sexta-feira, 28 de outubro de 2016

A questão é: Quem é você?




Esse convite em Satsang é um convite para deixarmos essa ilusão da separatividade. Onde existir qualquer divisão, qualquer separação, deve necessariamente haver conflito e conflito é sofrimento. A expressão “acordar” sinaliza isso. A questão aqui é acordar, é o fim do sentido de separatividade, é o fim da separação, é o fim dessa ilusão de um "eu" presente no mundo (eu e o mundo) - essa antiga e bastante conhecida sensação de "ser alguém" experimentando o mundo. 

Esta é a ilusão da separatividade: “você e o mundo” - você dentro do corpo e o corpo dentro do mundo; você dentro, o corpo fora e o mundo mais distante ainda. Ou seja, é a separação entre mente/corpo/mundo, e aí nós colocamos um elemento a mais, que é Deus; então é mente, corpo, mundo e Deus. Mas, com toda essa multiplicidade de aparições, são apenas aparições. 

É como quando você deita e alguns minutos depois está despencando, rolando, caindo de uma montanha, eu apareço ao seu lado e digo: "espere, não se preocupe, isso não está acontecendo, é só um sonho". A sua experiência de mundo é uma experiência de queda, queda de uma montanha, em direção ao abismo e o medo é muito... muito assustador. Eu apareço e digo: "Relaxe. Isso não é real, é só um sonho; isso não está acontecendo, você acabou de deitar e está tendo um sonho". A sua experiência de vida, de mundo, é exatamente assim. Eu não falo isso de uma forma metafórica, mas, sim, de uma forma literal; literalmente, é assim. Você está exatamente em um sonho, e nesse sonho coisas boas acontecem, mas também coisas ruins. Elas acontecem para você. 

A questão é: quem é você? Eu afirmo que você é uma ilusão dentro do sonho. Você é esta entidade presente neste sonho, é a pessoa presente no mundo, caindo de uma montanha. A sua experiência é essa. Afinal, qual é a sua experiência do mundo? Se você acorda desse sonho, o que acontece com este mundo? Você pode até se lembrar do sonho, mas sabe que é um sonho, que aquilo tudo foi um sonho. No sonho você nasce, torna-se uma criança, cresce, torna-se adolescente, jovem, namora, casa, tem filhos, depois tem netos, e até tem bisnetos, se o corpo continuar neste sonho por algum tempo. Enquanto você passa por tudo isso, a experiência é a experiência do sonho. Eu apareço do seu lado e digo: "Relaxe. Isso não está acontecendo, parece que está mas é só um sonho, você acabou de deitar na cama". 

Assim, esse sonho se processa dentro do sentido de dualidade: "eu e o mundo", "eu e o outro", "eu e a vida". Esse é o sonho dessa, assim chamada, "minha vida", essa vida comum à mente. Nesse sonho, onde tem eu, o corpo, o mundo e Deus, você vê tudo acontecendo a partir do ponto de vista de uma entidade presente nesta experiência corpo/mente/mundo/Deus. Da mesma forma, você está preso às experiências sofridas, amargas, duras, difíceis; às experiências de sofrimento, como a pobreza e doença, ou a perda daquilo que este "eu" aprecia, como a morte dos parentes e entes queridos. Então, há muito medo. O medo é a nota tônica, a nota principal, nesta música chamada dor da separatividade, dor da ilusão da separação.

Você está preso a si mesmo, à ideia desse "si", desse "mim", desse "eu", e fica preso a conceitos, como: saúde e doença, o bem e o mal, felicidade e infelicidade, alegria e tristeza, prazer e dor. Mas, na verdade, tudo isso são apenas conceitos. Você está preso a estes conceitos, à pessoa, ao conceito de vida no mundo; preso ao sonho, a essa ilusão da "pessoa"; preso às outras pessoas, a lugares, a coisas; preso às experiências, a esses conceitos de saúde e doença, alegria e tristeza, e assim por diante.

