segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Você não está no controle





Um momento de descoberta, de constatação, é possível dentro de uma investigação, que é o que nós fazemos em Satsang. O que fazemos em Satsang é investigar isso: que você não é quem pensa que é. A ideia é que você é quem pensa que é... Uma ideia que você faz de si mesmo, uma velha, antiga ideia que você tem... Uma dessas coisas que o pensamento produz, Isso faz você acreditar que é o corpo ou a mente, ou que você é o corpo com a mente...

Na verdade, o que você "parece ser", isso também, não é a Verdade, não é verdadeiro. Ouvir isso em um encontro como esse, pela primeira vez, é algo muito estranho. Leva algum tempo para você começar a reconhecer isso de uma forma muito clara. A princípio, quando escuta isso (a ideia de que você não é o corpo e não é a mente), você, também, tem uma confusão. Isso abre brecha para mais uma crença, a crença de que você é uma entidade dentro do corpo, uma entidade espiritual, que você é um espírito dentro do corpo, e isso, também, não é verdade. Então, alguns logo se afastam de um encontro como esse, quando escutam isso.

Você vem acompanhando esse corpo: foi um bebê, depois uma pequena criança, uma menina ou um menino, tornou-se adolescente, depois um jovem ou uma jovem, e agora se torna um rapaz ou uma moça, atinge a meia idade, alguns já passaram da meia idade... Você vem acompanhando o corpo e todas essas mudanças que acontecem internamente, "do corpo para dentro", aquilo que nós chamamos de mente, sentimento, emoções, sensações. Vamos colocar isso de uma forma bem básica, bem simples.

Então, a sua crença é a crença de uma "entidade presente dentro do corpo". Uma pessoa é uma entidade presente dentro do corpo; uma entidade ouvindo, falando, experimentando objetos através dos sentidos, tendo a experiência do tato, da visão, do olfato, do paladar. A ideia é, basicamente, a de que você está aí dentro nessa experimentação. Em Satsang, nós questionamos isso. A não investigação acerca da sua Verdadeira Natureza faz com que você permaneça, até o final dos dias do corpo, nessa crença. Isso tem incríveis implicações, medonhas implicações, extraordinárias implicações. 

A maior implicação disso tudo é estar em um sonho, se confundindo com a mente e com o corpo nessa experiência do mundo, sem perceber que tudo isso é um sonho, que é só algo que o pensamento está produzindo neste estado de vigília. Essa insatisfação interna, esse sentimento de inadequação, de que falta alguma coisa, é algo sempre patente, sempre claro, em alguns momentos mais do que outros, mas é, basicamente, um estado mental, que é esse estado de sonho bastante complicado.

Isso significa a ilusão de "alguém" no mundo; o mundo é uma coisa, você é outra coisa e Deus é outra coisa. Então, nós temos aí uma dualidade, "eu" e o mundo, e uma luta permanente na procura do prazer, no desejo pela felicidade, pela paz, pela liberdade, por uma vida completamente feliz e livre, completa, junto a isso uma completa fuga de tudo aquilo que possa produzir sofrimento, dor, conflito, problemas. Mas, apesar disso, tudo continua da mesma forma, com uma insatisfação, uma luta e um medo constantes. 

A mente está produzindo um estado após outro, uma tremenda inquietude, um movimento inquieto e constante do pensamento. Esse estado, nessa ilusão, nesse sonho, é um estado de profunda miséria, que é amortecida, muitas vezes, por esses breves momentos de prazer e de alegria, causados pelo ambiente externo, e, quando isso falta, falta alegria. Então, você vive nessa dualidade, dor e prazer, medo e desejo; numa guerra interna, na busca de uma paz constante; na infelicidade procurando a felicidade, infelicidade essa que a mente produz na procura de uma felicidade que ela mesma imagina.

Essa é uma fala muito básica para quem está aqui, pela primeira vez, neste encontro. Embora você não esteja aqui para ouvir uma palestra, um ensinamento, estamos apenas fazendo algumas observações, algumas confissões. Isso é algo que você pode perceber com muita facilidade: tudo o que a mente pode experimentar são aparições. Essas aparições têm a mesma qualidade dos sonhos que você tem à noite. Isso está aqui, agora, e daqui a pouco não estará mais. Mesmo essa alegria deixa um vazio, deixa uma falta. O mundo parece real, mas é só um sonho.

Afinal o que é esse mundo? Se você verdadeiramente acorda, sai deste sonho, o que é que acontece com este mundo? Então, todo o seu sofrimento, seu desejo e medo estão nesse sonho; toda a sua procura está dentro desse sonho. E se você acorda desse sonho para onde vai esse mundo?... Esse mundo de pessoas?... Na verdade, sua família é um sonho, sua casa é um sonho, sua saúde é um sonho, sua realização profissional, também, é um sonho, e tudo isso pode ser tirado de você.

