terça-feira, 25 de outubro de 2016

Pare de valorizar uma ego-identidade





A fala é algo que acontece dentro desses encontros, e nós a acompanhamos, mas, na verdade, você não necessita dela. Esse poder do Silêncio, essa Presença, é tudo o que nós precisamos nestes encontros. A relevância da fala está nesse Silêncio. Eu não tenho nada novo para dizer a você. Minha fala é apenas uma confissão desse Silêncio. Eu tenho simplesmente uma confissão de sua realidade, de minha realidade. Portanto, não é um ensino. Se fosse um ensino, necessitaríamos de palavras.  

Nesses encontros, nós temos apenas essas colocações. A relevância dessas falas é aquilo que é visto diretamente do Silêncio. Essas colocações não possuem nenhuma relevância verbal, em nível de palavras. Estamos dizendo coisas que você precisa, por si mesmo, confirmar, mas não intelectualmente. Não é possível confirmar estas falas no âmbito do intelecto. Essas falas são uma confissão; uma confissão de sua própria realidade.  

O que você parece ser não é a Verdade. Você não é o corpo e não é a mente. Eu só posso colocar isso como uma confissão. Não tenho como lhe provar isso intelectualmente, você precisa descobrir por si mesmo. Quando eu digo que você não é quem você pensa que é, você tem que confirmar isso, descobrir isso por si mesmo. É necessário que você veja isso diretamente, não intelectualmente. Essa é a minha confissão, mas isso não serve para você, porque ainda é só uma crença, até que você vá além da mente.  

Se você vai além da mente, aí já é a confissão de sua realidade, já não é algo particular, não é uma crença particular, não é uma experiência de uma pessoa . Isso é simplesmente assim, Você não precisa acreditar em mim! A minha experiência é que você é “Ser-Consciência-Felicidade”. Esse Silêncio, que é Consciência, revela isso, não as palavras. Se você entra fundo em si mesmo e dá um salto para fora da mente, então fica claro que há algo além do corpo, além da mente, além das experiências dos sentidos. Enquanto você se confunde com a mente, a sua experiência é puramente mental; enquanto se confunde com o corpo, a sua experiência é sensorial.  

Afinal, o que é este mundo? A experiência deste mundo é como a experiência do sonho. Você tem um sonho e quando acorda se lembra do mundo do sonho. E essa é uma experiência “corpo-mente-mundo”: no sonho, você está indo a algum lugar, está se casando, tendo filhos, envelhecendo, está doente ou em algum perigo… e, quando você acorda, percebe que aquilo só estava dentro da sua cabeça. Essa é a sua experiência de sonho que, enquanto acontece, é muito real. Tudo o mais é assim, está apenas em sua mente, em sua cabeça. Então, você acorda e vê que era só um sonho. 

Essa sua vida “mente-corpo-mundo” é algo semelhante a isso, e você se identifica com essa história. Isso não acontece mais no estado natural. Quando você está livre dessa identificação com o sentido de um “eu” experimentador, você está livre da ilusão de que esta vida é real. Esse é o estado do Despertar ou Iluminação, como você queira chamar isso. Tudo continua acontecendo, mas não tem mais aquela importância que antes o ego dava. O ego dá muita importância às suas experiências. 

Então, comece a trabalhar isso. Desconsidere, abandone a valorização dessa ego-identidade presente nessa experiência de pai, de filho, de marido, de mãe, de patrão, de empregado, de estar saudável ou doente, de ser isso ou aquilo, de ter dinheiro ou não, de ter um nome e uma história... Tudo fantasia! Alguém sonha que é um rei e outro sonha que é o bobo da corte desse rei. Ambos se encontram no mesmo sonho, e, quando acordam pela manhã, descobrem que são só amigos de colégio, nem um é rei nem o outro é bobo da corte desse rei. Portanto, não se preocupe, nada pode acontecer a você. Você se apega a essa experiência de sonho, e eu digo para você: não se preocupe. Por isso, chamam de Acordar, de Despertar, esse estado natural, que é exatamente isso: sair desse sonho, desse estado hipnótico. 

Deus é a única realidade. Existe só um Ser e todos nós somos Isso. Então, quem é que sofre? Não é o corpo que sofre, é a mente, é esse sentido do “eu” que sofre; a ideia de alguém presente...


*Transcrito a partir de uma fala de um encontro online na noite de 28 de Setembro de 2016 
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