. Então, nós temos uma coisa aqui, que na realidade eu coloquei de duas formas: a primeira, eu chamei de esquecimento; a segunda, eu chamei de crença. Esquecimento de que isto é um sonho e a crença de que isto é real.

Então, vamos lá. Vamos ver se conseguimos romper tanto com esse esquecimento, quanto com essa crença. Por isso esse trabalho é único.

Nosso trabalho aqui é ir além da crença de que isso é real, e nos lembrarmos – porque nesse momento vocês estão esquecidos – de que isso é só um sonho. Como é que você faz isso? Você começa pela observação, observando o que está à sua volta. Em volta de cada um de nós, as coisas estão acontecendo, ou parecem acontecer. Aqui a primeira coisa é: não se prenda a isso. Compreenda a si mesmo, mas não é possível compreender a si mesmo dando significado àquilo que acontece à sua volta, como se isso estivesse acontecendo para você.

Percebam, em minhas falas, a exatidão do que estamos colocando. Você não pode compreender a si mesmo, se aquilo que acontece à sua volta recebe o significado particular de "alguém", e esse alguém é você.  Então, já começamos esse trabalho. Por isso que é um trabalho único, e ninguém está disposto a isso. Onde quer que esteja, qualquer trabalho em que se envolva, você estará sendo valorizado. Nesse espaço chamado Satsang não tem a valorização do “eu”, desse "alguém" aí. Isso a princípio o perturba, mas se você entrar fundo, cada vez mais fundo, nesse trabalho, naquilo que eu estou lhe indicando, mostrando, nas dicas que eu estou dando, você vai ver a beleza disso, o quanto isso é simples e maravilhoso - a liberdade de se lembrar e de ir além das crenças; a liberdade de se lembrar de que tudo isso é um sonho e de ir além dessa crença básica, que sustenta todas as outras crenças, de que isso é real.

Quando você assiste a um filme, você vê as coisas acontecendo. Quando você acredita na tragédia acontecendo para "você", você sofre. Quando você acredita que as coisas boas estão acontecendo para "você", você se alegra. A mente, em seu comportamento de sonho, de ilusão, acredita no sofrimento, assim como acredita também no prazer; apega-se ao sofrimento e tenta rechaçar a dor. Então, a mente tenta rechaçar a dor e apega-se ao prazer. Pode parecer estranho o que eu disse agora, que eu disse “se apega ao sofrimento”, mas, na verdade, isto está acontecendo. Todo apego ao prazer é um apego à dor. Não há como escapar disso, porque, quando se apega ao prazer, você está sustentando a dor. Não há como você separar prazer de dor. Então, a ideia de ficar ileso à dor, se apegando ao prazer, na verdade é um apego ao sofrimento. Por isso é muito complicado; a mente torna isso muito complexo. A vida se torna muito complexa, na mente. Tudo o que, na verdade, a pessoa procura é o prazer e rechaçar a dor, mas o prazer que ela procura é o apego ao sofrimento. Quando ela tenta segurar o prazer, ela sofre. Não é possível segurar alguma coisa, nem sustentar uma experiência, porque não existe "alguém" real nesse sonho; é um sonho que acontece sem "você". A ideia de "você" nesse sonho é essa busca do prazer; essa tentativa de rechaçar, de livrar-se da dor. Isto, em última instância, é a busca do sofrimento, o desejo de sofrer. Então, acompanhem isso: eu estou dizendo que você não sabe o que é felicidade. O seu movimento, na mente egoica, é um movimento na busca do sofrimento e não da felicidade. Tudo o que você faz não é para encontrar a felicidade, é para permanecer sendo "alguém", em alguma sensação de prazer, em alguma forma de preenchimento; o apego a isso é dor, é sofrimento.

Está claro isso? Talvez você pergunte: “mas por que é assim?” A minha resposta é: “é assim, porque é assim”. Você não pode ver isso, porque não observa. Por isso eu disse que a primeira coisa, aqui, é observar. Comece a observar como a mente funciona aí dentro da sua cabeça, e nesse assim chamado coração, que, também, ainda está na mente. O coração que você conhece ainda é mental. Essa coisa da emoção, do sentimento, da sensação, que você chama de coração, ainda é do ego e faz parte da mente. Quando eu falo do Coração, estou falando desse Espaço de Silêncio, que é Consciência, não desse coração atrelado, ligado às imagens, pensamentos, sensações, sentimentos, e a essa busca frenética pelo prazer. Esse "coração pessoal" é o coração da pessoa, o coração do “eu”, “do mim”, “dessa ilusão”. Isso está sustentando essa crença, a crença desse sonho, do sonho da separação, da separatividade, de uma existência separada.