Assim, como o próprio corpo é um sonho, isto pode desaparecer repentinamente e você não tem qualquer controle disso... É um sonho acontecendo, nada é certo, nada é seguro, nada é eterno, tudo está mudando, e aquilo que está aqui, agora, daqui a pouco não estará mais. Agora, a coisa começa a ficar um pouco mais assustadora... Você pensou que ia viver para sempre... Aqueles que você diz amar, um dia, não estarão mais aqui, você também não estará mais aí para eles.

A questão é: o que acontece com seu mundo, se você acorda? 

Pois eu posso lhe dizer neste encontro: esse seu mundo desaparece, e quando esse seu mundo particular desaparece a vida fica "como ela é"... E "como ela é" não há conflito, não há desejo, não há medo, não há problema, não há sofrimento, porque não há ilusão, porque não existe essa ideia de controle, de posse, não existe mais essa ilusão de "ser alguém" e de ter alguns valorizando, dando importância a esse alguém... É quando é possível o fim dessa ilusão de viver e de morrer, de ser feliz e infeliz, de desejar e temer.

Se você acorda desse sonho, não há mais sonho. Nesse sonho, você vai a lugares, conhece pessoas, casa-se, tem filhos, tem uma casa; é uma criança, depois um adolescente, depois um jovem, um rapaz, uma moça, na meia idade, na terceira idade, envelhece e morre adoecendo – isso se não lhe acontecer um acidente e você puder ver o corpo envelhecer – mas nada é certo. Nesse sonho, está acontecendo tudo isso, e eu quero lhe dizer que há Algo aí que está além desse sonho. Há Algo aí que está além desse mundo, que está além dessa experiência pessoal, e é disso que tratamos em Satsang. Esse Algo aí é essa Presença real, é essa Consciência divina, é essa Presença de Deus, é essa Consciência da Verdade sobre si mesmo, e isso é o fim do sonho. 

Portanto, não se preocupe, pois nada irá acontecer a Você! Tudo está acontecendo somente no sonho. Escutem isso com atenção: nada jamais aconteceu, nada jamais acontecerá, tudo sempre aconteceu e tudo sempre continuará acontecendo, mas apenas no sonho. Você não é esse sonho. Você não está dentro desse sonho... Está fora dele, como Presença, Consciência, Verdade, Felicidade, Paz, Amor e Liberdade. Esta é a sua Natureza Real! Você não precisa acreditar no que estou dizendo. Você pode entrar fundo e descobrir isso por si mesmo, e ir além do medo, do conflito e do sofrimento. Chamam isso de Despertar, Realização, Iluminação... Não se preocupe com os nomes. 

Vá além desse sentido de um "eu" presente, esse "eu" com saúde ou doença, vivendo bem ou mal, sendo feliz ou infeliz, porque isso tudo são apenas conceitos, crenças, ideias, pensamentos, e isso é o sonho. Você está muito apegado a essa "pessoa", e essa pessoa é o sonho. Você está muito apegado a outras pessoas e essas outras pessoas fazem parte desse sonho - esse sonho da "pessoa" que você acredita ser. 

Você está muito apegado a essa vida, que são essas coisas que lhe cercam, como o corpo, os objetos, a mente e as experiências sensoriais, mas isso não é Você, não é a sua Vida Real. Você está apegado a objetos, a lugares, a uma casa, a um carro, enfim, tudo isso que é parte desse sonho, e eu quero que você descubra como observar isso, para você poder ir além disso, ir além desse apego. Isso significa estar além de apego e desapego, além da ilusão de ter e não ter, de ser ou não ser. Então, essa Realidade chega e se apresenta da sua própria forma. 

Quando essa Realidade se apresenta, você se realiza como Amor, como Paz, como Felicidade, como Completude. Quando eu digo "você se realiza", é você constatar essa Presença aí, Isso que já está aí, não é realizar no sentido de fazer; aqui é realizar no sentido de constatar essa Paz presente, esse Amor, essa Felicidade. Isso acontece sem qualquer pensamento ou crença sobre isso; na verdade, as crenças, as ideias sobre Isso, impedem Isso, afastando você Daquilo que está presente como essa Realização. Essa Realização já É, já está aqui, além da ideia "eu sou o corpo", "eu tenho a mente"; além da ideia de um fazedor, de "alguém" fazendo algo. Nós temos que insistir muito nisso, temos que perseverar nisso. 

O participante diz: "mas a ilusão de livre arbítrio e controle é muito preciosa nesse sonho". A questão é: para quem? A questão é: quem conhece esse livre arbítrio? Quem conhece esse controle? 

Quando essa Realidade chega, quando ela se apresenta, você pode rir de tudo isso, afinal quem está sofrendo? Quem é esse que quer fugir do sofrimento? Quem é esse que acredita poder controlar? Existe um Poder que cuida de tudo, que realiza tudo, que faz tudo do jeito que quer! Não tem alguém nisso, no controle... Não tem alguém nisso, nessa suposta liberdade de fazer o que quer. 

*Transcrito de uma fala online na noite de 22 de Agosto de 2016
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