sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Preso a ilusão de ser alguém




Aqui, não é como ouvir um professor, ouvir um ensinamento... É ouvir a Verdade, tratando da Verdade. Então, minha fala atinge você de uma forma direta, mas não são as palavras. Enquanto você me ouvia ontem, uma mudança começou a acontecer dentro de você. Não eram as minhas palavras, era o poder dessa Verdade, o poder dessa Presença. 

Então, repare que nesses nossos encontros abertos, são vários “disparos”, vários “tiros”, mas os outros não sabem aonde isso vai dar, o que isso vai afetar. Se tiver alguém pronto para ser tocado por Isso, vai ser tocado. Quando isto acontece, o sinal é este: a mente silencia, algo dentro de você se abre e você começa a ver algo além das minhas palavras, além dessas falas - é essa Verdade, a Verdade tratando da Verdade. Você é a Verdade, Eu Sou a Verdade, só há a Verdade! 

A ilusão é uma miragem no deserto... A miragem é uma ilusão de algo, como uma paisagem aparecendo no deserto. Mas a Verdade é a Verdade, e é o impacto da Verdade que reverbera em sua Natureza Real. A Realização é a Verdade, e nessa Realização não tem “alguém”. Só tem a Verdade. Essa é a Verdade de um Mestre. Essa é a Verdade do Guru, que é a Verdade do discípulo, da Consciência, do Ser. A sensação é clara; é a clara sensação de que Isso já está sendo aguardado há muito tempo. 

Quando você me encontra, você se encontra! Quando a Verdade se encontra, Ela se reconhece. Ninguém precisa dizer o que você está vendo, ouvindo, percebendo, sentindo... Você sabe! Esse encontro com Deus é um encontro amoroso, é uma constatação da Verdade presente, desse Amor, dessa Liberdade, dessa Felicidade, desse Silêncio! Não dá para descrever Isso. Você pode descrever? Hein? Dá para descrever o que você sente quando olha para mim? Alguém explica? Não é lindo isso?! Não sou Eu, é Você. Só tem Você aqui. Esse Eu Sou é Você. Este é o sinal de que a gente está diante do Mestre: o Mestre é aquele que nos revela o que somos! 

O Mestre é aquele que nos revela que só há um Mestre, que somos nós mesmos. O sinal de que estamos diante do Mestre é que Ele é Real. Nós fomos alvejados e atingidos, e a gente não sabe de onde vem o disparo. Nós fomos alvejados... alvejados por esta Graça, por este Silêncio. Esse encontro com o Mestre, aquilo que somos, silencia a mente, pacifica o coração, e penetra, interpenetra, invade, preenche todo o nosso Ser de Amor. Deus é o Beloved, Deus é o Amado. Este é o Guru. Essa é a Realidade do nosso Ser, a Verdade de nossa Natureza Divina. Você nasceu para realizar Isso. 

Na mente há muitos pensamentos, muitas crenças e ideologias, há muitos conceitos, há muitas teorias... Há... Há... Há tantas coisas... Mas há algo em você além da mente, e esse “algo” não é uma teoria, não é um conceito, não é uma crença. O intelecto não pode cultivar Isso, não pode provar a existência Disso, não pode provar a não existência Disso. Essas falas não estão dizendo algo para o intelecto. Esse espaço de pausas entre as palavras, esse Silêncio entre cada uma das palavras assim colocadas, essa “Coisa” singular, esse profundo, absoluto e extraordinário Silêncio, está comunicando “algo” para essa “Coisa”. E essa “Coisa” se reconhece nesse Silêncio - esta é a linguagem deste “algo”, Disso presente. 

A Verdade tem a sonoridade de uma bela música, que a gente não precisa entender, não há porque entender e não há como entender, mas é possível viver, sentir e perceber Isso, além das palavras... Sentir essa melodia, essa musicalidade... Sentir essa singular Verdade presente Nisso. Reparem que tem uma música na minha fala... Ela é uma música... Toda música é a minha fala; a música sem letra, que reverbera nesse desconhecido Espaço, nesse desconhecido lugar. É essa coisa singular que você traz aí, dentro de você, e que você É, em sua Natureza Real... Que você É, que é Você. 

