segunda-feira, 28 de novembro de 2016

O mundo imaginário da mente



Até hoje, você acreditou que Deus viria, que Ele apareceria em sua vida para salvá-lo. Eu estou dizendo que quando Deus chega na sua vida é para acabar com essa ilusão de que você precisa ser salvo, resgatado. Quando Deus chega na sua vida é para o fim dessa ilusão de que você está aí e Ele está lá, de que você estava aqui esperando e Ele acabou de chegar para encontrá-lo; é o fim dessa ilusão de que tem você e Ele.

Reparem nas pessoas em volta de vocês… Do que elas falam? Do que elas tratam? Do passado, de suas experiências pessoais, dos seus desejos, dos seus medos, de suas crenças, descrenças, esperanças, anseios, receios, temores, particularidades… uma busca constante de se autopreencher compartilhando algo com alguém, só para serem importantes, para serem notadas, para receberem a validação da pessoa que elas acreditam ser. Elas estão usando vocês, e vocês, como pessoas, estão usando outras, estão fazendo o mesmo jogo.

Essa conversa sobre coisa alguma não termina nunca! Pura estupidez! A mente conversando com ela mesma! Só mudam os mecanismos, as máquinas. Essas máquinas se veem, ilusoriamente, como entidades separadas em uma relação de reciprocidade, de companheirismo, de amizade, mas isso não é real, porque você não é real. Se você não é real, o outro também não é; e se o outro não é real, com quem você está falando? Quem é você? É só a mente no seu antigo, velho e incansável  “blablablá”. Quando você está comigo, você está em Satsang, e isso significa estar fora da constante e febril atividade desse “blablablá” interno, dessa tagarelice de dizer coisas para si mesmo e para os “outros”.

Estar em Satsang significa estar assentado em Silêncio, e esse é o propósito de vir a mim. Você vem a mim para silenciar, não para devanear. Sabem o que significa devanear? Esse constante passeio que se dá nesse mundo virtual criado pelo pensamento, como essa montanha-russa em 3D, que vimos agora há pouco. Você coloca um óculos e faz uma viagem: você sobe, desce, faz um looping… mas, na verdade, você não saiu do lugar. O ego funciona assim. Ele é tão real quanto essa viagem virtual em 3D com óculos especiais. Você não sai do lugar e, no entanto, você viaja... Uma viagem que não termina nunca, com a qual todos corroboram, a qual todos o ajudam a fazer.  Todos dizem que é assim mesmo, que esse é o padrão, a fórmula, o formato, que é assim que deve ser, e eu venho em Satsang questionar isso. Em Satsang, que significa se assentar em Silêncio, adentrar, mergulhar, nesse Silêncio, eu venho questionar essa ilusão — a ilusão de alguém em uma viagem. Na minha fala, no meu silêncio, no meu olhar, eu estou dizendo:  “Você está aí, não precisa fazer essa viagem; não precisa entrar nesse devaneio; não precisa se mover para esse mundo ilusório do pensamento, da crença, do relacionamento, onde você precisa de pessoas e coisas, onde você precisa estar com o outro para desabafar, para soltar... Soltar o quê? Desabafar o quê? Com quem?

Se você fica com essa dor, você vai além dela; se você compartilha, ela se torna mais forte para manter sua continuidade nessa ilusão, que é a ilusão de alguém nela, de alguém dentro dessa dor. Não tem ninguém dentro dessa dor! Essa dor não vai matá-lo, porque você nunca nasceu, então, não pode morrer. Você não pode experimentar a imortalidade nem a mortalidade. Então, permaneça com essa dor e descubra que ela não tem nenhuma realidade, a não ser nesse seu mundo imaginário do pensamento, no qual você faz uma viagem em uma montanha-russa com um óculos 3D.

*Transcrito a partir de uma fala, durante o horário de almoço durante um encontro presencial
em um restaurante na cidade de Fortaleza em Agosto de 2016

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