sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Quem quer a Verdade?


A realidade presente, que é nosso próprio Ser, é essa Realidade. É nesse contato que você estabelece novamente uma ligação direta com o “coração”. Aqui, o coração se refere a essa absoluta Realidade, essa pura Inteligência. A mente tem se afastado do coração, por estar agindo de uma forma independente, e assim tem criado todo tipo de dano, quando ela faz você acreditar que você é “alguém” no mundo. É apenas isso que a mente tem feito: tem lhe dado a crença de que você é mundano. 

Esse trabalho se propõe a ajudá-lo a perceber essa Realidade, essa Inteligência absoluta. Isso só é possível quando você retorna ao Coração, com nossa fala, nosso olhar, ouvir e sentir, enfim, a nossa vida estabelecida inteira e completamente no Coração, nessa absoluta Realidade, Inteligência pura. Quando essa absoluta Realidade está brilhando em toda sua glória, graça e esplendor, nós temos presente essa Inteligência absoluta, essa Sabedoria absoluta.

É como um dia de sol sem nuvens. Quando tratamos dessa realização, nós estamos tratando dessa absoluta, pura, Inteligência, que é esse dia de sol sem nuvens. Quando a mente egoica aparece é como uma pequena nuvem que cobre esse sol. Um dia Ramana levantou um dos seus dedos e disse: “esse dedo é um dedo pequeno, mas ele pode cobrir o sol”. Quando você coloca o seu dedo na frente de um dos olhos, é um dedo pequeno, mas ele pode cobrir, ocultar o sol. Quando uma nuvem pequena surge lá em cima, ela, também, pode cobrir o sol. A pessoa, em sua ignorância, diz que não existe sol, porque não pode vê-lo. 

Quando você olha daqui, uma nuvem do tamanho de uma mão é suficiente para cobrir o sol. Mas é você quem vê o Sol coberto, oculto, escondido. Essa é a “pessoa”, em sua ignorância. É a ilusão lhe traz essa experiência. Quando a nuvem cobre o sol, a pessoa ignorante diz que não existe sol, porque ele, ou ela, não compreende claramente isso: o sol está sempre ali, brilhando. O que está cobrindo o sol, na realidade, é só uma experiência, uma ignorante experiência pessoal, dizendo que não há sol. De fato, o sol não está coberto, pois quando a nuvem se dissipa ele brilha novamente, mas, na verdade, ele nunca deixou de brilhar. Assim é a realidade dessa Consciência, Inteligência, dessa absoluta Realidade, que está sempre presente, mas quando a mente se afasta do coração a nuvem cobre o sol. Isso é só uma metáfora que, talvez, não seja totalmente perfeita, mas não importa. 

Você tem deixado essa Inteligência absoluta, essa Consciência da realidade. Assim, você imagina a sua vida cheia de conflitos, problemas, isso porque se identifica como uma “pessoa”, apresenta-se com uma identidade nessa experiência corpo/mente/mundo. Então, você se vê como “alguém” no mundo, mundano, e imagina seus problemas como sendo reais, semelhante a essa pessoa ignorante, que imagina não haver o sol. Isto porque ela só está vendo aquilo que pode ver, que são as nuvens... As nuvens de suas crenças, ideias, de seus conceitos e preconceitos, desejos, medos, preocupações. São, somente, crenças; é a mente afastada dessa Consciência, dessa Presença, dessa Inteligência absoluta... Afastada do coração. Isso me soa como algo dito de uma forma muito real, verdadeira... Soa como algo muito simples.

Você tem se identificado com o mal, com a negatividade, com o pessimismo, com o derrotismo ou com as esperanças, os desejos e os sonhos, com o pior ou o melhor da vida. Esse “pior da vida” e “melhor da vida” é o pior e o melhor que a mente diz que existe. Para mim, basicamente, isso é estar fora dessa Inteligência absoluta, que é Consciência, Realidade e Sabedoria. Então, você se identifica com errôneas, equivocadas condições, sejam elas positivas ou negativas. Você confunde a sua vida com essas condições, e essas condições são apenas crenças mentais. Assim, você conserva essas nuvens.

Em Satsang nossa proposta é a dissipação da ilusão dessas nuvens, as nuvens dos seus problemas. Não estamos preocupados com seus problemas. Não é, exatamente, com essa nuvem ou aquela, em particular, que estamos preocupados. Aqui, não estamos nos ocupando de nos preocuparmos com essa, aquela ou todas as nuvens. Estamos nos ocupando em nos libertamos dessa ilusão, que é a ilusão de que existem nuvens, e isso significa o fim da ilusão dos problemas. Uma vez que você esteja de volta ao Coração, seu sol brilhará novamente e cada coisa, em sua vida, será impregnada desta Presença, Consciência, Inteligência absoluta. 

Isso é estranho para você? Você prefere seus sonhos, esperanças e desejos? Ganhar na loto? Encontrar um novo casamento? Ou a felicidade em uma realização profissional? 

Estamos tratando em Satsang do fim da ilusão, que é a ilusão da separação, da separatividade, do sentido de “alguém” presente no mundo. A experiência direta daqueles que realizam e realizaram essa compreensão é de que quanto mais você se ocupa com a “pessoa” que você acredita ser, mais problemas você tem.  Isto porque só você tem problemas. A vida não tem problemas. A pessoa tem problemas, a vida não conhece problemas. A pessoa não conhece a vida e só conhece problemas. 