O meu convite para você é: viva sem a mente, viva sem o ego, viva sem o sentido de “alguém” presente neste instante, neste momento, em cada momento, momento a momento, no momento seguinte, no outro e no outro, também. 

Seu Ser, a sua Natureza Real, não carrega nenhuma necessidade, nenhuma carência, nenhum conflito, nenhum problema. Permaneça em seu Ser. Permaneça no coração. Permaneça fora do tempo e do espaço, fora da ilusão, dessa ilusão de “ser alguém”. Assim, todas as suas necessidades e carências desaparecem, todos os seus desejos e medos desaparecem, todas as suas escolhas e preocupações também. Esses desejos presentes aí são prova de imaturidade. 

Uma fruta que não amadureceu ainda não é doce, não está pronta para se desligar da árvore; ela precisa da árvore por mais um tempo. Na existência é assim que funciona. Carregado dessa ilusão, a ilusão de “ser alguém”, não há Nirvana, não há Reino dos Céus, não há Samadhi, não há Liberação, não há Felicidade, não há Liberdade, não há Verdade.

Quando não há mente, não há desejo. Quando não há desejo, não há imaturidade. Quando não há imaturidade, você está pronto. Então, esse amadurecer é essencial. Satsang lhe dá isso, lhe dá essa condição de viver como, de fato, você nasceu para viver: livre da ilusão do “eu”, do “mim”, do ego, da “pessoa”. 

Com essa imaturidade, com esses conflitos, desejos e medos, com essa ligação à existência, é como a fruta que começa a crescer numa árvore, se mantêm presa nessa árvore, mas leva algum tempo até o dia em que ela amadureça e possa se soltar, se desligar da árvore. No ego você vive assim, preso à ilusão de “ser alguém”.  Você vive assim, mas não é você, é a ilusão deste “ser você”, que você vem há muito tempo acreditando ser. Isso é o que eu acabei de chamar de imaturidade. 

Não existe essa árvore, não existe essa fruta crescendo e amadurecendo, só existe essa ilusão... A ilusão “eu sou o corpo”, “eu estou aqui, nesse mundo, vivendo a minha vida, fazendo as minhas escolhas, tomando as minhas decisões, escolhendo o tempo todo, desejando o tempo todo, querendo ser feliz o tempo todo”... “Indo para fora, encontrando pessoas, com elas me relacionando, encontrando lugares”... E a gente acha que esse lugar, ou aquele lugar, vai nos dar essa felicidade, essa casa. Esse lugar, essa ligação com objetos, também, diversos objetos (carro novo, apartamento, jogo de sofá, quadro para pendurar na parede, uma TV de plasma, colares, brincos...), essas coisas, não dão felicidade. Como há a ilusão de que isso vai lhe dar felicidade, você adquire essas coisas, ou vai morar naquele lugar que você sonha, ou casa com aquele cara (ou aquela menina), tem aqueles filhos que deseja ter e, aí, continua descobrindo que nada se resolveu. É o que eu acabo de chamar de imaturidade. 

Não há Felicidade lá fora, porque a Coisa toda está aí dentro, nesse Espaço, nessa Consciência, nessa desidentificação com mundo externo, dos objetos; com o mundo dos pensamentos, das sensações, dos sentimentos, das emoções; com o mundo das realizações externas. 

Então, você está de volta ao Mestre, ao Guru, à Consciência, à Presença, ao Ser, à sua Natureza Real, à sua Natureza Essencial - é quando Você me encontra, é quando Eu encontro Você, é quando Você se encontra. Não pense sobre isso, não tire conclusões sobre isso, não aprenda as minhas palavras, não repita isso, não intelectualize isso, não acredite nisso, não torne isso uma crença. Entre fundo e descubra Isso, o fato que Isso É... Isso como um fato.

*Transcrito a partir de um encontro na cidade de Fortaleza em Setembro de 2016

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