quarta-feira, 21 de setembro de 2016

A inútil compreensão intelectual sobre a verdade


Sejam bem-vindos a mais este encontro pelo Paltalk! 

Esses encontros online não se constituem em trabalho, pois este não consiste em uma fala. Pior do que uma fala é a ilusão do entendimento dela, dentro desse contexto chamado Satsang. Pior do que uma fala, em Satsang, é a ilusão da concordância com a fala. Satsang não é um assunto como uma matéria de escola, que você aprende e depois entra concordando ou admitindo um perfeito conhecimento daquela matéria. Satsang, basicamente, significa  constatação direta; não é algo intelectual. Algo intelectual você aprende nos livros, você aprende com professores, com oradores, com palestrantes. Aqui, não tratamos de algo que possa ser aprendido, tratamos de algo vivencial. Portanto, aqui, investigação não é acompanhar intelectualmente uma fala, mas um mergulho direto; um direto “perceber”, “sentir”, “vivenciar”.

Hoje, há muita intelectualidade aí fora, sobre todos os assuntos. É curioso, porque é muito fácil aprender essa linguagem e sair repetindo isso, como se estivesse vendo, percebendo, sentindo, vivenciando diretamente. Isso é uma tremenda ilusão! Esse imaginário “eu”, esse imaginário “ser”, essa imaginária “pessoa” é exatamente isso: um movimento de cópia, um movimento de imitação, um movimento de repetição. O ego carrega esse dinamismo e é exatamente isso que funciona como um véu, que oculta a realidade do Amor, da Paz, da Liberdade, da Felicidade que está nesta Realização. É necessário ver isso claramente, sentir isso claramente, silenciar..ou podemos teorizar sobre isso durante toda a vida. A cada dia, novos entendidos aparecem, o acesso a esse conhecimento teórico de palavras fica mais fácil, mas não há verdade nisso. 

Todos acompanham isso?

Realização não está no campo do intelecto, não está no campo das explicações, nesse dinamismo do ego. É necessário ver claramente – e não verbalmente, teoricamente, conceitualmente – que você é essa Realidade, que você é essa transparente Presença, que é Consciência, que é Silêncio, que é Felicidade, que é a ausência de ilusão. É dessa aproximação direta que tratamos vivencialmente, experimentalmente. Não teoricamente! Não verbalmente! Não como uma teoria, como uma crença... uma crença advaita que, como um papagaio, você repete, vivendo nesse imaginário “eu”, falando de uma imaginária consciência, vivendo efetivamente na ilusão da ignorância, no apego, no desejo, no medo, com todos os conflitos de uma mente completamente barulhenta, em desordem, perturbada, desorientada... Vivendo, assim, com uma fala aprendida, falando do que não sabe, criando canções sobre isso, concordando com falas e dando explicações acerca disso, criando poesias, poemas sobre isso. Tremenda ilusão! 

Deus, a Verdade, não é um assunto de cabeça. O ego (esse sentido de ser alguém) é muito, muito, muito habilidoso. Nós estamos, cuidadosamente, pacientemente, de forma dedicada e amorosa, descobrindo a importância dessa honestidade, a honestidade dessa entrega à Verdade. Essa é a única forma real de nos mantermos livres desse dinamismo ilusório, desse dinamismo da mente egoica, desse sentido de separação tentando se passar por algo diferente. Estamos falando de uma realidade presente nesse instante. Nós estamos procurando isso no futuro e isso é algo que está presente quando a ilusão desse dinamismo egoico, essa mente egoica, não está.

Isso está claro, gente? 

A Meditação está presente quando não há essa identificação, quando não há nenhuma prisão a esse movimento da mente egoica. Somente a Meditação é esse real espaço. Nesse real espaço, a Verdade está, Deus está, a Liberdade está, a Felicidade está. Você não pode, aqui, querer ver confirmadas as suas crenças. Na mente egoica, você sempre se sentirá identificado com o que acontece do lado de fora, como se aquilo estivesse acontecendo para atingir alguém e esse alguém fosse você, ou com o que acontece do lado de dentro, como pensamentos, sentimentos, emoções, sensações (isso no corpo, como sendo o corpo). 