Você diz: “eu prefiro a real situação da vida”.  A pergunta é: “o que significa uma real situação da vida”? A vida conhece situações. Se tiver “alguém” que prefere algo, esse “alguém” está preso às suas preferências; se as coisas acontecerem de uma forma como não prefere que aconteça, ele está em conflito. É necessário se libertar da ilusão de ser “alguém que prefere algo”. Quando você diz “mas é no sentido da verdade”, no “sentido da verdade” não há preferência, pois na Verdade não há escolha... A mente escolhe, a pessoa escolhe. A Verdade é impessoal, é essa própria Presença que resplandece, brilha, é autoefulgente. Nela “você” não está, o “eu” não está, assim como o “mim”, o sentido de “alguém”. Isto significa o Despertar. 

O ponto é que ele, ou ela, não compreende Isso. Essa ou aquela pessoa jamais compreenderá Isso. O Despertar está além da pessoa. As pessoas querem saber o que é essa Realidade absoluta, querem encontrar Deus, a Verdade, mas elas não podem. Deus é o final dessa ilusão da “pessoa”. Essa absoluta Realidade é o final dessa ilusão, que é a ilusão de “alguém” que pode encontrá-la... É o final da ilusão de estar no mundo, sendo “alguém” vivendo uma experiência humana, corpórea, pessoal, individual, como parte de uma estrutura cultural e social. Tudo isso precisa terminar, porque só tem continuidade na ilusão, não na verdade. Nosso interesse e empenho total nesses encontros é o fim do sentido do “mim”, do “eu”, e isso é completamente devastador. 

Você pergunta: “então, só estamos aqui para nos dissolver?” Eu diria que nós só estamos aqui para descobrir que não estamos aqui. Estamos aqui para descobrir que não somos absolutamente coisa alguma, algo para se dissolver. Nós somos absolutamente nada... Nada é o que nós somos, de forma absoluta, e isso é pura Consciência, pura Inteligência, absoluta Realidade, absoluta Verdade. Isso significa Iluminação, Despertar, Realização de Deus, ou como nós queiramos chamar Isto, mas é o fim do “eu” e das crenças, sejam elas as crenças dos bêbados dos botequins ou as dos filósofos; as crenças mundanas ou as espirituais; as crenças tolas ou as sábias. 

Vocês não estão aqui para aprender algo, mas sim para descobrir que não há qualquer coisa para “alguém”, que não há esse “alguém” que pode ou precisa aprender algo, ou, ainda, descobrir alguma coisa. A questão não é “se tornar”, não é “vir a ser”, não é “chegar”. A questão é mergulhar nesse Silêncio... É ir além da ilusão do pensamento, dessas imaginações que o pensamento cria; ir além dessas ideias e descrenças, dos conceitos e das noções de certo e errado. Você está aqui apenas para ser e para ser você não precisa “vir a ser”, “se tornar”, “chegar”. É uma simples questão de “voltar”, de “se tornar”, mas este “se tornar” não é uma ação positiva no sentido do fazer algo, mas do relaxar em Ser. É isso o que nós chamamos de Meditação e isto significa a dissipação dessas nuvens, ou da única nuvem, que é a ilusão da separatividade.

Essas falas são de pura investigação e a investigação apenas constata o que é; não produz provas, apenas constata o que já está ali.  Ela não vai alterar a cena, o quadro; não vai mudar ou acrescentar; ela vai constatar. A Sabedoria, tal qual a Verdade, é algo assim: constatável e não pode ser produzida.  Assim é Deus, o Amor, a Paz, essa Verdade sobre você. Isto é constatável, mas não pense sobre isso, pois assim você estará de volta à mente, afastando-se novamente do Coração, dessa direta e simples Realidade que é Ser, que é Meditação. 

A verdade é que pessoas não se aproximam desses encontros para irem além dessa ilusão. Elas querem, em seus dias mesmo sem o sol, um pouco de luz, de claridade. Elas não querem ver as nuvens dissipadas, que são suas crenças, teorias, conceitos, ideologias, convicções... Querem ter isso e ao mesmo tempo um dia iluminado. Elas não estão interessadas no Sol, o Sol da Realidade, Verdade e Inteligência absolutas, porque Isso seria o fim dos seus dias, desses dias que elas imaginam que poderiam ser dias melhores. Isto significa o fim da “pessoa” e seus dias. Na Índia, esse Sol sem dias pessoais eles chamam de Samadhi... Essa vida direta no Coração, como pura Presença, Consciência... Como Realidade e Inteligência impessoais. 

São poucos, bem poucos, os que estão dispostos a Isso, pois significa o fim da “pessoa” e sua história. Há muito conforto nas crenças, embora seja muito desconfortável. A crença traz conforto, mas um conforto muito assustado, muito cheio de medo, mas a pessoa adora isso. O ego prefere o conforto desconfortável e medroso de suas crenças do que o fim completo de suas crenças e desse desconfortável conforto... Sem isso ele não é nada e é desse Nada que estamos tratando em Satsang... Esse Nada absoluto que é pura Consciência, pura Realidade.

A verdade é que você, de fato, não quer Despertar, apesar de parecer que não quer dormir. Ouvir só a fala talvez seja algo muito inofensivo. Você não quer Despertar, apenas ser... Ser o seu próprio Ser. Quem quer a Verdade? Quem quer Despertar? Compreendem isso? Eu quero lhe dar Isso! Todo o meu esforço está nessa direção, mas você está muito encantado com seus dias nublados. 

*transcrito a partir de um encontro online via Paltalk na noite de 10 de Agosto de 2016 - Encontros todas as segundas, quartas e sextas às 22h - Participe 

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