segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Você pode perceber as brechas deste jogo?




As sensações são experiências no corpo, enquanto que os pensamentos, as emoções e os sentimentos são experiências na mente. A relação entre essas experiências acontecem numa espécie de jogo virtual, como as imagens que nós vemos nos filmes, as imagens holográficas de alguns filmes. Quando você vê um filme com muitos efeitos virtuais e holográficos, você vê um jogo de aparições, e você toma essas aparições como reais, como sendo aparições reais. Esse jogo de aparições e essa relação entre o corpo e a mente, entre as sensações e os pensamentos, as emoções e os sentimentos, criam uma impressão de realidade. 

Quando você está assistindo a um filme, você tem a impressão de realidade, mas aquilo é virtual, é holográfico; não está ali, mas aparece ali. Você vai percebendo isso muito claramente quando você começa a apreciar esse jogo de fora. Você começa a ver as brechas, os furos, os espaços que acontecem. Você começa a perceber isso, começa a ver o jogo. E quando você começa a ver o jogo como um jogo, você começa a perceber que ele não é real.

Senti vontade de falar isso com vocês...

Eu percebo que é exatamente assim que acontece essa relação entre o corpo e a mente, entre sensações, que são experiências do corpo, e as experiências da mente, como as emoções, os sentimentos, os pensamentos. Na razão em que você começa a “trazer consciência” para essa aparição, o jogo começa a ser visto, porque as brechas começam a ser percebidas, quando, então, você não vê sentido em se confundir mais. Parece que essas brechas, esses buracos, essas falhas começam a mostrar que o jogo é um jogo. Isso vai ficando cada vez mais claro! Isso não é uma coisa intelectual ou uma percepção mental, que seria a própria mente projetando uma luz artificial sobre essa coisa toda. Não é assim… É como se essas brechas, esses intervalos, esses buracos, essas falhas, nessa superprodução, começassem a ficar mais interessantes para você do que a própria história, o próprio filme, as próprias imagens. Na razão em que isso acontece, você vai ficando mais desinteressado na superprodução e mais interessado em descobrir esse jogo, em ver como ele acontece. Só ver, e não entender! Quando você faz isso, você para de se confundir com essas imagens.

Todo esse jogo virtual, ou holográfico, é uma aparição ainda dentro dessa base, dessa “coisa” desconhecida. Não é que isso comece a ser ignorado. Na verdade, isso começa a ser visto sem muita importância. A sensação, a princípio, é como se isso começasse a ser, de fato, ignorado; mas não é! É que perde a importância! Você andou muito tempo viciado no jogo, sem compreendê-lo, sem perceber que era um jogo; viciado no filme sem perceber que era um filme; viciado na experiência sem perceber que era uma experiência… uma experiência… só uma experiência! Uma experiência do corpo, uma experiência da mente... Eu dividi mente e corpo, mas essa divisão também é arbitrária. É uma divisão que só existe aqui nessa fala. Não há nenhuma divisão!

Como exemplo disso, você sabe que, quando os pensamentos passam, aquele primeiro tem que sair para dar lugar a outro. Não é assim? Com o sentimento é diferente? Um sentimento aparece e depois sai para dar lugar a outro. Você nunca vai encontrar alguém triste na alegria ou alguém alegre na raiva. Sempre a experiência anda em fila. Toda experiência tem uma senha. Todo pensamento tem uma senha. O pensamento da senha 3.820 é um; quando ele sai, chega o pensamento da senha 3.821… mas é um de cada vez! O sentimento é assim, a emoção é assim, e mesmo os sentidos trabalham dessa forma. É porque a gente não dá atenção a isso. Isso é muito automático na máquina, no corpo; é muito veloz nessa estrutura. Mas o cérebro consegue detectar naturalmente quem é a bola da vez. Não tem como furar a fila... É uma fila mesmo! Acontece numa velocidade muito alta, mas acontece dessa forma.

Agora, se é assim, o que é que fica no intervalo, no espaço entre um pensamento e outro, entre uma percepção e outra, entre uma sensação e outra? O que é que fica? Esse intervalo, esse espaço ou esse silêncio. Isso está fora do holográfico, está fora da experiência, está fora dessa aparição. Isso é esse buraco, essa brecha, esse intervalo, algo que está fora do tempo!

