sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Um encontro desafiador






Mais uma vez juntos nesta noite de Satsang.

Satsang sempre é um encontro desafiador, porque, nesses encontros, você se depara com uma fala que não segue um princípio tão racional, tão lógico, como geralmente o intelecto aprecia. Não estamos tratando, em Satsang, de algo em que o intelecto se sente inteiramente à vontade.

Satsang significa encontro com a Verdade, encontro com O que É, não o encontro com conceitos, crenças, ideias ou um sistema filosófico. Em Satsang, nós investigamos a natureza da Consciência (Consciência, aqui, representa a Verdade). Não estamos falando daquilo que geralmente conhecemos, também, por consciência, mas sim falando Daquilo que torna possível toda percepção, constatação e presença. Portanto, Consciência, aqui, é Aquilo que está ciente, que é anterior àquilo que nós conhecemos por consciência. Este é um outro aspecto daquilo que, aqui, chamamos de Consciência e que, nesses encontros, chamamos também de Presença, Verdade ou Realidade. Portanto, nesses encontros nós investigamos a natureza da experiência, que é a natureza da Consciência, e todas as aparições, percepções, experiências, constatações. Essa é a natureza do Ser, a natureza da Verdade sobre nós mesmos. Essa Consciência é autoconsciência. Isto não está preso às funções do próprio cérebro, está além dele e de suas funções. Estamos falando de algo que é anterior à própria mente e ao próprio corpo; é Aquilo que está presente e interpenetra tudo, todas as formas.

Aqui, seria mais preciso usarmos a expressão “Onisciente”, ao mesmo tempo que, também, é Onipresente. Essa é a natureza da Verdade, que é a natureza do Ser, do  homem, de tudo. Isso é viver no Estado Natural, que é Meditação, Consciência, Presença... Isso não é algo pessoal. Aquilo que entendemos por “pessoa” fica fora, completamente, disso. “Pessoa” é essa ilusória identidade presente, em toda e qualquer experiência, com um nome e uma forma, com uma história e tudo que implica esse sentido de “pessoa” presente (desejos, medos, preocupações, conflitos, além da, assim chamada, alegria, do prazer ou da satisfação, também, pessoal).

Quando falamos da Consciência, estamos falando da Presença, que é a Verdade impessoal. Esta é a natureza do homem, a Natureza Verdadeira... Não só a natureza do homem, mas a natureza real de todos os fenômenos, de todas as aparições. Isso é Aquilo que torna possível todas as aparições, experiências e percepções.

Dá para acompanhar isso?

Esse encontro com a Realidade, com a  Verdade, com a sua Natureza Real, representa o encontro com a Consciência (esse “encontro”, aqui, significa essa constatação). Não é você e essa Consciência; é a pura e direta constatação da não separação, da não separatividade. É a constatação da ausência dessa ilusão de uma identidade separada, presente aí, precisamente dentro do corpo. Essa ilusão é puro condicionamento. Nós fomos condicionados a pensar assim... Isso é só um pensamento, também.

A “pessoa” fica muito chocada quando dizemos que ela é uma fraude, que a história de sua identidade não se confirma; é só uma história, não é “a história” de uma identidade. Podemos escrever uma biografia sobre uma entidade presente, mas é uma suposta entidade, que não é real. Essa história não dá validade, validação, à existência de uma entidade presente, pois é somente a história de um corpo, de um mecanismo, de um organismo, de um corpo-mente, podemos chamar assim, mas não tem “alguém” ali. Isso é muito assustador, a princípio.

Todo sentido de “importância pessoal” é reprovado: não há “alguém”; não existe “alguém” presente nessa experiência,  nessa percepção,  nessa constatação; não existe “alguém” presente nessa Consciência. Essa Consciência, essa constatação, essa percepção, essa experiência é, sempre, sem “alguém”; é sempre um acontecimento Divino, algo semelhante à história de uma peça teatral ou de um filme, onde todos os que participam são apenas personagens, que só são reais dentro desse contexto de história (a peça teatral ou esse filme). Mas, você não pode separar esse personagem da história, da peça teatral ou do filme, pois esse personagem não é real se separado dessa história, não existindo uma entidade presente.

Nessa, assim chamada, “sua vida” essa história está “em cima” exatamente disso, dessa ilusão. Você tem um nome e tem uma história, que são o nome e a história de um personagem, e isso não é você; seu nome não é você; sua história não é você. Aqueles que aparecem, também, dentro desse contexto de história, na, assim chamada, “sua vida”, também são personagens. Marido, esposa, filhos, netos, sobrinhos, primos, os avós, os bisavós, os amigos, os inimigos, todos fazem parte dessa história, mas são personagens dela.

A vida não reconhece pessoas, porque ela é impessoal e não trata com pessoas. A vida é esse teatro onde acontece a peça teatral, é a tela onde acontece o filme. Nosso interesse, em Satsang, é ir além dessa ilusão. Esse é o constatar da Verdade sobre você.

Estamos juntos?

Satsang é o fim dessa ilusão! Satsang é o encontro com a Verdade!

Ok? Vamos ficar por aqui, pessoal! Namastê!


*transcrito a partir de um encontro online ocorrido na noite de 03 de Agosto de 2016 via Paltalk
Encontros todas as segundas, quartas e sextas às 22h baixe o Paltalk e participe!

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