Eu apareço ao seu lado, como uma voz dentro desse sonho, e digo: "Relaxe. Isso é só um sonho. Apenas observe. Observe à sua volta. Não se prenda a si mesmo, a esse 'mim'. Apenas observe o que acontece, não dê identidade a essas experiências. Vá fundo nessa investigação, nesse mergulho em sua Real Natureza. Acorde. Saia do sonho". Eu Sou essa voz que aparece em seu sonho, para tirar você desse sonho, tranquilizá-lo quanto ao sonho e ajudá-lo a perceber que isso é só uma crença, uma prisão de conceitos. 

Eu apareço e digo para você: "Essa felicidade e infelicidade, esse prazer e dor, essa saúde e doença, esse ganhar e perder, essa noção de parentes, amigos, propriedades, casas, móveis, imóveis, tudo isso é parte desse sonho; não leve isso muito a sério, não dê valor a isso. Vá além disso, desse sonho. Acorde. Compreenda Aquilo que Você é. Compreenda a si mesmo!"

Compreenda que você não é o autor, não é o fazedor, não é o senhor, o controlador; não é aquele que está no comando... É só um sonho. Assim, como você não comanda o sonho à noite, você não comanda este sonho agora, durante o dia, este sonho de vigília. Você não está nesse controle. Este sonho é só um sonho divino, não é um sonho da "pessoa"; é um sonho onde a pessoa é parte desse sonho. A pessoa é somente parte desse sonho, mas não é a "pessoa" que controla o sonho.

Então, pare e observe, não se confunda com isso, não se prenda a essas experiências, não se identifique com isso, não dê identidade a isso. Isso está só como uma aparição, não é real e não está acontecendo separado da mente. Na mente, isso está acontecendo, mas não está acontecendo separado dela. A mente presente está produzindo esse fenômeno. Na Consciência, em sua Real Natureza, isso é só um fenômeno, como uma aparição. Uma aparição não está acontecendo, mas para a mente está acontecendo. Para a Consciência, tudo é Ela mesma. A própria Consciência é essa expressão e, como não está separada, tudo está acontecendo para Ela... E Ela é você.

Está claro isso? Vou repetir de novo. Aquilo que acontece, acontece quando tem um observador que percebe aquilo que acontece, e eu estou convidando você a observar isso que acontece. Quando faz isso, você se desidentifica do que acontece. Assim, isso desaparece enquanto um acontecimento separado daquilo que Você é como Consciência, e deixa de ser real, pois a mente desaparece. Então, não há dualidade, não há separação, não existe "alguém" observando isso, não existe o experimentador e a experiência, não existe "eu" e o mundo, não existe o sonho e a mente sonhadora. 

É uma única Presença, uma única Consciência. Não existe nada separado da Consciência, inclusive essa aparição a que você está dando realidade, quando se vê separado dela. Quando você se vê separado dela, a dualidade está presente. Quando você para de se ver separado dela, ela desaparece, como um sonho. A Consciência, que é essa Presença, que é você em sua Real Natureza, é tudo o que acontece ou tudo que parece acontecer. Mas, como não há separação, não há conflito, sofrimento, conceitos e ideias sobre isso; não há dualidade. 

Isso se torna muito importante, porque a mente dá importância a isso, como algo que ela separa, nela mesma, para se ver diferente. Quando ela faz isso, quando se separa, ela se assusta, mantendo e sustentando o medo. Então, ela mantém e sustenta essa existência separada, essa vida separada, a ilusão da separação, da separatividade, portanto, todo o medo, todo o conflito, todo o sofrimento.

No fim dessa ilusão da separação, da ilusão da separatividade, da ilusão de um sonho e de "alguém" presente nessa experiência de mundo, a Verdade e a Felicidade estão presentes; não o conceito de felicidade, mas a real Felicidade. A Paz também está presente; não o conceito de paz, mas a Paz. Mas primeiro você precisa estar livre dessa noção equivocada de "eu sou o corpo", "eu sou alguém", "eu sou o fazedor", "eu estou fazendo", "eu estou no controle".