Portanto, a Realização é algo muito real quando não há teorias sobre isso, quando você está disposto a ir além das crenças, além das teorias. É necessária essa sensibilidade... Total e apurada sensibilidade a tudo que se mostra, interiormente e externamente. Quando há essa sensibilidade, você não se confunde com isso, não torna isso algo pessoal, não mais confia nessa experiência de alguém, desse alguém que você acredita ser. Então, nessa sensibilidade, nessa delicada sensibilidade, a Meditação acontece, a desidentificação com a ilusão do “eu” acontece. Isso é Meditação! 

Quando a Meditação está, não tem você. Quando você está, não há Meditação, há só contração. São duas palavras: ou há Meditação ou há contração. A contração é esse sentido de ser alguém dentro do corpo. É exatamente assim que você se sente, em especial, quando está preso a alguns sentimentos, a algumas emoções, sensações e pensamentos. Alguns são mais significativos do que outros, são mais importantes do que outros, para fazê-lo se sentir assim, nessa contração. Então, você está estressado... Aí está você! Quando está triste, aí está você; quando está alegre, aí está você; quando está nervoso, aí está você... Uma contração no corpo – o sentido de ser alguém ali, naquela dada experiência. Quando você está preocupado, é essa “pessoa” que está preocupada, com suas coisas, com os seus assuntos. Isso é tudo muito pessoal! Isso é muito íntimo da pessoa, uma contração. Então, quando a contração está presente, não há Meditação. Quando há Meditação, não há essa contração, não há alguém nessa experiência, não há experiência para alguém. Quando há Meditação, você não está e, quando você não está, embora os sentidos do corpo estejam plenamente alertas, não há alguém nessa experiência. Então, o ouvir é de uma grande sensibilidade, o olhar é de uma grande sensibilidade, o sentir, presente aí, é de uma grande sensibilidade. Isso tudo ainda está acontecendo a você, mas não tem esse “você”. 

Não sei se isso faz algum sentido para você... 

Então, “você” não está mais aí, não há mais a briga, o conflito, o desejo, o medo, as imaginações, o futuro, o passado... Esse relaxar em sua Natureza Essencial, em sua Natureza Real, fora da ilusão, dessa ilusão “eu sou o corpo”, “eu sou alguém aqui”, “eu tenho algo a conseguir, a conquistar”, “eu tenho algo do qual tenho que me livrar”... Então, isso tudo desaparece completamente. Desaparece tudo! Completamente! Tudo vai, tudo cai! Não tem mais essa contração, não há mais o sentido de alguém. Essa é sua Natureza Real, sua Natureza Verdadeira, Você em seu Ser. Seu Ser é Você!  E isso é Vida - A Vida Real! 

Não dá para realizar isso fazendo alguma coisa. Só é possível realizar isso constatando isso presente nessa ausência do “fazer”, do “tentar realizar algo” ou “deixar algo”. Todo e qualquer esforço o afasta disso. Você está em plena consciência, mas sem esforço. Você em plena consciência e sem esforço não é alguém; é essa Presença, é essa Realidade. Repare que todas as vezes que você se confunde com pensamentos, com imaginações, com o futuro, com o passado, com uma dada situação do lado de fora ou com uma sensação, aí está você de volta ao corpo, na ideia de ser alguém, e é claro que isso é um problema! O único problema que você tem é você, está dentro desse dinamismo – o dinamismo pessoal, a autoconfiança, a autoimagem, o desejo de ser ou de deixar de ser. 

Alguma pergunta? Ok, pessoal! Vamos ficar por aqui! Valeu pelo encontro! 

Namastê! 

Fala transcrita a partir de um encontro online ocorrido na noite de 5 de Agosto de 2016 - Encontros todas as segundas, quartas e sextas às 22h - Baixe o App Paltalk e participe

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