sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Você está pronto?


O que me parece o grande problema é vocês não compreenderem o que vieram fazer aqui. Colocam tempo, dinheiro, chegam aqui e não compreendem que esse momento, aqui, é um momento de bem-aventurança, de Consciência; é um momento de Liberação, de Amor, de Deus na sua vida; é um momento de Verdade, mas parece que vocês não valorizam isso. 

Tem sido assim há milhões de anos. A ilusão tem se sustentado, permanecido, em particular, há milhares de anos, para o, assim chamado, ser humano, e você, vindo ao Satsang, tem um recado desse... É a Consciência, a Presença falando com você. É a Verdade se expressando para você, mesmo ela não precisando se autoexpressar. Ela, que não se expressa nunca, coloca Isso numa linguagem humana, também, para você ir além dessa ilusão de "ser um ser humano", para que você seja somente O que Você é, mas você não aprecia isso. 

Alguém ontem perguntou: "Você pode me dar Isso? A gente pode receber isso?" Perguntaram isso para Ramana. O U. G. Krishnamurti, quando foi até Ramana, perguntou: "Senhor, existe iluminação?" Ramana respondeu que sim. Então, ele perguntou, ainda:  "Senhor, você pode me dar isso?" Ramana olhou em seus olhos e disse: "Posso, mas você pode receber?" 

Então... você está pronto? Esta é a pergunta. Parece-me que essa é a grande dificuldade. Vocês parecem que estão vindo assistir a um palestrante, ouvir um terapeuta... Não sei... Parece que, nessas falas, eu tenho que convencê-los de que vocês precisam Disso. 

Vocês não vêm nem com a maturidade de perceber o quanto é infantil não reconhecer a Verdade, essa coisa tão premente, tão urgente, de ir além do ego, do “eu”; ir além dessa ilusão, dessas crenças de ser uma "pessoa" no corpo, como a namorada ou o filho de alguém; o pai, a mãe... Eu fico aqui e parece que tenho que tentar convencer uma de vocês de que ela não é mãe, que não tem ninguém como mãe, que é uma mentira isso. 

Todo dia você acorda pela manhã para reconhecer que você não é uma pessoa e que não faz a menor diferença, como uma entidade separada, nesse planeta Terra, muito menos no Universo.

O corpo volta para a terra, o corpo é da terra, o corpo é a terra. Não tem mais nada. O corpo vai para a terra. O corpo é composto de quê? De água, cálcio, sais minerais... é tudo terra, terra e água... Acabou... O resto são só sonhos, semelhantes aos sonhos que você tem à noite. Quando você sonha que está fazendo algo e acorda, percebe que aquilo era uma mentira, não era real. É a mesma coisa essa "sua vida” aqui; é só isso: um sonho. Compreendem isso? Um sonho, mas nesse sonho você acredita que é mãe, que tem que tomar conta, proteger e que tem que salvar, ajudar, apiedar-se, que "tem que"... Tudo mentira, faz de conta. 

Para o Jnani, aquele que está livre do ego, tudo é uma grande comédia, uma grande piada, uma coisa muito engraçada, porque Ele não se vê separado de nada. Tudo é esse Amor, essa Graça, essa Liberdade, mas Ele não está nesse sonho (de ser pai, mãe, filho, mulher, namorada...). 

É preciso abandonar esse sonho. Como vocês vão trabalhar essa Liberação se não começarem a fazer isso agora, já? Vocês têm que fazer isso agora! 

Alguém diz assim: "Mas... olhe, eu não estou pronto." Se você não está pronto, dê seu jeito, torne-se pronto, porque o momento é este. Você não pode deixar este momento para depois. É agora que você tem que se tornar pronto, porque ninguém tem que se tornar pronto no seu lugar... é você mesmo! Se você não está pronto, fique pronto agora! 

*fala transcrita a partir do encontro presencial de João Pessoa em Julho de 2014

3 comentários:

  1. EM QUE MOMENTO ESTAMOS VIVENDO?

    Já fomos crianças, adolescentes, adultos, velhos,alguns quase no momento de partir. O que observou ou observa tudo isso?
    Esse que observou é diferente desse que observa?
    Por isso é inteligente mudar a percepção de que tudo está acontecendo para mim, para tudo está acontecendo em mim.
    O corpo está acontecendo em mim. Quando? Agora,sempre agora.
    O que mais está acontecendo em mim?

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    Respostas
    1. Outro anônimo, ou seria o mesmo?27 de setembro de 2016 09:06

      Parabéns, se a compreensão aconteceu e não se trata de repetição de terceiros.

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  2. Se fosse algo que exigisse esforço, sacrifício, renúncia, talvez entendêssemos essa linguagem. Fomos ensinados a ir por esse caminho.
    Se fosse algo que exigisse compreensão,bastaria o uso do raciocínio, a busca do entendimento.
    Como é um simples ver,é muito simples para ser verdade. Os olhos veem sem a necessidade da mente. Quando é assim, o que nos separa?

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