A sua liberação não é a “sua” liberação, é a liberação da ilusão de que você está nesse jogo. Esse jogo é um jogo divino, é um jogo de Deus. Como exemplo, temos esse  menino que não está bem de saúde… Isso não tem nada a ver com ele e também não tem nada a ver com você. Tem que parar de imaginar! Faça o que tiver que ser feito e se desocupe de preocupações, porque isso não é um assunto seu. Toda e qualquer experiência não é a “sua” experiência; é uma experiência do sonho, é uma experiência holográfica, é uma experiência do jogo.

Participante: Por que alguns acordados interferem nesse jogo?

Mestre: Não tem nenhum acordado interferindo no jogo. Jesus é o exemplo maior disso. Ele disse: “Não sou eu que faço. Eu não faço nada! É o Pai em mim que faz.” Vocês não podem lidar com um acordado vendo alguém ali. Seria como lidar com a Graça, acreditando que Ela é uma forma, um nome, e está no espaço e no tempo. Dessa forma, a Graça seria holográfica, só mais uma miragem. Absolutamente! A Graça tem que, necessariamente, permanecer como Aquilo que sustenta essas aparições, sendo Aquilo que sustenta essas aparições. Ela faz como quer... Ela faz ou não faz; ou quando não parece fazer, está fazendo; ou quando parece fazer, não está.

Se você quer algo da Graça, fale com Ela. Por você ser só uma figura holográfica, não tem a mínima importância para Ela, mas Ela é a dona da figura, e faz como quer com ela. Quando a figura confia em algo maior que ela mesma, ela desiste. Quando ela desiste, a Graça acha muita graça, porque a Graça é pura graça! A Graça ri e faz, mas isso não tem nada a ver com alguém dentro do jogo holográfico, chamado Guru, ou Messias, ou salvador, ou curador.

Participante: Esses são os que menos interferem, Mestre?

Mestre: Não, esses não interferem! Tudo acontece em volta deles naturalmente.

Você sabe que o mar é líquido, mas em algumas partes do oceano ele pode se condensar e perder a liquidez, deixar de ser líquido. Ele fica denso, vira pedra, vira gelo, mas ainda é água. Mar é água – em forma de pedra, fria, gelada, dura, densa, ou em forma líquida, flexível, maleável, mole… mas é água! A Graça é isso! Quando Ela assume a forma densa, petrificada, dura, fria, gelada, é o Guru, e quando Ela é líquida, ainda é o Guru! O efeito de uma pedra de gelo batendo sobre algo é um, e o efeito da água líquida, também batendo sobre algo, é outro; mas é a mesma água. Esse bloco de gelo não decide o que tem que atingir nem decide produzir um efeito, mas, quando bate em algo, ele produz um efeito. Quando aquele mesmo volume de água bate em algo, o efeito é diferente.

Compreendem o que eu estou dizendo?

Essa é a diferença de como a mesma água, a mesma Graça, a mesma Presença, tem efeitos diferentes, em situações diferentes, quando ela está em um formato diferente. Isso não tem nada a ver com o mar, tem a ver com o movimento que ele assume e provoca nessa ou naquela forma, mas isso é natural!

*Transcrito a partir do trecho de uma fala durante um retiro em Tiruvannamalai na Índia em Setembro de 2016

5 comentários:

  1. Ler o que está escrito nesta tela de apariçoes,passa a nao ter importancia...e sim o que se vê nas entre-linhas nao é mestre!!

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  2. Como é maravilhoso poder ouvi-lo, Mestre!

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  3. A coisa mais bonita, que surgiu da fala de um assim chamado desperto foi: No despertar percebi que não havia nada de errado comigo.
    Isso é contagiante, porque no fundo bem lá no fundo, é o que percebemos quando estamos na presença deste que foi além.
    Ele nos leva o tempo todo para isso.
    Acorda, acorda, sai desse sonho maluco.

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  4. Mestre, não vejo as brechas, estou no tempo. E o movimento continua.
    Ainda assim espero, no tempo.
    Os erros e culpa se repetem.
    Qual é a fonte de tudo isso? Onde tudo acontece?
    O filme, apesar dos dramas, tem mais graça do que a tela. A tela é nada.

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    Respostas
    1. Isso é porque voce não está vendo a tela.
      Está vendo a sua projeção sovre a tela, ou o que voce acha dela.
      Por consequencia, voce está no sonho.
      Tudo o que o sonho pode ver, ou projetar ainda é o sonho.
      Quando esse nada brilhar SOZINHO, então a graça te beija e vc está a salvo.
      Não desista.
      No começo parece impossível, depois se torna impossível de não perceber.

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