É preciso confiar nesse Despertar, que significa sair desse sonho, indo além dessa crença. Então, a Felicidade vem (aparece), na sua própria forma, da sua própria maneira... A Paz vem, na sua própria forma, da sua própria maneira... O Amor vem, a Liberdade vem... Todas essas coisas são sinônimas e tudo isso vem sem o pensamento sobre Isso. Tudo o que você precisa é apenas se livrar dessa ilusão, dessa noção equivocada de que “eu estou aqui, nessa experiência, naquilo que acontece, sendo 'alguém', tendo um corpo e uma mente, estando nessa ação"; ainda, "eu sou o autor disso", "eu estou fazendo", "eu estou sentindo", "eu estou pensando", "eu estou resolvendo isso”... Quando você está livre dessa noção, tudo acontece naturalmente; a Felicidade, a Liberdade, o Amor, a Consciência, a Verdade, o fim do sofrimento, tudo isso acontece naturalmente. Não é você como uma entidade presente fazendo isso aparecer. Isso acontece na sua própria forma, da sua própria maneira. Quando essa ilusão desaparece e essa crença termina, a lembrança volta. Você esqueceu, mas estamos aqui trabalhando isso.

Compreender a si mesmo significa ir além dessa ilusão de ser "alguém". Então, aqui se trata de entrar fundo, cada vez mais fundo, nesse real Coração, que é o Silêncio, que é essa Presença, presente além da mente e do corpo... Estar quieto, cada vez mais fundo, mais fundo dentro de si mesmo, transcendendo a mente, o corpo e tudo aquilo que acontece à sua volta. Em outras palavras, transcendendo a ilusão de "alguém" nessa coisa. A mente está viciada em se manter experimentando, fazendo, entendendo, aceitando ou rejeitando, concordando ou discordando, e é necessário soltar isso. Não precisa de "você" nisso, nesse concordar, discordar, aceitar, rejeitar, experimentar. Não é necessário "você" aí, aqui, agora, pois isso é só um hábito, um vício intelectual, sentimental, emocional, que o afasta desta Consciência, desta Presença, desta Liberação, desta Felicidade, deste Amor, desta Paz. Então, sem "você" sua vida transcorre, suas horas e seus dias começam a transcorrer como Meditação, de uma forma natural, sem o peso de um pensador. Assim, tudo acontece naturalmente, ou automaticamente.

Nós estamos em Satsang trabalhando isso, trabalhando a Meditação, que é Consciência, Presença, é estar desidentificado do experimentador nessa experiência, nesse instante, nesse momento presente. Não importa o que esteja acontecendo, não é para "você". Quando os pensamentos vêm a você, para quem são esses pensamentos? Em quem ocorrem esses pensamentos? Quem Sou Eu?

Quando, nessa sensação, nesse sentimento, no falar, no andar, comer, mastigar, você não valoriza mais a ilusão de uma "entidade", o "sentido do eu" perde a importância. Constatar isso é simplesmente espantoso, algo de uma grande e inexplicável beleza. Então, você descobrirá que nunca existiu, nunca houve um “eu”, nem nunca haverá um “eu”, e seus inimigos todos desaparecem, bem como os amigos e todos os vínculos. Você constatará essa Consciência imperecível, indizível, isto que é eterno... Esta Presença, que é Onisciência.... Que não existem outros e o mundo. Essa realidade é Deus. Não existe aquele "Deus" que o pensamento formula.

Você diz: “Mestre entender tudo isso é fácil, o difícil é silenciar, me deixa ansiosa”. É. Entender isso não é possível, ou entender isso ficando ansiosa, como você mesmo coloca, é fácil.

Essa fala não é para ser entendida. Isso é como você estar com fome e eu lhe dar uma maçã, na sua mão, e dizer que apenas olhe para essa maçã, sinta o seu formato, sua cor, o peso dela; que faça apenas isso, e, no entanto, você está com fome. Essa fala, eu não a apresento para vocês entenderem, mas para constatarem, em si mesmos, Isso que não pode ser constatado fora de Satsang. Você pode estar nessa sala, ouvindo essa fala, porém estar em Satsang é "morder essa maçã"; não é sentir o peso dela na mão, a sua textura e cor, nem admirá-la, pois isto é muito intelectual e ainda está na dimensão da mente egoica. A Verdade está no experimentar diretamente, como morder a maçã, porque só assim a fome pode desaparecer. Portanto, venha a Satsang, presencialmente. Quando estiver nessa sala, fique em Satsang. Se você está em Satsang, não há qualquer esforço para silenciar e nenhuma necessidade de entendimento. Esse é o fim do medo, da ansiedade, do futuro. Ansiedade é expectativa de obter, de realizar, de chegar, e isso é futuro. Tudo o que estamos colocando aqui, nesse instante, não está no futuro ou no passado, mas sim além desse presente momento; está em sua Natureza Real, que é atemporal; está fora do tempo.

Ok? Venha a Satsang! Vamos ficar por aqui. Valeu pelo encontro. Namastê.

*Transcrito a partir de um encontro online na noite do dia 26 de Outubro de 2016 via Paltalk
Encontros todas as segundas, quartas e sextas às 22h - Participe!

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