sábado, 1 de outubro de 2016

Esse espaço silencioso de ausência do ego




É muito fácil você se perder no mundo mental, nessa viagem da mente para o mundo, para "o seu" mundo. No entanto, quando você está em Satsang há uma facilidade muito grande de você ficar no presente, ficar agora, aqui, sem essas flutuações da mente, sem esses devaneios.

A mente funciona assim: ou você vai para o passado ou vai para o futuro. A mente egoica não conhece o agora, não conhece esse momento, esse instante; ela não tem interesse nesse instante. O interesse que a mente egoica tem nesse instante é de transformá-lo em algo do qual ela possa se recordar, ou em alguma coisa que ela tenha o objetivo de obter. Ou seja, esse momento é interessante para que ela obtenha coisas no futuro ou para que depois ela se recorde dele no passado.

E você já observou que quando nós estamos juntos em Satsang, quando eu olho para você, eu dou um "stop" aí na sua mente e o trago para este momento? Aí, há esse Vazio, esse Espaço silencioso de ausência do ego. A energia do Silêncio, dessa Presença, traz você para este momento, que é o momento da atenção pura, da atenção desanuviada, da atenção livre das nuvens do passado ou do futuro.

Então, aqui é muito fácil, pois você está em seu lugar, em casa; você está fora do ego, fora do tempo, fora dos problemas que o ego conhece. Mas, quando você sai, quando se afasta um pouquinho, o mundo comum do ego, o mundo da mente, retorna.

Então, essas entradas e saídas desse estado são o que o ego conhece. Nessas entradas e saídas, ele tem a lembrança do que foi e de que algo faltou para ele, mas fica em você uma nítida impressão interna de que essa ausência da pessoa é esse Espaço de Silêncio, de Alegria, de Bem-aventurança e de Liberdade. Isso é muito fácil aqui, presencialmente.

A Presença do Guru é como se fosse uma bomba de Consciência. Quando ele chega, você está diante dessa bomba, aí ela explode e você é trazido para esse Espaço. Esses encontros presenciais têm esse poder: o poder de colocar a máquina aí numa condição de acessar este Estado Natural de desidentificação da mente e do corpo.

Então, quando você se assentar aqui, ou sempre que estiver comigo, obedeça ao que é intuitivo aí, ao que já é natural. A Consciência está se encontrando - para eu não usar a palavra se procurando. Portanto, é intuitivo, já é natural, aí, você buscar o Darsham, buscar esse olhar do Guru. Assim, há esse acesso a esse Espaço, que não é um espaço, que é Aquilo que contém todos os espaços.

A coisa mais importante, em Satsang, não é a fala do mestre, mas é o poder da Presença aqui. Não é o que ele diz, é o que ele É. Assim como, para você, o mais importante não são as perguntas que você tem, mas a sensibilidade ao Silêncio que você já traz aí. É isso que responde todas as perguntas ou que finaliza com todas as perguntas, pois é isso que extermina o perguntador. O grande poder do Satsang está no olhar do Guru. Ali está a Presença, ali está a Graça, está o acesso a esse Espaço. Fica muito mais simples você observar os movimentos inquietos da mente aqui, em Satsang presencial. É muito mais fácil.

Atenção é essa observação cuidadosa, paciente, dedicada, que o faz observar todo esse movimento externo e interno sem se perder nele. Eu vejo você se perdendo no que os olhos estão vendo e, quando você se perde, você se identifica com a história que o cérebro conta. O cérebro sempre conta uma história sobre aquilo que ele escuta, sobre aquilo que ele vê. Então, você olha alguma coisa e o cérebro conta uma história; você não fica no olhar, no estado de Atenção plena, de pura Consciência.

Funciona assim: você olha para esse objeto e o cérebro, no hábito dele, já começa a classificar, a imaginar, a rotular, a dar nomes... É rápido! O movimento do cérebro, por prática, é associativo, então, um pensamento surge e desencadeia um outro, que desencadeia um outro...

Annamalai Swami dizia assim: "Se o pensador retirar sua atenção dos pensamentos que surgem ou desafiá-los antes que eles tenham a oportunidade de se desenvolver, os pensamentos irão todos morrer de fome. Você os desafia ao repetir várias vezes a si mesmo[...]" Aí, já entra a técnica de Ramana: "[...]quem sou eu? Quem é a pessoa que está tendo esses pensamentos?"

A minha dica ainda é mais direta: você não deve perguntar, mas sim olhar.   Só olhar, e você já estará de volta ao lugar da testemunha. Só olhar basta. Não há pensamento, e quando não há pensamento, você está diante desse Espaço sem medidas, imensurável. Isso é Meditação!

*Transcrito a partir de um trecho de um encontro no Ramanshram Gualberto 
na cidade de Campos do Jordão, São Paulo, no mês de Agosto de 2016

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