Todo o problema é só um conceito, um conceito para "alguém". Quando essa ilusão, que é essa ilusão de "alguém", não está, não há problema, porque o conceito desaparece. Quando o conceito entre o que é e o que não é, o certo e o errado, o bem e o mal, o que deve ser e o que não deve ser, quando esses conceitos caem não há problema. Isso cai quando a ilusão do "eu" cai, a ilusão desse que está vivendo isso, valorizando isso como um experimentador, desaparece. 

É necessário ir além dessa ou daquela experiência. Tudo o que você pode viver, valorizando suas crenças e a ideia de "alguém" presente aí, está vivendo dentro destes conceitos, e isto é problema, é conflito. Tudo isso está dentro da ilusão da separação, da separatividade, da dualidade. Poderíamos falar muito mais coisas sobre isso, mas nós estamos colocando isso de uma forma mais direta, porque precisamos falar muito sobre isso. 

A questão é: "Para quem tudo isto está acontecendo? Para quem estes pensamentos, por exemplo, que passam aí na cabeça, estão acontecendo? Estes pensamentos, que passam aí, estão acontecendo para quem?" Reparem onde começa todo o jogo, todo o sonho, todo o sentido de separação. Estes pensamentos, que estão aparecendo aí, para quem acontecem? Qual é a sua resposta? Estes pensamentos aí estão acontecendo para o seu vizinho ou para você? Você tem a sensação de que estes pensamentos estão acontecendo aí nessa cabeça, para o seu vizinho ou acontecendo para você? 

Participante: Para mim...

Mestre Gualberto: Exatamente: para “mim”. Agora, o que é esse mim? Por exemplo, os pensamentos aí são pensamentos do vizinho ou pensamentos específicos desse "mim", desse "eu", dessa "pessoa", aí? Os pensamentos dentro dessa cabeça, aí, são pensamentos da história do vizinho ou da história dessa "pessoa", aí? Exatamente: para “mim”. 

Aqui começa todo o sonho, todo o truque da mente. Pois, se você continuar confiando nisso, vai continuar pensando, vai continuar se ocupando com pensamentos. Aí está o começo desta dualidade. O conceito principal é: "eu" estou aqui. Então os pensamentos são para "mim", a vida é para "mim"; o que acontece, acontece para "mim"; o que acontece de bom é para "mim"; o que acontece de ruim é para "mim". Então, a partir deste centro ilusório, surge o mundo. Quando surge o mundo, tem "eu e o mundo" - esse é o sonho; essa é a ilusão; esse é o sentido de separatividade; essa é a dualidade.

A dualidade é algo muito simples de ser percebido: eu e qualquer outra coisa aparecendo (o pensamento, o sentimento, a sensação,  a experiência...) Assim, o outro só surge depois de "mim", assim como o mundo e o sonho surgem somente depois de "mim". Estou dizendo que só há Realidade, Verdade, Consciência, Presença, não existe sonho. Ou tudo que parece acontecer é essa Consciência, porque não há separação, porque não há dualidade, não existe o mim e o outro, o mim e o mundo, o mim e a experiência, não existe a mente e a Consciência. 

Na realidade não há nenhuma mente, como não há nenhum mundo, como não há nenhum eu. É somente o pensamento que produz isso. Você está tão viciado em se identificar com estes pensamentos e tão acostumado a se ver como o corpo, sendo "alguém" dentro dele, que você cria este mundo. Você está tão viciado na ideia deste "mim", deste "eu", que está criando esta ilusão. O detalhe é que essa ilusão é só uma aparição sem qualquer importância. O que dá a essa ilusão a “verdade”, a “realidade”, é o hábito; é esse vício de valorizar pensamentos, sensações, sentimentos, experiências, e colocar tudo isso dentro de uma ótica pessoal, acontecendo para "mim". 

Por isso a pergunta é: quem é você? 

Ok, pessoal. Vamos ficar por aqui. Namastê.

*Fala transcrita a partir de um encontro online na noite de 3 de Outubro de 2016 via Paltalk 
Encontros todas às segundas, quartas e sextas às 22h - Participe!

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